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A FUSÃO DO CALVINISMO COM O MUNDANISMO – P. MASTER

Quando eu era jovem e recém-salvo, parecia que o principal objetivo de todos os crentes zelosos, quer Calvinistas ou Arminianos, era a consagração. Sermões, livros e conferências destacavam a consagração no espírito de Romanos 12:1-2, onde o apóstolo suplica aos fiéis que apresentem seus corpos em sacrifício vivo, e não a serem conformados com este mundo. O coração era despertado e desafiado. Cristo deveria ser o Senhor de sua vida, e o ego devia ser rendido no altar do serviço a Ele. Mas agora, ao que parece, existe um novo Calvinismo, com novos Calvinistas, que deixou de lado os velhos objetivos. Um recente livro — Young, Restless, Reformed (Jovem, Inquieto, Reformado), por Collin Hansen narra a história de como um chamado “ressurgimento” do Calvinismo conquistou a imaginação de milhares de jovens nos E.U.A., e este livro tem sido analisado com grande entusiasmo nas bem-conhecidas revistas do Reino Unido, como Banner of Truth, Evangelical Times e Reformation Today.

 

A Fusão do Calvinismo com o Mudanismo

Por Dr. Peter Master

Quando eu era jovem e recém salvo, parecia que o principal objetivo de todos os crentes zelosos, quer Calvinistas ou Arminianos, era a consagração. Sermões, livros e conferências destacavam a consagração no espírito de Romanos 12:1-2, onde o apóstolo suplica aos fiéis que apresentem seus corpos em sacrifício vivo, e não a serem conformados com este mundo. O coração era despertado e desafiado. Cristo deveria ser o Senhor de sua vida, e o ego devia ser rendido no altar do serviço a Ele.

Mas agora, ao que parece, existe um novo Calvinismo, com novos Calvinistas, que deixou de lado os velhos objetivos. Um recente livro — Young, Restless, Reformed (Jovem, Inquieto, Reformado), por Collin Hansen narra a história de como um chamado “ressurgimento” do Calvinismo conquistou a imaginação de milhares de jovens nos E.U.A., e este livro tem sido analisado com grande entusiasmo nas bem conhecidas revistas do Reino Unido, como Banner of Truth, Evangelical Times e Reformation Today.

O escritor desse artigo, no entanto, ficou profundamente entristecido ao ler tal livro, porque ele descreve uma séria distorção do Calvinismo, a qual está longe, muito longe de uma autêntica vida de obediência a um Deus Soberano. Se este tipo de Calvinismo prospera, a verdadeira piedade bíblica estará sob ataque como nunca antes.

O autor do livro é um jovem (que tinha mais ou menos 26 anos, quando escreveu o livro) que cresceu em uma família cristã e formou-se em jornalismo secular. Somos gratos a ele pela pesquisa legível e de tão grande alcance que ele nos oferece a respeito deste novo fenômeno, mas o cenário não é, certamente, um dos mais felizes.

O autor começa por descrever a Passion, conferência em Atlanta, em 2007, quando 21.000 jovens celebraram com música contemporânea, e ouviram a preletores, como John Piper, proclamando sentimentos Calvinistas. E este cenário é repetido muitas vezes, através do livro — grandes conferências sendo descritas, nas quais o sincretismo mundano, a sensação, a agitação, os altos decibéis e a música rítmica, são misturados à dou- trina Calvinista.

Somos informados sobre a música agitada, milhares de mãos levantadas, hip-hop “cristão” e letras de rap (os exemplos pare- cem inadequados e ineptos em sua construção) unindo as Dou- trinas da Graça às formas musicais imorais — e induzidas por drogas — da cultura mundana.

