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14 – CAPÍTULO IX – LIVRE ARBÍTRIO

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Confissão de fé de westminster

 Por: Helio clemente

 14 – CAPÍTULO IX – LIVRE ARBÍTRIO

 

Introdução:

Este capítulo trata da vontade do homem em seus quatro estágios na história da humanidade: o estado da inocência, o homem caído, o homem justificado e o homem na glória.

A vontade do homem é livre conforme suas tendências naturais, assim sendo, ela é determinada inevitavelmente por causas secundárias e contingentes, como por exemplo: família, cultura, economia, meio ambiente, idade, condições históricas e geográficas, perigo iminente, necessidade de sobrevivência e outras.

Esta liberdade de escolha, apesar de atrelada às causas secundárias e contingentes, torna o homem responsável pelos seus atos ao mesmo tempo em que esta vontade do homem é controlada por Deus, através da determinação destas causas e condições, em cada instante de sua vida.

Isaías 63,17: “Ó Senhor, por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso coração, para que te não temamos? Volta, por amor dos teus servos e das tribos da tua herança”.

Capítulo IX, Seção I – A livre agência do homem

 

Deus dotou a vontade do homem com aquela liberdade natural, que nem é forçada e nem determinada para o bem ou para o mal por alguma necessidade absoluta da natureza (1).

João 5,40: “Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida”.

Resumo

O homem tem liberdade de escolha conforme sua natureza, livre de força direta e imediata que a dirija para o bem ou para o mal.

A escolha do homem é direcionada por suas inclinações naturais e pelas causas secundárias e contingentes. 

Causas contingentes

A liberdade de escolha do homem nem é absoluta, nem forçada diretamente, mas é condicionada pelas suas inclinações naturais e pelas causas e condições secundárias e contingentes: as necessidades ditadas pela sua cultura, sobrevivência, família, meio social, meio ambiente, situação histórica e geográfica e outras que definem a cada momento uma condição diferente de escolha, sendo que todas estas condições e causas que dirigem a vontade do homem são determinadas por Deus com a finalidade de realização de seu plano eterno.

A respeito desta livre agência do homem, existem três possibilidades, conforme abaixo:

1 – Materialismo evolucionista: Todas as ações do homem são motivadas pelas suas necessidades existenciais relativas à sobrevivência. Este é o ponto de vista evolucionista e materialista, o qual elimina toda consciência e caráter do homem. Todavia, o homem é um ser racional e gregário, ou seja, tem uma consciência moral e vive em uma sociedade familiar que o obriga a considerar outras causas além da mera sobrevivência.

2 – O livre arbítrio: Os partidários desta idéia defendem que todas as ações dos homens são determinadas por uma faculdade da vontade completamente livre de qualquer causa.

Este é o ponto de vista dos religiosos arminianos que defendem a capacidade do homem natural escolher ou rejeitar sua própria salvação. Ora, este ponto de vista supõe que todas as pessoas possuem o poder de escolher sem levar em conta sua natureza, seus juízos, inclinações e outras situações contingentes. Por exemplo: se um leão ataca um homem, sua vontade é matá-lo, mas seu juízo decide que corra para salvar sua vida, certamente o juízo definirá a vontade naquele momento, mas, se a pessoa, no mesmo caso, estiver fortemente armada, já não vai correr, mas matar o leão, ou ainda, se estiver ao lado de uma árvore, vai subir rapidamente, ou, se estiver ao lado de um lago, vai se atirar no lago.

Vê-se desta forma, em um exemplo bastante simples, que a vontade é condicionada inevitavelmente pelos fatores secundários e contingentes que envolvem a situação do momento.

3 – Livre agência condicionada: O terceiro ponto de vista é o que foi abordado no resumo, ou seja, a pessoa tem a liberdade de escolher, de acordo com sua natureza, o que seu juízo e as circunstâncias definem, naquele momento, conforme as causas contingentes e secundárias motivadoras da ação se apresentam.

Lorraine Boettner: “Muitos exemplos podem ser dados para mostrar que acontecimento da maior importância tem muitas vezes dependido do que à época pareceu serem acontecimentos dos mais fortuitos e triviais. A inter relação e conexão de acontecimentos é tal que se um destes fosse omitido ou modificado, toda a sequência seria também modificada ou simplesmente não aconteceria.

