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Home Catecismo Oitavo Mandamento - A proibição do roubo - Rev. 2012

Oitavo Mandamento - A proibição do roubo - Rev. 2012

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BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER – PERGUNTAS 73 A 75

PERGUNTA 73: Qual é o oitavo mandamento? RESPOSTA: O oitavo mandamento é: “Não furtarás”.

De uma forma geral, este mandamento proíbe diretamente o furto, o roubo, o assalto, as fraudes, as mentiras ou meias verdades com intenção de tirar proveito de situações ou pessoas crédulas, o estelionato e todos os atos ilícitos abrangentes.

Desta forma, qualquer ato que cause prejuízo deliberado ao próximo ou à sociedade, está sob a condenação do mandamento.

Êxodo 20,15: “Não furtarás”.

Assim também, estão sob condenação: o tráfico de drogas, o contrabando, a venda de artigos falsificados, os jogos de azar, a sonegação, o atraso no pagamento dos salários do trabalhador, realização de negócio sem condições de cumprir o combinado etc.

Todos os meios utilizados no trabalho devem ser consistentes com a Palavra, o empregado deve trabalhar diligentemente e o patrão deve remunerar de forma justa os seus funcionários oferecendo a eles condições favoráveis para executar suas tarefas.

Mateus 7,12: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas”.

A capacidade do homem e o plano de Deus – deveres dos cristãos:

- O verdadeiro cristão tem noção de sua incapacidade, por isto ele deve ter humildade e orar a Deus pedindo que Ele o conduza a um trabalho que seja de sua vontade e que o leve a realizar suas tarefas de forma honesta e sincera, para que sejam agradáveis a Deus.

Efésios 2,10: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

- Procurar, de todas as formas, manter um relacionamento de paz e amizade no ambiente de trabalho, vivendo de forma sensata e equilibrada diante de Deus.

Romanos 12,17-18: “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens; se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”.

- Ser diligente e fiel no trabalho, lembrando sempre das obrigações para com as outras pessoas e sempre voltado para o bem público.

1 Coríntios 10,24: “Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem”.

PERGUNTA 74: Que exige o oitavo mandamento? RESPOSTA: O oitavo mandamento exige que procuremos o lícito aumento das riquezas e do estado exterior, tanto nosso como do nosso próximo.

O que é a piedade? Uma vez que Deus é soberano e todas as coisas acontecem conforme sua vontade, a piedade é a satisfação com a condição que Deus nos oferece, o que não impede que o cristão faça o melhor de si para melhorar sua condição e progredir na vida.

A piedade não impede que a pessoa trabalhe com dedicação, procurando aumentar suas riquezas de forma lícita, sem espírito de revolta, mas sim, de contentamento, orando e agradecendo com sinceridade diante das circunstâncias, por mais adversas que sejam.

Hebreus 13,5-6: “Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei; que me poderá fazer o homem?”.

O que envolve este contentamento? O contentamento é uma disposição mental que se apresenta tanto em situações difíceis como nas favoráveis, conforme a colocação do apóstolo Paulo na carta aos Filipenses e envolve vários fatores, que veremos a seguir.

Filipenses 4,11-13: “Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece”.

- Evitar lamentações ou reclamações contra o que a providência divina dispõe em nossas condições de vida, trabalhando sempre com alegria e esperança a despeito das situações desfavoráveis que se apresentam.

- Evitar e combater a todo o custo a inveja das condições de prosperidade de outras pessoas em qualquer situação, que sirvam de exemplo positivo e não de detração.

- Não aceitar, em hipótese alguma, a ansiedade e o temor quanto à nossa vida futura, pois todas as coisas foram determinadas por Deus. O cristão deve se conformar às situações e à vontade de Deus, e não procurar que as pessoas e o mundo se moldem a ele.

- Viver de acordo com as condições reais que sua vida possibilita, não cobiçando coisas pertencentes a outras pessoas ou que estão além do seu alcance.

Mateus 6,31-35: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”.

PERGUNTA 75: Que proíbe o oitavo mandamento? RESPOSTA: O oitavo mandamento proíbe tudo o que impede ou pode impedir injustamente o aumento da riqueza ou do bem-estar, tanto nosso como do nosso próximo.

A honestidade é o lema do cristão, a riqueza adquirida pelo esforço honesto é abençoada por Deus, pois não está contaminada com o sangue do próximo explorado ou iludido.

