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15 – Capítulo X - A VOCAÇÃO dos eleitos

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

 

15 – Capítulo X - A VOCAÇÃO dos eleitos

Capítulo X, Seção 1 – O chamado eficaz:

Todos aqueles que Deus predestinou para a vida, e somente estes, Ele chama eficazmente pela sua Palavra e pelo seu Espírito no tempo determinado; tirando-os, por Jesus Cristo, daquele estado de pecado e morte em que estão por natureza, e transportando-os para a graça e salvação (1). Isto ele faz iluminando suas mentes pelo Espírito, a fim de compreenderem as coisas de Deus para a salvação (2), tirando-lhes os corações de pedra e dando-lhes corações de carne (3), determinando e direcionando pela sua onipotência as suas vontades para aquilo que é bom (4); atraindo-os irresistivelmente a Jesus Cristo (5), mas de modo que eles vêm livremente, sendo para isso dispostos pela sua graça (6).

1 - Romanos 11,7-8: “Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje”.

2 - Atos 26,18: “Para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim”.

3 - Ezequiel 36,26-27: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis”.

4 - Deuteronômio 30,6: “O SENHOR, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o SENHOR, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas”.

5 - João 6,44-45: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim”.

6 - João 6,37: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”.

Resumo

O chamado de Deus é eficaz, mas somente para os eleitos.

A vocação eficaz se realiza através dos meios conducentes: a Palavra e o Espírito Santo.

Infantes, incapazes e os eleitos que antecedem a Cristo, são chamados por Deus em Cristo, mas de outra forma, a qual não cabe avaliar.

Todos os eleitos são regenerados em vida, ninguém é regenerado após a morte.

Congregação dos chamados

Os chamados pela graça de Deus são justificados, regenerados e congregados no corpo de Cristo, a igreja. Isto não significa que todos os frequentadores de igreja sejam salvos, nem tampouco que a salvação pertence a um grupo religioso definido, o joio e o trigo crescem juntos na igreja e no mundo.

Mateus 13,27: “Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?”

O chamado não é realizado por coação ou obrigação, mas por uma mudança poderosa na vida do crente: “o novo nascimento”. Esta mudança é realizada por força exterior ao homem e unicamente pela graça de Deus, através da imputação da justiça perfeita de Cristo ao crente.

A perseverança, melhor designada como preservação, é obra integral do Espírito na vida terrena do crente, de forma que o homem, por suas próprias forças ou justiça não pode fazer absolutamente nada pela sua salvação, nem escolher, aceitar ou rejeitar, participar ou perseverar, tudo provém de Deus.

Efésios 2,8: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.

O chamado eficaz e a predestinação

Todos os eleitos de Deus serão ou foram chamados, sem exceção alguma. Todos os reprovados não receberão o chamado, sem exceção alguma. Não existe, para Deus, falta de fé ou de oportunidade para a salvação, Ele é quem determina o tempo da justificação, infunde a fé e o arrependimento para o novo nascimento, que é o chamado de Deus para uma nova realidade em Jesus Cristo.

João 1,13: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas (da vontade) de Deus”.

Todas aquelas pessoas que foram salvas, antes da vinda de Cristo, aqueles do mundo dos gentios, os que não tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho, os infantes e os incapazes mentais, se salvos ou reprovados, foram predestinados a isso na eternidade. Todos entre estes, que foram eleitos, serão salvos unicamente em Jesus Cristo, não existe outra forma de salvação. Cristo é o salvador desde a eternidade, antes da existência do mundo os eleitos de Deus já estavam preordenados em Cristo.

Efésios 1,4: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor”.

Os crentes salvos, só conhecem o redentor a partir do momento em que recebem a graça de Deus, Cristo conhece os que lhe foram dados na eternidade, quando nenhum homem ainda existia, pois foram predestinados por Deus em Cristo e para Cristo. Os predestinados, não são chamados porque clamavam, porque decidiram por sua salvação ou por nada que provenha do homem ou das circunstâncias. Deus é soberano em todos seus decretos e decisões, o eleito não se perde porque esteve sempre ligado espiritualmente a Cristo.

Isaías 65,1: “Fui buscado pelos que não perguntavam por mim; fui achado por aqueles que não me buscavam; a um povo que não se chamava do meu nome, eu disse: Eis-me aqui, eis-me aqui”.

Da mesma forma, os que se perdem nunca tiveram ligação alguma com Cristo, foram rejeitados na eternidade não por algo de si mesmo, mas pela decisão soberana de Deus em Cristo. Vejam no verso abaixo em Mateus - Cristo diz claramente nunca ter conhecido estas pessoas, apesar de religiosas elas não foram, em tempo algum, ligadas a Cristo, nem o serão eternamente.

