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Cristologia

DESCEU AO HADES

DESCEU AO HADES
A DESCIDA AO INFERNO, DESCEU AO HADES

A descida ao inferno

Vivendopelapalavra.com

Por: Helio Clemente

 

A expressão “desceu ao Hades” ou “desceu ao inferno” que consta no Credo Apostólico não existia inicialmente, ela foi acrescentada como substitutiva de “morto e sepultado”. No Credo Atanasiano esta expressão aparece como “desceu às regiões inferiores” também como substituição da palavra “sepultado”. Até o século VI estas expressões apareciam alternadamente nas versões dos credos, somente após o século VII estas expressões começaram a aparecer conjuntamente: “Morto e sepultado” ao mesmo tempo com “desceu ao Hades”.

Ninguém sabe explicar como isso aconteceu, mas a partir daí surgiu na igreja a doutrina da descida ao Hades, quando Jesus entre sua morte e ressurreição teria descido ao Hades, o problema que surgiu então é: O que Jesus foi fazer no Hades? O Hades é uma doutrina de origem pagã, de acordo com o pensamento grego todos os mortos iam para o Hades, bons e maus, os bons aos Campos Elíseos e os maus ao Tártaro.

A tradição católica: Segundo a tradição católica o Hades é o “Limbus-Patrum”, um lugar que fica às margens do inferno e do purgatório, onde os santos do Velho Testamento aguardavam pela libertação, a descida de Cristo seria para libertá-los.

A tradição anglicana: Segundo esta visão Jesus desceu ao inferno como um vencedor e conquistador para libertar as almas dos homens justos e bons que haviam morrido desde a queda de Adão por causa de Deus e do Salvador que haveria de vir.

A visão da reforma radical: Somente o ser divino de Cristo desceu ao inferno e pregou aos mortos através do Espírito proclamando-lhes a salvação e o evangelho da graça, esta é uma forma de universalismo deveras surpreendente.

A visão anabatista: Cristo desceu ao inferno como um ser humano e foi necessária a intervenção de Deus para libertá-lo.

A visão de Serveto: Serveto considera esse episódio como uma parte da batalha cósmica eterna entre Deus e Satanás que irá terminar no Apocalipse.

A tradição luterana: Na tradição luterana a descida ao Hades foi uma proclamação da vitória de Cristo sobre Satanás. Na descida a pessoa total divina e humana de Cristo desceu ao inferno para conquistar o diabo e destruir o poder do inferno para os crentes em Jesus Cristo.

A tradição arminiana: Nesta visão Cristo desceu ao inferno para oferecer mais uma chance de arrependimento e salvação às almas dos mortos que não haviam ouvido a mensagem da salvação. Esta idéia está em total desacordo com as doutrinas bíblicas, pois segundo a Escritura os santos do Velho Testamento já haviam sido salvos em Cristo e não existe oportunidade de salvação após a morte.

A tradição reformada:

Segundo Calvino e os reformadores, a descida ao inferno representa os tormentos e dores que Jesus sofreu na cruz, ao receber a ira divina que suportou em lugar dos seres humanos, especialmente a dor espiritual resultante do abandono de Deus na hora de sua morte. Na cruz do calvário Cristo tomou sobre si as punições que eram devidas a todo povo de Deus em todas as épocas do mundo, não existe um deslocamento físico ou espiritual de Cristo em direção ao inferno.

Calvino: Descer ao Hades é expressão dos tormentos espirituais que Cristo sofreu em nosso lugar.

“Mas, em referência à descida de Cristo às regiões infernais, deixada de parte a consideração do Credo, é preciso buscar uma explicação mais certa. E a Palavra de Deus nos é patenteada, não apenas como santa e pia, mas também plena de maravilhosa consolação. Nada se teria passado, se Cristo tivesse experimentado apenas a morte corporal. Pelo contrário, era ao mesmo tempo necessário que ele sentisse a severidade da vingança divina, para que não só se visse sujeito à ira, como também nele o justo juízo fosse satisfeito. Ademais, ele se viu obrigado a lutar, por assim dizer, de mãos travadas, com as hostes dos infernos e com o horror da morte eterna”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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