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19 – CAPÍTULO XIV - FÉ SALVÍFICA

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

19 – CAPÍTULO XIV - FÉ SALVÍFICA

 

Capítulo XIV, Seção I – A fé que salva é dom da graça

A graça da fé, pela qual os eleitos são habilitados a crer para a salvação das suas almas, é a obra que o Espírito de Cristo realiza em seus corações (1), e é usualmente operada pelo ministério da palavra (2); por esse ministério, bem como pela administração dos sacramentos e pela oração, ela é aumentada e fortalecida (3).

1 - Efésios 2,8: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”.

2 - Romanos 10,14: “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?”

3 - Lucas 17,5: “Então, disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé”.

Resumo:

A fé que salva é dom de Deus, privativa dos eleitos e infundida pelo Espírito Santo.

Este dom da fé é transmitido pela pregação fiel da Palavra ou pela leitura bíblica.

Fé e razão

O conhecimento é a apreensão da verdade que se percebe e comprova no mundo material, a fé é o assentimento da mente quanto à verdade que não é percebida pelo conhecimento natural, a fé salvífica tem como objeto a obra de Cristo e somente é recebida pela graça de Deus. A fé não é produto da razão humana, todavia, uma vez assentida, a fé mostra-se ao crente como sendo plenamente racional, não se apresentando como fruto de fantasias ou irracionalidade.

O verdadeiro crente não se sente obrigado a crer em mistérios e paradoxos, a revelação da Escritura se apresenta clara e lógica àqueles que têm o ministério do Espírito, o salto no escuro, a fé cega e apaixonada, acreditar em Cristo despido de seu sentido histórico, dizer que acredita na Palavra mesmo que contenha contradições não é prova de piedade, mas constituem aberrações que não são próprias do verdadeiro cristão.

Conforme A. A. Hodge a fé não é algo impalpável e irracional, mas fruto da razão tanto quanto o conhecimento:

A. A. Hodge: “Todavia a fé demanda e descansa sobre a evidência de forma tão absoluta quanto o conhecimento”.

Como se explica esta evidência da fé? Para o filho de Deus, não existe comprovação maior ou autoridade superior à Escritura, daí a racionalidade da fé salvífica.

Mas, ao contrário disto, o que se vê hoje na igreja cristã é o completo domínio da irracionalidade: pregadores carismáticos convencem multidões com argumentos mundanos; missionários bem intencionados levam aos povos não atingidos um cristo biblicamente inexistente; ministros religiosos trazem o ‘espírito’ cativo à sua vontade, amarram demônios e libertam os crentes de seus pecados; a Palavra e o estudo bíblico são desprezados francamente em favor da falsa piedade voltada para o homem.

Desta forma, as sensações e experiências de vida se tornaram o centro do culto, a fé do crente foi desviada de Cristo e voltada para si mesmo através da piedade que satisfaz o ego e uma vida de alto padrão moral, Jesus Cristo tornou-se um mero exemplo a ser seguido.

A justificação pela fé se manifesta somente e ao mesmo tempo de duas maneiras:

1 - A aceitação da Escritura como única, verdadeira e indivisível Palavra de Deus, tornando-se desta forma, toda ela, a única possibilidade do recebimento da fé e conhecimento de Deus para todos os homens.

2 Coríntios 4,3: “Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto”.

2 - A aceitação da completa e definitiva suficiência do trabalho de Cristo para a salvação do homem, de forma que o verdadeiro cristão adquire a fé na firme segurança da salvação através de Cristo, sem contar com nenhuma participação sua nesta salvação.

Gálatas 2,21: “Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão”.

Paulo x Tiago

A fé somente é assentida pela graça de Deus, sendo que a própria fé não é mérito para salvação, mas resultado da salvação, a fé tomada como mérito para salvação, se torna em obras resultando na negação do evangelho. Ao mesmo tempo, a fé verdadeira que é infundida pelo Espírito, produz boas obras como resultado da salvação e não como mérito humano. Por este motivo, não existe contradição alguma nos escritos de Paulo e de Tiago, pois as boas obras a que Tiago se refere são consequência da salvação e não obras meritórias para salvação.

Efésios 2,10: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

Tiago 1,17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”.

A fé em si mesmo

A crença bastante difundida de que o homem é capaz por seus próprios méritos e esforços de conseguir sua própria salvação, transforma a fé em mérito humano e a torna necessária à salvação. Este pressuposto da moderna igreja evangélica, principalmente na atividade missionária, traz à mente do homem um deus fraco e um cristo deficiente que ignora o futuro e necessita da ajuda do homem para realizar seus propósitos.