Assim, como Deus sabe de todas as coisas que irão acontecer, e acontecerão imutavelmente, temos a certeza de que a administração divina se apóia na pré-ordenação de Deus estendida a todos os acontecimentos, sejam pequenos ou grandes.
E, especificamente, nenhum acontecimento é pequeno (ou grande) demais; cada um tem o seu lugar exato no plano divino”.

Capítulo IX, Seção II – Adão e a inocência

O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus (1), mas de forma mutável, de maneira tal que pudesse decair desse estado (2).

1 - Gênesis 1,26: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”.

2 - Gênesis 3,6: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu”.

 

Resumo:

Em seu estado de inocência, Adão tinha liberdade para decidir.

A livre agência de Adão era, todavia, condicionada aos seus próprios desejos, podendo ele obedecer ou não ao mandamento.

O estado da inocência

Em seu primeiro estado, Adão era livre em suas inclinações e desejos, tendo responsabilidade de decidir entre o certo e o errado, capaz tanto à obediência quanto à quebra da ordem recebida. Entre a liberdade e a vontade do primeiro casal, não existia nenhum obstáculo natural, tanto Adão como Eva foram criados adultos e com pleno conhecimento e capacidade para as funções a que foram destinados, sendo seres racionais completos, não passando pelas fases de infância e adolescência.

A liberdade do primeiro casal não tinha os impedimentos que surgiram posteriormente à queda, os descendentes de Adão não conhecem este primeiro estado, motivo pelo qual fica difícil avaliar os desejos e inclinações que levaram Adão à desobediência. A sedução, a tentação externa e a excitação da carne não resistiram ao chamado de Satanás, a outra opção de crença oferecida pela serpente, foi forte bastante para transformar a convicção da soberania de Deus na afirmação da vontade própria do homem - Como Deus, sereis... Esta é a tentação que permanece até o dia de hoje, o homem deseja desesperadamente ser o próprio agente de sua salvação, livre da soberana vontade de Deus e escravizado à sua vontade inconstante e dependente das circunstâncias.

Deus estabeleceu para Adão deveres e direitos, a proposta externa da desobediência foi sedutora porque o primeiro homem encontrou em sua consciência a propensão para a substituição da vontade de Deus pela sua justiça própria. Apesar de que, o primeiro homem tinha a capacidade de escolher entre obedecer ou não, a queda estava previamente determinada no plano eterno de Deus, de forma a manifestar a sua glória no decreto da redenção em Cristo.

Livre-arbítrio – a história:

As pessoas não agradecem a Deus por suas boas qualidades, pois consideram estas virtudes como uma característica própria, este é o fundamento do livre-arbítrio: a negação dos efeitos universais da queda. Esta heresia originou-se, de forma prática, no quinto século d.C. através de Pelágio, um monge britânico que chegou a Roma e começou uma reforma moralista entre os monges romanos, esta reforma encontrou apoio em muitos deles.

A teologia de Pelágio era agradável, humanista e voltada para a moral e a ética; com base nestes pontos de vista ele rejeitou todas as afirmações bíblicas a respeito da queda e da graça de Deus defendidas, então, por Agostinho.

Pelágio rejeitou a doutrina do pecado original, afirmando que o homem mantinha sua capacidade de escolher entre o bem e o mal, desta forma Adão torna-se simplesmente um mau exemplo e Cristo apenas um bom exemplo. A salvação de acordo com
o livre-arbítrio consiste então em seguir o exemplo de Jesus: o que os homens precisam é de uma direção moral e não da justiça perfeita de Cristo, à qual nada pode ser adicionado. Desta forma, Pelágio viu a salvação em termos naturais, tendo origem e definição no próprio homem.

Pelágio foi duramente combatido por Agostinho, que, ao contrário, seguindo a Escritura e os ensinos de Paulo, afirmava que os homens nascem com o pecado original e à parte da graça de Deus é impossível que qualquer pessoa busque, obedeça ou ame a Deus. A queda provocou uma total corrupção na raça humana, de forma que a vontade natural do homem é totalmente cativa à sua natureza pecaminosa, somente a graça de Deus, em Cristo, pode trazer o homem à salvação.

A sutileza da heresia:

Pelágio não negava abertamente a graça de Deus, afirmava que a graça era necessária para iluminar o homem e providenciar instruções a respeito de Deus; não negava a Escritura, afirmava que era útil porque fornecia muitos bons exemplos a serem imitados; não negava Cristo, era o exemplo de vida por excelência e deveria ser seguido; não negava a queda de Adão, mas dizia que o homem natural não era concebido em pecado e sua vontade possui a capacidade do livre-arbítrio para escolha ou rejeição de sua própria salvação.

