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Home Confissão de fé 6 – CAPÍTULO I – A ESCRITURA - SEÇÕES II a X

6 – CAPÍTULO I – A ESCRITURA - SEÇÕES II a X

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CONFISSÃO DE FÉ E CATECISMOS DE WESTMINSTER

Por: Helio Clemente

6 – CAPÍTULO I – A ESCRITURA - SEÇÕES II a X

 

Capítulo I, Seção II – O cânon

Sob o nome de Escritura (1) Sagrada ou Palavra de Deus (2), incluem-se agora todos os livros do Velho e do Novo Testamento, que são os seguintes, todos dados por inspiração de Deus (3) para serem a regra de fé e de prática:

Velho Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.

Novo Testamento: Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos, Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemon, Hebreus, Tiago, I e II Pedro, I, II e III João, Judas, Apocalipse.

1 -     Efésios 2,20: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular”.

2 -     Apocalipse 22,18-19: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro”.

3 -     2 Timóteo 3,16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”.

Resumo:

Os livros do Velho Testamento foram escolhidos de acordo com a coleção judaica.

Os livros do Novo Testamento foram escolhidos conforme a seleção da igreja primitiva.

O cânon protestante do Velho Testamento

A coleção de livros do Velho Testamento foi aprovada pelos judeus no Concílio de Jamnia, no ano 90 D.C. O cânon, assim definido pelos judeus foi adotado pelas igrejas protestantes, sendo que o cânon judaico consta de um número menor de livros devido à agregação dos mesmos, mas o conteúdo é exatamente igual.

O cânon protestante do Velho Testamento contém 39 livros conforme relação acima e o cânon judaico contém 24 ou 22 livros, conforme as agregações, sem variação de conteúdo.

As coleções judaicas são as seguintes:

- Massoretas: Com 24 livros;

- Talmudistas – com 24 livros;

- Flávio Josefo – Com 22 livros, foram juntados o livro de Jeremias com Lamentações e de Rute ao Juízes.

Romanos 3,1-2: “Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus”.

O Novo Testamento

Os critérios adotados pela igreja primitiva para o estabelecimento do cânon do Novo Testamento os seguintes: apostolicidade, cristocentricidade e revelação.

- Apostolicidade: Os escritores do Novo Testamento foram pessoas que se relacionaram diretamente com Jesus e participaram de sua vida e de seu trabalho ministerial - os apóstolos, ou pessoas contemporâneas, a eles ligados diretamente e por eles instruídos nos seus escritos como no caso de Marcos e Lucas. Dois dos escritores eram irmãos de Jesus: Tiago e Judas.

- Cristocentricidade: Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e os homens, o cabeça da igreja e o único e suficiente salvador dos homens - ao trabalho de Cristo nada será acrescentado por obras, atitudes, intenções ou consciência dos homens, incluindo nisto a fé e o arrependimento, que são dons da graça de Deus aos seus eleitos em Cristo na eternidade.

- Revelação: Somente a Escritura é a Palavra revelada de Deus, nenhum outro modo de conhecimento de Deus é possível, seja por meditação, conhecimento científico, sensações ou experiências dos homens.

A bíblia é a Palavra inspirada de Deus, a ela nada será acrescentado ou retirado em nenhum tempo, não será dividida de nenhuma forma em dispensações ou possibilidades diferentes de salvação, toda revelação bíblica é estabelecida em Cristo, sem exceção.

O Novo Testamento foi completado de forma definitiva por Atanásio em 367 D.C. e confirmado no Concílio de Cartago em 397 D.C. A Escritura não era dividida em capítulos e versículos, Eutálio de Alexandria publicou a primeira versão em capítulos das Epístolas de Paulo no século V D.C. A divisão de toda bíblia em capítulos e versículos somente foi estabelecida no século XVI, na Inglaterra.

Capítulo I, Seção III – Apócrifos

Os livros geralmente chamados apócrifos, não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon da Escritura (1); não são, portanto, de autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados senão como escritos humanos (2).

