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26 – Capítulo XXXI - O CULTO E O DOMINGO

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

26 – Capítulo XXXI - O CULTO E O DOMINGO

Capítulo XXI, Seção I – O culto agradável a Deus

A luz da natureza mostra que há um Deus que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido (1) de todo o coração, de toda a alma e de toda a força (2); mas o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por ele mesmo e tão limitado por sua vontade revelada, que não deve ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens ou sugestões de Satanás nem sob qualquer representação visível ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras (3).

1 – Romanos 1,19-20: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”.

 

2 – Marcos 12,30: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”.

 

3 – Deuteronômio 12,32: “Tudo o que eu te ordeno observarás; nada lhe acrescentarás, nem diminuirás”.

Capítulo XXI, Seção II – Culto a Deus somente

O culto religioso deve ser prestado a Deus – Pai e Filho e Espírito Santo - e somente a Ele (1); não deve ser destinado  nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura (2); e após da queda, deve ser prestado a Deus somente através de  um Mediador, e  não pode ser pela  mediação de qualquer outro, senão Cristo (3).

1 – Mateus 4,10: “Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto”.

2 – Apocalipse 19,9-10: “Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus. Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”.

3 – 1 Timóteo 2,5: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”.

Resumo

Deus se revela a todos os homens pelas obras da criação.

O culto deve ser prestado somente a Deus o Pai em o nome do Filho.

O culto a Deus deve ser realizado estritamente conforme as prescrições da Escritura.

Existe somente um mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo.

A natureza revela o Deus da criação

A consciência de cada homem, em todo mundo, revela a existência de um ser dotado de infinita perfeição e poder, criador e mantenedor de todas as criaturas, sendo desta forma o governante absoluto de todas as criaturas morais e por este motivo deve ser adorado, louvado e venerado por todas estas criaturas sem exceção.

Apesar de que, esta revelação da consciência é suficiente para que todos os homens conheçam que existe um ser infinito e criador do universo, ela é insuficiente para levar aos homens a verdadeira forma de culto e adoração a Deus. A única forma de culto agradável a Deus é revelada, somente aos seus eleitos através da Escritura, sendo que nenhuma outra criatura pode ou deve ser louvada senão Deus. O Deus referido em todos os capítulos deste estudo é sempre o Deus da Trindade Divina: o Pai e o Filho e o Espírito Santo.

O culto e a Escritura

A revelação de Deus pelas obras da natureza não é suficiente para orientar o culto, o cristão não adora o deus da natureza, mas somente o Deus da Escritura, desta forma, todo culto deve se guiar pela Palavra: a música, a exaltação e principalmente a pregação devem ser orientadas biblicamente. O Espírito de Deus somente fala ao coração dos crentes através da Palavra de Cristo, o evangelho, fiel, exato e completo.

Os exemplos de vida, as experiências pessoais, o entretenimento, o carisma pessoal, a liturgia, nada disto servirá para edificação do crente. Mesmo os sacramentos, quando aplicados indevidamente, como no caso da Igreja Romana ou das pentecostais, somente irão trazer ilusão e miséria aos pretensos cristãos. Todas estas coisas podem trazer alívio psicológico ou enaltecer o ego das pessoas, mas somente a pregação expositiva fiel da Palavra, trará conversão ou honrará a Deus.

O culto e o Mediador

O único mediador entre Deus e os homens é Jesus Cristo, como já foi visto exaustivamente, por este motivo o culto a Deus é fundamentalmente cristológico, ou seja, não existe lugar para a vontade, decisão e capacidade humana no culto ou no louvor, Cristo é tudo em todos os crentes, e satisfez cabalmente a justiça de Deus em lugar dos eleitos, propiciando a ira do Pai.

Pela obra de Cristo, e somente por ela e através dela, os crentes podem adorar e servir a Deus sem temor, em fé e arrependimento que são dons recebidos pela graça de Deus unicamente em Cristo.

O culto romano

A igreja romana dividiu o culto em:

- latria: que se refere ao culto a Deus;

- dulia: que se refere ao culto aos santos;

- hiperdulia: que se refere ao culto à virgem Maria, ou Mariologia.

Existe dentro da Igreja de Roma, uma fortíssima corrente que pretende estender o culto à Maria ao mesmo grau de adoração das pessoas da Trindade Divina: latria. Estas aberrações não têm nenhum suporte escriturístico e são frutos da tradição dos homens em detrimento da Palavra de Deus.

