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ECLESIOLOGIA – HELIO

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O fundamento desse estudo é sempre a Escritura e os documentos correspondentes:...

ECLESIOLOGIA
Por: Helio Clemente

O fundamento desse estudo é sempre a Escritura e os documentos correspondentes: A Confissão de Fé de Westminster e os princípios do calvinismo, vejamos abaixo um texto de A. Kuyper e a descrição da Igreja de Deus conforme a Confissão de Fé:

A Igreja de Deus
CFW: Capítulo XXV, Seção I – A Igreja de Deus


“A Igreja Universal, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob Cristo, seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas”.
A Igreja de Deus é católica, ou seja, universal, um corpo único constando de seus eleitos de toda a raça e nacionalidade que existem, em uma determinada época (o Reino de Deus consta de todos eleitos que existiram, existem ou existirão em todos os lugares e em todos os tempos). Nenhuma denominação, raça ou nação tem a exclusividade da igreja, somente Deus conhece seus eleitos.
Outra definição pode ser: A Igreja é constituída pelos eleitos justificados e o Reino pelo número total de eleitos (ver os Decretos Eternos).
Todavia, essas definições não são realmente precisas e não causam nenhum problema doutrinário em suas diversas interpretações.
Kuyper: “Portanto, tudo que é possível para nós sobre a terra é primeiro, uma comunhão mística com aquela Igreja verdadeira por meio do Espírito, e em segundo lugar, o gozo das sombras que estão se manifestando na cortina transparente diante de nós. Consequentemente, nenhum filho de Deus deveria imaginar que a verdadeira Igreja está aqui na terra”.

A igreja local
Kuyper: “Como tal, ela se apresenta para nós em diferentes congregações locais de crentes, grupos de confessores, vivendo em alguma união eclesiástica em obediência às ordenanças do próprio Cristo. A Igreja na terra não é uma instituição para a dispensação da graça, como se fosse uma despensa de medicamentos espirituais. Não há ordem mística, espiritual,
dada com poderes místicos para operar com uma influência mágica sobre os leigos”.

Termos bíblicos
No Velho Testamento são usadas duas palavras para designar a igreja: “qahahl” e “edhah”. O uso geral dessas palavras é o seguinte: “qahahl” significa a reunião do povo em um local previamente combinado e “edhah” indica a reunião dos representantes do povo, ou a organização social dos chefes que representavam o povo de Israel, podendo estar reunidos ou não.
Na Septuaginta, também, de forma geral, a palavra “qahal” é traduzida por “ekklesia” e “edahal” por “sunagoge”. Essas palavras usadas na Septuaginta foram adotadas no Novo Testamento, onde “ekklesia” passou a significar a reunião dos crentes e “sunagoge” exclusivamente a igreja dos judeus, tanto a reunião dos representantes ou do povo, mas também o local onde se realizavam essas reuniões.
O termo “ekklesia” foi usado no Novo Testamento primeiramente por Jesus, indicando as pessoas que se reuniam em torno dele como o seu mestre e Senhor.
Mateus 16,18: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja (ekklesia), e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
Essa palavra “ekklesia” pode indicar várias situações, como por exemplo: A igreja na casa de uma pessoa, a igreja local, um grupo de igrejas em uma região, a igreja como uma congregação de todos os que professam a Cristo em todo o mundo, ou ainda a totalidade de todos os cristãos professos. No caso dos eleitos, é também chamada a Igreja de Deus ou a Igreja Universal, que se confunde com o Reino de Deus ou o Reino dos Céus em um determinado período.
Nota: O Reino de Deus se compõe de todos os eleitos em todos os tempos, a Igreja de Deus, os eleitos em um tempo determinado. Essas definições podem variar, mas dentro do mesmo conceito.

A igreja na história:
Durante o primeiro século da igreja não havia organização ou hierarquia das igrejas locais, mas com o surgimento de várias heresias e com a corrupção que grassava, surgiu a necessidade de organização da igreja. Cipriano, bispo
de Cartago, foi quem definiu a organização episcopal de igreja no século III de nossa era.
Essa organização foi confirmada pelo imperador Constantino, no início do século IV, quando assumiu a chefia da igreja. Essa definição permaneceu na Igreja de Roma, praticamente sem mudanças, até o concílio de Trento, no século XVI, mas nenhuma mudança fundamental foi acrescida.
Conforme Cipriano a verdadeira igreja era universal, ou católica, a autoridade dos bispos era apostólica, derivada dos apóstolos por sucessão episcopal e a igreja era a depositária da graça e do poder de Deus, distribuindo a graça, o perdão e a salvação por intermédio dos sacerdotes e dos sacramentos. De acordo com essa ideia, prevalecente até os dias de hoje na igreja de Roma, as bênçãos da graça e da salvação chegam aos homens somente por meio das ordenanças e sacramentos da igreja.
Os atributos da igreja como instrumento da graça de Deus e das bênçãos da salvação distribuídas por Deus através da igreja, eram considerados, pela igreja de Roma, como um atributo próprio da igreja, através de seu corpo de sacerdotes.
Dessa forma, a igreja se coloca entre Deus e os homens como a distribuidora dessas bênçãos e castigos, negando dessa forma, a comunhão direta entre Deus e os crentes e colocando entre eles uma mediação humana e anticristã, negando a suficiência e unicidade do trabalho de Cristo. Pode-se ver claramente na definição da igreja romana abaixo, que a unicidade do trabalho mediatório de Cristo é negada de forma declarada.
A definição da igreja romana é a seguinte:
“A congregação de todos os fiéis que, sendo batizados, professam a mesma fé, participam dos mesmos sacramentos e são governados por seus legítimos pastores, sob um chefe visível na terra”.
Em contraposição a isso, Jesus declara no evangelho do apóstolo João que ele é o único caminho e o único mediador entre Deus e o homem.
João 14,6: “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”.

A doutrina da igreja na Reforma
Os reformadores rejeitaram a ideia de uma igreja rigidamente hierárquica, com um sacerdócio infalível e dotado de poderes sobrenaturais, que dispensam a salvação por meio de ordenanças e sacramentos. Eles consideravam a igreja verdadeira como a comunhão espiritual daqueles que foram chamados por Cristo, que se tornavam sacerdotes mediante o testemunho cristão.
Distinguiam também os aspectos visíveis e invisíveis da igreja, admitindo que, na igreja visível, o joio e o trigo, que são os verdadeiros crentes e os religiosos formais, estarão misturados até a ceifa, que é o Juízo Final. O conceito da igreja protestante afasta-se da ideia da exteriorização da igreja e define a igreja como a comunhão dos santos, a reunião dos eleitos de Deus, como expresso nos documentos da Reforma:
Segunda Confissão Helvética: “A igreja é uma assembleia de fiéis, convocada e reunida do mundo, uma comunhão de todos os santos, isso é, daqueles que verdadeiramente conhecem e retamente adoram e servem o verdadeiro Deus em Jesus Cristo, o Salvador, pela Palavra do Espírito Santo, e que pela fé participam de todos os benefícios gratuitamente oferecidos mediante Cristo”.
Confissão Belga: “Cremos e professamos uma só Igreja católica ou universal, que é uma congregação de verdadeiros crentes cristãos, todos esperando sua salvação em Jesus Cristo, sendo lavados por seu sangue, santificados e selados pelo Espírito Santo”.
CFW, Capítulo XXV, Seção I – A Igreja de Deus: A Igreja Católica ou Universal, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob Cristo, seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas.
Efésios 1,22-23: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas”.
A Igreja Universal, ou Igreja de Deus, é composta somente de eleitos, somente Deus conhece seus filhos. Nenhuma denominação ou seita detém a exclusividade da igreja.

