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8 – CAPÍTULO III: OS DECRETOS ETERNOS DE DEUS - Rev. 2012

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

8 – CAPÍTULO III: OS DECRETOS ETERNOS DE DEUS

Capítulo III, Seção I - A eterna pré-ordenação de Deus.

 

Desde toda eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, decretou, livre e inalteravelmente, tudo quanto acontece (1); todavia, o fez de tal maneira, que Deus nem é o autor do pecado (2), nem faz violência à vontade de suas criaturas; e nem tira a liberdade e a contingência das causas secundárias (3), antes as confirma.

Capítulo III, Seção II - A presciência de Deus.

Ainda que Deus saiba tudo quanto pode ou há de acontecer em todas as circunstâncias imagináveis (4), ele não ordena coisa alguma por havê-la previsto como futura, ou como coisa que havia de acontecer sob alguma circunstância (5).

1 -     Mateus 10,29: “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai”.

2 -     1 João 1,5: “Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma”.

3 –    João 19,11: “Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem”.

4 –    Salmo 139,1-4: “SENHOR, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, SENHOR, já a conheces toda”.

5 –    Romanos 9,11-13: “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú”.

Resumo

O plano de Deus é eterno e imutável, de maneira que todas as coisas acontecem no tempo, de acordo com a determinação eterna de Deus.

Todo o propósito deste plano é destinado à glória de Deus e independe da vontade, pensamento ou atos das criaturas.

Esta predestinação, ou determinação prévia de todas as coisas, não retira do homem sua responsabilidade perante Deus.

Abraham Kuyper: "A determinação da existência de todas as coisas a serem criadas, se uma flor vai ser uma camélia ou um copo-de-leite, se um pássaro vai ser um rouxinol ou um corvo; se um animal vai ser um cervo ou um porco, e igualmente entre os homens, a determinação de nossas próprias pessoas, se alguém vai nascer como um menino ou menina, rico ou pobre, tolo ou inteligente, branco ou de cor, ou mesmo como Abel ou Caim, é a mais certa predestinação concebível no céu ou na terra; e ainda vemo-la acontecer ante nossos próprios olhos todos os dias, e nós mesmos somos sujeitos a ela em nossa inteira personalidade; durante toda a nossa existência, nossa própria natureza, nossa posição na vida sendo inteiramente dependente dela. Esta predestinação que abrange a tudo e a todos, os Calvinistas não a colocam nas mãos do homem, e ainda menos nas mãos de cegas forças da natureza, mas nas mãos de Deus Todo-Poderoso, soberano Criador e Senhor do céu e da terra; e é na ilustração do oleiro e do barro que a Bíblia tem exposto a nós esta eleição que a tudo e todos domina, desde os tempos dos profetas. Eleição na criação, eleição na providência, e também eleição para a vida eterna; eleição no reino da graça, tanto quanto no reino da natureza”.

 

A soberania de Deus

Toda a ordenação do universo compõe um conjunto de fatos previamente determinados pelos quais Deus realiza seu plano eterno. Deus tem um propósito definido com referência à existência e destino de tudo quanto criou, abrangendo em um sistema único a finalidade principal e os meios secundários e contingentes para execução de seu plano eterno.

Desta forma, as ações dos seres criados são livres de acordo com a natureza, o caráter e a personalidade do homem, mas, condicionadas às causas secundárias e contingentes antes determinadas por Deus, que levarão as criaturas a executar minuciosamente o seu plano eterno. Os Decretos Eternos de Deus tem uma ordem lógica e não temporal, porém, sua execução no mundo é feita no decorrer do tempo previsto.

Não existe sombra de variação na vontade de Deus, nenhum novo ato pode entrar na sua mente e nunca poderá haver mudança ou reversão nos Decretos Eternos. Deus tem um só propósito, neste propósito estão todas as coisas e seres pertencentes à eternidade e ao tempo.

Isaías 14,24: “Jurou o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e, como determinei, assim se efetuará”.

Deus não criou nenhum ser que não esteja absolutamente dentro de seu controle, nenhum evento acontece à parte de seu plano. Todas as coisas foram criadas por Deus para sua própria glória, todo o ser de Deus é realizado em si mesmo, plena e completamente feliz. Na eternidade não há nenhuma imperfeição ou movimento, não existe o decorrer do tempo, apenas o ser, nunca o estar, por isso o nome de Deus: EU SOU.

Isaías 46, 9-10: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”.

A SOBERANIA DE DEUS E A RESPONSABILIDADE DO HOMEM

A. A. Hodge: “Deus é justo. Todos os homens são pecadores. Todos, todavia, são culpados, ou seja, estão debaixo de condenação. Portanto, nenhum homem pode ser justificado, ou seja, pronunciado não culpado, baseado no seu caráter ou conduta. Pecadores não podem satisfazer a justiça. Mas o que eles não poderiam fazer, Cristo, o Eterno Filho de Deus, vestido com a nossa natureza, fez por eles, trazendo retidão eterna, a qual possui todas as exigências da lei. Todo aquele que Deus justifica e salva, renuncia à sua própria retidão, e confia unicamente na retidão de Cristo”.

