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O Grande Aniversário - Spurgeon

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O Grande Aniversário e Nossa Maioridade

SERMÃO Nº 1815 - Sermão pregado na manhã de Domingo, 21 de Dezembro de 1884

por Charles Haddon Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres,

 

“Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo. Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. ” Galatas 4:3-6

 

O nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo nesse mundo é um manancial de uma felicidade pura e sem mistura. Associamos com Sua crucificação uma boa dose de dolorosa lamentação, porem Seu nascimento em Belém nos provoca somente deleite. O canto angélico era um apropriado acopanhamento para esse ditoso acontecimento, e a plenitude da terra de paz e de boa vontade é uma apropriada consequência desse condescendente fato. As estrelas de Belém não projetam uma sinistra luz. Podemos cantar com um indivizível gozo: “Um menimo nos nasceu, um filho é nos dado.” Quando o eterno Deus inclinou-se desde o céu e assumiu a natureza de Sua própria criatura que havia se rebelado contra Ele, esse ato não podia significar nenhum dano ao homem. Que Deus assuma nossa natureza não significa que Deus esteja contra nós, mas sim que Deus está conosco. Podemos tomar ao bebê em nosso braços e sentir que temos visto a salvação do Senhor. Não pode significar destruição para os homens. Não me surpreende que os homens do mundo celebram o suposto aniversário do grande Aniversariante como uma grande festa com cantatas e banquetes. Desconhecendo por completo o significado espiritual do mistério, percebem, contudo, que significa, o bem do homem, e assim respondem ao fato a sua tosca maneira. Nós que não observamos nenhum dia que não houvesse sido estabelecido pelo Senhor, nos alegramos continuamente em nosso Príncipe de Paz, e encontramos na humanidade de nosso Senhor uma fonte de consolação.

Para os que constituem verdadeiramente o povo de Deus, a encarnação é o motivo de uma alegria reflexiva que sempre cresce conforme aumenta 38

nosso conhecimento de seu significado, assim como os rios ficam mais abundantes graças a muitos débeis afluentes. O Nascimento de Jesus não somente nos traz esperança, mas sim a certeza de boas coisas. Não só consideramos que Cristo entra em uma relação com nossa natureza, mas estabelece uma união conosco, pois Ele se converteu numa só carne conosco por propósitos tão grandes como Seu amor. Ele é um com todos os que temos crido em Seu nome.

Consideremos à luz de nosso texto o efeito especial produzido na igreja de Deus pela vinda do Senhor Jesus Cristo encarnado. Vocês sabem, amados, que Sua segunda vinda produzirá uma mudança maravilhosa na igreja. “Então os justos resplandecerão como o sol.” Desejamos Sua segunda vinda para que a Igreja seja içada a uma plataforma mais alta da que ocupa agora. Então os militantes se converterão triunfantes, e os que trabalham arduarmente se converterão exultantes. Agora é o tempo da batalha, porem a Segunda Vinda é a vitória e o repouso. Hoje, nosso Rei nos envia ao conflito, mas logo Ele reinará gloriosamente no monte Sião com Seus anciões. Quando Ele se manifeste seremos semelhantes a Ele, pois o veremos tal como Ele é. Então a esposa se adornará com suas jóias e estará preparada para Seu Esposo. Toda a criação que espera geme uníssona, e juntamente está em harmonia com as dores de parto da Igreja, mas então chegará a seu tempo de iluminação e entrará na libertade gloriosa dos filhos de Deus. Essa é a promessa do segundo advento.

Porem, qual foi o resultado do primeiro advento? Teve algum impacto na dispensação da igreja de Deus? Teve, mais além de toda dúvida. Paulo nos diz aqui que eramos meninos em escravidão sob os rudimentos do mundo, até que veio a plenitude dos tempos quando “Deus enviou a Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.” Alguns dirão: “aqui está se falando dos judeus”, mas ele nos previne expressamente no capítulo anteiror que não devemos dividir à igreja entre judeus e gentios. Para ele, a igreja é uma, e quando diz que estavamos em escravidão, está se dirigindo aos galatás cristãos, muitos dos quais eram gentios, porem não os considera nem como judeus nem como gentios, mas sim como parte de uma igreja de Deus única e indivizível. Naqueles épocas nas que a eleição abarcava principalmente as tribos de Israel, havia sempre alguns eleitos situados mais além dessa linha visível, e na mente de Deus o povo eleito não foi jamais considerado como judeu ou gentio, mas sim como um em Cristo Jesus. Então Paulo nos dá a saber que a igreja até o momento da vinda de Cristo era como um menino em idade escolar sob tutores e aios, ou como um jovem que não havia alcançado a idade da sensatez e, portanto, que era mantido muito apropriadamente sob certas restrições. Quando Jesus veio, o grande dia de Seu nascimento foi o dia do cumprimento da maioridade para a igreja: 39

