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A Trindade - Proposições da Doutrina - Livreto - HELIO

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Por: Helio Clemente

 

Este é um livreto retirado da “Teologia Sistemática” do mesmo autor.

As proposições da doutrina:

 

Louis Berkhof: “A doutrina da Trindade depende decisivamente da revelação, é uma doutrina que não teríamos conhecido, nem teríamos sido capazes de sustentar com algum grau de confiança somente com base na experiência, e que foi trazida ao nosso conhecimento unicamente pela auto-revelação especial de Deus, portanto é de máxima importância reunir suas provas escriturísticas”.

Seguem abaixo as proposições da doutrina acompanhadas das provas escriturísticas de cada uma delas:

 

1 – Existe um só Deus, eterno, imutável e indivisível

 

Deuteronômio 6,4: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR”.

2 – As três pessoas da Trindade são de forma individual, plena e igualmente Deus

Não existe contradição na doutrina da Trindade, pois Deus é um de uma forma e três em uma formulação diferente.

O Pai:

Nunca houve na história da igreja nenhuma dúvida quanto à divindade e eternidade do Pai, todas as controvérsias sobre a trindade recaíram sobre o Filho (Verbo) e o Espírito.

Quanto ao Pai, este nome pode ter sentidos diversos na bíblia, em alguns casos ele pode ser dirigido ao Deus triúno, como nos versos abaixo.

1 Coríntios 8,6: “Todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós também, por ele”.

Tiago 1,17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”.

Hebreus 12,9: “Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos?”.

Efésios 3,14-15: “Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra”.

O nome Pai também pode ser atribuído ao Deus Triúno quando significa a relação pactual entre Deus e o povo hebreu.

Isaías 63,16: “Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó SENHOR, és nosso Pai; nosso Redentor é o teu nome desde a antiguidade”.

Malaquias 1.6: “O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? — diz o SENHOR dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome?”.

Deuteronômio 32,6: “É assim que recompensas ao SENHOR, povo louco e ignorante? Não é ele teu pai, que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?”.

No Novo Testamento o nome Pai também é usado para designar de forma específica o relacionamento de Deus, o Pai, com o Filho em seu tabernáculo terreno.

João 1,14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

João 5,17: “Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”.

Ainda no Novo Testamento o nome Pai ainda pode ser usado como designativo do Deus triúno em um sentido representativo de seus filhos.

Romanos 8,16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”.

Mateus 5,4 “Para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”.

Mateus 6,8: “Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais”.

O Filho é Deus:

Jesus não é o Filho de Deus em um sentido figurado, mas ele se coloca como Filho de Deus em um sentido metafísico, ou seja, ele está afirmando que possui a mesma natureza (ou essência) de Deus, ou seja, Jesus proclamava sua divindade ao mesmo nível do Pai. Os judeus entenderam perfeitamente o que ele queria dizer, por este motivo desejavam matá-lo, se tivessem entendido que Jesus se fazia filho de Deus em um sentido figurado não teriam se preocupado com ele.

Jesus é o eterno Filho de Deus, a relação de filiação entre o Pai e o Verbo é eterna, pode-se ver isto expresso claramente no Velho Testamento toda vez que Deus é chamado de Redentor. O verso abaixo no Livro de Jó é característico.

Jó 19,25: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra”.

Pode-se ver também esta aplicação no livro dos Salmos, em Isaías e Jeremias.

Salmos 78,35: “Lembravam-se de que Deus era a sua rocha e o Deus Altíssimo, o seu redentor”.

Isaías 47,4: “Quanto ao nosso Redentor, o SENHOR dos Exércitos é seu nome, o Santo de Israel”.

Jeremias 50,34: “Mas o seu Redentor é forte, SENHOR dos Exércitos é o seu nome; certamente, pleiteará a causa deles, para aquietar a terra e inquietar os moradores da Babilônia”.

Este outro verso em Gálatas também é esclarecedor, Deus não criou o seu Filho na plenitude do tempo, apenas o enviou, o que indica claramente a pré-existência do Filho.

Gálatas 4,4: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Jesus coloca seu relacionamento com o Pai em nível de igualdade, chamando-o simplesmente de Pai, ou, meu Pai, denotando desta forma uma consciência de um relacionamento singular e familiar, impossível a qualquer outra pessoa.