1 -     Lucas 24,44: “A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”.

2 -     2 Pedro 1,21: “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”.

Resumo:

Os livros apócrifos não constam das versões hebraicas ou protestantes. Estes livros descrevem a história do povo judeu entre o ano 400 A.C. e a vinda de Cristo.

Os apócrifos

Os apócrifos tiveram origem em 382 D.C. na tradução da versão grega da bíblia feita pelos judeus de Alexandria, a Septuaginta. Jerônimo realizou a tradução para o latim da Septuaginta, incluindo os livros apócrifos com a recomendação que fossem usados como informação histórica, mas não como base doutrinária. Esta tradução recebeu o nome de Vulgata e até hoje é a tradução oficial da igreja de Roma.

Apócrifo significa origem duvidosa ou desconhecida, os livros acrescentados na Septuaginta são: 2 Esdras, Tobias, Judite, Repouso de Ester, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque e a Epistola de Jeremias, Cântico dos Três Jovens, História de Susana, Bel e o Dragão, Oração de Manassés, 1 a 4 Macabeus.

A igreja de Roma decretou no Concílio de Trento, em 1.546, a adição dos apócrifos à bíblia católica romana, são estas as adições: Tobias; Judite; Sabedoria; Eclesiástico; Baruque; 1º e 2º Macabeus; Repouso de Ester, acrescentado ao livro de Ester, História de Susana, História dos Três Jovens e a História de Bel e o Dragão como acréscimo ao livro de Daniel.

Capítulo I, Seção IV – Autoridade da Escritura

A autoridade (1) da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus, que é o seu autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a Palavra de Deus (2).

1 -     João 5,39: “Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.

2 -     1 Tessalonisences 2,13: “Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes”.

Resumo:

Deus é o autor da Escritura, daí a sua autoridade. Esta autoridade, sendo provinda de Deus, não é privativa de nenhuma denominação ou homem, ninguém está autorizado a modificar a Palavra de Deus.

A autoridade da Escritura

A bíblia é a única regra de fé do cristão, toda vontade de Deus preceituada para os homens, está definida na Escritura, assim como os modos de adoração e louvor agradáveis a Deus. Cristo é o centro da bíblia, desde o princípio até o fim, só existe um pacto de Deus com o homem feito em Cristo na eternidade e realizado no decorrer do tempo conforme os Decretos Eternos e a providência divina.

Nenhuma igreja ou denominação tem o direito de substituir a Palavra revelada por tradições ou revelações posteriores, ou ainda dividir a revelação em diferentes modos de salvação ou relacionamento de Deus com os homens. A bíblia é eternamente atual, pois assim como Deus é imutável, assim é sua Palavra. Desta forma o conhecimento de Deus se faz pela Escritura somente.

João 15,15: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer”.

A autoridade da Escritura é tal que, em algumas passagens bíblicas a Escritura é citada com a autoridade de Deus.

Gálatas 3,8: “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos”.

Capítulo I, Seção V – A autoridade limitada da igreja

Pelo testemunho da Igreja (1) podemos ser movidos e incitados a um alto e reverente apreço da Escritura Sagrada; a suprema excelência do seu conteúdo, e eficácia da sua doutrina, a majestade do seu estilo, a harmonia de todas as suas partes, o escopo do seu todo, a plena revelação (2) que faz do único meio de salvar-se o homem, as muitas outras excelências incomparáveis e completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a palavra de Deus; contudo, a nossa plena persuasão e certeza da sua infalível verdade e divina autoridade provêm da operação interna do Espírito Santo (3), que pela palavra e com a palavra testifica em nossos corações (4).

1 - 1 Timóteo 3,15: “Para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”.

2 - 1 João 2,20: “E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento”.

3 - João 16,13-14: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”.

4 - 1 Coríntios 2,10: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus”.

Resumo:

A igreja define sua doutrina e procedimentos pela Escritura, estando por ela limitada.

A Escritura é a Palavra de Deus, sendo por este motivo, a maior excelência já revelada ao homem.

