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A Encarnação - livreto - HELIO

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A ENCARNAÇÃO

vivendopelapalavra.com

Por: Helio Clemente

Este livreto é um excerto do livro Teologia Sistemática do mesmo autor.

 

A ENCARNAÇÃO

Definição de termos:

- Natureza: A natureza de alguma coisa é a totalidade de qualidades e atributos que definem de forma clara e indiscutível a identificação desta coisa, e ao mesmo tempo, diferencia o conjunto destas qualidades e atributos assim identificados, de todas as outras coisas que não formam este conjunto.

Esta natureza é uma propriedade comum a todo o conjunto de coisas por ela definida e pode ser comparada a uma substância comum a todas estas coisas, similares entre si, mas diversas de todas as outras.

- Pessoalidade: Uma pessoa é uma individualidade subsistente caracterizada pela sua natureza ativa.

A encarnação é um ato do Deus triúno, mas o sujeito da encarnação é o Verbo de Deus. A este respeito é importante salientar a diferença entre nascimento e encarnação: O nascimento é referente a uma pessoa que passa a existir somente no ato da concepção. Cristo, ou o Verbo de Deus, é preexistente a todas as coisas no universo criado e não é correto falar em nascimento de Cristo, mas encarnação, pois ele é uma pessoa existente eternamente na Trindade divina.

João 1,1: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.

A encarnação refere-se justamente ao fato de uma pessoa eterna e auto-existente assumir uma natureza humana, da qual passou a ser a pessoa que define a individualidade desta natureza humana, todavia, sem prejuízo de sua natureza divina primária, ou seja, passou a ser uma pessoa única possuidora de duas naturezas distintas, divina e humana, sem mistura, composição ou confusão.

João 1,14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

Por quê o nascimento virginal?

Institutas, Volume II – Capítulo XII:

Ítem 4: A ENCARNAÇÃO DE CRISTO NÃO TEVE OUTRO PROPÓSITO, SENÃO NOSSA REDENÇÃO.

Ítem 5: IMPROCEDÊNCIA DA TESE DE QUE A ENCARNAÇÃO DE CRISTO PODERIA OCORRER À PARTE DA REDENÇÃO HUMANA.

Neste capítulo das Institutas, Calvino afirma que a encarnação somente se realizou pelo propósito único da redenção dos filhos de Deus, conforme a eleição eterna e os Decretos de Deus. Isto ele disse contra alguns dos Pais da Igreja que afirmavam que a encarnação poderia (ou deveria) ter acontecido à parte da redenção do homem.

Esta afirmação de Calvino é uma ideia que deve estar cristalizada firmemente na mente de todos os cristãos: Não existe outro propósito na encarnação de Cristo a não ser a redenção do homem.

A encarnação está ligada à entrada do pecado no mundo e à consequente necessidade da redenção. Esta é a ideia dos reformadores, todavia, isto não pode ser considerado como uma decisão contingente da parte de Deus, mas como parte de seu plano eterno, que engloba os acontecimentos em um decreto único abrangendo todos os fatos e coisas no universo criado, onde nada acontece por acaso ou improviso, mas todas as coisas são determinadas por Deus, na eternidade, para acontecerem naquele preciso momento do tempo estabelecido.

Na encarnação, o Verbo de Deus assumiu uma natureza humana que não existia por si mesma, de forma que a pessoa única de Cristo é o Verbo de Deus, possuindo, através da encarnação, duas naturezas: A natureza divina que lhe é peculiar e imutável desde a eternidade e a natureza humana, representada pelo corpo proveniente da substância da virgem Maria e por uma alma humana racional própria de toda a geração humana.

A natureza humana não faz por si mesma uma pessoa, é necessário que ela seja incorporada a uma individualidade, por intermédio da qual Deus provê a unidade psicossomática das substâncias espiritual e material que compõem a natureza humana. Esta individualidade, em Jesus, é proveniente do Verbo de Deus; pela encarnação o Verbo não adotou uma pessoa humana, mas uma natureza humana que passa a fazer parte de sua própria pessoa.

