Deus é o único Ser não criado, dessa forma, todas as coisas são eternamente presentes na mente de Deus e existem de forma simples e imutável. A mente de Deus não é suscetível a raciocínio lógico, confabulações ou decisões, seu conhecimento é infinito, eterno, imutável e perfeito. A nosso ver, essas coisas se realizam no tempo, conforme a providência, mas elas existem eternamente para que possam se manifestar nas obras da providência, nada que não conste no Decreto Eterno pode ser realizado no tempo. Vemos, dessa forma, que não é formalmente correto dizer que Deus criou alguma coisa, mas sim, que Ele trouxe essa coisa à existência. Obrigado, Helio.

Aviso

Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

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CONHECIMENTO

TEOLOGIA – CURSO

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Por: Helio Clemente (Revisado em Jan/2012)

Dr. Orr: “Não podemos conhecer a Deus nas profundezas do Seu Ser absoluto. Mas podemos, ao menos, conhecê-lo até onde Ele se revela em Sua relação conosco. A questão, portanto, não é quanto à possibilidade de um conhecimento de Deus na impenetrabilidade do Seu Ser, mas é esta: Podemos conhecer a Deus procurando saber como Ele entra em relação com o mundo e conosco? Deus entrou em relação conosco em Suas revelações de Si próprio, e, supremamente, em Jesus Cristo; e nós, cristãos, humildemente alegamos que, por meio desta auto-revelação, de fato sabemos que Deus é o Deus verdadeiro, e temos um real conhecimento do seu Caráter e da Sua vontade. Tampouco é correto dizer que este conhecimento que temos de Deus é apenas um conhecimento relativo. (Este conhecimento) É, em parte um conhecimento da natureza absoluta de Deus também”.

Salmo 109,7: “Render-te-ei graças com integridade de coração, quando tiver aprendido os teus retos juízos”.

Confissão de Fé de Westminster: Capítulo I, Seção VI – A revelação: Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a glória dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou está expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela (1). À Escritura nada se acrescentará em tempo algum, nem por novas revelações do Espírito, nem por tradições dos homens (2).

1 –     2 Timóteo 3,16-17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

2 –     Mateus 15,6: “Esse jamais honrará a seu pai ou a sua mãe. E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição”.

Romanos 1,18-20: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”.

Lucas 10,21: “Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado”.

Mateus 13,14: “De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis”.

Tiago 1,17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”.

Colossences 2,3: “(Cristo) em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos”.

João 5,39: “Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.

1 –     O CONHECIMENTO DE DEUS

O que é o conhecimento? O conhecimento é um estado da mente em contraposição à ignorância. Conhecimento é ter ideias verdadeiras, tendo a certeza que elas são verdadeiras, o que não acontece com as opiniões, que podem ou não ser verdadeiras. Ora, o homem é um ser finito, uma ideia que se origina na mente do homem e encontra sua razão em experiências e sensações, nunca poderá fornecer a certeza de que é verdadeira.

Em resumo, não podemos conhecer exaustivamente o Ser de Deus, mas o conhecimento que nos é revelado através da Escritura, mesmo sendo parcial, é real e verdadeiro. Toda a verdade que conhecemos é uma parte da mente de Deus, pois Deus conhece toda a verdade.

O que é então a verdade, para que o conhecimento possa ser assim considerado real? A verdade é a Palavra de Deus, somente a Palavra de Deus e o que se pode deduzir claramente dela pode fornecer ao homem o conhecimento verdadeiro. Veja no salmo abaixo, onde Davi coloca a necessidade anterior do conhecimento de Deus para a integridade do louvor e adoração.

A teologia reformada tem como base a glória de Deus e não a felicidade ou bem estar das criaturas, desta forma, a teologia reformada tem uma resposta simples para todas as questões que impactam os homens: Por quê a existência do mal? Por quê os homens tem um plano de salvação e os anjos não? Por quê a queda? Por quê todas estas coisas acontecem? Porque é da vontade de Deus que aconteçam, todas as coisas foram determinadas por Deus para manifestação de sua glória.

Charles Hodge: “O conhecimento de Deus é a base e soma de todo bem, segue naturalmente, que quanto mais perfeitamente Deus seja conhecido, tanto mais plenamente se promove o maior bem, desta forma, a manifestação da natureza e das perfeições de Deus constituem o mais alto bem no universo, que não é obrigatoriamente ou necessariamente a maior felicidade das criaturas”.

João 17,3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Teologia: A teologia é o estudo de Deus. A sistematização da teologia trata da apresentação das várias doutrinas bíblicas ordenadas em sequência progressiva. A teologia só é viável mediante a possibilidade do conhecimento de Deus, por isso é preciso ver em primeiro lugar como se processa o conhecimento de Deus.

Todo homem carrega em si o conhecimento inato de Deus, Ele se revela através das obras da natureza. Esta consciência que o homem tem é o reflexo da imagem de Deus, que apesar da queda, ainda permanece no homem. Este conhecimento, porém, não é suficiente para revelar o Deus da Escritura, transcendente, acima de todas as coisas, mas ao mesmo tempo imanente, relacionando-se individualmente com suas criaturas, o Deus trino, eterno, infinito, criador e sustentador de todas as coisas, e ao mesmo tempo um Deus pessoal, que cuida de cada uma de suas criaturas individualmente.

O conhecimento científico ou filosófico é baseado em coisas que o homem descobre por sensações ou experiências, ou ainda simplesmente admite como fatos verdadeiros, aplicando a estes princípios o raciocínio lógico no desenvolvimento das ideias consequentes. Desta forma, o homem é o sujeito do conhecimento e sua capacidade e descoberta e raciocínio o moto deste conhecimento.

Todavia, não é assim a possibilidade do conhecimento de Deus, o estudo da teologia somente se torna possível pela revelação que Deus fez de si mesmo. Esta revelação é feita de forma dupla e concomitante somente àqueles escolhidos por Deus: A Escritura é a Palavra revelada, que deve ser recebida pela leitura ou pela pregação, mas estas coisas não são suficientes em si mesmas para a instrução e conhecimento real, nenhuma pessoa a quem Deus não tenha escolhido na eternidade para receber este conhecimento irá recebê-lo por sua vontade própria. Assim, a revelação se faz através da Palavra, mas somente pela ação direta do Espírito, que revela a Palavra aos eleitos e a mantém oculta aos que foram vedados.

Conforme exposto acima, pode-se ver que, no estudo da teologia, Deus é o sujeito do conhecimento e o homem o objeto receptor deste conhecimento, puro ou distorcido, conforme a vontade e a determinação divinas. O conhecimento teológico emana exclusivamente de Deus, de forma vertical e sempre no sentido de Deus para o homem, seja este conhecimento saudável ou espúrio, todo ele é sempre conforme a vontade de Deus para cada uma das pessoas que procuram de uma ou outra forma, este conhecimento.

Esta revelação especial foi determinada por Deus na eternidade e faz parte de seus Decretos Eternos, visando sempre o plano de redenção dos eleitos, cujo propósito é trazer o homem pecador à verdadeira finalidade de sua vida, que é louvar e adorar ao único Deus verdadeiro por intermédio daquele a quem Ele enviou.

Para isto é de suma importância o conhecimento deste Deus verdadeiro, porque senão, como diz Agostinho, facilmente incorre-se no erro de adorar a outrem.

A revelação especial se faz paulatinamente ao longo da Escritura, consolidando-se em Jesus Cristo, a suprema revelação de Deus. Somente através da encarnação, Deus poderia se manifestar de maneira plena e absoluta aos homens, realizando na plenitude dos tempos, a concretização, não somente do plano de redenção, mas também da revelação final e definitiva, pela qual não se espera nenhuma nova revelação após Jesus Cristo.

