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31 – Capítulo XXVI - A COMUNHÃO DOS SANTOS

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

31 – Capítulo XXVI - A COMUNHÃO DOS SANTOS (*)

(*) Santos = separados por Deus

Capítulo XXVI, Seção I – O corpo de Cristo

Todos os santos que pelo seu Espírito e pela fé estão unidos a Jesus Cristo, seu Cabeça, têm com Ele comunhão nas suas graças, nos seus sofrimentos, na sua morte, na sua ressurreição e na sua glória (1), e, estando unidos uns aos outros no amor, participam dos mesmos dons e graças (2) e estão obrigados ao cumprimento dos deveres públicos e particulares que contribuem para o seu mútuo proveito, tanto no homem interior como no exterior (3).

1 – 1 João 1,3: “O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo”.

2 – 1 João 1,7: “Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”.

3 – 1 Tessalonicenses 5,14: “Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos”.

Capítulo XXVI, Seção II – A comunhão dos crentes

Os santos são obrigados, pela profissão de fé, a manter a comunhão e um relacionamento sagrado no culto a Deus e na prática de outros serviços espirituais que tendam à sua mútua edificação (1), bem como em socorrer uns aos outros em coisas materiais de acordo com seus diversos dons e necessidades. Esta comunhão, conforme Deus oferecer ocasião, deve se estender a todos aqueles que em qualquer lugar, invocam o nome do Senhor Jesus (2).

1 – Hebreus 10,24-25: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima”.

2 – 1 João 2,17-18: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade”

Resumo

Somente os regenerados têm comunhão entre si através de Cristo.

A igreja é ordenada para ser uma congregação solidária e de auxílio mútuo.

Comunhão universal

O termo ‘santo’ utilizado neste capítulo refere-se aos eleitos, é um termo utilizado pelo apóstolo Paulo como saudação aos membros das igrejas primitivas e não significa que a Escritura ou a Confissão ensine a santidade perfeita como sendo possível aos homens. A igreja é uma sociedade santa, não no sentido da perfeição moral, pois nenhum homem conseguirá esta perfeição, o termo ‘santo’ usado aqui tanto para a igreja como para os crentes significa a separação.

Deus escolheu para si um povo eleito na eternidade, e, em o nome de Cristo congregou este povo na igreja, que está desta forma santificada, ou seja, separada do mundo. A comunhão dos santos se refere somente aos eleitos de Deus, que são chamados por Deus à comunhão através de Jesus Cristo, o Cabeça da igreja.

O joio e o trigo estão misturados na igreja visível ou igreja local, somente Deus conhece seus filhos e os chama à verdadeira comunhão, primeiramente consigo e depois entre os verdadeiros eleitos. Somente os eleitos podem ter uma verdadeira comunhão entre si, pois o amor de Deus não consiste em sentimentos, mas em atos práticos que somente são transmitidos aos eleitos regenerados.

1 João 4,19: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro”.

União com Cristo e união entre os crentes

A união com Cristo precede a união entre os crentes. Não é possível ao homem pela sua natureza caída, ter a capacidade e o desejo de se unir a Cristo, esta união somente é possível pela misericórdia de Deus, que efetiva a união a Cristo pela sua graça, esta união do crente com Cristo chama-se ‘união mística’. Talvez não seja um nome perfeitamente adequado, mas é o nome adotado teologicamente.

Calvino: Mas, deve-se sustentar principalmente aquilo que expus há pouco: que
a natureza comum que temos com ele é o penhor de nossa união com o Filho de Deus, e que, vestido de nossa carne, destruiu ele a morte com o pecado, para que a vitória e o triunfo fossem nossos; ofereceu ele em sacrifício a carne que recebeu de nós, para que, feita a expiação, apagasse nossa culpa e aplacasse justa ira do Pai”.

2 Timóteo 1,9: “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”.

As chaves do Céu

Este é mais um dos versículos abusados da bíblia que os eclesiásticos interpretam de maneira errônea e humanista. Veja com cuidado o verso abaixo.

Mateus 18,18: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus”.

Observe que o sentido da frase sugere claramente que a ação celestial precede a ação terrena. Apesar do verbo estar no tempo presente na língua grega, esta ação chamada de “presente histórico” representa o tempo descrito, como se o leitor estivesse vendo o fato acontecer, sendo mais bem traduzido em português (ou inglês) no tempo passado, como na fidelíssima KJV - AV (veja abaixo).

E isto está de acordo com a bíblia e com a Confissão, pois os membros da igreja invisível somente serão ligados na terra depois de ligados no céu, pois a eleição antecede a salvação, que precede por sua vez a fé e o arrependimento que são dons de Deus decorrentes da justificação.

- tudo o que ligardes na terra (tempo presente) > terá sido ligado nos céus (tempo antecedente), e,

- tudo o que desligardes na terra (tempo presente) > terá sido desligado (tempo antecedente) nos céus.

Veja este trecho na King James Version (AV) que é considerada a tradução mais próxima dos manuscritos originais:

And whatsoever ye shall loose on earth shall be loosed in heaven”.

Aqui, o verbo referente à ação na terra está traduzido no tempo presente e o verbo referente à ação no céu corretamente no tempo passado.

