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Antropologia

CONVICÇÃO DO PECADO – LLOYD JONES

CONVICÇÃO DO PECADO

LLOYD JONES

 

Revisão e diagramação por: Helio Clemente

Romanos 3,23: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”.

Romanos 5,12: “ Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

Quem são esses “todos”? Ele deixa claro: tanto judeus como gentios. Os judeus, é óbvio, concordariam que os gentios eram pecadores, fora da aliança, transgressores contra Deus. “Mas esperem um pouco”, Paulo diz: “vocês também são pecadores!” A razão por que os judeus odiavam Cristo e o crucificaram, a explicação da “ofensa da cruz”, a razão por que Paulo foi tratado daquela forma por seus conterrâneos que odiavam a fé cristã, era que a fé cristã declarava o judeu tão pecador como o gentio.

Ela asseverava que o judeu — o qual pensava que sempre tinha vivido uma vida justa e religiosa — era tão pecador como o peca­dor mais ímpio entre os gentios. “Todos pecaram”; judeus e gen­tios estão igualmente sob condenação diante de Deus.

O mesmo é verdade hoje, e se vamos levar a sério a convicção de pecado, a primeira coisa que devemos fazer é parar de pensar em pecados específicos. Quão difícil é isso para todos nós, pois todos temos esses preconceitos. Restringimos o pecado apenas a certas coisas, e se não somos culpados dessas coisas, pensamos que não somos pecadores. Todavia, essa não é a forma de se chegar à convicção de pecado.

Não foi assim que John Wesley chegou a entender que era pecador. Lembram-se o que o levou à convicção de pecado? Começou quando ele viu a forma como certos irmãos morávios agiram durante uma tempestade em pleno oceano Atlân­tico. John Wesley estava apavorado com a tempestade, e com medo de morrer; os morávios não. Pareciam tão felizes e tranquilos em meio à tempestade como se o sol estivesse brilhando. John Wesley percebeu que tinha medo de morrer; de algum modo ele não conhecia a Deus da forma como aquelas pessoas o conheciam. Em outras palavras, ele começou a sentir sua necessidade, e isso é sempre o começo da convicção de pecado.

O ponto essencial aqui é que você não chega à convicção de que é pecador comparando-se com outras pessoas, e sim chegando face a face com a lei de Deus. Bem, o que é a lei de Deus? “Não matarás, não furtarás”? “Nunca fiz essas coisas, então não sou um pecador”. Meu amigo, isso é apenas parte da lei de Deus. Você gostaria de saber o que é a lei de Deus? Aqui está:

“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças: este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Marcos 12:30-31).

Esqueça tudo sobre bêbados e outros assim, esqueça as pessoas sobre quem você lê na imprensa atualmente. Aqui está o teste para você e para mim: você está amando a Deus de todo o seu coração? Se não está, você é um pecador. Esse é o teste: “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”. Deus nos criou, e nos criou para si mesmo. Ele criou o homem para Sua própria glória, e com a intenção que o homem vivesse inteiramente para Ele.

O homem devia ser representante de Deus e andar em comu­nhão com Ele. Devia ser o senhor do universo, e devia glorificar a Deus. Como está no Catecismo Menor: “O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. E se você não está fazendo isso, você é um pecador da pior espécie, que reconheça e sinta isso ou não.

Ou deixem-me colocar de outra forma. Considero este um modo válido de apresentar o assunto. Deus sabe que estou pregando a minha própria experiência a vocês, pois tive uma formação muito religiosa. Também estou falando da minha experiência a vocês como alguém que frequentemente ajuda pessoas que foram criadas da mesma maneira. O homem foi criado para conhecer a Deus.

Então a pergunta é: vocês conhecem a Deus?

Não estou pergun­tando se vocês crêem em Deus, ou se crêem em certas coisas sobre Ele. Ser um cristão significa ter a vida eterna, e como o Senhor Jesus disse:

João 17:3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Então o teste que devemos aplicar a nós mesmos não é perguntar se fizemos isto ou aquilo. Meu teste é um teste positivo:

“Eu conheço a Deus? Jesus Cristo é real para mim?”

Não estou perguntando se vocês sabem coisas a respeito de Deus, mas se conhecem a Deus, se se alegram em Deus, se Deus é o centro de suas vidas, a alma do seu viver, a fonte da sua maior alegria? Ele deve ser. Ele criou o homem para isso — para que habitasse em comunhão com Deus, e se regozijasse nEle, e andasse com Deus. Nós fomos criados para isso, e se não estamos vivendo assim, isso é pecado. Isso é a essência do pecado. Não temos o direito de não ser assim. Isso é pecado, em sua forma pior e mais profunda.

A essência do pecado, em outras palavras, é que não vivemos inteiramente para a glória de Deus. Naturalmente, ao cometer certos pecados, agravamos a nossa culpa diante de Deus, mas vocês podem ser inocentes de qualquer dos pecados mais vis, e ainda assim serem culpado desse terrível pecado — de estarem satisfeitos com suas próprias vidas, de terem orgulho das suas realizações, e de olharem para os outros com superioridade, sentindo que são melhores do que eles.

Não há coisa pior do que isso, porque vocês estão dizendo a si mesmos que dê certa forma estão mais pertos de Deus do que os outros, quando na verdade não estão. Se esta é sua atitude, vocês são como o fariseu no templo, que agradeceu a Deus por não ser como aquele outro homem — “esse publicano”.

Lucas 18,13: “O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”.

O fariseu nunca tinha visto sua necessidade de perdão, e não há pecado mais terrível do que esse. Não sei de nada pior do que um homem que diz: “Saiba que nunca realmente senti que sou um pecador”. Esse é o cúmulo do pecado, pois significa que essa pessoa nunca compreendeu a verdade sobre Deus e sobre si mesma. Leiam o argumento do apóstolo Paulo, e perceberão que sua lógica não é apenas inevi­tável, mas também irrespondível.

Romanos 3,10: “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer”.

Romanos 3,19: “Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus”.

Se nunca reconheceram a pró­pria culpa ou pecaminosidade diante de Deus, nunca vão ter ale­gria em Cristo. É impossível. Jesus não veio salvar justos, e sim pecadores.

Marcos 2,17: “Tendo Jesus ouvido isto, respondeu-lhes: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores”.

Aí está o primeiro princípio — convicção de pecado.

Meu amigo, se você não tem convicção de pecado, e se não reconhece que é indigno diante de Deus, que está condenado e que é um fracasso completo aos olhos de Deus, não preste atenção a mais nada até que tenha isto, até que chegue a essa compreensão, porque você nunca terá alegria, e nunca vai se livrar da sua depressão até que entenda isso.

Convicção de pecado é um ponto preliminar essencial a uma verdadeira experiência de salvação.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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