Pentecostalismo e o batismo no Espírito

O pentecostais outorgam a seus ministros a capacidade de ministrar o Batismo no Espírito, pelo qual eles trazem o Espírito de Deus inexplicavelmente submisso à vontade e ao capricho destes ministros. Esta pretensão de manipular o Espírito de Deus à sua vontade é sem dúvida uma aberração do culto que deve ser abominada por todos os cristãos. Jesus não deixa nenhuma alternativa, sua mediação é um ministério exclusivo, a Escritura não permite qualquer dúvida a este respeito.

João 14,6: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Capítulo XXI, Seção III – A oração

A oração com ações de graças, sendo uma parte especial do culto religioso (1), é por Deus exigida de todos os homens (2); e, para que seja aceita, deve ser feita em o nome do Filho (3), através do seu Espírito (4), segundo a sua vontade (5), e isto com inteligência, reverência, humildade, fervor, fé, amor e constância (6). Se for vocal, deve ser proferida em uma língua conhecida dos circunstantes (7).

1 – Filipenses 4,6: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças”.

2 – Lucas 18,1: “Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer”.

3 – João 14,13: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho”.

4 - Romanos 8,26: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”.

5 – 1 João 5,14: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”.

6 – Hebreus 12,28: “Por isso, recebendo nós um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor”.

7 – 1 Coríntios 14,19: “Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras com o meu entendimento, para instruir outros, a falar dez mil palavras em outra língua”.

Capítulo XXI, Seção IV – A validade da oração

A oração deve ser feita por coisas lícitas (1) em favor de todas as classes de pessoas  que vivem  atualmente ou que existirão no futuro (2); mas, jamais  pelos mortos (3), nem por aqueles que se saiba terem cometido o pecado para a morte (4).

1 – Tiago 4,3: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”.

2 – João 17,20: “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra”.

3 – Lucas 16,25-26: “Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós”.

4 – 1 João 5,16: “Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue”.

Resumo

A oração consiste basicamente em adoração e ação de graças, sendo exigida de todos os homens.

A oração é dirigida ao Pai em o nome do Filho somente.

A oração não muda os acontecimentos determinados por Deus.

Somente o Espírito pode conduzir o crente a orar conforme a vontade de Deus.

A oração deve ser por coisas lícitas conforme os preceitos da Escritura. Não se pode orar pelos mortos ou pelos que cometeram o pecado contra o Espírito.

A oração deve ser feita na língua natural do local onde se presta o culto, em caso de pregadores estrangeiros deve haver quem traduza.

O pecado imperdoável

1 - A blasfêmia contra o Espírito: A blasfêmia dos fariseus consistiu diretamente em atribuir ao demônio os milagres de Cristo realizados pela ação do Espírito Santo. Indiretamente, a atitude destas pessoas revela uma apostasia consciente, uma profunda negação do evangelho de Jesus Cristo visto que eles conheciam a verdade de Deus pelas escrituras e o evangelho lhes foi revelado pelas palavras e milagres de Jesus.

João 15,22: “Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado”.

Bíblia de Genebra: “Nós temos que fazer orações não apenas por nós mesmos, mas também por nossos irmãos que pecam, quando seus pecados não são para a morte, exceto para o pecado imperdoável - o pecado contra o Espírito - ou seja, uma queda universal e poderosa de pessoas que vieram a ser iluminadas com o conhecimento do evangelho e vieram posteriormente a negá-lo de forma intencional e maliciosa”.

Hebreus 10,29-31: “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.  Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”.

John Gill: “Existe um pecado para a morte, não se trata apenas de merecer a morte, como todos os outros pecados, mas é uma presunção certa e inevitável da morte que atinge todos os que nele incorrem, sem exceção – o pecado contra o Espírito – que jamais será esquecido ou perdoado, neste mundo ou no mundo do porvir. Este é um pecado consciente e intencional, não de um modo prático, mas na negação da doutrina cristã após a pessoa receber o conhecimento da verdade do evangelho”.

Marcos 3,28-30: “Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno. Isto, porque diziam: Está possesso de um espírito imundo”.

2 - A negação da suficiência e unicidade do sacrifício de Cristo: O sacrifício de Jesus é único e suficiente, nada mais é necessário, porém, grande parte dos religiosos que confirmam  este fato verbalmente, negam-no em suas crenças e atitudes pretendendo ser donos de sua salvação, este também é um pecado fatal, nada mais poderá salvar estas pessoas que contam com sua justiça própria em negação, adição ou cooperação com o sacrifício de Cristo, estas pessoas nunca foram salvas, apesar de falar e agir em nome de Cristo.

