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Ezequiel 18,31 - John Gill

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EZEQUIEL 18,31- JOHN GILL

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Transcrição, revisão livre e versos bíblicos (RA) inseridos por:

Helio Clemente

 

Ezequiel 18,31: “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós coração novo e espírito novo; pois, por que morreríeis, ó casa de Israel?”.

Esta passagem da Escritura é frequentemente usada pelos patronos do livre-arbítrio, e oponentes da graça de Deus; na qual eles imaginam que o poder do homem na conversão é fortemente afirmado, e a doutrina da reprovação suficientemente refutada; mas se elas são, ou não, seremos mais capazes de julgar quando as seguintes coisas forem consideradas:

Que a exortação para lançar fora as transgressões deles, considera ou os seus próprios pecados, que eles tinham cometido, e mostra que eles eram não somente inúteis, mas perniciosos, e assim odiosos e abomináveis, como tais coisas são isto e são próprias para serem lançadas fora; ou também o castigo devido aos seus pecados, que eles poderiam ter removido e lançado fora pelo seu arrependimento e reforma, e é o sentido que Kimchi dá às palavras; ou antes, aquelas coisas, particularmente seus ídolos, pelo quais então transgrediram.

Agora, que seja observado que esta frase de lançar fora as transgressões não é usada em nenhum outro lugar, ela é peculiar a Ezequiel, e assim pode ser mais bem interpretada pelos versos abaixo.

Ezequiel 20,7-8: “Então, lhes disse: Cada um lance de si as abominações de que se agradam os seus olhos, e não vos contamineis com os ídolos do Egito; eu sou o SENHOR, vosso Deus. Mas rebelaram-se contra mim e não me quiseram ouvir; ninguém lançava de si as abominações de que se agradavam os seus olhos, nem abandonava os ídolos do Egito. Então, eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir a minha ira contra eles, no meio da terra do Egito”.

“Cada um lance de si as abominações dos seus olhos, e não vos contamineis com os ídolos do Egito” - Estes ídolos eram as abominações de seus olhos, eram a causa das suas transgressões, ou pela qual eles tinham transgredido, que suas próprias mãos tinham feito para pecar e que eles tinham poder ou eram capazes de lançar deles; e de forma alguma milita contra a necessidade de uma operação externa na conversão.

Isaías 31,7: “Pois, naquele dia, cada um lançará fora os seus ídolos de prata e os seus ídolos de ouro, que as vossas mãos fabricaram para pecardes”.

A outra exortação, para que eles façam um coração novo e um espírito novo, admitindo que isto designa um coração e espírito renovado e regenerado, no qual estão os novos princípios de luz, vida, amor, graça e santidade, não prova que está no poder de um homem não regenerado fazer por si mesmo tal coração e espírito.

Vejamos o que diz o mesmo profeta a este respeito:

Ezequiel 36,26-27: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis”.

Deus ordena que os homens guardem toda a lei de forma absolutamente perfeita, mas isto não significa que eles podem fazê-lo; seus preceitos mostram o que o homem deve fazer, não o que ele pode fazer.

Uma exortação como esta, para fazer um novo coração, pode ser designada para convencer os homens de sua necessidade de um, e da importância disto, que sem isto não há salvação; e assim são os meios, através da graça eficaz de Deus, de Seus eleitos desfrutarem esta benção; porque o que Ele aqui exorta.

Como vimos acima, Ele prometeu no novo concerto: “Dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo”.

Contudo, deve ser observado que estas palavras não são ditas a pessoas excluídas do pacto, mas à casa de Israel, mesmo assim, a alguns deles; não pode ser pensado como todos eles, assim, as palavras têm o mesmo sentido daquelas do apóstolo Paulo aos crentes de Éfeso.

Efésios 4,23-24: “E vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”.

Além do mais, por um novo coração, e um espírito novo, pode ser entendido, como o Targum de Jonathan Bem Uziel o faz: Um coração temeroso, e um espírito de temor, isto é, um coração e um espírito para temer, servir e adorar ao Senhor, e não aos ídolos.

