Deus é o único Ser não criado, dessa forma, todas as coisas são eternamente presentes na mente de Deus e existem de forma simples e imutável. A mente de Deus não é suscetível a raciocínio lógico, confabulações ou decisões, seu conhecimento é infinito, eterno, imutável e perfeito. A nosso ver, essas coisas se realizam no tempo, conforme a providência, mas elas existem eternamente para que possam se manifestar nas obras da providência, nada que não conste no Decreto Eterno pode ser realizado no tempo. Vemos, dessa forma, que não é formalmente correto dizer que Deus criou alguma coisa, mas sim, que Ele trouxe essa coisa à existência. Obrigado, Helio.

Aviso

Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

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Cristologia

ANTICRISTO – 2006 – JOHN ROBBINS

O Anticristo 2006

John W. Robbins

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto / felipe@monergismo.com

A palavra real Anticristo é usada por somente um escritor da Bíblia – por João em sua primeira e segunda epístola. Contudo, é geralmente reconhecido que o apóstolo Paulo  refere-se  à  mesma  figura  em  2Tessalonicenses  2,  onde  ele  adverte  a  igreja sobre o “homem do pecado”, ou o “mistério da iniqüidade”.

Poucas figuras têm mexido tanto com a imaginação e inquietado os pressentimentos como a figura misteriosa do Anti-cristo. À medida que diferentes gerações de cristãos examinado o horizonte à procura de sinais do fim do mundo, eles pensaram ter descoberto o Anticristo em homens tais como Nero, Constantino, Napoleão, Mussolini, Hitler, Kissinger e Stalin.

Visões dos Reformadores

No  século  16,  a  igreja  européia  foi  despertada  e  sacudida  pela  Reforma.  Embora houvessem  vários  ramos  da  Reforma,  e  houvesse  pontos  de  desacordo,  havia  uma completa unanimidade sobre três coisas:

  1. Os Reformadores chegaram a um entendimento unido da soberania de Deus na predestinação. O Cativeiro da Vontade de Lutero e Concernente à Predestinação Eterna de Deus de Calvino são as declarações clássicas sobre a doutrina da soberania de Deus.
  2. Os Reformadores chegaram a um entendimento unido da justificação pela fé somente. Eles sustentavam unanimemente sua primazia e centralidade na teologia cristã.
  3. Os Reformadores chegaram a um entendimento unificado de que era a obra do Anticristo se opor e corromper a verdade gloriosa do Evangelho da justificação pela fé somente. Para os Reformadores, a justificação pela fé somente era a grande verdade sob a qual a igreja cairia ou permaneceria de pé. Tirá-la seria tirar a própria vida da igreja. Nenhum dano maior poderia ser feito do que roubar da igreja a justificação pela fé. E visto que a instituição religiosa dos seus dias se opunha à grande doutrina da Reforma, os Reformadores declararam unanimemente que esta respeitosa instituição religiosa era o Anticristo.

É difícil para nós apreciar a posição ousada e muito chocante dos Reformadores. Nos seus dias havia somente uma estrutura de igreja. Reverenciada por séculos, ela era vista como a cidade santa na Terra, o próprio portão do céu. Chamá-la de Anticristo era pior do que apontar o dedo incriminante para a sua própria mãe. Nem podemos apreciar a convicção dos Reformados sobre este assunto (pois ela era uma sincera convicção teológica), a menos que apreciemos quão fortemente eles criam na importância da justificação pela fé somente.

Seja o que for que pensemos hoje sobre as visões dos Reformadores sobre o Anticristo, temos que reconhecer que elas foram tão amplamente sustentadas por

Protestantes durante 300 anos que se tornaram conhecidas como a “visão Protestante” de interpretação profética.

Visões da Contra-Reforma e do Futurismo Moderno

Naturalmente, a igreja estabelecida não iria apreciar a apelação incriminadora de Anticristo.

Sendo desafiados a apresentar uma interpretação alternativa plausível da profecia da Bíblia, os estudiosos jesuítas se uniram à causa Romana e apresentaram o que se tornou conhecido como o sistema futurista de interpretação. Neste, o Anticristo foi dito ser ainda futuro e, portanto, não poderia ser a igreja papal. Trezentos anos mais tarde, as mesmas visões futuristas criaram raízes no solo Protestante inglês; e hoje elas se tornaram tão espalhadas entre os Protestantes que elas são quase um teste de ortodoxia em alguns círculos.