Tiago 5,4: “Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos”.

O comércio na antiguidade:

Na Antiguidade a economia era baseada na família, todos os membros trabalhavam sem salário individual e sem divisão legal do trabalho, a divisão do trabalho se fazia por tradição sendo distribuída pelo chefe da família sem contestação ou discussão.

Todos os negócios eram realizados com base nos juramentos, que eram públicos e perante testemunhas, normalmente nas portas das cidades onde se juntavam os negociantes e o povo que servia de testemunha.

Gênesis 23,17-18: “Assim, o campo de Efrom, que estava em Macpela, fronteiro a Manre, o campo, a caverna e todo o arvoredo que nele havia, e todo o limite ao redor se confirmaram por posse a Abraão, na presença dos filhos de Hete, de todos os que entravam pela porta da sua cidade”.

Os negócios com mercadorias eram usualmente feitos através de trocas diretas e abalizadas pela palavra dos chefes dos clãs familiares, o dinheiro somente era usado em viagens, situações de emergência e grandes negócios entre os poderosos.

Gênesis 23,16: “Tendo Abraão ouvido isso a Efrom, pesou-lhe a prata, de que este lhe falara diante dos filhos de Hete, quatrocentos siclos de prata, moeda corrente entre os mercadores”.

O cristão deve evitar a todo custo a compra e o comércio de artigos de baixa qualidade ou ainda contrabandeados ou falsificados, pois isto também é roubo, direto ou indireto, e fere frontalmente o mandamento em questão.

Lesão do próximo: O furto ou roubo pode ser realizado de forma indireta.

- A empresa não paga corretamente o salário ou os direitos do trabalhador, ou não oferece condições ou materiais propícios à realização dos trabalhos.

- Por outro lado, o trabalhador deliberadamente não produz conforme seu potencial e obrigação e leva a empresa a enfrentar situações difíceis, principalmente quando transmite a outros a mesma condição, que é o caso de líderes sindicais mal intencionados. O trabalhador cristão deve justificar o seu salário trabalhando com dedicação e firmeza, não acatando ordens absurdas ou contra a Palavra, seja de seus patrões ou de seus pares.

Vemos assim, que a instituição patronal que lesa seus funcionários, assim como os trabalhadores deliberadamente negligentes incorrem na quebra do mandamento.

Roubar a si mesmo: a pessoa pode roubar a si mesma e a sua família, quebrando o oitavo mandamento, quando é preguiçoso, desonesto, descontrolado na administração de seus bens, viciado em bebidas, sexo, drogas e jogos de azar.

Provérbios 6,9-11: “Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso, assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado”.

Roubar a Deus: Roubará o homem a Deus? O profeta Malaquias responde a esta pergunta afirmativamente, o homem rouba a Deus quando nega os seus dízimos e ofertas, quando não dedica a ele o tempo necessário para a adoração e para o estudo bíblico.

Malaquias 3,8-9: “Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda”.

O exemplo máximo do roubo a Deus será o homem da iniquidade, conforme a Carta aos Tessalonicenses, nos últimos tempos a soberania de Deus será negada pela igreja e o poder de Deus será roubado e representado na terra pelo homem da iniquidade.

2 Tessalonicenses 2,3-4: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus”.

Roubar a Cristo: O homem rouba a Cristo quando adora a criatura no lugar do criador, atribuindo a si mesmo o mérito para a salvação, negando a justiça perfeita de Cristo como se o homem fosse capaz de conquistar novamente o que já foi conquistado por ele.

Romanos 1,25: “Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!”.

Roubando a Palavra: O ministro religioso que deixa de pregar estritamente conforme a Escritura está roubando a Deus da forma mais miserável e cruel, ofendendo a honra daquele a quem haveriam de glorificar, estes são os piores entre os piores.

1 Pedro 5,2: “Pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa

vontade”.

Calvino – Institutas, Livro II – Comentários sobre o oitavo mandamento: “De tal modo administrem a tudo como se tivessem de prestar conta de sua função a Deus, o Juiz Supremo. Os ministros das igrejas devotem-se fielmente ao ministério da palavra, nem adulterem o ensino da salvação; ao contrário, transmitam-no ao povo de Deus, puro e incontaminado. Instruam-no não só pelo ensino, mas também pelo exemplo de vida. Enfim, exerçam sua autoridade como os bons pastores sobre suas ovelhas”.

