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12 – Capítulo VII - O PACTO DE DEUS COM O HOMEM

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

12 – Capítulo VII - O PACTO DE DEUS COM O HOMEM

Capítulo VII, seção I - O benefício do pacto

Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como ao seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele como bem-aventurança e recompensa, senão pela voluntária condescendência da parte de Deus, a qual foi ele servido significar por meio de um pacto (1).

1 - Isaías 40,13-14: “Quem guiou o Espírito do SENHOR? Ou, como seu conselheiro, o ensinou? Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de entendimento?”

Resumo:

O pacto é fruto da livre graça de Deus, dependendo exclusivamente da soberania do Criador.

Apesar da determinação soberana de Deus, a responsabilidade da criatura permanece inalienável em toda sua existência.

O pacto não tem origem em qualquer necessidade ou carência de Deus, mas é voltado essencialmente ao benefício de seus eleitos.

A Confissão de Fé Batista de 1689, também se refere ao pacto de Deus com o homem, da mesma forma. Todos os documentos oriundos da Reforma Protestante são unânimes em afirmar a completa e total soberania de Deus no estabelecimento do pacto, cujo fim é a salvação do homem e nenhum destes documentos deixa margem para a decisão, colaboração ou escolha do homem em nenhuma fase do processo de salvação.

Confissão de Fé Batista de 1689

Capítulo 7, parágrafo 1 – O Pacto de Deus: “A distância entre Deus e a criatura é tão grande que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência por ser Ele o criador, elas jamais poderiam alcançar o Dom da vida, senão por uma condescendência voluntária da parte de Deus. E isto Ele se aprouve em expressar por meio de um pacto com o homem.”

A soberania de Deus

Deus é soberano e absoluto em sua natureza e qualidades, não tem necessidade de nada fora de si mesmo, tanto na constituição física do universo como em suas criaturas.

O amor de Deus não é um sentimento afetivo pelas suas criaturas, mas uma manifestação de sua glória em atos práticos que resultam na redenção em Cristo aplicada a seus eleitos escolhidos na eternidade.

1 João 4,9: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele”.

Rev. Herman Hoeksema: “É então evidente que o pacto de Deus não pode ser apresentado como um mero caminho de salvação, ou como um caminho para a vida, mas como a forma mais alta possível de toda vida e bem-aventurança... O pacto não pode ser apresentado como algo incidental, mas como o mais alto propósito da revelação de Deus ao redor do qual todas as coisas no conselho de Deus se concentram e para o qual todas elas são adaptadas”.

A santidade e a justiça de Deus não necessitam de comprovação ou sustentação e a soberania de Deus não depende da cooperação de suas criaturas, resumindo, o Criador não depende em absolutamente nada de suas criaturas. A criação do universo, do homem e dos anjos são meros atos de misericórdia de Deus e não representam uma necessidade divina, o pacto visa exclusivamente à salvação e ao bem estar do ser humano. O homem necessita de Deus, mas Deus não precisa do homem, Ele é um ser completo e plenamente feliz em si mesmo.

Atos 17,24-26: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação”.

O que é o Pacto? O pacto é um acordo unilateral firmado unicamente com base na vontade soberana e na sabedoria de Deus, não é um contrato, no qual todas as partes precisam concordar. O primeiro pacto foi um pacto de obras e exigia do homem o cumprimento da ordem divina, ele foi estabelecido por Deus e devia ser cumprido pelos primeiros pais.

O pacto é fruto da livre graça de Deus, dependendo exclusivamente da soberania do Criador, sendo que, apesar da determinação soberana de Deus ser eterna e imutável, a responsabilidade da criatura permanece inalienável no cumprimento destas determinações. Deus não pode ser obrigado a receber todos os homens e anjos criados em sua intimidade, se os recebe é por uma decisão inteiramente sua, fruto de infinita e eterna condescendência e misericórdia, mesmo porque o homem natural não consegue entender as coisas de Deus a menos que seja chamado por Deus.

1 Coríntios 2,14: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.

Capítulo VII, Seção II - O Pacto de Obras:

O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras (1); nesse pacto a vida foi prometida a Adão e nele à sua posteridade, sob a condição de perfeita obediência pessoal (2).

1 - Oséias 6,7: “Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim”.

2 - Romanos 5,12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

Resumo:

Neste primeiro pacto, Adão é o representante de toda humanidade (representante federal).

O primeiro pacto oferecia a promessa de vida e exigia a perfeita obediência do homem.

A vida prometida não era simplesmente continuação de existência, mas a vida espiritual e a comunhão com Deus.

O Pacto de Obras

Uma vez que a ameaça de morte não se referia à morte física, Adão experimentou a partir da queda, a exclusão da comunhão divina; a vida prometida consistia na continuidade da comunhão divina e na felicidade resultante. A morte provinda deste ato de desobediência de Adão se constitui em uma crescente vocação natural ao pecado e a miséria resultantes da cessação da única fonte de vida: a comunhão com Deus.

