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OS OFÍCIOS DE CRISTO

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OS OFÍCIOS DE CRISTO – PROFETA, REI E SACERDOTE

Por: Helio Clemente

Calvino – Institutas, Livro II: “Com efeito é preciso notar que o título Cristo diz respeito a estes três ofícios, pois sabemos que, sob a lei, foram ungidos com o óleo sagrado os profetas, os sacerdotes e os reis, respectivamente. Do que também foi imposto ao Mediador prometido o ilustre nome de “Messias”. Mas, embora eu reconheça haver Cristo sido chamado Messias com especial consideração e em razão do reino, entretanto, como também mostrei em outro lugar, a unção profética e a unção sacerdotal conservam sua importância, e nem devem ser desprezadas”.

Não é correto pensar que Satanás sentiu satisfação na crucificação de Jesus, pelo contrário, ele fez o possível para evitar este fato, veja, por exemplo, a forte reação de Jesus quando Pedro tenta impedir o seu sacrifício.

Mateus 16,23: “Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”.

Ali, na cruz do calvário, Jesus estava operando o seu ministério, conforme as determinações eternas de Deus através de seus Decretos. Através de sua morte vicária, em lugar dos eleitos, Jesus abriu o caminho para a redenção eterna dos filhos de Deus, exercendo ali mesmo, na cruz, os ofícios para os quais foi designado. Esta designação de ofícios é adotada teologicamente, mas não é propriamente exata, na verdade estes três ofícios seriam mais corretamente designados como funções no ofício básico do mediador.

- Profeta: O profeta tem o ministério do ensino; Jesus, durante toda sua vida, estava ensinando. Na cruz do calvário, estava ensinando, mostrando a verdade das profecias através de seu sacrifício. Jesus veio ao mundo como a revelação maior e mais profunda de Deus, e ali na cruz, estava sem dúvida ensinando a respeito de Deus.

O ofício profético inclui o ensino, predição e operação de milagres. Jesus realizou sua obra profética cumprindo todas as funções da obra profética. Ele operava milagres, ao mesmo tempo em que ensinava, fazia predições e revelou o Pai em sua vida, obra, morte e ressurreição.

Mateus 21,11: E as multidões clamavam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia!”.

O ofício profético de Cristo não se resume à sua vida terrena, ele agia como profeta na dispensação do Velho Testamento, no ensino dos profetas, nas revelações do Anjo do Senhor e na iluminação dos crentes desta época. No livro de Provérbios ele aparece várias vezes como a Sabedoria, que era nele (Logos) personificada.

1 Pedro 1,10-11: “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando, atentamente, qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicadas pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo e sobre as glórias que os seguiriam”.

Depois de sua ascensão, Cristo continua sua atividade profética através do Espírito, ensinando, instruindo e revelando aos homens a Palavra de Deus. Pode-se ver esta atribuição profética de Cristo nos versos de Isaías, onde ele seria ungido para pregar as boas novas do evangelho, sendo, nas palavras de Calvino: “Arauto e testemunha da graça do Pai”.

Isaías 61,1: “O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados”.

A teologia liberal valoriza sobremaneira o ofício profético de Cristo, em detrimento dos outros ofícios, este é um erro a ser evitado, pois desta forma transforma-se o cristianismo em normas de moral e ética, e Jesus em um mero exemplo de vida a ser seguido, esquecendo-se dos ofícios sobrenaturais de Cristo, como rei e como sacerdote.

Os judeus esperavam a vinda de um profeta, nesta época, prometido por Deus a Moisés; eles perguntaram a João Batista se ele era este profeta, ele respondeu que não, mas recusaram o título a Jesus, a quem Moisés justamente se refere. A grande maioria dos comentaristas bíblicos concorda com este fato, o verso em questão segue abaixo:

Deuteronômio 18,18-19: “Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. De todo aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas”.

No evangelho de João, quando Filipe encontra Natanael ele se refere a Jesus como o profeta esperado nestes versos acima de Moisés.

João 1,45: “Filipe encontrou a Natanael e disse-lhe: Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: Jesus, o Nazareno, filho de José”.

Cristo é o profeta definitivo, nada mais poderá ser acrescentado ao evangelho, isto se torna bastante claro nas palavras de Calvino abaixo, de forma que, todas as novidades introduzidas nas modernas religiões neopentecostais, na igreja com propósitos e outras invencionices modernas não se constituem nada mais que abominação perante Deus.