A Igreja Universal
A Igreja Universal pode ser tida como o número de eleitos vivos, em uma
determinada época, o que a difere do Reino, que é constituído por todos os eleitos em todos os tempos. Nenhuma denominação, raça ou nação tem a exclusividade da igreja, somente Deus conhece seus eleitos.
A Igreja Universal tem os seus membros em diversas denominações cristãs em todo o mundo, ou mesmo fora delas, mas não se determina particularmente por nenhuma delas. Na Igreja de Deus existem somente os eleitos, essa igreja é invisível e não perceptível, sendo composta apenas dos eleitos que já foram, estão sendo e serão chamados e justificados por Deus em Cristo em um determinado período.
2 Crônicas 2,6: “No entanto, quem seria capaz de lhe edificar a casa, visto que os céus e até os céus dos céus o não podem conter? E quem sou eu para lhe edificar a casa, senão para queimar incenso perante ele?”.
Os participantes de igreja Universal não são manifestos aos sentidos, não é possível estabelecer os limites entre o mundo, a igreja local e a Igreja de Deus. A luz de Deus está oculta, para que a honra e a glória pertençam a Deus e não aos homens.
2 Coríntios 4,6-7: “Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo. Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós”.

CFW, Capítulo XXV, Seção II – A igreja visível: A Igreja Visível que também é católica ou universal sob o Evangelho (não sendo restrita a uma nação, como antes sob a Lei) e consta de todos aqueles que pelo mundo inteiro professam a religião cristã, juntamente com seus filhos; é o Reino do Senhor Jesus, a casa e família de Deus, fora da qual não há possibilidade ordinária de salvação.
1 Coríntios 12,12-13: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”.

A igreja visível: A igreja visível é constituída de todas as igrejas, ditas cristãs, locais, de todas as nações, que professam o cristianismo. A igreja não detém o poder de salvar ou perdoar quem quer que seja, a igreja chama o pecador em e por Cristo e somente através da pregação fiel da Palavra.
A igreja visível pode ser definida como: O número total de pessoas que, em todas as épocas e nações, receberam o batismo em uma igreja cristã e seus filhos. A igreja visível é definida fisicamente e a Igreja de Deus espiritualmente, de forma que nem mesmo os anjos a conhecem, somente Deus conhece sua igreja, que será revelada na volta de Cristo.
Romanos 8,19-21: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus”.
A igreja visível é constituída de muitas denominações, muitas delas espúrias, outras falsas e algumas poucas (muito poucas) que procuram se manter fiéis à Palavra. A igreja visível é representada nas parábolas de Jesus como o reino temporal de Deus – o campo onde crescem o joio e o trigo, ou a rede que retém todos os tipos de peixes – tanto o joio como os peixes ruins somente serão separados no Dia do Juízo, até lá eleitos e réprobos conviverão dentro da igreja visível.
Mateus 13,47-49: “O reino dos céus é ainda semelhante a uma rede que, lançada ao mar, recolhe peixes de toda espécie. Arrastam-na para a praia e, assentados, escolhem os bons para os cestos e os ruins deitam fora. Assim será na consumação do século: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos”.

CFW, Capítulo XXV, Seção III – As ordenanças: A essa igreja católica (Universal) Visível Cristo deu o ministério, os oráculos e os sacramentos de Deus, para ajuntamento e aperfeiçoamento dos crentes nessa vida, até o fim do mundo, e o faz segundo a sua promessa, tornando-os eficazes para esse fim pela sua própria presença e Espírito.
1 – Efésios 4,11-13: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo”.
A igreja local é constituída por ministros ordenados de acordo com as normas de cada denominação, conforme sua constituição e normas de fé. Infelizmente as profecias bíblicas se cumprem com exatidão: A apostasia
toma conta de igreja. Cada vez mais as igrejas se afastam do conhecimento bíblico, inventando novas normas que são preceitos de homens – o retorno a Roma está em andamento.
2 Timóteo 4,3: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”.
Mateus 24,24-25: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito”.
Marcos 13,21-22: “Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis; pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos”.
A igreja de Laodicéia é a última das sete igrejas do Apocalipse, ela é tida como representante da igreja moderna, veja a atualidade dos sentimentos dos crentes e o que diz Jesus a essa igreja – as mais duras palavras dirigidas aos cristãos em toda a bíblia.
Apocalipse 3,16-17: “Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”.

Os meios de graça
Os meios de graça determinados biblicamente são os seguintes: A pregação e a leitura da Palavra, o louvor, a oração e os sacramentos. Os únicos sacramentos instituídos por Cristo são a Ceia do Senhor e o Batismo, nenhum outro sacramento deve ser aceito pelos cristãos.
Lucas 22,19: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isso é o meu corpo oferecido por vós; fazei isso em memória de mim”.
Mateus 28,19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.
Todo o crente é um sacerdote e tem um mandato cultural a cumprir, esse mandato é constituído pelo testemunho de Cristo e a pregação do evangelho – essas são obrigações inalienáveis de todo crente. Atualmente o
conhecimento do evangelho e o testemunho verbal têm sido esquecidos, os novos crentes acreditam que darão o testemunho do evangelho de Cristo através de sua própria justiça e santidade refletidas em uma vida de alto padrão moral.
Esses crentes farisaicos reduzem Cristo a um mero exemplo de vida, mas as ordenanças da igreja continuam e continuarão sempre as mesmas: O testemunho e a pregação. Esse testemunho somente pode ser dado através do conhecimento de Cristo, como darão testemunho daquele que não conhecem?
João 17,3: “E a vida eterna é essa: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.
Não havia discordância doutrinária entre os luteranos e calvinistas, mas a diferença entre eles era basicamente na organização da igreja, enquanto Lutero esperava transformar a igreja de Roma, os calvinistas (protestantes) lutavam por construir uma nova igreja, livre e separada da igreja romana.
A essa época a igreja de Roma havia chegado a um estado de corrupção e degradação inimagináveis, que persiste até os dias atuais. O conceito dos reformadores a respeito do papado católico era de extrema reprovação, como se pode ver na Confissão de Fé de Westminster a esse respeito:

Confissão de Fé de Westminster – Capítulo XXV, Seção VI – Cristo e a igreja: Não há outro Cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo; em sentido algum pode ser o Papa de Roma o cabeça dela, mas ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus.
2 Tessalonicenses 2,3-4: “Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isso não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus”.

Cristo, o Cabeça da igreja
O fundador da igreja e o Cabeça supremo e absoluto é Jesus Cristo, a Escritura afirma esse fato, que jamais será negado por qualquer cristão verdadeiro. Cristo nunca deixou ordenado a constituição de um vigário e representante sobre a terra, essa reivindicação da igreja de Roma é abominação perante Deus e não pode ser aceita em hipótese alguma.
As igrejas da Alemanha e Inglaterra reconhecem em seus governantes políticos a supremacia sobre a igreja, não existe nenhum fundamento ou base escriturística para sustentar essas heresias das Igrejas-Estado.
Mateus 23,8: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos”.
O governo da igreja é feito unicamente através da Palavra, a igreja que não é fiel à Palavra de Deus não é fiel a Cristo. A presença de Cristo na igreja, serve, tanto para cegar os réprobos quanto para preservar seu povo, de onde se pode concluir que a obrigação da igreja é pregar a Palavra e louvar a Deus. Somente através da Palavra, os eleitos de Deus recebem a graça que há em Cristo e tem sua preservação na comunhão do Espírito.
Mateus 28,19-20: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.

O QUE É A IGREJA VERDADEIRA?

1 – A Igreja de Deus ou a Igreja invisível


A verdadeira Igreja é o Reino, constituída por todo povo de Deus em todas as épocas da história da humanidade, o total dos eleitos, essa é a igreja Invisível a que se referiam os reformadores. Somente a essa Igreja pertence a promessa de Jesus: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”.
Essa Igreja pode ser conhecida, também, como o número total de eleitos em um determinado momento da história. Dessa forma, ela se diferencia do Reino de Deus, que é a soma de todos os eleitos de todos os tempos.
Para essa Igreja Jesus também disse: “Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.
Efésios 3,10-11: “Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor”.

2 – A Igreja Local
São denominações “cristãs” onde os crentes se reúnem, teoricamente, para glorificação e adoração de Deus. Esse é o significado da grande maioria das referências à igreja no Novo Testamento (ekklesia).
Filipenses 4.15: “E sabeis também vós, ó filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber, senão unicamente vós outros”.
A Igreja invisível é a Igreja que pode ser vista unicamente por Deus, pois somente Ele conhece seus filhos. A igreja local é a igreja física, como ela é vista pelos homens: Todos aqueles que professam a Cristo, sinceros ou hipócritas. Nessa igreja o joio e o trigo estarão sempre misturados, apesar de que, a clara doutrina bíblica afirma que os falsos conversos, bem como os declaradamente ímpios, devem ser excluídos da igreja sem hesitação.

