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25 – LIBERDADE CRISTÃ

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

 

25 – LIBERDADE CRISTÃ

 

Capítulo XX, Seção I – Liberdade em Cristo

 

A liberdade que Cristo, sob o evangelho, comprou para os crentes consiste em serem eles libertos do delito do pecado, da ira condenatória de Deus, da maldição
da lei moral (1) e em serem livres do poder deste mundo, do cativeiro de Satanás, do domínio do pecado (2), do mal das aflições, do aguilhão da morte, da vitória da sepultura e da condenação eterna: como também em terem livre acesso a Deus, em lhe prestarem obediência, não movidos de um medo servil, mas de amor filial e espírito voluntário (3).

Todos estes privilégios eram comuns também aos crentes debaixo da lei, mas sob o Evangelho, a liberdade dos cristãos está ampliada, achando-se eles isentos do jugo da lei cerimonial a que estava sujeita a Igreja Judaica (4), e tendo maior confiança de acesso ao trono da graça e mais abundantes comunicações do Espírito de Deus, do que os crentes debaixo da lei ordinariamente alcançavam (5).

1 – Tito 2,14: “O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”.

2 – Gálatas 1,4: “O qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai”.

3 – Hebreus 10,22: “Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura”.

4 – Gálatas 4,4-5: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”.

5 – João 7,38-39: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado”.

 

Resumo

A liberdade cristã não é a mesma liberdade do mundo.

Somente pela graça de Deus o regenerado pode, através do Espírito, desejar e querer agir conforme a lei de Deus.

Liberdade em Cristo

Esta liberdade cristã, não significa que o homem adquire a capacidade de exercer o seu livre-arbítrio para agir em concordância com a lei de Deus. A livre agência do homem será sempre voltada para sua natureza depravada, somente a presença e operação contínua do Espírito de Deus torna o homem capaz de pensar e agir conforme os preceitos divinos.

Filipenses 2,13: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

A lei restringe as ações dos homens e indica o castigo, não existe intenção salvífica na lei, mas apenas de coerção e punição. Já o crente, justificado pela graça, é liberto de todos os seus pecados e da maldição da lei, visto que esta foi plenamente cumprida em e por Cristo, sendo extinta a culpa pelos pecados passados, presentes e futuros do seu povo eleito. Nisso consiste a liberdade cristã.

Romanos 8,33-34: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

Calvino – Institutas, Livro III: “Além disso, o conhecimento desta liberdade nos é sumamente necessário, o qual, se estiver ausente, nossa consciência não desfrutará de nenhum descanso, e não haverá fim para as superstições. Muitos hoje nos têm por néscios visto que defendemos ser lícito comer carne, e porque afirmamos que é livre observar certos dias e o uso de vestes e outras coisas afins; mas isto encerra maior importância do que vulgarmente se crê”.

O ponto de vista humanista

A liberdade secular pode ser definida como a ação resultante somente da própria consciência, este é um mito humanístico falho em todos os aspectos, pois a consciência não está livre de Deus e tampouco dos meios contingentes e acidentais.

O conceito humanista de liberdade consiste na capacidade do indivíduo agir em conformidade com sua volição, de forma imutável ao longo do tempo e livre de pressões e influências externas. Tal é o homem que, mesmo sendo religioso, insiste caminhar por si mesmo, supostamente decidindo e cooperando com Cristo na escolha e preservação da salvação, ora, a fé em Cristo é absoluta ou não é nada.

Tiago 1,7-8: “Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; Homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos”.

Nenhum indivíduo está livre das causas secundárias e contingentes que limitam a vontade, o próprio caráter da pessoa leva a decisões limitadas, isto somado às outras causas influentes, tais como a educação, o meio ambiente, a constituição da família, a situação econômica, e ainda outras acidentais, conduzem as decisões humanas de forma sempre condicionada a estas causas secundárias e contingentes, que são absolutamente controladas pela vontade soberana de Deus.

Provérbios 21,1: “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR; este, segundo o seu querer, o inclina”.

Capítulo XX, Seção II – Doutrinas e mandamentos humanos

Só Deus é senhor da consciência, e a deixou livre das doutrinas e mandamentos humanos que sejam em qualquer coisa contrários à sua Palavra, e da mesma forma, as questões de fé ou culto que devem ser rigorosamente fiéis à Palavra (1). Assim, crer em tais doutrinas ou obedecer a tais comandos irracionalmente é trair a verdadeira liberdade de consciência (2). E requerer para elas fé implícita e obediência cega e absoluta é destruir a liberdade de consciência e a própria razão (3).