Calvino – Institutas, Livro II:

Entretanto, isto permanece estabelecido: com esta perfeição da doutrina, que Cristo trouxe, pôs-se um fim a todas as profecias, de tal sorte que violam sua autoridade quantos, não contentes com o evangelho, o remendam de algo estranho”.

Em seguida: E a isto conduz a dignidade profética em Cristo: que saibamos estarem incluídos na suma de doutrina que ele ensinou todos os elementos da perfeita sabedoria”.

Colossenses 2,3: “(Cristo) em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos”.

O próximo ofício de Cristo a ser tratado, é o de sacerdote: Enquanto o profeta é o representante de Deus junto aos homens, o sacerdote é o representante dos homens perante Deus.

- Sacerdote: A função principal do sacerdócio judaico era o oferecimento de dádivas e sacrifícios pelo pecado do povo.

Hebreus 5,1-2: “Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrifícios pelos pecados, e é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas”.

Jesus Cristo ofereceu a si mesmo em lugar dos eleitos. Como sacerdote e como Deus o seu sacrifício é eterno e único, nada mais é necessário ou permitido em adição a isso. O ofício de sacerdote é essencial para a vida de seu povo, pois Jesus Cristo, após a ressurreição, assentou-se à destra da Majestade, onde intercede continuamente pelos crentes atendendo seus pedidos e orações, dirigidas pelo Espírito. Da mesma forma como o sacerdote era essencial para a vida do povo no Velho Testamento, a segurança do cristão encontra-se inteiramente na morte sacrificial de Jesus.

Hebreus 8,1: “Ora, o essencial das coisas que temos dito é que possuímos tal sumo sacerdote, que se assentou à destra do trono da Majestade nos céus”.

A obra sacerdotal de Cristo encontra sua autoridade na expiação que ele fez através do sacrifício de si mesmo para propiciação da ira de Deus, e tem sua realização na ressurreição e no estar assentado à destra da Majestade, onde intercede eficazmente pelos eleitos de Deus que lhe foram dados antes da fundação do mundo.

Charles Hodge:

“Os efeitos e benefícios alcançados pela obra de Cristo são os que fluem do oficio sacerdotal em nosso favor. Estes benefícios são:

- A expiação de nossa culpa;

- A propiciação de Deus;

- Nossa consequente reconciliação com Ele; de onde fluem todas as bênçãos subjetivas da vida espiritual e eterna.

Estes benefícios não são conseguidos por ensinamentos, nem por influência moral, nem por exemplo, nem por nenhuma mudança interior operado em nós. Por isto, Cristo é verdadeiramente um sacerdote no pleno sentido escriturário do termo”.

Cristo prestou obediência absoluta e sofreu em lugar do pecador para satisfazer uma exigência imanente da natureza divina: A santidade.

O pecado é uma obstrução, na mente de Deus, quanto ao perdão e restauração do homem, pois o atributo fundamental de Deus é a perfeição em todas suas qualidades, que limita e condiciona o amor ao cumprimento da justiça. O amor de Deus somente pode se manifestar juntamente com a satisfação de todos os atributos divinos, o que é impossível ao homem.

Esta é a função sacerdotal de Cristo: Cumprir a justiça em sua vida de perfeita obediência, e, oferecer a si mesmo em sacrifício vicário para promover a propiciação da ira de Deus.

- Rei:

Para se entender a plenitude do reinado de Cristo, é de extrema importância ter em mente que este reinado é espiritual. Todo aquele que busca em Cristo bênçãos e recompensas materiais está negando o reino de Deus. É fato que todos os crentes devem colocar diante de Deus suas petições, com ações de graças, mas daí a inferir a realidade do reino nesta vida material existe uma distância intransponível.

1 Coríntios 15,19: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”.

O reino de Cristo é espiritual e eterno, o que é bastante diverso de procurar no reino prosperidade e bem-estar material.

Calvino:

O OFÍCIO REAL DE CRISTO - UM REINO ESPIRITUAL E ETERNO: “Passo agora a tratar do reino, acerca do qual faríamos considerações vãs, a não ser que os leitores sejam antes advertidos de que sua natureza é espiritual, porquanto daí poderão compreender sua utilidade e o proveito que lhes toque”.

Daniel 2,44: “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre”.

Lucas 1,32-33: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim”.