3 – A igreja Universal
Todo o povo de Deus existente no mundo em uma determinada época, esse sentido ocorre ocasionalmente no Novo Testamento.
Gálatas 1,13: “Porque ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira perseguia eu a Igreja de Deus e a devastava”.

4 – A Igreja dentro da igreja
A separação dentre toda congregação visível dos eleitos e dos réprobos dentro da igreja, o joio e o trigo, esse é o padrão do reino, conforme palavras de Jesus.
Mateus 13,30: “Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro”.
Não existe, nas igrejas locais, uma igreja pura, em meio à congregação existem pessoas que não professam, de fato, a fé cristã e cuja profissão de fé será desmascarada no último dia.
Mateus 7,22-23: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

A unicidade da igreja
A unidade da igreja não é aparente nas diversas denominações, a unicidade da Igreja provém unicamente do Espírito Santo que atua nos crentes verdadeiramente justificados dentro de cada denominação, unindo-os através do fundamento único estabelecido por Deus: Jesus Cristo.
Efésios 1,22: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja”.

A santidade (separação) da Igreja
Somente os eleitos, dentro das igrejas, são separados por Deus. A santidade da Igreja de Deus provém de dois fatos: O primeiro é a separação do mundo, o segundo é o fato que, Deus imputa, aos seus filhos, pecadores, a justiça perfeita de Cristo, santificando-os dessa forma.
Efésios 1,4: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele…”.
A Igreja é universal (católica)
A palavra “católica” significa totalidade, no sentido bíblico implica em que a Igreja de Deus é universal e independe das denominações, distinguindo-a da igreja local e das heresias surgidas ao longo do tempo.
“Católico”: Esse é outro termo infeliz, mas adotado universalmente pelos protestantes. O problema desse termo é que ele está intimamente associado à igreja de Roma.
O principal sentido da universalidade, na igreja primitiva, é que estava aberta a todos, sem distinção, diferente do judaísmo e do gnosticismo predominantes.
Mateus 11,28: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei”.
A igreja é apostólica
A igreja é apostólica, no sentido em que os apóstolos foram testemunhas do ministério de Jesus e constituídos em autoridade por ele, tornando-se dessa forma, os legítimos propagadores da Palavra em sua época. A pretensa tradição da renovação apostólica na chefia da igreja romana é uma farsa indefensável, o primeiro papa foi, na realidade, o imperador Constantino.
A definição do cânon bíblico: A condição para que os livros do Novo Testamento fossem considerados canônicos era a de terem sido escritos pelos apóstolos ou pessoas ligadas diretamente a eles (Marcos e Lucas).
Por outro lado, a apostolicidade da igreja não significa uma sucessão física de ministros a partir dos apóstolos, como já dissemos acima. Essa não é uma doutrina bíblica, trata-se de tradição de homens e deve ser repudiada com firmeza. Ademais, quando o imperador Constantino assumiu a chefia da igreja cristã, esse elo, inexistente, teria sido quebrado.
A igreja primitiva não tinha chefia definida antes do imperador Constantino. Depois de Constantino, a igreja foi liderada por vários imperadores romanos, distanciando-se cada vez mais de uma possível sucessão apostólica.
Algum apóstolo foi nomeado chefe dos outros?
Marcos 16,14-15: “Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, porque não deram crédito aos que o tinham visto já ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”.
Pode-se verificar no verso acima, que a ordem para evangelização foi dada a todos os apóstolos indistintamente, nenhum deles foi nomeado acima ou submisso a qualquer um dos outros, essa sempre foi a tônica dos ensinos de Jesus, como se pode constatar nesse outro verso abaixo, quando Jesus repreende os apóstolos por procurarem a primazia entre os outros.
Preste bastante atenção ao final desse verso e veja se a existência de um vigário de Cristo com primazia entre todos os cristãos faz sentido:
Marcos 10,42-44: “Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade. Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos”.
A igreja militante
Durante sua existência terrena a igreja é chamada de militante, pois tem o dever de empreender uma guerra sem tréguas contra as doutrinas estranhas ao evangelho, principalmente dentro da própria igreja, combatendo vigorosamente as heresias e falsas doutrinas que surgem.
O que se pode observar ao longo da história do cristianismo é que a igreja está em constante degradação. Apesar dos grandes movimentos de avivamento que ocorreram em épocas determinadas da história, a igreja visível caminha, a olhos vistos, para a apostasia e para o mundanismo. Todavia, apesar de chocante, isso não deve causar surpresa ao cristão, pois Jesus nos adverte quanto a esses últimos tempos.
Mateus 24,24-25: “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito”.
Lucas 18,8: “Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?”.
Nesses últimos tempos em que a igreja atravessa, a sã doutrina tem dado lugar a todo tipo de fábulas e invenções, tanto para agradar o ego humano, quanto para o crescimento material da igreja, essa é a tônica da igreja atual.
2 Timóteo 4,3: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos”.
A igreja triunfante
A igreja triunfante pode ser definida como a reunião das almas dos crentes que se encontram no céu, ou como a reunião final de todos os crentes após o Dia do Julgamento, onde todos os eleitos de todas as épocas da história da humanidade estarão finalmente reunidos a Cristo em seu estado glorificado, onde o pecado e a corrupção estarão definitivamente banidos e os filhos de Deus revelados em caráter definitivo.
Romanos 8,19-22: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação () está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora”. () Criação: Almas no estado intermediário e os anjos e seres espirituais eleitos.
A igreja e a Palavra:
Calvino diz que, na Igreja de Deus, a Palavra deve ser pregada e ouvida em toda sua pureza. Isso soa hoje como uma utopia, pois infelizmente a igreja local tem se degenerado a tal ponto que é possível esperar ouvir de tudo em uma igreja, menos a Palavra em sua pureza, pois essa se tornou ofensiva aos crentes modernos.
João Calvino: “Onde quer que vejamos a Palavra de Deus pregada e ouvida em toda a sua pureza e os sacramentos ministrados segundo a instituição de Cristo, não há dúvida de que existe uma Igreja de Deus”.
O crente e a igreja
A igreja não é detentora do poder de salvação, somente Deus justifica os seus eleitos, e aqueles que receberam o dom da fé recebem a Cristo, que para eles se torna a vida eterna. O relacionamento do crente com Cristo é pessoal e não está vinculado a nenhuma denominação em particular, a esse respeito Charles Hodge afirma em sua Teologia Sistemática (pag. 778):
Charles Hodge: “A vida do crente não é uma vida corporativa, condicionada a uma união com alguma organização externa chamada igreja, porque todo aquele que invoca o nome do Senhor, ou seja, todo aquele que lhe rende culto religioso e espera nele como seu Deus e salvador, será salvo, quer em uma masmorra, quer solitário em um deserto”.
OS SACRAMENTOS
Confissão de Fé de Westminster – Capítulo XXVII, Seção I – Os sacramentos: Os sacramentos são santos sinais e selos do pacto da graça instituídos diretamente por Deus para representar Cristo e os seus benefícios e confirmar o nosso interesse nele, bem como para colocar uma diferença visível entre os que pertencem à Igreja e o resto do mundo, e solenemente engajá-los ao serviço de Deus em Cristo de acordo com sua Palavra.
1 Coríntios 10,16: “Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?”.
