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21 – AS BOAS OBRAS – CAPÍTULO XVI

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

21 – AS BOAS OBRAS – CAPÍTULO XVI

Capítulo XVI, Seção I – As boas obras

Boas obras são somente aquelas que Deus ordenou em sua santa palavra (1), não as que, sem autoridade dela, são aconselhadas pelos homens movidos de um zelo cego ou sob qualquer outro pretexto de boa intenção (2).

1- Efésios 2,10: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

2- Mateus 15,8-9: “Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”.

Resumo

As boas obras são inoperantes para merecer a salvação ou para agradar a Deus.

As boas obras somente são válidas quando reconhecidas como resultantes da salvação.

As boas obras e o ministério

A igreja não tem o poder de ordenar, requisitar ou solicitar boas obras que agradem a Deus, todo serviço prestado na igreja somente será válido para os eleitos, que Deus conhece eternamente, e por sua vez, reconhecem a soberania divina e a incapacidade humana, tomando a realização de seus préstimos, como operados pelo Espírito, sem mérito pessoal algum. Esta humildade somente pode ser exercida pelos filhos de Deus, pois, conforme afirma o apóstolo João – ‘nós o amamos porque ele nos amou primeiro’.

Mateus 7,22-23: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

A finalidade do homem e as obras

O Breve Catecismo de Westminster, na pergunta número um, diz:

PERGUNTA 1 - Qual é o fim principal do homem? RESPOSTA: O fim principal do homem é glorificar a Deus, e encontrar prazer nele para sempre.

Esta resposta é definitiva para toda vida do homem, aquele que realiza suas obras com o fito de agradar a Deus, não se preocupa com o reconhecimento, a honra e a glória entre os homens, nem tampouco vê mérito pessoal em suas realizações. Esta é a humildade que Jesus prega - honrar a Deus em toda as coisas - sabendo que tudo provém de Deus para sua própria glória. A felicidade do cristão é reconhecer a soberania e a glória eterna de Deus como natural e necessária para sua vida, para o equilíbrio do universo e para as realizações dos Decretos Eternos.

Lucas 22,42: “Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua”.

Capítulo XVI, Seção II – Salvo para obras, não pelas obras:

Estas boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são o fruto e as evidências de uma fé viva e verdadeira (1); por elas os crentes manifestam a sua gratidão (2), robustecem a sua confiança (3), edificam os seus irmãos (4), adornam a profissão do Evangelho, tapam a boca dos adversários e glorificam a Deus (5) de cuja feitura eles são, criados em Jesus Cristo para estas obras (6), a fim de que, tendo o seu fruto para santidade, tenham por fim a vida eterna (7).

1 – Tiago 2,17: “Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta (nunca existiu)”.

2 – Salmo 116,12: “Que darei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo?”

3 – Colossences 3,16: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração”.

4 – 2 Coríntios 9,2: “Porque bem reconheço a vossa presteza, da qual me glorio junto aos macedônios, dizendo que a Acaia está preparada desde o ano passado; e o vosso zelo tem estimulado a muitíssimos”.

5 – Filipenses 1,11: “Cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus”.

6 – Efésios 2,10: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

7 – Romanos 6,22: “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna”.

Von Allmen – Vocabulário Bíblico: “Portanto, só vale perante Deus a obra humana que for consequência da fé. Em procedendo da fé, faz-se ela plenamente válida e urgentemente necessária”.

É preciso ter sempre em mente, que a fé é um dom de Deus que procede da salvação, e não uma capacidade própria do homem necessária para a salvação.

Resumo

Somente a salvação traz a fé verdadeira, as boas obras são realizadas pela fé.

Tendo em vista que as boas obras foram preparadas por Deus antecipadamente para a realização dos regenerados, o mérito destas obras pertence somente a Deus.

As obras e a fé

Os eleitos são chamados, justificados e regenerados para serem servos de Deus, os crentes são salvos para servir e não para serem servidos. Deus não escolheu seus filhos porque viu que eles seriam bons servos, mas elegeu seus filhos na eternidade, pelo único e suficiente conselho de sua vontade, para serem mordomos zelosos da Palavra e servir ao Senhor com alegria e humildade sem expectativa de reconhecimento ou recompensa.

Tito 2,14: “O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”.

