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13 – CAPÍTULO VIII – DE CRiSTO, O MEDIADOR

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

13 – CAPÍTULO VIII – DE CRiSTO, O MEDIADOR

 

Capítulo VIII, Seção I - O mediador

1- Aprouve a Deus, em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem (1), o Profeta (2), Sacerdote (3) e Rei (4), o Cabeça e Salvador de sua Igreja (5), o Herdeiro de todas as coisas (6) e o Juiz do mundo (7); e deu-lhe desde toda a eternidade um povo para ser sua semente (8) e para, no tempo devido, ser remido, chamado, justificado, santificado e glorificado (9).

1 - Isaías 42,1: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios”.

2 - Deuteronômio 18,15: “O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás”.

3 - Hebreus 5,5-6: “Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei; como em outro lugar também diz: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.

4 - Isaías 9,6: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

5 - Efésios 5,23: “Porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo”.

6 - Hebreus 1,2: “Nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo”.

7 - Atos 17,31: “Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos”.

8 - João 17,6: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra”.

9 - Romanos 8,30: “E aos que predestinou a estes também chamou: e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou”.

Resumo:

Cristo foi ordenado na eternidade para ser o redentor e mediador dos eleitos de Deus.

Para isso, o povo de Cristo foi dado a ele pelo Pai antes da fundação do mundo.

O ofício mediador de Cristo abrange três funções distintas: profeta, sacerdote e rei.

Cristo, o mediador

O mediador tem como ofício intervir entre as partes conflitantes buscando a reconciliação, esta mediação aplica-se unilateralmente pela graça de Deus à parte passiva: o homem. Este mesmo sentido aplica-se à mediação de Moisés, que foi chamado por Deus para interceder pelo povo escolhido, povo que não participou da escolha, mas teve o benefício da mediação. A mediação de Cristo é superior a qualquer coisa que se conheça, pois ele possui poder absoluto para realizar plenamente todos os atos necessários à intercessão entre Deus e o homem de maneira contínua e plenamente eficaz.

Cristo, o Salvador

Antes que o universo viesse a existir, o Verbo estava eternamente ordenado como Senhor e Salvador dos eleitos do Pai, toda a humanidade viria a cair, mas os eleitos têm em Cristo sua comunhão restaurada com Deus. Desta forma, quando o pecado entrou no mundo, todos os escolhidos estavam destinados à salvação e reconciliação através de Jesus Cristo.

Ninguém pode se tornar cristão por opção própria, mas somente respondendo ao chamado de Deus. Todas as situações e circunstâncias próprias da vida do homem são minuciosamente previstas e determinadas para cumprimento dos Decretos Eternos, nenhum dos predestinados à salvação se perde, nenhum dos predestinados à condenação se salva.  Cristo, o Salvador, jamais perde o salvo.

João 10,27-29: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”.

Os ofícios de Cristo

- Profeta: O profeta tem o ministério do ensino, Jesus, na cruz do calvário, estava ensinando e operando a verdade através de seu sacrifício. Jesus veio ao mundo como a revelação maior e mais profunda de Deus, e ali, na cruz, estava sem dúvida ensinando a respeito de Deus.

Mateus 21,11: E as multidões clamavam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia!”

- Rei: Jesus, na cruz do calvário estava libertando seu povo, ali exerceu o ofício de Rei, ele estava destruindo o poder de Satanás e abrindo os portais eternos para seu povo.

Hebreus 1,8: “Mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de equidade é o cetro do seu reino”.

- Sacerdote: Jesus Cristo ofereceu a si mesmo em lugar dos eleitos. Como sacerdote e como Deus o seu sacrifício é único, nada mais é necessário eternamente. Jesus Cristo, após a ressurreição, assentou-se à direita da Majestade onde intercede de forma eficaz pelo povo de Deus atendendo aos pedidos e orações dos crentes, que são dirigidos pelo Espírito conforme a vontade de Deus.

