Vivendo Pela Palavra

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Introdução

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Por: Helio Clemente

2 –    INTRODUÇÃO

A Escritura foi dada por inspiração divina, todo o conselho e decretos de Deus para o homem estão contidos na Palavra revelada. Ela é o único padrão de doutrina com autoridade, visto ser a Palavra de Deus. Apesar disso, a compreensão e interpretação da Escritura pertence ao homem através do estudo diligente e da revelação pelo Espírito Santo.

 

 

Este auxílio é, também, manifesto pelas confissões, catecismos e credos doutrinais preparados pela Igreja ao longo dos séculos, estes credos e confissões são destinados a preservar e proteger a doutrina das heresias que surgem em todos os tempos. As heresias se caracterizam por perverter alguns dos aspectos da verdade revelada, seja por acréscimo ou negação da revelação bíblica. O grande perigo das heresias é que elas normalmente parecem revestidas de grande piedade e apresentam os assuntos de formas agradáveis ao ego humano.

A elaboração dos credos e confissões é uma questão de preservação da Igreja de Cristo, visando que, aqueles que ensinam não preguem doutrinas contraditórias gerando confusão e descrédito entre os crentes. É preciso ter sempre em vista que nenhum escrito humano, após a definição do cânon bíblico é superior à Palavra, sendo esta a regra de fé e de vida do crente, todos os credos e confissões somente são válidos quando em acordo com a palavra.

Regra de fé: Toda Igreja tem sua constituição, onde constam os credos e confissões adotados. Todo membro da Igreja e principalmente seus oficiais devem fazer obrigatoriamente uma profissão de fé, assumindo compromisso e lealdade com a constituição, os credos e as confissões adotadas pela Igreja.

O Sínodo da Igreja Presbiteriana Americana adotou a confissão de Fé e os catecismos de Westminster como padrões de doutrina na igreja em 1.729. Em 1.788, o Sínodo ratificou a adoção com pequenas alterações que tinham em vista a compatibilidade dos mesmos.

Igreja Presbiteriana do Brasil:

A Constituição da IPB foi promulgada em 20/07/1950, em 1988 o Supremo Concílio da IPB modificou a Constituição da Igreja adotando como única regra de fé e prática, além da Escritura, a Confissão e os Catecismos de Westminster.

Estas decisões da IPB têm obrigatoriedade e força normativa, a lealdade a estas regras de fé é exigida para os membros e para os oficiais ordenados conforme os artigos 1º e 44. O artigo 28 prescreve expressamente que os presbíteros e diáconos assumem compromisso na reafirmação de sua crença na Sagrada Escritura como a Palavra de Deus, na lealdade à Confissão de Fé, aos Catecismos de Westminster e à Constituição da Igreja.

OS CREDOS

1 –    O Credo Apostólico: Este credo não foi escrito pelos apóstolos, mas definido pelas igrejas cristãs ao final do segundo século. Este credo foi apenso ao Breve Catecismo de Westminster como um sumário da Fé Cristã.

Credo Apostólico: “Creio em Deus o Pai, Todo-poderoso, criador do Céu e da Terra; e em Jesus Cristo, seu unigênito filho, nosso Senhor; o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, sofreu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Inferno; ressuscitou dos mortos ao terceiro dia; subiu ao céu e sentou-se à destra de Deus o Pai, Todo-poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica (universal); na comunhão dos santos; no perdão dos pecados; na ressurreição do corpo; e na vida eterna. Amém”.

Desceu ao Hades: A expressão “desceu ao Hades” ou “desceu ao inferno” que consta no Credo Apostólico não existia inicialmente, ela foi acrescentada como substitutiva de “morto e sepultado”. No Credo Atanasiano esta expressão aparece como “desceu às regiões inferiores”, também como substituição à palavra “sepultado”. Até o século VI estas expressões apareciam alternadamente nas versões dos credos. Somente após o século VII estas expressões começaram a aparecer conjuntamente: “morto e sepultado” ao mesmo tempo com “desceu ao inferno”.

A “Descida ao Inferno” na tradição reformada: Segundo Calvino, a descida ao inferno representa os tormentos e dores que Jesus Cristo sofreu na cruz, ao receber a ira divina que suportou em lugar dos seres humanos, especialmente a dor espiritual resultante do abandono de Deus na hora de sua morte. Na cruz do calvário Cristo tomou sobre si as punições que eram devidas a todo povo de Deus em todas as épocas do mundo.