A soberania de Deus manifesta-se aos homens através de sua vontade. Deus manifesta duas vontades contraditórias? Em certos trechos, a bíblia apresenta Deus como se arrependendo ou se emocionando com as atitudes dos homens; trata-se de uma linguagem poética e destinada ao entendimento humano, a vontade de Deus não pode ser resistida ou frustrada, pelo simples fato de que, apesar de se realizar no tempo,  ela foi planejada e determinada na eternidade, sendo imutável por definição.

Daniel 4,35: “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?”

Em outros trechos da bíblia, Deus ameaça trazer a destruição à terra, depois convida amorosamente o seu povo ao arrependimento:

Oséias 14,1: “Volta, ó Israel, para o SENHOR, teu Deus, porque, pelos teus pecados, estás caído”.

Calvino – Comentários sobre o livro de Oséias (14,1): “Aqui o profeta exorta os israelitas ao arrependimento, mas ainda lhes dá alguma esperança de misericórdia. Isso pode parecer inconsistente, já que ele tinha testificado, nos versos anteriores, que não havia mais remédio, porque o povo tinha provocado Deus excessivamente. Mas a resposta está à mão e é esta: ao falar anteriormente da destruição final do povo, o profeta havia se referido ao povo como um todo, agora, porém, dirige seu chamado aos poucos que ainda permanecem fiéis. Essa diferença deve ser vista com atenção, caso contrário ficaremos confusos em muitas partes da Escritura. Ora, Deus havia mesmo decidido destruí-los e quis que o soubessem pela pregação de Oséias, mas o Senhor sempre teve algumas sementes restantes no meio do seu povo eleito. Ainda restavam alguns membros saudáveis, da mesma maneira como num montão de palha ainda encontramos alguns grãos de cereal escondidos. Aqui, deve se aplicar o discurso do profeta especialmente aos eleitos de Deus, os quais, embora tenham caído temporariamente e se enredado nos vícios comuns da época, ainda não estão totalmente sem cura”.

Todavia, a bíblia diz também, que a vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos; que todos cheguem ao arrependimento.

2 Pedro 3,9: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se”.

Como é possível reconciliar essas declarações aparentemente contraditórias? Este último verso é dos mais abusados por aqueles que defendem o livre-arbítrio, porém, a explicação é a mesma fornecida por Calvino no comentário de Oséias acima, os versos precedentes trazem ameaça e ira sobre os ímpios:

2 Pedro 3,7: “Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios”.

Mas, os eleitos, destinatários da carta, recebem em seguida, o chamado de Cristo, no verso nove.

Outro exemplo neste mesmo caso é encontrado no livro do Apocalipse:

Apocalipse 3,20: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo”.

Em contrapartida a estes versos que refletem o chamado de Cristo, os versos precedentes foram dos mais duros em toda a bíblia, revelando a ira inflamada de Deus contra esta igreja:

Apocalipse 3,17: “Pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”.

Em seguida à sua ira, Cristo revela, no verso vinte, o convite aos eleitos que pertenciam a esta comunidade – o chamado eficaz aplicado. Deve-se notar, neste caso, que a ação principal deste verso não é o bater na porta, mas o convite para ouvir a Palavra
e aceitá-la, o que só é possível pela operação do Espírito, todavia, Jesus está convidando todos os crentes desta igreja a ouvir a Palavra, alguns irão ouvir e entender e serão salvos, outros irão ouvir e recusar e serão condenados, este é o sentido do verso: o ouvir a Palavra.

O propósito eterno de Deus e a vontade revelada (ou de preceito):

Existe uma forte distinção entre o propósito eterno de Deus e sua vontade revelada, a vontade de preceito de Deus é que o evangelho seja pregado a todos os homens, sem distinção, como se todos pudessem ser salvos, mas sua vontade efetiva é a salvação apenas de seus eleitos, por isso Deus preconiza que as orações sejam destinadas a todos os homens, assim como a pregação do evangelho.

O que Deus tem determinado em seus Decretos Eternos acontecerá, esta é a vontade de propósito de Deus, ou vontade eficiente, sua vontade de preceito refere-se às ordens e proibições nas Escrituras.

O livro do Êxodo traz vários exemplos da vontade de preceito contraditada pela vontade efetiva de Deus.

- Moisés: Deus, através de Moisés, pedirá que Faraó deixe o povo ir. Esta é a vontade preceptiva de Deus, isto é, sua vontade de preceito ou ordem. Mas Deus também diz que ordenará o endurecimento no coração de Faraó, de sorte que Faraó recusará a ordem de deixar o povo ir, esta última é a vontade decretiva de Deus, ou seja, sua vontade de decreto ou propósito.

Êxodo 4,21: “Disse o SENHOR a Moisés: Quando voltares ao Egito, vê que faças diante de Faraó todos os milagres que te hei posto na mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo”.

- Jesus Cristo: Aqui se apresenta a necessidade de Deus entregar seu próprio Filho para execução do plano de redenção dos eleitos, todavia foi pecaminoso para seus executores cumprirem isto. Ainda em Atos, Lucas expressa seu entendimento da soberania de Deus registrando a oração dos santos de Jerusalém:

Atos 4,27-28: “Porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram”.