Neste caso, Deus salvaria àquele que tem a capacidade de santificar a si mesmo, aquele que cria em si a fé salvadora, esta é a doutrina do livre-arbítrio, que cria algumas dificuldades intransponíveis ao raciocínio mais simplório:

1 – A salvação de fetos, infantes e incapazes é simplesmente impossível de acordo com esta doutrina, a não ser que se negue a claríssima doutrina bíblica da queda. Mesmo que se admita a inocência infantil, qual o limite para que a criança seja salva? E o caso dos incapazes? E no caso dos fetos abortados, todos irão para o céu? Então será dever de todos os cristãos promover o aborto massivamente como a mais perfeita obra missionária possível, desta forma o homem não terá a oportunidade de pecar e ir para o inferno.

2 – A salvação se realiza à parte da ação de Deus, ficando ao cargo do pecador, morto em delitos e pecados o pesadíssimo fardo de desenvolver a fé salvífica, o que é negado categoricamente pela Escritura, pois: “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”.

3 - A perseverança do crente durante 10, 20, 30 anos, ou mais, sem cometer nenhum pecadilho é simplesmente patética e não merece sequer consideração. Em outro caso o crente peca e pede perdão, peca e pede perdão, indefinidamente, vulgarizando desta forma tanto o pecado como o perdão e transformando Jesus Cristo em um simples exemplo de vida a ser seguido.

4 - Se Jesus morreu pelos pecados de toda humanidade, aqueles que forem para o inferno serão condenados duas vezes pelo mesmo pecado, visto que Cristo já havia pago por ele, o que é inadmissível na justiça humana. Desta forma chega-se à conclusão que a justiça dos homens é mais perfeita que a justiça de Deus.

Quem se atreve a concordar com estas afirmações?

Esta mesmíssima doutrina apresenta-se, revestida em falsa piedade, quando se afirma que Deus dá ao pecador a graça que o capacita a adquirir por si mesmo a fé necessária à salvação e à perseverança, ou ainda, que Deus salvou àqueles, os quais, previu que no futuro teriam a capacidade de conseguir a fé por suas próprias realizações.

A psicologia da fé

A fé psicológica é aquela que necessita de comprovação através de experiências e sensações, a fé que necessita de milagres para ser comprovada.

Esta é a fé que tem levado milhões de pessoas às igrejas pentecostais e carismáticas, colocando-as à mercê de ministros milagreiros, que fazem seções de parapsicologia com pretensos dons de cura, perdão, purificação, descarrego, expulsão de demônios e outros artifícios muito apreciados por esse tipo de crente. Estas são as religiões que mais crescem em todo mundo. Estas religiões de milagres originam-se na fé psicológica de seus fiéis.

A igreja de Roma sempre explorou exaustivamente os pretensos milagres de seus santos. Mesmo que muitos destes milagres houvessem sido efetivamente realizados, a exploração dos mesmos é injustificável sob quaisquer aspectos, pois, se o milagre é fato, ele é devido a Deus e não ao homem, se não é fato, é falsidade e exploração da ignorância do povo.

A finalidade desta exploração, é que o fiel coloque sua fé na igreja, e não em Deus, como detentora do poder de salvação e santificação dos seus membros.

Os fariseus pediam que Jesus fizesse prova de sua divindade exigindo demonstrações físicas e imediatas.

Mateus 16,4: “Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas. E, deixando-os, retirou-se”.

Durante a crucificação, os religiosos judeus ironizavam a Jesus sugerindo que ele realizasse demonstrações de seu poder.

Marcos 15,32: “Desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos. Também os que com ele foram crucificados o insultavam”.

Muitas das igrejas propõem a si mesmas a realização de provas e milagres, esta é a tônica da teologia da prosperidade e das igrejas carismáticas. Evidentemente, as provas destas igrejas são, via de regra, senão sempre, acompanhadas de generosas doações de seus fiéis. Estas novas igrejas levam os fiéis a confiar a seus ministros o direito de intercessão junto a Deus, desta forma estas igrejas, quando evangélicas, estão, na verdade, reavivando a doutrina dos santos da igreja de Roma.

