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23 – Capítulo XVIII - A CERTEZA DA SALVAÇÃO

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

23 – Capítulo xviii - A CERTEZA DA SALVAÇÃO

Capítulo XVIII, Seção I – A certeza da salvação

Ainda que os hipócritas e outros não regenerados possam se iludir inutilmente com falsas esperanças e presunção carnal de serem objeto do favor de Deus e de estarem salvos (1), esta esperança perecerá (2); contudo, os que verdadeiramente crêem no Senhor Jesus, e o amam com sinceridade, procurando andar diante dele em toda a boa consciência, podem nesta vida certificar-se de se acharem em estado de graça (3) e podem regozijar-se na esperança da glória de Deus, nessa esperança que nunca os envergonhará (4).

1 – João 10,26: Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas”.

2 – Mateus 7,22-23: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

3 – 2 Timóteo 1,12: “E, por isso, estou sofrendo estas coisas; todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia”.

4 – Romanos 5,2: “Por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus”.

Resumo

A certeza da salvação propiciada por seitas e falsas religiões é caracterizadas pela alegada exclusividade na salvação universal.

Os hipócritas se encontram em todas as denominações, o joio e o trigo estarão juntos até o dia do Juízo.

Não basta falar em nome de Cristo para ser salvo.

Da definição dos termos

Existe hoje, nas igrejas cristãs um problema de extrema seriedade, trata-se da definição dos termos utilizados, tanto na pregação como na evangelização. É muito fácil falar coisas como: cristológico, somente em Cristo, receber a Cristo, encher-se do Espírito, ter um encontro com Cristo, ter uma experiência com Deus e por aí vai.

Desta forma, o pregador é tido como um grande erudito e o auditório fica esperando por uma explicação que não acontece nunca, tudo se passa como se o cristianismo fosse uma religião mística onde o crente precisa ter fé para acreditar em mistérios e paradoxos supostamente existentes na Palavra, mas todo mundo fica feliz, pois a fé irracional é transformada em obra meritória para a salvação.

A razão desta introdução é que, este capítulo vem frontalmente contra a tendência humanista que permeia as atuais religiões evangélicas sem distinção, a falta de definição dos termos usados mantém a congregação em constante suspense, venerando seus pastores por uma sabedoria inexistente. Felizmente, nada disso é cristianismo, o pregador, o mestre, o evangelista verdadeiramente cristão, expõe e explica com clareza a Palavra de Cristo e somente a Palavra.

Neemias 8,8: “Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia”.

Se não for definido o que são os hipócritas desta seção, não é possível o entendimento da declaração. É um fato bastante óbvio que não se tratam de bandidos e marginais, pois estes não se julgam objeto do favor de Deus. Estes hipócritas, a que a seção se refere, são pessoas religiosas, que falam em nome de Cristo, que prestam serviço na igreja, que participam das atividades da congregação, que são oficiais da igreja e tudo o mais que a religiosidade exige, mas na verdade, adoram a criatura em lugar do Criador.

Mateus 7,21: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”.

Poderíamos consumir dezenas de páginas descrevendo as falsas religiões e seitas
pseudo-cristãs que levam a uma ilusão de salvação exclusiva, mas esta hipocrisia somente é possível porque o homem traz em seu coração a semente da vaidade e do orgulho deliberado contra Deus. Podemos definir a salvação segura de uma forma bastante simples e direta:

- O verdadeiro cristianismo é aquela Religião onde a salvação do pecador fica totalmente a cargo de Deus.

- Todas as outras religiões, incluindo os falsos cristãos, supõem que o homem pode ou deve fazer algo para sua própria salvação.

Efésios 2,8-9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.

O filósofo francês Blaise Pascal afirma que existem dois tipos de homens: Os justos, que se consideram pecadores, e os outros que se consideram justos.

Capítulo XVIII, Seção II – A certeza da salvação

Esta certeza não é uma mera persuasão baseada em conjeturas e possibilidades, fundada numa falsa esperança, mas uma infalível segurança da fé (1), fundada na divina verdade das promessas de salvação (2), na evidência interna daquelas graças nas quais estas promessas são feitas (3), no testemunho do Espírito de adoção que testifica com nossos espíritos sermos filhos de Deus (4), sendo este Espírito o penhor de nossa herança, por quem somos selados para o dia da redenção (5).

1 - Romanos 5,5: “Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”.