A Perspectiva Bíblica

Quer subscrevamos à visão dos Reformadores de que Roma é o Anticristo ou às  visões evangélicas populares de hoje que declaram que o Anticristo ainda há de vir, ainda estamos em perigo de perder a mensagem bíblica vital sobre o Anticristo. Se nos satisfizermos com o pensamento de que os Reformadores estavam corretos em sua identificação, estaremos em perigo de nos cegar para as advertências bíblicas com um tipo de complacência Farisaica ou justiça-própria Protestante. Se olharmos para o futuro, especialmente observando eventos entre os judeus no Oriente Médio, também falharemos em ser despertados pelas advertências bíblicas sobre o Anticristo. Pois o que a Bíblia tem para dizer sobre o Anticristo não é dado como uma mera informação, e certamente não uma informação para gratificar ou excitar a curiosidade fútil sobre o futuro. O que a Bíblia diz sobre o Anticristo é para advertir e energizar a congregação cristã.

A Bíblia apresenta quatro características sobressalentes do Anti-cristo:

1.   O Caráter Religioso do Anticristo

O  prefixo  grego  anti  significa  ‘no  lugar  de’,  ou  ‘na  posição  de’.  Ele  pode  conter também a idéia de substituição. Por exemplo, quando Paulo diz que Cristo “deu a si mesmo  em  resgate  por  todos”  (1Timóteo  2:6),  ele  não  usa  a  palavra  ordinária  que significa  resgate  (grego,  lutron),  mas  ele  usa  o  prefixo  anti  (grego,  antilutron). Girdlestone, bem como outros lingüistas, aponta que a palavra significa literalmente resgate substitutivo.

Anticristo, portanto, refere-se a alguma figura que coloca a si mesma no lugar de Jesus Cristo. Ele é um substituto de Cristo. Para usar o latim, ao invés do grego, ele reivindica ser o vigário de Cristo. Permanecendo no lugar de Cristo, ele tenta desempenhar a obra de Cristo. Todavia, seu evangelho é realmente “outro evangelho”. G.C. Berkouwer escreveu:

O caráter “religioso” da oposição preocupou os Reformadores. Isso não era simplesmente o tom amargo do anti-papismo. Eles estavam predominantemente preocupados e ansiosos pelo bem estar da Igreja… Para os

Reformadores o Anti-cristo era ainda mais perigoso, pois ele vestia este manto religioso… Durante a Reforma, este tema do Anticristo tomar o seu assento no templo  de  Deus  [2Tessalonicenses  2:4]  era  tomado  muito  seriamente.  O templo não era em Jerusalém, mas era a Igreja, e a estratégia do Anticristo era primariamente  expulsar  o  verdadeiro  Deus  deste  templo  e  substituí-lo  (The Return of Christ [Grand Rapids: Eerdmans, 1972], 268, 269).

2.   A Realidade Presente do Anticristo

O Anticristo de João não era meramente uma entidade futura. Ele era também uma realidade presente.

Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora,  muitos  anticristos  têm  surgido;  pelo  que  conhecemos  que  é  a  última hora. Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos (1João 2:18, 19).

Porque   muitos   enganadores   têm   saído   pelo   mundo   fora,   os   quais   não confessam  Jesus  Cristo  vindo  em  carne;  assim  é  o  enganador  e  o  anticristo (2João 7).

…e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo (1João 4:3).

O  apóstolo  Paulo  escreveu:  “o  mistério  da  iniqüidade  já  opera…”  (2Tessalonicenses 2:7). Assim, o Anticristo sempre deve ser visto como uma realidade presente em 65 d.C., em 1517, ou em 2006. A aparição do Anticristo pertence aos “últimos dias”, e de acordo  com  João,  o  espírito  do  Anticristo  manifesto  nos  falsos  mestres  era  um anunciador do tempo do fim.

O Anticristo terá uma manifestação futura e final. Mas o problema com um futurismo extremo é que ele é cego para a realidade presente do Anticristo. Se não discernirmos as obras e formas do Anticristo a partir do tempo do Novo Testamento, especialmente o grande Anticristo papal, como podemos discernir a obra e forma que ele assumirá em sua manifestação escatológica final? As advertências bíblicas não nos dizem meramente que “vem a hora”, mas elas declaram que “vem a hora, e já chegou”.

Quando a igreja primitiva perdeu a verdade bíblica clara da justificação pela fé somente, ela perdeu também sua visão escatológica clara. O “último dia” se tornou um evento num futuro distante, e a mentalidade da igreja ficou decididamente “futurista”. Com a redescoberta da justificação pela fé somente no século dezesseis, a esperança escatológica reviveu, e a igreja novamente se viu vivendo no tempo do fim.

