Vivendo Pela Palavra

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte

Home Confissão de fé 7 – CAPÍTULO II - DE DEUS E DA TRINDADE

7 – CAPÍTULO II - DE DEUS E DA TRINDADE

E-mail Imprimir PDF

CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER

 

Por: Helio Clemente

 

7 – CAPÍTULO II - DE DEUS E DA TRINDADE

Observação: Sempre que Deus for referido sem outro qualificativo nestes estudos,
trata-se do Deus triúno da bíblia.

Capítulo II, Seção I - Unidade Trina.

Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições (1). Ele é um Espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros e paixões (2); é imutável, imenso, eterno, incompreensível (de forma exaustiva), onipotente, onisciente, santo (3), completamente livre e absoluto (4), fazendo tudo para a sua própria glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável (5). É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, bondoso e verdadeiro remunerador dos que o buscam (6), mas, justo e terrível em seus juízos, pois odeia todo
o pecado (7) e de modo algum terá por inocente o culpado (8).

1 - Jeremias 10,10: “Mas o SENHOR é verdadeiramente Deus; ele é o Deus vivo e o Rei eterno; do seu furor treme a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação”.

2 - Deuteronômio 4,15-16: “Guardai, pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma vistes no dia em que o SENHOR, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo; para que não vos corrompais e vos façais alguma imagem esculpida na forma de ídolo, semelhança de homem ou de mulher”.

3 - Isaías 6,3: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”.

4 - Isaías 44,6: “Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: Eu sou o primeiro e eu sou o último, e além de mim não há Deus”.

5 - Efésios 1,11: “Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade”.

6 - Hebreus 11,6: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”.

7 - Habacuque 1,13: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele?”

8 - Êxodo 34,7: “Que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração!”

Capítulo II, Seção II: Deus suficiente e auto-existente

Deus tem em si mesmo, por e de si mesmo, toda vida, glória, bondade e
bem-aventurança (1). Ele é todo suficiente em si e para si, pois não precisa das criaturas que trouxe à existência, não deriva delas glória alguma, mas somente manifesta a sua glória nelas, por elas, para elas e sobre elas (2). Ele é a única origem de todo ser; dele, por ele e para ele são todas as coisas e sobre elas tem soberano domínio para fazer com elas, para elas e sobre elas tudo quanto quiser (3). Todas as coisas estão patentes e manifestas diante dele; o seu saber é infinito, infalível e independente da criatura (4), de sorte que para ele nada é contingente ou incerto (5). Ele é santíssimo em todos os seus conselhos, em todas as suas obras e em todos os seus preceitos. Da parte dos anjos e dos homens e de qualquer outra criatura lhe são devidos todo o culto, todo o serviço e obediência, que há por bem requerer deles (6).

1 - João 5,26: “Porque, assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.

2 - Atos 17,24-25: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais”.

3 - Efésios 1,11: “Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade”.

4 - Romanos 11,33-34: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?”

5 - Isaías 46,9-10: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”.

6 - Apocalipse 7,11-12: “Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!”

 

Resumo:

Existe um só Deus, eterno, infinito e imutável, criador e mantenedor do universo.

Deus é espírito, simples e indivisível, eterno, infinito e perfeito em todos seus atributos.

Deus é o perfeito padrão de justiça e santidade, não existe nada a que Deus se compare ou pelo que possa ser julgado.

Deus existe por si mesmo e em si mesmo, sendo completamente auto-suficiente e independente da criação.

Todas as coisas foram criadas e existem para a glória de Deus

O Deus único

A Escritura revela um Deus único e soberano em todas as coisas. Ele é o Deus independente e absoluto por cuja vontade todas as coisas vieram à existência, e são mantidas conforme o conselho de sua vontade pela providência divina. Desta forma, a Escritura mostra o Deus que criou o universo e todas as criaturas a partir do nada e fora de si, sob seu completo e exaustivo controle ao contrário do que imaginam as antigas religiões orientais onde o universo é uma extensão de Deus. Deus escolheu para si um povo, na eternidade, este povo escolhido pertence a Deus, mas Deus não é privativo deste povo, pois o homem não tem em si a capacidade de escolher a Deus.

Isaías 45,5: “Eu sou o SENHOR, e não há outro; além de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que não me conheces”.

A adoração a Deus, somente é válida através dos preceitos estabelecidos pela Escritura, não se faz adoração de Deus através de si mesmo ou em semelhança de animais, homens, astros e estrelas, pois Deus é Espírito Puro e deve ser adorado em Espírito e verdade.