2 – O Credo Niceno: Este credo foi formulado com base no Credo dos Apóstolos com as seguintes características:

-As cláusulas relativas à divindade consubstancial de Cristo foram discutidas no Concílio de Nicéia, na Bitínia, em 325 A.D.

- As cláusulas relativas à divindade e à pessoa do Espírito Santo foram acrescidas no Segundo Concílio de Constantinopla, em 581 A.D.

-A cláusula ‘Filioque’ acrescida pelo concílio da Igreja Ocidental, em Toledo, Espanha, em 569 A.D.

Em sua presente forma ele é o credo de toda a Igreja Cristã Ocidental, rejeitando a Igreja Grega a última fórmula acrescida (Filioque).

Credo Niceno: “Creio em um só Deus, o Pai, Todo-poderoso, criador dos Céus e da Terra e de todas as coisas, visíveis e invisíveis, e em um só Senhor Jesus Cristo, o unigênito filho de Deus, gerado de seu Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz de Luz, o próprio Deus do próprio Deus, gerado, não feito, sendo de uma só substância com o Pai; por meio de quem todas as coisas foram criadas; que por nós homens, e para nossa salvação, desceu do Céu e encarnou-se pelo poder do Espírito Santo na Virgem Maria, e fez-se homem, e também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos. Sofreu e foi sepultado; e ao terceiro dia ressurgiu, segundo as Escrituras, e subiu ao Céu e sentou-se à mão direita do Pai. E virá segunda vez com glória para julgar, tanto os vivos quanto os mortos, cujo reino não terá fim.

E creio no Espírito Santo, Senhor e Doador da vida, o qual procede do Pai e do Filho (Filioque), que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; o qual falou pelos profetas. E creio numa só Igreja Católica e Apostólica; reconheço um só batismo para remissão dos pecados; e espero pela ressurreição dos mortos e a vida no mundo por vir”.

CREDO DE CALCEDÔNIA (451 d.C):

"Todos nós, com voz uníssona, ensinamos a fé num só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo o mesmo perfeito na divindade e o mesmo perfeito na humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, com alma racional e com corpo, da mesma substância do Pai quanto à divindade e quanto à humanidade da mesma substância que nós, em tudo semelhante a nós menos no pecado; o mesmo que desde a eternidade é procedente do Pai por geração quanto à divindade e o mesmo que quanto à humanidade nos últimos tempos foi gerado pela Virgem Maria, Mãe de Deus, por nós e nossa salvação; sendo um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que nós reconhecemos como existente em duas naturezas, sem confusão, sem mutação e sem divisão, sendo que a diversidade das naturezas nunca foi eliminada pela união, ao contrário, a propriedade de cada uma das naturezas ficou intata e ambas se encontram em uma só pessoa e uma só hipóstase. O Filho não foi dividido ou separado em duas pessoas, mas é um só e o mesmo a quem chamamos de Filho, Unigênito, Deus, Verbo, Senhor, Jesus Cristo, como desde o início a respeito dele falaram os profetas e o próprio Jesus Cristo nos ensinou e como nos foi transmitido pelo Símbolo dos Padres."

HERESIAS NA IGREJA: Várias heresias surgiram logo depois e a Igreja teve que providenciar documentos para confirmação da verdade, as principais destas heresias foram relativas à natureza de Cristo e à negação da Trindade Divina.

-Arianismo: Deus o Pai criou o Filho, que por sua vez criou o Espírito formando três deuses distintos em poder e natureza.

-Sabelianismo: Deus o Pai, manifesta-se de três formas diferentes conforme a história da humanidade, como o Pai no VT, como o Filho na vinda de Jesus e depois da morte de Cristo como o Espírito Santo.

- Apolinário: Afirmou que Jesus não possuía uma alma racional humana, o Verbo de Deus seria a alma de Jesus.

 

- Adocianismo: Jesus era um homem comum que foi adotado pelo Pai após sua morte.

- Monarquismo: Existe somente Deus o Pai.

 

- Marcionismo: O Deus cristão é somente o Deus do Novo Testamento.

 

- Priscilianismo: Jesus não era real, mas uma aparição.

 

- Docetismo (gnosticismo): Jesus não veio em carne, o corpo de Jesus era falso.

-Nestorianismo: Jesus era constituído por duas pessoas distintas, a divina e a humana. Esta idéia foi condenada no Concílio de Éfeso, em 431 A.D.

Eutiquianismo: A natureza divina absorveu a natureza humana de Cristo constituindo uma só natureza. Esta idéia foi condenada no concílio da Calcedônia, em 451 A.D.