A comunhão entre os salvos e o Salvador é fruto da eleição eterna, nenhuma obra do homem natural será suficiente para agradar a Deus, mesmo porque suas obras são realizadas com a finalidade de engrandecer a si mesmo. Somente os regenerados andam nas boas obras preparadas para eles, porque são santos e irrepreensíveis diante de Deus, não porque sejam melhores que os outros, mas pelo decreto divino, pelo qual Deus vê os seus filhos conforme a imagem de Cristo.

Efésios 1,3-5: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”.

Capítulo XVI, Seção III – O poder de executar boas obras

A capacidade de fazer boas obras não provém de modo algum dos próprios crentes, mas inteiramente do Espírito de Cristo (1). E para que possam ser capacitados para isso, é necessário, além da graça que já receberam, uma real e continuamente ativa influência do Espírito que opera neles o querer e o realizar segundo o seu
beneplácito (2); contudo, não devem por isso tornar-se negligentes, como se não tivessem a obrigação de cumprir qualquer dever senão quando movidos especialmente pelo Espírito, mas devem ser diligentes por causa da graça de Deus que há neles (3).

1 – Ezequiel 36,26-27: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis”.

2 – 2 coríntios 3,5: “Não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus”.

3 – Filipenses 2,12-13: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

Resumo

As boas obras são aquelas preparadas por Deus e realizadas pelo Espírito através dos eleitos.

O fundamento das boas obras

A realização das boas obras é produto da ação contínua do Espírito na vida do crente, uma vez retirado o Espírito a apostasia domina o homem inevitavelmente.

Hebreus 6,4-6: “É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia”.

O que a Escritura requer do crente não é o aperfeiçoamento de sua justiça ou piedade através das obras, o fundamento das boas obras é a natureza eterna e imutável de Deus e somente acontecem pela imposição da vontade soberana de Deus, o desenvolvimento e aperfeiçoamento pessoal não é requerido pela Escritura, apenas a perfeita obediência.

No cristianismo, nada provém do trabalho do homem, mas tudo provém de uma fonte externa e inesgotável – Deus. Isto não significa que o homem natural seja completamente incapaz de fazer algo de bom para aqueles a que ama, ou ainda que sejam incapazes profissionalmente. Estas ações serão admiradas e até louvadas pelos homens, mas não honrarão ou agradarão a Deus.

Lucas 11,13: “Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?”

O homem natural consegue fazer muitas obras religiosas, tais como prestar serviços na igreja local, ser ministro ou oficial da igreja, receber iluminação (parcial), manifestar poder, mas não agrada a Deus porque não faz parte dos eleitos, não é filho de Deus, apesar das obras e serviços na igreja.

Veja no texto de Mateus abaixo, Jesus não nega que estas pessoas fizeram grandes coisas em seu nome, mas diz a eles que nunca os conheceu, ou seja, não foram escolhidos, suas obras foram vãs, fruto de mera vaidade humana, sem valor nenhum para Deus.

Mateus 7,22-23: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

A responsabilidade do homem nas obras

A responsabilidade moral e a capacitação do homem para realização das boas obras é fruto da livre graça de Deus, todavia e apesar disso o crente deve buscar continuamente os frutos do espírito e a santificação com dedicação e constância, tendo sempre em mente que todas as coisas provêm e são mantidas por Deus. Resumindo: o filho de Deus sabe que suas obras não são mérito seu, mas fica feliz em realizar as obras de seu Pai.

João 12,49: “Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que anunciar”.

Capítulo XVI, Seção IV – Todos os homens são deficientes perante Deus

Os que alcançam, pela obediência, a maior perfeição possível nesta vida estão longe de exceder as suas obrigações ou fazer mais do que Deus requer, desta forma, pelas suas limitações deixam de fazer muito do que são obrigados (1).

1 – Lucas 17,10: “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”.

Resumo

As obras além dos mandamentos e preceitos bíblicos chamam-se obras supererrogatórias.

As obras comuns estão muito além do alcance do homem, a pretensão de executar obras que superam os preceitos bíblicos é pecado imperdoável: o orgulho contra Deus.

Obras de supererrogação

Como exemplo de obras supererrogatórias pode-se citar o celibato, a busca da santidade perfeita nesta vida, pobreza voluntária, perdão de pecados, penitências, conversão por convencimento, apelo à aceitação da salvação entre outros. Não existem obras que superem os mandamentos de Cristo - amar a Deus e ao próximo - estes mandamentos são absolutos e abrangem todas as possibilidades de realização humana tornando obrigatória toda capacidade do homem.