O conhecimento revelacional não surge de forma espontânea na mente do homem da mesma forma que a consciência inata de Deus, mas vem através de estudo diligente da Escritura, por um contínuo processo de reflexão e raciocínio fundamentado na ação contínua do Espírito e na fé, que é um dom de Deus aos seus escolhidos.

O conhecimento secular

Filosoficamente o conhecimento pode ser dividido em várias formas distintas: Racionalismo, empirismo, pensamento contemporâneo e irracionalismo. É preciso primeiramente estudar como se definem estas formas seculares que surgiram após a Reforma Protestante, e depois, o que representam na formulação teológica subsequente. Iniciamos com uma breve revisão da escolástica, que pode ser considerada a precursora do empirismo, através de seu principal representante: Tomás de Aquino.

1 – Escolástica:

Tomás de Aquino (XIII d.C.): Tomás de Aquino, um dos principais representantes deste movimento, afirmava que a mente do homem é uma “tábula-rasa”, ou seja, não possui conhecimento prévio de nada e toda possibilidade do conhecimento vem através dos sentidos e das experiências pessoais. Esta é uma ideia que vai frontalmente contra o capítulo primeiro do livro de Romanos e contra toda a teoria Paulina.

Tomás de Aquino é o filósofo por excelência da igreja romana, pela atribuição de transcendência ao homem, abrindo a possibilidade filosófica da existência dos santos da igreja de Roma. Ao contrário de Agostinho, que considera a filosofia como uma disciplina religiosa, a escolástica é uma volta ao aristotelismo, colocando a filosofia religiosa como empírica e racional.

Ele afirmou contra todas as evidências escriturísticas que a ordem moral não depende da vontade de Deus, mas da necessidade racional do homem. Ele, ainda, pretendia provar a existência de Deus de forma científica, e para isto elaborou cinco teorias, mas, evidentemente, sem sucesso, pois é impossível ao ser finito compreender o infinito. A existência de Deus se revela na Escritura como princípio básico indiscutível e inquestionável, a existência de Deus não é motivo para estudo ou discussão dentro do cristianismo.

2 – Racionalismo:

A razão, à parte da revelação ou experiência sensorial é a única fonte da verdade. Esta afirmação, todavia, não encontra fundamento no pensamento dos principais representantes desta vertente, pois a razão partindo do nada leva a nada.

Contrariamente às suas afirmações, cada um dos filósofos racionalistas parte de um princípio diferente e chegam consequentemente a conclusões representativas de seus princípios adotados, os principais são:

Platão (IV a.C.): segundo Platão, a filosofia se destina a uma finalidade prática que resulta em especulações morais que se relacionam aos problemas da vida buscando solução para estes problemas. Esta finalidade prática deve se realizar intelectualmente, através do raciocínio lógico, do conhecimento e da ciência. Platão considera o espírito humano aprisionado no corpo físico e somente realiza a sua finalidade com a morte do corpo físico, quando enfim, liberto pode chegar ao mundo das ideias eternas, ininteligível ao homem em sua vida terrena.

Acerca do conhecimento sensível: As sensações, ou experiências, somente adquirem validade através da análise racional e intelectual, tendo suas conclusões validadas e determinadas estritamente conforme o raciocínio lógico. O relacionamento do finito com o infinito é explicado pela teoria das formas, onde as formas perfeitas existem somente no mundo das ideias e independem da existência do mundo, onde o homem confronta duas realidades, uma imutável e intangível sempre igual a si mesma – as ideias eternas – e outra real e inteligível percebida pelos sentidos – o mundo físico.

Descartes (XVII d.C.): o fundador do racionalismo moderno, afirmou que o único método válido para a ciência é o método racionalista dedutivo característico da matemática. O processo do conhecimento começa com a intuição, a percepção intelectual imediata, a partir da qual o raciocínio se desenvolve em análise e síntese; a análise isola e separa as noções intuitivas simples que irão compor o processo dedutivo que resulta na síntese destas proposições primárias, levando a uma conclusão através desta cadeia dedutiva puramente racional.

Este é o método cartesiano, para aplicá-lo à realidade é preciso partir de inícios concretos, caso contrário todo o sistema desmorona. Para isto, Descartes propõe a submissão de todas as provas e todo conhecimento humano à dúvida como método, negando toda a tradição cultural e religiosa e apegando-se à dúvida como a única realidade válida no pensamento humano.

Curiosamente Descartes apresenta provas da existência de Deus através deste sistema de pensamento, reconhecendo a natureza de Deus e da criação em termos bastantes próximos da doutrina Cristã. Por esta filosofia, Descartes anuncia que este é o melhor dos mundos possíveis, simplesmente por ter sido criado por Deus.

A glória de Deus é o fim último de todas as coisas, não é correto supor que este é o melhor dos mundos possíveis para obtenção da felicidade ou santidade do homem. O mundo está disposto, conforme a sabedoria infinita de Deus, para manifestação de suas multiformes perfeições, em particular a sua glória nas obras da criação, na redenção e condenação dos homens e no Juízo Final (ver os Decretos Eternos).

Spinoza (XVII d.C.): o racionalismo cartesiano de Descartes é assumido de forma radical por Spinoza levando-o a desenvolver o problema das relações de Deus com o universo através do monismo: A existência de uma substância única formadora do universo. Na verdade, ele adotou o panteísmo das religiões orientais, onde o universo e a natureza são extensões do Ser de Deus. 

Spinoza: “Só deus existe, fora ele não há nada”. Ou seja, o universo é uma extensão do ser de Deus e existe eternamente, o infinito somente existe através do vir a ser do finito. Este deus do monismo é impessoal, não tem vontade própria ou inteligência, tudo se resume à existência eterna do universo como extensão do ser deste deus impessoal.

Este sistema é representado pela substância absoluta (deus) e pelas mônadas (a constituição do universo), substâncias simples, que derivam desta substância absoluta, dando origem a si mesmas (unidades simples, indivisíveis e indestrutíveis, que compõe todas as coisas no universo – exemplo: as almas). Para Spinoza a lei máxima da realidade universal é a necessidade, tudo o que ocorre na natureza tem origem na necessidade, e tudo ocorre através da unicidade, ou extensão, de deus com o universo.

Desta forma, o Deus de Spinoza é uma substância sem vontade própria, e todas as coisas no universo ocorrem de forma determinada e irreversível, de acordo com uma destinação semelhante ao conceito do destino do estoicismo grego.

Importante – a doutrina do paralelismo psicofísico: Esta doutrina afirma que cada movimento do corpo corresponde estritamente a um pensamento da alma, não existe nenhuma ação em sentido contrário partindo do corpo para a alma (ver Malebranche – ocasionalismo).

Conforme Spinoza a obrigação de cada homem é buscar a sua própria satisfação, a medida do direito de cada um é o seu poder. Não existe nenhuma obrigação moral, não existe o bem e o mal, os vencidos estão sempre errados e os vencedores sempre certos. Esta doutrina será levada ás últimas consequências por Hegel e principalmente por Nietzche.

Malebranche (XVII d.C.): em Malebranche o racionalismo cartesiano de Descartes se compõe com o pensamento agostiniano tendo em comum a filosofia platônica, mas afastando-se do panteísmo de Spinoza e voltando-se ao cristianismo. Por esta negação do panteísmo, Malebranche afirma Deus como a causa única, mas recusa a ideia panteísta da substância única do universo.

