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Pneumatologia - Doutrina do Espírito Santo

A DOUTRINA DA TRINDADE NA IGREJA

A doutrina da Trindade na igreja

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Por: Helio Clemente

 

A doutrina da trindade trouxe grandes dificuldades para a igreja nos primeiros séculos da era cristã, só veio a ser constituída em sua formulação definitiva no século V, por intermédio de Agostinho, em sua obra: “De Trinitatis”.

A doutrina da Trindade conforme formulada por Agostinho foi integralmente aceita pelos reformadores, não tendo sofrido nenhuma mudança durante mil anos que separam Agostinho da Reforma Protestante, mas, após a reforma, surgiram formulações errôneas da Trindade, visando defender heresias antibíblicas e posições doutrinárias pessoais que não encontram apoio na Escritura.

Agostinho (Confissões): “Pelo vocábulo “Deus” eu já entendia o Pai, que criou essas coisas; na palavra “princípio” eu entendia o Filho, em quem ele as criou. E, como eu acreditava na Trindade de meu Deus, eu a procurava em tuas santas palavras. E vi em tuas Escrituras que teu Espírito pairava sobre as águas. Eis tua Trindade, meu Deus, Pai, Filho, Espírito Santo, Criador de toda criatura!”.

O conceito da Trindade Divina foi firmado na igreja através dos conceitos agostinianos pelo Credo de Atanásio, que foi estabelecido em caráter definitivo somente no século VIII d.C. e tem este nome em homenagem a Atanásio, Pai da Igreja que viveu no século IV d.C. O Credo Atanasiano é bastante longo, mas, para efeito deste estudo, estão transcritos abaixo seus itens 3 a 12.

Credo Atanasiano, itens 3 a 12: “Mas a fé universal é esta, que adoremos um único Deus em Trindade, e a Trindade em unidade. Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância. Porque a pessoa do Pai é uma, a do Filho é outra, e a do Espírito Santo outra. Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma mesma divindade, igual em glória e co-eterna majestade. O que o Pai é, o mesmo é o Filho, e o Espírito Santo. O Pai é não criado, o Filho é não criado, o Espírito Santo é não criado. O Pai é ilimitado, o Filho é ilimitado, o Espírito Santo é ilimitado. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno. Contudo, não há três eternos, mas um eterno. Portanto não há três (seres) não criados, nem três ilimitados, mas um não criado e um ilimitado”.

João Calvino: “Entretanto, não convém passar em silêncio a distinção que observamos expressa nas Escrituras, e esta é que ao Pai se atribui o princípio de ação, a fonte e manancial de todas as coisas; ao Filho a sabedoria, o conselho e a própria dispensação na operação das coisas; mas ao Espírito se assinala o poder e a eficácia da ação”.

É preciso salientar que não existiu em Deus uma escolha para ser uma trindade de pessoas, Deus existe eternamente como uma Trindade, sendo que, esta forma de existência é inerente ao Ser divino não por criação, escolha ou contingência, mas simplesmente por necessidade, Deus não poderia existir em outra forma diversa.

Os principais movimentos de negação da trindade divina após a Reforma, que persistem até os dias atuais, são os seguintes:

– Arminianismo (livre-arbítrio): Os defensores desta corrente atribuem ao Pai, autoridade e preeminência sobre as outras duas pessoas, negam direta ou indiretamente a divindade de Cristo ao reduzir o valor de sua obra perfeita, tornando-a um mero auxílio à salvação do homem que deverá decidir pela sua própria salvação, e trazem mérito e justiça própria ao homem para perseverar em sua salvação à parte da ação do Espírito.

Ainda em uma vertente mais sutil, os arminianos admitem a graça de Deus e a operação do Espírito como início do processo de salvação, ficando a cargo do homem a aceitação ou rejeição de Cristo e a perseverança na salvação, que poderá ser perdida e recuperada ao longo da vida.

Negam, sem dúvida, a Trindade, a graça de Deus, a suficiência do trabalho de Cristo e a operação do Espírito na salvação. Ao negar a operação exclusiva do Espírito de Deus na aplicação e operação da salvação e perseverança dos santos, cometem o pecado imperdoável, pois estão atribuindo ao homem caído uma obra que pertence unicamente ao Espírito Santo.

Historicamente, os grandes movimentos arminianos, tanto na Inglaterra como nos EUA acabaram conduzindo seus aderentes ao unitarismo, que é uma heresia mais coerente com o desejo do homem valorizar a si mesmo.

– Unitarianismo ou unitarismo: Não existe uniformidade nesta doutrina, existe em comum a negação da Trindade e a afirmação da existência de um deus constituído de uma só pessoa, os seguidores desta outra heresia adotaram algo próximo ao arianismo ou ainda ao modalismo, conforme Sabelius, mas em geral, negando abertamente a divindade de Cristo e afirmando existir somente uma pessoa em Deus, que se manifesta de diferentes modos ao longo da história bíblica, e ainda, que Jesus é um mero homem piedoso que serve de exemplo para a humanidade.

– Modernistas (dispensacionalistas): Para estes Jesus é um simples homem e o Espírito uma manifestação, ou emanação, do poder de Deus; não acreditam na divindade de Cristo ou na Trindade Divina. Incluem-se neste caso os Adventistas do Sétimo Dia, as Testemunhas de Jeová, os unitaristas e dispensacionalistas em geral.

– Irracionalismo: Deus é incognoscível, não existe possibilidade de se conhecer a Deus de nenhuma forma, o que vale na adoração é a paixão e os sentimentos do homem (Kierkegaard, Karl Barth, Emil Bruner). Karl Barth assume que Deus se revela pela Escritura, mas continua da mesma forma sendo “O Totalmente Outro”, do qual não se pode apreender nenhuma verdade, mas isto não é importante, pois conforme os aderentes desta heresia, a bíblia contém paradoxos e contradições não possuindo um caráter histórico, é apenas um livro de fé (?). Este movimento pode ser identificado com o agnosticismo e não deixa de ser ateísmo prático.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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