Hebreus 8,1: “Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus”.

Capítulo VIII, Seção II - O Verbo Encarnado

O Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana (1) com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado (2), sendo concebido por Deus, através do poder do Espírito Santo, no ventre da Virgem Maria e da substância dela (3). As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas – a divindade e a humanidade – foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão, composição
ou confusão (4); essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem (5).

1 - Gálatas 4,4: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

2 – Hebreus 2,17: “Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo”.

3 – Lucas 1,35: “Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”.

4 – Colossences 2,9: “Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade”.

5 – Romanos 1,3-4: “Com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor”.

Resumo:

As pessoas da Trindade têm suas funções definidas no plano de salvação. Esta função é existente de forma voluntária, na eternidade, em cada pessoa divina conforme o consenso perfeito na unidade da Trindade.

Desta forma, a natureza divina e a natureza humana de Jesus pertencem a ele eternamente após a encarnação, sendo na sua pessoa, inalienáveis e inseparáveis.

A natureza de Jesus

Jesus é Deus encarnado, por isso ele possui duas naturezas, ele é verdadeiro homem e verdadeiro Deus, a união das naturezas divina e humana em Jesus Cristo recebe o nome de União Hipostática. Esta forma que Jesus assumiu permanece para sempre, ele é uma pessoa com duas naturezas conscientes: divina e humana.

Por que o nascimento virginal?

Adão, como o primeiro homem, é considerado representante (cabeça federal) da raça humana, pelo pecado de Adão todo ser humano nasce em pecado, por isto: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”.

(Breve Catecismo de Westminster)

PERGUNTA 16: Caiu todo o gênero humano pela primeira transgressão de Adão?

RESPOSTA: Visto que o pacto foi feito com Adão, não só para ele, mas também para sua posteridade, todo gênero humano que dele procede por geração ordinária, pecou nele e caiu com ele na sua primeira transgressão.

Jesus é o cordeiro oferecido por Deus, que veio ao mundo para ser sacrificado em lugar dos eleitos, para tal fim ele deveria ser perfeito e sem mácula; a impecabilidade de Jesus é um ponto fundamental na expiação, pois de outra forma esta não seria válida.

A impecabilidade de Jesus provém os seguintes fatos:

1 - Pelo decreto de Deus ele seria um ente santo.

Lucas 1,35: “Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”.

2 – Pelo nascimento virginal ele não carregava o peso do pecado original, sua comunhão com Deus era perfeita.

Mateus 1,23: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)”.

3 – Ele recebeu o Espírito sem medida.

João 3,34: “Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida”.

4 – Apesar das naturezas humana e divina de Cristo não se misturarem elas se comunicam, a imutabilidade, o poder e a onisciência da natureza divina se manifestam na pessoa de Jesus durante todo o seu ministério. Esta comunicação entre as naturezas divina e humana sem mistura ou confusão se chama: “Comunicação de Propriedades”.

Isaías 9,6: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

5 – A plenitude destas qualidades em Jesus Cristo é permanente, total e abrangente, pois assim aprouve a Deus.

Colossences 1,19: “Porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude”.

Nascendo de uma virgem, Jesus não trazia em si o pecado original, e através deste nascimento sobrenatural ele possuía plena humanidade e plena divindade, desta forma poderia sofrer a expiação substitutiva como homem e ao mesmo tempo cumprir todas as formalidades da lei.

O nascimento virginal é um milagre equivalente à criação, porque é uma necessidade para uma nova humanidade que irá nascer através do Espírito: “o novo nascimento”. Este segundo milagre da vida - o novo nascimento - somente se torna possível pela encarnação, pois sem a encarnação não seria possível a aquisição da redenção pelo Verbo, eis o porquê da encarnação (o nascimento virginal).