G.C. Berkouwer escreveu:

Lutero se sentiu rodeado por grandes tensões escatológicas, e parte disto para ele incluía o papel desempenhado pelo Anticristo. Para Lutero o Anticristo não era uma figura remota de algum “tempo do fim” futuro, mas uma possibilidade ameaçadora e perigosa em cada e todo dia… O ponto principal era que o perigo estava presente, não relegado ao futuro.

Claramente, a realidade do Anticristo como retratado por João concorda com a proclamação   escatológica   inteira   do   Novo   Testamento.   Althaus   observou corretamente  que  a  proclamação  do  Anticristo  pelo  Novo  Testamento  não  é uma predição irrelevante de algum futuro remoto, mas um sinal de alerta. “A Igreja sempre deve olhar para o Anticristo como uma realidade presente entre ela   ou   como   uma   futura   possibilidade   imediatamente   ameaçadora…   O reconhecimento  do  Anticristo  é  um  assunto  excessivamente  sério;  todas  as outras conversas sobre o Anticristo são brincadeiras ociosas e irresponsáveis” (The Return of Christ, 263, 268).

A medida que a história se move, a igreja é desafiada a ver o Anticristo em sua forma mais atual de oposição ao Evangelho de Jesus Cristo. A besta do Anticristo do Apocalipse tem sete cabeças, o que simboliza as diferentes formas que ele assumiu em sua oposição à verdade do Evangelho de uma era para a outra.

Não  é  bom  o  suficiente  ver  a  aparência  do  Anticristo  em  65  d.C.,  quando  João confrontou  a  heresia  gnóstica,  ou  em  1517,  quando  Lutero  pregou  seu  protesto  na porta  da  instituição  religiosa.  O  Anticristo  é  uma  realidade  presente.  Devemos  ver como ele está agindo em 2006.

3.   O Perigo Interno do Anticristo

Olhar para o Anticristo como um inimigo externo à igreja institucional é perder uma parte vital da advertência bíblica. O Anticristo não é meramente um inimigo no portão; ele tem infiltrado a cidade. Ele é um lobo em pele de ovelha entre o rebanho. Ele se parece com um cordeiro, mas fala como um dragão. Ele é, como seu nome sugere, alguém que se disfarça de Cristo, e sua mensagem é um evangelho substituto. As advertências de João e Paulo deixam ainda mais claro que ele age a partir da própria igreja.

4.    A Forma Humana do Anticristo

Finalmente, é um engano olhar para o Anticristo na forma de algo bizarro, fantástico, super-humano ou grotesco. A Bíblia enfatiza sua própria configuração humana. Ele é chamado  de  o  “homem  do  pecado”  (2Tessalonicenses  2:7).  Ele  tem  um  número humano  (Apocalipse  13:18).  Ele  tem  olhos  como  os  olhos  de  homem  (Daniel  7:8). Certamente  ele  tem  vestido  o  manto  religioso,  mas  devemos  lembrar  que,  como Lutero tão claramente percebeu, o principal pecado humano é religioso.

O que é claro nas referências do Novo Testamento ao “Anticristo” é que este não é um conceito  supernatural  ou  super-humano,  mas  acontece  e  se  manifesta  num  nível humano.  Por  detrás  dos  poderes  Anticristãos,  a  sombra  do  “demoníaco”  pode  cair, mas  com  o  conceito  do  “Anticristo”  nos  encontramos,  não  em  algum  terreno  mal remoto, mas num terreno bem conhecido da nossa existência humana diária. De fato, o  nível  humano  do  Anticristo  é  uma  das  mensagens  mais  convincentes  do  Novo Testamento.  Ele  é  uma  força  humana  –  um  “Anti”  humano  –  que  se  eleva  e  se desintegra através da vitória do Cordeiro (The Return of Christ, 278).

Conclusões

Concluamos dizendo que a força real da figura bíblica significa que o Anticristo é religioso, e não irreligioso; já presente, e não apenas futuro; interno à igreja institucional, não externo; e familiarmente humano, e não grotescamente super- humano. Isto significa que não podemos encarar o passado remoto ou esperar o futuro distante. Qual é o evangelho substituto hoje? O que as igrejas têm colocado no lugar da obra gloriosa de Deus em Jesus Cristo?

Anticristo em Operação Hoje

Antes de identificarmos a obra do Anticristo hoje, devemos lembrar de mais uma coisa. Visto que a obra principal do Anticristo é uma substituição diabólica de Cristo  e o seu Evangelho, podemos identificar o Anticristo somente à medida que continuamos olhando para o Evangelho. A única forma verdadeiramente bem sucedida de detectar uma nota de dólar falsificada é estando plenamente familiarizado com a genuína.

