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32 - Capítulo XXVII Os Sacramentos

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Confissão de fé de westminster

Por: Helio Clemente

32- Capítulo xxvii – os sacramentos

Capítulo XXVII, Seção I – Os sacramentos

Os sacramentos são santos sinais e selos do pacto da graça instituídos diretamente por Deus (1) para representar Cristo e os seus benefícios e confirmar o nosso
interesse nele (2), bem como para colocar uma diferença visível entre os que pertencem à Igreja e o resto do mundo (3), e solenemente engajá-los ao serviço de Deus em Cristo de acordo com sua Palavra (4).

1 – Mateus 28,19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

2 – 1 Coríntios 10,16: “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?”.

3 – Gênesis 34,14: “Não podemos fazer isso, dar nossa irmã a um homem incircunciso; porque isso nos seria ignomínia”.

4 – Romanos 15,8: “Digo, pois, que Cristo foi constituído ministro da circuncisão, em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais”.

Resumo

Os sacramentos são sinais visíveis do pacto da graça que confirmam o compromisso dos crentes com Cristo.

Pelos votos e juramentos nos sacramentos, os crentes comprometem-se com as regras de fé da denominação que assumem.

Berkoff: “Um sacramento é uma santa ordenança instituída por Cristo, na qual, mediante sinais perceptíveis, a graça de Deus em Cristo e os benefícios da aliança da graça são representados, selados e aplicados aos crentes, e estes, por sua vez, expressam sua fé e sua fidelidade a Deus”.

Os sacramentos

O termo sacramento, assim como Trindade, não ocorre diretamente na bíblia, o seu uso clássico era voltado a obrigações e juramentos relativos a compromissos de negócios ou militares, que eram comuns na Antiguidade.

Em seu uso religioso ele provém do grego clássico - ‘mysterion’; o que era desconhecido e agora se tornou conhecido - ou seja, rituais e ordenanças que eram desconhecidos e agora foram revelados, neste caso, revelados pela Escritura: o batismo e a Ceia do Senhor. Desta forma, os sacramentos constituem-se em duas partes, o sinal externo visível e a graça interior implícita nos sacramentos.

Estes sacramentos são considerados como instituídos, porque os sinais do pacto no Velho Testamento, que foram instaurados diretamente por Deus - respectivamente a circuncisão e a páscoa - foram substituídos pelo batismo e pela Ceia, instituídos por Cristo na Nova Aliança.

Colossences 1,26: “O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória”.

Os sinais externos dos sacramentos: a aplicação dos sacramentos é constituída por sinais externos e perceptíveis pelos sentidos, os mais diretos são os elementos matérias: o pão e o vinho na Ceia e a água no batismo.

Todavia, estes sinais externos contêm apenas o ritual e a liturgia na realização dos sacramentos, pois este ritual não significa de forma alguma que a pessoa recebeu a comunhão do Espírito na aplicação do sacramento.

Os sacramentos somente serão sinais interiores da graça nas pessoas eleitas e justificadas por Deus em Cristo, pois a graça é aplicada pelo Espírito independente de qualquer sacramento, somente a justiça de Cristo salva o pecador, nenhum ato ou ritual praticado por homens ou pela igreja poderá salvar aquele que não foi ordenado eternamente por Deus.

Atos 13,48: “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna”.

O significado do sacramento: o sacramento, em sua forma completa, tem o seu sentido na relação dos sinais externos com a significação espiritual do sacramento, que é a essência real da aplicação dos mesmos aos eleitos e somente a esses. Os sacramentos não são necessários de forma absoluta para a salvação, mas são obrigatórios a todos os crentes maduros que fazem parte de uma congregação religiosa.

Capítulo XXVII, Seção II – O sinal e o significado dos sacramentos

Em cada sacramento existe uma relação espiritual ou união sacramental entre o sinal e a coisa da qual eles transmitem o significado, por isso os nomes e efeitos de um podem ser atribuídos a outro (1).

1 – Gênesis 17,11: “Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós”.

Resumo

Os sacramentos são sinais externos visíveis de afirmação do pacto de Deus com o homem.

O pacto e o batismo

Deus fez o primeiro pacto com Adão mediante a obediência, Adão caiu, logo após a queda Deus promete a Eva o redentor em sua descendência. Em Noé, Deus renova o pacto prometendo não mais destruir a humanidade, e, em Abraão Deus institui o sinal do pacto que era a circuncisão.

Este pacto é o mesmo pacto da graça da Nova Aliança, a circuncisão era um sinal físico de que o homem pertencia ao povo judaico, mas a salvação era condicionada à fé e à submissão, a salvação nunca procedeu das obras e da capacidade do homem, mas sempre da fé, que é um dom de Deus, impossível ao homem por si mesmo.

Da mesma forma que a circuncisão, o batismo é um sinal visível de que o crente é membro de uma denominação cristã – o batismo não traz a salvação a quem quer que seja, é apenas um sinal externo da membresia denominacional. Somente o Espírito, traz a comunhão aos eleitos de Deus justificados em Cristo.

