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RACIONALISMO MODERNO - DESCARTES E SPINOZA

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RACIONALISMO MODERNO – DESCARTES E SPINOZA (RESUMO)

Por: Helio Clemente

 

Descartes (XVII d.C.): o fundador do racionalismo moderno, afirmou que o único método válido para a ciência é o método racionalista dedutivo, característico da matemática. O processo do conhecimento começa com a intuição, a percepção intelectual imediata, a partir da qual o raciocínio se desenvolve em análise e síntese; a análise isola e separa as noções intuitivas simples que irão compor o processo dedutivo que resulta na síntese destas proposições primárias, levando a uma conclusão através desta cadeia dedutiva puramente racional.

Este é o método cartesiano, para aplicá-lo à realidade é preciso partir de inícios concretos, caso contrário todo o sistema desmorona. Para isto, Descartes propõe a submissão de todas as provas e todo conhecimento humano à dúvida como método, negando toda a tradição cultural e religiosa e apegando-se à dúvida como a única realidade válida no pensamento humano.

Curiosamente Descartes apresenta “provas” da existência de Deus através deste sistema de pensamento, reconhecendo a natureza de Deus e da criação em termos bastantes próximos da doutrina Cristã. Por esta filosofia, Descartes anuncia que este é o melhor dos mundos possíveis, simplesmente por ter sido criado por Deus.

A glória de Deus é o fim último de todas as coisas, não é correto supor que este é o melhor dos mundos possíveis para obtenção da felicidade ou santidade do homem. O mundo está disposto, conforme a sabedoria infinita de Deus, para manifestação de suas multiformes perfeições, em particular a sua glória nas obras da criação, na redenção e condenação dos homens e no Juízo Final (ver os Decretos Eternos).

Spinoza (XVII d.C.): o racionalismo cartesiano de Descartes é assumido de forma radical por Spinoza levando-o a desenvolver o problema das relações de Deus com o universo através do monismo: A existência de uma substância única formadora do universo. Na verdade, ele adotou o panteísmo das religiões orientais, onde o universo e a natureza são extensões do Ser de Deus.

Spinoza: “Só deus existe, fora ele não há nada”. Ou seja, o universo é uma extensão do ser de Deus e existe eternamente, o infinito somente existe através do vir a ser do finito. Este deus do monismo é impessoal, não tem vontade própria ou inteligência, tudo se resume à existência eterna do universo como extensão do ser deste deus impessoal.

Este sistema é representado pela substância absoluta (deus) e pelas mônadas (que constituem o universo), substâncias simples, que derivam desta substância absoluta, dando origem a si mesmas (unidades simples, indivisíveis e indestrutíveis, que compõe todas as coisas no universo – exemplo: os átomos e as almas). Para Spinoza a lei máxima da realidade universal é a necessidade, tudo o que ocorre na natureza tem origem na necessidade, e tudo ocorre através da unicidade, ou extensão, de deus com o universo.

Desta forma, o Deus de Spinoza é uma substância sem vontade própria, e todas as coisas no universo ocorrem de forma determinada e irreversível, de acordo com uma destinação semelhante ao conceito do destino do estoicismo grego.

Importante - a doutrina do paralelismo psicofísico: Esta doutrina afirma que cada movimento do corpo corresponde estritamente a um pensamento da alma, não existe nenhuma ação em sentido contrário partindo do corpo para a alma (ver Malebranche – ocasionalismo).

Conforme Spinoza a obrigação de cada homem é buscar a sua própria satisfação, a medida do direito de cada um é o seu poder. Não existe nenhuma obrigação moral, não existe o bem e o mal, os vencidos estão sempre errados e os vencedores sempre certos.

A fraqueza é um defeito e por isto deve ser punida, criticar os vencedores é criticar o progresso da humanidade. Os vencidos merecem ser vencidos e os vencedores merecem ser vencedores, a virtude está sempre associada à prosperidade e a desgraça ao vício.

Esta doutrina será levada ás últimas consequências por Hegel e principalmente por Nietzche.

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