Mateus 7,21-23: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci...”

Além da blasfêmia contra o Espírito e da negação da unicidade e suficiência do sacrifício de Cristo, existem outros pecados que Deus não irá perdoar:

3 - Usar o nome de Deus em vão: este é o caso dos falsos ministros do evangelho que usam o nome de Deus com fins materiais, para agradar a homens, com fins gerenciais ou pela tradição da igreja acima da Escritura.

Êxodo 20,7: “Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”.

Feitiçaria e curandeirismo: Existem ainda outro pecado grave que é a prática, direta ou indireta, do satanismo, a magia negra e a magia branca, todas igualmente abominadas por Deus, todavia, vemos muitas pessoas em todo o mundo que se converteram após longos períodos dedicados a estas práticas.

Êxodo 22,18: “A feiticeira não deixarás viver”.

Observação final

Finalizando, já foi visto anteriormente que a salvação é eterna, não se deve confundir a iluminação e a prestação de serviços na igreja com a salvação, todos os que caem jamais foram salvos, caem por que já estavam caídos, mesmo estando na igreja, falando em nome de Jesus, batizando no Espírito e quaisquer outros serviços - somente Deus conhece a sua igreja.

Jonas 2,9: “Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Ao SENHOR pertence a salvação!”.

A oração e o culto

A oração, individual ou comunitária, conforme determinado nestas seções acima, é parte do culto e exigida de todas as pessoas.

A oração será sempre dirigida a Deus o Pai e mediada somente por Jesus Cristo. A oração não deve ser uma recitação desprovida de reverência e humildade, também não deve ser um rosário de pedidos que visam  informação ou mudança na mente de Deus, pois isso jamais irá ocorrer, seria um milagre além dos milagres divinos, pois todos os milagres de Deus estão previstos em seu plano eterno e são destinados a uma finalidade específica e determinada, todos os milagres acontecem somente de acordo com os Decretos Eternos e não são provocados em nenhuma hipótese pelos homens, mas a eles destinados por Deus.

Arthur Pink declara em seu livro sobre a oração e a soberania de Deus, que, se ele sequer imaginasse que uma oração sua poderia mudar a vontade de Deus, não ousaria jamais proferir uma oração.

1 Coríntios 2,16: “Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo”.

A oração do Pai nosso, modelo do culto

A oração, assim como o culto, deve ser realizada conforme a orientação bíblica. Os apóstolos pediram a Jesus que os ensinasse a orar, os discípulos de João Batista foram ensinados por ele a orar, o apóstolo Paulo confessa que não sabe orar como convém.

Segue abaixo uma análise, bastante simplificada, da oração do Pai Nosso ensinada por Jesus como modelo, os verbos estão sublinhados, cada verbo define uma petição com sentido completo:

Mateus 6,9-13: Portanto, vós orareis assim:

Portanto: esta palavra, no início da frase, define o modo imperativo, ou seja, o modelo a seguir é determinante em todos os modos de oração e petição a Deus. Isto não quer dizer que somente esta oração deve ser decorada e repetida indefinidamente, mas deve servir de modelo para conformar a forma de oração a ser adotada pelos cristãos em todos os tempos.

1 - Pai nosso, que estás nos céus;

2 - Santificado seja o teu nome;

3 - Venha o teu reino;

4 - Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

5 - O pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

6 - E perdoa-nos as nossas dívidas,

7 - Assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;

8 - E não nos deixes cair em tentação;

9 - Mas livra-nos do mal

10 - Pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!

As quatro primeiras petições constituem-se em adoração e louvor a Deus: 40%

A quinta petição consiste em pedidos de ajuda nesta vida terrena: 10%

A sexta e a sétima petições constituem-se em pedidos de perdão: 20%

A oitava e a nona petição consistem em pedidos de proteção do Espírito: 20%

A décima petição consiste em adoração e louvor: + 10%

Este modelo de oração fornecido por Nosso Senhor consiste em:

50% (metade da oração) - Adoração e louvor a Deus:

20% - Pedidos de perdão pelos pecados;

20% - Pedidos de proteção do Espírito;

10% - Pedidos de ajuda nesta vida terrena.

Infelizmente, o que se pode observar hoje no culto é uma total e completa inversão destes valores, onde as pessoas oram, repetida e insistentemente, por si mesmas e por outras pessoas, informando a Deus do que já foi por ele determinado, sem considerar que a oração, tanto quanto o culto, consiste em adoração e louvor a Deus.

