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Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

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A Expectativa no Divino (parte 1)

A EXPECTATIVA NO DIVINO

João 10,24: “Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente”.

O último domingo antes da páscoa, este dia marca o início da semana mais importante da vida terreal de Jesus, a última semana. Este domingo é conhecido na tradição católica como “Domingo de Ramos”. A festa da páscoa judaica era comemorada durante toda uma semana, o apóstolo João descreve os acontecimentos desta semana.

João 12, 1-3: “Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus para Betânia, onde estava Lázaro, a quem ele ressuscitara dentre os mortos. Deram-lhe, pois, ali, uma ceia; Marta servia, sendo Lázaro um dos que estavam com ele à mesa. Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo”.

Vemos por este verso que Maria que ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos era irmã de Marta e Lázaro, não era uma prostituta e nem tampouco Maria Madalena. No dia seguinte Jesus seguiu para Jerusalém, sendo recebido com júbilo pelo povo.

João 12,12-13: “No dia seguinte, a numerosa multidão que viera à festa, tendo ouvido que Jesus estava de caminho para Jerusalém, tomou ramos de palmeiras e saiu ao seu encontro, clamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel”!

A expectativa dos judeus na vinda do Messias era a retomada do reino davídico, ou seja, a destruição do império romano e a submissão de todos os povos: A restauração do reino de Davi, poder e glória entre todos os povos.

Desde o retorno do exílio os judeus sofreram várias invasões sendo dominados por outros povos: os gregos – Alexandre o grande, depois dele seus generais: Ptolomeu e Seleuco; os sírios – Antíoco Epifânio e finalmente os romanos.

Entre 323 e 301 A.C. a Palestina é cruzada cerca de oito vezes por exércitos em luta, daí as desgraças que atingem a região: pilhagens, requisições, deportações, desmantelamento de defesas e bens imóveis. Quando Jesus iniciou seu ministério a Judéia era dominada pelos romanos, odiados pelos judeus.

Este sonho da retomada do reino davídico, por incrível que pareça, ainda é sustentado por muitas religiões e seitas ditas cristãs, eles acreditam que no final dos tempos Jesus voltará à terra para estabelecer o reino davídico por um período de mil anos.

Esta confusão é estabelecida em função de uma má interpretação da Escritura:

Jeremias 23,5-6: “Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado: SENHOR, Justiça Nossa”.

Os judeus interpretavam este verso como a restauração do reino de Davi, mas as promessas de Deus não são para esta vida terrena, Jesus afirmou reiteradas vezes que o seu reino não era deste mundo.

Esta má interpretação da Escritura ocorre sempre que os religiosos procuram encontrar, na bíblia, suporte para os seus próprios pensamentos, a Palavra foi dada para que os homens dirijam suas vidas pelos preceitos divinos e não para dar suporte à cobiça destes pretensos religiosos mal intencionados.

Voltemos à páscoa, nesta última semana Jesus revelou-se claramente aos apóstolos e ao povo; as palavras e propostas de Jesus eram extremamente frustrantes para os judeus que sonhavam com um reino material.

João 10,33: “Responderam-lhe os judeus: Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”.

Jesus declarou por várias vezes que era o Filho de Deus, ele declara sua divindade explicitamente aos fariseus quando ele diz: “Antes que Abraão existisse, EU SOU”.

EU SOU é o nome de Deus: YAHWEH, tido como o mais sublime nome de Deus pelos judeus. Este nome era impronunciável conforme as regras religiosas judaicas.

Os judeus, da classe religiosa e dominante haviam entendido a mensagem de Jesus, mas não aceitavam esta mensagem, da mesma forma como hoje ainda acontece eles rejeitaram deliberadamente a mensagem do Reino futuro, a glória que desejavam era entre os homens.

Ageu 2,7: “Farei abalar todas as nações, e as coisas preciosas de todas as nações virão, e encherei de glória esta casa, diz o SENHOR dos Exércitos”.

O profeta Isaías nos dá a expectativa correta do reino, não há como interpretar de outra forma o verso abaixo: para sempre não pode se referir a um governo terrestre.

Isaías 9,7: “Para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto”.

Quando Jesus começou seu ministério, nem mesmo seus irmãos acreditavam nele. Todos o acusavam de estar louco e possuído pelo demônio.

João 7,5: “Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele”.

Mesmo João Batista decepcionava-se com Jesus, pois sua expectativa do reino messiânico era também de dominação física.

Mateus 11,2-3: “Quando João ouviu, no cárcere, falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe: És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?”

A expectativa dos apóstolos, não era diferente, eles tinham em seu pensamento a retomada física do reino davídico, como todos os judeus.

Mateus 16,21: “Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia”.

Pedro, como os outros apóstolos, também esperava pelo reino físico de Davi e não se conformava com as revelações de Jesus.

Mateus 16,22-23: “E Pedro, chamando-o à parte, começou a reprová-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”.