Como racionalista Malebranche descarta o valor das sensações e experiências não validadas pelo conhecimento e raciocínio lógico afirmando o valor único das ideias na formação do conhecimento. Desta forma, as ideias, sendo necessárias de forma absoluta ao conhecimento, não podem ter sua origem nas sensações ou experiências, mas tem que ser inatas e imanentes na alma do homem, sendo provenientes dos arquétipos eternos e imutáveis, próprios unicamente de Deus.

Desta forma, Deus infunde à alma os pensamentos que por sua vez são repassados ao corpo, pois o movimento é uma criação, e, somente Deus pode criar, por este motivo, todos os movimentos que se realizam entre o corpo e a alma têm sua causa eficiente originada em Deus, por este motivo, todos os pensamentos e atos dos homens tem origem na mente extracorpórea – a alma – e são motivados somente pela determinação e vontade de Deus.

Estes movimentos e relações são estabelecidos pelo logos divino, realizando-se através do tempo conforme estabelecido previamente pela determinação eterna de Deus, desta forma, os seres particulares não são causas eficiente de nada que ocorre, mas são criados e movidos unicamente pela vontade e determinação divinas.

Todas as verdades que o homem conhece consistem em uma parte das verdades que Deus conhece, isto é chamado de ocasionalismo.

Leibniz (XVII d.C.): Filósofo alemão que estabeleceu uma síntese entre o racionalismo matemático e as necessidades do homem quanto às causas contingentes e a liberdade, chegando à negação da realidade material que é vista por ele como uma aparência filtrada através do espírito, desta forma ele volta ao panteísmo de Spinoza para tentar explicar o relacionamento do mundo físico com o espiritual. Ele também faz esta explicação pelo panteísmo através da teoria das mônadas, que segundo ele, são átomos espirituais capazes de ação e atividade, e, cada uma destas mônadas, desprendidas da substância de Deus, reflete, ao mesmo tempo, sua individualidade e representa todo o universo em si mesma. 

Estas mônadas são eternas, imutáveis e completamente diversas umas das outras. Todas as mônadas são dotadas de capacidade de percepção, mas nem todas são conscientes desta percepção. Estas mônadas se hierarquizam em uma escala contínua até a mônada suprema que é Deus, esta mônada suprema seria a ordenadora e criadora de todas as outras.

Estas mônadas não interagem entre si, desta forma, o universo é ordenado previamente por leis fixas e eternas que regulam a existência e o relacionamento entre as mônadas. Leibniz, que é o precursor da lógica e da filosofia da linguagem, admitia as causas eficientes, visíveis, para as ações do homem e as causas finais, complexas e compostas de uma série infindável de pequenas causas, que na sua totalidade compões as causas eficientes.

Paralelismo: Ainda conforme Leibniz o relacionamento entre a alma e o corpo se processa naturalmente através de uma correspondência perfeita entre um e outro, mas ao contrário do ocasionalismo, sem a interferência direta de Deus nesta interação.

Leibniz: “As perfeições de Deus são as de nossas próprias almas, mas Ele as possui sem limites. Ele é um oceano do qual nós recebemos algumas poucas gotas. Temos em nós mesmos algo de poder, algo de conhecimento, algo de bondade; mas estes atributos somente se encontram integralmente em Deus”.

3 – Empirismo:

Segundo esta escola filosófica, o conhecimento se origina nos sentidos, a base do conhecimento é a experiência. Esta é estruturalmente a base do conhecimento científico. Todavia, a observação repetida leva sempre e inevitavelmente à negação de experiências anteriores, invalidando assim a possibilidade de conhecimento da verdade. Desta forma a ciência é uma ilusão que progride pela negação das descobertas anteriores. A este respeito pode-se dizer que a experiência sempre é uma premissa particular e nunca pode levar a uma conclusão universal, onde reside a falácia inerente ao próprio sistema de pensamento. Seus principais representantes são:

Francis Bacon (XVI d.C.): o criador do empirismo, segundo ele, a experiência e o método dedutivo são a única forma possível de conhecimento, negando a revelação transcendente e a razão.

Francis Bacon não foi coerente em sua filosofia, pois continuou admitindo a transcendência do cristianismo e ao mesmo tempo tentando explicar os fenômenos da realidade através da metafísica grega e escolástica, ele nunca conseguiu abandonar completamente a metafísica cristã e abraçar definitivamente sua nova filosofia. Segundo ele, o conhecimento se forma a partir da memória, fantasia e razão, sendo sempre baseada no próprio indivíduo e não nos objetos ou coisas a ser conhecidos.

Este conhecimento, a partir destas qualidades do homem, é desenvolvido somente pelo método indutivo científico contando de uma fase negativa, onde a mente é levada a evitar os erros comuns e de uma fase positiva, onde a natureza deve ser compreendida, interpretada e por fim dominada.

Hobbes (XVI d.C.): seguidor de Francis Bacon libertou-se definitivamente da religião revelada e afirmou com muito mais firmeza o naturalismo e o empirismo em todas as atividades humanas: científicas, sociais, morais e políticas. Conheceu Descartes pessoalmente em Paris, e a partir de então, passou a compor o empirismo com o racionalismo matemático em uma síntese jamais conseguida antes dele.

O conhecimento humano tem sua origem somente nas sensações, os conceitos básicos do conhecimento são formados pelas várias sensações que dão origem a imagens que representam símbolos formadores deste conhecimento básico, a partir do qual, o processo de indução é desenvolvido. Desta forma, a ciência não tem uma base real, pois não é formada a partir dos elementos reais, mas dos símbolos representativos destes elementos.

Conforme Hobbes, no universo só existem a matéria e o movimento, os espíritos são formados de matéria volátil e extremamente diluída, de forma que não pode ser percebida pelos sentidos. No aspecto moral, de acordo com esta filosofia, o homem é naturalmente egoísta, buscando apenas o seu próprio bem material, mas este egoísmo é elevado a um bem moral e visto como uma qualidade utilitária do homem e visto de forma sublime no soberano, visto que o seu egoísmo deve superar e governar todos os egoísmos dos homens comuns para o próprio bem deles, colocando nas mãos do soberano o poder absoluto e irrestrito.

Locke: (XVII d.C.): Filósofo inglês, sua filosofia apresenta progresso e desenvolvimento em comparação aos seus predecessores, ele admite uma religião natural bastante próxima do deísmo prevalecente na época, afirmando que o poder público tem o direito de impor esta religião por ser ela proveniente da razão. Locke afirma que a finalidade da filosofia é prática visando o conhecimento e domínio da natureza com finalidades econômicas, sua filosofia se constitui em pesquisar a origem e razão do conhecimento humano, e sua base é a escolástica, associando o empirismo com o raciocínio cartesiano de Descartes.

Locke não considera a possibilidade da existência de ideias inatas, mas considera somente a possibilidade de ideias formadas a partir das sensações e experiências, considerando, como Tomás de Aquino, a mente do homem como uma tabula rasa a ser preenchida pelas sensações e experiências de vida.

A base fundamental do conhecimento, conformada à filosofia de Descartes, são as ideias simples, a partir das quais se formam as ideias complexas, uma coleção de ideias complexas formam o conceito da substância, que é uma forma constante e permanente no pensamento da pessoa. Desta forma, o aprendizado somente é possível através das sensações primárias e da experiência, esta ideia também é conhecida como “behauvorismo”, o comportamento determinado a partir das sensações e desejos do homem.

Apesar de suas ideias quanto à formação empírica do conhecimento, Locke, como a grande maioria dos seus predecessores, nega a existência do livre-arbítrio, pois o homem sempre é inclinado às suas necessidades naturais e a desejar acima de todas as coisas o seu bem maior.

