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10 – CAPÍTULO V - PROVIDÊNCIA

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

10 – CAPÍTULO V - PROVIDÊNCIA

Capítulo V, Seção I – Da Providência

Pela sua muito sábia providência (1), segundo a sua infalível presciência (2) e o livre e imutável conselho da sua própria vontade (3), Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia (4), sustenta, dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor (5).

1 - Salmo 145,15-16: “Em ti esperam os olhos de todos, e tu, a seu tempo, lhes dás o alimento. Abres a mão e satisfazes de benevolência a todo vivente”.

2 - Atos 15,18: “Diz o Senhor, que faz estas coisas conhecidas desde séculos”.

3 - Efésios 1,11: “Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade”.

4 – Efésios 3,10: “Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais”.

5 - Atos 17,25: “Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais”.

Resumo

Pelo seu eterno e imutável propósito, Deus predeterminou infalivelmente tudo o que acontece.

Deus dirige todas as ações de suas criaturas, biofísicas ou espirituais.

Criação e providência

Todos os elementos primários, componentes das coisas materiais e das criaturas, foram criados a partir do nada, e destes elementos primários, todas as coisas existentes, incluindo os seres vivos, foram formadas. Todas estas coisas criadas, não têm por si mesmo condições de existência à parte da providência divina, que mantém e ordena todas as coisas para glória do Criador. Desta forma, todas as coisas no universo - os corpos celestes, os microscópicos, os seres vivos e tudo o mais - realizam invariavelmente o plano eterno de Deus, através do contínuo e eficiente controle divino através da providência.

Salmo 19, 1-4: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até aos confins do mundo.

Todas as leis da natureza foram estabelecidas por Deus, de forma a manter o universo em perfeito equilíbrio, inclusive os seres vivos que realizam o propósito de Deus conforme as causas contingentes e secundárias sob o estrito controle de Deus, tendo sempre em vista a realização de seu plano eterno.

Deus determinou, na eternidade, todos os acontecimentos que ocorrem durante o tempo, a providência é a ordenação e realização destes acontecimentos no tempo previsto exatamente conforme a determinação divina. Estes acontecimentos ocorrem usualmente conforme as leis da natureza, controladas rigorosamente conforme as causas secundárias e contingentes que direcionam as condições naturais para realização dos decretos divinos em seus mínimos detalhes.

Hebreus 1,3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”.

Alguns destes acontecimentos, conforme a vontade de Deus, podem ocorrer abruptamente contrariando as leis naturais, estes acontecimentos são conhecidos como milagres, Deus, usualmente, realiza seus milagres visíveis através de pessoas por ele destinadas a isto, outros acontecem ou são anunciados através de anjos ou ainda por iniciativa do próprio Deus.

Êxodo 3,2: “Apareceu-lhe o Anjo do SENHOR numa chama de fogo, no meio de uma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo e a sarça não se consumia”.

Capítulo V, Seção II – A pré-ordenação

Posto que, em relação à presciência e ao decreto de Deus, que é a causa primária, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente (1), contudo, pela mesma providência, Deus ordena que elas sucedam conforme a natureza das causas secundárias (2), necessárias, livres ou contingentes (3).

1 - Jeremias 32,19: “Grande em conselho e magnífico em obras; porque os teus olhos estão abertos sobre todos os caminhos dos filhos dos homens, para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas obras”.

2 - Jeremias 31,35: “Assim diz o SENHOR, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; SENHOR dos Exércitos é o seu nome”.

3 - Isaías 10,6: “Envio-a contra uma nação ímpia e contra o povo da minha indignação lhe dou ordens, para que dele roube a presa, e lhe tome o despojo, e o ponha para ser pisado aos pés, como a lama das ruas”.

Resumo

O propósito de Deus é eterno e se realiza no tempo, conforme o controle de Deus para cada evento.

A providência divina ocorre, ordinariamente, conforme as leis da natureza e as causas envolvidas nos acontecimentos.