O que vemos em Pelágio?

Este é o evangelho de Satanás, muito parecido com o evangelho de Cristo, porém, com afirmações sutis e agradáveis ao ego humano, que distorcem completamente o sentido e intenção do texto bíblico; assim foi na tentação de Jesus no deserto, Satanás apresenta-se como um anjo de luz e fala pretensamente de acordo com as palavras do evangelho, afinal ele é um anjo.

Não há como fugir, Pelágio e seus seguidores negaram o evangelho de Cristo, a doutrina da predestinação e da perseverança dos santos. O livre arbítrio foi condenado pelos concílios da igreja cristã e considerado como herético e demoníaco, como realmente é.

B. B. Warfield: “Há duas doutrinas fundamentais sobre salvação: a que ensina que a salvação vem de Deus, e que ensina que a salvação é vinda de nós mesmos. A primeira é a doutrina fundamental do Cristianismo; a última, do paganismo universal”.

Warfield é claríssimo, só existem duas religiões no mundo, todo aquele que acredita que pode fazer algo de si mesmo, seja lá o que for, para sua salvação, não é cristão em hipótese alguma.

Será que é possível defender os seis pontos do livre arbítrio abaixo e continuar consistente com a Palavra?

Os seis pontos do livre-arbítrio (Paulino de Milão – século V):

1 – Adão teria morrido mesmo que não tivesse cometido o pecado original.

2 – O pecado de Adão ficou circunscrito somente a ele, não foi propagado para a raça humana.

3 – Crianças recém-nascidas estão no mesmo estado inocente de Adão antes da queda.

4 – O homem não morre pelo pecado de Adão, também não vai ressuscitar por causa da ressurreição de Cristo.

5 – Tanto a lei como o evangelho oferecem entrada no céu, o homem natural tem capacidade de cumprir a lei.

6 – Sempre houve, na história da humanidade homens completamente sem pecado.

Há que se que elogiar a sinceridade e objetividade destes seis pontos, os defensores modernos do livre-arbítrio apresentam-no de forma inocente e natural, se os pontos do livre-arbítrio fossem apresentados desta forma nua e crua, esta heresia não estaria implantada de modo majoritário nas igrejas evangélicas como acontece atualmente.

Paulino era bastante direto, é impossível acreditar nestes seis pontos do livre-arbítrio e afirmar a veracidade e autoridade da Escritura ao mesmo tempo.

A heresia do livre-arbítrio, trazida por Pelágio, foi condenada por todos os concílios da igreja cristã: Cartago, Milevis, Éfeso, Orange, condenando também os aderentes e seguidores de Pelágio e as formas mais sutis de manifestação do livre-arbítrio, como o semi-pelagianismo, que admitia a necessidade da graça, mas exigia a cooperação do homem na preservação da salvação.

Na época da Reforma a heresia do livre-arbítrio ressurgiu através de Tiago Armínio, após sua morte em 1560, seus seguidores, os remonstrantes, exigiram da igreja da Holanda a modificação dos documentos oriundos da Reforma que não davam lugar ao livre-arbítrio de forma alguma: o Catecismo de Heidelberg e a Confissão Belga, adotados pela igreja da Holanda. Em resposta aos remonstrantes, a igreja da Holanda convocou o primeiro sínodo internacional da Reforma, O Sínodo de Dort, que condenou firmemente o livre-arbítrio e baniu os remonstrantes da igreja considerando-os como hereges.

CÂNONES DE DORT – Primeiro Capítulo:

Artigo 10 - Eleição baseada no bom propósito de Deus:

A causa desta eleição graciosa é somente o bom propósito de Deus. Este bom propósito não consiste no fato de que dentre todas as condições possíveis Deus tenha escolhido certas qualidades ou ações dos homens como condição para a salvação. Mas este bom propósito consiste no fato de que Deus adotou certas pessoas dentre a multidão inteira de pecadores para ser sua propriedade.

Romanos 9,11-13: “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú”.

Artigo 11 ‑ Eleição imutável:

Como Deus é supremamente sábio, imutável, onisciente e Todo‑Poderoso, assim sua eleição não pode ser cancelada e depois renovada, nem alterada, revogada ou anulada; nem mesmo podem os eleitos ser rejeitados ou o número deles ser diminuído.

Atos 13,48: “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna”.

