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APOCALIPSE – INTRODUÇÃO

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O LIVRO DO APOCALIPSE – INTRODUÇÃO (B. BÍBLICA)

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Revisão e versos acrescentados (RA) por: Helio Clemente

O livro de Apocalipse:

Chama-se assim o último livro da Bíblia pelo fato de conter as proféticas doutrinas reveladas ao autor por Jesus Cristo. A sua autoria é, pelo próprio livro, atribuída a João. Foi o servo de Jesus Cristo, “o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo”.

Apocalipse 1,1-2: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João, o qual atestou a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo, quanto a tudo o que viu”.

A Igreja Primitiva, num testemunho quase universal, diz que o autor do Apocalipse é o Apostolo João, filho de Zebedeu, o mesmo que escreveu o quarto Evangelho. Com respeito a data do livro, é muito discutida. A questão principal é saber se o desterro de João para Patmos, pequena ilha do mar Egeu, aconteceu quando Nero era imperador de Roma (54 a 68 A.D.), ou no tempo do imperador Domiciano (81 a 96 A.D).

Este livro é do mesmo caráter profético, que distingue os livros de Daniel e Ezequiel. Esta literatura apocalíptica teve sempre por fim animar a estimular o povo judeu, em tempos de desgraça nacional, com a certeza dum futuro glorioso pela vitória do Libertador de Israel que havia tanto tempo se esperava.

O conteúdo pode ser dividido da maneira seguinte:

A primeira parte (1 a 3) refere-se “às coisas que são”, e compreende uma visão preparatória das perfeições divinas, a simpatia do Redentor para com os homens, e também as epístolas aos “anjos”, que são personificações do espírito de cada uma das sete igrejas. Cada uma destas cartas ou epístola consta de três partes:

(1) a introdução, que se refere sempre a alguns dos atributos Daquele que fala à Igreja, tomados da visão precedente, e nos quais se observa uma ordem progressiva e uma adaptação ao sentido geral da epístola que segue;

(2) uma descrição das características da igreja com a conveniente animação, admoestação e censura;

(3) e as promessas duma recompensa aos que vencerem, promessas que são feitas a todas as igrejas.

A parte restante do livro (4 a 22) compreende a profecia do “que deve acontecer depois destas coisas”. Ha uma série de visões que mostram, por meio de imagens simbólicas e linguagem figurada, os conflitos e sofrimentos do povo de Deus, e a ação da Providência sobre os perseguidores dos fiéis. E conclui, apresentando a queda da mística Babilônia que é a figura do erro, e mostrando a triunfante nova Jerusalém, que é a igreja aperfeiçoada.

Toda a matéria do livro pode, também, dividir-se em sete partes, não contando com prólogo, que compreende os oito primeiros versículos do capítulo primeiro.

1 – As sete epístolas às sete igrejas (1 a 3);

2 – Os sete selos (4,1 a 8,1);

3 – As sete trombetas ressoantes (8,2 a ll);

4. As sete figuras místicas: a mulher vestida do sol, o dragão vermelho, o varão criança, a primeira besta que saiu do mar, a segunda besta que se levantou da terra, o Cordeiro no monte Sião, o Filho do Homem sobre a nuvem;

5 – O derramamento das sete taças (15,16);

6- A aniquilação dos inimigos da Igreja (17-20);

7 – As glórias da Cidade Santa, a Nova Jerusalém (21 a 22.5);

Epilogo (22.6 a 21).

A interpretação das profecias tem sido assunto para grandes discussões. As diferentes teorias podem ser dispostas em quatro parágrafos:

(1) A interpretação preterista, que diz terem tido as profecias do Apocalipse o seu cumprimento na primeira idade da Igreja. As críticas do sistema preterista afirmam que uma grande parte do livro refere-se ao tempo da perseguição de Nero e da rebelião judaica. Os sete reis de que fala o vers. 10 do capítulo 17 significam os imperadores Augusto, Tibério, Gaio Caligula, Claudio, Nero, Galba e Oto. O que se diz em 13,18 com respeito ao número da besta – 666 – corresponde, segundo este sistema de interpretação, ao valor numérico das letras hebraicas nas palavras Nero César (Para que esta interpretação seja viável é preciso adotar o nome hebraico de Nero – Neron – o que torna esta posição muito difícil de defender).

(2) A escola histórica de expositores considera estas profecias como um delineamento dos grandes acontecimentos da história do mundo, ou da Igreja, desde os tempos apostólicos até o fim do mundo.

(3) A escola futurista sustenta que a maior parte desta série de profecias, ou todas elas, dizem respeito a acontecimentos, que se realizarão um pouco antes da segunda vinda de Cristo. O anticristo, ou a besta apocaliptica é, segundo esta teoria, um infiel em pessoa, que reinará sobre toda a extensão do mundo (o velho Império Romano) e perseguirá triunfantemente os santos pelo espaço somente de três anos e meio, vindo depois Cristo destruir aquele ímpio poderoso.

(4) O quarto sistema de interpretação, com o nome de espiritual ou ideal, considera o Apocalipse uma manifestação pitoresca de grandiosos princípios em constante conflito, embora sob várias formas, e de caráter eclético. E importante observar a correspondência de linguagem, em certas expressões, entre o Evangelho de João e o Apocalipse:

I – A aplicação do titulo “Verbo de Deus” a Jesus no livro do Apocalipse:

Apocalipse 19,13: “Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus”.

Este nome “o verbo” aparece somente no Novo Testamento, nos escritos de João.

João 1,1: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”.

1 João 1,1: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida”.

II – A ideia de designar pelo nome de Cordeiro o Redentor da Humanidade ocorre vinte e cinco vezes no livro do Apocalipse, e também em João.

João 1,29: “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”.


III – O uso do termo “vencer”, no sentido de destruir o mal do mundo, repetidas vezes se nota nas cartas as sete igrejas e também nas cartas de João.

Apocalipse 17,14: “Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele”.

1 João 2,13: “Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno”.


IV – O termo “verdadeiro” no sentido de real, genuíno, em oposição a fictício acha-se treze vezes no Evangelho e Epístolas de João, e dez vezes no Apocalipse.

Apocalipse 3,7: “Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá”.

João 1,14: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.


V – A expressão “quantos o traspassaram” (Apocalipse 1,7) acha-se somente em João (João 19,37) e está em relação com a passagem de Zacarias (12,10), cuja tradução difere da Septuaginta.

Apocalipse 1,7: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém!”.

João 19,37: “E outra vez diz a Escritura: Eles verão aquele a quem traspassaram”.

Zacarias 12,10: “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas; olharão para aquele a quem traspassaram; pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigênito e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito”.

VI – A excelente ideia de João no Evangelho, expressa pelo nome e correspondente verbo grego, que se acham traduzidos pelas palavras “testemunho”, “testificar”, no sentido de declaração respeitante a Jesus Cristo, e duma profissão pública de crença, encontra-se também de modo proeminente no Apocalipse.

Apocalipse 6,9: “Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam”.

Apocalipse 19,10: “Prostrei-me ante os seus pés para adorá-lo. Ele, porém, me disse: Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus. Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”.

Nota: Este é um breve resumo sobre o Apocalipse, se você tem interesse no assunto recomendamos o livro de Comentários em Apocalipse de Simon Kistemaker. Infelizmente não está disponibilizado em ebook para publicação. Veja também nossa seção sobre Apocalipse.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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