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A Oração

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BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER – PERGUNTAS 98 A 100

PERGUNTA 98: O que é Oração? RESPOSTA: A Oração é um oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes com a sua vontade, em nome de Cristo, com a confissão dos nossos pecados, e reconhecimento das suas misericórdias.

A oração: Após a queda, o homem está completamente destituído de todo bem e desprovido de meios para encontrar sua própria salvação, portanto, para que ele obtenha socorro em sua necessidade, deve ele ir além de si mesmo e buscá-lo fora de si.

Isto é feito através dos meios de graça, dos quais os principais são a Palavra e a oração.

1 João 5,14: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”.

Deus se manifesta através de Cristo, em quem Ele nos oferece toda felicidade no lugar de nossa miséria, abrindo-nos os tesouros dos céus, de maneira que dele dependa toda nossa esperança e descanso. Esta é a filosofia entendida por aqueles cujos olhos Deus abriu.

1 Pedro 2,9: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.

Em Cristo temos uma fonte inesgotável, onde somos convidados a que apresentemos nossas petições. Por isso, Paulo estabeleceu esta ordem: como a fé provém unicamente da graça de Deus, assim pela fé nossos corações são levados a invocar o nome de Deus.

Romanos 10,12-13: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.

O Espírito de Deus sela o testemunho do evangelho em nossos corações e concede sabedoria para fazermos nossas petições conhecidas por Deus através de formas que não conseguimos imaginar, direcionando nossos pedidos conforme a vontade de Deus.

Romanos 8,26: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”.

Se você ama a um Deus soberano você irá adorá-lo pelo que Ele é, não pelo que Ele pode te dar; se você julga ter méritos para merecer as bênçãos solicitadas, estará criando uma obrigação para Deus, sua oração não será ouvida: a humildade é o princípio da oração.

A oração não muda a vontade de Deus nem tampouco os acontecimentos determinados, somente o Espírito pode conduzir o cristão a orar conforme a vontade de Deus.

Malaquias 3,6: “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos”.

A oração não deve ser uma recitação desprovida de reverência e humildade, também não deve ser um rosário de pedidos que visem informações ou mudanças na mente de Deus.

A oração pressupõe em primeiro lugar a soberania de Deus, que seu governo se estende sobre os pensamentos, sentimentos e vontade do homem de forma determinada.

Mateus 6,10: “Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”.

As pessoas que não acreditam neste controle de Deus não têm nenhum motivo real para fazer suas orações, pois aqueles que acreditam em sua justiça própria, não têm nada a pedir a Deus, muito menos em nome de Cristo, a quem desprezam em seus pensamentos.

A soberania de Deus – Isaías 45,7: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas”.

Da necessidade e utilidade da oração: Ao orarmos, penetramos naquelas riquezas que estão entesouradas junto ao Pai celestial. Desta forma, tudo o que é posto diante de nós como um objeto de nossa esperança para com o Senhor, é ordenado pedir em oração.

Através da oração encontramos a revelação das verdades ocultas no evangelho. Não é sem razão que nosso Pai celestial declara que a única segurança de nossa salvação está em invocarmos o seu nome; pela oração invocamos a assistência de sua providência.

Joel 2,32: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o SENHOR prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar”.

Muitos poderão dizer: Deus sabe quais são as nossas dificuldades, parece inútil que ele seja solicitado por nossas orações. Aqueles que, desse modo, argumentam não entendem a finalidade da oração: não é tanto por causa de Deus quanto pela nossa causa.

Vejamos o exemplo de Elias, que estando seguro do propósito de Deus, nem por isso deixa de orar insistentemente, pois era seu dever propor sua petição.

1 Reis 18,42-43: “Elias, porém, subiu ao cimo do Carmelo, e, encurvado para a terra, meteu o rosto entre os joelhos, e disse ao seu moço: Sobe e olha para o lado do mar. Ele subiu, olhou e disse: Não há nada. Então, lhe disse Elias: Volta. E assim por sete vezes”.

PERGUNTA 99: Qual é a regra que Deus nos deu para nos dirigir em oração? RESPOSTA: Toda palavra de Deus é necessária para nos dirigir em oração, mas a regra especial é aquela forma de oração que Cristo ensinou aos seus discípulos.

A oração, assim como o culto, deve ser realizada conforme a orientação bíblica. Os apóstolos pediram a Jesus que os ensinasse a orar, os discípulos de João Batista foram ensinados por ele a orar, o apóstolo Paulo confessa que não sabe orar como convém.

Mateus 6,9: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome”.

Segue abaixo uma análise, bastante simplificada da oração do Pai Nosso, ensinada, por Jesus, como modelo, os verbos estão sublinhados, cada verbo define uma petição.

Mateus 6,9-13: Portanto, vós orareis assim:

Portanto: esta palavra, no início da frase, define o modo imperativo, ou seja, o modelo a seguir é determinante em todos os modos de oração. Isto não quer dizer que esta oração deve ser decorada e repetida, mas deve servir de modelo a ser adotado pelos cristãos.

1 - Pai nosso, que estás nos céus;

2 - Santificado seja o teu nome;

3 - Venha o teu reino;

4 - Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

5 - O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

6 - E perdoa-nos as nossas dívidas,

7 - Assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;

8 - E não nos deixes cair em tentação;

9 - Mas livra-nos do mal

10 - Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!

