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27 – Capítulo XXII - VOTOS E JURAMENTOS

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

27 – Capítulo XXII - VOTOS E JURAMENTOS

Capítulo XXII, Seção I – votos e juramentos

O Juramento, quando lícito, é uma parte do culto religioso (1) pelo qual o crente, em ocasiões necessárias e com toda a solenidade, chama a Deus por testemunha do que assevera ou promete; pelo juramento ele invoca a Deus para julgá-lo segundo a verdade ou falsidade do que jura (2).

1 – Levítico 19,12: “Nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanaríeis o nome do vosso Deus. Eu sou o SENHOR”.

2 – 2 Crônicas 6,22-23: “Quando alguém pecar contra o seu próximo, e lhe for exigido que jure, e ele vier a jurar diante do teu altar nesta casa, ouve tu dos céus, age e julga a teus servos, dando a paga ao perverso, fazendo recair o seu proceder sobre a sua cabeça e justificando ao justo, para lhe retribuíres segundo a sua justiça”.

Capítulo XXII, Seção II – Jurar pelo nome de Deus

O único nome pelo qual se deve jurar é o nome de Deus, nome que se pronunciará com todo o santo temor e reverência (1); jurar, pois, falsa ou temerariamente por este glorioso e tremendo nome ou jurar por qualquer outra coisa é pecaminoso e abominável (2), contudo, como em assuntos de gravidade e importância o juramento é autorizado pela palavra de Deus, tanto sob o Novo Testamento como sob o Velho, o juramento, sendo exigido pela autoridade legal, deve ser prestado com referência a tais assuntos (3).

1 – Deuteronômio 6,13: “O SENHOR, teu Deus, temerás, a ele servirás, e, pelo seu nome, jurarás”.

2 – Jeremias 5,7: “Como, vendo isto, te perdoaria? Teus filhos me deixam a mim e juram pelos que não são deuses; depois de eu os ter fartado, adulteraram e em casa de meretrizes se ajuntaram em bandos”.

3 – Esdras 10,5: “Então, Esdras se levantou e ajuramentou os principais sacerdotes, os levitas e todo o Israel, de que fariam segundo esta palavra. E eles juraram”.

Resumo

As decisões legais na Antiguidade eram sempre acompanhadas de juramento.

Os juramentos na igreja são requisitados na profissão de fé, no matrimônio, na consagração, na confissão e na ordenação de seus ministros.

Somente se jura em nome de Deus sobre o que se conhece e crê com sinceridade.

O magistrado civil pode requisitar o juramento lícito em casos de julgamento e justiça.

Os contratos na Antiguidade

Na Antiguidade não existiam Cartórios de Registro de Documentos, os contratos eram usualmente realizados em locais públicos, como as portas da cidade ou praças. Após as negociações iniciais, os contratos eram firmados verbalmente pela palavra dos contratantes, na presença de testemunhas e eram selados com juramentos aos deuses invocados.

Desta forma, os deuses participavam como avalistas das negociações efetuadas, esses deuses eram temidos por todo povo e supunha-se que castigaria severamente aquele que rompesse o juramento ao deus invocado. Desta forma, os pactos e juramentos eram uma prática comum e tiveram sua origem juntamente com os primeiros grupamentos sociais da humanidade. O pacto de Deus, estabelecido com Abraão, foi selado com juramento, como Deus não tinha ninguém maior por quem jurar, jurou por si mesmo.

Hebreus 6,13: “Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo”.

Os juramentos e a igreja

Os votos e juramentos exigidos na igreja são o matrimônio, a consagração, a confissão, a profissão de fé e a ordenação de ministros. Usualmente as pessoas fazem a Profissão de Fé e outros juramentos de maneira inconsequente, somente para cumprir as formalidades exigidas, esta é uma situação absolutamente lamentável, pois estas pessoas não têm o menor conhecimento das regras de fé a que se referem os votos e juramentos que estão fazendo, desta forma jamais poderão cumpri-los visto que não conhecem os fundamentos que envolvem estes juramentos.

Oséias 4,6: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”.

A grande maioria dos ministros que prestam juramento e fidelidade às regras de fé da igreja esquecem-nas muito rapidamente tendo em vista não desagradar a congregação. Para lembrar: a única regra de fé das Igrejas Presbiterianas, e outras que a subscrevem, além da Escritura, são a Confissão de Fé e os Catecismos de Westminster.

Pela constituição da igreja, tanto os membros e principalmente os oficiais devem obediência e fidelidade a estes documentos, que são solenemente ignorados pelos membros e estrategicamente esquecidos pelos ministros.

Gálatas 6,7: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”.

Os votos e juramentos nos sacramentos

Os sacramentos instituídos pela igreja cristã são o Batismo e a Ceia do Senhor, o Batismo é acompanhado da profissão de fé, conforme acima, as pessoas que fazem a profissão de fé, devem encará-la com seriedade, procurando conhecer a Escritura e as regras de fé da igreja, estando certas em seus juramentos de concordar e assumir compromisso total com estes padrões.