Por este motivo todas as considerações sobre as realizações de obras além dos mandamentos bíblicos tornam-se objeto de abominação perante Deus.

Mateus 22,37-40: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.

Os Trinta e Nove Artigos da Religião da Inglaterra

Os Trinta e Nove Artigos da Religião, que precederam a Confissão de Fé de Westminster, classificam estas obras supererrogatórias como ímpias e arrogantes:

ARTIGO XIV - DAS OBRAS DE SUPERERROGAÇÃO: “As obras voluntárias, que excedem os Mandamentos de Deus, e que se chamam Obras de Supererrogação, não se pode ensinar sem arrogância e impiedade; porque por elas declaram os homens que não só rendem a Deus tudo a que são obrigados, mas também a favor dele fazem mais do que, como rigoroso dever, lhes é requerido; ainda que Cristo claramente disse - Quando tiveres feito tudo o que vos está ordenado dizei: Somos servos inúteis”.

O conhecimento da absoluta dependência da alma, não leva o crente à indulgência e à minimização da responsabilidade pessoal, pois a eleição é para arrependimento e submissão à vontade de Deus. Somente os reprovados não aceitam esta dependência da alma, o que não retira deles a responsabilidade por seus pensamentos e atos, que desta forma tornam pecaminosas todas as obras que venham a ser realizadas por estas pessoas buscando mérito e justiça própria.

Capítulo XVI, Seção V – Não existe mérito nas boas obras

Não podemos, pelas nossas melhores obras, merecer da mão de Deus perdão de pecados ou a vida eterna, porque é grande e desproporção que há entre elas e a glória porvir, e infinita a distância que vai de nós a Deus, a quem não podemos agradar por meio destas obras, nem propiciar a dívida dos nossos pecados anteriores (1); porque sendo boas, procedem somente do seu Espírito (2) e, como nossas, são impuras e misturadas com tanta fraqueza e imperfeição, que não podem confrontar a severidade do juízo de Deus (3); assim, depois que tivermos feito tudo quanto podemos, temos cumprido tão somente o nosso dever e somos servos inúteis (4).

1 - Tito 3,5: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”.

2 - Gálatas 5,22-23: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei”.

3 - Isaías 64,6: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam”.

4 - Gálatas 6,3: “Porque, se alguém julga ser alguma coisa, não sendo nada, a si mesmo se engana”.

Resumo

As obras dos homens não têm mérito algum para a salvação ou perdão de pecados.

As boas obras somente são possíveis através do Espírito, que atua somente nos regenerados.

Somente Deus conhece as boas obras de seus filhos.

As boas obras e o perdão

Deus, não apenas requer, mas propicia por seu Espírito as boas obras de seus filhos, todavia, nenhuma obra é meritória para perdão de pecados, o perdão dos pecados é feito unicamente pela justiça perfeita de Cristo, sem participação, cooperação ou ajuda do homem.

As boas obras seguem-se à justificação e ao perdão dos pecados e são consequência e não causa do perdão, desta forma, não existe uma condição prática pela qual Deus receba as boas obras do crente, visto que Ele é o autor das boas obras, as quais foram ordenadas na eternidade e realizadas pela atuação do Espírito no regenerado de acordo com o propósito eterno de Deus e a contínua intercessão de Cristo, o Salvador.

Hebreus 9,14: “Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!”

As boas obras e a igreja

- A igreja romana ensina que as boas obras após o batismo trazem acréscimo da graça e da felicidade eterna, esta teoria é conhecida como a teoria dos tijolos, cada boa obra do fiel é um tijolo que ele acrescenta na sua morada do céu.

- O arminianismo, dominante na moderna igreja evangélica, nega o efeito universal da queda e afirma a capacidade do homem para decidir pela própria salvação e pela realização de obras como forma de santificação e perseverança na salvação de si mesmo.

Desta forma, a graça é dada a quem coopera com a graça, trazendo ao homem a capacidade da própria salvação.

- Os dispensacionalistas afirmam, entre outras coisas, que os santos do Velho Testamento foram salvos por obras e não pela graça de Deus em Cristo.