- Orígenes: Defendia a existência prévia das almas.

A natureza de Cristo foi definida pela Igreja como uma só pessoa com duas naturezas: divina e humana, perfeito homem e perfeito Deus. Após esta definição nos concílios de Éfeso e Calcedônia, foi composto o Credo Atanasiano, que leva esse nome em homenagem a este Pai da Igreja, falecido muito antes disso. Este credo é bastante longo, segue transcrição das partes relativas à natureza de Cristo (27 a 37):

Credo Atanasiano (27 a 37): “Mas é necessário à eterna salvação que se creia também fielmente na encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, constitui fé genuína que creiamos e confessemos que Nosso Senhor Jesus Cristo é tanto Deus como Homem. Ele é Deus, gerado desde a eternidade da substância do Pai; é homem nascido no tempo, da substância de sua mãe. Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de uma alma racional e carne humana. Igual ao Pai no que respeita à sua divindade, menor do que o Pai com relação à sua humanidade. O qual, embora seja Deus e homem, não é dois, mas um só Cristo. Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne, mas por sua divindade haver assumido sua humanidade. Um, não, de modo algum, pela confusão de substância, mas pela unidade de pessoa. Pois assim como uma alma racional e carne constituem um só homem, assim Deus e homem constituem um só Cristo. O qual sofreu por nossa salvação, desceu ao Hades, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia. Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos”.

CREDOS E CONFISSÕES DAS DIFERENTES DENOMINAÇÕES

A IGREJA DE ROMA: Após a instauração da reforma o Papa Paulo III convocou o concílio de Trento (1545 a 1563), os Cânones e Decretos do Concílio de Trento constituem a máxima norma doutrinal da Igreja Romana. Os cânones explicam cada decreto e ao mesmo tempo condenam a doutrina protestante relativa aos tópicos abordados. Neste concílio foram adotados pela Igreja Romana os livros apócrifos que passaram a fazer parte da Bíblia Católica. Depois disso várias bulas e documentos papais foram impostos como padrões de fé desta igreja.

A IGREJA GREGA: No início do século VII a igreja Ocidental e a Igreja Oriental, conhecida como Igreja Grega, foram se distanciando até sua completa divisão no século XI.

A Igreja Grega se autodenominou Igreja Ortodoxa porque os credos existentes na Igreja foram produzidos no oriente. A base doutrinal da igreja Grega são os credos já mencionados. A Igreja Grega abrange a Grécia, os cristãos do Império Turco e a grande maioria dos cristãos russos. Ela possui também confissões modernas: “Confissão de Genadius”, de 1543 A.D. e “A confissão Ortodoxa” de Pedro Mogilas, de 1642 A.D.

A REFORMA

A reforma originou-se da Igreja Ocidental, no início do século XVI e dividiu-se em dois ramos principais, conforme descrito abaixo: A igreja Luterana e as igrejas reformadas ou calvinistas.

A IGREJA LUTERANA: As igrejas luteranas abrangem os protestantes da Alemanha, a maioria das províncias bálticas da Rússia, Dinamarca, Noruega, Suécia e América. Seus credos e confissões são:

Os Catecismos Maior e Menor de Martinho Lutero: Preparados por Lutero em
1529 A.D.

A confissão de Augsburg: O único padrão aceito por todas as luteranas, foi elaborada por Lutero e Melanchton e apresentada à Dieta Imperial em Augsburg, cidade alemã situada na Baviera, no ano de 1530 A.D. Essa é a mais antiga confissão protestante.

A apologia da Confissão de Augsburg : Foi elaborada por Melanchton e subscrita pelos teólogos luteranos em 1537 A.D. em Esmeralcade.

Os Artigos de Esmeralcade (ou Esmalcade - Schmalkaldischer Bund): Elaborada por Lutero e subscrita pelos teólogos luteranos em Esmeralcade, na Alemanha, no ano de 1537.

A Fórmula da Concórdia: Preparada por Andreas Althamer e outros teólogos, em vista de controvérsia surgidas quanto à graça divina e a vontade humana na regeneração e à presença de Jesus na eucaristia. Apesar desta confissão ser mais desenvolvida que a de Augsburg ela não é aceita universalmente pela igrejas luteranas.