Sendo a Palavra de Deus, o real conteúdo da Escritura somente é revelado pelo Espírito aos eleitos de Deus.

A igreja perante a Escritura

O primeiro princípio da Reforma é - ‘Sola Scriptura’ - ou seja, somente a Escritura é a regra de fé e conduta do cristão e da igreja de Cristo. Desta forma, todas as igrejas reformadas estão sob a autoridade da Escritura em toda sua liturgia, assim como os procedimentos, louvor e adoração. Nenhuma denominação detêm por si mesma ou por seus eclesiásticos, a verdade acima ou aquém da Escritura.

Somente a Escritura é infalível, todos os concílios, igrejas, denominações ou ministros eclesiásticos são falíveis, motivo pelo qual todas as decisões e tradições da igreja somente são válidas quando estão estritamente de acordo com a Palavra, a Escritura dirige a igreja e não o contrário. Não existe nenhum homem infalível ou santo, não existe decreto ou decisão da igreja que possa estabelecer esta santidade, pois vai frontalmente contra a Escritura.

Romanos 5,12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

Capítulo I, Seção VI – A revelação

Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou está expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela (1). À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens (2); reconhecemos, entretanto, ser necessária a íntima iluminação do Espírito de Deus para a compreensão salvífica das coisas reveladas na palavra (3), e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto de Deus e ao governo da Igreja, comuns às nações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, que sempre devem ser observadas (4).

1 -     2 Timóteo 3,16-17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

2 -     Mateus 15,6: “Esse jamais honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição”.

3 -     João 6,45: “Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim”.

4 -     1 Coríntios 14,26: “Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação”.

Resumo:

A Escritura é a palavra de Deus preceituada para todos os homens. A escritura é definitiva, a ela nada será acrescentado ou retirado.

A revelação divina

A revelação divina é cruel para com a vaidade humana, a incapacidade do homem caído é patente em cada livro da bíblia. Esta é a doutrina reformada da Depravação Total, pela qual, através da queda de Adão todos os homens morrem espiritualmente e perdem totalmente sua capacidade de querer ou fazer algo de bom que agrade a Deus. Somente a graça de Deus em Cristo pode salvar o homem caído, pois a livre agência do homem somente pode escolher segundo sua natureza, que é corrompida e irremediavelmente degenerada.

Efésios 2,8: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”.

Toda realidade universal, na qual se baseiam as leis morais e éticas que regem todas as nações, somente são possíveis a partir da revelação divina, não existem absolutos morais fora da Palavra revelada. Intelectuais, políticos e legisladores irão certamente negar este fato, mas inutilmente, pois, se não existissem estes absolutos morais baseados na Palavra de Deus, o mundo já teria se acabado no caos resultante do conflito moral entre as nações.

Desta forma, a Escritura é necessária para governar toda a vida do cristão: conhecimento, pregação, oração e todas as atitudes no dia a dia da pessoa, de forma a tornar possível a salvação. Este governo total da Escritura na vida do cristão chama-se cosmovisão, uma visão do mundo e das coisas do mundo exclusivamente sob a ótica do sistema bíblico.

capítulo I, Seção VII – a clareza bíblica

Na Escritura não são todas as coisas igualmente claras em si, nem do mesmo modo evidentes a todos (1); contudo, as coisas que precisam ser obedecidas, cridas e observadas para a salvação, em um ou outro passo da Escritura são tão claramente expostas e explicadas, que não somente pessoas cultas, mas ainda os incultos, no devido uso dos meios comuns, podem alcançar uma suficiente compreensão delas(2).

1 -     2 Pedro 3,16: “Ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles”.

2 -     Atos 17,11: “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim”.

Resumo:

Certos fatos revelados na Escritura, tais como a Trindade, a encarnação, a ressurreição de Cristo, fogem à compreensão finita do homem e devem ser aceitas como doutrinas reveladas.