João 20,17: “Recomendou-lhe Jesus: Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai, mas vai ter com os meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus”.

Jesus também é chamado de unigênito Filho de Deus, o que não seria próprio se ele fosse apenas um dos filhos de Deus, ou se intitulasse filho de Deus em um sentido figurativo. Desta forma, sendo o Filho unigênito, ele se declara como o único capaz de revelar a Deus. Esta afirmação traz em seu bojo um conhecimento que extrapola o conhecimento humano, pois na verdade, Jesus está afirmando que já viu a Deus e o conhece como Ele realmente é.

João 1,18: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou”.

Jesus é Deus encarnado:

Esta é uma afirmação visceral para a subsistência do cristianismo, os maiores ataques contra a igreja de Deus, em todos os tempos, se referem à natureza da pessoa de Cristo. A grande maioria dos religiosos que se intitulam “cristãos” não fazem a menor distinção entre Cristo ser Deus encarnado ou um homem de grande virtude que foi elevado à divindade em função de uma vida de alto padrão moral.

João 1,14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

Jesus Cristo, o Messias: O Messias é relacionado com a filiação eterna do Verbo, Jesus somente pode ser identificado como o Messias através da filiação eterna e da participação na natureza divina, por este motivo, Deus é chamado Deus e Pai do Filho.

2 Coríntios 11,31: “O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é eternamente bendito, sabe que não minto”.

Efésios 1,3: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo”.

Jesus também recebe o nome de Filho de Deus devido à paternidade divina em sua encarnação.

Lucas 31-32: “Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai”.

Jesus é chamado de unigênito, como foi visto acima, isto denota a filiação eterna do Verbo. Ele também é chamado de primogênito, mas esta primogenitura é referente à criação, significa que ele existe como Filho antes da criação do mundo, ou seja: Gerado, não criado, Deus como Deus em todos os aspectos essenciais, chamado Filho por uma relação existente eternamente nas funções assumidas pelas pessoas da trindade no plano eterno de Deus.

Colossences 1,15: “Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”.

O Filho subsiste pessoalmente desde toda a eternidade: A pessoalidade do Filho é outra afirmação que tem sido atacada ao longo do tempo, é preciso ter consciência da personalidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo como três pessoas, ou subsistências, distintas, mas iguais em essência e natureza. Neste sentido, Cristo é chamado de “imagem de Deus”.

2 Coríntios 4,4: “Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”.

Berkoff: “Se a geração do Filho é um ato necessário do pai, de modo que é impossível entende-lo como não gerando, naturalmente participa do pai na eternidade. Não significa, porém, que seja um ato que se realizou completamente no passado distante, mas antes, que é um ato atemporal, o ato de um eterno presente, um ato que se realiza continuadamente e, todavia, sempre de maneira completa”.

Miquéias 5,2: “E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”.

Isaías 9,6: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

A divindade e pessoalidade do Espírito Santo

O Espírito é Deus:

2 Coríntios 3,17: “Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade”.

O Espírito participa da criação.

Gênesis 1,2: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”.

A Escritura atribui designação divina ao Espírito Santo, como se pode ver nos versos abaixo.

1 Coríntios 3,16: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”.

2 Pedro 1,21: “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”.

Também são atribuídos ao Espírito as perfeições próprias do Ser divino, como:

Onisciência – Isaías 40,13: “Quem guiou o Espírito do SENHOR? Ou, como seu conselheiro, o ensinou? Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de entendimento?”.

Onipresença - Salmo 139,7-10: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da alvorada e me detenho nos confins dos mares, ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá”.

Onipotência – 1 Coríntios 12,11: “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente”.

Eternidade - Hebreus 9,14: “Muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!”.

O Espírito é pessoal.

Atos 5,3-4: “Então, disse Pedro: Ananias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? Conservando-o, porventura, não seria teu? E, vendido, não estaria em teu poder? Como, pois, assentaste no coração este desígnio? Não mentiste aos homens, mas a Deus”.

Isaías 63,10: “Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles”.

O Espírito opera a regeneração dos filhos de Deus.

Tito 3,5: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”.

O Espírito opera a ressurreição.

Romanos 8,11: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita”.

O Espírito é honrado juntamente e da mesma forma que o Pai e o Filho.

Mateus 28,19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.