João 4,24: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.

A natureza de Deus

Deus é simples e indivisível, todos os atributos e qualidades de Deus são igualmente perfeitos e não existe nenhuma característica melhor ou pior que outra. É uma atitude bastante comum, na igreja ou fora dela, salientar as virtudes do amor de Deus acima de suas outras qualidades, isto é mais fácil para o pregador e agradável à natureza depravada do homem, porém falha completamente na transmissão do conselho de Deus e no entendimento de seu ser perfeito. Como se pode ver na declaração de Paulo, abaixo, estes falsos mestres carregarão sobre si o sangue de seu rebanho.

Atos 20, 26-27: “Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus”.

Os atributos incomunicáveis Deus são:

- O infinito: Infinito é algo que não pode ser medido, comparado ou mesmo imaginado, aquilo que não tem princípio nem fim. O infinito é possível em sequências matemáticas, mas impossível com relação às coisas existentes no universo criado, pois algo que tem princípio não pode ser infinito, além do que, as coisas materiais não podem subsistir infinitamente. É impróprio associar o tempo ao infinito, pois o tempo foi criado por Deus e o infinito não pode ser medido ou comparado com algo criado ou finito.

- A eternidade: É muito difícil definir a eternidade, mas pode-se dizer que a eternidade é a existência plena de Deus na ausência do tempo. A eternidade contém todos os tempos existentes de forma simultânea, presente e imutável, é assim que Deus vê o mundo, de maneira onisciente. Quanto à eternidade, esta é uma característica exclusiva do ser de Deus, nada mais é eterno, a ponto de dizer que a eternidade é Deus, ou, Deus é a eternidade. Não existe momento antes ou depois dele, todos os momentos existentes ou possíveis de existir são presentes e imutáveis para Deus.

- A simplicidade: A unidade de Deus é implicação das características anteriores; devido à sua espiritualidade, Deus não é dividido em partes como os seres criados, mas existe como um todo eterno e imutável, sendo todos os seus atributos inseparáveis e igualmente perfeitos.

-A Trindade Divina: Este item será detalhado na terceira seção deste capítulo.

Os atributos comunicáveis de Deus são:

1 – A glória de Deus: Glória é a manifestação do ser de Deus. Sua glória leva ao âmago de tudo que é essencial ao seu ser, sua majestade, sua divindade total.

Êxodo 24, 17: “O aspecto da glória do SENHOR era como um fogo consumidor no cimo do monte, aos olhos dos filhos de Israel”.

A glória de Deus subentende:

1-1. Infinidade - Deus não tem limitações: Deus é ilimitado em todo o seu ser, natureza, qualidades, vontade e determinação. Esta é uma qualidade que abrange todas as outras, Deus não tem limite em nenhum aspecto, sendo infinito e perfeito em todas suas ações e qualidades, os atributos divinos são ilimitados em uma extensão ilimitada.

Salmo 119,96: “Tenho visto que toda perfeição tem seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado”.

1-2. Auto existência - Deus existe por si mesmo, existe por sua própria natureza. Existir é a própria natureza de Deus, Ele não necessita de nada fora de si para sua existência. O Pai tem vida em si mesmo, assim como o Filho e o Espírito.

Atos 17,28: “Pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração”.

1-3. Deus é imutável: A imutabilidade de Deus é consequência de sua eternidade e do seu ser infinito, para o seu povo a imutabilidade se expressa em sua fidelidade. Uma característica decorrente da imutabilidade de Deus é sua impassionalidade, Deus não se comove, não muda seus Decretos e não tem dúvidas com relação a absolutamente nada.

Malaquias 3,6: “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos”.

2 - A Soberania de Deus: Deus governa o mundo de acordo com os Decretos Eternos e sua vontade é a causa final de todas as coisas incluindo a criação e a preservação através da providência.

Apocalipse 4,11: “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas”.

A soberania de Deus é expressa em três formas:

2-1. A onipotência de Deus: todas as coisas e acontecimentos, no universo e no mundo espiritual, foram determinados por Deus, acontecem por sua livre vontade e somente para louvor de sua glória.

Lucas 1,37: “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas”.

2-2. A onipresença de Deus: ele está simultaneamente com todo o seu ser em todo espaço e o tempo.

Salmo 139,7-12: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá. Se eu digo: as trevas, com efeito, me encobrirão, e a luz ao redor de mim se fará noite, até as próprias trevas não te serão escuras: as trevas e a luz são a mesma coisa”.