O Evangelho

O Evangelho é as boas novas sobre a pessoa e obra de Jesus Cristo, o segundo Adão. Em  todo  o  fluxo  da  história  humana  somente  dois  homens  tiveram  significância universal: Adão e Jesus Cristo. Adão não foi meramente o pai biológico da raça; ele foi  o  representante  legal  de  toda  a  raça  humana.  Ele  agiu  por  todos.  Seu  pecado envolveu   todos:   “pela   desobediência   de   um   só   homem,   muitos   se   tornaram pecadores…” (Romanos 5:19). Consequentemente, o fluxo inteiro da história humana tem sido corrompido pela pecaminosidade humana, e todos permanecem debaixo do julgamento da lei. Ninguém desta história pode satisfazer a demanda de santidade, pois até mesmo as vidas dos melhores santos carecem da glória de Deus.

Neste  fluxo  pecaminoso  da  história  humana,  Deus  enviou  seu  Filho  para  ser  nosso “Pai eterno” (Isaías 9:6), nosso segundo Adão, nosso novo representante. Seu nome era Emanuel – “Deus conosco”. Em Jesus Cristo vemos Deus conosco na pobreza e humilhação, Deus conosco na provação e na tristeza, e finalmente, Deus conosco no sofrimento e morte. Mais do que isso, Jesus era “Deus… por nós” (Romanos 8:31). O que ele fez em todos os seus atos gloriosos de bondade foi feito para o seu povo. Foi feito em nosso nome e em nosso favor, pois ele foi o nosso representante que agiu por nós  diante  do  tribunal  da  justiça  divina.  Por  sua  vida  sem  pecado  ele  cumpriu  os preceitos da lei para nós, e por sua morte ele satisfez a penalidade da lei por nós. Em nosso  favor  ele  lutou  contra  o  pecado  e  aniquilou  o  seu  poder.  Em  sua  natureza humana ele engajou o diabo num combate frontal e destruiu seu poder. Ele provou a morte e a aboliu.

…tendo  cancelado  o  escrito  de  dívida,  que  era  contra  nós  e  que  constava  de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz (Colossenses 2:14, 15).

Tudo  o  que  Cristo  fez  foi  imputado  ao  seu  povo  através  da  fé.  Sua  vitória  é nossa. Assim, o apóstolo diz: “Por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida” (Romanos 5:18).

Há três coisas que devemos dizer sobre estas boas novas de Jesus Cristo:

  1. O Evangelho é sobre um evento histórico. Ele é sobre Jesus Cristo vindo ao mundo e não sobre Jesus Cristo vindo aos nossos corações. Ele é historicamente objetivo. O Cristianismo é a única religião verdadeiramente histórica. Somente ele proclama uma salvação baseada num evento concreto fora-de-mim. Certamente, o Evangelho tem benefícios subjetivos. Ele tem efeitos e frutos nos corações de todos os que crêem nele. Mas no Evangelho em si não há nenhum elemento subjetivo. Ele aconteceu completamente fora de você e de mim.

O Evangelho apresenta uma nova história santa – os trinta e três anos que Jesus Cristo viveu na Terra. Na morte de Jesus Cristo, Deus rejeitou e puniu nossa história pecaminosa, e tendo enterrado-a com Jesus Cristo, ele produziu essa nova história. Agora ele proclama para nós que ele nos aceita como justos somente sobre a base que ele tem aceito seu Filho e nosso representante, Jesus Cristo. O Evangelho é as boas novas de que os atos salvíficos aconteceram, a transação redentora foi selada pelo sangue de Cristo e atestada pela ressurreição dentre os mortos. O ator libertador de Deus foi cumprido, e os crentes são purificados, aceitos e restaurados na pessoa de Jesus Cristo. O Evangelho é histórico.

  • O Evangelho é sobre uma história única. Não há nenhum outro evento, e não pode haver nenhum outro evento, como o evento de Cristo. Sua história santa é única. Em todo o fluxo da história humana, somente Cristo não teve pecado. Nunca devemos comprometer a impecabilidade única de Jesus Cristo. Somente ele foi absolutamente justo na realidade e de fato. Os santos podem ser absolutamente justos somente pela misericordiosa imputação da justiça de Cristo pela fé somente. Ninguém exceto Cristo, o Cordeiro imolado, é capaz de abrir o livro e olhar dentro dele (Apocalipse 5:1-5).
  • O Evangelho é sobre uma história impossível de se repetir. Esta é a grande ênfase dada pelo escritor de Hebreus. A oferta de Cristo foi de uma vez por todas:

Nessa  vontade  é  que  temos  sido  santificados,  mediante  a  oferta  do  corpo  de Jesus Cristo, uma vez por todas. Ora, todo sacerdote se apresenta, dia após dia, a  exercer  o  serviço  sagrado  e  a  oferecer  muitas  vezes  os  mesmos  sacrifícios, que  nunca  jamais  podem  remover  pecados;  Jesus,  porém,  tendo  oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. (Hebreus 10:10-14).