Este primeiro pacto já demonstra que todos os serem humanos potencialmente presentes em Adão e Eva, devem sua existência e sustentação à preservação do Criador. A partir da quebra do pacto, o homem passaria a viver de acordo com as leis do mundo, herdando a natureza pecaminosa resultante da queda e tornando-se incapaz de restabelecer a comunhão perdida.

Capítulo VII, Seção III – O Pacto da Graça

O homem, tendo se tornado pela queda, incapaz de viver por esse pacto de obras, o Senhor dignou-se fazer um segundo pacto, geralmente chamado o pacto da graça (1); neste pacto da graça, ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação por meio de Jesus Cristo, requerendo deles a fé (2); e prometendo a todos aqueles que estão ordenados para vida eterna o seu Santo Espírito, que irá habilitá-los e torná-los dispostos para crer (3).

1 - Isaías 42,6: “Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios”.

2 - Atos 16,31: “Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”.

3 - João 6,37: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”.

 

Resumo:

A queda incapacitou todos os homens para realizar o que quer que seja pela sua salvação.

O pacto da graça é firmado em Jesus Cristo, determinado por Deus na eternidade e realizado no tempo pelo milagre da encarnação.

No pacto da graça, Deus fornece ao homem, gratuitamente, todos os dons e meios conducentes para sua salvação.

O pacto da graça:

Uma vez que o homem mostrou-se incapaz de cumprir o pacto de obras, aprouve a Deus instituir um novo pacto, oferecendo aos homens a condição de reatar a comunhão com o Criador de forma diferente daquela antes estabelecida. Este novo pacto não apresenta redução de compromissos ou termos do primeiro pacto, mas o cumprimento cabal e completo de suas exigências em e por intermédio de Jesus Cristo, perfeito homem e perfeito Deus, capaz de cumprir, em lugar dos eleitos, todas as exigências da lei através de uma vida de perfeita obediência aos preceitos divinos.

O pacto de Deus, sendo eterno, não poderia ter como base um ser mutável e finito, o pacto eterno teria que ser executado por um ser incorruptível, imutável e eterno: somente Deus poderia realizar a salvação. O Verbo encarnado tomou sobre si o encargo da salvação, cumprindo para isto de forma rigorosa, toda a lei de Deus que Adão se mostrara incapaz de cumprir e substituiu o pecador na punição divina do pecado, propiciando a ira de Deus e adquirindo, desta forma, a redenção dos eleitos de Deus. A aliança da graça é realizada entre Deus e Ele mesmo na pessoa de Jesus Cristo, o Verbo encarnado, que incluiu a natureza humana na transcendência da Trindade Divina para realização do plano eterno de Deus.

Conforme o ponto de vista arminiano (o livre-arbítrio), a graça de Deus é oferecida indistintamente a todos os homens sob a condição de cumprimento da fé e obediência evangélica por estes mesmos homens, transformando o Pacto da Graça, novamente, em pacto de obras, onde a fé e a obediência evangélica substituem as obras da lei na condição de perfeita obediência a cargo do homem. Assim sendo, não existiria na verdade, o Pacto da Graça, mas um novo pacto de obras.

A Escritura diz claramente que a fé salvífica é um dom de Deus, a fé proveniente do esforço humano nada representa para a salvação destes falsos religiosos, mas serve apenas para condená-los e torná-los indesculpáveis perante Deus.

Efésios 2,8-9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.

A. A. Hodge: “A fé não é uma obra que Cristo condescende, no evangelho, aceitar no lugar da perfeita obediência como base da salvação”.

Capítulo VII, Seção IV - O Novo Testamento

Este pacto da graça é frequentemente apresentado nas Escrituras pelo nome de Novo Testamento, em referência à morte de Cristo, o testador, à perdurável herança, com tudo que lhe pertence, legada neste pacto (1).

Hebreus 9,15-20: “Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados. Porque, onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador; pois um testamento só é confirmado no caso de mortos; visto que de maneira nenhuma tem força de lei enquanto vive o testador. Pelo que nem a primeira aliança foi sancionada sem sangue; porque, havendo Moisés proclamado todos os mandamentos segundo a lei a todo o povo, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, e lã tinta de escarlate, e hissopo e aspergiu não só o próprio livro, como também sobre todo o povo, dizendo: Este é o sangue da aliança, a qual Deus prescreveu para vós outros”.

Resumo

O pacto da graça é apresentado na Escritura com o nome de Novo Testamento.

O pacto da graça foi realizado pelo Verbo encarnado, Jesus Cristo, consumando todas as profecias e previsões do Velho Testamento.