Pode-se ver isto na declaração de João Batista, que sendo mais velho que Jesus, afirma a preexistência de sua pessoa.

João 1,30: “É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim”.

Este fato é declarado por Jesus, quando confrontado pelos fariseus ele se revela como sendo “EU SOU”, o eterno Deus YAHWEH.

João 8,58: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU”.

Não foi a natureza divina que assumiu a natureza humana na encarnação, mas a pessoa do Verbo, que, mantendo íntegra sua natureza divina, assumiu a natureza humana em sua forma completa, mantendo-se como uma única pessoa em todo o universo com duas naturezas perfeitas, sem mistura ou confusão (teândrico = Theos + andros).

Não é correto pensar que a natureza humana de Cristo é imperfeita ou impessoal, Jesus é uma pessoa humana completa, perfeito homem e perfeito Deus, o Verbo assumiu a personalidade (ou pessoalidade) (*) da natureza humana de Cristo em sua concepção, e esta natureza humana subsiste juntamente com a natureza divina na pessoa do Verbo de forma permanente após a encarnação.

(*) Personalidade: Individualidade consciente, pessoalidade (Dicionário Priberan) - Individualidade consciente, caráter pessoal e original (Aurélio) - Individualidade pessoal e social de alguém (Wikipédia).

O que caracteriza uma natureza humana é o corpo físico e a alma racional, mas a sua individualidade, ou pessoalidade, é mais complexa que isto: É a organização do sistema psicossomático, ou seja, o relacionamento entre o corpo e a alma, que define os padrões de pensamento e comportamento da pessoa.

Esta ligação entre a substância espiritual imortal da alma e a substância material perecível do corpo somente pode ser feita momento a momento pelo poder de Deus, o homem não tem vida em si mesmo pela completa impossibilidade de interação entre a substância material e a espiritual (ver ocasionalismo).

Esta ligação é feita somente no sentido da alma para o corpo, não existe um movimento contrário do corpo em direção à alma.

Neste sentido a pessoa de Jesus é o Verbo de Deus, que assumiu a natureza humana, passando a ser a pessoa por intermédio de quem sua organização psicossomática se processa (pelo poder de Deus), mantendo intacta a natureza humana e preservando inevitavelmente sua natureza divina que é eterna e imutável.

Já foi dito no estudo de Deus, que a maior dificuldade dos homens no entendimento da divindade é a deficiência na percepção da imutabilidade estendida igual e simultaneamente às três pessoas da trindade divina. Este assunto da encarnação não foge desta observação; tendo em mente a imutabilidade da pessoa divina e a imortalidade da alma racional humana a doutrina da pessoa de Cristo se torna clara e inteligível.

A pessoa que encarnou é imutável e já existia eternamente, desta forma não existe a possibilidade de geração de outra pessoa, mas de uma nova natureza agregada a esta pessoa pré-existente.

Por todos os motivos acima, é absolutamente impossível afirmar que as naturezas humana e divina na pessoa de Cristo formam uma terceira natureza, pois a natureza divina é imutável e a pessoa de Cristo é pré-existente: O Verbo de Deus. As duas naturezas subsistem na pessoa de Cristo sem mistura ou confusão, mantendo cada uma suas características próprias e naturais.

Vê-se, por isto, que a pessoalidade não é composta de partes, mas de uma organização dinâmica do relacionamento entre a alma e o corpo, constituindo uma pessoa única e perfeitamente definida em sua individualidade.

Emil Brunner defende uma teologia irracional e inaceitável, onde os mistérios e paradoxos convivem gostosamente, mas com relação à pessoa de Cristo ele faz uma observação digna de nota:

Emil Brunner: “Este é o mistério da pessoa de Cristo: enquanto todos nós temos uma pessoa pecaminosa, Cristo é a pessoa divina do Logos”.

A grandiosidade do milagre da encarnação

Adão, como o primeiro homem, é considerado representante (cabeça federal) da raça humana, pelo pecado de Adão todo ser humano nasce em pecado, por isto: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”.

Breve Catecismo de Westminster:

PERGUNTA 16: Caiu todo o gênero humano pela primeira transgressão de Adão?