2 Coríntios 5,21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.

Capítulo VIII, Seção III – As qualidades do Mediador

O Senhor Jesus, em sua natureza humana unida à divina, foi santificado e ungido com o Espírito Santo sem medida (1), tendo em si todos os tesouros de sabedoria
e ciência (2). Aprouve ao Pai que nele habitasse toda plenitude (3), a fim de que, sendo santo, inocente, puro e cheio de graça e verdade, estivesse perfeitamente preparado para exercer o ofício de Mediador e Fiador (4). Este ofício ele não o tomou para si, mas para ele foi chamado pelo Pai (5), que lhe pôs nas mãos todo o poder e todo o juízo e lhe ordenou que os exercesse (6).

1 – Lucas 4,18: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos”.

2 – Colossences 2,3: “(Cristo) Em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos”.

3 – Colossences 1,19: “Porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude”.

4 – João 1,14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

5 – Hebreus 5,5: “Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”.

6 - João 5,22-23: “E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento, a fim de que todos honrem o Filho do modo por que honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou”.

Resumo:

Cristo desempenha suas funções como o Verbo encarnado, perfeito homem e perfeito Deus ungido pelo Espírito e ordenado pelo Pai.

Cristo exerceu sua função de mediador como o Filho do Homem, em seu estado de humilhação, resultante da encarnação.

Neste estado de humilhação, ele se colocou voluntariamente como servo de Deus para cumprir rigorosamente a lei que Adão não houvera conseguido cumprir.

Após a ressurreição, Cristo continua a exercer a sua função mediadora em seu estado glorificado.

Jesus Cristo e a Trindade

Sendo Jesus a segunda pessoa da Trindade divina, sua relação com o Pai e o Espírito é baseada na coexistência eterna, na igualdade e na perfeita interação e consenso entre as pessoas da Trindade. Não existe hierarquia ou grau de superioridade ou inferioridade entre os membros da Trindade, o conhecimento, os objetivos e o amor são próprios de cada uma das pessoas e ao mesmo tempo do Deus único de forma completa, eterna, perfeita e indissolúvel.

Marcos 12,29: “Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor!”.

A união da natureza humana e da natureza divina em Jesus, não significa deificação da natureza humana nem tampouco humanização da natureza divina, as duas naturezas permanecem plenamente unidas, mantendo as características íntegras e próprias de cada uma delas.

Quanto à encarnação e ao ministério messiânico de Jesus, as escrituras ensinam que o Pai enviou o Filho, que o Filho recebe o Espírito e que o Filho e o Pai enviam o Espírito. Esta linguagem, porém, não deve trazer uma impressão irreal de superioridade ou inferioridade, pois não existe hierarquia entre os membros da Trindade, sendo todas as funções realizadas pelas pessoas divinas em comum acordo e pleno consenso dentro da unidade do Deus trino, conforme a Escritura.

A encarnação, o ministério messiânico de Jesus, a ressurreição e a glorificação de Jesus são, todas, obras do Deus triúno. Da mesma forma, deve-se evitar a idéia que o ofício messiânico de Cristo dependia diretamente do Espírito, seja por concepção ou por unção, todas as obras e milagres de Cristo procederam da unidade do Deus triúno. O Espírito ungiu o filho para o ministério messiânico sem exercer sobre ele autoridade ou controle que não proviesse do Deus único da Trindade divina.

Já foi visto acima os fatos sobre a impecabilidade de Jesus, ele foi tentado em tudo, mas sem pecado, em consequência da plenitude da divindade que se manteve na encarnação, por este motivo, em tudo foi perfeito: em graça, poder, amor e glória. Permanece sempre transcendente como o Verbo Divino e ao mesmo tempo o Filho do Homem, representante da humanidade junto ao trono de Deus.

Colossences 2,9: “Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade”.