Nós  nunca  somos  chamados  a  iniciar  outro  evento  redentor.  Nada  precisa  ser adicionado ao que Cristo já fez. Nada pode ser adicionado à sua obra. O próprio Deus não  pode  adicionar  algo.  Dizemos  isso  com  reverência,  mas  decididamente:  Esta  é uma  coisa  que  Deus  não  poderia  fazer  de  novo  –  dar  e  oferecer  seu  Filho,  Jesus Cristo.  Paulo  nos  diz  que  com  ele  Deus  nos  deu  “todas  as  coisas”  (Romanos  8:32).

Sugerir que Deus poderia fazer isso novamente é implicar que Deus realmente não deu tudo na primeira vez. Mas ele esvaziou todo o Céu em um dom. Ele derramou todo o amor acumulado da eternidade. Ele não guardou nada, mas deu tudo o que tinha para dar. O Evangelho é uma história impossível de se repetir.

Este evento único e impossível de se repetir, esta história santa de Jesus Cristo, é o ponto focal da proclamação bíblica. Estes atos poderosos do Filho encarnado, este ato maravilhoso e eficaz da expiação, é a única grande pré-ocupação da mensagem apostólica. A pregação do evangelho é a exposição constante deste evangelho histórico e a revelação de sua significância para homens e mulheres de todos os lugares. Todos os que crêem são justificados, não sobre a base de sua fé, mas sobre a base dos atos salvíficos de Deus já feitos de uma vez por todas em Jesus Cristo.

O Evangelho Substituto

A obra do Anticristo é substituir o Evangelho por “outro evangelho”. Ele faz com que os homens se foquem em outros eventos e experiências ao invés do Evangelho de Jesus Cristo.

Esta substituição astuta não consiste necessariamente no inimigo colocar algo mal no lugar de algo bom. Frequentemente ele age colocando algo bom, em seu lugar correto, e num alto lugar.

Por  exemplo,  a  justificação  pessoal  é  uma  coisa  boa.  Os  crentes  devem  viver  justa, sóbria e piedosamente neste mundo (Tito 2:12). O Espírito Santo tem lhes capacitado para fazer isto, pois é somente pela sua habitação que eles podem viver justamente (1João  3:7).  Mas  na  teologia  da  Igreja  Romana  (e  do  Neo-evangelicalismo),  esta justiça  pessoal  do  crente  é  colocada  no  lugar  da  justiça  vicária  de  Jesus  Cristo.  Os Reformadores  gritaram  contra  isto  como  a  doutrina  do  Anticristo,  não  porque  eles eram contra a justiça pessoal (como eram acusados por Roma), mas porque eles eram contra colocar algo no lugar da justiça de Cristo. Em seu volume magistral sobre  A Doutrina  da  Justificação  pela  Fé,  James  Buchanan  aponta  que  o  cerne  do  erro  de Roma foi colocar o novo nascimento do crente no lugar da justiça imputada de Jesus Cristo,   pois   isto   significa   colocar   algo   subjetivo   no   lugar   dos   atos   objetivos   e históricos de Cristo.

O que é tão plausível sobre a obra do Anticristo é que ele usa o que é de outra forma bom como seu engenhoso evangelho substituto. Sob a aparência de honrar a Terceira Pessoa da Trindade, o Anticristo traz outro evangelho, pois ele substitui a obra vicária de Cristo por nós pela obra graciosa do Espírito em nós como a base da nossa justificação para a vida eterna.

A obra do Espírito Santo em nós é uma obra grande e gloriosa (2Coríntios 3:18). Mas ela não deve ser colocada no lugar do Evangelho. Não devemos confundir a obra da Segunda e da Terceira Pessoas da Trindade bendita. A obra de Cristo foi substitutiva. Ela  foi  feita  por  nós  –  sem  nossa  participação.  Não  tivemos  nenhuma  parte  nesta justiça.  Além  do  mais,  esta  obra,  sendo  completa,  é  a  única  base  para  a  nossa aceitação diante de Deus.