O Espírito Santo é o inspirador da Escritura.

1 Pedro 1,20-21: “Sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”.

A obra do Espírito na economia da trindade:

É muito importante frisar que a obra do Espírito no plano de salvação segue a obra de Cristo, que por sua vez segue a obra do Pai. O Espírito complementa a obra do Pai e do Filho operando a salvação e preservação dos eleitos após a justificação, divorciar o Espírito da obra de Cristo é algo bastante comum nas modernas religiões pentecostais, criando um misticismo vazio que nada tem a ver com o cristianismo bíblico.

João 15, 26: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim”.

3 – O Pai, o Filho e o Espírito Santo constituem-se em três pessoas distintas.

Marcos 1,10-11: “Logo ao sair da água, viu os céus rasgarem-se e o Espírito descendo como pomba sobre ele. Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo”.

1 João 5,7: “Pois há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um”.

1 Pedro 1,2: “Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas”.

2 Coríntios 13,14: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós”.

Isaías 61,1: “O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados”.

A revelação da Trindade

A trindade divina é uma doutrina revelada, como tal não é recebida por sensações ou experiência, somente pela Escritura. Nestes dois versos abaixo no Novo Testamento a pluralidade das pessoas é claramente revelada.

1 João 5,7: “Pois há três que dão testemunho no céu: o Pai, a Palavra e o Espírito Santo; e estes três são um”.

Gálatas 4,6: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!”.

Nestes trechos abaixo do Velho Testamento Deus é manifesto em pessoas distintas como se pode comprovar pelos nomes diferentes no texto hebraico. Isso acontece com frequência nos salmos e em outras passagens.

Oséias 1,7: “Porém da casa de Judá me compadecerei e os salvarei pelo SENHOR (YAHWEH), seu Deus (ELOHIM), pois não os salvarei pelo arco, nem pela espada, nem pela guerra, nem pelos cavalos, nem pelos cavaleiros”.

Salmo 110,1: “Disse o SENHOR (YAHWEH) ao meu senhor (ADONAI): Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.

Deuteronômio 6,4: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR”.

Ou seja: “YAHWEH, nosso Elohim é o único YAHWEH”.

A subordinação aparente na Trindade

A bíblia apresenta o Filho como subordinado ao Pai e o Espírito como subordinado ao Pai e ao Filho, mas esta aparente subordinação é funcional e não hierárquica. Visto que as três pessoas são iguais em sua essência, essa divisão de funções dentro da divindade acontece por consenso recíproco.

João 14,28: “Ouvistes que eu vos disse: vou e volto para junto de vós. Se me amásseis, alegrar-vos-íeis de que eu vá para o Pai, pois o Pai é maior do que eu”.

Neste verso de João, cabe uma explicação: Durante seu tabernáculo aqui na terra, Jesus assumiu a forma de servo, prestando ao Pai a obediência total, até a morte na cruz, obediência esta que Adão não houvera sido capaz de cumprir. Por esta submissão voluntária, Jesus Cristo cumpriu toda a obediência devida e morreu em lugar dos eleitos de Deus, possibilitando, desta forma a aquisição da redenção para seu povo que lhe foi dado pelo Pai na eternidade.

João 15, 16: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda”.

Isaías 48,16: “Chegai-vos a mim e ouvi isto: não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que isso vem acontecendo, tenho estado lá. Agora, o SENHOR (YAWEH) Deus (ELOHIM) me enviou a mim e o seu Espírito”.

A TRINDADE NO LIVRO DE PROVÉRBIOS

A personificação da “Sabedoria” em Provérbios é equivalente ao Verbo no evangelho de João, pode-se comprovar este fato nos versos abaixo:

Provérbios 8,22-31: “O SENHOR me possuía no início de sua obra, antes de suas obras mais antigas. Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra. Antes de haver abismos, eu nasci, e antes ainda de haver fontes carregadas de águas. Antes que os montes fossem firmados, antes de haver outeiros, eu nasci. Ainda ele não tinha feito a terra, nem as amplidões, nem sequer o princípio do pó do mundo. Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; quando firmava as nuvens de cima; quando estabelecia as fontes do abismo; quando fixava ao mar o seu limite, para que as águas não traspassassem os seus limites; quando compunha os fundamentos da terra; então, eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo; regozijando-me no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens”

Estes versos deixam esclarecida a pessoalidade da “Sabedoria”, nos versos anteriores, esta sabedoria é entendida como um efeito literário, mas a partir do verso vinte e dois, a “Sabedoria” está claramente personificando o Logos de Deus, que pode ser entendido como um sinônimo desta palavra, o diálogo é claro e pessoal: Eu estava com Ele, eu era arquiteto, eu era suas delícias, regozijando-se em seu mundo habitável.