Capítulo IX, Seção III – Depravação total

O homem, pela sua queda, no estado de pecado perdeu completamente toda a capacidade da vontade para qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação (1), de sorte que um homem natural, sendo inteiramente adverso a esse bem (2) e morto em  pecado (3), é incapaz de, por suas próprias forças, converter-se ou mesmo preparar-se para isso (4).

1 – Romanos 8,7: “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”.

2 – Jeremias 13,23: “Pode, acaso, o etíope mudar a sua pele ou o leopardo, as suas manchas? Então, poderíeis fazer o bem, estando acostumados a fazer o mal”.

3 – Efésios 2,1: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”.

4 – João 6,44: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”.

Resumo:

A queda trouxe ao homem a depravação espiritual total, tornando todos os homens incapazes de desejar o bem e agradar a Deus.

O homem, criado à imagem e semelhança de Deus, continua sendo um agente livre e totalmente responsável perante Deus.

Catecismo maior de Westminster, questão vinte e cinco - Resposta:

“E por isso ele (o homem) perdeu totalmente toda a capacidade de querer qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação... de sorte que ele não é capaz pela sua própria força de converter-se, ou mesmo de preparar-se para isso”.

Os Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra:

Artigo 10: “A condição do homem depois da queda de Adão, é tal que, ele não pode converter-se e preparar-se, por sua própria força natural e boas obras, para a fé e a vocação divina; por isso não temos poder para fazer boas obras que agradem e sejam aceitáveis a Deus sem a aplicação da graça de Deus por meio de Cristo, para que tenhamos, após isso, boa vontade para a salvação, e continua operando em nós após a posse desta boa vontade”.

Sínodo de Dort: Capítulo III, Artigo terceiro:

“Todos os homens são concebidos em pecado e nascidos filhos da ira, indispostos a todo bem salvífico, propensos a todo mal, mortos em pecados e delitos e escravos do pecado; e, sem a graça do Espírito Santo regenerador, não são nem dispostos nem aptos a converter-se a Deus, corrigir sua natureza depravada, nem se predispõe à correção da mesma”.

 Fórmula da Concórdia (Confissão Luterana) - (Hase’s Collection):

Página 579 – “Portanto cremos que, é impossível a um corpo morto vivificar a si próprio, ou comunicar a si mesmo a vida animal, no mesmo grau é impossível a um homem, espiritualmente morto em virtude da queda, trazer de volta a seu interior a vida espiritual”.

Página 653: “Cremos que nem o intelecto, nem o coração, nem a vontade do homem não regenerado é capaz, por sua própria força, entender, crer, abraçar, querer, começar, aperfeiçoar, efetuar, operar ou cooperar com coisa alguma no que tange ao que é espiritual e divino; mas o homem se acha tão morto e corrompido acerca do bem, que na natureza humana, desde a queda, e antes que seja regenerada, não há nem sequer uma centelha de força espiritual, nela residindo, que possa ele preparar-se para receber a graça de Deus ou aceitar esta graça quando oferecida, ou capaz de, no todo ou metade, ou pelo menos em parte, aplicar a si esta graça ou acomodar-se a ela, ou ainda, conferir, ou agir, ou operar ou cooperar com algo em favor de sua própria conversão”.

Liberdade: A liberdade do homem é a possibilidade de sua alma exercer sua vontade como lhe aprouver, neste sentido o homem é tão livre quanto antes da queda.

Habilidade: A habilidade é a capacidade de querer em oposição aos desejos da alma, que é movida pelos meios secundários e contingentes.

Desta forma, o homem tem liberdade para querer e desejar o que é da sua natureza, mas tem total inabilidade para desejar o que não faz parte de sua natureza.

1 Coríntios 2,14: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.

A incapacidade do homem em seu estado natural:

1 – A incapacidade do homem natural é absoluta, ou seja, o homem não tem capacidade natural para cumprir a lei de Deus, aceitar ou rejeitar sua própria salvação, nem desejar ou preparar a si mesmo para receber a salvação.

João 6,65-66: “E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido. À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele”.

2 – A incapacidade do homem é originada na depravação moral, visto que tanto antes como depois da queda o homem possui a capacidade de escolha e a consciência da existência de Deus. Sua incapacidade resulta tão somente da sua má disposição espiritual, por este motivo o estado natural do homem é de cegueira espiritual e trevas, apontando para a morte.