Pré-ordenação

Nada existe ou veio a existir sem um propósito definido, todas as coisas foram criadas, existem e acontecem pela vontade soberana de Deus. O que se conhece como bem ou mal acontece pela determinação de Deus e para realização de seu plano eterno, nada é por acaso, todas as coisas são previstas minuciosamente e determinadas previamente por Deus.

Todavia, estas coisas não acontecem de forma usual em contrariedade às leis da natureza, mas movidas e ordenadas por causas secundárias e contingentes operadas por Deus conforme as leis naturais que regem o universo, e, no caso dos seres viventes, de acordo com a personalidade e a consciência de cada um, preservando a individualidade e a responsabilidade inalienável de cada ser. Deus tem o poder para realizar qualquer coisa que tenha determinado, mesmo contra as leis naturais, mas estas são ocasiões excepcionais em que se manifesta através de milagres com finalidades e propósitos sempre definidos.

Capítulo V, Seção III - Milagres

Na sua providência ordinária Deus faz uso de meios naturais (1); todavia, ele é livre para operar sem eles (2), sobre eles ou contra eles, como lhe apraz (3).

1 - Isaías 55,10: “Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come”.

2 - Oséias 1,7: “Porém da casa de Judá me compadecerei e os salvarei pelo SENHOR, seu Deus, pois não os salvarei pelo arco, nem pela espada, nem pela guerra, nem pelos cavalos, nem pelos cavaleiros”.

3 - Romanos 4,19-21: “E, sem enfraquecer na fé, embora levasse em conta o seu próprio corpo amortecido, sendo já de cem anos, e a idade avançada de Sara, não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera”.

Resumo

Deus rege a providência, em geral, de acordo com as leis da natureza, todavia tem o poder de agir acima ou contra qualquer lei natural.

As ações extraordinárias, ou milagres, não são executados sem um propósito definido.

Milagres de Deus

Deus pode executar todas as coisas por sua vontade soberana, através da força de seu poder, mas decidiu executar a providência de acordo com os meios naturais. Todos os milagres realizados por Deus destinam-se a propósitos específicos e tiveram particular importância na história do povo hebreu, quando Deus se manifestou por muitas vezes desta forma extraordinária.

Deus pode realizar, e realiza, sua providência através da ação dos seres vivos, por meios naturais, científicos, religiosos ou espirituais. Nada do que o homem faz, foge do controle da providência divina. Todas as descobertas científicas, médicas, físicas ou matemáticas procedem da providência divina, a luz de Cristo, no cuidado e preservação da humanidade, através do progresso e do aperfeiçoamento dos sistemas sociais em função do crescimento populacional e necessidades das criaturas.

João 1,9: “A saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem”.

Nenhum milagre é vão, mas destinado a um propósito específico na história, Deus não coloca seus milagres à disposição da pretensa fé de líderes religiosos carismáticos, que pretendem manipular o Espírito Santo à ordem de sua vontade, acreditar nisso é ofender a Deus e submeter-se às brincadeiras malignas de anjos caídos, que se divertem em iludir e trazer a perdição aos incautos adoradores de si mesmo.

João 3,8: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

Capítulo V, Seção IV - O pecado diante da providência

A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, de tal maneira se manifestam na sua providência, que esta se estende até a primeira queda (1) e a todos os outros pecados dos anjos e dos homens (2), e isto não por uma mera permissão, mas por uma  sábia e poderosa determinação, de tal forma que, poderosamente os
restringe (3), regula e governa em múltiplas limitações estabelecidas para os seus próprios e santos desígnios, de modo que a pecaminosidade resultante dessas transgressões procede tão somente da criatura e não de Deus, que, sendo santo e justo, não é o autor do pecado nem pode aprová-lo (4).

1 - Isaías 45,7: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas”.

2 - Romanos 11,32-24: “Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos. Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro?”

3 - Salmo 76,10: “Pois até a ira humana há de louvar-te; e do resíduo das iras te cinges”.

4 - 1 João 2,16: “Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”.

