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18 – CAPÍTULO XIII - SANTIFICAÇÃO

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

18 – CAPÍTULO XIII - SANTIFICAÇÃO

Capítulo XIII, Seção I – Santificação, obra da graça de Deus

Os que são eficazmente chamados e regenerados, havendo sido criado neles um novo coração e um novo espírito, são, além disso, santificados genuína e pessoalmente pela virtude da morte e ressurreição de Cristo, pela sua Palavra e pelo seu Espírito, que neles habita (1); o domínio de todo corpo do pecado é destruído (2), as suas várias concupiscências são mais e mais enfraquecidas e mortificadas (3), e eles são mais e mais vivificados e fortalecidos em todas as graças salvíficas (4), para a prática da genuína santidade, sem a qual ninguém verá a Deus (5).

1 - João 17,19: “E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade”.

2 - Romanos 6,6: “Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos”.

3 - Romanos 8,13: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis”.

4 - Colossences 1,11-12: “Sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria, dando graças ao Pai, que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz”.

5 - 2 Coríntios 7,1: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.

As seções deste capítulo são de tal forma interligadas, que serão todas apresentadas em sequência e os comentários no final.

Capítulo XIII, Seção II – A santidade jamais será atingida nesta vida

Esta santificação é no homem todo (1), porém, imperfeita nesta vida; ainda persistem em todas as partes dele restos da corrupção, e daí nasce uma guerra contínua e irreconciliável: a carne lutando contra o espírito e o espírito contra a carne (2).

1 - 1 Tessalonicenses 5,23: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

2- Filipenses 3,13: “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão”.

Capítulo XIII, Seção III – A santificação é obra do Espírito, não do homem

Nesta guerra, ainda que a corrupção restante no homem prevaleça inicialmente por algum tempo (1), contudo, através do contínuo e permanente suprimento de força e pela ação eficaz do Espírito Santificador de Cristo, e somente por isso, a parte regenerada vence (2), e assim os santos (*) crescem em graça (3), aperfeiçoando a santidade no temor de Deus (4).

1 - Romanos 7,23: “Mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros”.

2 - Romanos 6,14: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça”.

3 - 2 Pedro 3,18: “Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno”.

4 - 2 Coríntios 7,1: “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.

(*) Santo:

O termo “santo” do NT não pode ser confundido com a santidade de Deus no VT, os termos hebraico e grego têm diferenças fundamentais que devem ser lembradas. O termo hebraico usado no Velho Testamento para exprimir a santificação é o verbo “qadash” derivado do substantivo “qadosh”, estas palavras somente indicam qualidades morais quando se referem a Deus, quando se referem a objetos ou criaturas ela tem um significado de separação.

As criaturas ou objetos santificados são aqueles que Deus separou para si. No Novo Testamento, o termo grego é o verbo “haziago” derivado do substantivo “hagios” que denota a ideia básica da separação e nunca se refere a qualidades morais dos homens ou dos anjos. Existem outras palavras empregadas de forma ocasional, mas o sentido fundamental da santificação pode ser expresso por esta forma descrita.

É possível analisar os significados diversos conforme o léxico em hebraico e grego do Dr. Strongs:

O termo “Santo” usado para se referir a Deus no velho testamento é de origem hebraica e reflete as qualidades morais de Deus, nesta forma o termo é religioso por excelência e exprime com precisão as características divinas de Deus.

SANTO (hebraico): Sagrado, digno de adoração, venerável, que inspira reverência e temor, que traduz uma relação que não deve e não pode ser violada (no caso dos judeus uma relação formal). Acima do mal e da corrupção, imarcescível (sem possibilidade de mácula ou mancha), sem possibilidade de erro: infalível.

O termo “santo” usado no Novo Testamento provém do grego clássico e, como tal, não tem nenhum sentido religioso:

SANTO (grego): Aquilo que está de acordo com a idéia geral e instintiva do direito (neste caso representado pelas leis de Deus), acima de um sistema particular de verdade geográfica, histórica, social, legal ou religiosa. Acima também de honra e veneração entre os homens. Separado do mal e da corrupção.

De acordo com Louis Berkoff a santidade do homem deve ser pensada como uma posição determinada previamente entre Deus e a pessoa, mas jamais como uma qualidade moral ou religiosa inerente ao homem ou capaz de ser desenvolvida pelo próprio homem.

Louis Berkoff: “Não é correto pensar na santidade primariamente como uma qualidade moral ou religiosa, como geralmente se faz. Sua idéia fundamental é a de uma posição ou relação existente entre Deus e uma pessoa ou coisa”.