E é observável que onde quer que um novo coração e um novo espírito sejam mencionados, eles permanecem em oposição aos ídolos, e ao serviço

deles; de forma que a exortação equivale a não mais do que isto, que eles deveriam render uma obediência reverencial de coração ao Deus vivo, e não aos ídolos mudos. Além disso, o que é aqui chamado um novo coração, é chamado, no verso abaixo, “um coração”, isto é, um coração simples, em oposição ao coração dobre ou hipócrita; e assim, pode designar a sinceridade e honestidade em seu arrependimento e reforma exterior nacional, que eles são aqui pressionados a fazer.

Ezequiel 11,19: “Dar-lhes-ei um só coração, espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne”.

A expostulação: “Por que razão morreríeis” não é feita para todos os homens; nem pode ser provada que tenha sido feita com alguém que eventualmente não foi salvo, mas com a casa de Israel, que são chamados os filhos e o povo de Deus; e, portanto, não pode desaprovar qualquer ato de preterição passando sobre os outros, nem pode ser um impedimento da verdade e da sinceridade de Deus. Além disso, a morte expostulada aqui, não é uma eterna, mas uma temporal, ou que diz respeito aos assuntos temporais, às condições civis e às circunstâncias da vida.

Ezequiel 33,25-26: “Dize-lhes, portanto: Assim diz o SENHOR Deus: Comeis a carne com sangue, levantais os olhos para os vossos ídolos e derramais sangue; porventura, haveis de possuir a terra? Vós vos estribais sobre a vossa espada, cometeis abominações, e contamina cada um a mulher do seu próximo; e possuireis a terra?”.

A afirmação: "Eu não tenho prazer na morte do que morre" é algumas vezes introduzida com um juramento, “como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso” de modo algum milita contra um ato de preterição; pelo qual alguns são deixados justamente por Deus a perecer em suas iniquidades; ou seja, o decreto da reprovação, pelo qual alguns são pré-ordenados à condenação e à morte eterna.

Ezequiel 33,11: “Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?”.

Portanto, todos os argumentos usados para desaprovar estas coisas, fundamentados nesta passagem da Escritura, são vãos e impertinentes; porque uma morte de aflições é aqui pretendida, como já foi observado, debaixo da qual a casa de Israel gemia e se queixava; embora isto se devesse totalmente a eles, e os quais não eram gratos a Deus, e nos quais Ele não tinha prazer.

Isto deve ser entendido, não simplesmente com respeito a todas as pessoas afligidas por Ele; porque Ele se deleita no exercício do julgamento e da justiça, bem como em mostrar misericórdia, e se ri da calamidade dos ímpios, e zomba quando o temor deles chega.

Jeremias 9,24: “Mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR”.

Provérbios 1,26: “Também eu me rirei na vossa desventura, e, em vindo o vosso terror, eu zombarei”.

Mas, isto é para ser tomado comparativamente; como quando Ele diz em Oséias: "misericórdia quero, e não sacrifício"; isto é, Eu me deleito antes na misericórdia, do que no sacrifício; assim aqui, "Eu não tenho prazer na morte do que morre": em suas aflições, calamidades, cativeiro e coisas semelhantes; mas antes, que ele se volte dos seus caminhos, se arrependa e se reforme, e viva em sua própria terra; que mostra a misericórdia e a compaixão de Deus, {\\#Lm 3:33\\} que não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens.

Lamentações 3,33: “Porque não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens”.

Por conseguinte, Ele renova Sua exortação: “Convertei-vos, pois, e vivei”.

A soma de tudo isto é, vocês não têm razão para dizer: “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram”; ou ainda, que: “O caminho do Senhor não é direito”; visto que não é pelos pecados de vossos

pais, mas pelos seus, que as presentes calamidades, das quais vocês se queixam, repousam sobre vocês; de minha parte, Eu não tenho prazer em vossa morte, em vosso cativeiro; seria mais agradável a mim, que vocês de convertessem de seus maus caminhos, ao Senhor teu Deus, e andassem de acordo com as leis que Eu vos dei para observar, e assim vivessem em vossa própria terra, na quieta possessão de todas as vossas mercadorias e propriedades.

Mas o que isto tem a ver com os assuntos da vida eterna, ou da morte eterna?

Ezequiel 18,32: “Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei”.

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Última atualização em Sex, 30 de Outubro de 2015 03:55  

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