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A Humilhação

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BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER – PERGUNTA 27

PERGUNTA 27: Em que consistiu a humilhação de Cristo? RESPOSTA: A humilhação de Cristo consistiu em ele nascer com uma natureza humana, sujeito à lei; em sofrer as misérias desta vida, a ira de Deus e a morte na cruz; em ser sepultado, e permanecer, por algum tempo, debaixo do poder da morte.

Os estados de Cristo: Os estados de Cristo podem ser considerados através de sua relação com a lei e a condição de sua pessoa resultante deste fato. Os estados de Cristo são relativos à sua pessoa, e não à sua natureza humana ou divina.

1 Coríntios 15,3-4: “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”.

O estado de humilhação refere-se ao tempo em que ele tabernaculou na terra, sujeito às normas e exigências da lei, e o estado de exaltação refere-se à sua existência junto à trindade divina, antes da encarnação e depois de sua ascensão aos céus.

Gálatas 4,4: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

O estado de humilhação: Podem se definir dois fatos na humilhação de Cristo:

- O primeiro fato, é que subsistindo como Deus durante todo seu ministério terreno, ele esvaziou-se se suas qualidades divinas, assumindo voluntariamente a forma de servo.

Filipenses 2,6-8: “Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”.

- O segundo fato é que ele se fez pecado e maldição em lugar do seu povo, sendo obediente até a morte na cruz para que seu povo recebesse o Espírito prometido.

Gálatas 3,13-14: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro), para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido”.

A encarnação é considerada por muitos teólogos como um dos estágios da humilhação de Cristo, mas, como este estado que o Verbo assumiu tornou-se permanente, ele foi exaltado nesta mesma situação que assumiu na encarnação, desta forma, não consideramos a encarnação como parte do estado de humilhação.

João 1,14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

Através da encarnação ele adicionou uma característica particular ao seu ser, mas sem modificar sua natureza divina, ele é sempre o eterno e infinito Verbo de Deus, a segunda pessoa da Trindade Divina.

É preciso deixar claro que Cristo jamais abandonou suas funções cósmicas e divinas junto à Trindade no tempo de sua encarnação e tabernáculo aqui na terra, como podemos ver no verso abaixo no livro de Hebreus.

Hebreus 1,3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”.

Os sofrimentos de Cristo: Os sofrimentos de Cristo não se resumem em sua morte, mas toda a sua vida foi de sofrimento; viver na companhia de pecadores em um mundo de pecado, desprezado e odiado pelos judeus. O seu sofrimento aumentava à medida que se aproximava o fim, sendo culminado pelo abandono do Pai no momento de sua morte.

Pode-se ver isto nos versos abaixo de Isaías, onde a palavra “traspassado” é melhor traduzida do hebraico por “deixou-se profanar”, revelando, desta forma, o sofrimento do Verbo, profanado por mãos de iníquos (note o tempo passivo do verbo).

Isaías 53,5: “Mas ele deixou-se profanar (foi traspassado) pelas nossas transgressões e (foi) moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.

Os sofrimentos de Cristo resultam do fato de que ele assumiu o lugar de seu povo na punição pelo pecado, sendo os seus sofrimentos extremos no corpo e na alma.

Ele, sendo o criador do universo, entregou-se voluntariamente nas mãos de iníquos; ele, sendo puro e sem pecado, viveu em um mundo entregue ao pecado; ele, que conhecia sua morte na cruz, entregou-se voluntariamente aos sofrimentos extremos na cruz do calvário.

Hebreus 2,14: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo”.

Os sofrimentos de Cristo não se limitavam às causas naturais, mas Deus colocou ativamente sobre a sua pessoa, através de sua natureza humana, a dor, o castigo e a maldição devida a todos os pecados de seu povo.

Isaías 53,6: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”.

As naturezas de Cristo em seu estado de humilhação:

A natureza humana: O abandono do Pai é dirigido à natureza humana do Verbo, mas a natureza não é impessoal, quem sofreu na cruz foi a pessoa de Cristo, o Verbo de Deus, que sofreu a experiência da morte eterna: a humilhação, a dor e o abandono do Pai.

Salmos 22,1: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido?”.

A natureza divina: A natureza divina do Verbo é imutável; ao mesmo tempo em que a pessoa do Verbo sofria o abandono do Pai em sua natureza humana, ele estava em sua natureza divina junto à Trindade e cumprindo suas funções cósmicas.

João 10,30: “Eu e o Pai somos um”.

Ele foi tentado como nós, mas ele era impecável, muitos argumentam que uma pessoa impecável não pode sofrer com as tentações, mas a Escritura afirma este fato e devemos recebê-lo sem hesitação, pois é claramente revelado na bíblia.

Hebreus 4,15: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

A morte de Cristo: a morte de Cristo não pode ser vista como a simples separação da alma e do corpo.

Uma vez que Cristo se fez pecado em lugar dos eleitos, ele sofreu na sua morte a punição pelos pecados de todo o seu povo que lhe foi dado por Deus, recebendo em si mesmo toda a ira e o castigo devido a estes pecadores por ele representados.

Mateus 26,39: “Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres”.

Para culminar todos estes sofrimentos ele experimentou a “morte eterna” pelo abandono de Deus, destinado aos pecadores condenados. Nem o sofrimento no inferno pode ser comparado ao sofrimento de Cristo na cruz.

Mateus 27,46: “Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”.

Aquele que foi erguido no madeiro é o próprio Criador, ele se deixou profanar pelos pecados do seu povo e recebeu sobre si toda a ira e o abandono de Deus significando a morte eterna, antes reservada àqueles que foram perdoados pelo seu sacrifício.

2 Coríntios 5,21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.

A morte eterna, sentida profundamente pela pessoa de Cristo, não foi aplicada à sua natureza divina, mas à consciência própria de sua natureza humana, este é o sentido e a necessidade da encarnação, a natureza divina é imutável, impassional e incapaz de sofrer.

Isaías 53,3: “Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso”.

- A maldição: A morte na cruz era uma punição judicial do império romano destinada apenas aos criminosos extremos e tida como maldita pelos judeus. Por este tipo de morte ele foi feito maldição em lugar do seu povo, satisfazendo todas as exigências da lei.

Deuteronômio 21,23: “O seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas, certamente, o enterrarás no mesmo dia; porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus; assim, não contaminarás a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá em herança”.

A humilhação e os sofrimentos de Cristo, apesar de atribuídos à sua natureza humana foram transmitidos integralmente à sua pessoa – o Verbo de Deus – e, desta forma, tem valor eterno e infinito, selando, uma vez por todas, a redenção dos filhos de Deus.

Hebreus 9,12: “Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”.

Por este motivo, todo aquele que busca cooperar ou complementar o trabalho perfeito de Cristo com seus méritos próprios ou através de outros intercessores estará calcando aos pés o Filho de Deus e ultrajando o Espírito da graça pelo qual foi santificado.

Hebreus 10,29: “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?”.

Estejam, pois, atentos, todos os que se professam cristãos, para não transformarem sua religiosidade em maldição, negando a plena e cabal suficiência do sacrifício de Cristo para a redenção de seu povo: nada mais é necessário, de Deus não se zomba!

Veremos na próxima pergunta que após este estado de humilhação, Cristo foi exaltado sobremaneira, de forma que seu nome foi elevado acima de todo o nome para que todo joelho a ele se dobre e toda boca cante louvores.

Filipenses 2,9-11: “Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai”.

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Última atualização em Seg, 10 de Outubro de 2011 05:19  

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