Berkeley (XVIII d.C.): Berkeley, filósofo e religioso, recusa a filosofia de Locke assumindo que tanto as ideias simples como as complexas são subjetivas e rejeita o conceito do conhecimento da substância material, mas, por motivos religiosos, conserva o conceito da substância espiritual.

Para Berkeley, o papel da filosofia é prático, mas não voltado à economia, ou à moral, mas prático voltado à religião como uma apologia ao cristianismo. Ele nega a distinção entre o pensamento simples e complexo, ou seja, entre as qualidades simples, que são o tempo, espaço e movimento, e as secundárias, cores, sabores, sons e outras, pois todas elas se sobrepõem e resultam umas nas outras, sendo todas subjetivas, desta forma, o conceito da substância objetiva a partir destas sensações também é derrubado.

Assim, todas as coisas passam a ser subjetivas e somente são percebidas pelo conhecimento, e por este motivo ele afirmou o princípio de que: “ser é ser percebido”. Declarou ainda, que todos os problemas de seu país eram motivados pela incredulidade.

Hume (XVIII d.C.): filósofo escocês deu grande impulso ao empirismo moderno, chegando à expressão máxima do empirismo liberto dos dogmas morais e religiosos que impediram seus antecessores de formular esta filosofia de forma livre e coerente. Ele abandona todos os conceitos de ideias, qualidade e substância para afirmar que a alma não pode ser percebida pelo conhecimento ou pela sensação, mas é algo ininteligível ao homem, pois este só pode conhecer estados de consciência que dizem respeito à sua existência e necessidades individuais.

Nega também a existência de uma causa para todos os eventos, negando a existência de Deus, desta forma, todo o conhecimento humano é formado pelas sensações e experiências, nada é possível de se conhecer a respeito de Deus, da alma e das coisas reais. Desta forma, ele nega o conhecimento científico com base nas causas e efeitos, pois estas causas e efeitos primários não são passíveis de conhecimento real. Para Hume, todo o conhecimento da realidade resume-se, coerentemente com sua filosofia, em impressões derivadas de sensações e experiências, e, desta forma, todo o conceito de substância não é real, mas constituído apenas de aparência ou fenômenos naturais passíveis de novas percepções ao longo do tempo.

Assim, todo o conhecimento dos objetos e coisas são um contínuo vir a ser, onde a ideia formada pela percepção destas coisas varia ao longo do tempo conforme as circunstâncias, conhecimento e emoções da pessoa.

Introduziu a possibilidade da análise dos fenômenos psíquicos e mentais através da experiência (Sigmund Freud). Tentou, também, explicar a causalidade entre eventos e a indução das causas e efeitos ao longo do tempo, conforme o conceito da “tabula rasa” de Tomás de Aquino, pela qual a identidade pessoal seria somente a soma das experiências vividas (feixe de experiências).

O Hiato de Hume (Hume’s Gap – The Is-Ought Problem) – o problema do ser-vir a ser: A derivação do que virá a ser a partir do que é, segundo Hume, não envolve nenhuma causa eficiente passível de comprovação, desta forma não se pode admitir ou deduzir absolutamente nada a partir do conhecimento presente, pois a derivação do futuro através do presente é, não somente improvável, mas também impossível.

4 – Pensamento contemporâneo:

Kant (XVIII d.C.): O maior dos filósofos contemporâneos leva a filosofia a uma orientação idealista, tornando-a subjetiva e imanente. Sobre esta base deficiente, o gênio brilhante de Kant construiu uma filosofia abrangente que influenciou boa parte dos filósofos posteriores, inclusive muitos dos filósofos cristãos que tentaram explicar a revelação de Deus através destes princípios idealistas. Dos princípios filosóficos de Kant, onde ele admite a possibilidade do homem guiar-se unicamente pela sua própria razão, surgiram os movimentos do iluminismo e do positivismo lógico.

Kant sustenta que “a capacidade limita a obrigação”, ou seja: o homem deve ter capacidade plena para fazer o que a Escritura prescreve, caso contrário não poderá receber o castigo devido pelos seus atos, negando desta forma a justiça de Deus e abrindo o caminho para mito do livre-arbítrio neutral, onde o homem deve deter a capacidade para decidir pela sua própria salvação.

O iluminismo é uma união do empirismo e racionalismo, com base no idealismo humanista Kantiano. A princípio o iluminismo era um movimento especulativo e filosófico, mas posteriormente, levado pelos seus aderentes, poderosos e influentes, a um movimento político e religioso de âmbito universal que cresce e ganha força nos círculos mundiais até os dias atuais, envolvendo, principalmente a elite globalista, a alta cúpula maçônica e o papado católico em um movimento de criação do governo mundial único e da religião ecumênica, abrangendo todas as religiões do mundo em um sincretismo religioso, doutrinariamente amorfo, mas poderoso para fornecer suporte espiritual ao futuro governo mundial.

Como reação a este movimento idealista surgiu o positivismo lógico, que, tendo a rigor, a mesma base imanentista do idealismo, logo declinou face à sedução e poder da filosofia iluminista. A filosofia de Kant leva à especulação e investigação infindável sem jamais apresentar uma conclusão ou solução definitiva, é o relativismo levado ao limite crítico, representando a nulidade do processo investigativo filosófico e inevitavelmente ao nihilismo prático – a dialética em seu estágio primário.

Kant admite a ideia de que todos os homens têm algumas ideias a priori, por exemplo: O tempo e o espaço, que não são apreendidas pelos sentidos, mas que fazem parte inata da mente e da consciência do homem.

Ele afirma que o homem tem a capacidade para empreender o desenvolvimento científico, mas não tem a capacidade para compreender a fenomenologia espiritual envolvendo o conhecimento das coisas de Deus, da alma e da vida futura.

Kant e a Escritura: Kant afirma que a Escritura somente deve ser aceita onde pode ser explicada pela razão, ele nega a historicidade e autoridade da revelação, transferindo toda a autoridade à razão e à capacidade de compreensão humana, negando totalmente a possibilidade da realidade de fatos supranaturais que não possam ser explicados pelas leis da natureza.

Agostinho afirmou que a vontade de Deus é a razão de todas as coisas, Kant, ao contrário, afirmou que a razão é o padrão de julgamento de todas as coisas, tornando o homem a medida final de todas estas coisas, sendo ele mesmo, o homem, o determinador da verdade.

Kant faz uma distinção rígida entre o mundo fenomênico, que é o mundo natural, compreensível pela razão pura e o mundo numenal, que é o mundo metafísico, a eternidade, como incompreensível pela razão humana, tornando Deus um ser completamente fora do mundo real: O “completamente outro” do irracionalismo cristão. 

Todavia, sem um padrão absoluto no qual apoiar a razão, o homem mergulhou em um subjetivismo que iria se manifestar em seguida na filosofia dialética de Hegel, com profundas consequências no desenvolvimento do irracionalismo religioso que perdura até os dias atuais na igreja cristã.

Cosmovisão: Kant havia definido o primeiro uso da palavra cosmovisão, ou o que era conhecido como o mais próximo disto, como a capacidade humana de perceber a realidade sensível, este seria um conhecimento inato a partir do qual todas as pessoas definem o restante de todas as coisas apreendidas. James Sire, na sua obra “Naming the Elephants” (Dando Nome aos Elefantes) foi quem definiu a cosmovisão da forma mais inteligível conhecida até os dias atuais:

5 – Idealismo:

Hegel (XIX d.C.): Segundo Hegel o absoluto universal é espírito, sendo a fonte de todas as ideias no mundo finito, mas nenhuma destas ideias pode expressar este espírito absoluto. Em Hegel o idealismo de Kant atinge o seu ápice, onde a realidade é definida como o vir a ser do empirismo explicado pela dialética incipiente de Kant levada às últimas consequências e elevada ao único processo filosófico válido para aquisição do conhecimento.