Capítulo VIII, Seção IV – Voluntariedade do mediador

O Senhor Jesus empreendeu este ofício de mediador voluntariamente (1). Para que pudesse exercê-lo, foi feito sujeito à lei, que cumpriu perfeitamente (2), padeceu diretamente em sua alma racional os mais cruéis tormentos (3) e em seu corpo os mais penosos sofrimentos; foi crucificado e morreu; foi sepultado e ficou sob o poder da morte, mas não viu corrupção (4), ao terceiro dia ressuscitou dos mortos com o mesmo corpo* com que tinha padecido (*porém, transformado em corpo espiritual), com esse corpo* subiu ao céu, onde está sentado à destra do Pai, fazendo intercessão (5), de lá voltará no fim do mundo para julgar os homens e os anjos (6).

1 – Salmo 40,7-8: “Então, eu disse: eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito; agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei”.

2 – Mateus 3,15: “Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por enquanto, porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o admitiu”.

3 – Mateus 26,38: “Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo”.

4 – Atos 2,27: “Porque não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”.

5 – Romanos 8,34: “Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

6 – Atos 10,42: “E nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos”.

Resumo:

Jesus Cristo tomou sobre si, voluntariamente, o ofício de mediador e tudo o que nele está envolvido.

Sem a liberdade de sua vontade, a obediência e sofrimento não teriam sido vicários e não seriam válidos.

Cristo nasceu sob a lei

Seguem algumas considerações necessárias a este respeito:

- Cristo nasceu sob a lei, não por sua própria causa, mas como representante oficial do povo de Deus.

- Cristo nasceu sob a lei, não como norma de justiça, mas para redimir os eleitos que estavam debaixo da lei.

- Cristo nasceu sob a lei, voluntariamente, para cumprir a lei em lugar de seu povo, de forma perfeita, vicária e redentora.

Cristo padeceu no corpo e no espírito

Cristo suportou as misérias desta vida, a ira de Deus e a maldição da morte na cruz, ele foi o representante vicário do seu povo dado por Deus na eternidade. Toda sua carreira terrena foi, por um lado sofrimento, em outro, obediência. O sofrimento de Cristo constitui-se na resignação voluntária à penalidade que ele assumiria em lugar dos eleitos de Deus. A obediência de Cristo foi o desempenho em lugar do pecador incapaz de cumprir a lei, e desde a queda impedido da comunhão com Deus.

Em seu último estágio de humilhação, no sepulcro, sua alma permaneceu separada de seu corpo até sua ressurreição.

A. A. Hodge explica que este fato: “A separação do corpo e da alma do homem Jesus significou para o Filho de Deus a ‘descida ao inferno’”.

Os sofrimentos de Jesus foram principalmente de ordem emocional e espiritual: a incredulidade do seu povo, a incompreensão de sua família, a fuga dos discípulos, a zombaria e o escárnio de sua gente e principalmente o abandono do Pai em seus últimos momentos. O conhecimento prévio e a plena consciência de todos estes acontecimentos só faziam intensificar a dor e acentuar as angústias do Messias.

A mediação na exaltação

- A ressurreição de Cristo significou o cumprimento de todas as profecias.

- A ressurreição de Cristo provou ser ele o filho de Deus, pois comprovou suas afirmações e porque ele ressuscitou pelo seu próprio poder.

- A ressurreição de Cristo foi uma aceitação pelo Pai da mediação de Cristo em favor de seu povo.

- Pela ressurreição de Cristo o crente tem um advogado junto ao Pai e um sacerdote eterno que intercede continuamente pelo seu povo.

- Pela glorificação de Cristo o Espírito preserva os eleitos justificados por Deus.

João 10,17-18: “Por isso, o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai”.

Capítulo VIII, Seção V - A redenção eterna

O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que, pelo Espírito Eterno, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente a justiça de seu Pai (1), e adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança eterna  no Reino dos Céus (2), para aqueles que o Pai lhe deu.

1 – Romanos 5,19: “Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos”.

2 – João 17,2: “Assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste”.

Resumo:

Cristo fez satisfação a Deus como representante do povo escolhido pelo Pai.

