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A ceia do Senhor

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BREVE CATAECISMO DE WESTMINSTER – PERGUNTAS 96 E 97

PERGUNTA 96: O que é a Ceia do Senhor? RESPOSTA: A Ceia do Senhor é o sacramento no qual, através de pão e vinho, se anuncia a morte de Cristo, e aqueles que participam dignamente tornam-se, pela fé, participantes do seu corpo e do seu sangue, com todas as suas bênçãos.

A origem da Santa Ceia:

Na noite em que foi traído Jesus instituiu o sacramento do seu corpo e sangue, chamado Ceia do Senhor, para ser observado em sua Igreja até ao Fim do mundo, a fim de lembrar perpetuamente o sacrifício que em sua morte ele fez de si mesmo.

Ceia representa os benefícios provenientes desse sacrifício para o crescimento espiritual dos cristãos e lembra a sua obrigação de cumprir todos seus deveres para com Cristo.

Mateus 26,26: “Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo”.

Os símbolos da Ceia:

Os atos de comer o pão e beber o vinho são realizados em memória de Cristo e para lembrar sua morte vicária até que ele venha novamente, por este ato, Cristo mantém firme sua promessa de salvação e lembra os benefícios da comunhão com os eleitos.

O pão representa a carne de Cristo e o vinho o seu sangue, este significado, porém, é espiritual, e qualquer representação material neste sentido é idolátrica e abominável.

Mateus 26,27-28: “A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados”.

A Ceia e a igreja – a participação indigna na Ceia:

A noite da Ceia é a noite em que Jesus foi traído. Ele não foi traído pelos fariseus ou pelos judeus que o odiavam, mas por um de seus apóstolos, não um qualquer, mas um apóstolo que era íntimo de Nosso Senhor, que havia participado na Ceia a seu lado.

Salmos 41,9: “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar”.

Vemos por este relato que Judas participou da Ceia, mas de forma indigna. Este fato mostra a triste realidade da igreja, o mundo não representa ameaça à igreja, mas a igreja tem se degenerado por ação dos falsos mestres que estão no seio da mesma igreja.

Mesmo as denominações tradicionais estão se corrompendo rapidamente no seio da prosperidade material e do deleite do ego humano. Por todas estas coisas, nem toda pessoa participa da Ceia em homenagem e gratidão a Cristo, mas, honrando a si mesmo.

Todo aquele que participa da ceia indignamente, come e bebe condenação para si.

1 Coríntios 11,27: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor”.

Comemoração em memória de Cristo:

Neste sacramento não se oferece Cristo a seu Pai, nem sacrifício pela remissão dos pecados dos vivos ou dos mortos, mas se faz uma comemoração daquele único sacrifício que Cristo fez de si mesmo na cruz e por meio dele uma oferta de louvor a Deus.

Desta forma, o sacrifício papal da missa, onde Cristo é oferecido em sacrifício diariamente ao Pai é ofensivo a Deus, pois o sacrifício de Cristo foi feito uma só vez, sendo a única propiciação por todos os pecados dos eleitos em todos os tempos.

1 – Hebreus 9,28: “Assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação”.

Aplicação da Ceia:

A Santa Ceia deve ser dirigida por um ministro ordenado, que deverá abençoar os elementos antes de distribuí-los e participar pessoalmente da cerimônia. A participação é restrita às pessoas presentes ao ato e batizadas em uma denominação cristã respeitável.

Neste sentido a Santa Ceia tem a função de unir a congregação em torno desta comemoração, os membros que não podem estar presentes por motivo de enfermidade ou velhice poderão ser representados na Santa Ceia por um oficial da igreja.

1 Coríntios 11,26: “Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha”.

Elementos exteriores - o pão e o vinho:

O pão e o vinho utilizados na Santa Ceia são os mesmos utilizados no dia a dia, a grande maioria das igrejas utiliza suco de uva em lugar do vinho. Estes elementos devem ser de boa qualidade, preparados e servidos em recipientes adequados e higiênicos.

Estes elementos, ao serem abençoados, tornam-se próprios para a cerimônia da Ceia, mas continuam sendo elementos comuns, não se transformando em substâncias outras que sejam materiais, espirituais e principalmente como parte da natureza divina de Cristo.