Este processo foi chamado de dialética dos opostos, onde são apresentadas a tese, uma proposição defendida por certo número de pessoas, a antítese, que é uma proposição contrária ou adversa apresentada por outro grupo de pessoas, estas duas proposições são discutidas através de um coordenador ou facilitador para que todo o grupo seja conduzido à síntese destas propostas, uma posição intermediária que leve concordância a todos os participantes.

Desta forma, o relativismo da filosofia kantiana é levado a um extremo prático onde a verdade simplesmente deixa de existir para dar lugar a um consenso grupal que é sempre relativo e sujeito a novas mudanças. Este processo dialético é a base do marxismo, do socialismo e do irracionalismo na igreja cristã, e cresce assustadoramente em todo o mundo, inclusive e principalmente dentro da igreja cristã, constituindo-se na  força motriz avassaladora que atende aos ideais iluministas de domínio mundial e de construção da religião ecumênica.

A dialética nega a existência de uma moral universal procedente as leis de Deus. Conforme a dialética hegeliana, as guerras e o predomínio das diversas civilizações e estados na história da humanidade são inevitáveis e necessárias; esta não é uma afirmação moral, mas relativa, pois de acordo com o princípio dialético, o vencedor tem sempre razão sobre o vencido pelo simples fato de ser vencedor.

Conforme Hegel Deus é apenas a substância que forma o universo, ele não tem existência além do mundo e a consciência de deus é a soma das consciências de toda a humanidade.  Assim, a vida do infinito não tem sentido a não ser na vida do finito, desta forma, o infinito não pode ser uma pessoa e não pode ser distinto do universo.

Auguste Comte (XIX d.C.) – O positivismo: Filósofo Francês do século dezenove foi inicialmente secretário do conde Henri de Saint-Simon, juntamente com o qual defendeu os princípios do socialismo utópico – “Tudo é relativo, eis o único princípio absoluto” (1819). Mas logo rompeu com Saint-Simon e partiu para o trabalho individual, sua principal obra é o “Sistema de Política Positiva” segundo a qual apresenta uma concepção do mundo não teológica e não metafísica, ou seja, abandona completamente o conceito de Deus e propõe todas as soluções sociais a partir do humanismo pleno.

Comte é considerado o pai do positivismo, sendo religiosamente agnóstico: O homem não pode conhecer nada além dos fenômenos físicos e suas leis, a fonte de todo pensamento são as sensações e experiências, o homem não pode conhecer nada além dos fenômenos que podem ser apreendidos pelos seus sentidos e das relações entre eles.

O positivismo lógico é o pai do materialismo científico, ele constitui a base formadora do materialismo; resumindo: “Nada existe no universo além dos átomos formadores da matéria e da energia gerada pelas trocas entre eles”. Esta é uma teoria que não mudou nada em vários milênios após a filosofia grega. Três mil anos antes de Cristo já existiam filósofos que afirmavam a composição do universo por átomos: substâncias simples, indivisíveis e indestrutíveis.

Contrapondo-se a Calvino ele apresenta no final desta obra as “Instituições da Religião da Humanidade”. Comte é um dos precursores do marxismo.

A base do positivismo lógico é a seguinte:

– Todo nosso conhecimento se limita aos fenômenos físicos.

– Tudo que podemos saber a respeito dos fenômenos físicos é a relação que existe entre eles.

– Que só podemos saber desta relação em vista das observações de sequência e semelhança.

– Estas relações de sequência e semelhança dos fenômenos físicos constituem as leis da natureza, sendo invariáveis e previsíveis.

– Tudo o que existe é material, estas relações invariáveis de sucessão e semelhança controlam todos os fenômenos da mente, da vida social, da história e da natureza.

– Desta forma, tudo no universo está incluído e controlado pelas leis da física, as ações humanas são tão previsíveis como o movimento das estrelas.

Nietzsche (XIX d.C.): Nietzsche foi um ateu convicto, ele negou a Deus e a todos os valores baseados em Deus e na revelação em uma forma violenta de nihilismo e argumenta que o Deus teísta teria que ser obrigatoriamente autocausado, o que considerava impossível, além disto, ele argumentava que a existência do mal no mundo eliminaria a possibilidade da existência de Deus.

Nietzsche afirmava que Deus era um mito que foi útil à humanidade durante certo período da história, mas agora era necessário permanecer fiel à terra e que “Deus está morto”. Uma vez que Deus não existe, só existe o mundo, por este motivo, todos devem permanecer fiéis à terra.

A história da humanidade é cíclica e totalmente sem propósito ou objetivo, a única coisa que existe é a vida individual, desprovida de sentido futuro, a ser vivida pela própria capacidade, existindo homens super dotados que superam seus limites, formam o seu destino e definem o destino de outras pessoas mais fracas que devem ser dominadas e subjugadas por estes super-homens acima do bem e do mal e além das leis e fundamentos morais da civilização.

Rejeitou as virtudes do amor, da bondade e da humildade como desprezíveis e valorizou a rudeza de caráter, a impiedade, a desconfiança e a severidade, pois a vida se mantém somente através da luta constante, sem descanso, onde os vencedores podem, a cada instante, tornar-se vencidos, por isso a vida é a vontade e necessidade de poder, de forma incessante, sem pausa.

Desprezou a moral e a religião afirmando a relatividade dos atos morais, sendo tudo permitido aos que conquistam e detém o poder: O conceito do Super Homem de Nietzsche. 

6 – Irracionalismo:

A verdade real nunca pode ser alcançada, ela deve ser captada por experiências pessoais: interiores, subjetivas, e sobretudo, apaixonadas. Não há muito para dizer a este respeito, existem, porém, representantes deste sistema de pensamento que influenciaram intensamente o pensamento religioso: O salto de fé, a paixão acima do conhecimento, a incognoscibilidade de Deus, os paradoxos e mistérios bíblicos.

Os principais representantes são: Kierkegaard, Schleiermacher, Karl Barth e Emil Bruner. Numa vertente mais sutil e igualmente perigosa deste movimento, Cornélius Van Til, ex-presidente do Seminário Teológico de Westminster, que afirmava a incognoscibilidade de Deus. 

As derivações religiosas deste sistema de pensamento são das mais destrutivas para a moderna igreja evangélica e serão apresentadas mais à frente.

Schleiermacher (XVIII d.C.): Schleiermacher afirma que o absoluto não pode ser revelado pela ciência, pelo conhecimento, pela vontade ou pela ética ou moral, mas somente pelos sentimentos, procurou justificar a religião cristã através do princípio da experiência interior.

Esta é uma valorização puramente humanista e irracional, levando à negação total dos valores e preceitos revelados na Escritura, e, nesta valorização imanentista do homem ele acaba por destruir todos os valores básicos do cristianismo.

Ele negou a historicidade dos milagres bíblicos e a autoridade da Escritura, é o responsável pelo surgimento da Teologia Liberal, onde qualquer pessoa pode definir sua fé “cristã” sem os limites de nenhuma autoridade ou revelação superior. Negou também que a bíblia fosse inspirada por Deus, mas admitiu a existência de uma consciência inata no homem. Abriu o caminho para a presença do iluminismo na teologia religiosa.

É o pai do irracionalismo, que floresceu na igreja cristã e continua em franco crescimento, de forma consciente ou inconsciente, mas sempre presente em todas as denominações ditas cristãs.