Collin Hansen conclui que o Calvinismo americano desmoronou no final do século XIX e foi mantido apenas por um peque- no número de pessoas até este grande reavivamento da juventude, mas, o seu cenário histórico é, francamente, absurdo. Como alguém que visitou regularmente seminários americanos desde o início dos anos 70, eu sempre conheci muitos pregadores e estudantes que amavam as Doutrinas da Graça, pregando também em igrejas de sólida persuasão Calvinista. No entanto, firmes evidências da presença extensiva do Calvinismo são vistas a partir do fato de que imensas firmas de publicações enviaram um fluxo de literatura reformada pós-guerra e também durante os anos 80. A poderosa Eerdmans foi solidamente Reformada em tempos passados, para não mencionar Baker Book House, Kregel e outros. Onde é que todos estes livros foram parar — milhares e milhares deles, inclusive os frequentemente reimpressos conjuntos dos comentários de Calvino e uma série de outras obras clássicas?

Na década de 70 e 80, houve também pequenos editores Calvinistas nos Estados Unidos, e naqueles tempos o fenômeno das livrarias cristãs Calvinistas com descontos começou, com catálogos volumosos e uma considerável sequência. A alegação de que o Calvinismo praticamente desapareceu é um irremediável equívoco.

Na verdade, um Calvinismo muito melhor ainda floresce em muitas igrejas, onde almas são ganhas e vidas santificadas, e onde Verdade e prática estão submetidas ao domínio da Escritura. Essas igrejas não têm qualquer simpatia com o louvor mundano diversificado do jornalista Collin Hansen, que pretende edificar igrejas utilizando exatamente os mesmos métodos de entretenimento como a maioria dos carismáticos e do movimento Arminian Calvary Chapel.

Os novos Calvinistas exaltam constantemente aos Puritanos, contudo, não querem adorar, louvar ou viver como os Puritanos. Uma das conferências tem o nome “Resoluto”, por causa das famosas Resoluções, de Jonathan Edwards (suas 70 resoluções). Mas a cultura desta conferência seria indiscutivelmente confrontada com a firme condenação do grande teólogo.

A conferência “Resoluto” é de criação de um membro da equipe pastoral do Dr. John MacArthur, que reúne milhares de jovens anualmente, e caracteriza a habitual mistura de Calvinismo e louvor de estilo extremamente carismático. Os jovens são incentivados a sentir sobre o corpo o mesmo tremendo impacto da música rítmica que experimentariam num concerto mundano de música pop, inclusive com a mesma iluminação e atmosfera. Ao mesmo tempo, eles refletem sobre a predestinação e eleição. A cultura mundana proporciona uma cultura corporal, de sentimentos emocionais, nos quais pensamentos cristãos são infundidos. Os sentimentos bíblicos são atrelados ao entretenimento carnal. (Fotos da conferência no website mostram a atmosfera totalmente mundana de showbusiness criada pelos organizadores).

Em tempos de desobediência os judeus antigos viviam uma espécie de sincretismo, indo ao Templo ou à sinagoga no sábado, e aos templos dos ídolos em dias de semana; mas o novo Calvinismo tem encontrado uma maneira de unir espiritualmente coisas incompatíveis ao mesmo tempo, na mesma reunião.

  1. J. Mahaney é um pregador muito aplaudido neste livro. Carismático, em fé e prática, ele parece ser totalmente aceito pelos outros grandes nomes que caracterizam as novas “Conferências Calvinistas”, tais como John Piper, John MacArthur, Mark De- ver, e Al Mohler. Evidentemente, alguém extremamente bem apessoado e amistoso, C. J. Mahaney é o fundador de um grupo de igrejas que mistura o Calvinismo à idéias carismáticas, e é reputado como alguém que influencia muitos Calvinistas a deixarem de lado o Cessacionismo.