Agostinho (A Cidade de Deus): "É certo que muitas coisas más, são pelos maus praticadas, aparentemente contra a vontade de Deus. Mas tão grande é a Sua sabedoria e tamanha é a Sua virtude que tudo, mesmo o que parece contrário à Sua vontade, tende para os fins e resultados que Ele antecipadamente viu como bons e justos".

Efésios 4,18: “Obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração”.

Romanos 8.7-8: “Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar”.

Capítulo IX, Seção IV – O homem justificado

Quando Deus converte um pecador e o transfere para o estado de graça, Ele o liberta da sua natural escravidão ao pecado e, somente pela sua graça, o habilita livremente a querer e fazer o que é espiritualmente bom (1); ainda assim, em razão da corrupção remanescente, ele não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é mau (2).

1 - Colossences 2,13: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos”.

2 – 1 João 1,10: “Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”.

Resumo:

Todo o processo de salvação é obra exclusiva da graça de Deus, sem nenhuma participação do homem.

O salvo não é escravo do pecado, mas continua pecador pelo efeito persistente da queda em sua natureza.

Somente a comunhão permanente do Espírito provê a preservação do crente.

Somente a graça de Deus pode converter o pecador

O homem não pode se converter e nem tem a capacidade de converter outras pessoas, os efeitos da queda são de tal forma persistentes que o homem está morto espiritualmente. A vida eterna que havia sido dada em Adão foi perdida, e sua recuperação tornou-se inviável ao ser humano por seus próprios recursos. O pecado gerou a morte e o afastamento de Deus, um morto não pode retomar a vida que perdeu, somente Deus, pela sua graça misericordiosa pode regenerar o pecador.

Romanos 5,12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

Tudo o que concerne a Deus não está condicionado ao decorrer do tempo, Deus não está aprisionado no universo temporal como os homens, mesmo a providência divina executa no tempo somente o que foi determinado por Deus na eternidade.

Quem acredita que se converteu por sua justiça própria, ou tem a capacidade de converter a outrem, a si mesmo se engana em sua pretensa piedade, somente Deus, pela sua escolha, habilita o pecador a participar do seu Reino mudando as inclinações naturais do homem através do novo nascimento: a nova criatura prometida aos profetas (1) e realizada em Cristo (2).

1 – Ezequiel 36,26-27: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis”.

2 – 2 Coríntios 5,17: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”.

Capítulo IX, Seção V - O estado de glória

No estado de glória (1) a vontade do homem se tornará perfeita e imutavelmente livre somente para o bem (2).

1 João 3,2: “Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é”.

1 João 1,8: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós”.

Resumo

A vontade dos regenerados será livre para a escolha do bem somente após a segunda vinda de Cristo e a glorificação dos filhos de Deus.

Os réprobos condenados não recebem esta benção.

A incorruptibilidade na ressurreição

Na morte dos eleitos, o pecado morre juntamente com eles, pois nada impuro pode entrar no reino dos céus; ao morrer, quando seu espírito se dirige a Deus, o regenerado é aperfeiçoado em santidade, liberto do pecado original e dos pecados cometidos durante toda sua vida terrena, os quais foram plena e completamente quitados em e por Cristo como representante de seu povo eleito.

1 Coríntios 15, 52-54: “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória”.

Ao contrário, os réprobos levam sobre si a herança do pecado original e todos os seus pecados cometidos em sua vida terrena, e pagam de forma infindável por estes pecados no lago de fogo eterno.

Apocalipse 20,14-15: “Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”.

Comentarios (2)Add Comment
Gianna Heloisa da Silva Cardoso
...
escrito por Gianna Heloisa da Silva Cardoso, março 02, 2012
Olá! Gostaria de parabenizar o autor do artigo sobre este tema tão controvertido e pouco entendido pela igreja, na atualidade. De fato, muitos falam de livre arbítrio, mas se escandalizam quando perguntados se poderiam dispensar a Graça em suas vidas e continuar com suas " escolhas livres" em favor do Reino de Deus. Falta conhecimento bíblico e esclarecimento do que certos termos aceitos pela maioria e nunca questionados, querem dizer. este artigo vai ajudar a explanar melhor o tema, com toda a certeza. obrigada.
Daniel Meireles
Glória a Deus!!!
escrito por Daniel Meireles, março 16, 2012
Toda a riqueza do universo não pagaria, definitivamente, os momentos de reflexão na Palavra do SENHOR. LOUVADO SEJA ETERNAMENTE O SANTO NOME DO SENHOR!!!

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