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Teológicos

DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO – PINK

INTRODUÇÃO
Nosso primeiro pensamento foi dedicar um capítulo introdutório expondo os principais erros que se têm gerado sobre este tema por parte de distintos homens e grupos, porém, depois de uma maior reflexão, decidimos que isto seria de pouco ou de nenhum proveito à maioria de nossos leitores. Apesar de haver tempos, sem dúvida, nos quais é o desagradável dever dos servos de Deus expor o que está enganando e prejudicando o Seu povo, não obstante, como uma regra geral, a maneira mais eficaz de eliminar as trevas é deixar entrar a luz. Desejamos, então, escrever estes artigos com o mesmo espírito do piedoso John Owen, o qual, na introdução a seu extenso tratado sobre este tema, disse: “Deve dar-se mais importância à contínua orientação da mente e da consciência de um crente, verdadeiramente treinado acerca do fundamento de sua paz e aceitação diante de Deus, do que à contradição de uma dezena de agressivos opositores…. Afirmar e reivindicar a verdade na instrução e na edificação dos que a amam em sinceridade, livrar suas mentes daquelas dificuldades sobre este caso particular, que alguns intentam arrojar sobre todos os mistérios do evangelho, dirigir as consciências daqueles que querem saber acerca de alcançar a paz com Deus, e estabelecer as mentes dos que crêem, são as coisas à que me tenho proposto.”
Houve um tempo, não faz muito, quando a bendita verdade da justificação era uma das mais conhecidas doutrinas da fé cristã, quando ela era assiduamente explicada pelos pregadores, e quando o conjunto dos assistentes das igrejas estava familiarizado com seus aspectos principais. Porém agora ─ ah! ─ tem surgido uma geração que é quase totalmente ignorante deste precioso tema, porque com mui raras exceções já não se lhe dá mais um lugar no púlpito, e apenas se escreve algo sobre este nas revistas religiosas de nosso dia; e, em conseqüência, comparativamente, poucos entendem o que o termo em si implica, menos ainda se tem em claro sobre que base Deus justifica o ímpio. Isto põe o escritor numa considerável desvantagem, pois apesar dele desejar evitar um tratamento superficial de um assunto tão vital, todavia, aprofundar nele, e entrar nos detalhes, fará uma pesada exigência à mentalidade e paciência da pessoa mediana. Não obstante, respeitosamente instamos a cada cristão a fazer um esforço real para cingir os lombos de seu entendimento e buscar em oração dominar estes capítulos.
O que tornará mais difícil seguirmos através destas séries é o fato de que estamos tratando o lado doutrinal da verdade, antes que o prático; o judicial, antes que o experimental. Não que a doutrina seja algo impraticável; de modo algum; longe, longe disso. “Toda Escritura é divinamente inspirada e útil (primeiro) para ensinar, (e depois) para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tim. 3:16). A instrução doutrinal foi sempre a base a partir da qual os apóstolos promulgaram os preceitos para regular o modo de andar. Não pode encontrar-se exortação alguma até o capítulo 6 da Epístola aos Romanos: os primeiros cinco estão dedicados inteiramente à exposição doutrinal. Assim também na Epístola aos Efésios: em 4:1 é dada a primeira exortação.
Primeiro os santos são recordados das abundantes riquezas da graça de Deus, para que  o amor de Cristo possa impulsionar-lhes, e logo são encorajados a andar como é digno da vocação com que foram chamados.
Embora seja verdade que se requer um esforço mental real (assim como um coração piedoso) para poder captar inteligentemente algumas das mais sutis distinções que são essenciais para uma apropriada compreensão desta doutrina, contudo, deve assinalar-se que a verdade da justificação está longe de ser uma mera peça de especulação abstrata.

Não, ela é uma enunciação de um ato divinamente revelado; ela é uma enunciação de um ato no qual cada membro de nossa raça humana deveria estar profundamente interessado. Cada um de nós tem perdido o favor de Deus, e cada um de nós necessita recuperar Seu favor. Se não o recuperarmos, então as conseqüências devem ser nossa absoluta ruína e a irremediável perdição. Como seres caídos, como rebeldes culpáveis, como pecadores perdidos, somos restaurados no favor de Deus, e se nos dá uma posição diante dEle inestimavelmente superior à que ocupam os santos anjos; com a ajuda do Senhor, nossa atenção será atraída à medida que prosseguirmos com nosso tema.