A luz do mundo

Cristo é a luz do mundo, é ele que ilumina todo homem com a luz do conhecimento, esta luz é transmitida a todos os homens, sem exceção, pela consciência, pelo raciocínio e pelo conhecimento em todas as suas formas. Todavia, àqueles escolhidos para a salvação, a mente de Cristo é a revelação especial: a Escritura.

1 Coríntios 2,16: “Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo”.

A bíblia e os escritos bíblicos não são ícones capazes de salvar por si mesmos. A Escritura não é de tal forma complexa, que somente possa ser compreendida por ministros e doutores em teologia, também não é uma literatura tão simplificada que possa ser entendida por qualquer pessoa. A Palavra demanda conhecimento e entendimento, sendo que o conhecimento vem pelo ouvir e pela leitura, o que está ao alcance de qualquer pessoa, mas o entendimento somente é dado aos eleitos de Deus pelo Espírito que neles atua.

A finalidade da bíblia é o conhecimento de Deus e da salvação do homem, para isso ela foi dada. A clareza da bíblia somente vem pela compreensão e aceitação da completa soberania de Deus, manifesta na doutrina da justificação pela fé, que é um dom de Deus aos seus eleitos.

A aceitação da soberania de Deus na predestinação dos eleitos, salvos em Cristo, abre o entendimento da Escritura, tornando claras todas suas afirmações, Martinho Lutero afirma que a compreensão da doutrina da justificação pela fé faz de qualquer pessoa um teólogo. Quando as pessoas buscam, na bíblia, achar suporte para seus próprios pensamentos, o sentido da escritura se perde.

Muitos religiosos, por exemplo, afirmam que a bíblia ensina tanto a soberania de Deus quanto a liberdade do homem, todavia, afirmar a soberania de Deus é negar a liberdade do homem e afirmar a liberdade do homem é negar a soberania de Deus.  Esta é uma contradição que só existe na mente dessas pessoas, pois a bíblia afirma claramente a soberania de Deus e nega a liberdade do homem.

Romanos 9,20: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?”

Martinho Lutero: “Se o artigo da justificação é perdido, perde-se toda a doutrina cristã ao mesmo tempo. A justificação, sozinha, faz de uma pessoa um teólogo”.

Existem, na bíblia, coisas difíceis de entender, muitas pessoas de formação superior e de grande cultura falham ao tentar compreender doutrinas reveladas, tais como, a deidade e humanidade de Cristo ou a Trindade Divina. O fato de serem difíceis ao entendimento não significa que as doutrinas sejam confusas, pois são claramente reveladas, o entendimento do homem finito é falho e não a revelação, pois o que de Deus se pode compreender, ele  revelou pela Escritura.

Deuteronômio 29,29: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”.

Capítulo I, SEÇÃO VIII – DOCUMENTOS ORIGINAIS

O Velho Testamento em hebraico (língua comum do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus (1) e pelo seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles como para um supremo tribunal (2); mas, não sendo essas línguas conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras e que deve no temor de Deus lê-las e estudá-las (3), esses livros têm de ser traduzidos nas línguas comuns de todas as nações aonde chegarem, a fim de que a palavra de Deus, permanecendo nelas abundantemente, adorem a Deus de modo aceitável e possuam a esperança pela paciência e conforto das Escrituras (4).

1 -     Mateus 5,18: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra”.

2 -     Isaías 8,20: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva”.

3 -     João 5,39: “Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.

4 -     Colossences 3,16: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração”.

Resumo:

Os documentos bíblicos originais foram produzidos em hebraico no Velho Testamento e grego no Novo Testamento. Estes documentos originais foram diretamente inspirados por Deus.

A inspiração

Inspiração, no texto bíblico, significa “O Sopro de Deus” - a transmissão irresistível de sua vontade soberana e de seu poder. Desta forma todo conteúdo da bíblia, Velho e Novo Testamentos, constituem uma única revelação, um único pacto e uma única forma de salvação.

2 Pedro 1, 20-21: “Sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação;  porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”.