1 – Atos 4,19: “Mas Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus”.

2 – Gálatas 2,3-4: “Contudo, nem mesmo Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se. E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão”.

3 – Apocalipse 13,16-17: “A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome”.

Capítulo XX, Seção III – Liberdade para obediência

Aqueles que, sob pretexto de liberdade cristã, insistem deliberadamente no pecado ou na tolerância de qualquer concupiscência (1), destroem por estes motivos a finalidade da liberdade cristã, que é a seguinte: sendo livres das mãos dos inimigos, sirvamos o Senhor sem temor, em santidade e justiça perante Ele todos os dias da nossa vida (2).

1 João 3,6:  “Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu”.

2 - Lucas 1,74-75: “De conceder-nos que, livres das mãos de inimigos, o adorássemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os nossos dias”.

Resumo

Deus é Senhor da consciência humana, regenerada ou não regenerada.

Crer em doutrinas humanistas (*) e participar de cultos  contra os preceitos bíblicos é trair a liberdade dada por Cristo.

Todo aquele que insiste deliberadamente no pecado, não recebeu a graça de Deus.

(*) - Doutrinas humanistas: livre-arbítrio, negação da Trindade e/ou da divindade de Cristo, dispensacionalismo, técnicas gerenciais, igreja com propósitos, orações destinadas a mudar a vontade de Deus, batismo no Espírito, falar em línguas etc.

A autoridade de Deus

Todo homem traz em si a consciência do Deus vivo, o que o torna responsável perante si mesmo, além desta consciência, Deus se revela de forma salvífica, pessoal e particular apenas e tão somente à consciência de seus filhos e unicamente através da Escritura. Por este motivo, o filho de Deus se dirige somente pela Palavra, rejeitando com veemência toda e qualquer revelação extra-bíblica trazida pelos homens.

Para isso, o crente precisa conhecer a Escritura, pois como saberá distinguir entre o verdadeiro evangelho e a vã palavra de homens? Quem ama a Deus foi primeiro amado por Ele, ora, o amor a Deus é o amor pela Palavra, quem ama a Deus ama a Escritura e dirige toda sua vida por ela.

Atos 17,11: “Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim”.

As falsas doutrinas aborrecem os filhos de Deus

Os que crêem em doutrinas ou mandamentos humanos, tais como: livre-arbítrio, negação da Trindade ou da divindade de Cristo, dispensacionalismo, santificação plena, cooperação na obra de Cristo, negação da queda universal, outros intercessores, a igreja como santificadora, penitências, salvação por sacramentos, batismo no Espírito e outras, ainda não receberam a graça e não são filhos de Deus.

Deve-se, todavia, ter cuidado no julgamento pessoal, não é possível saber se alguém ainda será chamado nem quando, pois somente Deus conhece seus filhos e sabe o momento em que serão chamados. Todos os homens foram um dia filhos da ira.

Efésios 2,3: “Entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”.

Atenção: Se, por este lado, é preciso ter cuidado em julgar as pessoas, não é necessário este respeito ao julgar as doutrinas:

Toda doutrina não bíblica deve ser rejeitada com firmeza e ousadia juntamente com os seus mestres e aderentes, pois a consciência do cristão está presa somente à Palavra e não deve respeito e consideração a nenhuma outra doutrina ou filosofia.

Advertência: Por mais que o crente evite julgar as pessoas, aquelas que pregam doutrinas anti bíblicas devem ser tão evitadas quanto suas doutrinas, a única aproximação possível com estas pessoas é a repreensão, visando à correção e disciplina para arrependimento, mas isso, se a pessoa mostrar receptividade, caso contrário o afastamento se faz necessário.

Romanos 16,17: “Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles”.

A consciência como acusadora

Todos são pecadores em todas as fases da vida, todavia, o pecado para o réprobo é natural e muitas vezes enaltecido, enquanto para o regenerado o pecado é acidental e provoca constrangimento.

Desta forma, enquanto o pecado, para o réprobo, é condenação para a morte, para o regenerado é uma forma de disciplina e arrependimento que o aproxima de Deus e o aperfeiçoa nesta vida terrena. Estas duas atitudes, completamente diferentes entre os filhos do mundo e os filhos de Deus, resultam da consciência de cada um. Enquanto o homem natural aceita o pecado como normal em sua vida, a consciência do filho de Deus o acusa do pecado, provocando contrição e necessidade de mudança de vida.