Herodes, Pilatos, os soldados, e o grupo de judeus sujaram suas mãos para se rebelar contra o Altíssimo somente para provar que a rebelião deles era um serviço nos inescrutáveis planos de Deus. Portanto, não era da vontade revelada de Deus, que Judas, Pilatos, Herodes, os soldados gentios e os judeus desobedecessem a lei moral, pecando ao entregar Jesus para ser crucificado, mas era a determinação de seu propósito eterno.

Atos 2,23: “Sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos”.

- José: Aqui, a vontade revelada de Deus para os irmãos de José era que os mesmos deveriam amá-lo e não vendê-lo como escravo. Mas a vontade decretiva de Deus era que, pela desobediência dos irmãos de José, este ganharia autoridade sobre a terra do Egito e seria capaz de salvar sua família e dar origem ao povo de Deus.

Gênesis 50,20: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida”.

Exemplos da vontade revelada incluem:

- Estudar as escrituras - Efésios 5,17: “Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor”.

- Abster-se da prostituição (adoração a ídolos)- 1 Tessalonicenses 4,3: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição”.

Observação: Prostituição, na bíblia, significa prostrar-se perante ídolos, sendo levado por interesse financeiro, compulsão sexual, rituais e festividades pagãs, bebedeiras etc. Não tem o significado direto de meretrício como na linguagem moderna,mas também prescreve a abstenção ao meretrício.

- Ser pacientes: 2 Pedro 3,9: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo (paciente) para convosco, não querendo que nenhum (nenhum de vós, os destinatários da carta) pereça, senão que todos (todos vocês, os destinatários da carta) cheguem ao arrependimento”.

Exemplos da vontade decretiva de Deus incluem:

- A vontade de Deus é soberana - Tiago 4,15: “Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo”.

- Deus se revela a quem ele quer - Mateus 11,25-26: “Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”.

- Deus manda os reis darem o reino à Besta: Apocalipse 17,17: “Porque em seu coração incutiu Deus que realizem o seu pensamento, o executem a uma e dêem à besta o reino que possuem, até que se cumpram às palavras de Deus”.

- Na conquista de Canaã, o pedido de Moisés foi negado por Seom, conforme a vontade decretiva de Deus.

Deuteronômio 2,30: “Mas Seom, rei de Hesbom, não nos quis deixar passar por sua terra, porquanto o SENHOR, teu Deus, endurecera o seu espírito e fizera obstinado o seu coração, para to dar nas mãos, como hoje se vê”.

Assim, foi a vontade de propósito de Deus que Seom agisse de uma forma que fosse contrária à vontade de preceito. Encontra-se muito da mesma coisa em Josué, o Senhor endureceu os corações de todos os reis em Canaã para resistir a Israel, de maneira que Ele, o Senhor, criasse a oportunidade de destruí-los.

Josué 11,20: “Porquanto do SENHOR vinha o endurecimento do seu coração para saírem à guerra contra Israel, a fim de que fossem totalmente destruídos e não lograssem piedade alguma; antes, fossem de todo destruídos, como o SENHOR tinha ordenado a Moisés”.

Acabe estava procurando formar uma aliança com Josafá, rei de Judá, de forma que juntos pudessem atacar Ramote-Gileade, a qual estava sob o controle da Síria, aqui Deus coloca um espírito enganador nos lábios daqueles homens.

2 Crônicas 18,22: “Eis que o SENHOR pôs o espírito mentiroso na boca de todos estes teus profetas e o SENHOR falou o que é mau contra ti”.

Outras citações são encontradas em:

Romanos 11,32: “Porque Deus a todos (humanidade) encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos (eleitos)”.

Todos - Léxico hebraico Dr. Strongs:

1) individualmente: cada, todo, algum, tudo, o todo, qualquer um, todas as coisas, qualquer coisa

2) coletivamente: algo de todos os tipos: "Todos o seguiam" Todos seguiam a Cristo? "Então, saíam a ter com ele Jerusalém e toda a Judéia". Foi toda a Judéia ou toda a Jerusalém batizada no Jordão?  "O mundo inteiro jaz no Maligno". O mundo inteiro aqui significa todos? As palavras "mundo" e "todo" são usadas em vários sentidos na Escritura, e raramente a palavra "todos" significa todas as pessoas, tomadas individualmente. As palavras são geralmente usadas para significar que Cristo redimiu alguns de todas as classes — alguns judeus, alguns gentis, alguns ricos, alguns pobres, e não restringiu sua redenção a judeus ou gentios (C.H. Spurgeon de um sermão sobre a Redenção Particular).

Marcos 4,12: “Para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles”.

O endurecimento de Israel por Deus não é um fim em si mesmo, mas é parte do plano de salvação que irá abranger todas as nações.

No texto de Marcos, acima, Deus determina que uma condição repreensível prevaleça, com o fim de alcançar os resultados previstos no seu Plano Eterno, então Ele age de forma a restringir a realização da mensagem do evangelho. Quanto a isto, não existe dúvida: nenhum pregador de si mesmo converterá alguma pessoa sem que seja da vontade de Deus. Também o evangelho não será recebido de forma alguma por aquelas pessoas rejeitadas por Deus.