Cristo assegurou àqueles a quem representava, e somente a esses, a remissão cabal e definitiva de todos os pecados.

Os documentos da reforma

Todos os catecismos e confissões reformadas são unânimes em afirmar o sacrifício substitutivo de Cristo como a única obra necessária e suficiente à salvação, uma vez que a incapacidade e a depravação humana, após a queda, impedem em caráter definitivo a aproximação voluntária do homem com Deus.

O Catecismo de Heidelberg, na questão número sessenta diz: “Deus, sem qualquer mérito de minha parte, mas somente de sua mera graça, concede e imputa a mim a perfeita satisfação, justiça e santidade de Cristo... Como se eu houvesse consumado perfeitamente toda aquela obediência que Cristo consumou por mim”.

A Confissão Luterana - Formula da Concórdia, diz: “Visto que Cristo foi não só homem, mas Deus e homem em uma pessoa indivisa, assim se fez sujeito à lei e ao odioso sofrimento e morte apesar de ser ele o Senhor da Lei. Por esta conta, sua obediência nos é imputada, de modo que Deus, considerando toda aquela obediência (a qual Cristo, por sua ação e sofrimento, em sua vida e em sua morte, em nosso favor prestou a seu Pai que está no céu) redime nossos pecados, nos imputa como sendo bons e justos e nos confere a salvação eterna”.

Da mesma forma, a Confissão Belga, a CFW, as Institutas, os catecismos da reforma e todos os documentos produzidos durante este período afirmam sem margem a dúvidas a doutrina da eleição e predestinação em Cristo sem exceção.

Arminianismo: Em 1.610, após a morte de Tiago Armínio, seus seguidores, os Remonstrantes, adeptos do livre-arbítrio, contestaram a igreja e o governo da Holanda exigindo que se mudasse o Catecismo de Heidelberg e a Confissão Belga, para dar lugar ao livre-arbítrio, uma vez que nenhum documento da reforma possibilitava a mínima margem para essa interpretação herética da Escritura.

Em função disso, o governo e a igreja da Holanda convocaram o primeiro sínodo internacional da Reforma Protestante para discussão de um assunto teológico: O Sínodo de Dort. Em 1.618 o Sínodo tornou pública sua decisão, com aprovação da igreja e do Parlamento Holandês condenando duramente o livre-arbítrio e apontando os erros desta doutrina, banindo os Remonstrantes da igreja e declarando o livre arbítrio como ele é e sempre foi: uma heresia condenada pelo cristianismo bíblico.

Os Cânones de Dort - Segundo Capítulo da Doutrina, Artigo 8 - A eficácia da morte de Cristo:

“Pois este foi o soberano conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus, o Pai, que a eficácia vivificante e salvífica da preciosíssima morte de seu Filho fosse estendida a todos os eleitos. Daria somente a eles a justificação pela fé e por conseguinte os traria infalivelmente à salvação. Isto quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo, por meio do sangue na cruz (pelo qual ele confirmou a nova aliança), redimisse efetivamente, de todos os povos, tribos, línguas e nações, todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para serem salvos e lhe foram dados pelo Pai. Deus quis que Cristo lhes desse a fé, que ele mesmo lhes conquistou com sua morte, juntamente com outros dons salvíficos do Espírito Santo. Deus quis também que Cristo os purificasse de todos os pecados por meio do seu sangue, tanto do pecado original como dos pecados atuais, que foram cometidos antes e depois de receberem a fé. E que Cristo os guardasse fielmente até o fim e finalmente os fizesse comparecer perante o próprio Pai em glória, sem mácula, nem ruga”.

Justificativa – Efésios 5,2: “E andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave”.

Todos os documentos da reforma são unânimes em afirmar que Cristo, em pleno rigor, satisfez cabalmente todas as exigências da justiça divina sobre aqueles escolhidos do Pai, a quem representava.