Os apóstolos também esperavam pela manifestação física do reino, eles aguardavam as hostes celestiais e as milícias de anjos que iriam arrebatar o Senhor e seus discípulos e colocá-los por cabeça de todo povo Judeu.

Esta expectativa no mundo material traz consequências; ninguém jamais acusou os discípulos de idolatria, falsidade, adultério ou o que quer que seja, porém naquela última noite, na expectativa do poder, eles estavam cheios de inveja e disputa:

Mateus 20, 20-21: “Então, se chegou a ele a mulher de Zebedeu, com seus filhos, e, adorando-o, pediu-lhe um favor. Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda”.

Lucas 22,24: “Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior”.

Jesus não aceitou este posicionamento dos discípulos e repreendeu-os severamente afirmando que o que quiser ser o maior será o menor entre eles.

No domingo antes da páscoa todo povo de Jerusalém clamava:

João 12,13: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor e que é Rei de Israel”!

Cinco dias depois, na sexta-feira, este mesmo povo dizia:

João 19,15: “Eles, porém, clamavam: Fora! Fora! Crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso rei? Responderam os principais sacerdotes: Não temos rei, senão César!”

Pôncio Pilatos, advertido por sua mulher, recusava-se de todas as formas enviar Jesus para a crucificação, o povo porém, insuflado pelos sacerdotes gritava:

Mateus 27,25: “E o povo todo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos!”

Todos sabemos o resultado desta blasfêmia terrível, o sangue de Cristo caiu sobre os judeus na destruição do templo e em várias outras ocasiões na história. O historiador judeu Flávio Josefo escreveu que, na destruição do templo, o sangue dos judeus escorria pela rua como uma enxurrada.

Os judeus achavam que eram o único povo de Deus e que bastava ser judeu para ser salvo, e quando Jesus afirmou que o reino seria estendido a outros povos, os judeus ficaram enlouquecidos.

Mateus 21,43: “Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que lhe produza os respectivos frutos”.

Quem é este povo? Os cristãos são o povo de Deus em todas as épocas da história, judeus e gentios convertidos, para os quais foi estendido o reino de Deus.

Romanos 11,11: “Pergunto, pois: porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes”.

O reino de Cristo não é limitado pelo tempo, todas as pessoas salvas na história da humanidade foram salvas pela graça de Deus em Cristo, ninguém jamais foi ou será salvo pelas obras da lei, pois pela lei vem somente o conhecimento do pecado, todas as pessoas salvas em todos os tempos da história foram salvas em Cristo.

Romanos 3,20: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”.

Mas, onde está a expectativa dos cristãos atuais? Está no reino dos céus ou nesta vida terrena? Infelizmente, o que temos observado, a exemplo desta última semana de Cristo, é que a atual religião cristã está dedicada a agradar ao homem antes de agradar a Deus.

As pessoas buscam encontrar na igreja conforto, alívio psicológico, prosperidade, curas milagrosas e querem ser louvadas pela sua pretensa santidade e mérito próprio adorando a criatura em lugar do Criador, que é bendito para sempre.

Romanos 1,25: “Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!”.

As orações e o reino de Deus:

Um exemplo bastante simples disto são as orações, pois elas refletem vivamente a visão do reino: Elas se destinam a louvar a Deus pelo que Ele é ou consistem em informações daquilo que Deus já conhece, seguidas de um rosário interminável de pedidos?

Infelizmente o que se pode observar nas igrejas cristãs é a segunda alternativa.

Mas, atenção! A oração não muda Deus nem as coisas determinadas nos seus Decretos Eternos, ninguém terá a justa atitude com Deus enquanto pensar que a oração é um meio de alcançar o que Ele não intentou fazer.

O teólogo Arthur Pink declarou o seguinte: “Se eu imaginasse que minha oração poderia de alguma forma mudar a vontade de Deus, jamais me atreveria a fazer uma oração sequer”.

Se a oração é dirigida a um deus que muda seus planos e sua vontade, ela é uma ofensa ao Deus da Escritura, pois, apesar de todas as coisas terem sido determinadas na eternidade, estas mesmas coisas irão acontecer conforme as orações dos filhos de Deus dirigidas pelo seu Espírito Santo.

Romanos 8,26: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”.

Oração:

“Concede, ó Deus onipotente, que assim como nos mostras com provas tão notáveis que tudo está sob o teu domínio, concede que, conscientes do teu poder, temamos reverentemente a tua mão e nos consagremos totalmente à tua glória; e sejamos atraídos pelo teu amor rendendo-nos a ti com obediência voluntária e que tenhamos empenho em glorificar o teu nome acima de nossos interesses; perdoa-nos os nossos pecados em o nome de teu Filho unigênito, para termos, por meio dele, a herança eterna reservada nos céus para todos aqueles a quem amas, amém.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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