A revelação geral ou a Escritura não é sempre a sua vontade de comando. Sua vontade de propósito é voltada à realização dos Decretos Eternos. Assim, Deus, embora odeie uma coisa como ela é, pode determiná-la com referência ao seu Plano Eterno. Embora ele odeie o pecado em si, todavia, ele o determina para cumprimento de seus decretos, que são eternos e inatingíveis pela compreensão finita do homem. Deus visa em seu plano o bem e o equilíbrio, todavia Ele pode determinar o sofrimento para promoção da harmonia na universalidade do plano eterno de Deus.

Não há inconsistência ou contrariedade entre a vontade revelada e o propósito eterno de Deus, a coisa em si, e a finalidade da mesma coisa diante do caráter universal do Plano de Deus são eventos diferenciados. A coisa em si pode ser má e ainda assim, necessário que aconteça. O crente deve, portanto, viver pelos mandamentos, os Decretos Eternos pertencem somente a Deus.

Deuteronômio 29,29: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”.

Capítulo III, Seção III - Eleitos e não eleitos.

Pelo decreto de Deus e para manifestação da sua glória, alguns homens e alguns anjos são predestinados para a vida eterna (1) e outros preordenados para a morte eterna (2).

1 - Atos 13,48: “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna.

2 - Romanos 9,22: “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição”.

Resumo

Deus destinou, na eternidade, alguns homens e anjos à salvação e outros à perdição.

Predestinação

A doutrina da predestinação escapa à compreensão humana, mas é inegável à luz da Escritura, Todos os textos relativos a este assunto são referidos sempre a pessoas, indivíduos que receberam de antemão a predestinação de Deus, portanto, o chamamento é individual, não nacional. O atual Povo de Cristo não tem nenhuma vinculação coletiva com qualquer nação ou denominação religiosa. Reprovados também são indivíduos de quaisquer nacionalidades ou religiões.

Romanos 8,29-30: “Porquanto, aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou, e aos que justificou, a esses também glorificou”.

João 10,27-29: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me conhecem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém as pode arrebatar”.

Todos estes textos falam explicitamente de salvação individual, os textos seguintes revelam que o Criador tanto predestinou de antemão os que seriam chamados, justificados e regenerados quanto os que não seriam chamados, e, portanto, ficariam privados da redenção. O caso de Jacó e Esaú é típico, embora viessem a representar dois povos, antes mesmo do nascimento, eram indivíduos: Jacó, amado por Deus; Esaú, odiado por Deus, ambos de forma claramente pré-ordenada.

Romanos 9,11-13: “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú”.

Léxico (Dr. Strongs) da palavra grega ‘miseo’ - aborrecer: Da palavra primária misos (ódio): odiar, detestar, perseguir com ódio.

Romanos 9,13 (KJV): “As it is written, Jacob have I loved, but Esau have
I hated (odiei)”.

Romanos 9,13 - Comentário bíblico - Sam Storms: “O amor de Deus por Jacó é equivalente à escolha dele, fazendo então do ódio de Deus por Esaú uma referência à sua decisão de não lhe conceder este privilégio da escolha. ‘Amar’ e ‘odiar’ não são emoções que Deus sente, pois Deus é imutável e impassional, mas ações que Ele executa. O ódio de Deus tem realmente uma força positiva. Deus não somente deixou de amar a Esaú de uma maneira redentora, mas Ele ativamente o rejeitou. Não é meramente a ausência de bênção que Esaú sofre, mas a presença de julgamento”.

Os anjos também estão incluídos no decreto da eleição e reprovação. Aqui, Paulo fala de “anjos eleitos” e, consequentemente, os que caíram eram reprovados.

1 Timóteo 5,21: “Conjuro-te, perante Deus, e Cristo Jesus, e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade”.

Jesus decreta a mesma destinação final de perdição eterna tanto aos homens “malditos” como aos anjos reprovados.

Mateus 25,41: “Então o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos”.

Responsabilidade: Os réprobos, anjos ou homens, preordenados à impiedade, possuem, todavia, responsabilidade pelos seus atos e respondem individualmente por cada um deles, embora não lhes reste outra opção, como exatamente aconteceu a Judas Iscariotes.

João 17,12: “Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura”.

A predestinação à salvação e à perdição podem ser revelações bíblicas acima da compreensão do homem, mas não da aceitação, pois os crentes são eleitos para crer no Deus Triúno e aceitar os seus decretos - a fé é um dom de Deus.

Capítulo III, Seção IV - O número dos predestinados.

Esses homens e esses anjos, assim predestinados e preordenados, são particular e imutavelmente designados; o seu número é tão certo e definido, que não pode ser nem aumentado nem diminuído (1).

1 - João 10,27-28: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”.

Resumo

A fixação dos eleitos e réprobos é consequência inevitável da imutabilidade de Deus.

Fixação dos anjos

Os anjos que não seguiram Lúcifer em sua rebelião, foram aqueles destinados à preservação no seu estado de obediência e fidelidade a Deus. Os anjos que caíram, estavam preordenados para a queda e a perdição.