A realização do Pacto da Graça

O Pacto das Obras, firmado com Adão, foi quebrado, pois o homem sendo criatura finita e mutável não persistiu na execução do pacto. É preciso ressaltar que a desobediência de Adão e a queda foram decretados na eternidade, Deus não foi surpreendido com a atitude do homem, mas, ao contrário, teve nesta desobediência de Adão a realização de seus Decretos Eternos.

Isso serviu para mostrar que o homem finito, por si mesmo, jamais poderia cooperar em um pacto que deve ser infinito e eterno. Depois disso, a fraqueza e a corrupção humanas decorrentes da queda resultaram na total e completa incapacidade do homem, separando radicalmente a criatura do Criador.

 

Romanos 5,12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

Por todos estes motivos, o Pacto da Graça exclui o homem de sua realização, este pacto foi realizado pelo próprio Deus, na pessoa do Verbo encarnado: Jesus Cristo, que, através da encarnação tornou-se perfeito homem e perfeito Deus, apto a realizar o pacto onde Adão havia falhado.

Colossences 1,15: “Este (Jesus) é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”.

Como a sua perfeita imagem, Jesus revelou Deus aos homens e realizou de forma cabal e definitiva, uma vez por todas, o plano de salvação de Deus, tornando possível desta forma a efetivação do Pacto da Graça, pois o homem pecador jamais poderia ser salvo sem o cumprimento perfeito da justiça de Deus. Deus é santo e puro, sua misericórdia não pode ser manifesta, jamais, à parte de sua justiça. Por este motivo, os homens nunca seriam objeto do amor de Deus sem o cumprimento perfeito de sua justiça em Jesus Cristo.

Colossences 1,17-20: “Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

O pacto da graça realiza em si todos os outros pactos, símbolos e ordenanças do Velho Testamento, representando em Cristo a consumação de todos estas coisas que eram sempre figuras do que haveria de ser realizado definitivamente no Pacto da Graça.

1 Timóteo 2,5-6: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos”.

O pacto da graça é eterno: Na redenção prevista no Pacto da Graça, todos os fatos são definidos e determinados eternamente entre o Pai e o Filho e o Espírito:

1 - Quem seria salvo – a pré-determinação dos eleitos de Deus.

2 – Como e por quem seria realizada a redenção.

3 – O que seria feito para a salvação destes eleitos.

4 – Como seria aplicada a salvação, uma vez que o homem é incapaz.

5 – As bênçãos e obrigações derivadas da graciosidade do pacto.

Os homens são criaturas, como tais temporais, e têm dificuldade em definir e aceitar algo que procede de fora do tempo; por outro lado, a eternidade é a ausência do tempo, onde tudo se realiza plenamente em um presente imutável que abrange todas as coisas e acontecimentos em todos os lugares e em todos os tempos: as coisas definidas por Deus na eternidade não são sujeitas à emoção ou à mudança e permanecem indefinidamente.

Assim é a redenção, independe da participação, cooperação ou justiça própria do homem ou do que quer que seja proveniente dos seres criados, pois as decisões de Deus, apesar de se realizarem através do tempo, são determinadas na eternidade e imutáveis em sua realização.

Capítulo VII, Seção V – O pacto e a lei

Este pacto no tempo da lei não foi administrado como no tempo do Evangelho (1). Sob a lei foi administrado por promessas, profecias, sacrifícios, pela circuncisão, pelo cordeiro pascal e outros tipos e ordenanças dadas ao povo judeu, todas estas coisas prefigurando Cristo que havia de vir (2); por aquele tempo essas coisas, pela operação do Espírito Santo, foram suficientes e eficazes para instruir e edificar os eleitos na fé do Messias prometido (3), por quem tinham plena remissão dos pecados e a vida eterna: essa dispensação chama-se Velho Testamento (4).

1 - Hebreus 1,1-2: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo”.

2 - Romanos 4,11: “E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que crêem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça”.

3 - Gálatas 3,6-9: “É o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão”.

4 - Atos 15,10-11: “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós? Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram”.

Resumo

Existe um só pacto de Deus com o homem, com diferentes modos de administração.

O cerne do pacto, no Velho e Novo Testamento, é Cristo.

As administrações do pacto

As ordenanças e sacrifícios do Velho Testamento pré-figuravam todos os princípios do Pacto da Graça, representando os tipos e símbolos que antecipavam a salvação em Cristo:

1 - O cordeiro do sacrifício:

João 1,29: “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”

2 - O sumo-sacerdote:

Hebreus 4,14: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão”.

3 - O sacerdócio levítico:

Hebreus 7,23-24: “Ora, aqueles (descendentes de Levi) são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável”.

4 - O tabernáculo:

Hebreus 9,11-12: “Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação, não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”.