AS IGREJAS REFORMADAS OU CALVINISTAS

A igreja reformada, ou calvinista, foi constituída inicialmente na Alemanha pelas igrejas que adotaram o Catecismo de Heidelberg, mais as igrejas protestantes da Suíssa, França, Holanda, Inglaterra e Escócia, os Batistas Independentes da Inglaterra e América e vários ramos da Igreja Presbiteriana da Inglaterra e América. Os artigos e confissões da Igreja Reformada são os seguintes:

AS TRÊS FORMAS DE UNIDADE

-O Catecismo de Heidelberg: Preparado por Zacharias Ursino e Casper Oleviano em 1562. Seu propósito foi o de assegurar harmonia no Palatinato (o estado germânico) e assegurar o fundamento para instrução religiosa nas próximas gerações.

- A confissão Belga: Preparada em 1561, surgiu da perseguição trazida sobre os Reformados na Baixa Escócia por Philip II. Esta perseguição produziu um número de mártires que “excedeu o de qualquer outra Igreja Protestante durante o século dezesseis, e talvez até o de toda a Igreja primitiva sob o Império Romano”. Foi preparada por Guido de Brés com a ajuda de Adrien de Savaria, H. Modetus e G. Wingen. Foi apresentada a Philip II na esperança de ganhar alguma tolerância para a fé Calvinista.

- Os Cânones de Dort: O Sínodo de Dort foi formado por professores, pastores e presbíteros da Igreja da Holanda, deputados das igrejas da Inglaterra, Escócia, Hesse, Bremen, Palatinado e Suécia, no período de 1618 a 1619. Este sínodo foi uma resposta aos Remonstrantes Arminianos confirmando categoricamente a soberania de Deus e a incapacidade do homem na salvação.

Estas três confissões constituem a chamada: “Três Formas de Unidade”.

A segunda Confissão Helvética: preparada por Heirich de Bullinger e publicada em 1566 por Frederico III da Palatina (Alemanha). Foi também adotada pelas igrejas reformadas da Suíça, França e Escócia.

Os Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra: Preparados por Cromwell e Ridley em 1551, revisados por ordem da Rainha Elisabeth em 1552.

Estes artigos são nitidamente calvinistas e são adotados pelas igrejas episcopais. Os Trinta e Nove Artigos deveriam constituir a base da confissão de Fé de Westminster, mas depois de um início complicado, a Assembléia decidiu-se por uma nova confissão.

A CONFISSÃO E OS CATECISMOS DE WESTMINSTER

Estes são os padrões doutrinais de todas as igrejas presbiterianas de origem inglesa e escocesa, adotados também pelas igrejas presbiterianas dos EUA e Brasil.

A Confissão de Westminster, o Catecismo maior (1648) e o Catecismo menor (1647) foram redigidos na Inglaterra, na Abadia de Westminster, por convocação do Parlamento. A assembléia funcionou de 1/7/1643 a 22/2/1649. O objetivo primário era a revisão dos Trinta e nove artigos da igreja da Inglaterra. Trabalharam no texto da confissão 121 teólogos e 30 leigos nomeados pelo Parlamento (20 da Casa dos Comuns e 10 da Casa dos Lordes), 8 representantes escoceses, 4 pastores e 4 presbíteros.

Os principais debates não foram de ordem teológica, pois havia unidade quanto à doutrina da salvação, embora houvesse diversidade quanto à eclesiologia: a ordem na igreja. Nesse ponto, havia quatro partidos: episcopais, independentes (congregacionais), presbiterianos e erastianos (Erastus de Heidelberg) que defendiam que a autoridade final da igreja deveria ser do Estado e que o trabalho do pastor deveria ser somente de ensino – este partido foi absorvido pelos outros, restando apenas três formas de governo na igreja:

- Episcopal: quando sua organização é hierárquica entre os ministros e até mesmo entre as igrejas, sendo a autoridade local ou regional exercida por ministros diferenciados, por sua vez subordinados a um ministro geral que detém toda autoridade da igreja. Como exemplo: as igrejas romana, ortodoxa, luterana e anglicana.

 

- Congregacional: quando sua administração se faz através de assembléias da congregação da igreja local, não se submetendo a nenhuma outra autoridade senão a sua própria congregação. Como exemplo: os batistas e os congregacionais.

 

- Presbiteriano: quando o governo e organização da igreja é efetuado por uma assembléia de oficiais ordenados da igreja. Esta forma de governo foi desenvolvida durante a Reforma Protestante, principalmente na Suíça e na Escócia, sendo hoje adotada nas igrejas presbiterianas em todo mundo. Esta forma de organização e governo consiste em vários concílios, começando pelo concílio dos pastores e presbíteros da igreja local, seguindo-se o Presbitério Regional formado por pastores e presbíteros representantes das igrejas locais, acima deste, os Sínodos com autoridade sobre os Presbitérios Regionais e sobre todos estes o Supremo Concílio como instância máxima de apelação e decisões sobre os assuntos internos e externos da igreja.