Os sacramentos são somente sinais visíveis do pacto da graça. Pelos votos e juramentos assumidos na aplicação dos sacramentos, os crentes se comprometem a obedecer as regras de fé da denominação que assumem.
Os sacramentos
Os termos sacramento e Trindade, não ocorrem diretamente na bíblia, o seu uso era voltado a obrigações e juramentos relativos a compromissos de negócios ou militares, que eram comuns na Antiguidade. Em seu uso religioso sacramento provém do grego – ‘mysterion’; o que era desconhecido e agora foi revelado – ordenanças que foram reveladas pela Escritura: O batismo e a Ceia do Senhor.
Os sacramentos constituem-se em um sinal externo visível e a graça interior implícita somente para os eleitos. Os sacramentos são instituídos porque os sinais do pacto no Velho Testamento, que foram instaurados diretamente por Deus – respectivamente a circuncisão e a páscoa – foram substituídos pelo batismo e pela Ceia, instituídos por Cristo.
Colossenses 1,26: “O mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se manifestou aos seus santos; aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória desse mistério entre os gentios, isso é, Cristo em vós, a esperança da glória”.
Os sacramentos somente são sinais da graça nas pessoas justificadas por Deus. A graça é aplicada, nos eleitos, independentemente de qualquer sacramento, somente a justiça de Cristo salva o pecador, nenhum ritual da igreja poderá salvar àquele que não foi ordenado por Deus.
Atos 13,48: “Os gentios, ouvindo isso, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna”.
O batismo na Igreja Primitiva
A igreja primitiva considerava o batismo, de forma geral, como ligado ao perdão dos pecados e ao novo nascimento, tudo indica que eles acreditavam na regeneração batismal. Todavia, os pais da igreja consideravam que uma disposição positiva da alma era necessária à regeneração, e não atribuíam ao batismo uma posição de necessidade para a iniciação da nova vida, mas o batismo era visto como um ato de consumação dessa nova vida em Cristo.
O batismo infantil, dos filhos dos crentes, era bastante comum nos primeiros séculos da era cristã, sendo que o modo do batismo, por imersão, por derramamento ou aspersão não era considerado como diferencial, o modo do batismo não estava em discussão nos primeiros séculos da igreja. A partir do segundo século, surgiu a ideia de que o batismo infantil era de extrema
necessidade, sendo que as crianças não batizadas eram consideradas perdidas.
A unicidade do batismo também foi um princípio estabelecido a partir do segundo século, sendo que todas as pessoas batizadas em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito não deveriam ser rebatizadas.
O batismo na igreja Romana
A igreja Romana, depois do imperador Constantino, passou a considerar os aspectos externos do batismo como um ato eficiente, aplicado pela igreja, para a salvação dos fiéis. Os aspectos espirituais e interiores do batismo, bem como a ação do Espírito foram relegados ao esquecimento e por fim abandonados em função da atribuição salvadora e santificadora atribuída à igreja e seus sacerdotes.
O batismo após a Reforma
A igreja luterana não desfez totalmente a ideia da igreja romana com relação ao batismo, eles consideravam a água do batismo como dotada de propriedades milagrosas pelas quais o pecado original é removido. No caso de adultos essa ação milagrosa era dependente da fé do crente batizado, mas no caso de infantes havia dúvida se Deus infundia a fé na criança antes do batismo ou se a fé era propiciada pelo próprio ato do batismo.
Os calvinistas defendem que o batismo não produz a fé e não traz a salvação, mas é apenas um ato de confirmação pública da fé em Cristo, que fortalece os crentes, mas não é necessário para a fé e a salvação de forma absoluta, apesar de ser uma obrigação para todo o crente e sua família.
Quanto às crianças, a consideração de Calvino era de que os filhos de pais crentes são participantes da nova aliança, devendo receber o batismo para confirmação dessa aliança. Pela doutrina da predestinação e dos Decretos Eternos de Deus, adotados pelas igrejas calvinistas, a fé das crianças não é levada em consideração no ato do batismo, pois a fé não é causa da salvação, mas consequência dela. A ideia predominante no batismo infantil é que o batismo é um ato espiritual e sua ação é interna, agindo na alma do crente de forma contínua durante toda a sua vida.
Veja abaixo uma citação de Louis Berkhof bastante esclarecedora sobre o batismo infantil em Israel, já em tempos que precedem a destruição do templo, antes do ano 70 de nossa era. As crianças eram batizadas à
solicitação dos pais, sendo os meninos até 13 anos e idade e as meninas até os 12 anos.
Louis Berkhof: “De acordo com as autoridades judaicas citadas por Wall em sua História do Batismo Infantil (History of Infant Baptism), esse batismo tinha que ser ministrado na presença de duas ou três testemunhas. As crianças cujos pais recebiam esse batismo, desde que nascidas antes da administração do rito, também eram batizadas, à solicitação do pai, contanto que não fossem de idade (os meninos, treze anos e as meninas doze), mas se fossem de idade, somente à solicitação delas próprias”.
A fórmula batismal
Nem todos os batismos cristãos descritos no Novo Testamento utilizam a mesma fórmula batismal, mas independentemente dessa diversidade, usada na época apostólica, a igreja sentiu a necessidade de unificar a forma do batismo com o fim de evitar abusos e heresias. Dessa forma foi adotada a indicação contida na ordenação de Jesus em Mateus: “Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”. Essa fórmula batismal tornou-se definitiva, sendo utilizada na igreja até os dias de hoje.
A Ceia do Senhor
A Ceia e os rituais do Velho Testamento
Os sacrifícios da velha dispensação eram geralmente acompanhados de refeições das quais participavam os sacerdotes e os ofertantes, esse costume era próprio das ofertas pacíficas, a gordura era queimada no altar e o restante do animal era distribuído entre os sacerdotes e os ofertantes, que faziam no mesmo local as refeições que provinham do sacrifício. Essas refeições simbolizavam o fato de que o sacrifício era aceito por Deus e representava uma comunhão, estabelecida por esse ato, entre Deus e o seu povo. Pode-se ver, nesse ritual, a origem da Ceia do Senhor na antiga religião israelita.
Por esse mesmo motivo, os israelitas eram proibidos de participar das ceias comemorativas e sacrificiais dos outros povos, pois isso representava adoração a outros deuses. Esses sacrifícios não se confundem com a Páscoa judaica, pois a Páscoa era uma celebração independente das outras e tinha o significado de expiação, diferente das ofertas pacíficas que traziam em si o significado do perdão e da comunhão resultante.
A Ceia na igreja primitiva
Na era apostólica a ceia era, na verdade, uma festividade onde os participantes traziam a comida e a bebida de sua casa. No decorrer do tempo, esses materiais trazidos pelos participantes passaram a ser abençoados pelo sacerdote com orações de ação de graças e aos poucos essas oblações e oferendas passaram a ser um sacrifício levado a efeito pelo sacerdote, sendo consagrados pela oração de ação de graças.
Os pais da igreja primitiva discordavam quanto à presença de Cristo nessa cerimônia, alguns criam na transformação dos elementos, recebendo a presença física de Cristo, como ainda hoje na igreja romana (transubstanciação) ou luterana (consubstanciação), outros afirmavam somente a presença simbólica de Cristo.
A realidade da Ceia como a conhecemos hoje foi definida por Agostinho no século V de nossa era, segundo ele, o pão e o vinho constituem-se apenas nos sinais do sacramento e a coisa significada: A presença simbólica e espiritual de Cristo na Ceia, não deixando por isso de ser real. Todavia, Agostinho negava a transubstanciação – a transformação dos elementos.
