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As Cartas do Apocalipse - B. Bíblica

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AS CARTAS DO APOCALIPSE – B. BÍBLICA

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Revisão e versos acrescentados (RA) por: Helio Clemente

 

As cartas que constituem esses dois capítulos do livro de Apocalipse não foram enviadas às sete igrejas dos dias de João. Simbolizam sete períodos bem definidos da história da igreja, desde o seu nascimento em Pentecostes até o arrebatamento. Essas igrejas são chamadas candeeiros, ou “candelabros”, para mostrar que a função da Igreja é brilhar, por Jesus, em meio às trevas do mundo.

Apocalipse 2,1: “A o anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que conserva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete candeeiros de ouro. Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor”.

À igreja em Éfeso, a mensagem foi que o Construtor da Igreja caminhava em seu meio. Se, contudo, ela deixou de andar com ele e abandonou o seu primeiro amor, então, como um candeeiro, seria tirada de seu lugar. Os que, mesmo dentro dessa igreja apóstata, permaneceram fiéis ao seu Senhor, comerão “da árvore da vida”, que significa a promessa da restauração do Paraíso. Essa dádiva de imortalidade é o próprio dom de Cristo que virá.

Apocalipse 1,3: “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo”.

Apocalipse 2,8-10: “Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver: Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás. Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”.

À igreja em Esmirna, Cristo revela-se como “o primeiro e o último”, e tudo o que há nesse meio. Os religiosos hipócritas são apresentados como “sinagoga de Satanás”. Quanto aos “dez dias”, simbolizam “as dez grandes perseguições” sob os cruéis imperadores romanos. Esmirna, que significa “amargar”, associa-se a mirra, um unguento associado à “morte”. A recompensa prometida aos mártires era “a coroa da vida”.

Apocalipse 2,12-15: “Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas”.

À igreja em Pérgamo, Cristo apresenta-se como possuidor de “uma afiada espada de dois gumes”. Essa expressão figurada denota o poder de sua Palavra para salvar ou matar. Refere-se a Pérgamo como o trono de Satanás, ou seja, a sua central de operações, de onde inspirou Constantino a inaugurar o seu estado cristão. Foi também nessa época que o Catolicismo Romano começou a florescer. Contra todos os apóstatas e enganosos, o Senhor disse que lutará com a espada de sua boca. Aos que perseverassem fiéis a ele nessa época degenerada, havia a promessa do maná escondido, uma pedrinha branca e um novo nome.

Apocalipse 2,18-20: “Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos”.

À igreja em Tiatira, o Senhor revela seus olhos como chama de fogo, e os pés como bronze polido — símbolos achados na visão que João teve do Senhor. A Jezabel do Antigo Testamento levou todo Israel a pecar com Jeroboão, filho de Nebate. Se a Jezabel, a que Cristo se refere na carta, era uma pessoa real ou não, é difícil afirmar-se. No entanto, é evidente que ela tipifica um sistema perverso, responsável por doutrinas perniciosas, sedução e adoração a ídolos. Um estudo cuidadoso do desenvolvimento do sistema papal com a paganização dos ritos cristãos mostra a correspondência com o Jezabelismo da igreja em Tiatira.

Aos que resistissem aos falsos apelos desse sistema, há a promessa de que governarão sobre as nações com cetro de ferro e possuirão a Estrela da Manhã. Essas figuras de linguagem representam autoridade e glória vindouras.

Apocalipse 3,1-3: “Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus. Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti”.

À igreja em Sardes, o Senhor se apresenta como possuidor dos sete espíritos de Deus e as sete estrelas. Essa linguagem própria de parábolas, ligeiramente diferente da anterior, mostra que o Senhor não é apenas o que enviou o Espírito Santo, mas também o seu possuidor, e que só ele pode fazer com que os mensageiros de sua igreja brilhem como estrelas. Aos que, em meio ao formalismo e morte espiritual no lagar da ira da igreja em Sardes, resistirem firmemente ao fluxo do ritualismo, o Senhor promete que seriam vestidos de vestiduras brancas e teriam eterna lembrança no livro da vida. Andar com ele com gloriosas roupas brancas será a eterna recompensa das testemunhas fiéis. A volta de Cristo como um ladrão reporta-nos aos ensinos das parábolas em Mateus e Lucas.

Apocalipse 3,7-10: “Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá: Conheço as tuas obras—eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar—que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei. Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra”.

A igreja em Filadélfia, Cristo apresenta-se não apenas como o Santo e Verdadeiro, mas também o que possui a Chave de Davi. Os reconhecidos mestres da lei deixaram de usar corretamente a chave do conhecimento. Cristo é o verdadeiro Despenseiro da casa de Davi. Se a igreja em Filadélfia representa o reavivamento da Igreja no século XVII, após um período de inanição, na Idade Média, então, através do avivamento de Whitefield e da obra missionária de William Carey, abriu-se a porta da graça às multidões. Por isso, os vencedores receberão a coroa e tornar-se-ão colunas no Santuário de Deus, onde será gravado O Novo Nome de Cristo. Sob esses expressivos símbolos está a perspectiva de possuir a recompensa e de manter a palavra de sua paciência.

Apocalipse 3,14-19: “Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te”.

À igreja em Laodicéia, uma igreja para a qual ele não tem sequer um elogio, apenas reclamações, Cristo elabora um magnífico camafeu de si Mesmo. Ele é “o amém, a fiel e verdadeira testemunha, o princípio da criação de Deus”. Esses títulos simbolizam seu cuidado, sua imutabilidade e supremacia. Como essa carta, com severas repreensões, está cheia de símbolos expressivos! A igreja em Laodicéia, cheia de justiça própria, auto satisfação e opulência, não era fria nem quente, mas morna; e, por ser morna, causava náusea em Cristo. Por isso, ele diz que a vomitará de sua boca. Temos aqui uma parábola de rejeição da apóstata igreja organizada, quando ele voltar para a sua verdadeira igreja.

A respeito de seu ouro corrompido ou adquirido desonestamente, aconselha-se à igreja que compre do Senhor “ouro refinado no fogo”, riquezas celestiais incorruptíveis; aos cegos espiritualmente, clama-se que comprem “colírio” para que vejam. Mercadores com seus unguentos e ervas medicinais não conseguem reproduzir qualquer substância que restaure a visão espiritual deteriorada. Somente a unção divina pode fazer isso. Para a sua nudez espiritual, a igreja é desafiada a comprar de Cristo “vestiduras brancas”, sem as quais ninguém jamais permanecerá em sua presença.

 

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