A idéia fundamental da santidade ética de Deus também é a de separação, mas neste caso, a separação é do mal moral, isto é, do pecado. Em virtude da sua santidade, Deus não pode ter comunhão com o pecado, neste sentido, a palavra “santidade” indica a pureza de Deus, mas a idéia da santidade de Deus não é meramente negativa (separação do pecado); tem igualmente um conteúdo positivo, a saber, o de excelência moral ou perfeição ética que jamais será atingida pelo homem, mesmo em seu estado glorificado.

A suprema revelação da santidade de Deus foi dada em Jesus Cristo, ele refletiu, em sua vida, a perfeita santidade de Deus.

Breve Catecismo de Westminster, perguntas 35 - O que é santificação? Resposta: “Santificação é a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovados em todo o nosso ser, segundo a imagem de Deus, habilitados a morrer cada vez mais para o pecado e a viver para a retidão”.

Resumo:

Somente os eleitos são santificados.

Somente o Espírito pode aperfeiçoar o crente para servir a Deus e garantir sua preservação.

A santificação é obra da graça de Deus para aperfeiçoamento dos seus eleitos, portanto, a santificação não é para salvação, mas resultado da salvação.

Santificação, obra da graça

A santificação é a separação dos crentes para Deus, baseada unicamente na justiça de Cristo, não é um processo pelo qual o homem se torna justo ou aceitável a Deus.

Não existe graduação na santificação dos crentes, nenhum cristão é mais santo que outro, todos os eleitos são igualmente santificados na justificação, isto independe do tempo de conversão, idade, sexo, condição social ou da prestação de serviços na igreja, no ministério ou na evangelização, todos os crentes são iguais perante Deus, tanto nesta vida como na glorificação, pois todos são salvos pela justiça de um, que é Cristo.

Romanos 5,19: “Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos”.

Supor que um crente será mais santo ou mais honrado que outro é supor que seus méritos próprios foram acrescidos aos méritos de Cristo, o que é heresia e abominação perante Deus.

A santificação é progressiva, mas não é para melhorar o estado do crente diante de Deus ou da igreja, mas para qualificá-lo para submissão, obediência, domínio-próprio e, principalmente, no conhecimento da Palavra, enfim, os dons do Espírito; cada um recebe dons diferentes, que devem ser respeitados, não se deve exigir do crente algo diferente do que ele se dispõe a fazer.

2 Tessalonicenses 2,13: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade”.

Todos aqueles que entendem a santificação como um processo de aquisição de justiça própria ou beatificação, colocam o homem como responsável, ainda que o processo de santificação seja pensado como tendo seu início pela graça, este pensamento nega a eficácia de Deus na salvação e nega também completa suficiência do sacrifício de Cristo e a obra do Espírito.

Uma vez que o crente é justificado, também é santificado e passa a ser imediata e eternamente nova criatura.

João 10,28-29: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”.

O novo homem é habitação do Espírito, que promove a santificação progressiva do crente que, todavia, jamais se completa durante esta vida terrena. O chamado, a justificação, a santificação e a regeneração estão incluídas nos Decretos Eternos e tudo é obra somente da graça de Deus em Cristo.

A santificação não provém do homem, mas é a manifestação contínua da graça de Deus, que age externamente no crente, criando nele um novo coração e um novo espírito e habilitando o eleito, através da ação contínua do Espírito, a perseverar na fé e no arrependimento por toda sua vida.

Filipenses 1,6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”.

Todas as almas dos filhos de Deus, tanto no estado intermediário como na ressurreição e glorificação são iguais em santidade, visto que a salvação de todos os homens não dependeu jamais dos méritos e esforços próprios do homem, mas da vida perfeita e do sacrifício de Jesus Cristo, sendo, portanto, a salvação de um homem exatamente igual a de todos os homens, pois todos são salvos em Jesus e nada mais.

1 Coríntios 15,22: “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo”.

Os meios de santificação

A santificação é efetuada através da providência divina, no dia a dia do crente ao longo de toda sua vida terrena, isto é realizado por meio do Espírito de Deus. Todavia, Deus coloca à disposição dos eleitos alguns meios de graça para aperfeiçoamento na santidade, estes meios são os seguintes:

Meios externos:

1 – A Palavra de Deus: O Espírito atua nos crentes para revelação da Palavra, independente do seu grau de cultura ou inteligência, pois a inteligência humana não consegue captar a verdade revelada. A Escritura é o meio de santificação mais eficiente e poderoso que existe, mas a verdade do evangelho de Jesus Cristo é dada somente pela revelação e só é compreendida pela iluminação do Espírito Santo. Todavia, antes disso é preciso ter aplicação no estudo da Palavra, apesar da compreensão da Escritura ser obra do Espírito, isto somente se dará através do estudo e do ouvir a Palavra com dedicação e diligência.