Jesus dá a entender claramente, quando responde aos escribas e fariseus, que a origem dos erros e heresias procede da ignorância da Escritura.

Marcos 12,24: “Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?”.

Inspiração não significa simplesmente que a bíblia foi ditada pelo Espírito. Deus suscitou os seus profetas e escritores e os destinou desde a eternidade para escrever os livros da bíblia. O controle de Deus é de tal forma completo e abrangente que ele determinou todos os fatores que ocorreriam nas suas vidas de forma que sua personalidade, conhecimento, formação, localização e cenário histórico eram exatamente adequados para escrever os livros correspondentes, ainda assim, sob o controle absoluto do Espírito Santo, de maneira que o produto de suas atividades transcende a capacidade humana e recebe autoridade divina.

Capítulo I, Seção IX - Interpretação

A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura, esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais
claramente (1).

1 - João 5,46: “Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito”.

Resumo:

A Escritura interpreta a Escritura, não se estabelecerá doutrina sobre um texto não suportado por outros textos e pelo contexto bíblico geral.

Interpretação da Escritura

A Escritura, sendo a palavra de Deus, tem apenas um autor, por este motivo ela também é una. Deus é um em seu ser e propósito, assim também sua palavra revelada é uma em sua constituição e propósito. Este fato é de extrema importância, a Escritura não pode se contradizer ou divergir, não existe nenhum ensinamento no Velho Testamento que não seja confirmado ou explicado no Novo. Só existe um povo de Deus, um pacto, uma forma de salvação.

A unidade da Escritura está em Jesus Cristo do Gênesis ao Apocalipse, a revelação de Cristo como único Redentor e revelador da graça de Deus permeia por toda a Escritura, como disse Spurgeon: “Onde quer que você fure as Escrituras, jorra o sangue do Cordeiro”.

A unidade da Escritura pressupõe um princípio básico da interpretação - a Escritura interpreta a Escritura - todas as passagens devem ser vistas dentro do contexto da totalidade da revelação, não existem paradoxos ou contradições na Escritura.

Isto significa que toda escritura é importante e nenhuma parte dela deve ser negligenciada. Apesar de que a Escritura excede o que os homens podem produzir sem a inspiração de Deus, ela não está além do que os homens podem ler, ouvir e entender. Isto é chamado de Inspiração Orgânica da Escritura.

Quando alguém tem um entendimento de uma passagem da bíblia em contradição com outra, é porque está fazendo uso errado de uma delas, este exemplo é visto claramente no capítulo quatro de Mateus onde o diabo tenta Jesus distorcendo algumas passagens bíblicas, Jesus, ao contrário responde sempre com outras passagens que fornecem a interpretação correta daquelas distorcidas pelo diabo, corroborando desta forma a unidade da Escritura. Da mesma forma Jesus procede com os escribas e fariseus, respondendo sempre através das escrituras e afirmando a norma que a Escritura interpreta a Escritura.

Salmo 40,7: “Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito”.

Existe hoje uma tendência na igreja cristã, provinda do irracionalismo (Schleiermacher, Kierkegaard, Karl Barth, Emil Bruner), que considera como piedade admitir paradoxos e contradições nas escrituras e mesmo assim acreditar como se a bíblia fosse um livro de fé sem fundamento histórico, esta é uma posição de descrédito e impiedade indigna de um cristão.

Ademais, quando se elimina a historicidade da bíblia, cada um acredita nas doutrinas criadas por sua imaginação, pois sem o fundamento da verdade histórica não existe um único Cristo ou uma única doutrina estabelecida, mas todas as doutrinas e todos os cristos imaginados pelos homens passam a ter validade e se abrigam num grande “guarda-chuva” irracional: uma igreja multifacetada que abriga todas as aberrações imaginadas por estes pseudo-cristãos.

Porque a ciência contém paradoxos e contradições, a bíblia não segue este padrão, antes a ciência e a história devem se aferidas pela revelação bíblica e não o contrário, como já foi dito antes. A bíblia é uma unidade, tudo na bíblia refere-se ao mesmo Deus e ao mesmo caminho de salvação, por isso mesmo Jesus corrobora a unidade das escrituras em todo tempo de seu ministério:

João 5,39: “Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.