Estes anjos caídos não têm um plano de salvação, o estado dos anjos preservados ou caídos é permanente. Assim sendo, os anjos formam duas categorias fixas e inalteráveis, pois os anjos caídos foram excluídos de seu estado de graça e jamais retornarão à condição anterior.

O número dos eleitos

Deus é o criador e doador da vida, cada ser humano que nasce foi concebido de acordo com a determinação divina, preordenado para a salvação ou reprovação. Assim se processa continuamente a história da humanidade até se completar o número total de eleitos e réprobos, quando então, a história chega ao fim com a segunda vinda de Jesus, em glória, para o julgamento final.

O julgamento é individual, e cada pessoa será encaminhada para o seu destino final, os eleitos para o céu e os reprovados para o inferno, todos em caráter definitivo e irreversível. Deus, portanto, conhece o número exato de seres humanos, que traria à existência, e desses, a soma completa dos eleitos tanto quanto a dos reprovados.

O decreto da predestinação é individual: Esta fixação dos réprobos e eleitos não consiste apenas em número, mas ela também é fixa com relação à indivíduos, não por sexo, idade, religião ou etnia, mas por identificação pessoal. Desta forma, não somente o número dos eleitos e réprobos é certo como também a identidade de cada pessoa incluída nestas duas classes.

A grande multidão dos eleitos, conforme verso abaixo do livro do Apocalipse, não fornece nenhuma pista a respeito do número destas pessoas, esta grande multidão pode constar de milhares, dezenas de milhares ou milhões, ou ainda muito mais. Face ao número total de pessoas que existem, existiram e existirão, acima certamente de dez bilhões de pessoas, não é possível apontar nenhuma conclusão a partir deste verso a não ser que estas pessoas escolhidas não terão nenhuma característica particular.

Apocalipse 7,9: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos”.

O número dos eleitos, cento e quarenta e quatro mil, revelado ao Apóstolo João no livro do Apocalipse é simbólico, conforme o múltiplo dos números da perfeição na cabala judaica: cento e quarenta e quatro mil. Este número, cento e quarenta e quatro mil, não é exato, mas representativo dos eleitos de Deus em todos os tempos, que não serão obrigatoriamente judeus e serão inumeráveis. “De todas as tribos” significa: De todos os povos, sexo, religião, raça ou nação.

Apocalipse 7,4: “Então ouvi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos dos filhos de Israel.

Capítulo III, Seção V - Preordenados em Cristo Jesus.

Segundo o seu eterno e imutável propósito (1) e segundo o santo conselho e beneplácito da sua vontade, Deus, antes que fosse o mundo criado (2), escolheu em Cristo, para a glória eterna (3) os homens que são predestinados para vida; para louvor da sua glória Ele os escolheu de sua mera e livre graça e amor (4), e não por previsão de fé, ou de boas obras e perseverança nelas, ou de qualquer outra coisa na criatura, que a isso o movesse, como condição ou causa (5).

1 -     Efésios 1,11: “Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade”.

2 –    Efésios 1,4: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor”.

3 –    Romanos 8,30: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”.

4 –    Efésios 1,5: “Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”.

5 –    2 Timóteo 1,9: “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”.

Resumo

Deus elegeu seu povo na eternidade, com base somente em sua vontade.

Todos os homens salvos, em toda a história da humanidade, foram salvos em Cristo somente, nada procedente do próprio homem contribui para sua salvação.

O propósito de Deus

O raciocínio do homem é finito e limitado, não é possível imaginar o que acontece na eternidade ou compreender o infinito. Ninguém consegue se aprofundar nos mistérios de Deus, o que se pode conhecer a seu respeito é somente o que Ele revelou através da Escritura e o que se pode deduzir claramente a partir desta revelação.

Muitas doutrinas são compreensíveis à mente, outras, porém, fazem parte da natureza de Deus e dos Decretos Eternos; são doutrinas além da compreensão do homem, mas reveladas pela Palavra, e demandam toda credibilidade, aceitação, defesa e lealdade, pois a Palavra é a verdade, a verdade é a Palavra. Não existe, em todo o mundo ou fora dele, qualquer outra revelação divina válida além da Escritura, a bíblia é a regra máxima de fé e vida para o crente e deve ser recebida como a verdade revelada por Deus.

João 17,17: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

Soberania de Deus

Deus escolheu os seus eleitos na eternidade, nenhum deles ainda existia e nada fizeram para que isto acontecesse. Da mesma forma que um bebê não escolhe o local e hora onde vai nascer, não escolhe seus pais ou sexo, muito mais aquele que nasce do Espírito terá a condição de escolher por si mesmo sua salvação. Deus não faz nada que não seja procedente de sua vontade, pois todas as coisas são feitas para sua glória, imaginar que Deus escolheu uma pessoa para salvação porque previu que ele seria digno disto é negar a Escritura e a Palavra de Deus, pois está escrito que em Adão todos morrem e se tornam incapazes e indignos de Deus sendo justificados somente em e por Cristo.

1 Coríntios 15,22: “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo”.

O homem, em sua vaidade, pretende ser dono de sua própria salvação, para tanto, se dispõe a penetrar nos mistérios de Deus e participar dos atos divinos. Com isso os homens têm criado um deus humanizado, que não é o Deus da bíblia, e o homem divinizado, que não é o homem da bíblia. O grito do humanismo sufoca a igreja cristã em nossos dias, como foi na revolução francesa: ‘O homem é deus’.