A doutrina da transubstanciação foi adotada oficialmente pela igreja de Roma no Concílio de Latrão em 1215 d.C. e a forma final foi definida no Concílio de Trento (1643 d.C.) onde a igreja romana afirma a presença real de Cristo na substância do sacramento.
A Ceia na Reforma
Os reformadores não aceitaram a doutrina da transubstanciação nem da consubstanciação. Os luteranos insistiam na presença física de Cristo nos elementos, de forma diferente da igreja romana, a consubstanciação, pela qual Cristo estaria fisicamente com os elementos, mas, não havendo a transformação desses elementos.
Calvino negou a presença física de Cristo no sacramento, mas afirmou a presença espiritual, todavia real, de Cristo durante a celebração, trazendo à essa celebração virtude e eficácia provindos dessa presença espiritual de Cristo no sacramento.
Confissão de Fé de Westminster – Capítulo XIX, Seção I – A origem da Santa Ceia: Na noite em que foi traído, nosso Senhor Jesus instituiu o sacramento do seu corpo e sangue, chamado Ceia do Senhor, para ser observado em sua Igreja até ao Fim do mundo, a fim de lembrar perpetuamente o sacrifício que em sua morte ele fez de si mesmo; selar aos verdadeiros crentes os benefícios provenientes desse sacrifício para o seu
nutrimento espiritual e crescimento nele e a sua obrigação de cumprir todos seus deveres para com Cristo; e ser um vínculo e penhor da sua comunhão com ele e de uns com os outros, como membros do seu corpo místico.
Mateus 26,26-28: “Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isso é o meu corpo. A seguir, tomou um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isso é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados”.
A Santa Ceia foi estabelecida por Jesus em comemoração ao seu sacrifício.
A Santa Ceia deve ser celebrada até a consumação do século.
Os símbolos da Ceia
A Santa Ceia é realizada em memória de Cristo, para lembrar sua morte até que ele venha novamente. O ato comer o pão e beber o vinho é uma lembrança do pacto da graça, pelo qual, Cristo mantém sua promessa de salvação e confirma a comunhão com os eleitos. O pão representa a carne de Cristo e o vinho o seu sangue, porém de forma espiritual, e qualquer representação material nesse sentido é idolatria e abominação perante Deus.
1 Coríntios 11,23-26: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isso é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isso em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Esse cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isso, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque, todas as vezes que comerdes esse pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha”.
A CEIA E A IGREJA
Jesus foi traído por um de seus apóstolos, que participou do ministério de Jesus, expulsou demônios, fez milagres em seu nome, e participou da Ceia a seu lado. Isso mostra a realidade da igreja atual, o mundo não ameaça a igreja, mas ela tem se degenerado em seitas e heresias por ação dos falsos mestres no seio dessa mesma igreja.
Todas as denominações, mesmo as tradicionais, estão se corrompendo no seio do arminianismo (livre-arbítrio), do dispensacionalismo, da teologia relacional, da igreja com propósitos e muitos outros destinados tão somente
à prosperidade material e ao culto do ego. Nem todos participam da ceia em homenagem e gratidão a Cristo, mas engrandecendo e honrando a si mesmo; todo aquele que participa da ceia indignamente, come e bebe condenação para si.
1 Coríntios 11,27: “Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor”.
Aplicação da Ceia
A Santa Ceia deve ser dirigida por um ministro ordenado, que deverá orientar a liturgia e abençoar os elementos antes de distribuí-los, participando pessoalmente da cerimônia. A participação na ceia é restrita às pessoas presentes ao ato e batizadas em uma denominação evangélica respeitável. A Santa Ceia tem deve unir a congregação em torno dessa comemoração, os membros impedidos de estar presente, por motivos justos, poderão ser representados por um oficial da igreja devidamente ordenado e habilitado.
Os participantes da Ceia: A Ceia é somente para pecadores arrependidos, que reconhecem sua condição corrompida pela queda e se confessam incapazes de conseguir, por si mesmos, mérito para salvação, confiando unicamente no sacrifício de Cristo. Todo aquele que acredita em seus méritos próprios para conseguir a salvação, come e bebe desonra para si e para sua família ao participar da Ceia do Senhor.
Exclusões na Ceia: As crianças e os incapazes não têm permissão para participar da Ceia, visto não terem condições de preencher os requisitos exigidos. Somente os crentes, presentes na igreja na hora da Ceia, têm o direito de participar. Os descrentes e as pessoas não batizadas não devem participar da Ceia, assim como todos aqueles que recusam ou desconhecem a profissão de fé da igreja não tem o direito de participar.
Confissão de Fé de Westminster – Capítulo XXIX, Seção VIII – Bênção e maldição: Ainda que os ignorantes e os ímpios recebam os elementos visíveis desse sacramento, não recebem a coisa por eles significada, mas, pela sua indigna participação, tornam-se réus do corpo e do sangue do Senhor para a sua própria condenação; portanto, como são indignos de gozar comunhão com o Senhor, são também indignos da sua mesa, e não podem, sem grande pecado contra Cristo, participar desses santos mistérios nem a eles ser admitidos, enquanto permanecerem nesse estado.
1 Coríntios 10,21: “Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios”.
Os réprobos, religiosos ou não, podem participar fisicamente da Ceia, mas sem benefício espiritual. Somente os eleitos recebem os benefícios espirituais da Ceia.
Bênção e maldição
A pregação do evangelho tem dupla função: Salva os escolhidos e condena os réprobos, da mesma forma, os sacramentos trazem a comunhão apenas aos eleitos de Deus. Os não eleitos, não recebem os benefícios espirituais dos sacramentos, antes condenam a si mesmos pela participação indigna nesses atos. Somente os escolhidos por Deus, aceitam integralmente o evangelho, recebem a salvação e participam dignamente dos sacramentos.
Atos 16,14-15: “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia. Depois de ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí ficai. E nos constrangeu a isso”.
AS MARCAS DA IGREJA
O que distingue uma verdadeira igreja é a pregação fiel da Palavra e a aceitação e obediência a ela como regra de vida e fé para todos os crentes. A correta administração dos sacramentos e a disciplina na igreja são dependentes e consequentes da observação da Palavra de Deus. A correta e fiel pregação da Palavra é a mais importante marca da igreja visível; da Palavra fiel dependem a correta ministração dos sacramentos e a disciplina, pois esses são consequência da observância da Palavra e não o contrário.
Não se deve, jamais, firmar a Palavra de Deus em base de atos humanos, mas os atos humanos devem ser restritos à Palavra de Deus, esse é o evangelho de Cristo e qualquer atitude em contrário é abominável perante Deus e perante os cristãos verdadeiros.
Se a observância da Palavra é a marca fundamental da igreja, a fuga ou falseamento da verdade inabilita uma igreja de ser considerada cristã. Por esse motivo, a necessidade da disciplina eclesiástica é muito mais importante com relação às questões doutrinárias do que com relação ao comportamento moral dos crentes.
Os membros de uma denominação cristã que ignoram, confundem ou negam os artigos de fé da igreja devem ser disciplinados com decisão e energia, em casos de resistência excluídos da congregação.
A vocação missionária da igreja:
As instruções que Jesus deixou à igreja foi a de pregar o evangelho a toda criatura em todos os lugares do mundo. A igreja cristã distingue-se de todas as religiões existentes pela sua vocação missionária, é função e obrigação da igreja propagar o verdadeiro evangelho em todo o mundo.