então os crentes já não foram meninos, mas sim converteram-se em homens em Cristo Jesus. Por meio de Seu primeiro advento nosso Senhor fez a igreja passar de sua menoridade e de estar sob tutela, a uma condição de maturidade na que foi capaz de tomar posse da herança e de reclamar seus direitos e liberdades, e desfrutá-los. Foi maravilhoso passar de estar sob a lei como seu aio, e sair de sua vara e seu governo e chegar à liberdade e ao poder de herdeiro adulto – porem, assim foi a mudança para os crentes de tempos antigos e, em consequencia, houve uma maravilhosa diferença entre os maiores do Antigo Testamento e os mais pequenos do Novo. Entre os que nascem de mulher, não se levantou outro maior que João Batista, e no entanto, o mais pequeno no reino dos céus é maior que ele. João Batista pode ser comparado com um jovem de dezenove anos, ainda infante na lei, todavia sob seu aio, ainda incapaz de tocar em seu herança – porem o mais pequeno crente em Jesus superou seu menoridade e “já não é escravo, mas sim filho – e se filho, tambem herdeiro de Deus por meio de Cristo”.

Que o Espirito Santo abençoe o texto para nós enquanto o usamos dessa forma. Primeiro, consideraremos a alegre missão do Filho de Deus em si mesma, e logo consideraremos o feliz resultado que resultou dessa missão, segundo está expresso em nosso texto.

I. Os convido a CONSIDERAR A ALEGRE MISSÃO DO FILHO DE DEUS. O Senhor do céu veio à terra – Deus assumiu a natureza humana. Aleluia!

Essa grandiosa transação foi cumprida em seu devido tempo: “Quando veio o cumprimento do tempo, Deus enviou a seu Filho, nascido de mulher”. O tanque do tempo tinha que ser cheio pela sucessão de uma idade pós outra, e quando esteve cheio até a boca, apareceu o Filho de Deus. Por que o mundo teve que permanecer em trevas durante quatro mil anos, o motivo pelo qual teve que transcorrer esse lapso para que a igreja alcançasse sua plena idade, não poderíamos sabê-lo – o que sim nos é dito é que Jesus foi enviado quando veio a plenitude dos tempos. Nosso Senhor não veio antes de Seu tempo nem depois de Seu tempo: Ele foi pontual a Sua hora, e clamou no momento certo: “Eis aqui que venho”. Nós não podemos remexer curiosamente nas razões pelas que Cristo veio quando o fez, mas podemos meditar com reverência nelas. O nascimento de Cristo é a maior luz da história, o sol no céu de todos os tempos. É a estrela polar do destino humano, o ponto essencial da cronologia, o lugar de encontro das águas do passado e do futuro. Por que ocorreu justo naquele momento: Certamente assim foi anunciado com antecedência. Existiam muitas profecias que apontavam exatamente para essa hora. Não os deterei com elas agora – porem os que estão familiarizados com as Escrituras do Antigo Testamento 40

saberão bem que, como com igual número de dedos, apontavam ao tempo quando Siló viria, e seria oferecido o grandioso sacrifício. Veio na hora designada por Deus. O infinito Senhor estabelece a data de cada evento. Todos os tempos estão em Suas mãos. Não há fios soltos na providência de Deus, não há pontos de ferimentos que soltem, não há eventos que sejam deixados ao azar. O grande relógio do universo marca um tempo preciso e todo o maquinário da providência se move com uma pontualidade certeira. Era de se esperar que o maior de todos os eventos fosse cronometrado muito precisa e sabiamente, e assim realmente o foi. Deus quis que fosse onde foi e quando foi, e essa vontade é para nós a razão última.