A eternidade de Deus é um aspecto relacionado ao anterior: a onipresença no espaço tem a sua correspondência na onipresença com relação ao tempo. A eternidade contém todos os tempos existentes ou possíveis de existir, mas não é medida ou relacionada com o decorrer do tempo.

Salmo 90,2: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus”.

2-3. A onisciência de Deus: todas as coisas e acontecimentos em todos os lugares e todos os tempos estão presentes na mente de Deus eternamente e foram por eles determinadas de forma permanente e imutável.

Esta perfeição de Deus é perturbadora, Deus tudo vê e tudo sabe. Isto não está ligado ao decorrer do tempo, mas Deus sabe tudo por si mesmo desde toda eternidade, por suas perfeições não pode aprender nada de ninguém nem ser surpreendido por qualquer eventualidade, pois na mente de Deus todas as coisas são conhecidas em todos os tempos em todos os lugares, sendo determinadas por sua vontade soberana, como se pode ver claramente no sacrifício de Jesus.

Atos 2,23: “Sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos”.

A soberania de Deus deve ser motivo de grande tranquilidade para os homens, pois significa que não existirá uma revelação posterior, Jesus Cristo é a revelação final e definitiva da verdade e da salvação.

João 14,6: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

3 - A Santidade de Deus: O perigo em separar as perfeições de Deus, surge com mais frequência com respeito à sua santidade e ao seu amor.

Santidade (santificação): o termo hebraico usado no Velho Testamento para exprimir a santificação é o verbo “qadash” derivado do substantivo “qadosh”, estas palavras somente indicam qualidades morais quando se referem a Deus, quando se referem a objetos ou criaturas ela tem um significado de separação, as criaturas ou objetos santificados são aqueles que Deus separou para si. No Novo Testamento, o termo grego é o verbo “haziago” derivado do substantivo “hagios” que denota a ideia básica da separação e nunca se refere a qualidades morais dos homens ou dos anjos. Existem outras palavras empregadas de forma ocasional, mas o sentido fundamental da santificação pode ser expresso por esta forma acima.

A santidade de Deus no Velho Testamento: a santidade de Deus no Velho Testamento implica primeiramente em sua transcendência, ou seja, sua majestade indiscutível e sua inacessibilidade pelo homem, e sua santidade não é somente uma de suas qualidades, mas uma característica fundamental do seu Ser divino, Deus é santo em sua justiça, Deus é santo em sua misericórdia, Deus é santo em seu amor, Deus é santo em seu ódio. Desta forma vemos que a santidade de Deus expressa a sublimidade e perfeição de todas as qualidades e atribuições do seu Ser. A santidade é o princípio ético e ativo da pureza de Deus, que necessariamente defende sua honra e a glória acima de todas as coisas.

Habacuque 1,13; “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele?”.

A revelação da santidade de Deus:

- Deus revela sua santidade quando escolhe para si um povo, o qual ele separa do mundo impuro, santificando este povo e protestando contra o mundo e o pecado.

Oséias 11,9: “Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira”.

- A revelação da santificação também pode ser estendida para coisas e pessoas em uma relação com Deus, assim a cidade de Jerusalém era considerada uma cidade santa, a terra de Canaã, o templo, as festas solenes, os sábados eram todos considerados santos. Ainda neste sentido, a palavra tem o sentido básico de separação, pois eram consagradas a Deus não pelas suas qualidades éticas e morais, mas pelo fato de terem sido separadas para o povo e para o serviço de adoração a Deus. Pode se notar esta ideia de separação notadamente entre os sacerdotes, que eram separados para o serviço no templo, mas ao mesmo tempo, em sua maioria, completamente indignos e distantes da graça de Deus.

Isaías 6,3: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”.

Muitos sentem que existe uma relação de conflito entre o Deus santo e o Deus amoroso. Alguns enfatizam excessivamente a santidade de Deus; ele é visto como um Deus austero tornando obrigatório o esforço moral incessante, através da ameaça do juízo futuro, outros reforçam sobremaneira o amor de Deus, transformando-o em uma figura indulgente e sentimental despida de força moral. O Deus bíblico é tanto santo como amoroso, em unidade inseparável e em cada pessoa da Trindade.

A santidade de Deus é expressa da seguinte maneira:

3-1. A retidão de Deus: é sua conformidade consigo mesmo, Deus não realiza absolutamente nada que contrarie sua vontade.