Estes versos, além de trazer uma clara revelação da pluralidade do Ser de Deus, nos trazem também uma ideia da felicidade de Deus resultante de sua pluralidade.

A sabedoria, nestes versos, representa claramente o Logos de Deus, o Verbo, como já foi visto acima, mas pode ser entendido por estes versos, que ele foi gerado, significaria isto que o Verbo foi criado? Está escrito: “O Senhor me possuía no início de sua obra”.

A palavra “criar” (barah) não é utilizada neste verso, a palavra utilizada é “quanah”, isto significa somente o início da participação do Filho na obra da criação. Nos versos posteriores, encontram-se: Eu nasci, ou gerado em outras versões, mas também não se utiliza a palavra hebraica correspondente para a criação - barah - mas a palavra “chuwl” que significa uma espera ansiosa ou a manifestação: O chamado ao Filho para participar na obra da criação (“Faça-se a luz”). Neste momento o Verbo começa a agir na ação criadora do universo.

As analogias comparativas da Trindade

Não se devem fazer analogias comparativas da Trindade, pois todas elas são falhas e trazem uma ideia deformada deste fato: A árvore com a raiz, o tronco e as folhas; a água em seus três estados; um trevo de três folhas; um homem que exerce três atividades distintas e outras.

Agostinho sugere uma analogia interessante, pois não se tratam de exemplos, mas da própria natureza do homem: Ser, conhecer e querer. Estas três coisas apresentam a unidade da vida, da inteligência e da essência da pessoa, elas subsistem em unidade indivisível em uma única pessoa, todavia, a compreensão desta analogia não leva ao conhecimento da Trindade, pois o ser, conhecer e querer da criatura é mutável e não é próprio da criatura, pois somente Deus é auto-existente, onisciente e todo-poderoso, de forma que somente Ele existe por si mesmo, conhece todas as coisas e pode todas as coisas.

Agostinho: “Eis as três coisas: ser, conhecer, querer. Porque existo, conheço e quero. Eu sou aquele que conhece e quer. Sei que existo e que quero, e quero existir e conhecer. Repare, quem puder, como nessas três coisas a vida é indivisível, a unidade da vida, a unidade da inteligência, a unidade da essência; veja a impossibilidade de distinguir elementos inseparáveis e, contudo, distintos. O homem está diante de si mesmo; que ele se examine, veja e me responda. Contudo, por ter encontrado e reconhecido esta analogia, não julgue por isso ter compreendido a essência do Ser imutável, que transcende tais movimentos da alma, que existe imutavelmente, conhece imutavelmente e quer imutavelmente”.

Todas as analogias falham em definir e explicar a Trindade, pois nada no mundo material pode se comparar à complexidade do Ser de Deus, o pregador deve colocar os princípios da doutrina, mas a compreensão virá fatalmente da aplicação do entendimento pelo Espírito, nenhum pregador tem, em si mesmo, o poder de convencer e converter pessoas, somente o chamado de Deus em Cristo e através do Espírito pode fazer isto, portanto, limite-se o pregador, o evangelista e o missionário a pregar a palavra, de forma fiel, todo o resto é obra do Espírito.

A TRINDADE NO VELHO TESTAMENTO

O Velho Testamento não contém a plena revelação da Trindade, mas contém muitas referências e indicações. A doutrina da Trindade é tratada, na bíblia, como uma realidade e se revela com os fatos descritos. A doutrina da Trindade parte sempre do monoteísmo judaico para a definição da pluralidade do Ser de Deus.

A Trindade na criação:

O Velho Testamento revela em seus primeiros versos a existência e funções da Trindade divina, no livro do Gênesis, os três primeiros versos se referem ao Pai como origem e autoridade na criação, o Espírito como operador e o Filho como a Palavra de Deus pela qual todo o universo veio à existência.

Deus o Pai - Gênesis 1,1: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”.