Resumo

Deus não permite que nada ocorra passivamente, mas determina e controla o bem e o mal para execução de seus propósitos eternos.

O mal e o pecado existem pela determinação de Deus e não por sua permissividade ou impotência.

A determinação divina não retira a responsabilidade do homem.

O pecado

A. A. Hodge: “Esta seção não faz qualquer tentativa de explicar a natureza daquelas ações providenciais de Deus no tocante à origem do pecado no universo moral e no controle das ações pecaminosas de suas criaturas na execução de seus propósitos. Ela simplesmente declara os fatos importantes com respeito à relação de sua providência com os pecados de suas criaturas, os quais são revelados na Escritura”.

O diabo e o pecado

Em uma suposição de que o diabo fosse o autor do pecado à revelia de Deus, como afirmam muitos religiosos, existiria desta forma, um poder paralelo e equivalente ao poder de Deus. Mais ainda, se o demônio é poderoso para fazer o homem pecar, não caberia ao homem a imputação da culpa, mas inocência, uma vez que o pecado seria levado a efeito por obra irresistível do demônio.

O movimento exorcista neopentecostal e carismático atribui ao Diabo todas as mazelas humanas: pecado, desajustes familiares, desemprego, pobreza, incredulidade e quaisquer tipos de enfermidades, tornando os membros destas denominações completamente dependentes de seus ministros que precisam diariamente expulsar e amarrar os demônios que atormentam a vida de seus fiéis, mas, quem será que desamarra estes demônios, que retornam constantemente para atribular estas pessoas?

 

Jó 1,12: “Disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a mão”.

O homem e o pecado

No caso do homem ser o autor do pecado contrariando a vontade de Deus, a conclusão que segue é que Deus não é onipotente, não é onisciente e não é todo-poderoso. O homem, no caso, seria o responsável e o autor de sua própria salvação, escolhendo o seu destino, sendo o céu ou o inferno uma opção pessoal de cada pessoa.

Esta é a teoria do universalismo e do livre-arbítrio: Jesus teria morrido por toda humanidade e Deus não consegue salvar o homem sem a cooperação e ajuda do mesmo. Fica, porém, impossível manter a onisciência e a soberania de Deus em face desta afirmação temerária, a Confissão de Fé nos afirma claramente a soberania de Deus e o seu domínio e controle sobre todas as atitudes dos seres morais, homens e anjos.

Romanos 9,20-21: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus? Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra?”

Deus determina o mal para execução de seu plano eterno

O pecado existe pela eterna pré-ordenação de Deus; em Adão, a presciência, a determinação e as condições para o pecado procedem de Deus, mas a responsabilidade pelo pecado cabe a Adão. Esta responsabilidade vem pelo ato pessoal de Adão e cabe a ele a culpa e a justa ira de Deus por este pecado. Não cabem aos filhos de Deus, explicações sobre a natureza e razão da providência determinativa do bem e do mal, ou ainda sobre a existência do mal no mundo.

A Escritura nos revela que Deus exerce completo controle sobre as ações de seus agentes morais, homens ou anjos, dirigindo-os em suas ações conforme sua determinação e para execução de seu plano eterno, cujo alcance os homens não estão aptos a compreender. Todavia, as doutrinas reveladas na Escritura pertencem aos crentes fiéis para defesa e crédito indiscutível e incontestável.

1 Reis 14,10: “Portanto, eis que trarei o mal sobre a casa de Jeroboão, e eliminarei de Jeroboão todo e qualquer do sexo masculino, tanto o escravo como o livre, e lançarei fora os descendentes da casa de Jeroboão, como se lança fora o esterco, até que, de todo, ela se acabe”.

Consequências do pecado

Os males e sofrimentos decorrentes do pecado não são causados pelo diabo, ou voluntariamente pelo próprio homem, mas determinados por Deus na queda de nossos primeiros pais.

Gênesis 3,16: “E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio a dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, ele te governará”.

Adão e Eva não eram apenas representantes da humanidade, mas constituíam a humanidade em sua totalidade. No seu estado anterior à queda eles desconheciam a dor, o sofrimento e a submissão que apesar de serem decorrentes do pecado foram estabelecidos por Deus após a queda.

