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A Origem Temporal da Alma - Helio

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A ORIGEM TEMPORAL DA ALMA

Temos aqui um assunto importante para analisar em relação à natureza do homem: A alma e a vida do homem na sua concepção temporal.

Qual a origem da alma?

1 –    Pré-existência: As almas poderiam ter sido criadas no início do mundo, quando Deus criou os seus exércitos, os seres espirituais. Esta idéia não é aceita pela grande maioria dos teólogos porque coloca um problema: onde estariam essas almas desde sua criação até hoje? Não existe nenhum registro bíblico a esse respeito. A existência prévia das almas foi defendida por Orígenes de Alexandria no início do terceiro século depois de Cristo, foi rejeitada e considerada herética no Concílio de Constantinopla em 553 d.C.

2 –    Traducianismo: As almas são geradas e transmitidas pelos pais a seus filhos da mesma forma que os animais irracionais, esta afirmação conduz a dois problemas sérios: Primeiro, o homem tem vida em si? Segundo, quem transmite a alma, o pai ou a mãe? No caso dos animais irracionais, a semente da vida gerada desta forma perece junto com o corpo, no caso dos homens, a alma é imortal e a pessoa teria vida em si, a capacidade de geração da vida espiritual, que a bíblia diz ser reservado somente a Deus.

2.1 - Os defensores desta corrente afirmam que Deus criou o homem completo, de forma que o homem tem a capacidade de gerar um ser completo incluindo a alma. Esta afirmação remete a algumas dificuldades intransponíveis:

- A alma é uma substância simples e puramente espiritual não apresentando a possibilidade de subdivisão.

- Os homens são responsáveis apenas pelo pecado original, o primeiro pecado de Adão, se a alma fosse transmitida pelo próprio homem, todos os homens carregariam não somente todos os pecados de Adão, como todos os pecados de seus ascendentes.

Objeção ao traducianismo: Conforme a exposição acima, o traducianismo faz Jesus pecador, o que invalidaria completamente todo o plano de redenção divino.

Por todos estes motivos, o traducianismo não é uma consideração válida para a criação da alma dos homens.

3 –    Criacionismo: As almas são criadas por Deus imediatamente na fecundação de conformidade com a conjuntura social, histórica e genética que envolve a complexidade da vida gerada. Desta forma, a providência divina é uma constante criação – as coisas já criadas não são criadas novamente, mas muitas outras coisas ainda são criadas na providência, uma delas é a alma humana.

Muitos teólogos criacionistas afirmam que Deus cria cada alma para cada corpo concebido e que, como justa penalidade pelo pecado de Adão, priva estas almas recém criadas da operação do Espírito Santo, do qual depende toda a vida espiritual agradável a Deus. Posteriormente, pela imputação da justiça de Cristo, os eleitos, e somente eles, são justificados pela graça e recebem o Espírito que opera a regeneração e a perseverança do crente: “O Novo Nascimento”.

T. Ridgely – Teologia, Volume 1: “Deus cria os homens sem dons celestiais e sem luz sobrenatural; e, com justiça, porque Adão perdeu esses dons para si e para a sua posteridade”.

Existem teólogos respeitados que defendem tanto o traducianismo, como o criacionismo, mas o criacionismo é a única forma de transmissão da alma que está plenamente de acordo com os ensinamentos da Escritura a respeito da criação do homem.

Hebreus 12,9 (RA): “Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos?”.

Hebreus 12,9 (RC): “Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?”.

Objeções ao criacionismo:

Muitos teólogos e religiosos alegam que o criacionismo faz de Deus o criador, ou autor, do pecado. Neste caso, tanto a permissão para a criação de almas pecadoras, no caso do traducianismo, como a criação ativa e imediata destas almas no caso do criacionismo, faz de Deus o criador, ou autor, do pecado, pois todos os homens nascem com o estigma do pecado original. Deus é, de fato, o criador de todas as coisas no universo, o que não faz Deus pecador de forma alguma: O agente do pecado é o homem, e ademais, Deus tem um bom propósito para a existência do mal, que será erradicado de forma definitiva no Dia do Juízo.

Isaías 45,7: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas”.

Ora, o pecado original não se transmite por hereditariedade, mas por imputação de Deus a toda a raça humana descendente de Adão, caso contrário, como foi dito acima, os homens seriam culpados de todos os pecados de Adão e de todos os pecados de seus ancestrais.

De uma e outra forma volta-se a ter Deus como determinando e imputando o mal e o pecado, tanto no criacionismo como no traducianismo, pois Deus é onisciente e conhece o destino de cada ser humano que irá ser concebido.

Isaías 46,9-10: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”.

A não ser que exista outro poder paralelo e igual a Deus, Ele é quem determina e cria a existência do mal e do pecado, não é possível haver outro criador de qualquer coisa boa ou má neste universo.

Lamentações 3,37-39: “Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? Acaso, não procede do Altíssimo tanto o mal como o bem? Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados”.

Na verdade este problema não é real, pois Deus declara explicitamente na Escritura que é, de fato e de direito, o criador de todo o bem e todo o mal, nada que existe no universo escapa ao poder criador e ao absoluto controle de Deus. É muito difícil entender porque estes pretensos “advogados” de Deus insistem em negar o que Deus afirma na Escritura, já vimos acima o verso crucial de Isaías.

Isaías 45,7: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas”.

Quanto à outra objeção do criacionismo com relação à transmissão das características genéticas, também não tem fundamento real, pois Deus tem o poder e a sabedoria para criar em cada caso, uma alma adaptada ao corpo, à personalidade e ao relacionamento previsto na vida de cada indivíduo (ver acima – paralelismo).

CONCLUSÃO

Entender o homem como uma pessoa total tem implicações de extrema importância para a igreja, como observa Francis Schaeffer, se a obra missionária não atende às dúvidas e expectativas da pessoa tanto quanto à sua espiritualidade quanto à sua vida terrena, a evangelização será falha. Pode se observar hoje, claramente, os resultados desta afirmação: ou as igrejas se enchem de pessoas em busca de psicologia barata ou a igreja se volta à assistência social despida de seu sentido evangelístico.

Nenhuma dessas situações é desejável, a missão da igreja é trazer pessoas a Cristo e não encher os seus bancos ou seus cofres. Quanto à assistência social, sem a transmissão da mensagem do evangelho, também se constitui em uma atividade vazia e desprovida de sentido cristão.

O conhecimento, respeito e convicção quanto à pessoa do homem, conforme afirmado pela Escritura, é fundamental, não somente para o entendimento da natureza do homem, como para todas as atividades de louvor, adoração e cumprimento dos preceitos e ordenanças no cristianismo.

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