O amor e a misericórdia de Deus somente se manifestam quando cumprida sua justiça, desta forma, a graça de Deus somente se manifesta ao homem através da fé em Jesus Cristo, que também é um dom de Deus, imputado somente ao povo escolhido na eternidade e dado pelo Pai a Cristo.

Filipenses 2,12-13: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

Capítulo VIII, Seção VI – Redenção e ressurreição:

Ainda que a obra da redenção não foi cumprida por Cristo de forma definitiva senão depois da sua ressurreição; contudo, a virtude, a eficácia e os benefícios dela em todas as épocas desde o princípio do mundo, foram comunicados aos eleitos naquelas promessas, tipos e sacrifícios, pelos quais ele foi revelado e significado como a semente da mulher, que devia esmagar a cabeça da serpente, como o cordeiro morto desde o princípio do mundo, sendo o mesmo ontem, hoje e para sempre (1).

1.1 – Gênesis 3,15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

1.2 – Apocalipse 13,8: “E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.

Resumo:

A redenção, em qualquer tempo da historia, é realizada somente através de Cristo.

Só existe um fundamento na salvação do homem, Cristo está presente em todos os pactos e símbolos do Velho Testamento.

A pré-ordenação à salvação foi feita em Cristo Jesus na eternidade.

Os efeitos da redenção

A encarnação e o sacrifício de Jesus aconteceram no tempo, mas os efeitos da redenção existem de maneira eficaz desde o princípio da humanidade. Todos os que foram salvos, foram salvos em Cristo, ninguém foi ou será salvo a não ser por intermédio de Cristo. Negar a eternidade do Cordeiro é negar a eternidade do Verbo e negar a Trindade Divina. Todos aqueles que foram salvos antes de sua morte vicária, salvaram-se pela intermediação do cordeiro, não importando a época em que viveram, pois o livro da vida do cordeiro estava escrito antes da fundação do mundo.

- A. A. Hodge:

Cristo não morreu simplesmente para tornar possível a salvação daqueles por quem ele morreu, ele morreu com o intuito e para o efeito de realmente assegurar a salvação deles e dotá-los gratuitamente de um inalienável direito ao céu. Os sofrimentos vicários de Cristo foram, em propósito e efeito, pessoais e definitivos quanto ao seu objeto (os eleitos de Deus). A salvação deve ser aplicada a todos aqueles para quem ela foi adquirida, visto que não foi a possibilidade nem a oportunidade para reconciliação, mas a própria reconciliação que foi adquirida. Visto que não só a reconciliação foi adquirida, mas o direito a um herança eterna, segue-se:

a) A todos aqueles para quem Cristo adquiriu a redenção, ele mesmo, infalível e eficazmente aplica e comunica esta redenção.

b) Aquele que não recebe a herança e a quem a graça nunca é aplicada, não é uma das pessoas para quem ela foi adquirida.

Capítulo VIII, Seção VII - As naturezas da pessoa de Cristo:

Cristo, na obra da mediação, age de conformidade com as suas duas naturezas, fazendo cada natureza o que lhe é próprio (1); contudo, em razão da unidade da pessoa, o que é próprio de uma natureza é às vezes, na Escritura, atribuído à pessoa denominada pela outra natureza (2).

1 – 1 Pedro 3,18: “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito”.

2 – Atos 20,28: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”.

Resumo

Cristo é o único ser que possui em sua pessoa duas naturezas perfeitas, unidas, indissolúveis e de forma absoluta sem mistura ou confusão.

A união hipostática

Não se pode dividir a vida, os milagres e o comportamento de Jesus, separando-os e atribuindo cada um deles a uma das naturezas, que são perfeitas - nem a natureza humana foi divinizada, nem a natureza divina foi humanizada - mas coexistem sem mistura no Deus-homem Jesus Cristo. Este é o milagre da encarnação, o Verbo Divino tomou sobre si a natureza humana, herdada de Maria, e tabernaculou entre nós em seu estado de humilhação como o Filho do Homem, o segundo Adão, perfeito em sua obediência, perfeito no cumprimento da lei, para que realizasse o que Adão não havia conseguido.