A mesma coisa não pode ser dita sobre a obra do Espírito Santo. Ela não é uma obra substitutiva. Sendo uma obra dentro de nós, temos uma parte vital na vida de nova obediência que ele inspira em nós para vivermos. Além do mais, sua obra ainda não

está completa, e para alguns ela nem mesmo começou. Ela nunca pode ser uma base para a nossa aceitação diante de Deus.

De fato, a obra do Espírito é dependente e subordinada à obra de Jesus Cristo. Por sua obediência e morte, Cristo cumpriu toda justiça em favor do seu povo, e ele deu o dom do Espírito Santo a eles. O que Cristo fez, portanto, é o Evangelho. Não somente isto, ele é o “Evangelho completo”.

Igrejas Protestantes Contemporâneas

Nós cremos sinceramente que, se Lutero estivesse vivo hoje, ele faria a mesma crítica básica às igrejas Protestantes como ele fez à Igreja Romana há aproximadamente 500 anos atrás. A doutrina da justificação através da justiça vicária de Jesus Cristo somente tem desaparecido na maioria das igrejas “Protestantes”. O fato é que o Protestantismo hoje está muito mais perto da tradição Católica Romana do que dos Reformadores.

Em primeiro lugar, a questão da justificação diante de um Deus santo não é um assunto urgente para a religião contemporânea. Nós tomamos como certo que Deus é gracioso e que ele perdoa pecados e nos aceita. O temor saudável e bíblico de Deus é ostensivo por sua ausência. O que queremos saber não é “Como eu posso agradar a Deus?”, mas “Como Deus pode me agradar, tornar minha vida radicalmente feliz, curar minhas enfermidades, e me fazer realizado e contente?”. Nós não estamos mais fazendo perguntas teocêntricas, mas perguntas antropocêntricas. O homem e suas necessidades fisiológicas é o centro, e não Deus e sua justiça. As coisas não melhorarão, a menos que a santa lei e o Evangelho de Deus sejam proclamados.

Em segundo lugar, até mesmo onde o Evangelho é reconhecido, ele tem cessado de possuir o primeiro lugar. Temos visto que o Evangelho é histórico. Ele não tem nenhum elemento subjetivo. Todavia, ele produz fruto subjetivo. Quando proclamado e crido, ele transforma vidas – produzindo amor, alegria, paz, bondade, temperança e humildade nos corações de homens e mulheres. A experiência que ele trás aos crentes é real e vital. Mas devemos sempre lembrar que a ordem e perspectiva bíblica é a histórica sobre a pessoal:

Histórica

Pessoal

Isto  significa  que  o  aspecto  “para  nós”  da  graça  sempre  deve  permanecer  antes  e acima   do   aspecto   “em   nós”.   Jesus   advertiu   os   discípulos   disto   quando   eles retornaram de uma excursão missionária bem sucedida. Eles estavam se regozijando com o fato de que eles tinham tido uma experiência gloriosa trabalhando em nome de Cristo  –  pregando,  expulsando  demônios,  curando,  etc.  Mas  Jesus  disse:  “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus” (Lucas 10:20).

Mas a história da igreja tem demonstrado que a tendência maldita do homem é reverter a ordem até que o pessoal seja elevado acima do histórico. (Ou para dizer de outra forma, o “em você” seja elevando acima do “para você”). Quando o elemento

histórico do Cristianismo é eclipsado, a verdade absoluta da mensagem cristã é perdida, e o Cristianismo é reduzido a tudo mais no mundo que te oferece uma experiência gloriosa. E quando a própria experiência religiosa é pregada como o Evangelho, ele é o evangelho do próprio Anticristo. Pois quando o pessoal é colocado acima do histórico, a ordem divina é revertida.

E é um fato interessante (e alarmante) que a elevação do pessoal acima do histórico tem ocorrido tanto nas alas liberais como conservadoras do atual cenário religioso. Na ala liberal, o homem e sua experiência é elevado a uma proeminência anti-bíblica via ensinos tais como “teologia do encontro” (Emil Brunner), “demitologização” (Rudolph Bultmann) e a negação da revelação proposicional (Karl Barth e outros). Tudo isso significa que o homem e sua experiência (discernimento, pressentimento, intuição) são substitutos para Deus, sua Palavra e seu Evangelho. Ao invés do homem ser a criatura a ser transformada pela renovação da sua mente, o homem assume o papel de transformar Deus e a sua Palavra.