Kierkegaard (XIX d.C.): teólogo dinamarquês conhecido como “O Pai do Existencialismo”. Influenciado pela filosofia de Hegel, denunciou o formalismo da Igreja Luterana, e, após uma relação de angústia e sofrimento com o cristianismo, introduziu o conceito do irracionalismo, negando que o relacionamento com Deus possa ser algo racional, mas apenas fruto da paixão e entrega através de sentimentos intensos.

Negou a autoridade e historicidade da bíblia, mas afirmou que se deve acreditar nas afirmações bíblicas através da paixão, mesmo sabendo que não são verdadeiras. Segundo ele Deus só pode ser admitido pelo “salto de fé”, um salto no escuro em direção ao desconhecido que só poderá ser desvendado pela paixão.

Karl Barth (XX d.C.): teólogo cristão protestante, um dos introdutores da Teologia Dialética e da Neo Ortodoxia. Em um primeiro momento, professou a Teologia Liberal de Schleiermacher, mas depois, decepcionado passou para a Teologia Dialética, onde não existem verdades absolutas, mas afirmações que se contradizem e devem ser discutidas até que seja estabelecido um consenso, que por sua vez passa a ser discutido até se chegar a um novo, e assim indefinidamente.

Mais tarde, abandonou também a Teologia Dialética e formulou uma nova teoria: A analogia da fé. Segundo Barth. Deus é o “Totalmente Outro”, incognoscível e inatingível pelo conhecimento humano.

Emil Brunner (XX d.C.): teólogo ortodoxo ordenado pela igreja da Suíça, critica fortemente o coletivismo imposto pelo Estado e defende o individualismo do homem, criado conforme a imagem e semelhança de Deus. Juntamente com Karl Barth foi adepto da Teologia Dialética.

7 – Racionalismo Cristão (pressuposicionalismo):

O conhecimento cristão é o único método verdadeiro, pois é o único que tem um princípio primeiro solidamente estabelecido, do qual nada existe antes para contestar ou negar suas revelações: A Escritura.

A partir deste princípio, revelado por autoridade infinitamente superior ao homem, sólido e inegável, a lógica e o raciocínio humano podem então, estabelecer as bases de um conhecimento irrefutável por outros meios filosóficos que são sempre relativos e mutáveis ao longo do tempo.

Neste sentido, biografias são úteis, Calvino é reconhecido pelo seu profundo respeito pela Escritura, sendo que, ao mesmo tempo em que aceitou com humildade e honestidade toda a revelação escrita, ele também se recusou sistematicamente a ir além da revelação em todas as suas considerações.

Isto é de extrema importância nos estudos teológicos, pois, se é fato que a análise negligente da Escritura leva fatalmente a heresias, mistérios e paradoxos inexistentes, assumir a tarefa de tornar todos os pontos de uma doutrina complexa inteligíveis ao raciocínio humano também pode levar, e leva, a muitas heresias.

O racionalismo cristão é dependente, em todas as instâncias, da revelação bíblica e dentro desta filosofia não se deve ir além do que está revelado na Palavra de Deus, pois este é o limite estabelecido.

A POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO

Implicações teológicas: Em primeiro lugar, o conhecimento só é possível porque Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, por este motivo, existe uma faixa comum de conhecimento entre Deus e o homem; a lógica e a razão são os legados da imagem e semelhança de Deus, somente o homem possui estas qualidades entre todos os animais criados.

Deus é onisciente, assim sendo, toda verdade conhecida pelo homem é conhecida por Deus, se alguém conhece algumas das verdades ele conhece então uma parte da verdade que Deus conhece.

A incognoscibilidade de Deus: Muitos teólogos cristãos negam a possibilidade do conhecimento de Deus, desta forma, Deus se torna um ser totalmente incompreensível e inatingível pelas criaturas.

Esta é uma maneira sutil de negar a revelação que Deus faz de si mesmo através da Escritura, sendo uma forma de agnosticismo e se constitui em um ateísmo prático, uma vez que nega a revelação especial feita por Deus e destinada a que os homens venham a conhecer sua natureza, qualidades e preceitos, mas principalmente a revelação de seu plano de redenção e sua revelação suprema e definitiva que se realiza em Jesus Cristo.

Deus é Espírito, infinito, eterno e imaterial, como é possível conhecer algo a respeito de Deus? O conhecimento de Deus só é possível porque Ele escolheu se revelar ao homem através da Escritura, este conhecimento é revelacional, não é apreendido ou descoberto por sensações, experiências ou raciocínio puro, todo conhecimento de Deus provém de sua Palavra, e sua única fonte é o próprio Deus.

Por outro lado, a mente do homem contém, pela sua natureza, o conhecimento inato de Deus, que se revela através das obras da natureza, isto é um reflexo da imagem de Deus no homem, que, apesar da queda, ainda se mantém.

Este conhecimento inato na consciência homem é chamado de Revelação Geral, que é suficiente para a percepção do Deus único, mas insuficiente para o conhecimento da natureza e do Ser de Deus e também insuficiente para o conhecimento dos preceitos estabelecidos para o relacionamento do homem com Deus.

Todavia, este conhecimento inato gravado na consciência do homem, apesar de insuficiente para o conhecimento e relacionamento com Deus, possibilita a revelação através da Palavra, pois não há outro animal em toda natureza capaz de apreender este conhecimento de forma alguma.

Esta revelação não provém da observação, sentimentos ou experiência, mas é inscrita de forma inata na mente do homem, que torna todo homem responsável perante Deus, ou seja: Nenhum homem, na verdade, ignora a existência de Deus, mas rejeita voluntária e deliberadamente a revelação divina.

A revelação especial (salvífica)

Como já foi observado acima, a Revelação Geral, que é comum a todos os homens, não é suficiente para o conhecimento salvífico, por este motivo Deus se revela, somente para aqueles destinados à salvação, através da Palavra. A Bíblia é a revelação especial pela qual se obtém o conhecimento preciso e detalhado sobre Deus e seus preceitos para o homem.

A Escritura é o princípio primeiro e último do pensamento cristão, isso porque este princípio é absolutamente verdadeiro, visto que nada existe antes dele que possa comprová-lo ou contradizê-lo. A infalibilidade bíblica é fruto da verdade revelada, onde se apóia todo pensamento cristão, todos os procedimentos históricos ou científicos devem ser aferidos pela bíblia e não o contrário: a bíblia é a Palavra de Deus.

A consequência disto é que, se a bíblia é a única verdade revelada, todos os outros sistemas de pensamento são obrigatoriamente falsos, pois não podem existir duas verdades contraditórias.

Portanto, todo aquele que confessa uma cosmovisão diferente da cosmovisão escriturística, ou ainda, modificando de alguma forma a revelação bíblica, seja por acréscimo, rejeição parcial ou por negação da unidade e continuidade da revelação, estará desta forma rejeitando toda a bíblia e por consequência todo pensamento cristão.

O cristão estará sempre seguro e confiante no seu princípio de raciocínio e em qualquer confrontação poderá contestar o princípio básico dos raciocínios não cristãos ou ainda pseudocrístãos, como afirmado na Confissão de Fé de Westminster:

O sistema de conhecimento lógico baseado na infalibilidade da Escritura é imposto pela autoridade do autor da revelação, que é Deus, por este motivo torna-se obrigatório mesmo para quem não o conheça ou rejeite total ou parcialmente a Escritura.

A NECESSIDADE DO CONHECIMENTO

O conhecimento de Deus não está restrito às atividades eclesiásticas, litúrgicas ou congregacionais, mas deve se estender a toda vida do cristão, pois a vontade de Deus é soberana e dirige o homem em cada momento de sua vida, sabendo ele ou não, por este motivo o conhecimento é necessário para restaurar a comunhão do homem com Deus, todavia, o verdadeiro conhecimento é um dom recebido através do Espírito:

O que isto quer dizer? O entendimento vem pela Palavra, mas o verdadeiro conhecimento só é possível pela fé, esta fé salvífica é um dom de Deus, não é mérito do homem.