O crente jamais será livre do pecado durante toda esta vida terrena, mas não terá prazer no pecado, apesar de não conseguir perfeição nesta vida, irá se distanciar do pecado cada vez mais.

2 Coríntios 5,14: “Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos; logo, todos morreram”.

Pela queda de Adão todo homem herdou a natureza depravada e é inimigo de Deus por esta mesma natureza. Cristo veio libertar o homem de sua própria natureza, através do novo nascimento que o afasta do pecado e da servidão da carne, esta servidão da carne não é basicamente o sexo, como plantaram os Jesuítas na mente dos povos colonizados, a carne é a natureza corrompida do homem e sua fragilidade diante do mundo, a revolta deliberada contra Deus resultando na escravidão ao ego: o amor a si mesmo.

O homem natural pretende humanizar a Deus e divinizar a criatura, este é o pecado original que deprava a alma; a pretensão do homem igualar-se a Deus, sendo dono de sua própria salvação, ajudando, cooperando e completando o trabalho de Deus, transformando Cristo em um mero exemplo e o cristianismo em uma vida de alto padrão ético e moral: “O homem pode conseguir por si mesmo”. Este é o pecado
original: “Como Deus, sereis...”.

Gênesis 3,4-5: “Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal”.

Capítulo XX, Seção IV – Submissão às regras de fé da igreja

E porque os poderes que Deus ordenou, e a liberdade que Cristo comprou não foram por Deus designados para destruir, mas para que mutuamente nos apoiemos e preservemos uns aos outros, aqueles que, sob pretexto da liberdade cristã se opõem a qualquer poder legítimo civil ou religioso ou ao exercício dele, resistem à ordenança de Deus (1). E, pela propagação destas opiniões ou persistência nestas práticas que são contrárias à luz da natureza ou aos reconhecidos princípios do Cristianismo (que concernem à fé, ao culto, à conversação ou ao poder da piedade) ou propagando e persistindo naquelas opiniões e práticas errôneas pela sua própria natureza, eles são destrutivos para a paz e ordem que Cristo estabeleceu na Igreja e devem ser processados pela censura eclesiástica e pelo poder do magistrado civil.

1 – 1 Pedro 2,13-14: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem”.

2 – Tito 3,10-11: “Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez, pois sabes que tal pessoa está pervertida, e vive pecando, e por si mesma está condenada”.

Resumo

O cristão deve obediência aos magistrados civis e religiosos.

Esta obediência, todavia, está restrita à Escritura que é a autoridade última do cristão.

A igreja está autorizada para estabelecer processos e censuras a seus membros e ministros.

A igreja não deve acobertar membros ou ministros que infringem a lei, mas encaminhá-los ao magistrado civil para julgamento.

A obediência cristã limitada

A Escritura como norma de vida do cristão: O eleito de Deus é escolhido para fé em Cristo, arrependimento e obediência. Em princípio, o cristão é um bom cidadão de seu país e um membro fiel da igreja, todavia, a regra primeira do cristão é a Escritura, a obediência civil e religiosa é limitada pela lei de Deus. Quando a consciência do crente o acusa pela obediência civil ou religiosa estar acima, além, aquém ou contra a Escritura o crente deve resistir com decisão, primeiramente com argumentos baseados solidamente na Palavra e até as últimas consequências, com a própria vida, se for o caso, como fizeram os mártires cristãos ao longo da história.

Gálatas 1,8: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema (amaldiçoado)“.

Calvino – Institutas, livro III: “Porventura crer seria nada entender, contanto que alguém submeta obedientemente seu entendimento à Igreja? A fé não se assenta na ignorância, mas no conhecimento, e certamente não apenas o conhecimento de Deus em si mesmo, como também da divina vontade. Porque não conseguimos a salvação por estarmos dispostos a aceitar como verdade tudo quanto a igreja tenha prescrito, ou porque lhe relegamos a função de indagar e conhecer. Alcançamo-la, porém, quando reconhecemos que, feita a reconciliação através de Cristo, Deus nos é o Pai propício e, na verdade, Cristo nos foi dado como justiça, santificação e vida. Afirmo que, por meio deste conhecimento, não pela submissão de nosso sentimento, é que obtemos ingresso no reino dos céus”.

2 Coríntios 5,18-19: “Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação”.

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