Este humanismo desenfreado tem colocado o homem no centro do universo e isto pode ser visto claramente nos cultos modernos, todas as coisas na igreja são feitas para agradar a homens, ou para não desagradar aos homens, o que dá na mesma.

Gálatas 1,10: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo”.

A salvação do homem é um plano completo e exaustivo de Deus: o Pai elege seus filhos na eternidade, o Filho, pela encarnação, pela vida de perfeita obediência, pela morte vicária e pela ressurreição adquire a redenção do povo escolhido, o Espírito provê ao eleito, a fé e o arrependimento permanecendo em comunhão com ele por toda sua vida, preservando sua salvação face à fraqueza humana e as tentações do mundo. Que homem poderia fazer isso?

Filipenses 2,13: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

A salvação é, portanto, uma prerrogativa exclusiva de Deus, completamente inalcançável ou compreensível ao homem. O eleito, em regeneração, é filho de Deus por adoção, recebe o Espírito no templo de seu corpo e torna-se, cada vez mais, semelhante à natureza de Cristo.

Gálatas 2,20: “Logo, já não sou eu mais quem vive, mas Cristo vive em mim”.

Boas obras não constituem mérito humano

As boas obras são aquelas feitas segundo a vontade e determinação de Deus, apenas as que procedem da nova criatura nascida pelo Espírito através da graça regeneradora de Deus em Jesus Cristo, por isso mesmo, não representam mérito para o homem.

Erram os que tentam inverter a ordem da graça, estabelecendo o princípio humanístico de que o homem, no uso de seu livre arbítrio e valendo-se de sua racionalidade, pode decidir o seu destino espiritual por meio de falsas crenças em obras, tais como:

A - Fé preveniente: Os homens são escolhidos porque Deus vislumbrou, no futuro, a fé prevista dos que haveriam de crer no plano divino e eterno da redenção.

B - Fé racional: A fé criadora da opção por Deus, a que aparece na idade madura e leva o indivíduo a aceitar ou a rejeitar o Salvador.

C - Obras meritórias: São aquelas que, conforme a crença de muitos cristãos, principalmente católicos romanos, agradam a Deus quando o bem supera em valor meritório os males que praticaram, anulando-os. Assim, a salvação se torna uma conquista do homem.

Efésios 2,8-9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.

As boas obras podem ser caritativas ou piedosas: Caritativas, as dedicadas ao próximo, como esmolas e assistência social; piedosas, as destinadas a Deus, como jejuns, penitências, confissão, sacramentos e outras. Muitos religiosos pensam em agradar a Deus destas formas, mas estão na verdade agradando ao seu ego, nada que o homem natural faça pode agradar a Deus, mesmo sendo estas obras justas aos seus olhos e aos olhos do mundo.

Isaías 64,6: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam”.

Capítulo III, Seção VI - Predestinação dos fins e dos meios.

Assim como Deus destinou os eleitos para a glória, assim também, pelo eterno e mui livre propósito da sua vontade, preordenou todos os meios conducentes a esse fim (1); os que são eleitos, achando-se caídos em Adão, são remidos por Cristo e eficazmente chamados para a fé nele pelo seu Espírito, que opera no tempo devido (2); são justificados, adotados, santificados (3) e guardados pelo seu poder por meio da fé salvadora. Além dos eleitos não há nenhum outro que seja remido por Cristo, eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo (4).

1-      Efésios 2,10: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

2 -     1 Coríntios 1,9: “Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor”.

3 -     1 Tessalonicenses 4,3: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição”.

4 -     João 17,9: “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus”.

Resumo

O eleito, justificado por Deus tem sua salvação garantida eternamente, pois Deus provê a escolha de seu povo, e também, todos os meios que conduzem o eleito à salvação.

O chamado eficaz

A decisão de salvar aquele que será chamado é uma pré-ordenação do Criador, portanto, não é a Igreja que chama, quem o faz é Deus, que utiliza a Igreja para comunicação física do chamado, mas Ele não depende da igreja, de suas missões e de seus evangelistas para a salvação dos eleitos, a igreja é o instrumento da ação divina e não o agente. O Deus que predestinou para a salvação, também preordenou os meios pelos quais o eleito seja chamado.

A igreja atual, humanista e arminiana, usa técnicas gerenciais modernas para chamar os homens à participação de sua membresia, criando planos estratégicos de evangelização, projetos de plantação de igrejas, pequenos grupos, vidas com propósitos e outros recursos que negam ao mesmo tempo: a soberania de Deus, a ação do Espírito e a centralização da igreja em Cristo.

A igreja, agora, está centrada no homem, se este não permitir ou aceitar a salvação não se realiza, ficando o homem, desta forma, responsável pela sua salvação, pela sua perseverança e por seu destino final. Durante este período ele vai cair, levantar, cair, levantar, cair... E ficar em total dependência de seus ministros e da sua igreja, Cristo não é mais o centro da igreja, o centro agora é o homem, e o comando dos eclesiásticos.

