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Home Catecismo Décimo Mandamento - A proibição da cobiça - Rev. 2012

Décimo Mandamento - A proibição da cobiça - Rev. 2012

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BREVE CATECISMO DE WESTMINSTER – PERGUNTA 79 A 81

PERGUNTA 79: Qual é o décimo mandamento? RESPOSTA: O décimo mandamento é: “Não cobiçarás a casa do teu próximo; não desejarás a sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.

Este mandamento é o fecho de todos os outros, seu requerimento é a observância de todos: o contentamento com as coisas que Deus proveu e o bem estar de nosso próximo.

Êxodo 20,17: “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo”.

Cobiça: O amor sem limites pelas coisas do mundo.

Inveja: O desejo maligno de possuir aquilo que pertence a outrem, sejam bens materiais ou privilégios de qualquer espécie, ou simplesmente desejando que ele venha a perder o que tem.

Piedade: A situação de estar contente com o que se tem.

Provérbios 27,20: “O inferno e o abismo nunca se fartam, e os olhos do homem nunca se satisfazem”.

Este mandamento é uma proibição à cobiça e à inveja, todavia contém uma ordem extremamente abrangente, com dois sentidos muito claros:

O sentido negativo: Não desejar de forma desordenada o que não se tem, principalmente o que pertence ao próximo, e no sentido positivo, viver contente, sem queixas ou lamentações, com as designações da providência para cada um.

Este sentido negativo do mandamento não implica em indiferença, desânimo ou preguiça, uma disposição de contentamento com o que se tem é perfeitamente coerente com o desejo de melhorar a vida e conseguir uma situação material confortável neste mundo.

Provérbios 10,4: “O que trabalha com mão remissa empobrece, mas a mão dos diligentes vem a enriquecer-se”.

O cristão não confia em si mesmo, pois sabe que somente Deus poderá conduzi-lo a realizar as coisas que pretende. Não existe outra forma da piedade fora da graça de Deus em Cristo, pois a inveja e a cobiça são a própria essência da natureza do homem.

Ezequiel 36,26: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne”.

 

PERGUNTA 80: Que exige o décimo mandamento? RESPOSTA: O décimo mandamento exige o pleno contentamento com a nossa condição, bem como disposição caridosa para com o nosso próximo e tudo o que lhe pertence.

O homem tem liberdade para decidir, mas ele sempre decidirá conforme sua natureza corrompida e não conseguirá jamais desejar algo que não seja próprio desta sua natureza.

Tiago 3,14: “Se, pelo contrário, tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade”.

Além do que foi dito acima, a piedade com contentamento somente pode ter fundamento na fé em Cristo, pois a mera aceitação das coisas como se apresentam, não passa de submissão ao inevitável, o antigo conceito do destino adotado pelos filósofos estóicos.

Tiago 3,15-16: “Esta não é a sabedoria que desce lá do alto; antes, é terrena, animal e demoníaca. Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins”.

A crença no destino, pelas forças da natureza, só leva à apatia e ao desespero. Todavia, se alguém crê que existe um Deus eterno, infinito em sabedoria e poder, então, torna-se um contra-senso não estar contente com o que lhe foi destinado.

Romanos 8,28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.

O governo universal está nas mãos de Jesus Cristo, desta forma o cristão sabe que a sua parte é definida pelo Redentor, que a si mesmo se entregou por amor e não permite que se perca um único fio de cabelo das suas cabeças sem sua permissão.

Lucas 21,18: “Contudo, não se perderá um só fio de cabelo da vossa cabeça”.

O que diz o apóstolo Paulo? “Tudo posso naquele que me fortalece”. A força para suportar as situações difíceis a que são submetidos os cristãos não provém deles mesmos, mas de Deus, em Cristo, que fortalece e disciplina seus filhos através destas situações.

É obrigação do cristão viver contente com o que possui, mas, ao mesmo tempo, também é sua obrigação trabalhar de forma diligente para conseguir o melhor para sua família.

Filipenses 4,12-13: “Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece”.

A inveja é a origem da cobiça, por isto mesmo é condenada pelo mandamento e manifesta-se por sentimentos malignos e verdadeiro ódio contra aquelas pessoas mais favorecidas, seja em bens materiais ou privilégios econômicos e sociais.

 

PERGUNTA 81: O que proíbe o décimo mandamento? RESPOSTA: O décimo mandamento proíbe todo o descontentamento com a nossa condição, todo o movimento de inveja ou pesar à vista da prosperidade do nosso próximo e todas as tendências ou afeições desordenadas a alguma coisa que lhe pertence.

Agostinho: “Quando o Senhor proíbe cometer adultério veda tocar a mulher de um inimigo, não menos que a de um amigo; quando proíbe o furto, absolutamente nada permite furtar, quer de um amigo, quer de um inimigo”.