Deus o Espírito - Gênesis 1,2: “A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”.

Deus a Palavra - Gênesis 1,3: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz”.

Pluralidade:

Deus fala de si mesmo no plural, o que sugere a existência de distinções pessoais que não indicam a triplicidade propriamente dita, mas a indicam uma pluralidade no Ser de Deus que não tem o significado de um plural simples ou majestático como se pode imaginar, mas indicam a diversidade de pessoas, ou centro de consciências, na essência do Deus único de Israel.

Gênesis 1,26: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”.

O que se pode ver neste verso não é somente a pluralidade do ser de Deus, mas também sua unidade que se alterna com a pluralidade, pois o verso começa com: “Disse Deus” – a unidade, em seguida: “Façamos o homem à nossa imagem” – a pluralidade.

No próximo verso, volta-se à unidade de Deus:

Gênesis 1,27: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem...”.

Vê-se novamente o mesmo caso nos versos do Gênesis abaixo, referentes à construção da Torre de Babel:

Gênesis 11,7: “Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro”.

Vemos neste verso a pluralidade do ser de Deus: “desçamos e confundamos”.

Logo em seguida, no próximo verso vemos novamente a unidade de Deus: “confundiu o SENHOR” – “o SENHOR os dispersou...”.

Gênesis 11,8: “Chamou-se-lhe, por isso, o nome de Babel, porque ali confundiu o SENHOR a linguagem de toda a terra e dali o SENHOR os dispersou por toda a superfície dela”.

Este plural, na língua hebraica não significa um plural majestático ou deliberativo ou ainda numérico, estas possibilidades não existiam no antigo hebraico, mas este plural aponta para a diversidade na unidade, como a água que pode se apresentar em gotas de chuva, neve, riachos ou o oceano, ou ainda o céu, que pode ser o céu atmosférico, a imensidão do espaço ou o céu habitação de Deus. Esta mesma diversidade pode ser observada na palavra Elohim, que apresenta Deus no plural, mas não numérico ou majestático, porém indicando a diversidade na unidade do Ser de Deus.

A fórmula tripla de adoração em Isaías:

Na visão de Deus de Isaías assim como no livro do Apocalipse os seres celestes adoram a Deus de forma tripla: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos”.

Isaías 6,3: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”.

Apocalipse 4,8: “E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir”.

Nota: Os autores do Velho Testamento são totalmente insuspeitos ao escrever nesta forma, pois não existia nesta época a mínima possibilidade de discussão ou questionamento a respeito da Trindade.

A triunidade intelectual de Deus:

Uma mente única, de uma única natureza e propósito, pertencente a uma única essência e simultaneamente própria a três individualidades oniscientes, imutáveis e eternas que constituem um único Ser – Deus.

Pericorese: Termo criado por João Damasceno no século VIII d.C. que indica a comunhão imutável, recíproca e contínua entre as três pessoas da Trindade. Desta forma, Agostinho afirma que toda a criação é realizada a um só tempo pelas três pessoas, não há nada que seja realizado individualmente por uma delas, todas as coisas são trazidas à existência ou realizadas pelo Pai, através do Filho no dom do Espírito.

A onisciência: A onisciência, tanto quanto a imutabilidade das pessoas divinas abrange o conhecimento mútuo exaustivo e permanente da mente de cada uma delas pelas outras duas caracterizando, desta forma uma mente única, todavia esta mente comum às pessoas da Trindade não interfere nos pensamentos, também imutáveis e eternos, próprios a cada uma das pessoas em função da participação de cada uma delas na execução do Decreto de Deus, pensamentos estes, que apesar de próprios de cada uma das pessoas, sendo exaustivamente conhecidos pelas outras duas, fazem parte da mente única e onisciente de Deus.

Mateus 11,27: “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

1 Coríntios 2,10: “Mas Deus no-lo revelou pelo Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus”.

A imutabilidade: A consideração da imutabilidade de Deus é de extrema importância nesta definição, pois desta forma, tanto o conhecimento objetivo que define a onisciência de Deus quanto o conhecimento subjetivo de cada uma das pessoas divinas são eternamente existentes, imutáveis e exaustivamente conhecidos por todas as três pessoas, não implicando em aprendizado, esquecimento, aquisição ou perda de conhecimento objetivo ou subjetivo, geral ou particular, pois é inviável a existência comum de centros de consciência mutáveis dentro da onisciência divina.