Isaías 42,8: “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura”.

Capítulo III, Seção VII - Misericórdia e justiça

Segundo o inescrutável conselho da sua própria vontade pela qual ele concede ou recusa misericórdia como lhe apraz, para glória do seu soberano poder sobre as suas criaturas (1) e para louvor da sua justiça (2), Deus decidiu não contemplar o resto dos homens, e ordená-los para a desonra e ira por causa dos seus pecados (3).

1 -       Mateus 11,25: “Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos”.

2 -     Apocalipse 15,3-4: “E entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos”.

3 -     2 Tessalonicenses 2,10-12: “E com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça”.

Resumo

A glória de Deus se manifesta, tanto na salvação dos eleitos, como na condenação dos reprovados.

Réprobos

Assim como Deus, pela sua eterna soberania, destinou determinado número de pessoas para a eleição pela exclusiva aplicação de sua graça, da mesma forma destinou o restante da humanidade caída à perdição para castigo eterno pelos seus pecados. Este tratamento dos réprobos reflete a perfeita justiça de Deus que exige a punição de todo e qualquer pecado que não foi expiado em Cristo.

Este decreto de reprovação é o eterno propósito de Deus em relação àquelas pessoas que serão finalmente condenadas em razão de seus pecados, que envolve dois elementos:

1 –    Negativo: a recusa de Deus em elegê-los para a vida, exclusivamente pelo soberano beneplácito de sua vontade.

Romanos 9,16: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia”.

2 –    Positivo: a necessidade de punição efetiva da ofensa do pecado à Santidade de Deus.

Romanos 1,18-20: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”.

Esta doutrina reflete a absoluta justiça de Deus, pois todos os homens são por natureza filhos da ira e merecedores da máxima punição, ninguém será salvo pelas obras da lei ou por sua justiça própria, pois em Adão todos pecaram e continuam a pecar durante toda vida terrena, pois não existe no homem natural a capacidade de fazer o bem.

Romanos 3,23: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”.

Romanos 5,12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

Romanos 7,18-19: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço”.

Todos os homens estão sob esta condição de pecado, a salvação somente pode ser realizada pelo sacrifício vicário de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo: se alguém foi ou será salvo, a justiça necessária à salvação não tem origem em seu direito ou mérito, mas a salvação será provinda da justiça de Cristo através da graciosa e soberana concessão de Deus, caso contrário, como diz o apóstolo, Cristo teria morrido em vão.

Efésios 1,4-7: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça”.

Àqueles que consideram injusta a atitude de Deus para com a eleição, devem-se perguntar sobre qual padrão de justiça O estão julgando, pois não existe nenhum padrão de justiça maior para trazer julgamento sobre Deus. Desta forma, a não aceitação dos Decretos Eternos se constitui em rebelião objetiva e consciente, qualquer distorção da doutrina quanto a isto deve ser tratada com o rigor como sendo uma heresia cruel e desagregadora da verdadeira igreja de Cristo.

Romanos 9,19-23: “Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade? Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão”.

A liberdade do homem

Jesus Cristo morreu em lugar do seu povo, sem opção ou escolha da parte do homem. Não morreu por eles para que tenham que completar sua obra ou ter a opção da escolha da salvação, mas morreu em lugar deles para trazer, a cada um, sua justiça. A graça misericordiosa de Deus concretiza-se na pessoa de Jesus Cristo, que, por sua morte vicária, expiou todos os pecados dos escolhidos do Pai, isso quer dizer: todos os pecados de todos os eleitos sem exceção alguma.

A liberdade e os réprobos: Os réprobos, que não recebem a graça de Deus em Cristo, agem conforme sua natureza corrompida e pecaminosa, todavia, dirigidos ativamente para a perdição e condenados à morte eterna pela determinação divina, todavia, eles têm liberdade para seguir sua natureza, esta liberdade é dada ativamente por Deus para a perdição deles.

Jeremias 34,17: “... pois eis que eu vos apregôo a liberdade, diz o SENHOR, para a espada, para a peste e para a fome; farei que sejais um espetáculo horrendo para todos os reinos da terra.

As promessas de bênção e maldição no Velho Testamento se referem à promessa para a vida eterna, muitas vezes estas promessas se realizam em provimento de bens materiais ou castigo temporal, mas em seu conteúdo quanto à promessa da graça se referem com mais precisão ao mundo do porvir.

Daniel 12,2: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno”.

O juízo, portanto, se estabelece tanto pela salvação dos eleitos, como pela condenação dos pecadores abandonados, que realmente merecem o que recebem porque praticam atos abominados por Deus e exercem ofensivamente a incredulidade prática, principalmente sob o disfarce da religiosidade, o que os torna dignos de maior castigo e responsáveis perante Deus e perante os homens.

Judas 1,4: “Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciados para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo”.

1 Pedro 2,8: “E: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos”.

Capítulo III, Seção VIII – Advertência

A doutrina deste alto mistério de predestinação deve ser tratada com especial prudência e cuidado, a fim de que os homens, atendendo à vontade revelada em sua palavra e prestando obediência a ela, possam, pela evidência da sua vocação eficaz, certificar-se da sua eterna eleição (1). Assim, a todos os que sinceramente obedecem ao Evangelho esta doutrina fornece motivo de louvor, reverência e admiração de Deus, como de humildade, diligência e abundante consolação (2).