Como disse Abraham Booth em seu esplêndido trabalho “O reino da graça” (escrito em 1768): “Longe de ser um ponto somente teórico, este propaga sua influência através do conjunto inteiro da teologia, flui através de toda a experiência cristã, e opera em cada parte da santidade prática. Tal é sua grande importância, que um erro acerca deste tem uma eficácia maligna, e é acompanhado com uma série de perigosas conseqüências.
Nem pode isto parecer estranho, quando se considera que esta doutrina da justificação não é outra senão a maneira para que um pecador seja aceito por Deus. Sendo de tão especial importância, ela está inseparavelmente conectada com muitas outras verdades evangélicas, das quais não podemos contemplar a harmonia e a beleza, enquanto esta seja mal compreendida. Até que esta doutrina apareça em sua glória, essas verdades estarão na escuridão. Esta é, se assim poder ser chamada, um artigo fundamental; e certamente requer nossa mais séria consideração” (de seu capítulo sobre “A Justificação”).
A grande importância da doutrina da justificação foi sublimamente expressa pelo puritano holandês, Witsius, quando disse: “Ela ajuda muito a revelar a glória de Deus, cujas mais destacadas perfeições resplandecem com um lustre eminente neste assunto.
Ela manifesta a infinita bondade de Deus, pela qual Ele esteve predisposto a prover a salvação gratuitamente para o perdido e miserável homem, ‘para o louvor e glória de Sua graça’ (Ef. 1:6). Ela mostra também a mais estrita justiça, pela qual Ele não passaria por alto nem a menor ofensa, exceto com a condição do compromisso adequado, ou a plena satisfação do Mediador, ‘para que Ele seja justo, e justificador daquele que tem fé em Jesus’ (Rom. 3:26). Esta doutrina mostra além do mais a inescrutável sabedoria da divindade, a qual descobriu uma maneira para exercer o mais benevolente ato de misericórdia, sem infringir a Sua mais absoluta justiça e a Sua verdade infalível, que ameaçavam de morte ao pecador: a justiça demandava que a alma que pecasse deveria morrer (Rom. 1:32). A verdade tem pronunciado as maldições por não se obedecer ao Senhor (Deut. 28:15-68). A bondade, ao mesmo tempo, foi inclinada a decretar a vida à alguns pecadores, porém de nenhuma outra forma diferente daquela que era própria da majestade do santíssimo Deus. Aqui a sabedoria intervêm, dizendo: ‘Eu, eu sou o que apago tua transgressões por amor de mim; e eu não me lembrarei de teus pecados’ (Isa. 43:25). Nem a justiça de Deus ou a Sua verdade terão alguma causa de reclamação porque o pagamento completo será feito para você por um mediador.
Portanto, a incrível benevolência do Senhor Jesus resplandece, quem, ainda que Senhor de tudo, esteve sujeito a lei, não para a obediência dela somente, porém também para a maldição: ‘Ao que não conheceu pecado, por nós se fez pecado, para que fôssemos feitos justiça de Deus nEle’ ” (2 Cor. 5:21).
Não deveria a alma piedosa, que está profundamente comprometida na fervente meditação destas coisas, ascender-se em adorações a um Deus que justifica, e cantar com a igreja: “Que Deus como tu, que perdoas a maldade, e esqueces o pecado?”

(Miqueias 7:18) ?. Oh, a pureza dessa santidade que prefere castigar os pecados do escolhido em Seu Filho Unigênito, antes que suportar deixar-lhes impunes ! Oh, a profundidade de Seu amor para com o mundo, para o qual Ele não poupou a Seu entranhável Filho, a fim de resgatar a pecadores ! Oh, a profundidade das riquezas de insondável sabedoria, pela qual Ele provê Sua misericórdia para o culpado arrependido, sem mancha alguma a honra do Juiz mais imparcial ! Oh, os tesouros de amor em Cristo, pelo qual Ele se fez maldição por nós, a fim de livrar-nos desta ! Quão próprio da alma justificada, que está preste a se fundir no sentimento deste amor, com pleno júbilo é cantar um cântico novo, um cântico de mútuo retorno de amor ao Deus que justifica.
