Aviso

Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

ESTATÍSTICAS

vivendopelapalavra.com
Na internet desde Outubro/2011
Total de visitas até outubro de 2018:
1.035.642
Total de páginas visitadas até outubro 2018:
2.647.499

Mais Baixados

Palestras

COMO ÁRVORES – LLOYD JONES

COMO ÁRVORES – LLOYD JONES

vivendopelapalavra.com

Revisão livre e versos acrescentados por: Helio Clemente

 

MARCOS 8,22-25: “Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse. Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa? Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando. Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos, e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido; e tudo distinguia de modo perfeito”.

A cura deste cego é, na verdade, uma parábola que foi dirigida aos apóstolos, pois estes não conseguiam entender plenamente o ministério de Jesus, apesar das explicações recebidas. Esta é uma parábola dirigida àqueles que ainda confiam em si mesmos para conseguir a salvação, ela tem referência à justificação pela fé.

O problema do homem que não tem uma compreensão clara da justificação é que ele ainda está tentando justificar a si mesmo; mas estes indivíduos sabem inconscientemente que não podem fazer isso. Tentaram muitas vezes, e estão insatisfeitos; e, vendo a verdadeira natureza da qualidade de vida cristã, compreendem que o homem não pode alcançar esse ideal. Sentem que não podem salvar a si mesmos, mas não se entregam de forma completa.

Muitos cristãos acham que podem ver, da mesma forma que aquele homem cego, quando Jesus lhe perguntou: Podes ver? Respondeu: Sim. Ele certamente podia ver, podia ver homens como se fossem árvores. Da mesma forma, muitos cristãos che­gam a ver alguma coisa, todavia, preciso dizer que estão confusos, que não podem ver com clareza, podem apenas ver homens “como árvores andando”. Em que aspecto isto é verdade sobre eles?

Marcos 8,24: “Este, recobrando a vista, respondeu: Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando”.

Vamos selecionar as três coisas mais impor­tantes com relação a estas pessoas.

– A primeira coisa é que essas pessoas não têm uma compreen­são clara dos princípios bíblicos. Compreenderam que Cristo é “de algum modo” o Salvador, mas elas não compreendem de que forma ele é o Sal­vador. Não têm uma compreensão clara da necessidade absoluta da morte de Cristo. Não conhecem a pessoa de Cristo, não têm certeza sobre a encarnação, sobre a doutrina do novo nascimento.

Se falarmos com elas a respeito destas coisas, vamos descobrir que estão cheias de confusão e perplexidade. Essas pessoas dizem que não vêem, e estão certas! Elas não vêem, elas não entendem por que Cristo teve que morrer, e não entendem a dinâmica do novo nascimento, não conhecem as doutrinas básicas da fé cristã. Já temos visto esse tipo de gente; pessoas que estão descontentes com sua vida, e louvam a vida cristã; estão sempre prontas a falar sobre Cristo como Salvador, mas “não podem ver” certas verdades. O resultado é que se sentem perturbadas, infelizes e miseráveis.

1 Coríntios 14,33: “Porque Deus não é de confusão, e sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos”.

– A segunda coisa que não veem claramente é que seu coração não é totalmente envolvido. Ainda que possam ver muitas coisas, sua felicidade realmente não está no cristianismo nem na posição cristã. Por alguma razão, não encontram alegria verdadeira na fé cristã, sua alegria — se é que têm alguma — ainda parece provir de outras fontes. Seu coração não é completamente envolvido.

– A terceira coisa a respeito destas pessoas, é que sua vontade está dividida; entendem o cristianismo como fazer certas coisas e deixar de fazer outras. Acham que isso é tudo na religião. Por outro lado, condenam sua vida passada, mas não a descartam completamente, não aceitam a si mesmos e aceitam a vida cristã de forma geral, mas sem entendimento. Reconhecem Cristo como Salvador; todavia, quando se trata de aplicar seus ensinos, ficam confusas e não conseguem discernir a questão com clareza.

Estão sempre argumentando, sempre perguntando se é certo fazer isto ou aquilo. Há uma ausência de tranquilidade na esfera da vontade. Muitos de nós passamos por este estágio, e sabemos disso por experiência própria; e, como o Senhor adotou este método no caso do homem cego, ele parece fazer coisa similar na conversão. Muito raramente as pessoas convertidas vêem as coisas claramente de uma vez; normalmente passam por estágios. Alguns cristãos atravessam este estágio específico, a grande maioria pára neste estágio: “vejo homens como árvores”.