Gênesis 3,17-19: “E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher, e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses: maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado: porque tu és pó e ao pó tornarás“.

Esta dura condição de sobrevivência imposta ao homem, aliada à sua natureza corrompida pela queda, leva inevitavelmente ao pecado e ao afastamento de Deus. Após a queda, o homem natural não consegue mais reatar a comunhão com Deus, somente Deus pode chamar o eleito à sua comunhão.

Os anjos caídos, os demônios ou diabos como são conhecidos, existem pela determinação e presciência divinas, porém estão continuamente sob o estrito controle de Deus e executam todos os seus atos para cumprimento dos Decretos Eternos de Deus.

Capítulo V, Seção 5 - As tentações

Deus, sendo sábio, justo e misericordioso, muitas vezes deixa, por algum tempo, seus filhos entregues a muitas tentações e à corrupção de seus próprios corações, para castigá-los pelos seus pecados anteriores ou fazê-los conhecer o poder oculto da corrupção e dolo de seus corações, a fim de que eles sejam humilhados (1) para levá-los a depender mais íntima e constantemente do apoio dele e torná-los mais vigilantes contra as futuras ocasiões de pecar, bem como para vários outros fins
justos e santos (2).

Deuteronômio 8,3: “Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do SENHOR viverá o homem”.

2 Crônicas 12,7-8: “Vendo, pois, o SENHOR que se humilharam, veio a palavra do SENHOR a Semaías, dizendo: Humilharam-se, não os destruirei; antes, em breve lhes darei socorro, para que o meu furor não se derrame sobre Jerusalém, por intermédio de Sisaque. Porém serão seus servos, para que conheçam a diferença entre a minha servidão e a servidão dos reinos da terra”.

Resumo:

Deus disciplina seus filhos através das tentações, provações e humilhação.

Estas mesmas aflições, que disciplinam os filhos de Deus, condenam os réprobos a elas submetidos.

A providência e a disciplina

Os sofrimentos de Jó foram infligidos pelo diabo, mas com a determinação de Deus. Estes sofrimentos levaram Jó ao conhecimento de Deus através da operação do Espírito, que não permite que o filho de Deus seja enfraquecido ou destruído pelas tentações.

Romanos 8,28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.

Pedro foi tentado por Satanás, mas Jesus intercedeu por ele para que sua fé fosse, desta forma, fortalecida.

Lucas 22,31-32: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos”.

Capítulo V, Seção VI – quanto aos réprobos

Quanto àqueles homens maldosos e ímpios que Deus, como justo juiz, cega
e endurece (1)  em razão da queda e dos pecados cometidos, ele não só lhes recusa a graça pela qual poderiam ser iluminados em seus entendimentos e movidos em seus corações (2), mas às vezes tira os dons que já possuíam (3), e os expõe a objetos que, por sua corrupção, tornam ocasiões de pecado (4); além disso, os entrega às suas próprias paixões, às tentações do mundo e ao poder de Satanás (5); assim, acontece que eles se endurecem sob influências dos meios que Deus emprega para o abrandamento dos outros (6).

1 - Romanos 11,8: “Como está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje”.

2 - Marcos 4,12: “Para que, vendo, vejam e não percebam; e, ouvindo, ouçam e não entendam; para que não venham a converter-se, e haja perdão para eles”.

3 - Mateus 13,12: “Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”.

4 - Deuteronômio 2,30: “Mas Seom, rei de Hesbom, não nos quis deixar passar por sua terra, porquanto o SENHOR, teu Deus, endurecera o seu espírito e fizera obstinado o seu coração, para to dar nas mãos, como hoje se vê”.

5 - 2 Tessalonicenses 2,11-12: “É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça”.

6 - Atos 28,28: “Tomai, pois, conhecimento de que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão”.

Resumo

Os réprobos religiosos podem receber a iluminação por um tempo, mas não lhes é concedida a fé salvífica.