2 - Hebreus 6,17: “Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento”.

3 - 2 Pedro 1,10: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum”.

4 - Romanos 8,16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”.

5 - Efésios 1,13: “Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”.

Resumo

A certeza da salvação conduz a uma condição de humildade onde o crente tem cada vez mais consciência da soberania de Deus e de sua própria pecaminosidade.

A segurança do cristão procede das eternas promessas de Deus e não de sua própria capacidade ou esforço.

A segurança do cristão

A segurança do cristão é firme porque está alicerçada nas promessas eternas de Deus, esta esperança conduz à crescente diligência e à sinceridade no exame de si mesmo levando o crente ao desejo de ser sondado e aspirar pela comunhão com Deus, como diz o apóstolo: “Se julgássemos a nós mesmos não seríamos julgados”. A falsa segurança conduz ao orgulho espiritual e à disposição de se satisfazer com as aparências e opiniões humanas caracterizando-se pela necessidade de agradar a homens antes de agradar a Deus, ou pior ainda, tentar agradar aos homens e a Deus ao mesmo tempo.

Gálatas 1,10: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo”.

O testemunho do Espírito

O sentido em que o Espírito testemunha com a alma é um ponto de constantes divergências entre as várias denominações, alguns afirmam que este testemunho é direto e milagroso - isto até pode acontecer em casos excepcionais - mas o usual é que o Espírito faz as revelações indiretamente através de graças e dons progressivos à medida que o crente avança na sua regeneração.

Ora, o Espírito é Deus, e já foi visto que Deus opera sua providência através dos meios ordinários, causas secundárias e contingentes, de acordo com as particularidades que se apresentam, dia a dia, durante toda vida do crente.

Uma coisa é certa, toda a pretensa revelação imediata do espírito conduzida por homens, seja através de dogmas da igreja, sacramentos ou chamados espirituais é falsa e não pode ser encarada com seriedade. O Espírito é o autor das promessas, distribui dons aos homens e provê a preservação dos crentes, mas a respeito de sua atuação ninguém pode definir com exatidão como se processa.

João 3,8: “O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

Capítulo XVIII, Seção III – A confirmação da salvação

Esta segurança infalível não pertence tanto à essência da fé que um verdadeiro crente, antes de adquiri-la, não tenha de esperar e lutar com muitas dificuldades (1); todavia, sendo habilitado pelo Espírito Santo a conhecer as coisas que lhe são dadas pela graça de Deus, ele pode alcançá-la sem revelação extraordinária no devido uso dos meios comuns (2). É, portanto, dever de todo o fiel fazer toda a diligência para tornar certas a sua vocação e eleição, para que desta forma seja confirmado o seu coração, pelo Espírito, em paz, amor, alegria e gratidão para com Deus, em firmeza e prazer nos deveres da obediência que são os frutos próprios desta segurança (3). Este privilégio, pois, está muito longe de predispor os homens à negligência (4).

1 – 1 João 5,13: “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus”.

2 – 1 coríntios 2,12: “Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente”.

3 - Romanos 11,29: “Porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”.

4 – Filipenses 2,13: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

Resumo:

Enquanto o homem depender de algo de si mesmo jamais terá a verdadeira segurança.

A certeza da salvação acontece quando o crente é persuadido, pelo Espírito, que a salvação depende somente da graça de Deus em Cristo.

A confirmação da salvação

Não existe certeza da salvação à parte da eleição, pois se a salvação fica a cargo do homem finito, a insegurança é constante, a Escritura afirma ser impossível possuir esta certeza sem a graça de Deus.

Romanos 3,10: “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer”.

A igreja romana prega a possibilidade da santidade perfeita nesta vida, os metodistas wesleyanos também pregam o mesmo, mas esquecem que John Wesley, ao morrer, confessou que não havia conseguido esta santidade, então, porque estas pessoas insistem nisto? Insistem por vaidade, para agradar ao ego humano, que deseja de qualquer forma ser responsável por sua salvação. O pecado original está, ainda hoje, presente na mente dos religiosos: “como Deus, sereis...”. Negar os efeitos catastróficos da queda é negar a Escritura, a Bíblia de Genebra diz o seguinte a este respeito:

O que é o pecado original: “É uma mentalidade que luta contra Deus para fazer o papel de Deus. A raiz do pecado é o orgulho e a inimizade contra Deus, o mesmo sentimento experimentado na primeira transgressão de Adão”.