Quando Jesus chorou, sentiu fome, teve sede, angustiou-se, nele estavam presentes as duas naturezas, não foi a natureza humana que aflorou nestes momentos. Quando se transfigurou, acalmou o mar, expeliu demônios, ressuscitou pessoas não foi a divindade que se manifestou, mas sempre as duas naturezas indissolúveis, inseparáveis e sem mistura ou confusão. Em várias ocasiões a glória de Deus manifesta-se a Jesus, no nascimento, no batismo, na transfiguração. Esta glória se manifesta à pessoa completa de Jesus Cristo e não a uma de suas naturezas.

Na encarnação, não foi o homem que se fez Deus, mas Deus que se fez homem, assim, Deus, em Cristo, morreu em lugar de seu povo com morte humilhante na cruz.

Como exemplo pode-se dizer que a morte é um fato humano, a ressurreição uma obra de Deus, mas em Cristo Jesus, o Deus-homem, tanto a morte como a ressurreição são fatos próprios de sua pessoa.

Capítulo VIII, Seção VIII – A graça de Deus em Cristo:

Para todos aqueles por quem Cristo adquiriu a redenção, ele efetivamente aplica e comunica esta redenção (1); fazendo intercessão por eles (2) e revelando pela Palavra os mistérios da salvação (3), levando-os, de forma absolutamente eficaz, a crer e a obedecer pela operação de seu Espírito, e governando seus corações pela sua Palavra e Espírito (4), colocando todos seus inimigos sob seu poder e sabedoria, das formas e meios que são os mais adequados à sua maravilhosa e inescrutável ordenação (5).

1 - João 6,37: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”.

2 - 1 João 2,1: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”.

3 - João 15,15: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer”.

4 - Tito 3,4-5: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”.

5 – 1 Coríntios 15,25-26: “Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte”.

Resumo:

Cristo morreu com o propósito de realizar a redenção eficaz e irrecusável dos eleitos.

A aplicação da salvação

Deus tem desde a eternidade um plano único e todo abrangente, seu propósito é perfeitamente executado no tempo conforme as determinações eternas. Deus, portanto, pretendeu efetuar através da vida de perfeita obediência e do sacrifício de Cristo, exatamente o que foi realizado: a salvação de seus eleitos e ninguém mais.

O desígnio de Cristo não foi o de tornar possível a salvação para todos os homens, mas o de adquirir a salvação eterna e efetivamente reconciliar os que lhe foram dados pelo Pai antes da fundação do mundo e garantir, tão somente a estes, uma herança eterna no céu.

O sacrifício de Cristo é infinito e seria suficiente para toda a humanidade se fosse este o propósito de Deus. A pregação do evangelho deve ser feita para todas as pessoas que se dispõem a ouvir:

Por outro lado, o sacrifício de Cristo tem valor infinito e removeu para sempre os obstáculos legais para a salvação de todos os homens que aceitem com sinceridade o evangelho. Este trabalho de Cristo é suficiente aos desejos legítimos de eleitos e réprobos e através da Palavra deve ser pregado a todos aqueles que se dispõem a ouvir.

Todavia, tendo em vista que, pela queda todos estão mortos em seus delitos e pecados, tanto eleitos quanto réprobos são completamente incapazes de reatar a comunhão perdida e decidir pela própria salvação, ninguém a aceita senão aqueles a quem ela é eficazmente comunicada pelo Espírito Santo.

Esta aceitação da Palavra é operada unicamente pelo Espírito de Deus e aplicada unilateralmente somente àquelas pessoas escolhidas por Deus na eternidade. Esta escolha não foi feita por mérito ou demérito algum proveniente da própria criatura, mas unicamente pela voluntariedade da graça de Deus em Cristo.

Louvado seja Deus!

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