Capítulo VII, Seção VI – O Novo Testamento e o Pacto da Graça

Quando foi manifesta a natureza de Cristo no evangelho, as ordenanças pelas quais o Pacto da Graça é dispensado passaram a ser: a pregação da palavra e a administração dos sacramentos do batismo e da ceia do Senhor (1). Por estas ordenanças, que são poucas em número e administradas com maior simplicidade e menor glória externa, o pacto é manifestado com maior plenitude e eficácia espiritual (2) a todas as nações, tanto aos judeus como aos gentios (3). Este pacto é chamado “Novo Testamento”. Não há dois pactos da graça diferentes em substância, mas um e o mesmo sob várias administrações (4).

1 - Colossences 2,17: “Porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo”.

2 - 2 Coríntios 3,10-11: “Porquanto, na verdade, o que, outrora, foi glorificado, neste respeito, já não resplandece, diante da atual sobreexcelente glória. Porque, se o que se desvanecia teve sua glória, muito mais glória tem o que é permanente”.

3 - Efésios 2,14: “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos {ambos: judeus e gentios} fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade”.

4 - Gálatas 3,24: “De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé”.


Resumo

O pacto, administrado de formas diferentes no Velho e Novo Testamento, é o mesmo em suas configurações essenciais.

Há, portanto, um só pacto em todos os tempos, resultante da graça de Deus e definido pela vinda de Cristo ao mundo.

O pacto é somente em Cristo

Todos os homens que foram salvos durante toda a história da humanidade foram salvos em Cristo, mesmo antes da encarnação, não existe outra forma de salvação em nenhum tempo da história.

Romanos 3,25: “(Cristo) A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos”.

Apocalipse 17,8: “A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá”.

A unicidade do pacto em Cristo no Velho Testamento

No Antigo Testamento, o Pacto da Graça é revelado com crescente clareza ao longo da história.

- A promessa a Adão e Eva:

Quando Adão e Eva são expulsos do paraíso, neste mesmo ato, Deus repreende a serpente, Satanás, e promete a vinda do redentor:

Gênesis 3,15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

- A promessa a Jó:

O livro de Jó é o livro mais antigo da bíblia, escrito há quatro mil anos atrás, por um escritor não hebreu, mas certamente inspirado pelo Espírito:

Jó 19,25: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra”.

Pela análise das palavras hebraicas deste texto, conforme dicionário léxico do Dr. Strongs, o Redentor aqui mencionado é Jesus Cristo, sem sombra de dúvida.

Redentor (léxico hebraico):

1 - Origem -  redimir (tendo Deus como sujeito);

2 - Redimir quem ou o que - indivíduos da morte;

Vive: vivo, ativo;

Por fim: mais tarde, subsequente, o último, último (referindo-se a tempo); Se levantará: será constituído, será estabelecido, será confirmado.

- A promessa a Abraão:

Gálatas 3,16: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo”.

- A promessa a Isaque:

Gênesis 28,14: “A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul (todos os povos da terra). Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra”.

- A promessa a Moisés:

Deuteronômio 18,18-19: “Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. De todo aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas”.

- A promessa a Davi:

1 Crônicas 17, 11-14: “Há de ser que, quando teus dias se cumprirem, e tiveres de ir para junto de teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que será dos teus filhos, e estabelecerei o seu reino. Esse me edificará casa; e eu estabelecerei o seu trono para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; a minha misericórdia não apartarei dele, como a retirei daquele que foi antes de ti. Mas o confirmarei na minha casa e no meu reino para sempre, e o seu trono será estabelecido para sempre”.

- Aos profetas:

Isaías 7,14: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel”.

Isaías 9,6: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

Miquéias 5,2: “E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”.

Negar a unicidade do pacto diante de tantas evidências parece tolice, ou mesmo contra-senso, mas a revelação da Escritura é privativa dos eleitos de Deus, e toda crença absurda é possível para aqueles que o ‘deus deste século’ cegou. A divisão do texto sagrado em diferentes dispensações, apesar de herética, é bastante comum na igreja evangélica moderna.

Esta prática supõe que Deus estabeleceu sete pactos diferentes com os homens, porque foi surpreendido com as atitudes humanas inesperadas e foi obrigado a mudar as dispensações do pacto conforme as épocas da história; da mesma forma Jesus somente se dirigiu aos gentios quando foi surpreendido pela rejeição dos judeus.

Este sistema afirma também, apesar das negativas categóricas de Jesus na Escritura, o sonho farisaico do estabelecimento do reino davídico do Messias na terra, por mil anos antes do fim. Esta é uma heresia cruel e demoníaca, pois nega a onisciência e onipotência de Deus e também, direta ou indiretamente a divindade de Cristo e consequentemente a Trindade divina.

(Estas são observações básicas para conhecimento do dispensacionalismo, existem diferentes vertentes desta aberração, cujo detalhamento deve ser objeto de estudo definido e não cabe neste comentário)

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Última atualização em Sex, 03 de Fevereiro de 2012 07:49  

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