Atos 17,24-25: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais”.

Mais triste ainda é observar que a grande maioria, quase totalidade, das pessoas ora com a intenção de mudar os pensamentos e planos de Deus, e pior, os ministros religiosos assistem passivamente engajando-se nestas orações mecânicas e sem sentido com o fito único de agradar a congregação, ao invés de orientá-la e conduzi-la em orações agradáveis a Deus.

Lamentável em todos os aspectos, mas, este é hoje, um mero reflexo do que se tornou a igreja atual, uma igreja humanista e irracional totalmente voltada para o homem e cada vez mais distante do conhecimento de Deus.

Lucas 6,39: “Propôs-lhes também uma parábola: Pode, porventura, um cego guiar a outro cego? Não cairão ambos no barranco?”

Orações pelos mortos

Todas as pessoas que morrem, encontram-se já no estado final, não existe transição entre a morte e o destino final, no estado intermediário a alma está no céu ou no inferno, isso é definitivo e jamais mudará. Portanto as orações pelos mortos, além de completamente inúteis, constituem abominação contra a vontade declarada de Deus.

Lucas 16, 22-26: “Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro  igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós”.

Capítulo XXI, Seção V – Dos votos

A leitura das Escrituras com o temor divino (1), a sã pregação da palavra (2) e a consciente atenção a ela em obediência a Deus, com inteligência, fé e reverência (3); o cantar salmos com graças no coração (4), bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por Cristo - são partes do culto regular
de Deus (5), além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes (6) e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, deve ser usado de um modo santo e religioso (7).

1 – Apocalipse 1,3: “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo”.

2 – 2 Timóteo 4,2-3: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”.

3 – Isaías 66,2: “Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra”.

4 – Colossences 3,16: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração”.

5 – Isaías 19,21: “O SENHOR se dará a conhecer ao Egito, e os egípcios conhecerão o SENHOR naquele dia; sim, eles o adorarão com sacrifícios e ofertas de manjares, e farão votos ao SENHOR, e os cumprirão”.

6 – Mateus 9,15: “Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar”.

7 – Salmo 107,1: “Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom, e a sua misericórdia dura para sempre”.

Resumo

As partes do culto são a leitura bíblica, oração, pregação e louvor.

Também fazem parte do culto, ocasionalmente, os sacramentos, os votos e juramentos.

Leitura bíblica: A leitura bíblica poderá ser feita pelo pregador, alternadamente entre o pregador e a congregação, por um membro solicitado pelo pregador ou voluntariamente, em conjunto ou em forma de respostas programadas. Todas estas leituras devem ser feitas na linguagem natural do local da pregação, em forma alta e clara sendo fornecidas as explicações em casos de dúvidas, ou voluntariamente pelo pregador em passagens de difícil entendimento.

Pregação: A pregação tem como base a Escritura, nada mais, o Espírito somente fala ao coração dos crentes através da Palavra de Cristo. A pregação é a exposição do evangelho com todos os esclarecimentos necessários ao entendimento de todos os frequentadores do culto, do mais simples ao mais culto. Pregações alegóricas, entretenimento, exemplos de vida e outras vertentes que fogem da pregação cristocêntrica, não agradam a Deus e não falam ao coração dos crentes.

A pregação cristã não se refere a exemplos de vida, ética e exortação a uma vida de alto padrão moral, o cristianismo não consiste em faça isso, não faça aquilo, o verdadeiro cristianismo é: está feito! Foi isso que Nosso Senhor exclamou na cruz do
Calvário – ‘está consumado’ – Jesus já fez tudo o que havia para ser feito, cabe a nós conhecer, adorar, honrar e agradecer a Deus em nome de Cristo, pois nada se pode acrescentar ao trabalho perfeito de Cristo.

Culto temático: A pregação baseada em temas políticos e sociais, conforme acontecimentos e datas vigentes no calendário se chama culto temático. Este tipo de culto exige extremo cuidado para que as situações sejam adaptadas à pregação do evangelho e não seja o evangelho adaptado aos eventos e datas referidos.

Louvor: O louvor, na igreja, é realizado através de cânticos e hinos pela congregação, por conjuntos musicais (equipes de louvor) ou por corais. Os ministros da igreja devem zelar com extremo cuidado pelo louvor, verificando a previamente a programação e aprovando o conteúdo doutrinário dos hinos e comentários durante o louvor, evitando também a exposição bastante difundida de imagens e figuras representando pessoas divinas ou angélicas durante o louvor.