Se pudéssemos sugerir algumas razões que fossem apreciadas por nós mesmos, deveríamos ver a data em referência à igreja mesma enquanto ao tempo do cumprimento de sua maioridade. Há uma medida de razão em estabelecer a idade de vinte e um anos como o período de maioridade de um homem2, pois então ele está maduro e plenamente desenvolvido. Não seria sábio estabelecer que uma pessoa fosse maior de idade na idade de dez, ou onze ou doze anos – qualquer um veria que esses anos juvenis seriam inapropriados. Por outro lado, se não alcançássemos a maioridade até não cumprir os trinta anos, qualquer um veria que seria uma postergação sem necessidade e arbitrária. Agora, se fossemos bastante sábios, veríamos que a igreja de Deus não haveria podido tolerar a luz do Evangelho antes do dia da vinda de Cristo. Tampouco haveria sido bom manter ela nas sombras mais além desse tempo. Havia uma adequação quanto à data que não podemos entender plenamente porque não possuímos os meios de formarmos um cálculo tão definitivo da vida de uma igreja como da vida de um homem. Só Deus conhece os tempos e as estações para uma igreja e, sem dúvida, para Ele, os quatro mil anos da antiga dispensação constituíram um apropriado período para que a igreja permanecesse na escola e levasse o jugo em sua juventude.

2 No Brasil, de acordo com o Código Civil de 2002 vigente hoje, a maioridade se dá aos 18 anos (N.T)

O tempo do cumprimento da maioridade de um homem foi estabelecido pela lei com referência aos que o rodeiam. Para os serventes, não seria conveniente que o menino de cinco ou seis anos fosse seu patrão – no mundo do comércio não seria conveniente que um jovem comum dez ou doze anos fosse um comerciante por conta própria. Existe uma adequação com referência a parentes, vizinhos e dependentes. Assim havia uma adequação no tempo em que a igreja cumpriria sua maioridade com relação ao resto da humanidade. O mundo tem que conhecer sua escuridão para poder valorizar a luz quando ela brilha. O mundo tem que se cansar de sua escravidão para que possa dar as boas vindas ao grandioso Emancipador. O 41

plano de Deus era que a sabedoria do mundo demonstrasse ser tolice. Ele tinha a intenção de permitir que o intelecto e a habilidade se esgotassem, e então enviaria a Seu Filho. Ele permitiria que o homem comprovasse que sua força era uma debilidade perfeita, e então Ele se converteria em sua justiça e sua força. Então, quando um monarca governava todas as terras e quando o templo da guerra foi fechado depois de anos de derramamento de sangue, o Senhor a quem os fiéis buscavam apareceu de pronto. Nosso Senhor e Salvador veio quando o tempo era cumprido, quando era como uma colheita pronta para ser colhida, e assim Ele virá de novo quando mais uma vez a idade esteja madura e pronta para Sua presença.

Observem quanto à primeira vinda, que o Senhor movia-se nela até o homem. “Quando veio a plenitude do tempo, Deus enviou a seu Filho”. Nós não nos movemos para o Senhor, mas sim que o Senhor moveu-se até nós. Eu não encontro que o mundo, em arrependimento, buscasse seu Criador. Não, antes, o próprio Deus ofendido, em infinita compaixão, rompeu o silêncio e veio para abençoar Seus inimigos. Vejam que espontânea é a graça de Deus. Todas as coisas boas começam com Ele.

É muito deleitável que Deus demonstre um interesse em cada etapa do crescimento de Seu povo, desde sua infância espiritual até a idade adulta espiritual. Assim como Abraão fez um grande banquete quando Isaque foi desmamado, assim o Senhor faz um banquete quando Seu povo cumpre a maioridade. Enquanto eram como menores de idade sob a lei das observâncias cerimoniais, Ele os conduziu e os instruiu. Ele sabia que o jugo da lei era para seu bem, e os consolava enquanto o suportavam – porem se alegrou quando chegou a hora para sua alegria mais plena. Ó, que verdadeiramente o salmista disse: “Que preciosos me são, ó Deus, teus pensamentos! Que grande é a soma deles!” Declarem com gozo e alegria que as bênçãos da nova dispensação sob a que estamos são os dons espontâneos de Deus, cuidadosamente entregues com grande amor que fez sobre abundar para conosco em toda sabedoria e inteligência. Quando veio a plenitude do tempo, Deus mesmo interveio para conceder a Seu povo seus privilégios, pois não é Sua vontade que ninguém de Seu povo se perca de um só ponto das bênçãos. Não é Seu desejo que sejamos bebês – ele quer que sejamos homens. Se padecermos fome não é por Seu desejo, pois Ele quer encher-nos com o pão do céu.