Mateus 28,18-20: “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.
AS OBRIGAÇÕES DA IGREJA
A igreja tem o poder espiritual, que é exercido em nome de Cristo e pela operação do Espírito, e o poder ministerial que deve ser exercido estritamente de acordo com a Palavra. Esse poder ministerial é derivado de Cristo e da Palavra e cria mais obrigações do que direitos, para a igreja. Essas obrigações, que provém do poder da igreja, são as seguintes:
1 – Zelar pela preservação da Palavra: Na igreja fiel, a Palavra deve estar acima de todos os interesses pessoais, financeiros ou sociais dos eclesiásticos ou da congregação.
1 Timóteo 1, 3-4: “Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé”.
2 – Ministração correta dos sacramentos: Os sacramentos devem ser ministrados de acordo com as instruções de Cristo e da Palavra, sendo que os únicos sacramentos ordenados por Nosso Senhor são o batismo e a Ceia do Senhor.
Mateus 28,19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.
Lucas 22,19: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isso é o meu corpo oferecido por vós; fazei isso em memória de mim”.
3 – As regras de fé da igreja: Todas as denominações precisam dar uma definição clara e objetiva das regras de fé e símbolos da igreja, estabelecendo de forma inequívoca a identidade da denominação e a profissão de fé a ser assumida pelos crentes que fazem ou farão parte da membresia da igreja. Essas confissões de fé têm o intuito de preservar o equilíbrio espiritual dos crentes servindo de baliza e julgamento em questões doutrinárias.
A profissão de fé: A grande maioria das igrejas evangélicas exige do crente, no ato do batismo, uma profissão de fé aceitando sem reservas a Escritura e as regras de fé da igreja como normas de fé e vida a partir daquele momento. Infelizmente, os crentes, de forma generalizada, não levam a sério essa profissão de fé, seja por ignorância ou por descaso, transformando as igrejas atuais em uma diversidade de crenças digna de admiração, pois como é possível conviver de forma doutrinariamente sadia em meio a tantas crenças diversas?
Atos 15,24-29: “Visto sabermos que alguns que saíram de entre nós, sem nenhuma autorização, vos têm perturbado com palavras, transtornando a vossa alma, pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, eleger alguns homens e enviá-los a vós outros com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm exposto a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais pessoalmente vos dirão também essas coisas. Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além dessas coisas essenciais: que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; dessas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde”.
4 – Disciplina: Estabelecer e cuidar da disciplina dentro da igreja, do ponto de vista moral, mas principalmente no aspecto doutrinário, visto que o dano provocado pelas falsas doutrinas e heresias dentro da igreja é incomparavelmente mais danoso que o desvio moral e social, sendo usualmente a causa e origem de outros desvios.
Gálatas 5,9-10: “Um pouco de fermento leveda toda a massa. Confio de vós, no Senhor, que não alimentareis nenhum outro sentimento; mas aquele que vos perturba, seja ele quem for, sofrerá a condenação”.
DA NECESSIDADE DOS CREDOS E CONFISSÕES
A Escritura é o único padrão de autoridade para o crente, visto que é a Palavra de Deus. Todavia, a interpretação e compreensão da Escritura deve ser buscada pelo homem com diligência e aplicação, orando sempre pela revelação através do Espírito de Deus. Para preservar a sã doutrina e auxiliar os crentes na compreensão da Palavra, a igreja preparou, ao longo dos séculos, credos e confissões que se destinam a preservar as doutrinas e práticas da vida cristã conforme a Escritura.
As heresias que surgem no seio da igreja são justamente caracterizadas por esses desvios doutrinários e práticos nas doutrinas básicas da Escritura. O grande perigo das heresias e falsas doutrinas é que elas têm aparência de piedade e são agradáveis ao ego humano.
Por esses motivos, a elaboração dos credos e confissões é uma questão de preservação da Igreja, para que não sejam pregadas doutrinas contraditórias gerando confusão entre os crentes. É preciso reforçar que nenhum escrito humano, após a definição do cânon bíblico é superior à Palavra, os credos e confissões somente são válidos quando estritamente de acordo com a Escritura.
As regras de fé: Todas as denominações têm sua constituição, onde constam as regras de fé da igreja, bem como os credos e confissões adotados. Todos os membros e oficiais da Igreja devem fazer obrigatoriamente uma profissão de fé assumindo compromisso com a constituição, os credos e as confissões adotadas pela Igreja.
O Sínodo da Igreja Presbiteriana dos E.U.A. adotou os documentos de Westminster como padrões de doutrina na igreja em 1.729. Em 1.788, o Sínodo ratificou esses documentos com pequenas alterações que não implicam mudanças significativas.
Igreja Presbiteriana do Brasil:
A Constituição da IPB foi promulgada em 20/07/1950, em 1988 o Supremo Concílio da IPB modificou a Constituição da Igreja adotando como única regra de fé e prática, além da Escritura, os documentos de Westminster. Essas decisões da IPB passam a ter obrigatoriedade e força normativa. O artigo 44 obriga os membros e oficiais ordenados às regras de fé adotadas. O artigo 28 afirma que os presbíteros e diáconos assumem compromisso em sua crença na Sagrada Escritura como a Palavra de Deus, na lealdade à Confissão de Fé, aos Catecismos de Westminster e à Constituição da Igreja.
Da mesma forma, a IPI – Igreja Presbiteriana Independente – também adota a Confissão e os Catecismos de Westminster como as únicas regras de fé da igreja além da Escritura.
OS CREDOS
1 – O Credo Apostólico: Na verdade, esse credo não foi escrito pelos apóstolos, mas composto pelas igrejas cristãs ao final do segundo século. Esse credo é um sumário da Fé Cristã e era exigido aos novos membros que se filiavam ao cristianismo.
Credo Apostólico: “Creio em Deus o Pai, Todo-Poderoso, criador do Céu e da Terra; e em Jesus Cristo, seu unigênito filho, nosso Senhor; o qual foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, sofreu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Inferno; ressuscitou dos mortos ao terceiro dia; subiu ao céu e sentou-se à destra de Deus o Pai, Todo-Poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica (universal); na comunhão dos santos; no perdão dos pecados; na ressurreição do corpo; e na vida eterna. Amém”.
Desceu ao Hades:
A expressão “desceu ao inferno” não existia inicialmente, ela foi acrescentada após o terceiro século como substitutiva de “morto e sepultado”. No Credo de Atanásio aparece como “desceu às regiões inferiores”, também como substituição da palavra “sepultado”. Até o século VI essas expressões apareciam alternadamente nas versões dos credos. Somente após o século VII essas expressões começaram a aparecer conjuntamente: “morto e sepultado” ao mesmo tempo com “desceu ao Hades”.
A “Descida ao Inferno” na tradição reformada:
A descida ao inferno representa os tormentos que Jesus Cristo sofreu na cruz ao receber a ira divina que suportou em lugar dos eleitos em referência à dor espiritual resultante do abandono de Deus na hora de sua morte. Na cruz do calvário Cristo tomou sobre si as punições que eram devidas a todo povo de Deus em todas as épocas do mundo.
2 – O Credo Niceno:
Esse credo foi formulado com base no Credo dos Apóstolos com as seguintes características:
-As cláusulas relativas à divindade de Cristo foram discutidas no Concílio de Nicéia, na Bitínia, em 325 d.C.
-A cláusula ‘Filioque’ foi acrescida pelo concílio da Igreja Ocidental, em Toledo, Espanha, em 569 d.C.