Oséias 6,7: “Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim”.

A confirmação da salvação provém de vários fatos em cadeia, a revelação destes fatos acontece durante a regeneração do crente, que é um trabalho do Espírito concedendo os dons da fé em Cristo e do arrependimento para a vida, através dos quais ele progride no conhecimento da Palavra e passa a odiar o pecado e obedecer com alegria aos mandamentos bíblicos, imperfeitamente, mas progressivamente ao longo de toda vida terrena.

Romanos 8,11: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita”.

Os fatos confirmadores da certeza de salvação apresentam-se na ordem abaixo:

1 - A certeza da natureza depravada do homem:

Romanos 5,12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

2 - A certeza da incapacidade do homem:

Daniel 4,35: “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?”

3 - A certeza de que a salvação é possível:

João 3,16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

4 - A certeza de que existe um caminho para a salvação:

João 14,6: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

5 - A certeza que a decisão para a salvação não depende do homem:

João 6,37: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”.

6 - A certeza de que a preservação da salvação não depende do homem:

João 1,13: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

7 - A certeza de que a salvação é eterna:

João 4,14: “Aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna”.

8 - A certeza da própria salvação:

2 Coríntios 4,6: “Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo”.

Enfim, a certeza da salvação não provém de si mesmo, mas do conhecimento de Deus, quem não conhece ao verdadeiro Deus da Escritura e àquele que ele enviou não terá jamais a certeza da salvação, pois não conhece seu autor e consumador. Jesus, em um determinado momento de seu ministério, diz aos apóstolos que eles agora eram seus amigos, porque ele disse isso? Porque os apóstolos levavam uma vida digna? Porque eram santos? Porque prestavam serviço? Porque cumpriam as exigências da lei? Nenhuma dessas coisas impressionou a Jesus em seu ministério terreno, e muito menos impressiona agora, mas os discípulos tornaram-se amigos de Jesus pelo conhecimento de Deus, somente por isso.

João 15,15: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer”.

Por que isso? Porque, só conhece a Deus aquele a quem Deus se faz conhecer, ninguém O conhece por conta própria, como nos assevera Jesus.

Lucas 10,21: “Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”.

Quem ama a Deus, ama a Escritura como um todo, como disse Agostinho: “Aquele que ama a Escritura, mas não aceita alguma parte dela, não ama a Escritura, ama a si mesmo”.

Capítulo XVIII, Seção IV – A certeza sofrida

Verdadeiros crentes podem ter a sua segurança de salvação abalada, diminuída e interrompida por diversas formas: pela negligência na preservação, caindo em algum pecado específico que fere a consciência e entristece o Espírito, por algumas fortes e súbitas tentações; por Deus retirar a luz da sua preservação, trazendo sofrimento mesmo aos que o temem, colocando-os em trevas e privados de sua luz (1); contudo, eles jamais serão destituídos da semente de Deus e da vida da fé, do amor de Cristo e dos irmãos, da sinceridade de coração e consciência do dever; de onde a segurança será, no tempo próprio, restaurada pela operação do Espírito (2); e, enquanto isso, neste meio tempo eles são sustentados pelo Espírito para não caírem em desespero (3).

1 – Salmo 51,11: “Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito”.

2 – João 3,6: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”.

3 – Miquéias 7,9: “Sofrerei a ira do SENHOR, porque pequei contra ele, até que julgue a minha causa e execute o meu direito; ele me tirará para a luz, e eu verei a sua justiça”.

Resumo

A segurança da salvação firma-se na eleição eterna e jamais será perdida.

Todavia, face às circunstâncias adversas determinadas por Deus, a segurança do crente poderá ser abalada temporariamente, mas jamais perdida.

O que é importante para o crente

O verdadeiro cristão não se preocupa tanto com si mesmo, mas aquieta sua alma na tranquilidade do senhorio de Jesus Cristo, pois sabe que todas as coisas cooperam para o bem dos filhos de Deus.

Romanos 8,28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.

O comentário final a esta seção será breve; o verdadeiro cristão, eleito por Deus, não tem esta preocupação com a sua própria segurança em prioridade no seu espírito, antes, sua preocupação primária é com o conhecimento de Deus e o louvor de sua glória, sabendo que todas as coisas acontecem pela vontade soberana de Deus.

Salmo 131,1-2: “SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo”.

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Última atualização em Ter, 26 de Junho de 2012 07:39  

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