Tão importante considerava o apóstolo Paulo a esta doutrina que, sob a direção do Espírito Santo, a mais sobressalente de suas epístolas no Novo Testamento está dedicada a uma completa exposição dela. O eixo sobre o qual gira todo o conteúdo da Epístola aos Romanos é aquela notável expressão: “a justiça de Deus” – comparada a qual não há nada de maior importância que possa ser encontrado em todas as páginas das Sagradas Escrituras, e é necessário que cada cristão faça o máximo esforço para entendê-la claramente. Esta é uma expressão abstrata que significa a satisfação de Cristo em sua relação à Lei Divina. É um nobre descritivo para a causa essencial da aceitação do pecador diante de Deus. “A justiça de Deus” é uma frase referida ao trabalho terminado do Mediador como aprovado pelo tribunal divino, sendo a causa meritória de nossa aceitação diante do trono do Altíssimo.
Nos seguintes capítulos (com a ajuda do Senhor) examinaremos em mais detalhe esta vital expressão “a justiça de Deus”, que dá a entender essa perfeita compensação que o Redentor ofereceu à justiça divina em benefício e em lugar daquele povo que Lhe tinha sido dado. Por agora, seja suficiente dizer que essa “justiça” pela qual o pecador crente é justificado é chamada “a justiça de Deus” (Rom. 1:17; 3:21) porque Ele é o encarregado, aprovador, e doador dela. Ela é chamada “a justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 1:1) porque Ele a consumou e apresentou diante de Deus. Ela é chamada “a justiça da fé” (Rom. 4:13) porque a fé é a que a apreende e a que a recebe. Ela é chamada “justiça do homem” (Jó 33:26) porque ela foi paga para ele e imputada a ele. Todas estas variadas expressões se referem a muitos aspectos daquela perfeita obediência até a morte que o Salvador efetuou em favor de Seu povo.
Sim, o apóstolo Paulo, sob a direção do Espírito Santo, estimava a esta doutrina como algo tão vital, que ele apresenta extensamente como a negação e perversão dela por parte dos judeus foi a causa principal pela qual eles foram desaprovados por Deus: ver os versículos finais de Romanos 9 e o começo do capítulo 10. Novamente, através de toda a Epístola aos Gálatas, encontramos ao apóstolo empenhado na mais vigorosa defesa e contendendo com grande zelo com aqueles que haviam atacado esta verdade básica. Ali, ele fala do ensinamento oposto como destrutivo e mortífero para as almas dos homens, como uma agressão à cruz de Cristo, e chama a esse ensinamento outro evangelho, declarando solenemente “ainda se nós ou um anjo do céu vos anunciar outro evangelho…seja anátema” (Gálatas 1:18). Que pena, que sob a ampla liberdade e sob a falsa “caridade” de nossos tempos, há agora tão pouco santo aborrecimento dessa pregação que repudia a obediência vicária de Cristo que é imputada ao que crê.
Mediante Deus, a pregação desta grande verdade causou o maior avivamento que a causa de Cristo gozou deste os dias dos apóstolos. “Esta foi a grandiosa, fundamental e distinta doutrina da Reforma, e foi estimada por todos os reformadores como a primária e suprema importância. A principal acusação que eles sustentavam contra a Igreja de Roma foi que ela havia corrompido e pervertido a doutrina das Escrituras sobre esta questão em uma forma que era perigosa para as almas dos homens; e foi principalmente pela exposição, o estrito apego, e a aplicação da verdadeira doutrina da palavra de Deus com respeito a isto, que eles atacaram e transtornaram as principais doutrinas e práticas do sistema papal. Não há assunto que possua uma importância mais intrínseca que o que se relaciona com este, e não há outro com respeito ao qual os reformadores estiveram mais completamente de acordo com suas convicções’ (W. Cunningham).