Observem a intervenção divina: “Deus enviou a seu Filho”. Espero que não lhes pareça chato que me detenha para considerar a palavra: “enviou”, “Deus ENVIOU a seu Filho”. Essa expressão produz um grande prazer em mim, pois ela sela toda a obra de Jesus. Tudo o que Cristo fez, o fez por comissão e autoridade de Seu Pai. O grandioso Senhor, quando nasceu em 42

Belém e assumiu nossa natureza, fez isso sob a autorização divina – e quando chegou e distribuiu dons abundantes entre os filhos dos homens, era mensageiro e embaixador de Deus. Era o Embaixador pleno da Corte do céu. Por trás de cada palavra de Cristo está a garantia do Eterno. Por trás de cada promessa de Cristo há um juramento de Deus. O Filho não faz nada por Si mesmo, mas sim que o Pai trabalha com Ele e Nele.

Ó alma, quando se apóia em Cristo, não está confiando em um Salvador amador nem num Redentor que não foi comissionado, mas sim em Um que é enviado pelo Altíssimo e que, portanto, está autorizado em cada coisa que realiza. O Pai diz: “Esse é meu Filho amado, a Ele ouvi”, pois ao ouví-lo, estão ouvindo ao Altíssimo. Encontraremos felicidade, então, na vinda de nosso Senhor à Belém, porque Ele foi enviado.

Agora, dirijam seu olhar à seguinte palavra: “Quando veio na plenitude do tempo, Deus enviou a seu Filho”. Observem à Divina pessoa que foi enviada. Deus não enviou a um anjo, nem uma criatura exaltada, mas sim “a seu Filho”. Como poder haver um Filho de Deus, não o sabemos. A eterna filiação do Filho deve permanecer sendo para sempre um desses mistérios nos quais não podemos bisbilhotar. Seria algo parecido ao pecado dos homens de Bet-Sames se fossemos abrir a arca de Deus para contemplar as coisas profundas de Deus. É muito certo que Cristo é Deus, pois aqui Ele é chamado “seu Filho”. Ele existia antes de ter nascido nesse mundo, pois Deus “enviou” a Seu Filho. Ele já existia, pois de outra forma não poderia ter sido “enviado”. E no caso que Ele é um com o Pai, contudo, tem que ser distinto do Pai e tem que ter uma personalidade separada a do Pai, pois de outra maneira não poderia ser dito que Deus enviou a Seu Filho. Deus o Pai não nasceu de uma mulher nem foi gerado sob a lei, mas sim unicamente Deus o Filho – portanto, ainda que sabemos e nos é assegurado que Cristo é um com o Pai, contudo, deve-se observar de maneira muito clara Sua personalidade distinta.

É de admirar que Deus tenha gerado um Filho só, e que o tenha enviado para nos levantar. O mensageiro para os homens não pode ser outro que o próprio Filho de Deus. Que dignidade há aqui! É o Senhor dos anjos quem nasceu de Maria – é Ele, sem quem nada do que foi feito foi feito, quem se digna ser ninado no peito de uma mulher e envolto em panos. Ó, a dignidade disso e, consequentemente, ó, sua eficiência! Quem veio nos salvar não é nenhuma frágil criatura como nós – quem assumiu nossa natureza, não é um ser de limitada força, tal como poderiam ter sido um anjo ou um serafim – porem, Ele é o Filho do Altíssimo. Glória seja dada a Seu bendito nome! Reflitamos com deleito sobre isso. 43

“Se se tivesse enviado a algum profeta

Com as alegres novas da salvação,

Quem ouviria esse bendito evento

Poderia recusar um amor mais terno?

Porem foi Aquele para quem no céu

Não cessam jamais as aleluias;

Ele, o poderoso Deus, nos foi dado,

Foi-nos dado o Príncipe da Paz.

Ninguém senão Aquele que nos criou

Poderia redimir do pecado e do inferno;

Ninguém senão Ele poderia reinstalar-nos

No lugar do qual caímos”.