Esta futilidade, ao encarar o conhecimento, é fruto da preguiça e irracionalidade que tomou conta de igreja cristã; o crente considera que o importante são os sentimentos, as experiências pessoais e uma vida de alto padrão moral; mas, novamente a pergunta: se o cristianismo for reduzido a sensações e regras de vida, onde está Cristo, ou melhor, por que Cristo? Outra pergunta: por qual padrão moral julga-se uma vida cristã, senão os padrões bíblicos?

Quem não conhece e não tem assentimento total e completo da Escritura não tem critério algum para julgar e estabelecer padrões morais, a não ser pelos critérios do mundo, que não são de forma alguma os critérios de Deus. O cristianismo é uma religião baseada somente na revelação, por este motivo é exigido do cristão o conhecimento e aceitação absoluta do evangelho de Jesus Cristo, ou seja: toda a bíblia. Sem este conhecimento não existe cristianismo.

Oséias 6,6: “Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos”.

Capítulo XXII, Seção III – Da honestidade no juramento

Quem vai prestar um juramento deve considerar refletidamente a gravidade de ato tão solene e não afirmar nada de cuja verdade não esteja plenamente convicto,
obrigando-se tão somente por aquilo que tem como justo e bom e por aquilo que pode e está resolvido a cumprir. É pecado, todavia, recusar prestar juramento referente a qualquer coisa justa e boa sendo ele exigido pela autoridade legal (1).

1 – Jeremias 4,2: “Se jurares pela vida do SENHOR, em verdade, em juízo e em justiça, então, nele serão benditas as nações e nele se glorificarão”.

Capítulo XII, Seção IV – A consciência cristã

O juramento deve ser prestado conforme o sentido claro e óbvio das palavras sem equívoco ou prevenção (1). Não pode obrigar a pecar, mas sendo prestado com referência a qualquer coisa não pecaminosa, obriga ao cumprimento mesmo com prejuízo de quem jura (2). Não deve ser violado ainda que feito a hereges ou infiéis (3).

1 - Salmo 24,4-5: “O que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente. Este obterá do SENHOR a bênção e a justiça do Deus da sua salvação”.

2 – Salmo 15,4: “O que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo, mas honra aos que temem ao SENHOR; o que jura com dano próprio e não se retrata”.

3 – Ezequiel 17,18: “Pois desprezou o juramento, violando a aliança feita com aperto de mão, e praticou todas estas coisas; por isso, não escapará”.

Capítulo XXII, Seção V – Promessas e votos

O voto é da mesma natureza que o juramento promissório; deve ser feito com o mesmo cuidado religioso e cumprido com igual fidelidade (1).

Eclesiastes 5,4: “Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes”.

Resumo

O juramento, ou o voto, deve ser honesto e acima dos interesses pessoais.

Todo juramento deve ser claramente expresso, de forma objetiva e direta por ambas as partes envolvidas.

Nenhum juramento ou voto feito sob coação terá validade ou efeito legal, mas um cristão não deve prestar falso juramento em nenhuma condição.

Da fidelidade dos juramentos

Um juramento honesto, para que não seja leviano, exige alguns pré-requisitos inalienáveis:

- Sinceridade: A primeira coisa válida ao fazer um juramento é a sinceridade, nenhum voto ou juramento terá validade se não tiver origem em um caráter direto e honesto e em uma consciência voltada para Deus.

- Conhecimento: Como alguém pode jurar ou dar voto ao que não conhece? Como pode assumir lealdade com o desconhecido? Esta é uma atitude totalmente irracional, bastante comum na igreja atual, todavia, é necessário trazer de volta à igreja cristã o compromisso com o conhecimento, sem o qual ninguém poderá louvar o Deus cristão.

- Propósito - A firme intenção do cumprimento: Um juramento feito levianamente, sem conhecimento e sem a firme intenção de cumpri-lo a qualquer custo, irá fatalmente resultar em nada, o juramento tem que estar acima da necessidade e do interesse pessoal antes e a despeito dos inconvenientes resultantes.

- Fidelidade: Ser fiel, esta é uma incapacidade humana notável entre tantas outras. O homem, por si mesmo é incapaz de ser fiel, a fidelidade é uma consequência da salvação e da comunhão do Espírito, não é própria do homem e não vem a ser causa de nada referente à própria salvação. Mas, é preciso ter a sinceridade e o propósito de ser fiel, orando sempre, para que Deus use de sua misericórdia, mantendo pelo Espírito a fidelidade de seus filhos.

Jonas 2,9: “Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Ao SENHOR pertence a salvação!”