  • As cláusulas relativas à divindade e à pessoa do Espírito Santo foram acrescidas no Segundo Concílio de Constantinopla, em 581 d.C.
    Em sua presente forma ele é o credo de toda a Igreja Cristã Ocidental, sendo que a Igreja Grega rejeita a última fórmula acrescida (Filioque).
    Credo Niceno: “Creio em um só Deus, o Pai, Todo-Poderoso, criador dos Céus e da Terra e de todas as coisas, visíveis e invisíveis, e em um só Senhor Jesus Cristo, o unigênito filho de Deus, gerado de seu Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz de Luz, o próprio Deus do próprio Deus, gerado, não feito, sendo de uma só essência com o Pai; por meio de quem todas as coisas foram criadas; que por nós homens, e para nossa salvação, desceu do Céu e encarnou-se pelo poder do Espírito Santo na Virgem Maria, e fez-se homem, e também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos. Sofreu e foi sepultado; e ao terceiro dia ressurgiu, segundo as Escrituras, e subiu ao Céu e sentou-se à mão direita do Pai. E virá segunda vez com glória para julgar, tanto os vivos quanto os mortos, cujo reino não terá fim. E creio no Espírito Santo, Senhor e Doador da vida, o qual procede do Pai e do Filho (Filioque), que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; o qual falou pelos profetas. E creio numa só Igreja Católica e Apostólica; reconheço um só batismo para remissão dos pecados; e espero pela ressurreição dos mortos e a vida no mundo por vir”.
    Geração: Esse é um termo infeliz, que pode ser confundido com a criação de uma nova pessoa. Deus, o Pai e o Filho e o Espírito são co-eternos e auto-existentes na essência da divindade, o termo “geração” se refere a funções na economia da Trindade e significa a relação de filiação eterna entre o Pai e o Verbo.
    HERESIAS NA IGREJA PRIMITIVA
    Esses credos e confissões se destinavam também a combater e esclarecer as heresias que surgiram na igreja primitiva. As principais foram relativas à natureza de Cristo e à negação da Trindade Divina. Essas heresias admitem algumas variações; no resumo abaixo serão apresentadas as principais variantes.
    -Arianismo: Deus o Pai criou o Filho, que por sua vez, criou o Espírito formando três deuses distintos em poder e natureza.
    -Sabelianismo: Deus o Pai, manifesta-se de três formas diferentes conforme a história da humanidade, como o Pai no VT, como o Filho na vinda de Jesus e depois da morte de Cristo como o Espírito Santo.
  • Apolinário: Afirmou que Jesus não possuía uma alma racional humana, o Verbo de Deus seria a alma de Jesus.
  • Adocianismo: Jesus era um homem comum que foi adotado pelo Pai após sua morte.
  • Monarquismo: Existe somente Deus o Pai.
  • Marcionismo: O Deus cristão é somente o Deus do Novo Testamento.
  • Priscilianismo: Jesus não era real, mas uma aparição (gnosticismo).
  • Docetismo (gnosticismo): Jesus não veio em carne, o corpo de Jesus era falso.
    -Nestorianismo: Jesus era constituído por duas pessoas distintas, a divina e a humana. Essa ideia foi condenada no Concílio de Éfeso, em 431 D.C., mas foi, junto com o eutiquianismo a heresia mais poderosa surgida na igreja.
    Eutiquianismo: A natureza divina absorveu a natureza humana de Cristo constituindo uma só natureza. Essa ideia foi condenada no concílio da Calcedônia, em 451 D.C.
  • Orígenes: Defendia a existência prévia das almas.
    CREDO DE CALCEDÔNIA (451 d.C.):
    “Todos nós, com voz uníssona, ensinamos a fé num só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo o mesmo perfeito na divindade e o mesmo perfeito na humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, com alma racional e com corpo, da mesma substância do Pai quanto à divindade e quanto à humanidade da mesma substância que nós, em tudo semelhante a nós menos no pecado; o mesmo que desde a eternidade é procedente do Pai por geração quanto à divindade e o mesmo que quanto à humanidade nos últimos tempos foi gerado pela Virgem Maria, Mãe de Deus, por nós e nossa salvação; sendo um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor,
    Unigênito, que nós reconhecemos como existente em duas naturezas, sem confusão, sem mutação e sem divisão, sendo que a diversidade das naturezas nunca foi eliminada pela união, ao contrário, a propriedade de cada uma das naturezas ficou intata e ambas se encontram em uma só pessoa e uma só hipóstase. O Filho não foi dividido ou separado em duas pessoas, mas é um só e o mesmo a quem chamamos de Filho, Unigênito, Deus, Verbo, Senhor, Jesus Cristo, como desde o início a respeito dele falaram os profetas e o próprio Jesus Cristo nos ensinou e como nos foi transmitido pelo Símbolo dos Padres”.
    A IMPORTÂNCIA DE CALCEDÔNIA
    As modernas religiões que se intitulam “cristãs” têm adotado um Cristo tão diverso do Jesus Cristo histórico descrito na bíblia, que, dificilmente podem ser chamadas cristãs: Jesus é tido como um mero homem, um grande mestre, uma pessoa de alto desenvolvimento espiritual através de muitas reencarnações, uma manifestação de Deus sem realidade humana, uma pessoa com natureza divina, o próprio Deus que abriu mão de seus atributos (kenosis), uma figura sem realidade histórica criada pela imaginação dos apóstolos (kerigma) e por aí vai, não existe limite para a imaginação desses pretensos religiosos.
    Mas quem é esse Jesus Cristo bíblico que faz parte da história da igreja e o qual devemos aceitar conforme as Escrituras, os credos milenares da igreja e as confissões reformadas? Se não conhecemos a realidade da pessoa e natureza de Cristo, facilmente incorremos no erro de adorar a outrem (como diz Agostinho) com consequências terríveis e inimagináveis: O inferno de fogo eterno.
    Só existe um Cristo verdadeiro, quem não está com ele é contra ele.
    Mateus 12,30: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não ajunta espalha”.
    Veja a profundidade da afirmação acima, Jesus não diz: “Está contra mim”, ele diz: “É contra mim”, a condenação não é temporária, é definitiva.
    Por que isso? Quem não conhece Jesus Cristo não pode produzir bons frutos, é sobre isso que Jesus adverte nos evangelhos.
    Lucas 3,9: “E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo”.
    Os verdadeiros cristãos da atualidade jamais poderão sobrevalorizar os credos da Igreja, os quais vieram a se firmar no concílio de Calcedônia, no ano de 451 d.C.
    É preciso regredir alguns anos no tempo para analisar as situações que levaram a igreja a colocar essas definições da pessoa de Cristo em forma dos credos elaborados.
    A primeira ameaça de grande porte à pessoa de nosso bendito Senhor foi trazida à luz pelo bispo Ário, de Antioquia. Essas ideias de Ário tiveram origem na teologia adocianista de Paulo de Samosasta; segundo Ário, Cristo havia sido criado pelo Pai. Uma criatura, superior aos anjos, mas não consubstancial com o Pai, ou seja: Uma mera criatura!
    Ário havia negado a divindade de Cristo, segundo ele, haviam três deuses distintos, o Pai, em uma categoria superior, depois Cristo e o Espírito Santo como seres criados.
    Ário afirmara que houve um tempo em que o Filho não existia. Ao negar a divindade de Cristo, o bispo Ário introduziu na igreja o politeísmo, com a existência de três deuses distintos entre si. Essa heresia foi condenada no Concílio de Nicéia, no ano de 325 d.C. Nesse concílio, o bispo Ário e todos os seus seguidores foram desligados da igreja para sempre.
    Credo Niceno: “Creio em um só Deus, o Pai, Todo-poderoso, criador dos Céus e da Terra e de todas as coisas, visíveis e invisíveis, e em um só Senhor Jesus Cristo, o unigênito filho de Deus, gerado de seu Pai antes de todos os mundos, Deus de Deus, Luz de Luz, o próprio Deus do próprio Deus, gerado, não feito, sendo de uma só substância com o Pai; por meio de quem todas as coisas foram criadas…”.
    Existem, na verdade, alguns termos que pedem definição mais precisa, vejamos:
  • Adocianismo: Jesus era um homem de grande virtude que foi adotado por Deus como filho, e, por seus méritos nessa vida, foi alçado à divindade.
  • Trindade Ontológica: Esse termo diz respeito à natureza da Trindade Divina – Três pessoas (homousias) distintas, auto-existentes e eternas na essência da divindade.
  • Trindade Econômica: Esse termo diz respeito às funções de cada uma das pessoas divinas na redenção do homem (e anjos).
    Dessa forma, quando o Credo diz que o Filho foi gerado, não se refere à pessoa do Verbo, mas a funções, que também não foram criadas, pois existem de forma simples, eterna, e imutável na economia da Trindade – O Pai e o Filho e o Espírito Santo.
    Assim sendo, o Credo não está dando a entender que o Verbo foi gerado, no sentido de criação, mas está afirmando que o Verbo é o Filho eternamente, não houve jamais uma situação em que o Filho não existisse. A relação de filiação entre a primeira e a segunda pessoa da Trindade é eterna, imutável e auto existente, tanto quanto a própria Trindade, tanto quanto o próprio Deus.