Deus, não somente retira dos réprobos a possibilidade da graça, como os expõe ao pecado ativamente para sua própria perdição.

Os mesmos meios usados por Deus, que disciplinam os eleitos, endurecem os réprobos.

Eleitos e réprobos sob a tentação

Deus manifesta sua glória em homens ímpios, como no caso de Faraó que se recusava a deixar partir o povo hebreu porque de Deus proveio o endurecimento de seu coração.

O apóstolo João nos diz em suas cartas que os homens somente amam a Deus porque Ele os amou primeiro, da mesma forma, aqueles que rejeitam a Deus foram reprovados na eternidade e entregues de forma ativa e deliberada aos seus próprios pecados e à sua natureza corrompida visando sua perdição. Os eternos propósitos de Deus irão se realizar inexoravelmente, as ações daqueles que foram rejeitados e dos anjos caídos serão usadas para manifestação da glória de Deus, assim como para fortalecimento, esperança e fé dos eleitos.

Êxodo 9,15-16: “Pois já eu poderia ter estendido a mão para te ferir a ti e o teu povo com pestilência, e terias sido cortado da terra; mas, deveras, para isso te hei mantido, a fim de mostrar-te o meu poder, e para que seja o meu nome anunciado em toda a terra”.

O destino dos maus

Os homens malignos e os anjos caídos são mantidos em contínua execução do mal, tanto em função da natureza depravada de que foram dotados, como da contínua ação de Deus, que os mantém em constante atividade.

Romanos 2,5: “Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus”.

Ao filho de Deus, eleito e justificado pelo Pai, é imputada a justiça perfeita de Cristo pela qual a misericórdia de Deus se manifesta. O filho do diabo vive em função de sua natureza corrompida e da escravidão ao pecado, no qual tem prazer.

João 8,44: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”.

Capítulo V, Seção VII – A igreja de Deus em contraposição à igreja local

Como a providência de Deus se estende, em geral, a todos os eleitos, também de um modo especial ele cuida da Igreja e tudo dispõe a bem dela (1).

A igreja de Deus - Isaías 43,3-5: “Porque eu sou o SENHOR, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate e a Etiópia e Sebá, por ti. Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida”.

A igreja local ou militante - Amós 9,8-10: “Eis que os olhos do SENHOR Deus estão contra este reino pecador, e eu o destruirei de sobre a face da terra; mas não destruirei de todo a casa de Jacó, diz o SENHOR. Porque eis que darei ordens e sacudirei a casa de Israel entre todas as nações, assim como se sacode trigo no crivo, sem que caia na terra um só grão. Todos os pecadores do meu povo morrerão à espada, os quais dizem: O mal não nos alcançará, nem nos encontrará”.

Resumo

Na igreja local o joio e o trigo estão misturados, mas o cuidado de Deus se estende a todos eles, não de forma salvífica, porém em forma de bênção terrenas.

A bênção salvadora é somente para a Igreja de Deus, ou Igreja Universal, que abriga os eleitos de Deus em todas as épocas.

A providência e a igreja

A Igreja de Deus, ou Igreja Universal, recebe tratamento especial da providência divina, pois é composta dos eleitos de Deus, somente Deus conhece sua igreja. Na igreja local, ou militante, o joio e o trigo estão misturados, mas recebem o cuidado providencial de Deus para sua manutenção em sua vida terrena. Ninguém se torna filho de Deus por frequentar uma determinada denominação, nenhuma igreja, eclesiástico ou sacramento detém o poder de salvar ou escolher os filhos de Deus. O apóstolo Pedro nos diz claramente em sua carta que o povo de Deus é raça eleita, ninguém elege a si mesmo.

1 Pedro 2,9-10: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia”.

Oração: Pai eterno, Deus criador e senhor do universo, louvado seja o seu nome, nós jamais conheceremos plenamente a sua igreja em nossa vida terrena, mas almejamos sinceramente que nos conceda fazer parte dela, em nome de Jesus. Amém.

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