Quando olhamos para a ala conservadora das igrejas – para o Romanismo, Pentecostalismo ou Neo-evangelicalismo conservador – vemos que a mesma coisa tem ocorrido. Aqui o tema principal é a centralidade da experiência religiosa. Na tradição Romanista isto é visto na doutrina da gratia infusa – o conceito de justificação por graça infundida (os sacramentos e a vida mudada). No Pentecostalismo isto é visto na preocupação com o Espírito Santo e a experiência interior de possessão do Espírito. No Neo-evangelicalismo é visto na salvação pela experiência interior do novo nascimento, uma nova psicologia, o evangelho da “vida transformada”, o testemunho da vida do crente cheia do Espírito, ou as glórias e maravilhas da entrega plena e auto-crucificação. Há em tudo isto uma centralidade no crente que é contrária à Bíblia. É o mesmo erro antigo de colocar o pessoal acima do histórico, o subjetivo acima do objetivo, a experiência acima da verdade. Que os homens que fazem isso são homens religiosos não altera o crime, pois afinal, o principal pecado do homem é o pecado religioso.

Muitos Anticristos

O apóstolo João diz que há muitos Anticristos (1João 2:18). Isto é, há muitos homens que estão oferecendo substitutos para o Evangelho. Aqui estão algumas das doutrinas do Anticristo em 2006:

A regeneração do crente substitui a justiça imputada de Cristo.

A obra da Terceira Pessoa da Trindade substitui a obra da Segunda Pessoa. A santificação substitui a justificação.

A justiça pessoal do crente substitui a justiça vicária de Cristo. A fé substitui a obediência meritória de Cristo.

Nossa auto-crucificação substitui a sua crucificação. Nossa nova vida substitui a sua vida sem pecado.

Nossa experiência substitui o pecado.

Nosso amor por Deus substitui o seu amor por nós. Nossa entrega substitui a de Cristo.

Nossa vida vitoriosa substitui a sua.
Nossas realizações substituem a sua expiação.

Nosso batismo com água substitui o seu batismo no sangue. A igreja (o corpo) substitui Cristo (o Cabeça).

Nossa obediência à lei substitui a obediência de Cristo à lei.

O truque diabólico do Anticristo não é necessariamente colocar o mal no lugar do bom, mas o bom no lugar da obra gloriosa de Jesus Cristo. Mas quando essas coisas boas – batismo, Ceia do Senhor, regeneração, e assim por diante – são pregadas como o Evangelho ou mantém o lugar em nosso pensamento e testemunho que deveria pertencer ao Evangelho somente, então temos pervertido o Evangelho. Temos usado os dons de Deus para roubá-lo de sua glória.

Colocar a experiência no lugar do Evangelho não é como simplesmente roubar umas poucas jóias da coroa real. Aquele que faz isto é culpado de roubar a própria coroa e colocá-la em sua própria cabeça. Esta é a ação e obra do Anticristo. É o pecado do homem religioso. A menos que tomemos as advertências bíblicas seriamente e examinemos nossos próprios corações e igrejas, também descobriremos fazer parte da conspiração do Anticristo.

Billy  Graham,  o  famoso  evangelista  mundial,  em  seu  livro,  How  To  be  Born  Again [Como Nascer de Novo1], declarou que: “A maior notícia no universo é que podemos nascer  de  novo”  (10).  Para  os  Neo-evangelicais  o  novo  nascimento  é  a  marca  do Cristianismo  verdadeiro.  Ele  tem  se  tornado  o  evangelho  deles.  Levantar  qualquer questão  sobre  a  centralidade  do  novo  nascimento  é  considerado  como  um  ataque contra ele. Mas o evangelho do novo nascimento é um evangelho falso.

O evangelho falso do novo nascimento ensina que o que acontece no crente é a maior notícia no mundo. Isto é teologia Católica Romana clássica. Ela confunde uma coisa boa com o Evangelho, e faz a obra do Espírito (ou dos sacramentos distribuídos por um sacerdote) maior do que a obra de Jesus Cristo há dois mil anos atrás. Ela toma um efeito do Evangelho – o novo nascimento – e faz dele um novo evangelho.

O evangelho Neo-evangelical do novo nascimento é introspectivo, preocupado em si mesmo e subjetivista. O Neo-evangelicalismo não faz nada para recomendar o Cristianismo aos incrédulos. Pior ainda, ele rouba Cristo de sua glória ao fazer a justiça do crente ser mais importante do que a justiça de Cristo, substituindo a obra do Espírito pela obra de Cristo.