O tempo: Outra consideração é a respeito do tempo, ele não existe na eternidade, logo, não são tomadas, por Deus ou pelas pessoas divinas, decisões, não existe pensamento sequencial na mente das pessoas divinas, mas todas as determinações e propósitos existem simplesmente de forma eterna e imutável na mente única e nos centros individuais de consciência em um presente todo abrangente e simultâneo, de forma consensualmente estabelecida e imutável desde toda a eternidade sendo executadas ao longo do tempo através das obras da providência.

A vontade: Assim como foi feita uma consideração fundamental a respeito da imutabilidade da mente divina, tanto quanto dos centros de consciência, cabe agora fazer mais uma consideração a respeito da vontade divina: A vontade de Deus pertence à sua essência e desta forma a mesma vontade dirige a mente objetiva do Deus único tanto quanto dirige os centros de consciência individuais, de forma que todo o pensamento existente nos centros de consciência individuais são os pensamentos do Deus único, uma vez que são movidos pela mesma vontade, que é eterna e imutável.

Incomunicabilidade: Cada uma das pessoas da Trindade se distingue das outras por propriedades e funções específicas, desta forma tudo o que é peculiar a cada uma das pessoas individualmente não pode ser transferido às outras pessoas. O Pai é o Pai, não é o Filho ou o Espírito, o Filho é o Filho, não é o Pai ou o Espírito, o Espírito é o Espírito, não é o Pai ou o Filho.

Institutas, livro I, Capítulo XIII: Em um terceiro aspecto, afirmo ser incomunicável tudo quanto é peculiar a cada um individualmente, porquanto não pode competir com, ou transferir-se ao Filho, o que quer que se atribui ao Pai como característica de diferenciação.

A distinção entre as pessoas: Assim, as pessoas da Trindade, ao mesmo tempo em que têm a mente divina em sua plenitude, também possuem formas subjetivas e distintas de pensamentos concernentes às funções existentes na economia da Trindade, constituindo três centros de consciência, também plenamente abrangidos pelas pessoas divinas dentro da mente única onisciente pertencente à essência divina.

Uma mente única: Todavia, como todos os pensamentos divinos, comuns ou individuais, são imutáveis e atemporais, sendo originados na mesma vontade e de conhecimento exaustivo de todas as pessoas da Trindade, estes pensamentos individuais, também fazem parte da mente de cada uma das outras pessoas, pelo que todas estas pessoas possuem uma única mente que é própria da essência da divindade.

Portanto, estes centros de consciência fazem parte da uma única mente de Deus, que abrange o conhecimento geral (ou objetivo) e os centros de consciência individuais
(ou subjetivos), justamente por serem eles eternos, imutáveis e frutos de uma única vontade.

Por todos estes motivos, repetimos: O Pai não é o Filho ou o Espírito, o Filho não é o Pai ou o Espírito e o Espírito não é o Pai ou o Filho, mas todos constituem um único Deus conforme revelado pela Escritura.

Estes três centros de consciência são as três pessoas da Trindade, apesar de distintos são absolutamente consensuais, e também exaustivamente conhecidos por cada uma das pessoas em relação às outras duas dentro da divindade única.

Sendo permanentes e imutáveis, constituem desta forma, partes indivisíveis de uma única mente onisciente, própria ao mesmo tempo, às três pessoas da Trindade e contendo todos os pensamentos gerais e individuais da divindade única de forma plena, absoluta, imutável e eternamente existente na essência de Deus.

Desta forma, as três pessoas divinas pertencem umas as outras e suas disposições são sempre unas e indivisíveis, pois estas pessoas constituem uma essência absolutamente simples, sendo movidas pela mesma vontade eterna e imutável.

Este conhecimento recíproco imenso, eterno e imutável, derivado de uma vontade única e inquestionável que é comum ao Pai e ao Filho e ao Espírito é a base do amor de complacência: O amor infinito, eterno, recíproco e inalterável entre as pessoas da trindade divina.

Avalie, você mesmo, se é possível comparar este amor entre as pessoas da trindade com o amor de sentimentos que move o homem.

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Última atualização em Qua, 17 de Outubro de 2012 06:46  

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