Filipenses 2,13: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

Capítulo XXVI, Seção III – A comunhão não leva à divindade e muito menos ao socialismo

Esta comunhão que os santos têm com Cristo não os torna, de modo algum, participantes da substância da sua Divindade, nem iguais a Cristo em qualquer respeito; afirmar uma ou outra coisa é ímpio e blasfemo (1). Nem pode esta comunhão de uns com os outros destruir nem de algum modo infringir o título ou domínio que cada homem tem sobre os seus bens e possessões (2).

1 – 1 Timóteo 6,15-16: “A qual, em suas épocas determinadas, há de ser revelada pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!”

2 – Lucas 19,8-9: “Entrementes, Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais. Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”.

O que se pode ver neste exemplo de Zaqueu é uma retribuição voluntária de bens adquiridos de forma indevida. Não se pode retirar deste exemplo nada próximo ou parecido às idéias marxistas que levam ao comunismo, ou ainda, inferir disto obrigação de divisão de riquezas adquiridas de forma justa e honesta. O direito de propriedade é uma atribuição bíblica que não pode ser restringido por absolutamente nada a não ser a voluntariedade do proprietário.

Resumo

A comunhão com Cristo não faz o homem santo ou participante da divindade de Deus.

A comunhão com os irmãos não retira ou inibe o direito de propriedade do homem.

Nova criatura, mas humana

O homem, ao receber o novo nascimento torna-se nova criatura. Em Adão todos morrem, em Jesus os eleitos ganham nova vida, as coisas velhas se passam e o homem anda em novidade de vida. Todavia, esta comunhão com Cristo procede da justiça de Cristo e não da justiça da criatura, da escolha de Deus e não da escolha do homem; o homem continua pecador, continua a carregar o ônus do pecado original e dos pecados factuais que são inevitáveis - jamais será perfeitamente santo.

Desta forma, a comunhão com Deus, por mais intensa e forte que seja não leva o homem, de forma alguma, a igualar-se em santidade a Jesus Cristo, a humanidade do homem prevalece sempre em sua vida e a santidade perfeita não será alcançada por absolutamente ninguém, nem nesta vida nem na vida do provir:

O homem jamais será participante da natureza de Deus.

Isaías 55,9: “Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos”.

Na vida futura todos os salvos serão exatamente iguais em seus méritos e galardões, pois todos somente serão salvos através da justiça perfeita de Cristo, a mesma medida para todos os eleitos, por isso a necessidade da comunhão entre os crentes: todos são exatamente iguais em Cristo.

Todo aquele que acredita ter galardão superior a um de seus irmãos, por menor que seja, não acredita na unicidade e suficiência do trabalho de Cristo, e acredita que sua justiça própria o elevará acima de seus irmãos.

2 Pedro 2,21-22: “Pois melhor lhes fora nunca tivessem conhecido o caminho da justiça do que, após conhecê-lo, volverem para trás, apartando-se do santo mandamento que lhes fora dado. Com eles aconteceu o que diz certo adágio verdadeiro: O cão voltou ao seu próprio vômito; e: A porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal”.

O direito de propriedade

Toda a Escritura é dirigida no sentido do reconhecimento da propriedade privada, a bíblia não reconhece o direito do rei, representando o Estado, nem tampouco da
igreja sobrepor-se ao direito de propriedade particular. A Escritura reconhece o direito do rei (Estado) estabelecer tributos que sejam justos, neste caso o pagamento dos tributos devidos é obrigatório ao povo de Deus. Quanto à igreja e aos irmãos, o Velho Testamento estabelece o dízimo, que na partilha das tribos passou a ser devido à tribo de Levi que não tinha herança com as outras tribos.

As ofertas voluntárias eram solicitadas em tempos difíceis ou na guerra e a ajuda entre os irmãos era voluntária e sem porcentagem fixa estipulada.

Na Nova Aliança todas estas contribuições religiosas e entre os irmãos devem ser fruto de um coração generoso, pois Deus somente se agrada de quem dá com alegria.

Dízimo: o dízimo não significa em nenhum lugar da Escritura dez por cento dos rendimentos do crente, também não é obrigatório e deve ser dado por voluntariedade conforme o coração de cada um, mais ou menos conforme a necessidade e o sentimento de cada um. A contribuição estipulada previamente e controlada pela administração da igreja é algo ilusório, tanto para a igreja que arrecada de forma coercitiva, como para o que contribui como obrigação, nenhuma destas coisas agrada a Deus, mas somente aos hipócritas que amam estabelecer compromissos materiais em torno da igreja de Cristo.

Lucas 16,13: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”.

Esta cláusula sobre a propriedade privada era endereçada particularmente aos anabatistas, que não concordavam com a teologia reformada e estabeleceram algumas comunidades onde a propriedade era comum e a poligamia permitida, eles foram duramente combatidos e derrotados na primeira metade do século XVI.

Após várias derrotas os anabatistas adotaram uma metodologia mais amena e sobreviveram sendo conhecidos como Mennonitas em atenção ao seu líder Menno Simons.

Nem o Estado ou a igreja tem o direito de interferir, confiscar ou deixar de reconhecer a propriedade privada, a não ser nos casos previstos na lei civil de um País democrático, não totalitário, estabelecido conforme a vontade legítima do povo.

Provérbios 23,10: “Não removas os marcos antigos, nem entres nos campos dos órfãos”.

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