RESPOSTA: Visto que o pacto foi feito com Adão não só para ele, mas também para sua posteridade, todo gênero humano que dele procede por geração ordinária, pecou nele e caiu com ele na sua primeira transgressão.

O nascimento virginal é um milagre equivalente à criação, porque é uma necessidade para uma nova vida e uma nova humanidade: “O novo nascimento”. Este milagre - o novo nascimento - somente se torna possível pela encarnação, pois sem a encarnação não existiria sequer a possibilidade da salvação, eis o porquê da encarnação (o nascimento virginal).

2 Coríntios 5,21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.

A impecabilidade de Cristo

Jesus é o Cordeiro (oferecido por Deus) que veio ao mundo para ser sacrificado em benefício dos eleitos, para tal fim ele deveria ser perfeito e sem mácula; a impecabilidade de Jesus é um ponto fundamental na expiação, pois de outra forma esta não seria válida. Pela encarnação, Jesus foi gerado pelo poder de Deus, através do Espírito Santo, ele foi concebido no ventre de uma virgem, e pelo decreto de Deus foi um ente santo impecável que não trazia em si o pecado original, para isto ele recebeu o Espírito “sem medida”.

Lucas 1,35: “Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”.

Através deste nascimento sobrenatural, o Verbo de Deus adquiriu uma perfeita natureza humana, ao mesmo tempo em que mantinha sua plena divindade, desta forma poderia propiciar a ira de Deus pela expiação infinita, sofrida pela pessoa divina através de sua natureza humana e ao mesmo tempo cumprir todas as formalidades da lei.

Calvino – Institutas, Volume II: “Ora, tampouco fazemos a Cristo isento de toda mancha só porque fora gerado da mãe sem o concurso do homem, mas porque foi santificado pelo Espírito, para que a geração fosse pura e íntegra, como deveria ter sido antes da queda de Adão. E que isto permaneça absolutamente estabelecido: sempre que a Escritura nos chama a atenção acerca da pureza de Cristo, menciona-se sua verdadeira natureza de homem, porquanto seria supérfluo dizer que Deus é puro. Também a santificação de que João fala no capítulo 17 do Evangelho não teria lugar em sua natureza divina. Além disso, posto que nenhum contágio tenha atingido a Cristo, imagina-se que a semente de Adão seja dupla, porque em si mesma a geração do homem não é imunda nem depravada, mas o é acidentalmente, por efeito da queda. À vista disso, não surpreende se Cristo, por quem deveria ser restaurada a integridade, tenha sido isento da corrupção geral”.

Cristo não possuía somente uma condição moral íntegra; pelo decreto de Deus ele foi concebido sem o pecado original e recebeu o Espírito sem medida. Todavia, além disto, ele era dotado de perfeição moral pela interação entre as naturezas humana e divina, estas duas naturezas se comunicam sem mistura ou confusão (communicatio idiomatum).

Desta forma, ele era impecável, ou seja, não tinha a possibilidade de pecar. Todavia, ele se fez pecado judicialmente, em lugar do seu povo, mas nele não havia pecado algum, nem o pecado original, nem tampouco os pecados de fato.

João 8,46: “Quem dentre vós me convence de pecado? Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?”.

A impecabilidade de Cristo é uma necessidade na redenção e tem origem em sua dupla natureza, pois por um lado, somente um mediador humano poderia ter o conhecimento da miséria e depravação próprias da natureza humana identificando-se com as tentações e fraquezas do homem.  Por outro lado, era necessário que o mediador fosse Deus afim de que pudesse levar uma vida de perfeita obediência à lei e prestar um sacrifício de valor infinito para propiciar, uma vez por todas, a ira de Deus sobre o povo que lhe foi dado.

Hebreus 9,26: “Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado”.

Louis Berkhof: “Atribuímos a Cristo não somente integridade natural, mas também moral, ou perfeição moral, isto é, impecabilidade. Significa não apenas que Cristo pode evitar o pecado (potuit non peccare), e que de fato evitou, mas também que Lhe era impossível pecar (non potuit peccare), devido à ligação essencial entre as naturezas humana e divina”.