Estas atitudes constituem-se em desprezo à graça de Deus e ao sacrifício de Cristo e não devem ser toleradas ou ignoradas como se não tivessem importância, pois o amor cristão não se constitui de conivência, mas de repreensão e correção com amor e esperança de conversão verdadeira.

2 Timóteo 3,16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”.

Capítulo XVI, Seção VI – As obras são aceitas somente em Cristo

Não obstante, sendo as pessoas dos crentes aceitas através de Cristo, suas boas obras são também aceitas nele (1), não como se fossem nesta vida puras e irrepreensíveis à vista de Deus (2), mas porque Ele, considerando-as através de seu Filho, é servido aceitar e recompensar o que é feito com sinceridade, embora seja acompanhado de incontáveis fraquezas e imperfeições (3).

1 – Efésios 1,6: “Para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”.

2 – 1 Coríntios 4,4: “Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor”.

3 – 2 Coríntios 8,11-12: “Completai, agora, a obra começada, para que, assim como revelastes prontidão no querer, assim a leveis a termo, segundo as vossas posses. Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem.

Resumo

Mesmo as boas obras dos crentes regenerados não são puras aos olhos de Deus.

As boas obras, mesmo sendo preparadas de antemão para os crentes, somente são aceitas por Deus em Cristo.

As boas obras na glória

As boas obras dos crentes são determinadas por Deus na eternidade, tornadas possíveis em Cristo e realizadas pelo Espírito, porém, pela fraqueza e corrupção da alma humana elas são imperfeitas e acompanhadas de falhas em sua execução, mas são aceitas pelo Pai em Cristo da mesma forma como Ele aceita seus filhos. No estado de glória os filhos de Deus levarão consigo a satisfação de terem realizado estas obras como virtudes e
qualidades - “a coroa da glória”. Estas obras, porém, jamais serão tidas como meritórias de recompensa ou justificação.

Apocalipse 14,13: “Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham”.

A coroa da glória: O apóstolo Pedro fala da coroa de glória, que nada mais é que a satisfação de um servo dedicado que cumpriu sua obrigação, porém, nada mais do que isto. No estado de glória, o filho de Deus conhecerá com absoluta certeza que suas obras foram resultado da eleição eterna, isto trará ao homem um estado de júbilo permanente, pois, os que aí chegarem, maior prazer terão na glória de Deus que em suas realizações pessoais. Mas, ao contrário, aqueles que têm prazer em suas realizações pessoais, não receberão jamais a coroa da glória.

1 Pedro 5,4: “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória”.

O galardão: O apóstolo Paulo fala do galardão, este galardão é a satisfação de ter sido servo bom e fiel de Jesus Cristo em sua igreja terrena, não representa mérito pessoal algum, todos os eleitos terão o mesmo galardão que é a obra perfeita de Cristo, nada se pode acrescentar à perfeição.

O fundamento de Cristo é Cristo somente, todo aquele que pretende ajudar, escolher, cooperar ou complementar a obra salvadora de Cristo está colocando novo fundamento no evangelho, não será salvo e não terá galardão algum, da mesma forma todos os que procuram agradar a homens, terão seu fundamento espalhado ao vento e destinado ao fogo, o Dia revelará as obras de cada um e serão calcinadas pelo fogo, somente o fundamento em Cristo irá permanecer.

1 Coríntios 3,14: “Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão”.

A coroa de glória e os galardões mencionados na bíblia são dados pela graça de Deus através da obra salvífica de Cristo, por Cristo, em Cristo e pela glória de Deus. A graça dada por Deus se revela nas obras realizadas pelos seus filhos, que são imputadas à justiça de Cristo e não possuem qualquer sombra de justiça própria.

Muito se engana quem imagina que no estado glorificado haverá distinções ou categorias sociais e religiosas diferenciadas com santos mais honrados ou menos honrados que outros. Ninguém levará crédito por suas obras, pois cada um terá para si o crédito infinito da obra perfeita de Cristo, não existe o que se acrescentar ao infinito e muito menos à perfeição.

Gálatas 4,6: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!”

Capítulo XVI, Seção VII - Obras dos não regenerados

As obras feitas pelos não-regenerados, embora sejam quanto à execução ordenadas por Deus e úteis tanto a eles mesmos quanto aos outros(1), contudo, porque procedem de corações não justificados pela fé(2), não são feitas devidamente conforme a Palavra(3); nem para o fim correto: a glória de Deus(4). São, portanto, pecaminosas e não podem agradar a Deus nem preparar o homem para receber a graça(5); todavia, o negligenciá-las é ainda mais pecaminoso e ofensivo a Deus(6).