As quatro primeiras petições e a última constituem-se em adoração e louvor a Deus: 50%

A quinta petição consiste em pedidos de ajuda nesta vida terrena: 10%

A sexta e a sétima petições constituem-se em pedidos de perdão: 20%

A oitava e a nona petição consistem em pedidos de proteção do Espírito: 20%

Este modelo de oração fornecido por Nosso Senhor consiste em:

50% (metade da oração) - Adoração e louvor a Deus:

20% - Pedidos de perdão pelos pecados;

20% - Pedidos de proteção do Espírito;

10% - Pedidos de ajuda nesta vida.

Infelizmente, o que se pode observar hoje é uma total inversão destes valores, onde as pessoas oram insistentemente, por si mesmas e por outras pessoas, visando informar a Deus o que ele já sabe e mudar os acontecimentos determinados por Deus na eternidade.

Atos 17,24-25: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais”.

Orações pelos mortos: Todas as pessoas que morreram já se encontram no seu destino final, no estado intermediário a alma está no céu ou no inferno, isso é definitivo e jamais mudará. As orações pelos mortos são inúteis e abomináveis a Deus.

Lucas 16, 22-26: “Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio”.

O sentido da oração: Qual o sentido de nossa oração? A oração tem sentido do arrependimento e mudança de vida, de contrição e humildade reconhecendo que em nossa carne não habita nada de bom. Ou oramos como o fariseu, louvando a nós mesmos?

Lucas 18,11-12: “O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”.

Vejamos, em contrapartida, a oração do publicano que reconhece a si mesmo como pecador e pede o perdão a Deus humildemente.

Jesus diz aos apóstolos que este publicano que orava com humildade foi para casa justificado, ao passo que o fariseu continuou em seus pecados.

Lucas 18,13-4: “O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado”.

PERGUNTA 100: Que nos ensina o prefácio da Oração Dominical? RESPOSTA: O prefácio da Oração Dominical, “Pai nosso que estás no Céu”, ensina que devemos nos aproximar de Deus com reverência e confiança, como filhos a um pai poderoso.

Oração – exercício da fé: Alguns podem alegar que é supérfluo orar por coisas que o Senhor já determinou na eternidade; mas, é do agrado de Deus, que aquelas muitas coisas que fluem de seus decretos eternos devam ser confirmadas por meio de nossas orações.

Sete razões principais para orar a Deus:

1 – Auxílio espontâneo: Enquanto oramos, estamos insensíveis à nossa real miséria espiritual, Deus, todavia, está pronto para auxiliar-nos sem que tenhamos pedido.

Romanos 7,24: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”.

2 – Busca contínua de Deus: Oramos, primeiramente, para que nosso coração possa sempre estar com um contínuo e ardente desejo de buscá-lo, amá-lo e servi-lo

Isaías 55,6: “Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”.

3 – Desejos impróprios: Oramos com conhecimento para que nenhum desejo impróprio seja colocado, afim de fazer nossas petições conforme a vontade revelada da Deus.

Marcos 12,24: “Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?”.

4 – Gratidão: Oramos também, para que possamos estar preparados a receber todos os seus benefícios com verdadeira gratidão e ação de graças.

5 – Consciência: Uma vez tenhamos alcançado o que lhe pedimos, convençamo-nos de que Ele ouviu nossos desejos, e sejamos fervorosos em meditar sobre sua bondade.

Salmo 145,18: “Perto está o SENHOR de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade”.

6 – Prática: Oramos com constância a fim de que a experiência confirme a sua providência, compreendendo que não somente promete como jamais nos faltará.

Marcos 13,33: “Estai de sobreaviso, vigiai e orai; porque não sabeis quando será o tempo”.

7 – Certeza: Oramos com a certeza e que, por sua própria vontade, nos abre a porta para que no momento da necessidade possamos propor-lhe nossas petições.

Lucas 11,13: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”.

A oração concede ao filho de Deus as seguintes bênçãos:

- Alegria - Salmo 37,4: “Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração”.

- Conhecimento - João 17,3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

- Discernimento - Hebreus 5,14: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal”.

- Disciplina - Efésios 5,15: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios”.

Como vimos acima, a oração não deve ser repetitiva, insípida ou decorada, também não deve ser um rosário interminável de pedidos, a oração deve ser simples, criativa, feita com fé e esperança, mas, sobretudo, baseada em um sólido conhecimento bíblico.

Vejamos abaixo a oração simples e objetiva de Jabez e como ele foi atendido:

1 Crônicas 4,10: “Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido”.

Conclusão: A oração é, sobretudo, adoração a Deus, louvando-o pelo que Ele é, e reconhecendo nele a fonte de todos os bens, confessando ao mesmo tempo a incapacidade e verdadeira impossibilidade de que o homem consiga a própria salvação.

Salmo 34,15: “Os olhos do SENHOR repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao seu clamor”.

Apresentemo-nos diante de Deus com a mente vazia, cônscios de nossa natureza corrompida pela queda e de nossos pecados, agradecendo e rogando pela nossa salvação e por nossos irmãos em Cristo. Oração é louvor e ação de graças.

1 Reis 8,36: “Toda oração e súplica que qualquer homem ou todo o teu povo de Israel fizer, conhecendo cada um a chaga do seu coração e estendendo as mãos para o rumo desta casa (para Deus)”.

A visão de um Deus glorioso e imutável é intolerável para o homem natural, mas este mesmo Deus, glorioso e imutável, é o Deus da graça, que planejou na eternidade a salvação em Cristo. Esta ideia é a base para toda a oração agradável a Deus.

Tiago 1,17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”.

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