Os cultos na era apostólica:

Os cultos na era apostólica eram realizados em residências, sem cerimonial ou realização de liturgias complexas e sofisticadas para este fim. O verso abaixo mostra que os apóstolos participavam da Ceia de maneira bastante simples.

Atos 20,7: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite”.

Nenhum sacramento tem o poder de expiar pecados, somente o sacrifício de Cristo tem este poder, porém, limitado aos eleitos, não porque este sacrifício, que é infinito, seja limitado, mas pela vontade do Pai, que deu a Cristo um povo específico para salvação.

João 17,9: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus”.

Quando Jesus instituiu a Ceia, participou diretamente com os apóstolos, pelo que se deduz que os elementos eram simbólicos e espirituais, pois Jesus não ofereceu sua própria carne e sangue aos apóstolos, mas pão e vinho que estavam à mesa na ocasião.

Os elementos da Ceia não devem ser transformados em ícones e adorados como tal, o pão e o vinho da Santa Ceia continuam sendo simples pão e simples vinho como antes.

A transubstanciação:

A doutrina da transformação da substância do pão e do vinho na substância do corpo e do sangue de Cristo é contrária, não só às Escrituras, mas também ao senso comum e à razão, destrói a natureza do sacramento e tem sido a causa de superstições e idolatria.

Jesus foi recebido céu - Atos 3,21: Jesus, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade”.

O corpo ressurreto de Cristo não contém mais carne ou sangue, nenhum elemento orgânico material participa do corpo ressurreto.

Nenhum sacerdote tem o poder de transformar elementos materiais em substância divina.

A natureza de Deus: Existe um único Deus, vivo e verdadeiro, que é infinito, perfeito e imutável e indivisível em seu ser e atributos. Ele é espírito puro, invisível, e imaterial, não tem corpo ou nada que seja visível ou sensível a qualquer sentido humano

Ao mesmo tempo, Deus está presente com todo o seu Ser em todo o espaço e em todos os tempos existentes ou possíveis de existir.

4,15-16: “Guardai, pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o SENHOR, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo; para que não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo, semelhança de homem ou de mulher”.

PERGUNTA 97: Que se exige para participar dignamente da Ceia do Senhor? RESPOSTA: Exige-se daqueles que desejam participar dignamente da Ceia do Senhor que se examinem sobre o seu conhecimento, a pureza de sua fé, o seu arrependimento, amor e obediência à sã doutrina estritamente de acordo com os preceitos bíblicos.

Os participantes da Ceia:

A Ceia é somente para pecadores arrependidos que reconhecem sua condição corrompida pela queda e se confessam incapazes de conseguir por si mesmos o perdão dos pecados e o mérito para a salvação, confiando única e exclusivamente no sacrifício de Cristo.

Todo aquele que acredita em seus méritos próprios para conseguir a salvação come e bebe ignomínia e desonra, para si e para sua família, ao participar da Ceia do Senhor.

Salmos 51,5: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe”.

Os crentes doentes ou impedidos por motivo de força maior podem ser representados na Ceia por um oficial da igreja devidamente credenciado. A Santa Ceia é um ato simbólico em memória de Cristo, não pode ser celebrada como um sacrifício real.

1 Coríntios 10,16: “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?”.

Exclusões na Ceia: As crianças e os incapazes não têm permissão para participar da Ceia, visto não terem condições de preencher os requisitos exigidos. Somente os crentes, presentes na igreja na hora da Ceia, tem o direito de participar.

Os descrentes e as pessoas não batizadas não devem participar da Ceia, assim como todos aqueles que recusam a profissão de fé da igreja não tem o direito de participar.

A presença espiritual de Cristo: Os que comungam dignamente, recebem pela fé, a presença espiritual de Cristo e todos os benefícios da sua morte.

Mas, ainda que os ignorantes e os ímpios recebam os elementos visíveis deste sacramento, não recebem a coisa por eles significada, e, pela sua indigna participação, tornam-se réus do corpo e do sangue do Senhor para a sua própria condenação.

1 Coríntios 10,21: “Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios”.

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