Os Reformadores acusaram Roma, e em particular o papado, de serem o Anticristo. O pontífice Romano tinha descaradamente e arrogantemente transferido para si mesmo o que pertencia a Deus somente, e especialmente a Cristo. Para Calvino a tirania do pontífice  Romano  era  ainda  mais  séria,  pois  “tal  tirania  não  consiste  em  que  se suprima o nome de Cristo e da Igreja, antes, ao contrário, que abuse do pretexto de Cristo e sob o título de Igreja, como se escondesse sob uma máscara” (As Institutas da Religião Cristã, IV.7.25). Ao substituir a igreja (o corpo) pela cabeça, e o papa por Cristo,  a  Igreja  Romana  se  tornou  o  Anticristo.  Ao  substituir  a  obra  interior  do Espírito Santo pela obra exterior de Cristo, a Igreja Romana ensina as doutrinas do Anticristo.

Ver o novo nascimento como a maior notícia no mundo é uma doutrina do Anticristo. O Anticristo coloca algo bom no lugar do melhor, e facilmente fornece mentiras e enganos. O pior mal não é a negação grosseira da verdade, mas sua corrupção. Satanás, tanto no Jardim com Adão e Eva como no deserto com Cristo, citou as palavras de Deus, mas de tal forma que torceu seu significado. O falso evangelho do novo nascimento, quer ensinado pelos Neo-evangelicais ou pela Igreja Católica Romana, distorce o Evangelho de Jesus Cristo. A preocupação com o novo nascimento como o maior ato de Deus que nos salva é uma teologia Católica Romana, não teologia bíblica.

Para os Reformadores Protestantes, ser nascido de novo não era nem o Evangelho, nem o que justifica o crente diante de Deus. Ser nascido de novo era o fruto da eleição e da pregação do Evangelho. Era um efeito do Evangelho, não o Evangelho em si. Roma equacionava o novo nascimento com o Evangelho da justiça de Cristo ou considerava o novo nascimento como aquela obra que justifica uma pessoa diante de Deus. Muitos Neo-evangelicais também equacionam o Evangelho com o novo nascimento. “Você deve nascer de novo”, é o grito deles. Isso está longe de ser o Evangelho, as boas novas, pois não expressa definitivamente nenhuma nova, muito menos boas novas, mas impõe um dever sobre os incrédulos. “Você deve nascer de novo” é lei, não Evangelho.

Quando Ian Thomas afirmou: “Este foi o milagre do novo nascimento, e ele continua sendo  o  próprio  cerne  do  Evangelho”,  ele  estava  expressando  a  teologia  Católica Romana  (The  Saving  Life  of  Christ,  1964,  11).  C.  H.  Dodd  também  equacionou  o Evangelho e a regeneração dos pecadores em seus livros, The Epistle to the Romans [A Epístola aos Romanos] (12, 53, 58, 84, 99) e The Meaning of Paul for Today (106). Ao  equacionar  o  Evangelho  e  o  novo  nascimento,  os  Neo-evangelicais  permanecem claramente  na  tradição  de  Roma.  Considerar  o  novo  nascimento  como  o  maior  ato salvífico  de  Deus  coloca  a  ênfase  sobre  o  interno  e  subjetivo  ao  invés  do  externo  e objetivo. Fazer do novo nascimento nossa ênfase é focar-se no que Deus faz em nós ao invés de no que ele fez por nós em Cristo. Isso dirige nossa atenção de Cristo para nós mesmos como a base da nossa salvação.

Fé é a obra principal do Espírito Santo. A fé salvífica sempre tem como o seu objeto, não o pecador crente, nem a obra do Espírito no pecador, nem os sacramentos, nem a igreja, mas Jesus Cristo somente. Ao invés de se focar na experiência de alguém, a fé salvífica confessa: Eu creio que Jesus Cristo viveu e morreu por seu povo, segundo as Escrituras. O objeto da fé salvífica não é o que aconteceu ao crente ou no crente, e ainda menos o que o crente faz, mas o que aconteceu para o crente em Cristo. A fé salvífica olha para fora, não para dentro; para cima, e não para baixo.

A preocupação com o novo nascimento no pensamento Neo-evangelical perverte toda a Bíblia. O Neo-evangelicalismo dá a impressão de que Deus aceita uma pessoa sobre a base de que ele é nascido de novo. Mas isto não é verdade, e isto não é bíblico. A única base para a nossa aceitação diante de Deus são os atos e a morte de Jesus Cristo. Não é alguma experiência ou ato de obediência do crente, incluindo o próprio ato de crer, que justifica o crente. Há somente um fundamento, uma base, para a justificação: a obra consumada de Cristo. Qualquer coisa que negue ou perverta o Evangelho é do Anticristo.

Fonte: http://www.trinityfoundation.org/journal.php?id=137

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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