Sacramentos: Os únicos sacramentos ordenados para a igreja de Cristo são o batismo e a Ceia do Senhor. Existem muitas controvérsias sobre o batismo: infantil, imersão, aspersão, voluntariedade etc. A Confissão de Fé de Westminster sustenta o batismo infantil e por aspersão como válidos.  Quanto à Ceia do Senhor, deve ser celebrada da maneira mais simples e respeitosa possível, de forma a não trazer constrangimento às pessoas mais humildes da congregação, devendo ser os utensílios iguais para todos os participantes.

Capítulo XXI, Seção VI – O culto sob a nova dispensação

Agora, sob o Evangelho, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito a local determinado, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo o lugar (1), em espírito e verdade (2) - tanto em famílias, diariamente (3) e em secreto, estando cada um sozinho (4), como também mais solenemente em assembléias públicas, que não devem ser descuidadas, nem voluntariamente desprezadas ou abandonadas, sempre que Deus, pela sua providência, proporciona ocasião (5).

1 - João 4,21: “Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai”.

2 – João 4,23: “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores”.

3 – Deuteronômio 6,6-7: “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te”.

4 – Mateus 6,6: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará”.

5 – Isaías 56,7: “Também os levarei ao meu santo monte e os alegrarei na minha Casa de Oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha casa será chamada Casa de Oração para todos os povos”.

Resumo

A restrição ao culto fora dos lugares pré-determinados deixou de existir na Nova Dispensação.

A congregação pode reunir-se em locais distintos e ocasionais.

O local do culto

Na antiga dispensação do Velho Testamento era necessário existir um local específico ao culto, tendo em vista os sacrifícios de animais, as oferendas e toda liturgia determinada minuciosamente por Deus a Moisés. Jesus cumpriu, em sua morte, todos os sacrifícios e oferendas possíveis, como também, pela ressurreição, entrou no Santo dos Santos uma vez por todas, tendo então cessado toda necessidade destes rituais.

Marcos 13,1-2: “Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos: Mestre! Que pedras, que construções! Mas Jesus lhe disse: Vês estas grandes construções? Não ficará pedra sobre pedra, que não seja derribada”.

Desta forma, desobrigado de todos estes rituais, o cristão é livre para reunir-se em todos os lugares que considere adequado ao culto, independente de se localizar no templo ou em outro local conveniente. Jesus é perfeito Deus, onisciente e onipresente, nenhum local específico irá contê-lo.

Mateus 18,20: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”.

Da mesma forma que a adoração não é relacionada a lugares específicos, nem tampouco o dia é especificado para a adoração. O dia do domingo é tomado como dia de repouso em memória a Cristo e a igreja, todavia o domingo não é um dia único para o culto, é um dia de alegria e comemoração pela ressurreição de Cristo e fundação da igreja, mas todos os dias são igualmente válidos para o louvor e adoração a Deus.

O crente, em Cristo, também não necessita de mediação de eclesiásticos em seu culto particular, pois Jesus Cristo é tudo em todos e não existem religiosos superiores ou mais qualificados que seus irmãos em Cristo. Existem, sim, dons diferentes distribuídos pelo Espírito, mas sendo dons, são dados gratuitamente por Deus: de graça recebeste, de graça daí.

Mateus 23,8: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos”.

Locais sagrados

As igrejas locais, onde se reúnem os crentes, são consideradas locais sagrados, estes espaços são separados para o louvor e adoração a Deus, por isso considerados sagrados, mas somente se utilizados de forma correta. Nenhum templo é sagrado por si mesmo, somente o corpo de Cristo, que é a Igreja de Deus, é sagrado. Quem torna a igreja sagrada são os membros de uma congregação fiel e não os belos templos ornamentados.

João 2,19-21: “Jesus lhes respondeu: Destruí este santuário, e em três dias o reconstruirei. Replicaram os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este santuário, e tu, em três dias, o levantarás? Ele, porém, se referia ao santuário do seu corpo”.

Capítulo XXI, Seção VII – O dia do descanso

Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo que obriga a todos os homens em todos os tempos, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um dia de descanso santificado por Ele (1); desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último da semana; e desde a ressurreição de Cristo foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado Domingo, ou dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o dia do descanso cristão (2).

1 – Êxodo 20, 9-10: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro”.

2 – Atos 20,7: “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até à meia-noite”.

Capítulo XXI, Seção VIII – O dia dedicado a Deus

O Shabbath (dia do descanso) é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas próprias obras, palavras e pensamentos a respeito dos seus empregos seculares e das suas recreações (1), mas também ocupam todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e misericórdia (2).