Em Jesus a natureza humana é representada em sua perfeição, superior à natureza do homem antes da queda, porém imutável, pela presença da natureza divina na pessoa de Jesus – O Verbo de Deus. Esta natureza humana perfeita, em comunhão com a natureza divina, manifesta em Jesus obediência absoluta, executando todas as coisas de acordo com os mandatos do Pai.

Hebreus 4,15: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

Ele é o redentor impecável, sendo ao mesmo tempo perfeito homem e perfeito Deus, o único que pela sua vida de obediência perfeita tornou possível a salvação, o que seria inexequível diante da possibilidade de pecado, pois se Jesus subsiste como homem e como Deus, sua perfeição moral é derivada da imutabilidade da divindade, presente na sua pessoa, e do decreto divino determinando sua impecabilidade.

Filipenses 2,6-11: “Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai”.

Compare com as palavras de YAHWEH no livro do profeta Isaías:

Isaías 45,23: “Por mim mesmo tenho jurado; da minha boca saiu o que é justo, e a minha palavra não tornará atrás. Diante de mim se dobrará todo joelho, e jurará toda língua”.

Todavia, o cumprimento integral da lei por Jesus, que ele realizou através de sua vida de perfeita obediência, não é suficiente para a salvação do homem, pois resta ainda a propiciação da ira de Deus, que pesa sobre todos os homens caídos no pecado dos primeiros pais.

Desta forma, o cumprimento da lei abre o caminho para a propiciação que foi feita pelo sacrifício de Cristo e aceita por Deus pela ressurreição e glorificação do Filho, que ascendeu aos céus e assentou-se à destra da Majestade.

Hebreus 1,3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”.

Da necessidade da impecabilidade (non potuit pecare): Não era suficiente ao mediador a condição de inocência e da ausência de pecado, pois isto não seria garantia de satisfação da ira de Deus, o mediador teria que ser absolutamente impecável, incapaz de pecar. Pode se ver comparativamente que, Adão foi criado sem pecado, mas pecou; Lúcifer foi criado perfeito, mas caiu. Desta forma, a simples possibilidade de pecado inabilitaria o mediador para realizar uma tarefa de proporções infinitas: O cumprimento perfeito da lei e a propiciação cabal da ira de Deus.

As promessas da encarnação

Na criação:

Gênesis 3,15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Neste verso, a descendência da Mulher refere-se ao redentor, e a descendência de Satanás refere-se aos réprobos, religiosos ou não. No caso dos religiosos judeus que condenaram Jesus, veja a conexão com o verso abaixo:

João 8,44: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”.

Período pré-abraâmico:

Jó, em seu sofrimento, vislumbra o Redentor, que é Deus e ao mesmo tempo será constituído na terra em um tempo futuro.

Jó 19,25: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra”.

Léxico hebraico do Dr. Strongs:

Redimir (tendo Deus como sujeito): indivíduos da morte;

Vive: vivo, ativo;

Por fim: mais tarde, o último, último (referindo-se a tempo);

Se levantará: será constituído, será estabelecido, será confirmado.

Uma análise exegética desta frase acima revela a natureza da encarnação:

“O meu Redentor vive (eternamente)” – Este redentor refere-se claramente a Deus.

“Se levantará” – Será constituído em um tempo futuro, mas pertencente ao mundo terreno, será, de algum modo, revelado de forma clara e aparente a todas as pessoas: A encarnação.

Período abraâmico:

Deus promete a Abraão e a Isaque o descendente, estabelecendo a aliança abraâmica, a aliança baseada na fé, pela qual os descendentes de Abraão são os da família da fé e não os descendentes genéticos.

Gênesis 17,7: “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti (Abraão) e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência”.

Gênesis 28,14: “A tua descendência (p/ Isaque) será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra”.

Estes versos não se referem aos descendentes raciais de Abraão e Isaque, mas à descendência, que é mais bem traduzida como semente - somente um - como aparece na Versão King James e na Almeida Revista e Corrigida, veja no verso abaixo a realização das promessas através da semente (ou descendência) e não através dos descendentes.