 

Os Catecismos de Westminster: O Breve catecismo foi elaborado para instruir as crianças; o Catecismo maior, especialmente para a exposição no púlpito, mas não exclusivamente. Eles substituíram em grande parte os catecismos e as confissões mais antigos adotados pelas igrejas reformadas de fala inglesa. Apesar de a teologia dos catecismos e da Confissão de Westminster ser a mesma, sendo por isso, sempre adotados os três, parece que os mais usados são o Catecismo menor e a Confissão.

Esses credos foram logo aprovados pela Assembléia Geral da Igreja da Escócia. Eles tiveram e têm grande influência no mundo de fala inglesa, máxima entre os presbiterianos, embora também tenham sido adotados por diversas igrejas batistas e congregacionais. No Brasil, esses credos são adotados pela constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, Presbiteriana Independente e Presbiteriana Conservadora.

A Confissão de Savoy: Cromwel convocou uma Convenção Congregacional em Savoy na Inglaterra, em 1658, aprovou parte da CFW e redigiu uma nova confissão. Esta confissão, no entanto, é tão próxima da CFW que os Independentes modernos tem abandonado seu uso e adotado a CFW. Todas as assembléias, que se reuniram na Inglaterra, após a CFW, tem endossado ou adotado a CFW em sua fé.

O uso de catecismos e confissões reformados

Limites: Os credos evangélicos, no que se refere à formulação doutrinária, são relevantes. Depreciá-los é uma negação prática da direção que no passado deu o Espírito Santo à Igreja. Os credos são uma resposta do homem à Palavra de Deus e sumarizam os artigos essenciais da fé cristã, os credos pressupõem a fé, mas não a geram; esta é obra do Espírito Santo através da Palavra.

Os credos e confissões não substituem a Escritura, mas esclarecem e dirigem o conhecimento alicerçado em milhares de anos de desenvolvimento da doutrina.

 

A questão real entre a Igreja e os impugnadores de credos humanos é questão entre a fé provada do corpo coletivo do povo de Deus e o juízo privado e a sabedoria não auxiliada do contestador individual. Os credos não estabelecem o limite da fé, antes a norteiam. As Escrituras sempre serão mais ricas que qualquer pronunciamento eclesiástico, por mais bem elaborado e mais fiel que seja. A firmeza e vivacidade da teologia reformada estão justamente em basear fielmente seu sistema em todo o desígnio de Deus, através da sua Palavra.

A idéia de credos e estudos doutrinários desagrada a muitas pessoas, que os imaginam como desnecessários à vida cristã. Nessa perspectiva, a doutrina tem pouco valor; o que importa é a “vida cristã” com ênfase na moralidade, nas sensações e experiências, encerrando a Palavra de Deus em um evangelho puramente ético e social, transformando Cristo em um mero exemplo de vida.

Importância e o valor dos credos:

1.      Facilitam a confissão pública da fé.

2. Oferecem o resultado sintetizado de um processo cumulativo da história, reunindo as melhores contribuições de servos de Deus na compreensão da verdade.

J. I. Packer: “A tradição nos permite ficar sobre os ombros de muitos gigantes que pensaram sobre a Bíblia antes de nós. Podemos concluir pelo consenso do maior e mais amplo corpo de pensadores cristãos, desde os primeiros pais até o presente, como recurso valioso para compreender a Bíblia com responsabilidade”.

3. São uma exigência natural da própria unidade da Igreja e da constituição e personalidade de cada denominação. Visto que o cristianismo é um modo de vida fundamentado na doutrina, os credos oferecem uma base sintetizada para o ensino das doutrinas bíblicas, facilitando sua compreensão, a fim de que os cristãos sejam habilitados para a obra de Deus.

4.      Preservam a doutrina bíblica das heresias surgidas no decorrer da história, revelando-se de grande utilidade, especialmente nas questões controvertidas, fornecendo uma exposição sistemática e norteadora a respeito do assunto.

5.      Servem de elemento regulador do ensino ministrado na Igreja, bem como de seu governo, disciplina e liturgia.

6.     Servem de desafio para que continuar a caminhada na preservação da doutrina e na aplicação das verdades bíblicas às novas gerações, a tradição é a geração do futuro baseada no compromisso com um passado comprovadamente saudável.

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Última atualização em Qui, 12 de Janeiro de 2012 05:49  

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