Aviso

Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

ESTATÍSTICAS

vivendopelapalavra.com
Na internet desde Outubro/2011
Total de visitas até julho de 2020:
1.277.431
Total de páginas visitadas até julho de 2020:
3.924.272

Mais baixados

Escatologia

APOCALIPSE – A MEDIÇÃO DO TEMPLO

APOCALIPSE – A MEDIÇÃO DO TEMPLO (B. BÍBLICA)

Revisão e diagramação por: Helio Clemente

É-lhe dito que meça o santuário, isto é, a parte do templo que compreende o Lugar Santo e o Santo dos santos. A parte externa, quer dizer, o pátio dos gentios, deve ser rejeitada. Não deve ser medida. Há, é claro, diversos átrios adicionais, mas esses não são mencionados, talvez por que não tenham significância simbólica.

Além, fora do pátio dos gentios, está Jerusalém, ainda hoje chamada de a “cidade santa”, como em Mateus 27.53. O apóstolo não está pensando na Jerusalém celestial, mas, certamente, na cidade terrestre que rejeitou a Cristo. Ela é chamada de “cidade santa” aqui e em Mateus 27.53 pela simples razão de que havia sido santa. Ainda hoje a Jerusalém terrestre é frequentemente conhecida como a “cidade santa”.

O fato de que, na visão, João vê a Jerusalém terrestre – e, portanto, o templo terrestre – fica, também, claro segundo o que se segue: “estes, por quarenta e dois meses calca­rão aos pés a cidade santa”. Esta é a Jerusalém que será pisada pelas gentes. Lucas 21.24, uma passagem paralela, indica com clareza o que significa essa Jerusalém terrestre.

Esta é a figura, o símbolo e a visão. Vejamos isso mais claramente. O apóstolo vê a Jerusalém terrestre e o templo terrestre. Ele mede o santuário interior, mas rejeita o pátio externo. A “cidade santa” e mesmo o pátio externo do templo são calcados aos pés pelos gentios por 42 meses.

Agora, surge uma questão: o que essa figura significa? Essa é a grande questão quanto a cada figura ou símbolo. Qual é seu último significado simbólico? A figura é uma coisa. Seu últi­mo significado simbólico é outra. Embora esses dois estejam sempre intimamente relacionados, não devem ser jamais con­fundidos. Um sentido espiritual mais alto é geralmente ex­presso no simbolismo terrestre. Ilustremos o que isso signifi­ca.

Conforme 1.12, João viu sete candeeiros de ouro no senti­do literal do termo. Na visão, eles são, literalmente, sete can­deeiros de ouro. Mas esses candeeiros, por outro lado, têm um significado. Eles têm um significado simbólico. “Represen­tam” algo mais. Representam ou simbolizam “as sete igrejas” (1.20). Assim também aqui. Na visão, o apóstolo vê, na verdade, a Jerusalém terrestre, o templo terrestre, o santuário terrestre, o pátio externo terrestre, etc. A próxima questão é: o que tudo isso simboliza?

A resposta é que esse “santuário de Deus” simboliza a Igreja verdadeira, isto é, todos aqueles em cujo coração habita Cristo, no Espírito. São medidos todos os verdadeiros filhos de Deus que o cultuam em espírito e em verdade. São protegi­dos enquanto os juízos são infligidos sobre o mundo iníquo e perseguidor.

Com certeza, esses santos sofrerão severamente, mas não perecerão; estão protegidos da ruína eterna. Essa prote­ção divina, contudo, não se estende ao “pátio”, isto é, àqueles que, embora membros da igreja local, não são crentes verdadeiros.

Assim como na visão dos gentios pisoteando Jerusalém e o pátio do templo, assim o mundo pisoteia a cristandade mera­mente nominal. O mundo invade essa falsa igreja e toma posse dela. Membros de igreja mundanos são receptivos às ideias do mundo; sentem-se perfeitamente à vontade com o mundo; gozam da companhia do mundo; ao votar para cargos políticos são dirigidos por considerações mundanas; em suma, eles amam o mundo. Essa condição perdura por 42 meses, isto é, por toda a época do evangelho.

Nossa interpretação é suportada pelos seguintes argumen­tos: primeiro, observe que o termo “santuário de Deus” é uma expressão bem comum em referência à Igreja (cf 1 Co 3.16, 17; 2 Co 6.16; Ef 2.21). Deus habita em seu templo, ou melhor, seu santuário.

Segundo, o conceito de “santuário de Deus” é definido em nossa passagem significando “o seu altar [de incenso], e os que nele adoram”. Enquanto o incenso estava sendo oferecido no altar, os adoradores, reverentemente, curvavam sua cabeça em oração. Fica claro, portanto, que a expressão “santuário de Deus” simboliza pessoas; as pessoas que ofere­cem a Deus o incenso das orações, quando são cristãs verdadeiras.

Terceiro, lemos: “mas deixa de parte o átrio exterior do santuário”. A referência é, certamente, a pessoas, membros de Igreja infiéis que devem ser rejeitados ou excomungados (cf. Jo 9.34). O termo “santuário de Deus” refere-se aos fiéis, aos que não são rejeitados, mas protegidos.

Quarto, assim como em Apocalipse 7 todos os crentes so­bre a terra são numerados e recebem o selo de Deus em sua fronte, assim também aqui, no capítulo 11, todos os que adoram no altar, isto é, os verdadeiros adoradores (cf. 8.3) devem ser medidos. Ambas, numeração e medição, referem-se à proteção.

Além disso, tal como em Apocalipse 7 a Igreja militante foi descrita sob o símbolo das tribos de Israel terrestre, assim aqui a verdadeira Igreja é simbolizada pelo santuário terrestre de Israel. O santuário físico simboliza o santuário espiritual, isto é, o povo de Deus.

Quinto, essa interpretação está em harmonia com o simbo­lismo do Antigo Testamento. O templo de Ezequiel simboliza a Igreja (Ez 43,4-47).

Finalmente, a melhor interpretação de Apocalipse 11 é o próprio capítulo 11 de Apocalipse! Segundo o verso 8 a Jerusalém terrestre é claramente o símbolo do que quer que se oponha à verdadeira Igreja de Deus. E o símbolo e o centro do anti cristianismo, isto é, da imoralidade (Sodoma) e da perseguição dos filhos de Deus (Egito).

Daí se deveria concluir que o termo “santuário de Deus” tem de ser tomado, também, simbolica­mente, como falando do povo de Deus (somente os eleitos), dos que são fiéis.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

comente

Clique aqui para enviar um comentário