OS FUNDAMENTOS DO OITAVO MANDAMENTO

1 - O fundamento básico deste mandamento - o direito à propriedade:

A grande maioria dos cristãos ignora o fundamento básico deste mandamento que é o direito à propriedade, se não existe o direito à propriedade não existe roubo, portanto, este mandamento proíbe todas as violações ao direito de propriedade.

Provérbios 23,10: “Não removas os marcos antigos, nem entres nos campos dos órfãos”.

O direito à propriedade provém da vontade de Deus e destina-se ao desenvolvimento saudável da sociedade, por isso, Deus declarou pecaminosa todas as violações deste direito. Em Israel não havia venda definitiva de imóveis, somente arrendamento.

Levítico 27,24: “No Ano do Jubileu, o campo tornará àquele que o vendeu, àquele de quem era a posse do campo por herança”.

Um dos fundamentos do socialismo é a utilidade da propriedade, mas a propriedade é sagrada, não pela sua utilidade, mas porque é uma instituição estabelecida por Deus em sua Palavra, onde Ele diz: “Não furtarás”. Este é o mandamento e a vontade de Deus.

Êxodo 20,15: “Não furtarás”.

No socialismo, o Estado ignora o direito de propriedade em função de uma necessidade supostamente superior, todavia, a propriedade é um direito estabelecido divinamente e nenhum poder de homens pode criar um título de propriedade válido perante Deus.

Romanos 9,20: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?”.

2 - O direito à constituição da família:

Os pais perderam a condição de educar os seus filhos em uma formação cristã, toda a grade do ensino escolar é instituída por órgãos internacionais ligados à UNESCO/ONU e são nitidamente humanistas, negando agressivamente todas as doutrinas cristãs.

Apocalipse 17,17: “Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem à uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram as palavras de Deus”.

A legalização da união civil homossexual já foi aprovada e a legalização do aborto é mera questão de tempo, o que virá após isto será a ilegalidade da verdadeira religião cristã, tais são as requisições da globalização e as consequências lógicas de seus princípios.

2 Timóteo 3,1: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis”.

3 - O direito de herança: Este é outro derivativo deste mandamento, o direito de uma pessoa dispor de seus bens conforme sua vontade e conforme o direito de seus herdeiros.

Números 27,7: “As filhas de Zelofeade falam o que é justo; certamente, lhes darás possessão de herança entre os irmãos de seu pai e farás passar a elas a herança de seu pai”.

Em caso de não existir a disposição dos bens pelo proprietário e nenhum herdeiro de direito, o ministério público intervém para evitar confusões e impropriedades resultantes.

A Escritura afirma que o direito à propriedade, e consequentemente à herança, é o mesmo direito à vida ou à liberdade inalienáveis a todas as pessoas da humanidade.

4 - A perda lícita do direito de propriedade: Todos os direitos do cidadão, à vida, à liberdade ou à propriedade podem ser perdidos pelas violações das leis vigentes no país, neste caso a ação do Estado é justa e necessária para manutenção da ordem social.

Romanos 13,4: “Visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal”.

O roubo institucional: A política selvagem de preços leva as empresas a abaixar salários, procurar mão de obra desqualificada e matéria prima de qualidade inferior.

O resultado disto se vê na baixa qualidade dos artigos oferecidos, grande parte vindo de países que não respeitam os direitos dos trabalhadores e copiam artigos com patentes requeridas em outros países, violando as leis internacionais de comércio e produção.

Por todas estas coisas, vemos que a propriedade é o meio, divinamente provido, para tornar o homem capaz de realizar suas obrigações e cumprir o desígnio de Deus durante sua vida terrena.

Por este motivo ninguém pode usar a propriedade para prejudicar seu semelhante, ou utilizá-la de modo impróprio de forma a se tornar um empecilho público, ou ainda utilizá-la para finalidades imorais, ilegais ou prejudiciais à política pública.

O grande teólogo Charles Hodge, na sua Teologia Sistemática, termina o capítulo sobre o oitavo mandamento com a seguinte frase:

Charles Hodge: “Muitos que tem conservado um bom nome na sociedade, inclusive na igreja, ficarão atônitos no último dia quando descobrirem a palavra - “ladrões” - escrita após seus nomes no grande livro do juízo”.

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