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Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

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Cristologia

COLOSSENCES 1,24 – AS AFLIÇÕES DE CRISTO

COLOSSENCES 1,24 – AS AFLIÇÕES DE CRISTO

 

Colossences 1,23-25: “Se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro. Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós; e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja; da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus”.

Paulo não afirma estar sofrendo as aflições de Cristo em sua carne, pois isto está consumado, Cristo entrou em sua glória, está exaltado à direita do poder de Deus e está coroado de glória e honra: Nada restou a cumprir de seus sofrimentos para ser realizado por quem quer que seja do seu povo.

Ele sofreu uma vez por todas e seu sacrifício jamais será repetido e por ele foi obtida a redenção eterna de seu povo.

Hebreus 9,12: “Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção”.

Ninguém participa dos sofrimentos de Cristo, isto não é necessário e nem possível, nada foi deixado para ser preenchido por outros, o apóstolo não fala de completar estes sacrifícios de Cristo, mas daqueles que ele sofreu em sua própria carne e tem marcados em seu próprio corpo.

Gálatas 6,17: “Quanto ao mais, ninguém me moleste; porque eu trago no corpo as marcas de Jesus”.

CALVINO – INSTITUTAS LIVRO III:

A AFIRMAÇÃO PAULINA EM COLOSSENSES 1,24 QUANTO A SUPRIR O APÓSTOLO OS SOFRIMENTOS DE CRISTO NÃO SE REFERE À REDENÇÃO, À SATISFAÇÃO OU À EXPIAÇÃO, O QUE, CONFIRMA AGOSTINHO, É PRERROGATIVA EXCLUSIVA DE CRISTO.

Aliás, quão pervertidamente torcem a passagem de Paulo [Cl 1.24] na qual ele diz que está suprindo em seu corpo o que faltava dos sofrimentos de Cristo! Ora, o Apóstolo não atribui essa carência, ou essa suplementação, à obra de redenção, de satisfação, de expiação, mas a essas aflições com que importa sejam exercitados os membros de Cristo, isto é, todos os fiéis, por quanto tempo viverem nesta carne.

Portanto, ele está dizendo que, dos sofrimentos de Cristo, resta isto: Que, tendo uma vez sofrido em sua pessoa, diariamente sofre em seus membros.

Desta honra nos digna Cristo: Que consideremos suas as aflições nossas, e que as assumamos! Mas o fato de Paulo referir, pela Igreja, com isso não quer significar para a redenção, para a reconciliação, para a satisfação da Igreja, mas para sua edificação e aperfeiçoamento.

Assim também, como diz a Timóteo, ele suporta todas as coisas por amor dos eleitos “para que alcancem a salvação que está em Cristo Jesus”.

2 Timóteo 2,10: “Por esta razão, tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação que está em Cristo Jesus, com eterna glória”.

E aos coríntios escrevia que “para seu conforto e salvação” ele suportava tantas tribulações quantas tivesse de sofrer.

2 Coríntios 1,6: “Mas, se somos atribulados, é para o vosso conforto e salvação; se somos confortados, é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz, suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos que nós também padecemos”.

E imediatamente ele mesmo se explica aos colossences quando adiciona que fora constituído ministro da Igreja, não para redenção, mas “de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor”.

Portanto, se porventura exigirem também outro intérprete, que ouçam a Agostinho:

Agostinho: “Os sofrimentos de Cristo só estão em Cristo como no cabeça; estão em Cristo e na Igreja como no corpo todo. Donde Paulo, como um membro, diz: ‘Supro em meu corpo o que falta aos sofrimentos de Cristo.’ Portanto, sejas quem for que a isto ouves, se estás entre os membros de Cristo, tudo quanto sofres da parte dos que não são membros de Cristo, tudo isso faltava aos sofrimentos de Cristo.”

O que faltava aos sofrimentos de Cristo: O que Cristo não havia sofrido durante seu tabernáculo aqui na terra – o que os cristãos sofrem do mundo ímpio. Todavia, este sofrimento do crente não constitui adição ou cooperação ao trabalho perfeito de Cristo, porque a obra de Cristo é única e perfeita, não restando nada a fazer.

Hebreus 9,26: “Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado”.