O homem vive em um universo criado por Deus, o entendimento deste universo somente será possível mediante a revelação feita pelo Criador, nenhuma proposição com validade universal é possível fora desta revelação, a leis e princípios morais que regem todos os sistemas legais e morais no mundo são baseadas na Lei de Deus.

Mesmo que os homens neguem sistematicamente esta origem divina, os absolutos morais e éticos somente são possíveis através da revelação divina, o que possibilita a convivência entre as nações, pois existem estes pontos comuns oriundos dos absolutos divinos nas normas e leis que regem todas as nações, não fora desta forma e o mundo já teria se acabado no conflito moral gerado entre as diferentes nações.

A dignidade do conhecimento da Palavra procede da dignidade de Deus, e visto que Deus revela-se unicamente pela Palavra, conhecer a Palavra é conhecer a Deus, daí a validade e necessidade do conhecimento da Palavra antes de qualquer outra coisa.

O CONHECIMENTO DE DEUS É ADQUIRIDO SOMENTE PELA PALAVRA

Existe atualmente, na igreja cristã, uma tendência dominante para relegar o estudo da Palavra em função das sensações e experiências pessoais, o irracionalismo. A grande maioria acredita que Deus será honrado por uma vida de alto padrão moral e será revelado pelas experiências pessoais, pelas sensações, pelo batismo no Espírito etc.

É difícil precisar se este desprezo pelo estudo bíblico traduz a preguiça mental do homem moderno ou se o conhecimento de Deus traz incômodo real para a igreja, que convive gostosamente com as heresias tão comuns e confortáveis aos religiosos que se dizem cristãos. Jesus afirma claramente o que representa o conhecimento de Deus: A vida eterna.

A vida eterna é o conhecimento de Deus, o conhecimento de Deus é a vida eterna! Que mais se pode dizer? A bíblia revela exatamente como se processa a revelação, através da aliança, que é a Palavra, e como um dom de Deus através do Espírito. O conhecimento de Deus é privativo de seus eleitos, aos quais Ele se revela de maneira unilateral, escolhendo aquele a quem determinou chamar à sua comunhão e conceder o conhecimento.

(*) Aliança: A Palavra de Deus.

O conhecimento é um dom de Deus, a fé é um dom de Deus, o chamado é uma determinação unilateral de Deus, mas todas estas coisas se processam usualmente através da Palavra: O chamado, a fé e o conhecimento.

Desta forma, fica claro que tanto o conhecimento como a fé, apesar de serem dons de Deus, vêm usualmente através da Palavra, falada ou escrita. A curiosidade do crente é despertada pela comunhão do Espírito através da mudança da natureza corrompida pela queda, transformando a mente do homem, que recebe a fé e o arrependimento para a vida, e passa a desejar ardentemente o conhecimento de Deus.

Muitos tentam fazer distinção entre conhecer a Deus pela palavra revelada e conhecer a Deus pelas sensações e experiências pessoais baseados em uma interpretação facciosa e mal intencionada do verso abaixo.

A “letra” aqui neste verso representa a lei e não a Escritura, o espírito representa o evangelho, caso contrário toda a teologia paulina se torna incoerente e sem sentido, ninguém defende o conhecimento do evangelho mais que o apóstolo Paulo.

Para que não haja dúvidas, é preciso ver a coerência desta interpretação com as claras afirmações do apóstolo em outros versos:

A Confissão de Fé afirma que a Escritura interpreta a Escritura. Este é um exemplo cabal, onde um verso mal utilizado deve ser entendido pelo sentido geral da Escritura, em particular pelo sentido geral empregado pelo próprio autor, não restam grandes argumentos depois desta apresentação em série de versos paralelos.

Temos ainda neste sentido as claríssimas palavras de Jesus, estabelecendo a vida eterna a partir conhecimento de Deus. Paulo não estaria jamais em contradição com o evangelho de Jesus Cristo.

Advertência sobre advertência, Deus mesmo diz através do profeta Isaías que deve ser conhecido antes de louvado, pois o Deus cristão é Deus cioso, não divide sua glória com nada mais no universo.

Quanto àqueles que se recusam a conhecer a Palavra, não são cristãos de forma alguma, são néscios, preguiçosos e desprezados por Deus.

A respeito deles está escrito:

A comunhão envolve comunicação, caso contrário torna-se impossível, a comunicação envolve o conhecimento real entre os participantes. Deus conhece todas as coisas, e o homem, conhece o que? E como?

Se alguém tiver uma experiência pessoal com algo sobrenatural, como saber que é manifestação de Deus se não conhecer as formas em que Deus se manifesta?

Como reconhecer a experiência com Jesus Cristo se não conhecer a Jesus Cristo?

Os adeptos dessas vertentes do empirismo pseudocristão procuram experiências sobrenaturais que, na maioria das vezes, não procedem do Espírito de Deus, mas antes disto, de espíritos vulgares que são os anjos caídos, o apóstolo João chama a atenção para este fato.

Como se prova que os espíritos procedem de Deus sem conhecer a natureza e os preceitos de Deus? Em geral as experiências subjetivas ou paranormais não procedem de Deus, mas dos anjos caídos que se divertem em iludir os incautos adoradores de si mesmos.

Outros ainda dizem que conhecem a Deus através da oração, mas qual a oração que agrada a Deus? Como saber isso?

Os apóstolos pediram a Jesus que os ensinasse a orar, Jesus não apelou para experiências subjetivas, porém, ensinou-os a orar conforme a Palavra revelada. João Batista também ensinou seus discípulos a orar, o apóstolo Paulo confessa que não sabe orar como se deve, e agora?

Está visto, então, que também a oração, deve ser estruturada e regida pela Palavra de Deus.

Outros dizem que Deus é amor, que é possível conhecer Deus ao praticar o amor, esta é a maior das falácias a respeito do conhecimento de Deus, pois, o que é o amor de Deus? Ora, o amor de Deus não é um sentimento de ternura ou afeto por uma pessoa, e muito menos de piedade ou compaixão, Deus é imutável e impassional, o amor de Deus é um ato prático que se resume em um único fato: Que ele enviou seu Filho para sofrer a penalidade do pecado em lugar dos pecadores eleitos.

A única forma de amor aceita por Deus é a guarda de seus mandamentos, como guardar mandamentos que não se conhece?

Estes versos provam que, sem conhecer a Escritura, é impossível conhecer o que é o amor de Deus. Da mesma forma o amor cristão não é caridade, não é dó, não é sentimento de afeição e carinho por outras pessoas, não é assistência social… O amor cristão é o amor que adverte, exorta, disciplina e chama à verdadeira doutrina, porque sem agradar a Deus todo o pretenso amor é vão, não é possível amar verdadeiramente sem conhecimento.

Não é possível conhecer Deus, em amor sentimental, cegamente, mas sim conhecer a natureza e os preceitos de Deus para entender o que é o amor cristão, somente depois disto a piedade e a misericórdia podem se manifestar.

Esta confusão entre o amor de Deus e o amor humano de afeição é fruto do irracionalismo que grassa na igreja mundana, por ele, a paixão pelo sobrenatural é superior ao conhecimento, não importa a quem ou o que ela seja dirigida, mas os fortes sentimentos e experiências pessoais são mais valorizados pelos religiosos atuais que o conhecimento e a humildade perante o evangelho de Cristo.

