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Teológicos

A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO – MAX WEBER

A obra é composta por cinco capítulos, distribuídos em duas partes (que correspondem aos dois artigos já citados).

  • O capítulo inicial discute a relação entreFiliação religiosa e estratificação social na Alemanha. Partindo de diversos estudos estatísticos de seu país, Weber verificou uma relação entre crença religiosa e tipo de atividade econômica. Ele constatou que proprietários do capital, empresários e mão de obra qualificada, eram, em regra, de origem protestante. No campo da educação, por sua vez, católicos tinham inclinação para uma educação humanística, enquanto os protestantes preferiam uma educação de tipo técnico. Qual a razão para essa tendência para o racionalismo econômico por parte dos protestantes?
  • Visando explicar a razão desse fenômeno, no capítulo seguinte, Weber apresenta sua definição deespírito do capitalismo. Aqui que ele definiu seu objeto de pesquisa, considerado por ele uma “individualidade histórica”. Evitando dar definições abstratas, escolheu, como exemplo dessa forma de comportamento, as máximas de Benjamin Franklin: tempo é dinheiro, crédito é dinheiro, dinheiro é fértil por natureza, o bom pagador sempre terá crédito, as mínimas ações afetam o crédito etc. Nessas regras, ele viu a manifestação de certo espírito moral ou ethos: a ideia da profissão como dever e da necessidade de se dedicar ao trabalho produtivo como fim em si mesmo. Essa forma de encarar diferenciava-se, claramente, do tradicionalismo econômico, pois aqui o indivíduo apenas se dedicava ao trabalho enquanto algo necessário, mas não como um valor intrínseco, um fim em si mesmo. O tradicionalismo foi o grande inimigo do espírito do capitalismo. Ao final do capítulo, Weber distinguiu, claramente, entre a “forma” e o “espírito” do capitalismo, afirmando que trataria apenas do primeiro desses elementos. Ele também negou qualquer tipo de ligação necessária (ou não histórica) entre a forma do capitalismo e seu espírito.
  • Isso o leva às raízes religiosas dessa forma de ação e à análise do “Conceito de vocação em Lutero”. Analisando a tradução que Lutero fez da Bíblia e do termo “profissão” ou “vocação” (em alemão Beruf), ele diz estar aí presente uma ideia nova: a de uma missão dada por Deus. Lutero teve um papel fundamental na origem do espírito do capitalismo ao levar a ascese dos monges para a prática cotidiana. Dessa forma, conferiu um valor religioso ao trabalho. O senso de dever e de disciplina que o monge pratica fora do mundo (ascese extramundana) passou a ser exigida de todo e qualquer leigo cristão dentro do mundo (ascese intramundana). Mas, em Lutero, o tipo de profissão exercido pelo indivíduo ainda era concebido de forma tradicionalista. Não era objetivo de Lutero dar sustentação ideológica ao capitalismo nascente, pois a influência de suas teses foi concebida por Weber como uma consequência não premeditada por ele. Não obstante, Weber quis averiguar qual a “afinidade eletiva” entre a moral protestante e a conduta capitalista.
  • Na segunda parte do livro Os fundamentos religiosos da ascese intramundana“, ele analisa os principais ramos do protestantismo posterior a Lutero também chamado de “Protestantismo ascético” ou “Puritanismo”. De um lado estão as seitas que aceitam a tese da predestinação (segundo a doutrina de João Calvino, Deus escolhe quem será salvo, independentemente dos méritos e do conhecimento dos indivíduos), como é o caso do Calvinismo e do Pietismo. Um segundo portador importante do Puritanismo são os grupos anabatistas que apregoam a necessidade de separar puros e impuros e, por isso, rebatizar todos os cristãos adultos. Em ambos os casos, o indivíduo tinha que provar sua qualificação religiosa com base no trabalho árduo, sério, honesto e disciplinado.
  • As consequências econômico-sociais de todo esse processo são analisadas no último capítulo chamado de “Ascese e capitalismo. Nesse capítulo, Weber demonstrou como essas crenças religiosas modificaram a visão religiosa que se tinha da riqueza. Ela nunca poderia ser um fim em si mesma, mas agora era considerada como uma comprovação da honestidade e da idoneidade religiosa do indivíduo. Nunca a riqueza tinha sido vista de forma tão positiva. A partir dessa crença, a dedicação ao esporte, às artes e as outras atividades era considerada uma falha com a principal obrigação da vida: trabalhar. A religião protestante contribuiu assim para formar o moderno homem de negócios e mesmo o trabalhador dos tempos atuais: “ela fez a cama para o homem econômico moderno” (p.158). O espírito profissional dos tempos modernos tem sua raiz na moral religiosa puritana. Em outros termos, apesar de atualmente estar apagada, a motivação religiosa está por detrás do impulso aquisitivo que está na base da conduta capitalista.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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