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Credos e Confissões

A IMPORTÂNCIA DE CALCEDÔNIA – HELIO

A IMPORTÂNCIA DE CALCEDÔNIA

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Por: Helio Clemente

As modernas religiões que se intitulam “cristãs” têm adotado um Cristo tão diverso do Jesus Cristo histórico descrito na bíblia, que dificilmente podem, na realidade, serem chamadas cristãs: Jesus pode ser um mero homem, um grande mestre, uma pessoa de alto desenvolvimento espiritual através de muitas reencarnações, uma manifestação de Deus sem realidade humana, uma pessoa com natureza divina, o próprio Deus que abriu mão de seus atributos (kenosis), uma figura sem realidade histórica criada pela imaginação dos apóstolos (kerigma) e por aí vai, não existe limite para a imaginação destes pretensos religiosos.

Mas quem é este Jesus Cristo bíblico que faz parte da história da igreja e o qual devemos aceitar conforme as Escrituras, os credos milenares da igreja e as confissões reformadas? Se não conhecemos a realidade da pessoa e natureza de Cristo, facilmente incorremos no erro de adorar a outrem, como diz Agostinho, com consequências terríveis e inimagináveis – O inferno de fogo eterno.

Só existe um Cristo verdadeiro, quem não está com ele é contra ele.

Mateus 12,30: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”.

Veja a profundidade da afirmação acima, Jesus não diz: “Está contra mim”, ele diz: “É contra mim”, a condenação não é temporária, é definitiva.

Por que isto? Quem não conhece Jesus Cristo não pode produzir bons frutos, é sobre isto que somos advertidos no evangelho.

Lucas 3,9: “E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo”.

Os verdadeiros cristãos da atualidade jamais poderão sobrevalorizar os credos da Igreja, os quais vieram a se firmar no concílio de Calcedônia, no ano de 451 d.C.

Vamos regredir alguns anos no tempo para analisar as situações que levaram a igreja a colocar estas definições da pessoa de Cristo em forma dos credos que hoje conhecemos.

A primeira ameaça de grande porte à pessoa de nosso bendito Senhor foi trazida à luz pelo bispo Ário, de Antioquia. Estas ideias de Ário tiveram origem na teologia adocianista de Paulo de Samosasta; segundo Ário, Cristo havia sido criado pelo Pai. Uma criatura, superior aos anjos, mas não consubstancial com o Pai, ou seja: Uma mera criatura!

Ário havia negado a divindade de Cristo, segundo ele, haviam três deuses distintos, o Pai, em uma categoria superior, depois Cristo e o Espírito Santo como seres criados.

Ário afirmara que houve um tempo em que o Filho não existia. Ao negar a divindade de Cristo, o bispo Ário introduziu na igreja o politeísmo, com a existência de três deuses distintos entre si. Esta heresia foi condenada no Concílio de Nicéia, no ano de 325 d.C. Neste concílio, o bispo Ário e todos os seus seguidores foram desligados da igreja para sempre.

Credo Niceno: “Creio em um só Deus, o Pai, Todo-poderoso, criador dos Céus e da Terra e de todas as coisas, visíveis e invisíveis, e em um só Senhor Jesus Cristo, o unigênito filho de Deus, gerado de seu Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz de Luz, o próprio Deus do próprio Deus, gerado, não feito, sendo de uma só substância com o Pai; por meio de quem todas as coisas foram criadas…”.

Existem, na verdade, alguns termos que pedem definição mais precisa, vejamos:

– Adocianismo: Jesus era um homem de grande virtude que foi adotado por Deus como filho, e, por seus méritos nesta vida, foi alçado à divindade.

– Trindade Ontológica: Este termo diz respeito à natureza da Trindade Divina – Três pessoas (homousias) distintas, auto-existentes e eternas na substância da divindade.

– Trindade Econômica: Este termo diz respeito às funções de cada uma destas pessoas na redenção do homem.

Desta forma, quando o Credo diz que o Filho foi gerado, ela não se refere à pessoa do Verbo, mas a funções que existem eternamente na economia da Trindade – O Pai, O Filho e o Espírito Santo. Assim sendo, o Credo não está dando a entender que o Verbo foi gerado, mas está afirmando que o Verbo é o Filho eternamente. A relação de filiação entre a primeira e a segunda pessoa da trindade é eterna, imutável e auto-existente tanto quanto as próprias pessoas.

Todavia, após o Concílio de Nicéia, muitos perigos continuaram a ameaçar a concepção da pessoa de Cristo, mas o mais sério veio de Apolinário, ele julgou necessário encontrar uma explicação para a união das naturezas de Cristo em uma única pessoa. A forma que ele encontrou foi negar a realidade da humanidade de Cristo.