Em seus comentários na Segunda Carta aos Coríntios, Calvino fornece uma explicação bastante elucidativa deste verso em referência, ele diz o seguinte: Deus disciplina seus filhos pelos erros cometidos, esta é uma coisa diferente do que Paulo afirma neste verso em Colossences 1,24.

Mas, quando seus filhos sofrem pelo testemunho de Cristo, seus sofrimentos são considerados como “o que resta das aflições de Cristo”, não em um sentido de complementação da obra de Cristo, mas no sentido de que tem valor superior às admoestações merecidas. Isto é o que Pedro também afirma em sua primeira carta.

1 Pedro 2,19-20: “Porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus. Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus”. 

A que fim se propõem, na verdade, os sofrimentos dos apóstolos, suportados em favor da igreja, ele o expõe em outro lugar:

Agostinho: “Cristo é a porta para que eu entre a vós, porque sois ovelhas de Cristo, compradas com seu sangue. Reconhecei vosso preço, que não é pago por mim, mas é pregado por meu intermédio.”

Em seguida acrescenta: “Como ele próprio entregou sua vida, assim também nós devemos dar a vida pelos irmãos, para edificar a paz, para confirmara fé.”

Estas coisas falou Agostinho.

Quanto, porém, respeita a toda a plenitude da justiça, da salvação e da vida, longe esteja que julgue ele faltar algo aos sofrimentos de Cristo, ou quisesse acrescentar alguma coisa, Paulo que, tão luminosa e brilhantemente, prega que através de Cristo foi derramada a exuberância da graça com liberalidade tão grande, que excedeu em muito a toda a força do pecado.

Romanos 5,18: “Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida”.

Tão-somente por esta graça todos os santos foram salvos, não por mérito de sua vida ou de sua morte, como Pedro o atesta eloquentemente.

Atos 15,11: “Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram”.

De sorte que se levantará com total contumácia contra Deus e seu Cristo quem puser a dignidade de qualquer santo em outra parte que não seja tão-somente na misericórdia de Deus.

MATTHEW HENRY:

Paulo teve seu ministério de acordo com a dispensação de Deus: a economia e a disposição das coisas na igreja. Ele era pastor, mordomo e mestre e isto foi dado a ele, não foi usurpado de ninguém, e ele não devia nada a este respeito, ele recebeu de Deus como um presente através de Cristo e considerou isto como um favor.

Para segurança de quem ele teve o seu ministério?

Foi para vocês, para vosso benefício, para vocês servos de Jesus. Nós somos ministros de Cristo para o bem de seu povo, para cumprir a Palavra de Deus, da qual vocês têm grande benefício.

2 Coríntios 4,5: “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus”.

Quanto mais cumprimos nosso ministério, maiores serão os benefícios para os crentes, pois eles serão engrandecidos em conhecimento e serviço.

Que tipo de pregador era Paulo? Isto está particularmente representado no verso em referência. Ele era um pregador sofrido que se regozija em seus sofrimentos pela causa de Cristo e pelo bem da igreja. Ele sofreu por pregar o evangelho e por ter sofrido por uma boa causa ele se regozija por estes sofrimentos, regozija-se por ter sido escolhido para sofrer pelo evangelho de Jesus Cristo; isto era uma honra para ele.

Veja abaixo o que diz Jesus quando chama Paulo ao ministério:

Atos 9,16: “Pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome”.

O que está atrás das “aflições de Cristo em minha carne”:

Não são as aflições de Paulo ou qualquer outra pessoa que representam expiações para os pecados, mas somente os sofrimentos de Cristo. Não existe nada que possa ser acrescentado às aflições de Cristo, elas são perfeitamente suficientes para cumprir cabalmente a intenção destinada a elas: A satisfação da justiça de Deus para salvação de seu povo.

Os sofrimentos de Paulo e de outros ministros cristãos os fazem conformados a Cristo e eles seguem a ele em seu sofrimento no ministério. Assim eles dizem preencher o que falta aos sofrimentos de Cristo como o lacre preenche a impressão do selo ao ser carimbado.

Certamente ele não se refere aos sofrimentos de Cristo, mas aos seus próprios sofrimentos por Cristo, nestes seus sofrimentos por Cristo ele preenche o que falta a ele mesmo.

“E preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja”.

Paulo tem uma certa medida do sofrimento de Cristo marcada nele, e ele se orgulha disto e continua preenchendo em si mesmo mais e mais do que lhe resta.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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