Quando Jesus estava ensinando os discípulos na travessia do lago, ele disse a eles que se guardassem do fermento dos fariseus, e eles não entenderam. Este milagre de que estamos tratando veio logo em seguida, Jesus então demonstrou aquele ensinamento desta forma dramática, através deste incidente. Por que as pessoas deveriam passar por esta situação indefinida como se fosse “sim e não” ao mesmo tempo?

Não há dúvida que às vezes a responsabilidade é inteiramente do evange­lista usado para despertá-los. Os evangelistas muitas vezes são a causa do problema. Na sua ignorância e ansiedade de ver resultados, na maioria das vezes causam este problema.

Mateus 23,15: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito (discípulo); e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!”.

Mas  nem sempre  é  culpa do  evangelista; com frequência a culpa é da própria pessoa, e vamos mencionar algumas das maio­res razões por que acabam nesta situação sem conseguir seguir avante na verdadeira fé.

– Primeiro: em geral essas pessoas protestam  contra  definições precisas.

Elas não gostam de nada que seja claro e absoluto. Elas se opõem à clareza de pensamento e definições por causa de suas exigências mundanas. O tipo mais confortável de religião é sempre uma reli­gião vaga, nebulosa e incerta, cheia de fórmulas e rituais. Este é o motivo pelo qual o catolicismo romano, e atualmente os neo-pentecostais, atraiam a grande maioria das pessoas.

Quanto mais vaga e indefinida a sua religião, mais confortável ela será. Não há coisa mais incômoda do que verdades bíblicas que exigem decisões. Por isso, essas pessoas dizem:

Você está sendo muito rígido, está sendo muito legalista, ou hipercalvinista, ou ainda antinomiano.

Mas, os que abraçam a teoria que o cristianismo não é uma doutrina perfeitamente definida, não se surpreendam se acabarem como este homem, vendo “homens, como  árvores,  andando”.  Se alguém define a experiência cristã dizendo que não quer  uma perspectiva exata ou uma definição precisa para sua fé, ele com certeza não terá sua fé voltada para o objeto correto.

– Segundo: o problema real com essas pessoas, é que elas nunca aceitam completamente os ensinos e a autoridade das Escrituras.

Esta é verdadeiramente a grande causa do problema. Os cristãos formais não se submetem totalmente à autoridade da  Bíblia.  Se  tão  somente  nos  aproximássemos  da escritura como crianças, com uma aceitação sem reservas, permitindo que a bíblia fale conosco, este problema não existiria.

Mateus 18,3: “E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”.

Essas pessoas não fazem isso; elas misturam suas próprias idéias com verdades espirituais. Naturalmente, elas afirmam que se baseiam na Escri­tura, porém logo em seguida passam a modificá-la. Aceitam certas idéias bíblicas, mas há outras idéias e filosofias, remanescentes de seu velho estilo de vida, que dese­jam conservar consigo. Misturam idéias naturais com idéias espiri­tuais. Dizem gostar do Sermão do Monte, do salmo 23 e de 1 Coríntios 13; declaram crer em Cristo como Salvador, mas argumentam que não devemos ser muito extremistas nestas questões, que devemos ser moderados.

Então começam a modificar as Escrituras. Recusam-se a aceitar sua autoridade em todos os aspectos — na pregação e na vida, na doutrina e na sua visão do mundo.

“As circunstâncias mudaram; estamos vivendo no século vinte e um!”.

E mudam a bíblia aqui e ali, adaptando-a às suas próprias idéias, em vez de aceitarem a doutrina da Escritura do começo ao fim. A bíblia é a Palavra de Deus, ela é eterna, e porque ela é a Palavra de Deus, devemos nos submeter a ela, e confiar que o Senhor use seus próprios métodos à sua própria maneira.

Gálatas 1,8-9: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema”.

Uma outra causa deste problema é que invariavel­mente as pessoas não estão interessadas em doutrina. Às vezes essas pessoas são tolas ao ponto de contrastar o que consideram “leitura espiritual das Escrituras” com doutrina. Dizem que não estão interessadas em doutrina, que gostam de exposição bíblica mas não de doutrina. Declaram crer nas doutrinas que estão expostas na Bíblia, e que provém da Bíblia, porém estabelecem este contraste fatal entre exposição bíblica e dou­trina. No entanto, qual é o propósito da Bíblia, senão de apre­sentar doutrina? Qual é o valor da exposição bíblica, se ela não nos levar à verdade?

Romanos 1,16: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”.

