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COLOSSENSES – JOÃO CALVINO

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Argumento
Há três cidades vizinhas na Frigia mencionadas por Paulo nesta Epístola – Laodicéia, Hierápolis e Colossos – as quais, como nos informa Orosius, foram destruídas por um terremoto nos tempos do imperador Nero. Conseqüentemente, não muito depois que esta Epístola foi escrita, três igrejas de grande renome pereceram por uma dolorosa tanto quanto horrível ocorrência – um nítido espelho do verdadeiro juízo divino, se pelo menos tivéssemos olhos para vê-lo. Os colossenses foram, não ape- nas por Paulo, mas pela fidelidade e pureza de Epafras e outros ministros, instruídos no evangelho; mas, logo depois, Satanás, com suas discórdias, penetrou ali [Mt 13.25], segundo seu método usual e invariável, de modo que pôde assim perverter ali a fé genuína.
Alguns são de opinião que havia duas classes de homens que contri- buíram para afastar os colossenses da pureza do evangelho: de um lado, os filósofos, ao discutirem sobre as estrelas, o destino e mentiras des- se gênero; os judeus, do outro lado, insistindo na observância de suas cerimônias, provocaram nevoeiro com o fim de precipitar Cristo nas som- bras. Não obstante, os que são desta opinião são influenciados por um conjetura de mui pouco peso – com base no que Paulo diz sobre tronos, poderes e criaturas celestiais. Porque, ao acrescentarem também o termo elementos, ficou pior que ridículo. Entretanto, como minha intenção não é refutar as opiniões de outros, simplesmente afirmarei o que me parece ser a verdade e o que se pode inferir por honesto raciocínio.
Em primeiro lugar, é sobejamente evidente, à luz das palavras de Paulo, que aqueles degenerados tencionavam isto – para que pudessem confundir Cristo com Moisés e reter as sombras da lei juntamente com o evangelho. Daí ser provável que fossem judeus. Entretanto, como co- loriam suas fantasias com disfarces ilusórios, Paulo, por isso mesmo, a chama de vã filosofia [Cl 2.8]. Ao mesmo tempo, ao empregar esse termo, ele tinha diante de seus olhos, em minha opinião, as especulações com que se divertiam, as quais eram refinadas, é verdade, porém, ao mesmo tempo inúteis e profanas; pois inventaram para si uma via de acesso a Deus pela mediação dos anjos, e exibiam muitas especulações desse gênero, tais como se acham contidas nos livros de Dionísio sobre a Hierar- quia Celestial, extraída da escola dos platonistas. Este, pois, é o principal objetivo que tem em vista – ensinar que todas as coisas estão em Cristo, e que somente ele deve ser tido pelos colossenses amplamente suficiente.
A ordem, contudo, que ele segue é esta: Após a descrição geral- mente empregada por ele, então ele os enaltece com vistas a levá-los a ouvi-lo mais atentamente. Então, com o propósito de fechar o ca- minho contra todas as invenções novas e estranhas, dá testemunho da doutrina que previamente receberam de Epafras. Em seguida, ao desejar que o Senhor aumente a fé deles, notifica que algo ainda lhes está faltando, para pavimentar o caminho e assim poder comunicar- -lhes uma instrução mais sólida. Em contrapartida, ele se expande com recomendações adequadas à graça de Deus para com eles, para que não a estimem menos. Então segue a instrução, na qual ele ensina que todas as partes de nossa salvação devem estar fundamentadas unicamente em Cristo, para que não busquem nada em outro lugar; e ele lhes enfatiza que foi em Cristo que haviam obtido toda bênção que ora possuíam, a fim de que mais cuidadosamente ainda fizessem disso seu alvo e o retivessem até o fim. E, realmente, mesmo este único artigo era em si mesmo perfeitamente suficiente para levar-nos a reconhecer esta Epístola, breve como é, como um inestimável tesouro; pois o que é da maior importância em todo o sistema de doutrina celestial do que ter Cristo nos atraindo à vida, para que visualizemos distintamente sua excelência, seu ofício e todos os frutos que nos emanam dela?
Pois especialmente neste aspecto diferimos dos papistas: que, enquanto ambos somos chamados cristãos, e professamos crer em Cristo, eles mesmos se mostram como uma parte que é rasgada, desfigurada, despida de sua excelência, despojada de seu ofício, enfim, parecendo mais um espectro do que o próprio Cristo; nós, em contrapartida, o abraçamos tal como ele é aqui descrito por Paulo – amoroso e eficaz. Esta Epístola, portanto, para expressá-lo numa palavra, distingue o verdadeiro Cristo de um fictício – nada melhor ou mais excelente se pode desejar. Já no final do primeiro capítulo, ele uma vez mais procura assegurar sua autoridade com base na posição que lhe fora designada, e em termos magnificentes enaltece a dignidade do evangelho.
No segundo capítulo, ele esclarece mais distintamente do que fizera até aqui a razão que o induzira a escrever – para fazer provisão contra o perigo que divisava já pendente sobre eles, enquanto toca, de passagem, no afeto que nutria em relação a eles, para que soubessem que seu bem-estar é o objeto de sua preocupação. Daqui ele passa a exortação, pela qual aplica a doutrina precedente, por assim dizer, ao presente uso; pois ele os convida a repousarem em Cristo somente, e estigmatiza como sendo vaidade tudo quanto não faz parte de Cristo. Ele fala particularmente da circuncisão, abstinência de alimento e de outros exercícios externos – nos quais equivocadamente, faziam consistir o serviço divino; e também do culto absurdo prestado aos anjos, os quais punham no lugar de Cristo. Havendo feito menção da circuncisão, ele aproveita a ocasião para notar também, de passagem, qual é o ofício e qual a natureza das cerimônias – das quais ele estabelece, como uma questão axiomática, como sendo já ab-rogadas por Cristo. Estas coisas são tratadas até o final do segundo capítulo.
No terceiro capítulo, em oposição àquelas fúteis prescrições para a observância à qual os falsos apóstolos tanto desejavam obrigar os crentes, ele faz menção dos verdadeiros ofícios da piedade nos quais o Senhor quer que nos empreguemos; e ele começa com a própria fonte- -mestra, a saber, a mortificação da carne e a novidade de vida. Disto ele deriva as correntes, ou seja, exortações particulares, algumas das quais se aplicam a todos os cristãos igualmente, enquanto que outras se relacionam mais especialmente com os indivíduos particulares, segundo a natureza de sua vocação.
No início do quarto capítulo, ele aborda o mesmo tema: após haver- -se encomendado à suas orações, ele mostra, mediante alguns sinais, o quanto ele os ama e está desejoso de promover seu bem-estar.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 66 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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