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O dever do homem

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BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER – PERGUNTA 39

PERGUNTA 39: Qual é o dever que Deus exige do homem? RESPOSTA: O dever que Deus exige do homem após a justificação é a obediência à sua vontade revelada.

Para entender melhor esta resposta é preciso recordar algumas coisas:

O Pacto de Obras: O pacto visa à salvação e ao bem estar do ser humano, a obediência devida pelo homem não é uma necessidade de Deus, mas um dever do homem.

 

O primeiro pacto foi um pacto de obras e exigia do homem o cumprimento da ordem divina, ele foi estabelecido por Deus e devia ser cumprido pelos primeiros pais.

Gênesis 2,16-17: “E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.

Depois deste pacto inicial, Deus reafirmou com Abraão este Pacto de Obras de forma nacional, destinado ao povo de Israel, e finalmente, o pacto de obras tomou sua forma legal com Moisés, onde Deus estabeleceu a lei de forma escrita e definitiva.

Mas, todos os pactos envolvendo o cumprimento de obras pelo homem seriam vãos, mas Deus, através de seu Filho amado, estabeleceu um novo pacto onde o cumprimento da lei e a propiciação da ira de Deus foram cumpridos de forma cabal e definitiva por Cristo.

Efésios 1,4-5: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”.

A salvação se processa através da justificação, um ato judicial de Deus onde Ele atribui ao pecador eleito a justiça perfeita de Cristo, adotando-o como filho neste mesmo ato.

Tito 3,7: “A fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna”.

Desta forma, o cristão é justificado unicamente pela graça de Deus em Cristo, e recebe a fé e o arrependimento para a vida que são os dons de Deus que seguem à justificação.

Efésios 2,13: “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo”.

Como conciliar o Pacto da Graça com a obediência à vontade revelada se este pacto tem sua origem, justamente, na incapacidade do homem em cumprir a lei?

Mateus 5,17: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”.

As leis cerimoniais e civis do povo de Israel não têm mais lugar no Novo Testamento, mas a lei moral de Deus, sintetizada nos dez mandamentos, continua em vigor.

Mateus 22,37: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”.

Voltamos ao nosso ponto, se o homem se mostrou incapaz de cumprir o pacto de obras, como esta exigência é feita aos novos convertidos?

Para esta explicação, devemos avançar mais uma etapa após a justificação: como se processa a regeneração dos filhos de Deus? Aqui está nossa resposta: a regeneração não se processa pelos esforços do homem, mas unicamente pela operação do Espírito.

Deus dispõe ao homem regenerado, através do seu Espírito, todos os meios e recursos conducentes à obediência de forma segura, durante toda sua vida terrena.

2 coríntios 3,5: “Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus”.

A capacitação do homem para obediência é fruto da graça de Deus, apesar disso o crente deve ser responsável, tendo sempre em mente que todas as coisas provêm de Deus.

Efésios 2,10: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

CFW: A capacidade de fazer boas obras não provém de modo algum dos próprios crentes, mas inteiramente do Espírito de Cristo.

Ezequiel 36,26-27: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis”.

CFW: Os que alcançam, pela obediência, a maior perfeição possível nesta vida estão longe de exceder as suas obrigações ou fazer mais do que Deus requer.

Lucas 17,10: “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”.

Resumindo:

O filho de Deus sabe que suas obras não são mérito seu, mas fica feliz em realizar as obras de seu Pai, ao passo que os réprobos, mesmo religiosos, vêem em suas obras sua própria justiça e atribuem a elas mérito para sua salvação.

No cristianismo, nada provém do trabalho do homem, mas tudo provém de uma fonte externa e inesgotável – Deus: o Pai e o Filho e o Espírito Santo.

Isto não significa que o homem natural seja completamente incapaz de fazer algo de bom para aqueles a quem ama, ou ainda que sejam incapazes profissionalmente. Estas ações serão admiradas e até louvadas pelos homens, mas não honrarão ou agradarão a Deus.

Lucas 11,13: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”.

O homem natural consegue fazer muitas obras religiosas, tais como prestar serviços na igreja local, ser ministro ou oficial da igreja, receber iluminação, manifestar poder, mas não agrada a Deus porque não foi eleito, apesar das obras é um estranho no ninho.

Veja no texto de Mateus abaixo, Jesus não nega que estas pessoas fizeram grandes coisas em seu nome, mas diz a eles que nunca os conheceu, ou seja, não foram escolhidos, sua obras foram vãs, fruto de mera vaidade humana, sem valor nenhum para Deus.

Mateus 7,22-23: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

A santidade e a justiça de Deus não necessitam de comprovação ou sustentação por parte do homem e a soberania de Deus não depende da cooperação de suas criaturas, resumindo, o Criador não depende em nada de suas criaturas.

Ao mesmo tempo em que a obediência é colocada como dever do homem, Deus provê pelo seu Espírito o cumprimento desta obediência, assim, esta obediência não constitui mérito para a salvação, visto que Deus é o autor das boas obras realizadas pelo cristão.

Conclusão: A obediência evangélica e a prática de boas obras não constituem mérito humano, mas provêm da operação do Espírito nos filhos de Deus, o que não retira a responsabilidade do homem, mas coloca em relevância o seu dever para com Deus.

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