A NATUREZA DO CONHECIMENTO

Em resposta a todas estas questões levantadas, deve-se buscar o conhecimento de Deus pela única forma possível, que é a Escritura, isto é teologia. Apresenta-se agora, um problema crucial: A natureza do conhecimento e a natureza da teologia.

Aqui é preciso voltar à consideração inicial do conhecimento filosófico: O cristianismo é a única religião racional, pois é a única que tem um princípio primeiro com validade universal e sobre o qual nada existe antes para confrontá-lo.

Movimentos religiosos que modificam o sentido original das escrituras devem ser considerados como irracionais e anticristãos, pois o racionalismo cristão é fruto da autoridade, suficiência e infalibilidade da Escritura; uma vez abandonados estes princípios, abandona-se o cristianismo. Dentro deste irracionalismo crescente, existem manifestações dentro da igreja evangélica que deturpam e deformam completamente a revelação, tais como: Batalha espiritual, evangelho social, pragmatismo, crescimento material e cultos de entretenimento, sem contar o pentecostalismo e os carismáticos, que distorcem a Palavra para atender às ambições e necessidades do ego humano.

Um alerta: Outros movimentos, ainda que conservem a bíblia intacta, mas que a interpretam dividida e distorcida na sua unicidade, também são irracionais e anticristãos, Deus é único e imutável e assim é sua Palavra, a continuidade e unidade da bíblia são essenciais para a preservação de sua mensagem cristológica. Como exemplos apresentam-se o dispensacionalismo e o teísmo aberto que apresentam um deus desprovido de sua onisciência e soberania, surpreendendo-se com as atitudes dos homens, e Jesus Cristo como um acidente nos diversos e mutáveis planos deste deus.

A unidade da igreja

A unidade da igreja somente pode acontecer em torno de uma doutrina bíblica verdadeira e saudável, sacrificar a doutrina pela unidade é destruir a igreja de Cristo, pois Jesus mesmo, nunca fez concessões de espécie alguma a religiões, religiosos e governantes em seus dias de tabernáculo na terra.

O respeito que o Senhor Jesus teve pelas sagradas escrituras foi visceral e de fundamental importância em seu ministério, pela Escritura ele respondeu a Satanás, aos fariseus, aos saduceus e aos governantes – como não respeitar tão precisas instruções?

Foi visto acima que só um meio é válido para o verdadeiro conhecimento de Deus: a Palavra revelada. A negação da necessidade do conhecimento de Deus conforme estabelecido por Ele mesmo, nada mais é que manifestação de rebeldia consciente e voluntária; não existe inocência na negação da Palavra, por mais sutil e piedosa que possa parecer.

O irracionalismo e a unidade da igreja:

Não existe possibilidade de complacência com o irracionalismo que mina o cristianismo na atualidade, o conhecimento de Deus, o estudo bíblico e a doutrina saudável são o único caminho para o reavivamento espiritual da igreja e de cada crente em Jesus Cristo. Agindo desta forma designada por Deus, os cristãos serão muitas vezes, para não dizer todas, rotulados de intolerantes; o que é isto? Segue abaixo a definição de tolerância na língua portuguesa:

Tolerância (do latim – tolerantia): Atitude de admitir a outrem uma maneira de pensar ou agir diferente da adotada por si mesmo; ato de não exigir ou interditar mesmo podendo fazê-lo.

Do ponto de vista cristão, a tolerância significa simplesmente a rejeição da Grande Comissão e o fim das atividades missionárias. O cristão baseia todo seu conhecimento na revelação, por isso o cristão tem, de fato, o monopólio da verdade, pois esta verdade é revelada e não pertence ao homem, mas a Deus, que se revela através de Cristo.

Encerrando este capítulo, foi visto que o conhecimento salvífico de Deus não depende dos homens, e procede apenas através da revelação, que é feita pelo Espírito, mas isto somente ocorre conforme situações específicas e determinadas por Deus.

Seguem abaixo as situações em que a revelação é processada:

1 – A revelação é recebida somente pela fé em Jesus Cristo:

A fé é o dom de Deus, que tem origem na salvação do crente. Na justificação o crente recebe, pelo Espírito, os dons da fé em Cristo e do arrependimento para a vida. A revelação vem depois disto, quando o Espírito muda a mente e o caráter da pessoa, tornando-a interessada e receptiva à Palavra revelada, procurando de todas as formas conhecer o Pai que a adotou em Cristo.

2 – A revelação é recebida pela pregação da palavra de Cristo:

Apesar da justificação ser aplicada somente aos eleitos eternos de Deus, o chamado se faz somente através da Palavra, pela pregação ou pela leitura bíblica.

3 – A revelação é recebida pelo estudo diligente da Escritura:

O recebimento da Palavra somente pela pregação não será suficiente ao verdadeiro crente, ele irá procurar aperfeiçoar seu conhecimento cada vez mais e com mais dedicação, caso contrário, não existe verdadeira conversão.

James Sire (1933): “Uma cosmovisão é um compromisso, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expresso como um conjunto de pressuposições (suposições que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou inteiramente falsas) que nós sustentamos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistentemente) sobre a constituição básica da realidade, e que fornece o fundamento sobre o qual nós vivemos, nos movemos e existimos”.

Deuteronômio 29,29: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”.

Apocalipse 22,18-19: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro”.

A revelação geral

Salmo 19,1: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”.

Romanos 1,19-20: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis”.

Romanos 2, 15: “Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se”.

CFW: “Todo conselho de Deus é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela”.

Tiago 2,10: “Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos”.

Confissões de Agostinho: “Concede, Senhor, que eu bem saiba se é mais importante invocar-te e louvar-te, ou se devo antes te conhecer, para depois te invocar. Mas alguém te invocará antes de te conhecer? Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar a outrem”.

Confissão de Fé de Westminster: “A graça e a fé salvífica pela qual os homens são habilitados a crer é obra do Espírito Santo de Deus”.

Efésios 2,8: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus”.

João 17,3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Salmo 25,14: “A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança (*)”.

Romanos 10,17: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”.

2 Timóteo 3, 16-17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

2 Coríntios 3,6: “O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica”.

O que Paulo quis dizer é o seguinte: “A lei mata, mas o evangelho vivifica”.

Romanos 3,20: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”.

Romanos 3,28: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”.

Gálatas 2,16: “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado”.

Gálatas 3,2: “Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?”.

Gálatas 3,5: “Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé?”.

Gálatas 3,10: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las”.

João 17,3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

As pessoas que interpretam a “letra” neste verso (2 Coríntios 3,6) como sendo evangelho de Jesus Cristo, são néscias e amam a preguiça. Como se pode conhecer algo que não se sabe o que é? Como se pode conhecer a Deus sem saber quem é Deus?

Agostinho adverte: “Porque, te ignorando, facilmente estará em perigo de invocar a outrem”.

Isaías 42,8: “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura”.

Provérbios 1,22: “Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento?”

COMUNICAÇÃO

– Experiências pessoais

1 João 4,1: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora”.

– Oração

Mateus 6,9: “Portanto, vós orareis assim…”

– Amor

1 João 4,9: “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele”.

1 João 5,3: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos”.

Filipenses 3,8: “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo (esterco), para ganhar a Cristo”.

Mateus 5,18: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra”.

Marcos 13,31: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão”.

Lucas 16,17: “E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei”.

Romanos 1,21: “Porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos”.

João 14,6: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Mateus 11,27: “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

Romanos 10,17: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”.

João 5,39: “Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.

Richard Baxter: Um homem pode ir para o inferno com conhecimento; mas ele certamente irá para o inferno se não o tiver.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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