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Doutrina da salvação

A REPROVAÇÃO ETERNA

A doutrina da reprovação eterna

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Por: Helio Clemente

 

Não existem dúvidas entre os teólogos calvinistas quanto à doutrina da eleição, mas, quanto à reprovação existem três correntes na teologia reformada:

Primeira – Uma destas correntes afirma que o Decreto da Reprovação é passivo, ou seja, Deus simplesmente abandona os ímpios à sua natureza pecaminosa, deixando-os perecer segundo sua própria vontade caída.

Segunda – A segunda corrente afirma a passividade quanto à reprovação, como acima, admitindo a presciência de Deus no abandono dos ímpios, mas afirma a existência de dois propósitos na reprovação: O primeiro é passivo, o abandono dos ímpios à sua própria condição pecaminosa, o segundo é a destinação destes homens e anjos caídos à ira e ao castigo eterno pela presciência de Deus que previu que iriam apostatar no futuro.

Ambas as situações acima pressupõem a presciência como base formadora do Decreto. Já foi visto no estudo de Deus, que esta é uma situação ilógica e absurda, visto que, desta forma, um ato consequente se torna precursor do decreto antecedente, motivo pelo qual estas duas posições de passividade divina devem ser rejeitadas.

Ainda com referência a este tema, cabe uma pergunta: Qual a diferença, no resultado final, entre permitir algo que se conhece como mau, tendo o poder de evitá-lo, ou causá-lo ativamente para realização de um plano predeterminado onde todas as coisas são boas e necessárias na universalidade do plano?

Terceira – Vamos à terceira posição: Esta afirmação está de acordo com os ensinos de Agostinho, Calvino e dos reformadores e apesar das más interpretações a respeito é a posição reformada de forma indiscutível.

De acordo com esta corrente, Deus decretou ativamente tanto a eleição como a reprovação, provendo ao mesmo tempo, através das causas secundárias e contingentes todos os meios, sob seu estrito controle, para a realização, tanto da eleição como da reprovação.

Provérbios 21,18: “O perverso serve de resgate para o justo; e, para os retos, o pérfido”.

O motivo da reprovação não é o pecado, pois todos os homens são pecadores, tanto os salvos como os condenados, estando todos debaixo da justa ira de Deus. A razão da predestinação encontra-se unicamente na vontade soberana de Deus e não tem relação alguma com nada que venha a ocorrer no tempo, ou seja, nada próprio das criaturas. Desta forma, elimina-se, novamente, qualquer possibilidade da presciência ser um fator que possa ser considerado válido na doutrina da predestinação.

Isaías 43,3-4: “Porque eu sou o SENHOR, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate e a Etiópia e Sebá, por ti. Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida”.

Os Decretos Eternos – Confissão de Fé de Westminster – Capítulo III:

Seção III: Pelo decreto de Deus e para manifestação da sua glória, alguns homens e alguns anjos são predestinados para a vida eterna e outros preordenados para a morte eterna.

Seção IV: Esses homens e esses anjos, assim predestinados e preordenados, são particular e imutavelmente designados; o seu número é tão certo e definido, que não pode ser nem aumentado nem diminuído.

Catecismo Maior de Westminster:

Pergunta 13: “Que decretou Deus especialmente com referência aos anjos e aos homens?”.

Resposta: “Deus, por um decreto eterno e imutável, unicamente do Seu amor e para o louvor de Sua gloriosa graça, que tinha de ser manifestada em tempo devido, elegeu alguns anjos para a glória, e, em Cristo, escolheu alguns homens para a vida eterna e os meios para consegui-la; e também, segundo o Seu soberano poder e o conselho inescrutável de Sua própria vontade (pela qual Ele concede, ou não, os Seus favores conforme Lhe apraz), deixou e pré-ordenou os demais à desonra e à ira, que lhes serão infligidas por causa de seus pecados, para o louvor da glória de Sua justiça”.

Lembramos aqui, que os documentos de Westminster são a regra de fé de todas as igrejas presbiterianas e que todos os membros desta igreja se obrigam a crer, obedecer e prestar fidelidade a estas regras de fé. Isto consta do artigo primeiro da constituição da IPB e do artigo segundo da constituição da IPI no Brasil.

A doutrina da predestinação, incluindo a eleição e a reprovação não é uma novidade recente, todos os teólogos reformados eminentes afirmam de forma inquestionável esta doutrina:

João Calvino – Institutas da Religião Cristã – Livro III, Capítulo XXI:

Eleição Eterna, ou Predestinação de Deus de Alguns para Salvação e de Outros para Destruição.

 “Nós chamamos o decreto de Deus de predestinação, pela qual Ele determinou em Si mesmo, o que haveria de acontecer com cada indivíduo da humanidade. Porque nem todos foram criados com um destino similar: mas a vida eterna foi pré-ordenada para alguns, e a condenação eterna para outros. Todo homem, portanto, sendo criado para um ou outro desses fins, dizemos, foi predestinado ou para vida ou para morte”.

É bastante frequente, no atual cristianismo, rotular qualquer pessoa que acredite na doutrina da predestinação eterna de hiper-calvinista, mas uma análise simples do pensamento de João Calvino mostra que estas pessoas são simplesmente calvinistas, como convém a todos presbiterianos, luteranos e batistas que prezam suas origens reformadas vejam abaixo os documentos destas denominações.

Martinho Lutero – De Servo Arbitrio (Livre Arbítrio – um Escravo):

“Todas as coisas, sejam quais forem, surgem e dependem dos Divinos apontamentos; pelos quais foram pré-ordenadas quem deveria receber a Palavra da Vida, e quem deveria não acreditar nela, quem deveria ser liberto dos seus pecados, e quem deveria se endurecer neles, quem deveria ser justificado e quem deveria ser condenado. Esta é a própria verdade que demole o livre-arbítrio a partir de seus fundamentos, a saber, que o amor eterno de Deus por alguns homens e o seu ódio por outros são imutáveis e não podem ser revertidos”.

Confissão de Fé Batista (1689) – Artigo 3º: “Pelo decreto de Deus, pela manifestação de sua Glória, alguns homens e anjos são predestinados ou preordenados à vida eterna através de Jesus Cristo para o louvor de sua gloriosa graça; outros são deixados a agir em seus próprios pecados para sua justa condenação, para o louvor de Sua gloriosa justiça. Esses anjos e homens assim predestinados e preordenados são particularmente e imutavelmente designados, e seu número é tão certo e definido que não pode ser acrescido ou diminuído”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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