1 – Lucas 23,56: “Então, se retiraram para preparar aromas e bálsamos. E, no sábado, descansaram, segundo o mandamento”.

2 – Isaías 58,13-14: “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs, então, te deleitarás no SENHOR. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do SENHOR o disse”.

Resumo

O dia do descanso cristão é o domingo, dia da ressurreição, primeiro dia da semana.

Este dia deve ser dedicado ao culto, à instrução, ao conhecimento de Deus e à caridade.

O descanso e a lei

É um fato histórico que todos os povos antigos dividiam seu tempo em semanas, isto é, intervalo de sete dias. Tanto árabes, egípcios, gregos e todos os povos gentílicos, além dos judeus, apresentavam este procedimento desde épocas remotas. Pode-se observar, através de estudos antropológicos e históricos, que o dia do descanso semanal era uma instituição milenar que já estava em uso quando o povo judeu veio a existir, por este motivo, ao ditar a Lei, Deus não estabelece ou designa o sábado como dia do descanso, mas somente lembra o povo sobre o dia do sábado para que seja santificado.

Êxodo 20,8: Lembra-te do dia de sábado, para o santificar”.

O dia do descanso tem dois fundamentos, um baseado na natureza e outra nas leis universais de Deus. Que o dia do descanso semanal tem base na natureza humana é facilmente comprovado pelo fato de que na grande maioria dos países o dia do descanso é obrigatório e fundamentado em legislação específica. Que o dia do descanso semanal é derivado das leis universais de Deus é um fato, também fundamentado, no quarto mandamento da lei de Deus, conforme designado no livro do Êxodo, capítulo vinte.

Desta forma o descanso semanal é destinado, conforme a natureza, à restauração do homem de suas tarefas diárias e preparação para mais uma semana de trabalho. Para os cristãos, porém, o dia de descanso é também um dia de dedicação, destinado a manter em memória os fatos seguintes:

- Relembrar perpetuamente que todas as coisas foram criadas por Deus e para sua glória.

- Manter na memória, que a finalidade principal do homem é glorificar a Deus.

- Como o primeiro dia da semana, o dia do descanso cristão destina-se a celebrar e dar graças à ressurreição e ascensão de Nosso Senhor.

Para finalizar, é preciso lembrar que o dia do descanso foi criado para o homem e não o homem para o dia do descanso.

Não se deve transformar o domingo em ídolo, caso seja exigido do homem em função de seu trabalho, ou de ocorrências fortuitas com origem na família, em doenças ou em necessidades inadiáveis que venham a exigir tarefa ou turno de trabalho no domingo, outro dia da semana pode ser designado para o descanso e louvor a Deus. O cristão louva a Deus em sua vida e com sua vida, de forma global, todos os dias e todas as horas.

Marcos 2,27: “E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”.

A consagração

Deus somente é reverenciado no culto por aqueles que exercem suas profissões com integridade e alegria. Todo aquele que faz o seu trabalho visando somente lucro, ou forçado, ou por obrigação apenas, não descobriu, ainda, a intimidade do Senhor e não poderá honrá-lo com aparências. Todavia, julgue cada um a si mesmo quanto a isso, pois dificilmente o cristão encontra ambiente adequado para o seu trabalho, tendo que equilibrar sua atividade no meio mundano.

Neste sentido, o exemplo de vida sincero do cristão é fundamental para que ele honre a Deus e execute seu trabalho conscientemente e com responsabilidade.

Da mesma forma, todo aquele que vai ao culto ou dá o seu dízimo por obrigação ou por ou aparência, também não conta com a intimidade e a graça de Deus. Não é demais repetir, também neste caso – julgue cada um a si mesmo – pois não é próprio ao cristão julgar levianamente ao seu próximo.

Gálatas 6,5: “Porque cada um levará o seu próprio fardo”.

É preciso dizer algo mais a respeito do julgamento cristão, pois ao passo que ninguém sabe quando e se uma pessoa será chamada por Deus, é dever do cristão conhecer a natureza de Deus e os preceitos bíblicos por Ele determinados, sendo desta forma, apto para discernir e julgar entre o bem e o mal, o verdadeiro e o falso evangelho.

Hebreus 5,14: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal”.

Certificado o erro e a heresia cabe, neste caso, a indignação e a revolta do crente, corrigindo e repreendendo até o ponto de abandonar e denunciar uma igreja infiel.

Gálatas 1,8: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”.

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