Isaías 45, 21: “Declarai e apresentai as vossas razões. Que tomem conselho uns com os outros. Quem fez ouvir isto desde a antiguidade? Quem desde aquele tempo o anunciou? Porventura, não o fiz eu, o SENHOR? Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim”.

3-2. A justiça de Deus: é sua santidade em operação, pela sua justiça Deus não pode aceitar nada que seja menos que perfeito, por isso a sua ira se manifesta em relação ao homem pecador, pois em Adão todos morrem.

Romanos 5,12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

A santidade de Deus é central em seu ser e se manifesta na necessidade do cumprimento de sua justiça; a misericórdia somente se manifesta depois de cumprida sua justiça, sem isso, resta somente a ira de Deus sobre o pecador.

Romanos 3,23: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”.

Muitas pessoas parecem imaginar que há na questão da ira de Deus uma severidade terrificante demais. Outros dão abrigo ao erro de pensar que a ira de Deus não é coerente com a sua bondade. Mas, o que dizem as Escrituras?

Deuteronômio 32,39: “Vede, agora, que Eu Sou, Eu somente, e mais nenhum deus além de mim; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar alguém da minha mão”.

Há injustiça na ira de Deus?

1 João 1,5: “Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma”.

Pelo pecado de Adão, a ira de Deus pesa sobre todo homem, mas este é um problema que somente Deus podia resolver, e assim o fez de forma perfeita; escolhendo seu povo na eternidade, enviando seu Filho para propiciação de sua ira e doando seu Espírito para preservação dos eleitos.

Romanos 3,25: “A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos”.

3-3. A separação: Deus criou o universo fora de si, a partir do nada, assim, Ele está separado de todos os outros seres; só ele é Deus.

1 Timóteo 6,16: “O único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!”

3-4. O Amor de Deus: É mais correto fazer referência inicialmente à bondade de Deus, esta é uma perfeição que pode ser classificada como o cumprimento da justiça e a consequente manifestação da misericórdia de Deus em amor. Como tal, enfatiza de forma categórica e definitiva a impossibilidade de separar esses dois atributos: a justiça e o amor. A exaltação de uma das qualidades de Deus acima de qualquer outra é ofensiva e abominável, pois nega a perfeição e a retidão de Deus que é sua conformidade consigo mesmo.

Romanos 2,4: “Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?”

“Deus é amor” (1 João 4,8) é a definição bíblica mais conhecida de Deus. O amor de Deus não é um sentimento de ternura, pois Deus é imutável e impassional, este amor é um ato prático que está fundamentado no amor eterno e mútuo das pessoas da Trindade e dedicado a pessoas indignas desse amor, que são salvas em Cristo sem mérito algum de si mesmos para esta salvação.

1 João 4,9-10: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”.

Como conciliar este Deus, que age livremente em amor, com o Deus santo que age para a sua glória? A justiça e o amor de Deus se unem na pessoa e na obra de Jesus Cristo.

Efésios 2,4-5: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos”.

O propósito de Deus:

Deus tem um propósito único para todas as coisas criadas, e seus desejos nunca se contradizem ou são conflitantes, Deus não exerce jamais uma permissão passiva, Ele é o autor de todas as coisas sem exceção, Deus nunca está em conflito consigo mesmo, não muda sua vontade nem pretende querer o que não quer. Deus é eterno e não apenas conhece todas as coisas como determinou o acontecimento de todas estas coisas.  Além de não mudar em seu ser ou atributos, Deus é imutável em seus planos e propósitos. O que Deus faz no tempo, planejou na eternidade, o que planejou na eternidade executa no tempo através de sua providência.

Tiago 1,17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”.

Capítulo II, seção III – A Santíssima Trindade.

Na unidade da Divindade há três pessoas de uma mesma substância, poder e eternidade – Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo (1). O Pai não é de ninguém – não é nem gerado, nem procedente; o Filho é eternamente gerado
do Pai  (2); o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho (3).

1 - Mateus 28,19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

2 - João 1,14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

3 - João 15,26: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim”.

Resumo:

Deus é um em essência, coexistindo em três pessoas (ou substâncias) distintas, eternas e iguais em poder e natureza.

O Pai não é de ninguém, não tem procedência, é eterno e auto-existente.

O Filho é eternamente gerado do Pai: entenda-se esta geração, não como a criação de uma nova pessoa, mas como uma relação eterna de filiação entre estas duas pessoas da trindade que são igualmente coeternas e auto-existentes.