Foi um protegido deste pregador, chamado Joshua Harris, que começou a conferência de Jovens “Nova Atitude”. Somos in- formados de que, quando um rapper secular chamado Cur-    tis Allen foi convertido, o seu novo instinto cristão levou-o a abandonar a sua vida passada e seu estilo musical. Mas Pastor

Joshua Harris evidentemente persuadiu-o a não fazê-lo, para que ele pudesse cantar para o Senhor. Os novos Calvinistas não hesitam em passar por cima dos instintos da consciência cristã, aconselhando as pessoas a tornarem-se amigas do mundo.

Uma das mega igrejas admiradas no livro é a Igreja Mars Hill em Seattle, fundada e pastoreada por Mark Driscoll, que combina idéias das igrejas emergentes (de que os cristãos devem utilizar a cultura mundana) com teologia Calvinista [ver nota 1].

Este pregador é também muito admirado por alguns homens reformados no Reino Unido, mas a sua igreja tem sido descrita (por um simpatizante) como a igreja na qual a música é a mais alta de todas, e foi censurado por outros pregadores pela utiliza- ção de muita linguagem imprópria e humor totalmente inapropriado (mesmo na televisão). Ele é visto em vídeos pregando, usando camisetas com o escrito “Jesus”, simbolizando o novo compromisso com a cultura, ao mesmo tempo oferecendo ensino Calvinista. Tanto da abrangente doutrina Puritana alienado do estilo de vida e do louvor Puritano.

A maior parte dos bem conhecidos pregadores que promovem e incentivam este “reavivamento” do Calvinismo têm em comum as seguintes posições que contradizem a verdadeira perspectiva Calvinista (ou Puritana):

  1. Eles não têm qualquer problema com o louvor contemporâneo, de gênero carismático, inclusive os estilos extremos de “heavy metal”.
  2. Eles são morosos na separação do mundanismo [ver nota 2].
  3. Não se preocupam com a orientação pessoal de Deus nas grandes decisões dos crentes (verdadeira soberania), dando assim um golpe certeiro na consagração
  4. Mantêm opiniões contrárias ao quarto mandamento, menosprezando o Dia do Senhor, lançando assim outro golpe à vida

Quaisquer que sejam os seus pontos fortes e suas realizações (e alguns deles são homens brilhantes nos padrões humanos), ou seja, qual que for a sua visão teórica do Calvinismo, a má posição desses pregadores a respeito destas questões cruciais apenas irá encorajar uma desastrosa versão defeituosa do Calvinismo que levará as pessoas a serem cada vez mais devotadas ao mundo, e a procurarem um estilo egocêntrico de vida.

Quando verdadeiramente proclamada, a soberania de Deus deve incluir consagração, reverência, obediência sincera à sua vontade, e separação do mundo.

Você não pode ter uma soteriologia Puritana sem uma santificação Puritana. Você não deve atrair as pessoas a uma pregação Calvinista, ou qualquer outro tipo de pregação, usando iscas mundanas. Esperamos que os jovens neste movimento compreendam as implicações das doutrinas melhor do que seus mestres, e não que comprometam a verdade. Mas há uma catástrofe iminente na promoção desta nova forma de Calvinismo.

Por que alguns cristãos britânicos que abraçavam as Doutrinas da Graça dão opiniões entusiasmadas a respeito de um livro como este? No passado, houve vezes em que subitamente muitos jovens se tornaram intelectualmente entusiasmados com a sólida doutrina cristã e, a seguir, a abandonaram. Pense na tremenda reação que uma única oratória de Francis Schaeffer assegurava em campus universitários na década de 60; sem dúvida alguns jovens foram verdadeiramente salvos e perseveraram, mas muitos mais se desviaram. Dominados pela superioridade de uma cosmovisão bíblica, eles momentaneamente desprezaram as idéias ilógicas, débeis deste mundo, mas a impressão em muitos casos era natural e não espiritual. O presente  novo  e inebriante Calvinismo, desfalcado de obediência prática irá certamente revelar-se efêmero, deixando a causa comprometida e dissipada.