Esta bendita doutrina provê o tônico divino para reanimar a um cuja alma está abatida e cuja consciência está intranqüila por um profundo sentimento de pecado e culpa, e deseja conhecer o caminho e os meios pelos quais poderia obter a aceitação para com Deus e o direito à herança celestial. Para um que está profundamente convencido de que tem sido toda sua vida um rebelde contra Deus, um constante transgressor de Sua Santa Lei, e que compreende que está com justiça sob a condenação e ira de Deus, nenhuma busca pode ser de tão profundo interesse e urgente importância como aquela que se relaciona com os meios para recuperar o favor divino, o perdão de seus pecados, e o fazer-lhe apto para permanecer confiado na presença divina: até que este ponto vital tenha sido aclarado para saciar seu coração, toda outra informação religiosa será totalmente inútil.
“As demonstrações da existência de Deus só serviriam para confirmar e gravar mais profundamente sobre sua mente a terrível verdade que ele já crê, que há um Juiz Justo, diante do qual deve comparecer, e por cuja sentença será estabelecida sua condenação final. Explicar-lhe a lei moral, e inculcar-lhe as obrigações a obedecer, obrará como um acusador público, quando este cita as leis da região a fim de mostrar que as acusações que tem trazido contra o criminoso na corte estão bem estabelecidas, e, consequentemente, que ele é digno de punição. Quanto mais fortes são os argumentos pelos quais você faz evidente a mortalidade da alma, mais claramente prova que seu castigo não será temporário, e que há outro estado de existência, no qual ele será totalmente recompensado de acordo com seu merecimento” (J. Dick).
Quando o próprio Deus chega a ser uma realidade viva para a alma, quando Sua terrível majestade, Sua infalível santidade, Sua justiça inflexível, e Sua autoridade soberana, são realmente percebidas, ainda que mui inadequadamente, a indiferença a Suas demandas agora dá lugar a uma séria preocupação. Quando há um adequado sentimento da magnitude de nossa separação com Deus, da depravação de nossa natureza, do poder e vileza do pecado, da espiritualidade e severidade da lei, e das eternas chamas que esperam aos inimigos de Deus, as almas despertadas gritam: “Com que me apresentarei ao Senhor, e me inclinarei diante do Deus altíssimo ? Apresentar-me-ei diante dEle com holocaustos, com bezerros de um ano ? Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite ? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado de minha alma ?” (Miquéias 6:6,7). Então a pobre alma exclama: “Como pois se justificará o homem com Deus, e como seria puro aquele que nasce de mulher?” (Jó 25:4). E é na bendita doutrina que está agora por ser posta diante de nós, onde se nos explica o método pelo qual um pecador pode obter paz com seu Criador e imergir à possessão da vida eterna.

Novamente; esta doutrina é de inestimável valor para o cristão com uma consciência despertada, que cada dia geme por sentir sua intrínseca corrupção e as inumeráveis falhas comparando-se com o estandarte que Deus tem posto diante dele. O Diabo, que é “o acusador de nossos irmãos” (Apoc. 12:10), freqüentemente acusa com hipocrisia ao crente diante de Deus, inquieta sua consciência, e pretende convencer-lhe que sua fé e sua piedade são nada mais que uma máscara e uma aparência para o exterior, pelos quais ele não somente engana a outros, senão também a si mesmo. Porém, graças a Deus, Satanás pode ser vencido pelo “sangue do Cordeiro” (Apoc. 12:11): olhando longe do incuravelmente depravado eu, e contemplando ao Fiador, que tem respondido plenamente por cada falta do cristão, perfeitamente expiado cada pecado deste, e lhe proporcionado uma “justiça eterna” (Dan. 9:24), que foi posta em sua conta na elevada corte do Céu.. E deste modo, ainda que gemendo por suas fraquezas, o crente pode possuir uma confiança vitoriosa que o eleva sobre todo temor.
Isto foi o que trouxe paz e regozijou ao coração do apóstolo Paulo: porque apesar de que em um instante exclamou: “Miserável homem que sou ! quem me livrará do corpo desta morte?” (Rom. 7:24), em seguida ele declarou: “Agora pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rom. 8:1). Ao que adicionou: “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; Quem os condenará?
Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós; quem nos separará do amor de Cristo?
(vers. 33-35). Possa o Deus de toda graça dirigir nossa caneta e abençoar o que escrevemos para os leitores, que não poucos dos que estão agora nas sombrias prisões do Castelo da Dúvida, possam ser conduzidos dentro da gloriosa luz e liberdade da plena certeza da fé.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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