Gênesis 17,19 (versão RC): “E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque; {que significa riso} e com ele estabelecerei o meu concerto, por concerto perpétuo para a sua semente depois dele”.

Na Carta aos Gálatas o apóstolo Paulo esclarece e define corretamente esta promessa:

Gálatas 3,16: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo”.

Período mosaico:

Deuteronômio 18,18-19: “Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. De todo aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas”.

Esta promessa a Moisés é considerada de forma unânime pelos comentaristas e estudiosos bíblicos como a vinda de Jesus, o Redentor prometido.

Período davídico:

1 Crônicas 17, 11-14: “Há de ser que, quando teus dias se cumprirem, e tiveres de ir para junto de teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que será dos teus filhos, e estabelecerei o seu reino. Esse me edificará casa; e eu estabelecerei o seu trono para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; a minha misericórdia não apartarei dele, como a retirei daquele que foi antes de ti. Mas o confirmarei na minha casa e no meu reino para sempre, e o seu trono será estabelecido para sempre”.

Este verso também se refere claramente a um Ser eterno, pois o seu reino será estabelecido para sempre, nenhum reino terreno, por maior poder que possua pode ser estabelecido eternamente como nesta promessa.

Período dos profetas: À medida que o tempo avança, as promessas se tornam mais objetivas, como podemos ver nas promessas aos profetas.

Isaías 7,14: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel”.

Este verso de Isaías traz a ideia perfeita do mediador. Concebido por uma virgem ele é formado de sua substância, sendo dotado de uma perfeita natureza humana, e o nome que lhe foi dado, Emanuel, significa Deus conosco, o que descreve a natureza do redentor: Perfeito homem e perfeito Deus.

Isaías 9,6: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade, Príncipe da paz”.

Neste outro verso Isaías define de forma absoluta a humanidade e a divindade de Jesus: Um menino que irá nascer, ao mesmo tempo, Pai da Eternidade. Somente Deus é eterno, a eternidade é uma característica exclusiva do Ser de Deus, nada mais é eterno.

Miquéias 5,2: “E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”.

À medida que o tempo avança, na história do povo judeu as promessas são cada vez mais claras definindo os sinais e revelações dos aspectos físicos da encarnação, neste verso de Miquéias ele define o local do nascimento do menino Jesus.

O NASCIMENTO VIRGINAL

A encarnação é revelada a Maria pelo anjo Gabriel, conforme os versos abaixo em Lucas, onde o anjo revela a Maria a concepção sobrenatural de Jesus.

Lucas 1,34-35: “Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”.

A , no evangelho de João, a apresentação da divindade de Jesus na encarnação do Verbo, o eterno Logos de Deus.

João 1, 1 4: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

A natureza humana de Jesus não modifica em nada sua natureza divina, na encarnação as naturezas divina e humana não se misturam. O Verbo assumiu a natureza humana, de forma que os atributos humanos e divinos permaneceram intactos, pois o Verbo é imutável. Esta é a necessidade da encarnação, pois o Verbo, sendo imutável, e como consequência impassional, não poderia sofrer, daí a necessidade da natureza humana.

Essa afirmação não gera contradição filosófica, pois Jesus Cristo é um em pessoa e dois em outros atributos. Ele não poderia ser uma natureza assumindo outra natureza, nem uma pessoa assumindo outra pessoa.

Don Fortner: “Aquele bebê nascido em Belém é o próprio Deus eterno. Embora Ele fosse dependente do leite do seio de Sua mãe para viver, Ele é o Deus que formou os seios que O amamentavam. Embora Maria O segurasse em seus braços, Ele é o Deus que sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder. Embora Ele tenha aprendido a andar e falar, e tenha crescido como qualquer outra criança, Ele é o Deus onisciente e onipotente. Embora Ele tenha vivido como um homem em obediência deliberada, voluntária e perfeita à lei, Ele é o Deus que deu a lei a Moisés. Embora Ele tenha morrido sob a penalidade da lei como um homem em lugar de pecadores, aquele homem que morreu é Deus!”.

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Última atualização em Qua, 17 de Outubro de 2012 06:52  

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