Mas não é difícil entender sua posição. É a doutrina que fere, é a doutrina que define as coisas. É uma coisa apreciar as histórias e se interessar por palavras, isso não perturba, não focaliza a atenção no pe­cado, nem exige uma decisão. Podemos relaxar e apreciar isso; contudo a doutrina fala conosco e exige uma decisão. Doutrina é verdade, e ela nos examina e nos prova e nos força a uma auto-análise.

O propósito de todos os credos elaborados pela Igreja Cristã, bem como todas as confissões de fé, foi de capacitar as pessoas a ver com clareza, para isso foram formulados. Nos primeiros séculos do cristianismo surgiram heresias no seio da igreja, uma variedade de idéias começou a sur­gir, levando muitos à confusão e perplexidade. Por isso, a Igreja começou a formular suas doutrinas na forma de Credos.

Vocês acham que os país da Igreja fizeram essas coisas   simples   porque   gostava   de   fazê-las?   Não.   Eles   tinham em vista um propósito muito mais prático. A verdade deve ser definida e preservada, para que as pessoas não andem em erros. Os que colocam objeções à doutrina, não veem as coisas com clareza, e se tornam  infelizes e miseráveis.

João 7,38: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”.

A última explicação é o fato que muitas pessoas não captam as doutrinas das Escrituras em sua ordem correta. É importante que tomemos as doutrinas das Escrituras em sua ordem certa. O que está em moda hoje é o novo nascimento, mas se pensarmos nisto antes que tenha­mos uma visão clara da soberania de Deus, das doutrinas da predestinação e da redenção, cairemos em erro e nos sentiremos miseráveis.

O mesmo se aplica se tomarmos santificação antes da justificação: a santificação provém da justificação e as pessoas normalmente pensam o contrário. As doutrinas devem ser tomadas na ordem certa. Em outras palavras, podemos resumir isso tudo, dizendo que a grande causa do problema que estamos considerando é uma recusa em persistir e examinar as coisas até o fim.

Existe somente uma coisa que leva a pessoa a ter clareza em sua visão espiritual: a compreensão das doutrinas bíblicas.

João 5,39: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.

Homens e mulheres que se recusam a pensar com seriedade nas doutrinas bíbicas, que não querem aprender nem querem ser ensinados, são as pessoas que se tornam vítimas desta confusão espiritual, esta falta de clareza, este problema de ver e não ver ao mesmo tempo.

Isso nos traz à última pergunta. Qual é a cura deste problema? O homem cego do nosso texto deve ter sido tentado a se dizer curado no primeiro estágio. Ele tinha sido cego, o Senhor cuspiu em seus olhos e disse: “Podes ver?” O homem respondeu: “Posso”. Como ele devia ter se sentido tentado a sair correndo e anunciando a todo mundo: “Posso ver!”.

De certa forma, ele podia ver, mas sua visão era incompleta e imperfeita, e era vital que não desse testemunho antes de ver claramente. Muitos estão fazendo tal coisa atualmente (e são incentivados e encorajados a fazer isso), proclamando que aceitam a Cristo quando não o conhecem e não vêem claramente as implicações deste fato – na verdade estão confusos.

A segunda coisa é o oposto da primeira. A tentação do pri­meiro é correr e proclamar que pode ver, antes de enxergar claramente; mas a tentação do segundo é se sentir totalmente sem esperança, e dizer: “De certa forma eu vejo, mas vejo homens como se fossem árvores andando”. Pessoas assim não conseguem ver a verdade com clareza, em sua confusão ficam desesperadas e perguntam: “Por que não posso ver? Isso tudo não adianta”.

Qual é o caminho certo? É ser sincero, e responder a pergunta do Senhor com honestidade e franqueza. Este é o segredo da questão. Jesus se voltou para o homem, di­zendo: “Podes ver?” E o homem disse, com absoluta franqueza: “Eu vejo, mas vejo homens como se fossem árvores andando”. O que salvou este homem foi sua honestidade. A pergunta é: qual é nossa posição? O que vemos, real­mente? Vemos as coisas com clareza? Somos felizes? Vemos real­mente? Ou vemos, ou não vemos — e precisamos saber exatamente qual é nossa posição.

Conhecemos a Deus? Conhecemos Jesus Cristo? Não basta conhecer “de certa forma”, mas será que o conhe­cemos realmente? Estamos nos regozijando com alegria indizível e cheia de glória? Esse é o cristão do Novo Testamento. Podemos ver? Vamos ser francos; vamos enfrentar a questão, e vamos fazê-lo com absoluta honestidade.

João 17,3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

comente

Clique aqui para enviar um comentário