Mateus 7,22-23: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

O evangelho, a Palavra de Cristo

Os meios usuais da chamada são a Palavra e o Espírito Santo. Jesus, porém, só fala pela sua própria Palavra, que é o evangelho, nenhum exemplo de vida, nenhuma experiência pessoal, nenhuma exaltação de sentimentos, nenhuma lição de moral vai levar o homem a Cristo, somente a pregação fiel e doutrinária do evangelho terá a cooperação do seu Espírito; aí sim, Deus se revela pela Palavra e a torna compreensível através da ação do Espírito, infundindo no crente a fé em Cristo, orientando e dirigindo os meios de graça: o ouvir a Palavra, a leitura bíblica, a oração e a correta adoração a Deus.

João 16,13-14: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”.

A obra do Espírito

A atuação do Espírito no interior do crente é obra da graça divina, livre e incondicionada por qualquer atitude, serviço ou sentimento do regenerado e não depende de nenhuma cooperação, assentimento ou vontade do homem.

O homem não tem controle sobre o Espírito, como sugerem muitos religiosos carismáticos e pentecostais, mas é controlado pelo Espírito Santo em toda a obra da salvação: chamado, conversão, justificação e perseverança. Esta última, a perseverança, seria mais corretamente designada como: ‘Preservação pelo Espírito’, pois, o homem é incapaz de preservar, por si mesmo, sua própria salvação.

Quanto aos que não foram eleitos para a salvação, estão entregues à sua vontade corrompida e são incapazes de decidir pela sua própria salvação, estes homens e anjos, entregues à sua concupiscência, também estão sob o poder de restrição do Espírito, que os mantém ativos na sua prática maldosa, mas impede que eles façam todo o mal que desejam realizar neste mundo.

O Espírito age de forma a transformar interiormente o homem justificado, de forma que, pela comunhão do Espírito, passa a desejar sua salvação, ter fé em Cristo e glorificar a Deus em toda sua vida. Nenhum crente, jamais atingirá a santidade perfeita em sua vida terrena, mas odeia o pecado e aborrece a si mesmo quando peca. O ser humano, mesmo após o novo nascimento, carrega em si o peso do pecado original e de sua natureza depravada, desgosta-se do pecado, mas não consegue evitá-lo totalmente.

Romanos 8,11: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita.

Capítulo X, Seção II – A vocação incondicional

Esta vocação eficaz é somente pela livre e especial graça de Deus e não provém de qualquer coisa prevista no homem (1) que é inteiramente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito Santo (2) ele é habilitado, por causa disso, a responder este chamado e receber a graça oferecida e comunicada nele (3).

1 - 2 Timóteo 1,9: “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”.

2 - Efésios 2,5: “E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos”.

3 - João 5,25: “Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e os que a ouvirem viverão”.

Resumo

A vocação dos eleitos é obra única e exclusiva da graça de Deus, sendo eficaz e irrecusável.

Pelo mesmo critério, a vocação dos réprobos é impossível e jamais acontecerá.

Não existe nada de si mesmo nos eleitos ou réprobos para que recebam a vocação, esta é uma decisão exclusiva da vontade soberana de Deus.

A realidade da vocação

Mesmo os eleitos de Deus, antes da vocação eficaz, resistem de maneira radical a todos os chamados do Espírito e somente passam a atender aos chamados após o recebimento da graça. A partir deste momento, e só então, o crente regenerado passa a cooperar com o chamado à vocação, mas sempre e somente através da ação contínua do Espírito que nele habita.

A natureza da vocação é o poder infinito de Deus em Cristo através do Espírito, que age diretamente na alma do homem, atraindo-o e determinando suas atitudes a partir daquele momento, todavia, de modo perfeitamente condizente com sua personalidade, época histórica e social, localização geográfica e de acordo com suas necessidades básicas e familiares, de forma que ele vem a Cristo de forma totalmente livre e espontânea.

Esta vocação interna proveniente do Espírito é necessária à salvação, pois o estado inerente ao homem é o de morte espiritual e total inabilidade quanto à própria salvação e à realização de qualquer bem espiritual.

Tito 3,3: “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros”.

Como foi visto no capítulo anterior, a vontade do homem é livre para decidir conforme sua natureza, ora, as inclinações do homem natural são para o mal e a depravação. A restauração efetuada pelo Espírito muda a natureza corrompida do regenerado, de forma a trazer à pessoa uma liberdade que ela nunca teve antes, pois o pecado torna o pecador escravo de suas compulsões malignas e de sua natureza corrompida.

2 Coríntios 3,17: “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”.

Esta seção mostra que a infusão de uma disposição propensa à regeneração e à aceitação da Palavra antecede a fé em Cristo e o arrependimento para a vida. É impossível conseguir que uma natureza indisposta colabore com o chamado de Cristo, somente pela vocação eficaz o Espírito leva a alma a uma nova realidade da emoção e da razão voltadas para atender a este chamado. Mesmo depois de receber a vocação, o homem somente irá perseverar em sua salvação através e pela ação contínua do Espírito durante toda sua vida terrena.