O Espírito é procedente do Pai e do Filho, sendo também eterno e auto-existente da mesma forma que as outras pessoas da trindade.

1 – A Trindade - definições

As proposições da doutrina: A trindade divina é uma doutrina revelada, como tal não é recebida por sensações ou experiências, somente pela Escritura.

Deus subsiste eternamente em uma única essência, constando de três pessoas espirituais (ou substâncias) distintas, com personalidades e funções diferentes, existentes consensualmente na realização do Plano Eterno de Deus: O Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Estas três pessoas oniscientes formam uma unidade intelectual sólida e exaustiva voltada eternamente ao amor mútuo e ao perfeito consenso da Trindade divina, constituindo, porém, três centros de consciência distintos e pessoais na mente única da divindade.

Deuteronômio 6,4: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR”.

2 – As pessoas da Trindade são plena e igualmente Deus

Os credos da igreja sugerem uma relação velada de dependência entre as pessoas da trindade. Esta não é uma verdade bíblica e também não é a posição da Confissão de Fé: As pessoas da Trindade são coeternas e auto-existentes.

Robert Reymond: “Teólogos presbiterianos americanos ortodoxos, tais como Charles Hodge, Benjamin B. Warfield, John Murray, J. Oliver Buswell, Jr., Loraine Boettner, e Morton H. Smith, têm seguido geralmente a insistência dos Reformadores do século dezesseis que a segunda e a terceira Pessoas da Divindade são autoteóticas, isto é, Deus por si mesmas, e assim, Pessoas autoexistentes”.

O Pai - João 20,17: “Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus”.

O Filho - João 1,1: “NO PRINCÍPIO era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.

O Espírito - Atos 5,3-4: “Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus”.

3 – O Pai, o Filho e o Espírito Santo são pessoas distintas

Marcos 1,10-11: “Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele. Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”.

João 15, 26: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim”.

1 João 5,7: “Pois há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um”.

A bíblia apresenta o Filho como eternamente gerado pelo Pai, e durante seu tabernáculo na terra como servo de Deus. Isto não quer dizer criação ou subordinação, mas uma função existente eternamente na economia da Trindade e define claramente
a auto-existência eterna do Filho que tem estas funções para execução do Plano Eterno de Deus (Trindade). Da mesma forma, o Espírito é apresentado com procedente do Pai e do Filho, esta processão reflete novamente a função de cada uma das pessoas no Plano Eterno de Deus, cuja realização somente pode ser levada a cabo por pessoas da mesma substância, ou seja, eternamente auto-existentes.

A triunidade intelectual de Deus:

Uma mente única, de uma única natureza e propósito, pertencente à uma única essência e simultaneamente própria a três individualidades oniscientes, imutáveis e eternas que constituem um único Ser – Deus.

A onisciência das pessoas divinas abrange o conhecimento exaustivo da mente de cada uma delas pelas outras duas, todavia esta mente comum às pessoas da Trindade não impede os pensamentos subjetivos individuais que definem as funções e participação de cada uma delas na concepção e execução dos planos eternos de Deus.

Assim, as três pessoas da Trindade, ao mesmo tempo em que possuem cada uma a mente divina em sua plenitude, também apresentam três formas distintas de pensamento constituindo três centros de consciência distintos e plenamente consensuais dentro da divindade única.

O Pai e o Filho e o Espírito são igualmente oniscientes, desta forma, cada um deles conhece plenamente a mente dos outros dois, que, assim, constitui-se em uma mente única e comum a todas as pessoas, todavia, dentro desta mente única presente em cada uma das pessoas, existe um centro de consciência individual, também conhecido pelas outras duas, de forma que a mente única e o centro de consciência individual funcionam em perfeita unidade e conformidade.

Devido à eternidade e imutabilidade de Deus, não são tomadas pela deidade decisões ao longo do tempo, mas todas as determinações simplesmente existem de forma eterna e imutável na mente única e nos centros individuais de consciência ao mesmo tempo de forma consensualmente estabelecida e imutável desde toda a eternidade.

Por este mesmo motivo, os pensamentos individuais também são exaustivamente conhecidos pelas outras pessoas, formando com o conhecimento geral uma só mente onisciente pertencente à essência divina e igualmente às pessoas da Trindade.

Desta forma, o Pai não é o Filho ou o Espírito, o Filho não é o Pai ou o Espírito e o Espírito não é o Pai ou o Filho, mas todos são uma única essência que constitui o Deus revelado nas Escrituras.