João 5,39: “Examinais {Examinais; ou Examinai} as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.

Quanto à pregação, o evangelho deve ser ensinado com fidelidade e clareza, explicando-se em detalhes os termos utilizados, esta é a única tarefa do pregador cristão; a pregação que foge ou mascara o evangelho de Cristo, tais como, exemplos de vida, lições de moral e ética, conhecimento cultural, atualidades e outros, não têm a procedência do Espírito, somente a boa nova do evangelho de Jesus Cristo tem a procedência do Espírito.

Qual é a boa nova do evangelho? A salvação pela graça somente sem nenhum mérito ou participação do homem, fora isso não existe evangelho.

Gálatas 1,6-10: “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema (amaldiçoado). Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema. Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo”.

2 – A oração: A oração é a forma que os filhos de Deus se comunicam com o Pai, mas assim como a Palavra, a oração só se transforma em comunhão, quando dirigida e orientada pelo Espírito, pois Deus é imutável e assim também todos os acontecimentos presentes, passados e futuros. A oração agradável a Deus é aquela que louva e agradece ao Pai pelo que Ele é, e não pelas bênçãos que se pode obter.

A forma de oração usual, um rosário de pedidos infindáveis, onde o crente se julga tão piedoso que pretende mudar a vontade de Deus não será aceita de forma alguma.

1 João 5,14: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”.

3 – Os sacramentos: Os sacramentos são símbolos públicos do compromisso com Cristo, mas não se constituem em elementos santificadores ou agentes da salvação, somente o Espírito opera o novo nascimento e a santificação. Deve-se evitar radicalmente a idéia que algum homem, por intermédio de batismo, confissão, ceia ou quaisquer outros meios possa realizar o perdão dos pecados, o novo nascimento, o batismo no Espírito, a salvação, a santificação ou mesmo a nutrição espiritual dos crentes, a única forma de nutrição espiritual é a Palavra de Cristo, nada, além disto.

João 3,8: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

4 – A igreja: A igreja é um dos meios utilizados por Deus para a santificação dos crentes, ela é um instrumento operado pelo Espírito Santo e não se constitui em uma instituição detentora do poder de salvação e santificação dos seus seguidores. Uma das marcas características das seitas e falsas religiões é atribuir a salvação e santificação unicamente a seus seguidores.

Atos 20,28: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”.

Meios internos

Os meios internos da santificação são a fé e o arrependimento para a vida, dons de Deus procedentes da justificação. Todos os homens são totalmente passivos na sua salvação, todavia após a justificação o homem passa a desejar a regeneração através da ação contínua do Espírito, que nele habita, comunicando a ele a graça de Cristo e inclinando o seu coração em direção à santificação.

O Espírito atua, criando na alma uma consciência tranquila, de forma que o esforço do crente é encarado com humildade e decisão, pois o filho de Deus reconhece em tudo a graça, o poder e a comunhão de Deus. A santificação, na verdade, nada mais é que a regeneração progressiva do cristão, que jamais atingirá a perfeição moral nesta vida.

O espírito cria na pessoa, realmente salva, a voluntariedade de si mesmo, reconhecendo com humildade e satisfação que todas as coisas procedem de Deus e não do homem.

Filipenses 2,12-13: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

Porque santificação é interrompida em certas pessoas?

É importante entender que o processo de santificação dos eleitos de Deus é eficaz e infalível, visto que foi determinado por Deus na eternidade, tornado possível pelo sacrifício de Cristo e aplicado pelo Espírito Santo. Muitas pessoas religiosas e aparentemente piedosas e tementes a Deus recebem a iluminação parcial do Espírito, mas não são destinadas à salvação, assim que o Espírito retira sua comunhão da pessoa, esta se torna novamente natural, pior que antes, escravo do pecado e da morte para sempre.

Hebreus 10,29: “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?”.

Eleição e santificação

A santificação é a preparação do crente para Deus, não para si mesmo, da mesma forma que a salvação, a santificação é privativa dos eleitos de Deus, mais ainda, da mesma forma que a salvação, a santificação é a regeneração do cristão para recebimento dos dons de Deus que procedem da justificação: Fé, arrependimento e serviço na obra de Cristo.

Na santificação, o crente é levado a servir e não a ser servido, o eleito de Deus sente em si a necessidade do serviço, todos são servos, pois Cristo não é apenas o Salvador, mas também o Senhor: a ele a glória eternamente. Amém.

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