Capítulo I, Seção X – O supremo juiz

O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares; o Juiz Supremo em cuja sentença nos devemos firmar não pode ser outro senão o Espírito Santo, falando na Escritura (1).

1 - Mateus 22,29: “Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus”.

Resumo:

A decisão final e definitiva em todas as questões religiosas provinda de igrejas, concílios, sínodos, escritores não bíblicos, eclesiásticos ou leigos é a Escritura.

A Reforma e a Escritura

A Reforma Protestante e todos os documentos dela resultantes afirmam sem a menor possibilidade de dúvida que a Escritura é a regra máxima e a palavra final em toda e qualquer questão doutrinária ou religiosa. Os sínodos e concílios podem errar e erram, por isso, todo documento gerado por uma denominação através de seus órgãos representativos ou eclesiásticos devem se submeter inteiramente à Palavra revelada, condição primeira e última para sua aceitação.

Não existe nenhuma revelação de procedência divina extrabíblica, por este motivo o crente deve submeter sua fé, doutrina, louvor e todo procedimento de sua vida à Palavra Revelada. Não existe para o crente nenhum outro documento válido, seja ele de procedência religiosa, jurídica, civil ou militar que possa confrontar os ditames da Escritura. A obediência religiosa e civil do crente está sempre limitada pela instrução bíblica, nenhuma lei, igreja, autoridade ou denominação pode obrigar o crente a proceder em desacordo com a Palavra revelada, nem mesmo a ameaça de morte.

1 Pedro 4,14: “Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus”.

Breve história da bíblia em português

As primeiras traduções da bíblia para a língua portuguesa foram derivadas da Vulgata, a bíblia católica em latim traduzida do grego por Jerônimo no século IV DC a partir da Septuaginta, a tradução em grego do Antigo Testamento feita pelos judeus de Alexandria entre o primeiro e segundo séculos da era cristã. Essas primeiras versões em português foram realizadas em Portugal nos séculos XIII a XV.

O Texto Recebido (Textus Receptus): A base do Textus Receptus, Novo Testamento em língua grega, foi preparada por Erasmo de Rotterdam, baseada em manuscritos do século XII, e publicada em 1516. Posteriormente, baseado em Erasmo e em maior quantidade de manuscritos, Robert Stephens produziu a partir de 1546 os textos gregos do Novo Testamento e a edição de 1550 ficou conhecida como “Textus Receptus” ou Texto Recebido.

A bíblia como é conhecida hoje na língua portuguesa, teve sua história ligada diretamente à vida de João Ferreira de Almeida, nascido em Portugal no ano de 1628. João Ferreira de Almeida era católico romano e se converteu à igreja reformada em 1642, já em 1.644, com apenas dezesseis anos de idade, ele produziu sua primeira versão de partes do Novo Testamento traduzidas do espanhol para o português. Para apresentar uma tradução realmente séria, aprendeu as línguas grega e hebraica e publicou sua primeira tradução do Novo Testamento diretamente do grego (Textus Receptus) no ano de 1681.

Almeida faleceu em Agosto de 1691. Muito tempo decorreu até que a primeira bíblia completa em português, com a tradução de João Ferreira de Almeida fosse publicada, isto aconteceu somente em 1.819 na Inglaterra.

No final do século XIX foi fundada a primeira Sociedade Bíblica, na Inglaterra, no Brasil, a Sociedade Bíblica Brasileira foi fundada em 1948, logo em seguida, em 1949, a bíblia passou a ser distribuída diretamente no Brasil através da Sociedade Bíblica do Brasil.