Capítulo XIV, Seção II – A revelação pela fé

Por esta fé, o cristão acredita ser verdade tudo quanto está revelado na Palavra pela autoridade de Deus, falando Ele nesta Palavra pessoalmente (1), e age de conformidade com aquilo que cada passagem particular contém, prestando obediência aos mandamentos, tremendo às ameaças e abraçando as promessas de Deus para esta vida e para a futura (2). Mas os principais produtos da fé salvadora são por virtude do pacto da graça (3): a aceitação, recebimento e descanso unicamente em Cristo para justificação, santificação e vida eterna.

1 Tessalonicenses 2,13: “Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes”.

2 – Hebreus 11,13: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra”.

3 – João 1,12-13: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.

Resumo

Pela fé salvífica o crente passa a acreditar fielmente em toda a Escritura como sendo a Palavra revelada de Deus.

As ações da fé salvífica se manifestam unicamente pela graça de Deus em Cristo.

Fé que salva

A fé que salva está baseada na autoridade da Palavra de Deus, tendo como seu objeto a totalidade do Velho e do Novo Testamento, sem exceção, de forma única e indivisível, pois quem tropeça em um só ponto se torna culpado de todos.

A fé que salva está baseada unicamente na suficiência do trabalho de Cristo, sem cooperação, acréscimos ou exceções devidas ao homem. Esta fé é revelada pelo assentimento pleno e completo ao que a Escritura revela com referência à pessoa, ofício, vida e obra de Jesus Cristo incluindo o Velho Testamento.

1 Coríntios 15,3-4: “Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras”.

Por outro lado, é necessário dizer que o assentimento parcial da Escritura, relativo ao pacto único da salvação, à suficiência da obra de Cristo ou da graça de Deus, resulta em uma fé inútil que não conduz à salvação. Estas pessoas, falsos religiosos, estarão em maior falta com Deus que aqueles que nunca receberam esta iluminação parcial.

Hebreus 10,29: “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?”

A revelação

O dom da fé, permite ao eleito a compreensão clara da Escritura, pois a fé salvífica está baseada no testemunho da Palavra. O Velho e o Novo Testamento constituem o único meio para conhecer a natureza de Deus, o plano de salvação e os preceitos estabelecidos por Deus para a vida do homem. O eleito de Deus recebe, pela fé, a Palavra como a verdade infalível e absoluta revelada por Deus, não levanta dúvidas quanto à autoridade suprema da revelação da Escritura.

Marcos 12,24: “Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?”.

O homem natural não pode entender as coisas de Deus, eles podem ser religiosos, ler, ouvir, avaliar os ensinos da Escritura, prestar serviço na igreja, mas jamais aceitarão totalmente os ensinos bíblicos, pois não foram destinados a isso. A revelação da Escritura é feita exclusivamente aos eleitos de Deus em Cristo, que recebem o dom da fé e do arrependimento para a vida e aceitam a Palavra de Deus com a autoridade e veracidade que lhe é devida.

1 Coríntios 2,13-14: “Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, conferindo coisas espirituais com espirituais. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”.

Capítulo XIV, Seção III – Os graus da fé

Esta fé é de diferentes graus; é fraca ou forte (1), pode ser muitas vezes e de muitas maneiras assaltada e enfraquecida, mas sempre alcança a vitória (2), atingindo em muitos uma perfeita segurança em Cristo (3), que é não somente o autor, mas também o consumador da fé (4).

1 - Mateus 6,30: “Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?”

2 - 1 Coríntios 10,13: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar”.

3 - 2 Timóteo 1,12: “E, por isso, estou sofrendo estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia”.

4 - Hebreus 12,2: “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus”.

Resumo

A fé salvadora é um dom permanente, mas pode sofrer variações durante a vida do crente.

Apesar destas variações, a fé salvífica nunca é perdida, pois é um dom de Deus.

A fé centrada em Cristo

Somente através do Filho Deus a fé salvífica passou a fazer parte da realidade do homem, pela fé em Cristo se crê que Deus existe e é galardoador dos que o buscam, isto se tornou possível pela encarnação, este é um milagre que possibilitou a nova criação - o novo nascimento - pela qual os eleitos de Deus são salvos através de Jesus. O nascimento virginal é um milagre e uma necessidade para uma nova criação e uma nova humanidade.

Hebreus 4,15: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

Por isso, a fé salvadora é cristocêntrica em toda sua concepção, Cristo é o autor e consumador da fé, sem Cristo não há salvação, sem salvação não há fé, pois a salvação precede a fé.

2 Coríntios 5,21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.

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