Apolinário afirmou que a natureza do homem era tricotômica em sua natureza, ou seja, o homem seria constituído de corpo, alma e espírito, onde a alma seria o princípio da vida animal e o espírito o elo de ligação com Deus. Segundo ele, a natureza divina do verbo absorveu o espírito de Jesus, formando um ser híbrido que não era homem nem Deus.

Apolinário teve muitos seguidores, e por isso, a igreja reuniu-se novamente em Constantinopla, no ano de 381 d.C. proclamando a perfeição da humanidade e da divindade de Cristo, banindo Apolinário e seus seguidores do convívio da igreja.

Após o Concílio de Constantinopla, não houve a paz esperada, surgindo novas contestações sobre a pessoa e natureza de Jesus, apresentando-se duas grandes heresias opostas que colocavam em jogo os credos anteriores: O monofisismo de Eutiques e a bipessoalidade de Nestório.

Nestorianismo: Existem em Jesus duas pessoas distintas: O Homem Jesus e o Logos divino.

Monofisismo ou Eutiquismo: Em Jesus só há uma natureza e uma só pessoa, a natureza divina absorveu a natureza humana.

O Nestorianismo já havia sido condenado no Concílio de Éfeso em 431 d.C., mas voltara com força e o monofisismo de Eutíquio ameaçava a verdadeira pessoa de Jesus, negando a realidade da sua natureza humana.

Para combater estas heresias poderosas, reuniu-se a igreja novamente no Concílio de Calcedônia, que se definiu rigorosamente contra as duas naturezas e contra a fusão das naturezas.

 Credo de Calcedônia: “Todos nós, com voz uníssona, ensinamos a fé num só e mesmo Filho (uma única pessoa – o Verbo de Deus), Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo o mesmo perfeito na divindade e o mesmo perfeito na humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, com alma racional e com corpo, da mesma substância do Pai quanto à divindade e quanto à humanidade da mesma substância que nós, em tudo semelhante a nós menos no pecado…”.

Por tudo isto, você que se confessa cristão e quer realmente dar significado à sua crença, esta é a pessoa que você deve venerar e adotar como o único e verdadeiro mediador entre Deus e o homem: Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus em uma única pessoa – O Verbo de Deus.

Esta é uma decisão milenar da igreja, corroborada posteriormente pelo Credo de Atanásio, pelas Institutas e por praticamente todas as confissões reformadas dos séculos XVI e XVII. Quem acredita em outro Jesus, que não é este de Calcedônia, não pode ser chamado cristão em hipótese alguma.

O nome da pessoa, na antiguidade, trazia em seu bojo toda a realidade do ser e da natureza da pessoa. Veja a importância do nome, e consequentemente da pessoa de Jesus no verso abaixo.

João 3,18: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”.

Estas palavras de Isaías, abaixo, são atribuídas a Cristo pelo apóstolo Paulo, veja a importância que é dada ao nome de Deus.

Isaías 45,23: “Por mim mesmo tenho jurado; da minha boca saiu o que é justo, e a minha palavra não tornará atrás. Diante de mim se dobrará todo joelho, e jurará toda língua”.

Isaías 42,8: “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura”.

Isaías 48,9: “Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a exterminar”.

Em Malaquias, Deus se manifesta contra os sacerdotes que desprezam o seu nome.

Malaquias 1,6: “O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? — diz o SENHOR dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome?”.

“Minha honra não darei a outrem…”.

Se Deus preza tanto o seu nome, é que ele preza sua verdadeira natureza, assim como àquele a quem enviou, esta é sua honra. Deus não aceita adoração que não seja dirigida a Ele, em o nome de Jesus, exatamente conforme eles são revelados na Escritura.

Resumindo, o Credo de Calcedônia não é um ponto inicial para a procura da verdadeira natureza de Cristo, mas um ponto final que deve ser respeitado e defendido com ardor pelos cristãos modernos.

Não nos cabe articular ou concluir absolutamente nada após Calcedônia: Estacionar em Calcedônia! Paramos por aqui.

Charles Hodge: “O conhecimento de Deus é a base e soma de todo bem, segue naturalmente, que quanto mais perfeitamente Deus seja conhecido, tanto mais plenamente se promove o maior bem, desta forma, a manifestação da natureza e das perfeições de Deus constituem o mais alto bem no universo, que não é obrigatoriamente ou necessariamente a maior felicidade das criaturas”.

João 17,3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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