O Texto Crítico: Neste trabalho Westcot & Hort defendem o abandono da ortodoxia, ou seja, defendem a tradução dos textos bíblicos como qualquer outro livro, negando a inspiração divina; introduzem o princípio de tradução por equivalência dinâmica, onde o autor substitui um trecho original por uma idéia própria e consideram os manuscritos do Códice Sinaítico e Códice Vaticanus mais antigos e superiores ao Textus Receptus (Erasmo de Rotterdam) utilizado nas versões de João Ferreira de Almeida.

O Códice Sinaítico foi descoberto no século XIX em fragmentos perdidos em um mosteiro aos pés do Monte Sinai e enviados à Rússia, sendo posteriormente vendidos à Inglaterra, estes fragmentos são atribuídos aos séculos IV e V de nossa era. O Códice Vaticanus foi escrito no idioma grego, com base na Vulgata, a versão em latim do Velho Testamento grego, descoberta na biblioteca do Vaticano e considerada como anterior ao Códice Sinaítico, sendo datada no século IV de nossa era.

O maior problema com relação ao Texto Crítico é que reinterpreta e diminui passagens doutrinárias básicas e pode gerar dúvidas quanto à divindade de Jesus Cristo, além de suprimir o nome de Cristo em várias passagens e suprimir a palavra inferno no Velho Testamento. No ano de 1.978 foi publicada em língua inglesa uma nova versão da bíblia, baseada no Texto Crítico e nos métodos interpretativos de Westcot & Hort, a New International Version. Nos anos 90, foi apresentada ao público brasileiro a tradução portuguesa desta nova bíblia, a Nova Versão Internacional – NVI.

A bíblia no Brasil:

1.943: As Sociedades Bíblicas Unidas iniciaram um trabalho de revisão que seria publicado alguns anos depois com o nome: “Almeida Corrigida”.

1.959: A Sociedade Bíblica do Brasil publicou a “Almeida Revista e Atualizada”.

1.966: A Sociedade Bíblica do Brasil publicou a “Almeida Revista e Corrigida”.

1.967: A Imprensa Bíblica Brasileira publicou a “Almeida Revisada de Acordo com os Melhores Textos”, baseada totalmente no Texto Crítico e com uso abusivo de variantes.

1.990: A Editora Vida publicou a “Almeida Edição Contemporânea” que segue por muitas vezes o Texto Crítico.

1.994: A Sociedade Bíblica Trinitariana editou a “Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original”, bastante próxima à Almeida Revista e Corrigida, totalmente baseada no Texto Recebido.

As bíblias protestantes modernas, baseadas no Texto Crítico e também no terrível princípio de tradução por equivalência dinâmica (interpretação pessoal dos textos) não são recomendadas para o uso comum: “A Bíblia Viva”, “Bíblia na Linguagem de Hoje” e a NVI - “Nova Versão Internacional”. Estas versões podem ser utilizadas, com muito critério, para comparação de textos paralelos.

Estas outras, não devem ser usadas de forma alguma: “Bíblia Jerusalém”, “Vozes” e “Novo Mundo”, não somente são baseadas no Texto Crítico, como adotam princípios de interpretação espúrios e distorcidos.

Uso corrente: A SBB, como é conhecida, é atualmente a segunda maior sociedade Bíblica do mundo, atrás somente dos Estados Unidos e distribuiu mais de vinte e cinco milhões de exemplares da bíblia em 2.006. A versão padrão adotada pela SBB é a “Almeida Revista e Atualizada” – RA, as bíblias de estudo Almeida e Genebra utilizam esta versão, a bíblia com o léxico em hebraico e grego do Dr. Strongs também utiliza esta versão, os materiais multimídia como a “Bíblia Online” e “Biblioteca Digital Libronix” também utilizam esta versão. Este material relacionado é precioso para os estudiosos da bíblia no Brasil e a linguagem da RA alcançou um equilíbrio notável na preservação do texto original e a exposição em linguagem contemporânea.

É de grande importância a adoção de um texto único para ser utilizado na igreja local, a grande disponibilidade de material de estudo, conforme exposto acima, faz da bíblia Almeida Revista e Atualizada uma versão consistente, útil e agradável para ser adotada como padrão no Brasil.

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