Catecismo Menor de Westminster - Pergunta 30: Como nos aplica o Espírito a redenção adquirida por Cristo? Resposta: O Espírito aplica-nos a redenção adquirida por Cristo, operando em nós a fé, e unindo-nos a Cristo por meio dela em nossa vocação eficaz.

Capítulo X, Seção III - Salvação de infantes e incapazes:

As crianças que morrem na infância, sendo eleitas, são regeneradas e salvas em Cristo (1) por meio do Espírito Santo que opera quando onde e como quer (2). Do mesmo modo são salvas todas as outras pessoas incapazes de serem exteriormente chamadas pelo ministério da Palavra (3).

1 - Lucas 18,16: “Jesus, porém, chamando-as para junto de si, ordenou: Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus”.

2 - João 3,8: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

3 - João 5,12-13: “Perguntaram-lhe eles: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito e anda? Mas o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, por haver muita gente naquele lugar”.

Resumo

Todas as crianças são concebidas e nascem debaixo da justa condenação, nenhuma criança ou incapaz tem em si e por si qualquer direito à salvação.

Todos os eleitos serão salvos durante sua vida terrena, inclusive os fetos, os que morrem na infância ou são incapazes.

Os infantes e incapazes eleitos são regenerados pelo testemunho interno do Espírito Santo.

Deus pode salvar sem o uso de meios

Os infantes e os que não são aptos para ouvir o evangelho e atender ao chamado de Deus serão imediatamente regenerados e santificados sem o uso de meios. Deus criou Adão em justiça sem utilização dos meios, Deus salvou todos os Santos do Velho Testamento sem a revelação direta de Cristo, Deus pode perfeitamente salvar crianças e incapazes diretamente sem a utilização dos meios usuais, todavia, sempre em Jesus Cristo, pois ninguém nunca foi salvo aparte de Cristo.

João 14,6: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

A salvação das crianças e incapazes é perfeitamente encaixada na doutrina da predestinação, pois a salvação é pela graça somente e nunca por merecimento, justiça própria, vida digna ou virtudes piedosas; somente o sacrifício substitutivo de Jesus salva e só Deus sabe quais são os predestinados.

A dádiva da salvação é ofertada gratuitamente a todos os escolhidos, independente da idade e capacidade de cada um, pois, na verdade, todos são incapazes para conseguir a própria salvação, somente a graça pode trazer a redenção, a capacidade do homem é indiferente para a salvação ou reprovação.

Muitos julgam que as crianças nascem inocentes e são todas salvas quando morrem neste estado, mas não é o que ensina a Escritura: todos carregam em si o pecado original: em Adão, todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. A inocência infantil não é um ensinamento bíblico, a criança não se salva por ser inocente, mas somente pela graça de Deus em Cristo.

Também não tem justificativa bíblica a afirmação de que crianças são salvas através do batismo, os sacramentos significam a confirmação pública do compromisso com Cristo e são válidos para os crentes e seus filhos, mas nenhum sacramento tem o poder de salvar a pessoa que os recebe, somente a graça de Deus pode salvar e somente Deus conhece seus eleitos e o momento de seu chamado.

Salmo 51,5: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe”.

Pelo que revela a Palavra, não existem exceções à doutrina da predestinação, homens, mulheres, anjos, seres espirituais, crianças e incapazes estão todos debaixo da soberania de Deus e destinados a cumprir seu plano eterno, sendo eleitos ou reprovados, conforme a vontade e determinação de Deus. Uma pequena parte do plano de Deus é revelada na Escritura através das profecias, o conhecimento da vontade decretiva de Deus pertence somente a Ele mesmo, assim entendido: igualmente a todas as pessoas da Trindade.

Deuteronômio 29,29: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”.

Exemplos bíblicos

Lucas apresenta um exemplo bíblico, em João Batista, de que um infante em gestação pode receber e manifestar a influência direta do espírito em sua vida. A reação do feto não pode ser atribuída a um entendimento racional do que se passava.

Lucas 1,41: “Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo”.

Em outra passagem, Jesus salva um incapaz pela fé de seus amigos.

Marcos 2,5: “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Filho, os teus pecados estão perdoados”.

No livro de Samuel, quando morre seu primeiro filho com Bate Seba, Davi interrompe o jejum e consola-se, afirmando que verá novamente a criança na glória. Nesse texto, Davi dá a entender claramente que espera encontrar seu filho no céu, não há dúvida quanto a isso.

2 Samuel 12,23: “Porém, agora que é morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”.

Por outro lado, o apóstolo Paulo traz uma idéia do pensamento de Deus, com relação às crianças ainda no ventre da mãe, quanto à doutrina da predestinação.