Romanos 2,28-29: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus”.

Capítulo XVII, Seção III – A graça e o Espírito

A graça significada nos sacramentos ou por meio deles quando propriamente administrados, não é conferida por qualquer poder inerente a eles; nem a eficácia deles depende da piedade ou propósito de quem os administra, mas da obra
do Espírito (1) e da palavra instituída, que contém juntamente com o preceito que autoriza o seu uso, uma promessa de benefício aos que dignamente o recebem (2).

1 – 1 Coríntios 3,7: “De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento”.

2 – João 6,63: “O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida”.

Resumo

O batismo em si mesmo não possui nenhum poder salvífico, somente o Espírito tem o poder de aplicar a graça regeneradora.

A graça e os sacramentos

A graça significada nos sacramentos ou por meio deles, quando devidamente usados, não é conferida por qualquer poder neles existentes; nem tampouco a eficácia deles depende da piedade ou intenção de quem os administra, mas da Palavra instituída no Velho Testamento que determina os símbolos do pacto - a circuncisão e a páscoa - pela autoridade de Deus, juntamente com o preceito estabelecido por Cristo, que os transforma e autoriza o uso deles na Nova Aliança como o batismo e a Ceia.

Considerados desta forma, os sacramentos corretamente administrados, contêm uma promessa de benefício aos que dignamente o recebem. Nem a suposta fé racional, que provém do homem, ou o poder imanente ao sacramento ou o ministro religioso tem o poder de salvação, o poder dos sacramentos está na eleição eterna, somente os eleitos receberão a graça espiritual dos sacramentos.

2 Timóteo 2,19: “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor”.

Por outro lado, a graça, sendo um dom de Deus aplicado aos eleitos, não exige que o batismo seja consentido pelo batizado devendo ser aplicado aos infantes e incapazes filhos de crentes.

Os sacramentos se constituem em meios de graça, tanto quanto a oração, porém inferiores à Palavra, pois a eficácia dos meios de graça depende fundamentalmente do conhecimento de Deus, que provém do ouvir e estudar a Palavra.

Capítulo XXVII, Seção IV – Sacramentos conforme a Reforma

Há só dois sacramentos ordenados por Cristo, nosso Senhor, no Evangelho - O Batismo e a Ceia do Senhor (1); nenhum destes sacramentos deve ser administrado senão pelos ministros da palavra legalmente ordenados (2).

1 - Lucas 22,19-20: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós”.

Hebreus 5,4: “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão”.

Resumo

Só existem dois sacramentos na Nova Aliança, o batismo e a Ceia do Senhor.

Os sacramentos somente podem ser aplicados por ministros ordenados.

Sacramentos conforme a reforma

Todas as igrejas reformadas reconhecem e praticam somente dois sacramentos que foram ordenados por Jesus: o batismo e a Ceia do Senhor. Estes sacramentos somente devem ser aplicados por um ministro devidamente ordenado pela denominação conforme suas leis e constituição.

A igreja de Roma tem mais cinco sacramentos instituídos pela tradição da igreja sem nenhuma base Escriturística, são eles: matrimônio, confirmação batismal (crisma), penitência, ordenação e extrema-unção. Além destes acréscimos não autorizados biblicamente, a igreja de Roma usa ainda de símbolos materiais nestes rituais, tais como: água benta, padrinhos, velas, sal consagrado, saliva, óleo bento e outras abominações idolátricas.

Existe ainda, na igreja de Roma, o ‘batismo dos mortos’ aplicado pelo sacerdote sobre o túmulo dos infantes que não receberam o batismo em vida e a transubstanciação na eucaristia onde os elementos utilizados se transformam, pretensamente, na carne e no sangue de Jesus.

Capítulo XXVI, Seção V – Antecedentes dos sacramentos

Os sacramentos do Velho Testamento, quanto às coisas espirituais por eles significados e representados, eram em substância os mesmos que do Novo Testamento (1).

1 – 1 Coríntios 10,1-4: “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo”.

Resumo

A circuncisão e a páscoa têm os mesmos significados espirituais que os sacramentos da Nova Dispensação.

A circuncisão e o batismo: Quando Deus confirmou o pacto com Abraão, ele estabeleceu um sinal para esta confirmação, a circuncisão, que era privativa do povo hebreu. Da mesma forma, Jesus estabeleceu um sinal para os crentes: o batismo.

A páscoa e a Ceia: Assim também a páscoa judaica foi substituída pela Ceia do Senhor, estabelecida pessoalmente por Jesus na sua última ceia com os apóstolos.

Salvação somente pela graça: Estes sinais são visíveis a todos os homens, mas não significam nem trazem em si ou por si mesmos a salvação, a salvação é reservada somente aos eleitos de Deus em Cristo, isto é válido tanto no Velho como no Novo testamento.

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