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RACIONALISMO CRISTÃO (PRESSUPOSICIONALISMO)

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RACIONALISMO CRISTÃO (PRESSUPOSICIONALISMO)

Por: Helio Clemente

 

O conhecimento cristão é o único método verdadeiro, pois é o único que tem um princípio primeiro solidamente estabelecido, do qual nada existe antes para contestar ou negar suas revelações: A Escritura.

A partir deste princípio, revelado por autoridade infinitamente superior ao homem, sólido e inegável, a lógica e o raciocínio humano podem então, estabelecer as bases de um conhecimento irrefutável por outros meios filosóficos que são sempre relativos e mutáveis ao longo do tempo.

Neste sentido, biografias são úteis, Calvino é reconhecido pelo seu profundo respeito pela Escritura, sendo que, ao mesmo tempo em que aceitou com humildade e honestidade toda a revelação escrita, ele também se recusou sistematicamente a ir além da revelação em todas as suas considerações.

Isto é de extrema importância nos estudos teológicos, pois, se é fato que a análise negligente da Escritura leva fatalmente a heresias, mistérios e paradoxos inexistentes, assumir a tarefa de tornar todos os pontos de uma doutrina complexa inteligíveis ao raciocínio humano também pode levar, e leva, a muitas heresias.

Deuteronômio 29,29: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”.

O racionalismo cristão é dependente, em todas as instâncias, da revelação bíblica e dentro desta filosofia não se deve ir além do que está revelado na Palavra de Deus, pois este é o limite estabelecido.

Apocalipse 22,18-19: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro”.

 

A POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO

Implicações teológicas: Em primeiro lugar, o conhecimento só é possível porque Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, por este motivo, existe uma faixa comum de conhecimento entre Deus e o homem; a lógica e a razão são os legados da imagem e semelhança de Deus, somente o homem possui estas qualidades entre todos os animais criados.

Deus é onisciente, assim sendo, toda verdade conhecida pelo homem é conhecida por Deus, se alguém conhece algumas das verdades ele conhece então uma parte da verdade que Deus conhece.

A incognoscibilidade de Deus: Muitos teólogos cristãos negam a possibilidade do conhecimento de Deus, desta forma, Deus se torna um ser totalmente incompreensível e inatingível pelas criaturas.

Esta é uma maneira sutil de negar a revelação que Deus faz de si mesmo através da Escritura, sendo uma forma de agnosticismo e se constitui em um ateísmo prático, uma vez que nega a revelação especial feita por Deus e destinada a que os homens venham a conhecer sua natureza, qualidades e preceitos, mas principalmente a revelação de seu plano de redenção e sua revelação suprema e definitiva que se realiza em Jesus Cristo.

 

A revelação geral

Deus é Espírito, infinito, eterno e imaterial, como é possível conhecer algo a respeito de Deus? O conhecimento de Deus só é possível porque Ele escolheu se revelar ao homem através da Escritura, este conhecimento é revelacional, não é apreendido ou descoberto por sensações, experiências ou raciocínio puro, todo conhecimento de Deus provém de sua Palavra, e sua única fonte é o próprio Deus.

Por outro lado, a mente do homem contém, pela sua natureza, o conhecimento inato de Deus, que se revela através das obras da natureza, isto é um reflexo da imagem de Deus no homem, que, apesar da queda, ainda se mantém.

Este conhecimento inato na consciência homem é chamado de Revelação Geral, que é suficiente para a percepção do Deus único, mas insuficiente para o conhecimento da natureza e do Ser de Deus e também insuficiente para o conhecimento dos preceitos estabelecidos para o relacionamento do homem com Deus.

Todavia, este conhecimento inato gravado na consciência do homem, apesar de insuficiente para o conhecimento e relacionamento com Deus, possibilita a revelação através da Palavra, pois não há outro animal em toda natureza capaz de apreender este conhecimento de forma alguma.

Salmo 19,1: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”.

Romanos 1,19-20: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”.

Esta revelação não provém da observação, sentimentos ou experiência, mas é inscrita de forma inata na mente do homem, que torna todo homem responsável perante Deus, ou seja: Nenhum homem, na verdade, ignora a existência de Deus, mas rejeita voluntária e deliberadamente a revelação divina.

Romanos 2, 15: “Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se”.

A revelação especial (salvífica)

Como já foi observado acima, a Revelação Geral, que é comum a todos os homens, não é suficiente para o conhecimento salvífico, por este motivo Deus se revela, somente para aqueles destinados à salvação, através da Palavra. A Bíblia é a revelação especial pela qual se obtém o conhecimento preciso e detalhado sobre Deus e seus preceitos para o homem.

A Escritura é o princípio primeiro e último do pensamento cristão, isso porque este princípio é absolutamente verdadeiro, visto que nada existe antes dele que possa comprová-lo ou contradizê-lo. A infalibilidade bíblica é fruto da verdade revelada, onde se apóia todo pensamento cristão, todos os procedimentos históricos ou científicos devem ser aferidos pela bíblia e não o contrário: a bíblia é a Palavra de Deus.

A consequência disto é que, se a bíblia é a única verdade revelada, todos os outros sistemas de pensamento são obrigatoriamente falsos, pois não podem existir duas verdades contraditórias.

Portanto, todo aquele que confessa uma cosmovisão diferente da cosmovisão escriturística, ou ainda, modificando de alguma forma a revelação bíblica, seja por acréscimo, rejeição parcial ou por negação da unidade e continuidade da revelação, estará desta forma rejeitando toda a bíblia e por consequência todo pensamento cristão.

O cristão estará sempre seguro e confiante no seu princípio de raciocínio e em qualquer confrontação poderá contestar o princípio básico dos raciocínios não cristãos ou ainda pseudocrístãos, como afirmado na Confissão de Fé de Westminster:

CFW: “Todo conselho de Deus é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela”.

O sistema de conhecimento lógico baseado na infalibilidade da Escritura é imposto pela autoridade do autor da revelação, que é Deus, por este motivo torna-se obrigatório mesmo para quem não o conheça ou rejeite total ou parcialmente a Escritura.

Tiago 2,10: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos”.

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