1 - 2 Reis 10,30-31: “Pelo que disse o SENHOR a Jeú: Porquanto bem executaste o que é reto perante mim e fizeste à casa de Acabe segundo tudo quanto era do meu propósito, teus filhos até à quarta geração se assentarão no trono de Israel. Mas Jeú não teve cuidado de andar de todo o seu coração na lei do SENHOR, Deus de Israel, nem se apartou dos pecados que Jeroboão fez pecar a Israel”.

2 - Gênesis 4,3-5: “Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante”.

3 - 1 Coríntios 13,3: “E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará”.

4 - Mateus 6,3-4: “Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”.

5 - Tito 1,15-16: “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra”.

6 - Mateus 25,30: “E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes”.

Resumo

Deus utiliza os homens não regenerados para obras sociais, científicas, técnicas e familiares.

Estas obras, necessárias ao progresso e sobrevivência da humanidade, não têm valor algum para Deus.

Os réprobos também fazem suas obras na igreja, mas endereçadas à sua justiça própria e à valorização de seu ego, desta forma, condenam-se nas próprias obras que realizam.

As obras dos réprobos

Todas as coisas acontecem pela vontade e determinação de Deus, tanto os eleitos como os réprobos vêm ao mundo com uma definição clara de suas obras, sendo cada homem dotado de capacidade para realizar os intentos para os quais foi destinado. O homem não consegue, pela sua capacidade finita, perceber a necessidade e o fim comum de todas estas obras, boas ou más, conforme seu julgamento.

Muitas delas são agradáveis aos homens e reprovadas por Deus, por outro lado, todo o mal do mundo, que parece fora de propósito ao homem, também foi determinado por Deus e destina-se à realização de seu plano eterno, que está muito além da compreensão humana finita.

Romanos 11,33: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!”

O filósofo francês Blaise Pascal afirma que este é o melhor dos mundos possíveis, pela simples razão de que foi criado por Deus. Quando o homem olha para as dores do mundo, incluindo as pessoais, e acredita firmemente que este é o melhor dos mundos possíveis, com toda a sinceridade, certamente estará perto de realizar suas obras para honra e glória de Deus.

Um filho de Deus não contesta a vontade de seu Pai, já os réprobos fazem suas obras com o intuito de transformar o mundo que Deus criou em um mundo melhor conforme sua imaginação.

Colossences 1,15-17: “Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste”.

Muitos dos réprobos, a exemplo dos fariseus, são religiosos praticantes e realizam grandes obras na igreja militante e no evangelismo missionário, a fé destas pessoas honra a elas mesmas pelas suas obras, atribuindo ao homem a capacidade de escolher a Cristo, cooperar pela sua salvação e perseverar por si mesmo no caminho da regeneração. Outros vão mais longe, atribuindo ao homem a capacidade da perfeita santificação nesta vida, mas, existe um ponto comum a todos estes réprobos religiosos, todos eles adoram  um deus que não é o Deus da bíblia, todos eles acreditam em um Jesus que não é o Verbo encarnado.

A tendência da moderna igreja evangélica é a negação do conhecimento, o abandono da Escritura e a busca de Deus pelas sensações, trabalho religioso e experiências místicas, mas a única revelação de Deus continua sendo a Escritura, não existe outra verdade de Deus fora da Palavra.

João 17,17: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

Os Trinta e Nove Artigos da Religião da Inglaterra, precederam a Confissão de Fé de Westminster, e, de certa forma deram origem a ela. O artigo XIII, a respeito das obras praticadas pelos não regenerados, está transcrito abaixo.

Os Trinta e Nove Artigos da Religião da Inglaterra:

ARTIGO XIII - DAS OBRAS ANTES DA JUSTIFICAÇÃO: “As obras feitas antes da graça de Cristo, e da inspiração do seu espírito [Espírito], não são agradáveis a Deus, porquanto não procedem da fé em Jesus Cristo; nem tornam os homens dignos de receber a graça, nem (como dizem os autores escolásticos) merecer a graça de côngrua (mantenedor); muito pelo contrário visto que elas não são feitas como Deus quis e ordenou que fossem feitas, não duvidamos terem elas a natureza do pecado”.

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