O juramento deve ser expresso de maneira clara, direta e objetiva, em linguagem corrente e, sempre que possível, na presença de testemunhas idôneas. Com relação ao cristão, os votos e juramentos não podem contradizer a Palavra do Senhor, sendo em caso de dúvida, consultada a Escritura, que é a baliza e a última palavra para o crente, acima de toda e qualquer lei, seja ela civil ou religiosa. Nenhum juramento ou voto cristão deve contradizer, ou ir além ou aquém da Escritura.

Marcos 12,24: “Respondeu-lhes Jesus: Não provém o vosso erro de não conhecerdes as Escrituras, nem o poder de Deus?”

Os juramentos na Nova Aliança

Sob a nova dispensação do cristianismo, o crente deve evitar o juramento em qualquer situação além dos exigidos pela igreja, pois Jesus diz que a palavra do homem deve ser firme e não suscitar dúvidas, o homem deve se afirmar pelo seu caráter e reputação e não usar o nome de Deus em vão, não existe mais a necessidade da interposição de juramentos nos negócios e na vida comum. O crente deve apresentar convicção em suas afirmações, recusando provas e juramentos pela sua palavra.

Mateus 5,37: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno”.

Capítulo XXII, Seção VI – Votos somente a Deus

O voto não deve ser feito a criatura alguma, mas somente a Deus (1); para que seja aceito, deve ser feito voluntariamente com fé e responsabilidade, em reconhecimento de misericórdia recebida ou para obter o que desejamos. Desta forma obrigamo-nos de forma estrita aos deveres necessários, ou a outras coisas, até onde ou quando elas conduzem a esses deveres (2).

1 - Salmo 76,11: “Fazei votos e pagai-os ao SENHOR, vosso Deus; tragam presentes todos os que o rodeiam, àquele que deve ser temido”.

2 - Salmo 50,14: “Oferece a Deus sacrifício de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo”.

Resumo

Na nova dispensação, os votos e juramentos devem ser restritos às exigências religiosas ou de autoridades civis.

Os votos ou promessas a Deus

O homem não deve prometer nada a Deus visto que não é capaz de cumprir seus votos por si mesmo, mas somente pela graça deste mesmo Deus, por este motivo, ao invés de fazer promessas que somente irão ser cumpridas pela vontade soberana daquele a quem foram dedicadas, o crente deve arregaçar as mangas executando o que pretende com firmeza e dedicação, orando sempre e agradecendo pelos objetivos realizados.

Tiago 5,12: “Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes, seja o vosso sim sim, e o vosso não não, para não cairdes em juízo”.

Capítulo XXII, Seção VII – A Escritura como norma do cristão

Ninguém deve prometer fazer coisa alguma que seja proibida na palavra de Deus ou que embarace o cumprimento de qualquer dever nela ordenado, nem o que não está em seu poder cumprir e para cuja execução não tenha promessa ou poder de Deus (1); por isso os votos monásticos que os papistas fazem do celibato perpétuo, pobreza voluntária e obediência regular, em vez de serem graus de maior perfeição, não passam de laços supersticiosos e iníquos com os quais nenhum cristão deve se embaraçar (2).

1 – Marcos 6,25-26: “No mesmo instante, voltando apressadamente para junto do rei, disse: Quero que, sem demora, me dês num prato a cabeça de João Batista. Entristeceu-se profundamente o rei; mas, por causa do juramento e dos que estavam com ele à mesa, não lha quis negar”.

2 – 1 Coríntios 7,2-3: “Mas, por causa da impureza, cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido. O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido”.

Resumo

Nenhum crente ou instituição religiosa tem o direito de estabelecer votos em desacordo com a Escritura, ou ainda contra a natureza do homem.

Votos em desacordo com a Palavra

Votos são juramentos feitos a Deus, como já foi visto os juramentos somente serão cumpridos pela graça de Deus, desta forma, Deus jamais concederá sua graça para algo contra sua vontade, que está expressa em sua Palavra. Os votos que vão além da Palavra com a finalidade de conseguir para o homem santidade e perfeição nesta vida não são mais que vaidade e pretensão, constituindo-se em abominação e orgulho contra Deus.

Mateus 19,10-11: “Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar. Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado”.

Comentarios (2)Add Comment
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confissão de fé de westminster
escrito por ailton da silva faria, outubro 30, 2013
excelente estudo sobre vótos e juramentos á Deus todo poderoso,,usando somente a fé sem simular interesse próprio ,e que Deus na sua misericórdia nos ensina á como devemos nos procedermos de acordo com a sua palavra e seus ensinamentos, assim nos aprouve Deus na sua sabedoria que a paz do senhor jesus esteja com todos nós.
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confissão de fé de westminster
escrito por ailton da silva faria, outubro 30, 2013
Adorei os estudos sobre como usar os votos e as promessas perante o nosso Deus todo poderoso sem usar uma troca dos nossos próprios interesse até porque Deus não é Deus de breganha por isso devemos aprender mais com sua palavra para agirmos como nos orienta o espírito santo de Deus e que com este ensinamento possamos viver uma grande experiencia este excelente aprendizado e que Deus esteja com todos nós

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