Jesus, na cruz do calvário, estava, como rei que é, libertando seu povo. Ali, também exerceu o ofício de rei. Ele estava destruindo o poder de Satanás e abrindo os portais eternos para seu povo. Não se pode dizer que o diabo se alegrou com a morte de Jesus e depois foi vencido na ressurreição, Satanás já estava derrotado na cruz do calvário, a batalha já havia sido vencida, por isso Jesus diz: “Está consumado!”. Como resultado, a conversão, a salvação e a glorificação do povo de Deus é certa, garantida e eterna.

Hebreus 1,8: “Mas acerca do Filho: O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; e: Cetro de equidade é o cetro do seu reino”.

O Verbo de Deus é Cristo e é rei eternamente, o seu reino é eterno e o seu domínio para todo o sempre. Este é o “reino de poder”, que é próprio do Verbo de Deus antes da fundação do mundo, mas Jesus também é referido como rei durante sua peregrinação aqui na terra.

João 1,49: “Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!”.

O reinado de Cristo após sua exaltação, não se sobrepõe ao Reino de Poder que lhe é próprio, mas é o “Reino da Graça” outorgado a ele em acréscimo ao Reino de Poder. Esse “Reino da Graça” significa o governo sobre os crentes e a Igreja, governo este, exercido na mente e na vida dos crentes através da Palavra e do Espírito Santo, o Espírito da verdade, sabedoria e justiça prometido por Jesus. Cristo, desta forma, Cristo é o (único) cabeça da Igreja, e a governa de forma orgânica e espiritual para cumprimento do plano eterno de Deus.

 

Salmo 2,6-7: “Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião.  Proclamarei o Decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei”.

Geração: Esse termo, quando referido a Cristo, não significa criação, mas semelhança de essência e unidade com Deus. O Verbo é coeterno com o Pai e o Espírito.

O “reino de poder”, que pertence ao Verbo, originou-se na criação e tem domínio sobre todo o universo e os seres criados; o “reino da graça” originou-se na graça redentora de Deus, que tem como cidadãos apenas os eleitos de Deus, porém, em todas as épocas da história da humanidade.

Hebreus 1,3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”.

Atos 4,12: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.

Este reino da graça, também é referido no Novo Testamento como o “reino de Deus”, ou o “reino dos céus”. Da mesma forma como somente os eleitos fazem parte deste reino, a Igreja de Cristo, que se confunde com o reino da graça naquele período, também é aquela conhecida como a Igreja Universal ou Igreja de Deus, que não é a igreja local, onde o joio e o trigo estarão sempre misturados.

O reino de Deus não é um reino ético e moral a ser estabelecido pelo esforço humano, o reino de Deus é um reino espiritual que está no coração dos crentes verdadeiros, que buscam a justiça e a verdade de Deus antes dos interesses dos homens.

Este reino é mediado pelo Espírito Santo e todo aquele que não tem o Espírito não faz parte do reino, por mais que seja religioso, por mais que estude, por mais que leve uma vida de alto padrão moral; a participação no reino é decidida por Deus e não pelo homem, senão seria o Reino dos Homens e não o Reino de Deus.

Romanos 14,17: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”.

O reino de Deus não é visível ou tem aparência, ninguém consegue discernir a presença do Espírito no crente, por isto o reino está no coração das pessoas a ele destinadas:

Lucas 17,20-21: “Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós”.

O reino de Deus é próprio somente dos regenerados:

João 3,3: “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”.

O reino de Deus não é operado pelo homem, mas pelo Espírito:

Romanos 14,17: “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo”.

O reino de Deus não é deste mundo, é o reino da verdade (da Palavra).

João 8,36-37: “Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Então, lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”.

O reino de Deus é espiritual, porém, mais real que qualquer governo humano estabelecido, que é finito e passará, mas o reino de Deus é para sempre, e os seus cidadãos eternamente pertencentes ao reino.

A duração do reino da graça: Existem opiniões controversas sobre o reino da graça, mas algumas coisas são bem definidas: Cristo foi investido no reino da graça quando de sua exaltação, sua natureza humana passou, neste ato, a participar da glória do Deus triúno. Todavia, a duração do reino da graça é eterna e atemporal, pois os Decretos que determinam a existência do reino e sua validade são eternos.

Desta forma, todos os crentes salvos em todas as épocas da história da humanidade fazem parte do reino da graça e foram salvos pela justiça perfeita de Cristo. Após o julgamento final, o Filho entrega a Deus todas as coisas, porque depois disso, o propósito do reino haverá sido cumprido e não existirá mais esta necessidade.

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