1 - Romanos 8,38-39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.

2 - 2 Pedro 1,10: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum”.

Resumo:

A predestinação é uma doutrina claramente revelada na Escritura, deve portanto ser aceita sem restrições pelos crentes fiéis a Deus.

Advertência

Quando Jesus encaminhou seus discípulos a pregar, dotou-os de grande poder, o que os deixou envaidecidos, e voltaram cheios de júbilo. Jesus disse então a eles que, na realidade, não tinham nenhum poder, mas repousava sobre eles a escolha de Deus. Muitos não aceitaram esta negação de si mesmos e já não andavam com Jesus.

Lucas 10,20: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus”.

Toda a doutrina da predestinação ensina que este profundo mistério deve ser tratado com cuidado, ao mesmo tempo em que é fundamental na revelação de Jesus Cristo e na evangelização, não devendo em hipótese alguma ser relegado ou abandonado. O princípio da soberania divina está claramente revelado na Escritura, não é de difícil compreensão e é crucial para convencer os homens da grandeza e independência de Deus, da eficácia de sua graça e da infalibilidade de suas promessas.

Isto significa, também, de maneira clara e inequívoca, a pecaminosidade do homem e sua absoluta e cabal dependência da graça de Deus em Cristo para a salvação.

2 Coríntios 5,17: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”.

A predestinação tem como finalidade a salvação do homem e a glória de Deus, mas como efeito, habilita ao arrependimento e à fé, à congregação entre os crentes, à comunhão, ao aprendizado da Palavra de Deus, à obra missionária e à esperança, a predestinação para a salvação inclui a adoção e a vinculação a Cristo.

O crente justificado torna-se habitação do Espírito Santo sendo habilitado para toda a boa obra. A segurança e a certeza do eleito emanam de sua natureza regenerada, manifestando-se de maneira espontânea, pois, quem infunde ao eleito a certeza da salvação é o Espírito Santo que nele habita.

Romanos 8,16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”.

Na verdade, o cristão estará sempre mais preocupado com o louvor e a glória de Deus que com sua própria segurança, pois, uma vez que todas as coisas são determinadas por Deus não cabe ao crente fazer especulações, mas buscar o conhecimento e o trabalho na obra de Deus. Qual é a obra de Deus?

João 6,28-29: “Dirigiram-se, pois, a ele, perguntando: Que faremos para realizar as obras de Deus? Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado”.

ALGUMAS HERESIAS MODERNAS A RESPEITO DA SOBERANIA DE DEUS:

O dualismo: é a doutrina que sustenta a existência de dois poderes concorrentes: o bem e o mal, a luz e as trevas. Esta doutrina tem origem nas filosofias orientais que consideram o mundo como extensão de Deus e o equilíbrio vem pela eterna luta entre o bem e o mal. Dentro de um cristianismo deturpado por essa idéia, Deus representa o bem e Satanás, o mal. Esta doutrina é absolutamente herética, pois atribui a Satanás, poder equivalente a Deus, esta idéia é principalmente representada pela corrente chamada Batalha Espiritual e pelas igrejas neopentecostais e carismáticas.

O demonismo: É a doutrina que atribui ao Demônio o pecado e a emergência de todos os males, esta é a doutrina dos carismáticos e pentecostais. Existem, segundo eles, ministros carismáticos que têm poder para exorcizar demônios específicos, como por exemplo, do câncer, do adultério, da pobreza, do desemprego, dos desentendimentos conjugais e outros. Esta doutrina mantém os fiéis constantemente ameaçados e inseguros, dependendo dos ministros religiosos para manter o diabo sob controle em suas vidas.

O livre-arbítrio (neutral): Os defensores do livre-arbítrio afirmam que o homem tem o poder de decidir pela sua própria salvação, segundo eles, Jesus morreu por todo o mundo, mas Deus, mesmo querendo salvar toda a humanidade, não consegue e precisa da colaboração do homem na salvação. Esta doutrina não tem fundamento bíblico e não encontra respaldo na Confissão de Fé, pois, após a queda, alienado de Deus, o homem não é livre para restaurar-se à situação anterior, sua natureza está corrompida e degenerada, somente a misericórdia de Deus, pela sua graça manifesta em Cristo, justifica e reconcilia o homem.

Teologia Relacional: Segundo os aderentes desta corrente herética, se Deus é soberano e permite o mal Ele não é justo, se ele é justo e o mal existe ele não é soberano, desta forma afirmam que Deus abriu mão de sua soberania e onipotência para construir um futuro brilhante para a humanidade com a ajuda e colaboração do homem nos planos eternos de Deus.

Visão Federal: Esta corrente representa um retorno à doutrina das obras conforme o Velho Testamento, segundo afirmam, o homem tem capacidade para cumprir rigorosamente toda a lei de Moisés, sendo salvo por esta obediência legal.

Que se pode dizer de tudo isto?  Seria cômico, se não fosse trágico.

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Última atualização em Ter, 12 de Junho de 2012 08:57  

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