Prossigamos, nos aderindo ainda as próprias palavras do texto, pois são muito doces. Deus enviou a Seu Filho em uma humanidade real, “feito de mulher”3. A Versão Revisada apropriadamente o expressa assim: “nascido de mulher”. Talvez se pudessem se aproximar mais a essência do original, se dissessem: “feito para ser nascido de mulher”, pois ambas ideias estão presentes, o factum (feito) e o natum (nascido), o „sendo feito‟, e o „sendo nascido‟. Cristo era real e verdadeiramente da substância de Sua mãe, tão certamente como qualquer outro infante que nasce no mundo o é. Deus não criou a natureza humana de Cristo em separado e para depois transmiti-la á existência mortal por alguns meios especiais – antes, Seu Filho foi feito e foi nascido de mulher. Ele é, portanto, de nossa raça, um homem como nós e não um homem de outra espécie. Vocês não devem cometer nenhum erro a respeito disso. Ele não só possui uma humanidade, mas possui a nossa humanidade, pois quem é nascido de mulher é um irmão para nós, independente de quando tenha nascido. No entanto, há uma omissão que sem dúvida não foi intencional ao não mostrar qual santa era essa natureza humana, pois Ele é nascido de uma mulher, não de um homem. O Espírito Santo cobriu com Sua sombra à Virgem, e “o Santo Ser” nasceu dela sem o pecado original que pertence a nossa raça por descendência natural. Aqui existe uma humanidade pura, ainda que é uma verdadeira humanidade – uma verdadeira humanidade, ainda que é livre de pecado. Nascido de mulher, era curto de dias, e enfadado de dissabores – nascido de mulher, estava rodeado de nossas debilidades físicas – porem, como não era nascido de homem, Ele estava por completo desprovisto de toda tendência ao mal ou ao deleite no mal. Eu lhes rogo que se alegrem nessa íntima aproximação de Cristo conosco. Façam soar os sinos, se não nos

3 “made of a woman”, segundo a King James Version 44

campanários e nas torres, dentro de seus corações, pois jamais seus ouvidos saudaram noticias mais alegres que essas: que aquele que é o Filho de Deus foi também “nascido de mulher”.

Agrega-se adicionalmente que Deus enviou a Seu Filho “feito sob a lei!”, ou nascido sob a lei, pois a palavra é a mesma em ambos os casos; e pelos mesmos meios pelos que chegou a nascer de uma mulher, ele veio baixo a lei. E agora admirem e maravilhem-se! O Filho de Deus veio sob a Lei. Ele era o Legislador e o Promulgador, e era também o Juiz e o Executor da Lei, e, com tudo, Ele mesmo veio sob a Lei. Ele esteve sob a lei desde que nasceu de uma mulher; isso o fez voluntariamente, e, no entanto, necessariamente. Ele quis ser homem, e sendo um homem aceitou a posição e esteve no lugar do homem como sujeito à lei da raça. Quando o tomaram e o circuncidaram de acordo à lei, declarou-se publicamente que Ele estava sob a lei. Vocês podem comprovar quão reverentemente observou os mandamentos de Deus durante o resto de Sua vida. Ele tinha inclusive uma consideração escrupulosa para com a lei cerimonial segundo foi dada por Moisés. Desprezava as tradições e as superstições dos homens, porem tinha um elevado respeito pela lei da dispensação.

Ele veio sob a lei moral para render um serviço a Deus em nosso nome. Guardou os mandamentos de Seu Pai. Obedeceu plenamente a primeira e segunda Tábua da Lei, pois amava a Deus com todo Seu coração e a Seu próximo como a Si mesmo. “O fazer tua vontade, Deus meu, me agradou” – Ele disse – “e tua lei está no meio de meu coração”. Podia dizer verdadeiramente do Pai: “eu faço sempre o que lhe agrada”. Contudo, foi algo maravilhoso que o Rei dos reis estivesse sob a lei e, especialmente, que viera sob o castigo da lei, assim como a seu serviço. “Estando na condição de homem, se humilhou a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz”. Como era nossa Fiança e Substituto, esteve debaixo da maldição da lei. Foi feito por nós maldição. Tendo tomado nosso lugar e tendo assumido nossa natureza – ainda que Ele mesmo era sem pecado – submeteu-se as rigorosas demandas da justiça, e a seu tempo inclinou Sua cabeça à sentença da morte; “Ele colocou sua vida por nós”. Morreu, o justo pelos injustos, para nos levar a Deus. Nesse mistério de Sua encarnação, nessa maravilhosa substituição de Si mesmo pelos pecadores, radica a base desse portentoso progresso que os crentes fizeram quando Jesus veio na carne.

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