Romanos 9,13: “Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú”.

A versão King James traz uma tradução mais explícita: “Odiei Esaú”.

Existem duas situações quanto à salvação de infantes:

1 –    O infante é salvo: Ele não tem condição de escolher ou recusar sua salvação, pois é incapaz, neste caso ele foi salvo exclusivamente pela graça de Deus.

2 –    O infante é condenado: Nada fez de si mesmo para receber a condenação, neste outro caso, foi predestinado a essa condenação.

Em ambos os casos prevalece a doutrina da predestinação, esta situação é um duro teste para os defensores do livre-arbítrio, pois os infantes e incapazes não tem como exercer o suposto livre-arbítrio de forma alguma, no entanto, têm uma alma, serão fatalmente salvos ou serão condenados, nada decidiram, ajudaram ou recusaram, isto é evidente pela sua própria e declarada incapacidade; prevalece, pois, a soberania de Deus na salvação ou condenação.

O que se deve aprender com isso, é que, como estes infantes, todos continuam crianças crescidas, incapazes e pecadores, sem o milagre da eleição, da graça de Deus e a justiça perfeita de Jesus Cristo todos os homens caminham cegamente para a destruição e a morte eterna.

Capítulo X, Seção IV – Os réprobos

Os não-eleitos, posto que sejam chamados pelo ministério da palavra
(mesmo que sejam religiosos) e tenham algumas das operações comuns do Espírito Santo (aparentemente piedosos), contudo não chegam nunca a Cristo e portanto não podem ser salvos (1); muito menos poderão ser salvos por qualquer outro meio os que não professam a religião cristã (2), por mais diligentes que sejam em conformar as suas vidas com a luz da natureza e com a lei da religião que professam; o asseverar e manter que podem é abominável  e deve ser rejeitado (3).

1 - Mateus 22,14: “Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”.

2 - Atos 4,12: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.

3 - 2 João 1,9: “Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina, esse tem tanto o Pai como o Filho”.

Resumo

A prática da religião não é suficiente para salvar ninguém, somente os eleitos ouvirão a Palavra do evangelho e aceitarão integralmente.

Aquele que nega uma que seja das doutrinas bíblicas nega toda a Escritura.

Nenhuma pessoa será salva, a não ser através de Cristo, por mais que se esforce e seja sincero em sua vida ou religião.

Os réprobos na igreja

Aqueles que foram reprovados por Deus, mesmo sendo membros de igrejas cristãs, não se submetem de fato ao Salvador, antes querem submetê-lo às suas vontades e desejos, colocando sua justiça própria em complementação ou substituição ao sacrifício de Jesus.

Estes religiosos usam a igreja como meio de realização e promoção pessoal ou familiar, ou ainda, como reflexo de uma tendência modernista, buscam na igreja satisfação, auto-ajuda e alívio psicológico para justificar uma vida que não pretende nem pode ser regenerada.

Atos 7,51: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis”.

O joio e o trigo estão misturados na igreja local, somente Deus sabe quem são seus filhos, muitas vezes os réprobos se revelam como pessoas de grande piedade e prestam serviços relevantes à igreja local, mas, jeitosamente, rejeitam uma ou outra doutrina bíblica. Esta rejeição é sempre colocada em forma de piedade e amor aos homens, mas as doutrinas bíblicas são de tal forma entrelaçadas, que a rejeição de uma simples afirmação implica na rejeição de toda Palavra, porque, para justificar esta rejeição, criam-se mistérios e paradoxos, e, inevitavelmente, toda doutrina cai como um castelo de cartas.

Mateus 5,18: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra”.

Os réprobos se introduzem na igreja, fazem parte da congregação, mas não fazem parte no Corpo de Cristo, que é a Igreja de Deus. O Espírito concede bênçãos a todos os que estão na igreja, mas estes réprobos, cedo ou tarde, apostatam da fé racional cristã, para afirmar doutrinas de homens que nada tem a ver com a Escritura.

As proposições da Escritura são totalmente encadeadas, uma coisa fatalmente leva a outra, o filho de Deus aceita toda a Palavra sem contestação com alegria e humildade, reconhecendo na soberania de Deus a segurança do homem.

Hebreus 10,29: “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?”

Estas pessoas, na realidade, nunca pertenceram a Cristo, pois o salvador é Deus, não perde jamais o seu povo, ele os salva não somente nesta vida, como também eternamente. Os réprobos participam das atividades da igreja, prestam serviços, levam uma vida de alto padrão moral, mas não aceitam jamais a Cristo em seus corações, por mais que tenham pronunciado esta aceitação pelos seus lábios.

Isaías 29,13: “O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu”.

Rev. Onézio Figueiredo: “O eleito é aquele que Deus escolhe. O réprobo religioso é aquele que escolhe seu deus”.

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