Podemos ver nesta citação de Agostinho, que o mandamento se refere a todas as pessoas indistintamente. Tomás de Aquino e os escolásticos limitaram este mandamento aos amigos e conhecidos, colocando o respeito com relação a inimigos e desconhecidos como simples aconselhamento. Este foi um erro crasso da igreja romana, que restringia aos monges o seguimento do mandamento, que seria mero aconselhamento para as outras pessoas.

A inveja se manifesta em desejos de que outras pessoas sejam privadas de seus bens ou vantagens. Este pecado manifesta-se de várias formas, começando pelo desejo oculto de que o mal sobrevenha a estas pessoas mais favorecidas, reduzindo-as à miséria.

Tiago 1,14: “Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz”.

Desta forma, a pessoa invejosa sente satisfação ante a desgraça alheia sentindo ódio pela felicidade das pessoas e finalmente a inveja se manifesta quando é tomada a decisão de intervir diretamente no processo de tornar estas pessoas miseráveis.

Salmo 10,3: “Pois o perverso se gloria da cobiça de sua alma, o avarento maldiz o SENHOR e blasfema contra ele”.

Todavia, é preciso fazer uma clara distinção entre a inveja e a admiração ou apreciação sincera, que pode ser voltada para pessoas, bens ou obras de arte, quando a pessoa fica feliz pelas qualidades e beleza observadas nestas outras pessoas ou bens.

Gênesis 24,16: “A moça era mui formosa de aparência, virgem, a quem nenhum homem havia possuído; ela desceu à fonte, encheu o seu cântaro e subiu”.

A forma mais comum da cobiça é o desejo desenfreado pela riqueza, uma verdadeira luxúria toma conta destas pessoas, que envolvida pela cobiça tem como meta de sua vida a aquisição de riquezas e todas as outras coisas são eclipsadas por este desejo.

Não existe mal que não provenha, de alguma forma, da cobiça e da inveja, por este motivo o apóstolo Paulo faz uma séria advertência para Timóteo, que se cuide destas pessoas cheias de cobiça que nada trazem de benefício à fé cristã.

1 Timóteo 6,10: “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”.

Este mandamento proíbe um estado da mente, nenhum ato externo pode cumprir as exigências da lei, pois Deus é aquele que sonda a mente e esquadrinha os pensamentos buscando a sinceridade do homem, os modernos fariseus jamais terão o favor de Deus.

Mateus 23,27: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!”.

O apóstolo Paulo aborda este pecado de forma particular e contundente, pois afirma que ele mesmo, através da cobiça, conheceu o pecado.

Romanos 7,7: “Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás”.

Pela queda, o desígnio do coração do homem é continuamente mau, por este motivo, ninguém deve gloriar em si mesmo considerando-se capaz de seguir a lei.

Gênesis 6,5: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”.

O caminho da cobiça: A imaginação dos pensamentos é a primeira fase da cobiça, mas ela somente passa desta fase pelo assentimento da mente, a aceitação da imaginação, validada pela inveja, resulta em tendências e afetos desordenados.

Os propósitos, intenções e desejos ilícitos que surgem na mente e são aceitos pelo homem provocam a primeira agitação da alma que leva à cobiça e à inveja. Aceito o pensamento, vem a permissão para o planejamento e o passo final é a decisão para execução do mal.

Tiago 1,15: “Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”.

Ora, sendo a natureza do homem corrompida pela queda, é difícil deter o caminho da cobiça, esta é uma situação própria do homem natural após a queda e só pode ser revertida pela graça de Deus em Cristo.

Charles Spurgeon: “Quando ouvir uma notícia negativa, divida por dois, depois por quatro, e do que sobrar não diga nada a respeito do restante dela”.

A cobiça religiosa: Esta cobiça do crente se manifesta no fato de procurar em sua pretensa adoração, as bênçãos e os pedidos de ajuda antes de amar a Deus pelo que Ele é, a bíblia revela que aquele que é amado ama a Deus antes de suas bênçãos.

1 João 4,19: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”.

Esta busca desenfreada pelas bênçãos divinas antes do conhecimento e do louvor a Deus é uma marca registrada das modernas religiões pentecostais, que transformaram a religião cristã em uma exigência contínua de recebimento de bênçãos materiais, relegando todas as promessas de Cristo para o mundo do porvir.

Desta forma, o cristianismo passou a se constituir em uma relação de causa e efeito onde o homem através da igreja e de seus ministros busca a realização material nesta vida terrena, abandonando definitivamente o conhecimento de Deus e a vida eterna.

João 18,36: “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui”.

Metade da oração ensinada por Jesus consiste em adoração e louvor e somente um décimo desta oração consiste em pedidos de ajuda. Mas, as pessoas oram, pedindo insistentemente com a clara intenção de mudar os pensamentos e planos do Deus.

Este é um reflexo do que se tornou a igreja atual, uma igreja humanista e irracional, cobiçando bênçãos e privilégios, e cada vez mais distante do conhecimento de Deus.

Lucas 6,39: “Propôs-lhes também uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?”.

Comentarios (1)Add Comment
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escrito por Silvana Ribessi, dezembro 13, 2015
Concordo plenamente, irmãos de fé.

Beijão

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