Essa forma de calvinismo já chegou à Grã-Bretanha? Ai! Sim, basta olhar os “blogs” de alguns jovens pastores Reformados que se colocam à frente como mentores e conselheiros de outros. Quando você olha os seus “filmes favoritos”, e “música favorita” você os vê sem constrangimento algum nomear as principais bandas, músicas e entretenimento desta cultura depreciável, e é evidente que o mundo ainda está em seus corações. Anos atrás, tais irmãos não teriam sido batizados até que estivessem limpos do mundo, mas agora você pode ir até para o seminário, e não se fazem perguntas; pode-se assumir um pastorado, com ídolos — não renunciados e não combatidos — na sala do trono da sua vida. Que esperança há para as igrejas que têm subpastores cuja lealdade está tão dividida e distorcida?

Além dos pastores, sabemos que alguns desses “novos” jovens Calvinistas nunca se estabelecerão numa igreja dedicada na obra, porque as suas considerações doutrinárias estão apenas em suas mentes e não em seus corações. Sabemos de alguns cujas vidas não são limpas. Sabemos de outros que vão a bares e boates. Quanto maior a sua proeza doutrinal, maior a sua hipocrisia.

Estas são palavras duras, mas elas me levam a dizer que, quando o Calvinismo bíblico, evangélico molda a conduta e, especial- mente, o louvor, é um humilde e bonito sistema da Verdade; mas quando está confinado apenas à cabeça, infla o orgulho e  a autonomia.

O “novo” Calvinismo não é um ressurgimento, mas uma fórmula inovadora que tira totalmente a doutrina da sua prática histórica, e une-a com o mundo.

Por que é que a liderança de pregadores que servem a este movimento cedeu tão facilmente? Eles não têm sido ameaçados por um regime soviético. Ninguém apontou uma arma para suas cabeças. Esta é uma vergonhosa capitulação, e devemos orar fervorosamente para que aquilo que eles têm incentivado não tome o lugar do verdadeiro Calvinismo e venha a arruinar toda uma geração de jovens cristãos a serem alcançados.

Um  triste espetáculo final relatado com entusiasmo no livro    é a conferência “Unidos pelo Evangelho”, realizada desde 2006. Uma conferência de perfil mais adulto convocada por respeita- dos Calvinistas, que, não obstante, reúne cessacionistas e não cessacionistas, expoentes do louvor tradicional e contemporâneo e, ao mesmo tempo em que mantém uma boa pregação, condiciona todos os que frequentam a relaxarem em relação a estas questões controversas e aprender a aceitar todos os pontos de vista. Em outras palavras, matam o ministério da advertência, de modo que todo o erro do novo cenário possa avançar despercebido. Estes são dias trágicos para a autêntica fidelidade, piedade e adoração espiritual.

O verdadeiro Calvinismo e mundanismo são opostos. É preciso preparar o coração se vamos buscar as maravilhas e sondar as profundezas da Soberana Graça. Encontramo-lo no desafiador e decisivo chamado de Josué:

Agora, pois, temei ao SENHOR, e servi-o com sinceridade e com verdade; e deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais além do rio e no Egito, e servi ao SENHOR. Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a mi- nha casa serviremos ao SENHOR

(Josué 24.14-15).

Notas:

  • Sua resolução sobre a questão da soberania divina versus livre arbítrio humano, no entanto, está muito mais próxima da visão
  • Um recente livro intitulado Worldliness: Resisting the Seduction of a Fallen World (Mundanismo: Resistindo à Sedução de um Mundo Caído por C J Mahaney e outros), prepara de modo deficiente os jovens crentes para a separação do mundo, especialmente na área da música, onde, aparentemente, o Senhor ama todos os tipos, e aceitabilidade é reduzida a duas enganosas e subjetivas questões.

Artigo extraído de: http://www.metropolitantabernacle.org/?page=articles&id=13 Tradução: Laura Macal Lopez, membro do Tabernáculo metropolitano de Londres.

 

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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