As determinações de Deus manifestam-se aos homens ao longo do tempo, muitas vezes através das pessoas individuais, o que não significa que estas decisões estão sendo adotadas neste tempo da realização, mas elas estão constituídas nos decretos eternos de Deus, que são imutáveis e se realizam ao longo do tempo pela providência divina.

Mateus 11,27: “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

1 Coríntios 2,10: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus”.

A TRINDADE NO VELHO TESTAMENTO

O Velho Testamento contém muitas referências e indicações sobre a Trindade divina.

- Pluralidade: Deus fala de si mesmo no plural, o que sugere a existência de distinções pessoais que indicam a pluralidade destas pessoas no ser de Deus:

Gênesis 1,26: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”.

Gênesis 11,7: “Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro”.

- O Anjo de Deus: O Anjo de Deus, no Velho Testamento recebe um tratamento e veneração que sugerem claramente sua divindade (YAHWEH).

Gênesis 16,10: “Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR (YAHWEH): Multiplicarei sobremodo a tua descendência, de maneira que, por numerosa, não será contada”.

Malaquias 3,1: “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos (YAHWEH)”.

- Alternância: Em outras passagens a sabedoria de Deus é personalizada, alternando-se as pessoas que se manifestam ou são mencionadas:

Salmo 33,12: “Feliz a nação cujo Deus (ELOHIYM) é o SENHOR (YAHWEH), e o povo que ele escolheu para sua herança”.

Salmo 110,1: “Disse o SENHOR (YAHWEH) ao meu senhor (ADONAI): Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés”.

- O Redentor: Deus (YAHWEH) é apresentado no Velho Testamento como o redentor e salvador do povo escolhido.

Jó 19,25: “Porque eu sei que o meu Redentor (*) vive e por fim se levantará sobre a terra”.

(*) Redentor: redimir, tendo Deus como sujeito (léxico hebraico Dr. Strongs).

Salmo 19,14: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, SENHOR (YAHWEH), rocha minha e redentor meu!”

A TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento apresenta a Trindade revelada, de forma que as três pessoas são expostas com clareza no texto bíblico.

Deus o Pai envia seu Filho ao mundo.

João 3,16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Gálatas 4,4: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

O Pai e o Filho enviam o Espírito.

João 14,26: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”.

Gálatas 4,6: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!”

João 16,7: “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei”.

O Pai dirige-se ao filho.

Marcos 1,11: “Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”.

O Filho dirige-se ao Pai.

Mateus 11,25: “Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos”.

O Pai e o Filho dialogam

João 12,28: “Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei”.

O batismo de Jesus: Deus o Pai e Deus o Filho e Deus o Espírito Santo manifestam-se clara e individualmente.

Mateus 3,16-17: “Batizado Jesus, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. E eis uma voz dos céus, que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”.

A benção apostólica: Revela, também, com bastante clareza a ação conjunta das pessoas da Trindade:

2 Coríntios 13,14: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus (o Pai), e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós”.

A Grande Comissão: Tem uma importância relevante na discussão da Trindade, nela é apresentada claramente a definição das pessoas individuais pelo artigo definido colocado antes de cada pessoa e ao mesmo tempo a unicidade de Deus pela colocação da palavra “nome” no singular. Os evangelistas são completamente insuspeitos nesse assunto, pois que a controvérsia sobre a Trindade Divina somente surgiria muito tempo depois.

Mateus 28,19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

Na primeira carta do apóstolo Pedro há um texto onde não somente são indicados os membros da Trindade, como também o desígnio de cada um na obra da redenção.

1 Pedro 1,2: “Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas”.

Textos que confirmam a personalidade e divindade do Espírito Santo.

O Espírito é Deus: Atos 5,3-4: “Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus”.

O pecado imperdoável: Mateus 12,31: “Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada”.

O Espírito na criação: Gênesis 1,2: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”.

Comentarios (0)Add Comment

Escreva seu Comentario

busy
 

Aviso

Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: "Julgai todas as coisas, retende o que é bom". Louvado seja Deus!

  • Temos para download 717 Livros
  • Este site tem um total de 1653 itens publicados em Artigos

Adicionar aos Favoritos

Adicione aos Favoritos!

Estatísticas

vivendopelapalavra.com
Na internet desde Outubro/2011
Total de visitas até outubro de 2017:
934.835
Total de páginas visitadas até setembro/2017:
2.405.646