    Todavia, após o Concílio de Nicéia, muitos perigos continuaram a ameaçar a concepção da pessoa de Cristo, o mais sério veio de Apolinário, ele julgou necessário encontrar uma explicação para a união das naturezas de Cristo em uma única pessoa. A forma que ele encontrou foi negar a realidade da humanidade de Cristo.
    Apolinário afirmou que a natureza do homem era tricotômica em sua natureza, ou seja, o homem seria constituído de corpo, alma e espírito, onde a alma seria o princípio da vida animal e o espírito o elo de ligação com Deus. Segundo ele, a natureza divina do verbo absorveu o espírito de Jesus, formando um ser híbrido que não era homem nem Deus.
    Apolinário teve muitos seguidores, e por isso, a igreja reuniu-se novamente em Constantinopla, no ano de 381 d.C. proclamando a perfeição da humanidade e da divindade de Cristo, banindo Apolinário e seus seguidores do convívio da igreja.
    Após o Concílio de Constantinopla, não houve a paz esperada, surgindo novas contestações sobre a pessoa e natureza de Jesus, apresentando-se duas grandes heresias opostas que colocavam em jogo os credos anteriores: O monofisismo de Eutiques e a dupla personalidade de Nestório.
    Nestorianismo: Existem em Jesus duas pessoas distintas: O Homem Jesus e o Logos divino.
    Monofisismo ou Eutiquismo: Em Jesus só há uma natureza e uma só pessoa, a natureza divina absorveu a natureza humana.
    O Nestorianismo já havia sido condenado no Concílio de Éfeso em 431 d.C., mas voltara com força e o monofisismo de Eutíquio ameaçava a verdadeira pessoa de Jesus, negando a realidade da sua natureza humana.
    Para combater essas heresias poderosas, reuniu-se a igreja novamente no Concílio de Calcedônia, que se definiu rigorosamente contra as duas naturezas e contra a fusão das naturezas.
    Credo de Calcedônia: “Todos nós, com voz uníssona, ensinamos a fé num só e mesmo Filho (uma única pessoa – o Verbo de Deus), Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo o mesmo perfeito na divindade e o mesmo perfeito na humanidade, o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, com alma racional e com corpo, da mesma substância do Pai quanto à divindade e quanto à humanidade da mesma substância que nós, em tudo semelhante a nós menos no pecado…”.
    Por tudo isso, você que se confessa cristão e quer realmente dar significado à sua crença, essa é a pessoa que você deve venerar e adotar como o único e verdadeiro mediador entre Deus e o homem: Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus em uma única pessoa – O Verbo de Deus.
    Essa é uma decisão milenar da igreja, corroborada posteriormente pelo Credo de Atanásio, pelas Institutas e por praticamente todas as confissões reformadas dos séculos XVI e XVII. Quem acredita em outro Jesus, que não é esse de Calcedônia, não pode ser chamado cristão em hipótese alguma.
    O nome da pessoa, na antiguidade, trazia em seu bojo toda a realidade do ser e da natureza da pessoa. Veja a importância do nome, e consequentemente da pessoa de Jesus no verso abaixo.
    João 3,18: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”.
    Essas palavras de Isaías, abaixo, são atribuídas a Cristo pelo apóstolo Paulo, veja a importância que é dada ao nome de Deus.
    Isaías 45,23: “Por mim mesmo tenho jurado; da minha boca saiu o que é justo, e a minha palavra não tornará atrás. Diante de mim se dobrará todo joelho, e jurará toda língua”.
    Isaías 42,8: “Eu sou o SENHOR, esse é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura”.
    Isaías 48,9: “Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a exterminar”.
    Em Malaquias, Deus se manifesta contra os sacerdotes que desprezam o seu nome.
    Malaquias 1,6: “O filho honra o pai, e o servo, ao seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo? — diz o SENHOR dos Exércitos a vós outros, ó sacerdotes que desprezais o meu nome. Vós dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome?”.
    “Minha honra não darei a outrem…”.
    Se Deus preza tanto o seu nome, é que ele preza sua verdadeira natureza, assim como àquele a quem enviou, essa é sua honra. Deus não aceita adoração que não seja dirigida a Ele, em o nome de Jesus, exatamente conforme eles são revelados na Escritura.
    Resumindo, o Credo de Calcedônia não é um ponto inicial para a procura da verdadeira natureza de Cristo, mas um ponto final que deve ser respeitado e defendido com ardor pelos cristãos de todas as épocas.
    Não nos cabe articular ou concluir absolutamente nada após Calcedônia: Estacionar em Calcedônia! Paramos por aqui.
    Extra calvinisticum:
    A natureza divina de Cristo é onipresente e não está encerrada no corpo humano, existindo cosmicamente, fora da natureza humana assumida pelo Verbo, mas sendo pessoalmente ligada a ela, sem assunção, mistura ou confusão (ver Communicatio Idiomatum).
    Cristo – uma só pessoa com duas naturezas: divina e humana, perfeito homem e perfeito Deus. Essa definição foi aprovada nos concílios de Éfeso e Calcedônia, posteriormente, foi composto o Credo Atanasiano, que explica extensivamente todas as afirmações de Calcedônia. Segue abaixo a transcrição das partes relativas à natureza de Cristo.
    O credo de Atanásio
    Credo Atanasiano (27 a 47): “Mas é necessário à eterna salvação que se creia também fielmente na encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, constitui fé genuína que creiamos e confessemos que Nosso Senhor Jesus Cristo é tanto Deus como Homem. Ele é Deus, gerado desde a eternidade da substância do Pai; é homem nascido no tempo, da substância
    de sua mãe. Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de uma alma racional e carne humana. Igual ao Pai no que respeita à sua divindade, menor do que o Pai com relação à sua humanidade. O qual, embora seja Deus e homem, não é dois mas um só Cristo. Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne, mas por sua divindade haver assumido sua humanidade. Um, não, de modo algum, pela confusão de substâncias, mas pela unidade de pessoa. Pois assim como corpo e alma constituem um só homem, assim Deus e homem constituem um só Cristo. O qual sofreu por nossa salvação, desceu ao Hades, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia. Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos”.
    CREDOS E CONFISSÕES DAS DIFERENTES DENOMINAÇÕES
    A IGREJA DE ROMA: APÓS A INSTAURAÇÃO DA REFORMA O PAPA PAULO III CONVOCOU O CONCÍLIO DE TRENTO (1545 A 1563), OS CÂNONES E DECRETOS DO CONCÍLIO DE TRENTO CONSTITUEM A MÁXIMA NORMA DOUTRINAL DA IGREJA ROMANA. OS CÂNONES EXPLICAM CADA DECRETO E AO MESMO TEMPO CONDENAM A DOUTRINA PROTESTANTE RELATIVA AOS TÓPICOS ABORDADOS. NESSE CONCÍLIO FORAM ADOTADOS PELA IGREJA ROMANA OS LIVROS APÓCRIFOS QUE PASSARAM A FAZER PARTE DA BÍBLIA CATÓLICO ROMANA. DEPOIS DISSO VÁRIAS BULAS E DOCUMENTOS PAPAIS FORAM IMPOSTOS COMO PADRÕES DE FÉ DESSA IGREJA. COM RELAÇÃO À PESSOA DE CRISTO A IGREJA ROMANA ADOTA O MESMO PADRÃO DE CALCEDÔNIA.
    A IGREJA GREGA: NO INÍCIO DO SÉCULO VII A IGREJA OCIDENTAL E A IGREJA ORIENTAL, CONHECIDA COMO IGREJA GREGA, FORAM SE DISTANCIANDO ATÉ SUA COMPLETA DIVISÃO NO SÉCULO XI. A IGREJA GREGA AUTODENOMINOU-SE IGREJA ORTODOXA PORQUE OS CREDOS EXISTENTES NA IGREJA FORAM PRODUZIDOS NO ORIENTE. A BASE DOUTRINAL DA IGREJA GREGA SÃO OS CREDOS JÁ MENCIONADOS. A IGREJA GREGA ABRANGE A GRÉCIA, OS CRISTÃOS DO IMPÉRIO TURCO E A GRANDE MAIORIA DOS CRISTÃOS RUSSOS. ELA POSSUI TAMBÉM CONFISSÕES MODERNAS: “CONFISSÃO DE GENADIUS”, DE 1543 D.C. E A CONFISSÃO ORTODOXA” DE PEDRO MOGILAS, DE 1642 D.C.
    A REFORMA
    A REFORMA ORIGINOU-SE DA IGREJA OCIDENTAL, NO INÍCIO DO SÉCULO XVI, ELA DIVIDIU-SE EM DOIS RAMOS PRINCIPAIS, CONFORME DESCRITO ABAIXO: A IGREJA LUTERANA E AS IGREJAS REFORMADAS OU CALVINISTAS.
    A IGREJA LUTERANA: AS IGREJAS LUTERANAS ABRANGEM OS PROTESTANTES DA ALEMANHA, A MAIORIA DAS PROVÍNCIAS BÁLTICAS DA RÚSSIA, DINAMARCA, NORUEGA, SUÉCIA E AMÉRICA. SEUS CREDOS E CONFISSÕES SÃO:
    OS CATECISMOS MAIOR E MENOR DE MARTINHO LUTERO: PREPARADOS POR LUTERO EM 1529 D.C.
    A CONFISSÃO DE AUGSBURG: O ÚNICO PADRÃO ACEITO POR TODAS AS LUTERANAS, FOI ELABORADA POR LUTERO E MELANCHTON E APRESENTADA À DIETA IMPERIAL EM
    AUGSBURG, CIDADE ALEMÃ SITUADA NA BAVIERA, NO ANO DE 1530 D.C. ESSA É A MAIS ANTIGA CONFISSÃO PROTESTANTE.
    A APOLOGIA DA CONFISSÃO DE AUGSBURG : FOI ELABORADA POR MELANCHTON E SUBSCRITA PELOS TEÓLOGOS LUTERANOS EM 1537 D.C., EM ESMERALCADE.
    OS ARTIGOS DE ESMERALCADE (OU ESMALCADE – SCHMALKALDISCHER BUND): ELABORADA POR LUTERO E SUBSCRITA PELOS TEÓLOGOS LUTERANOS EM ESMERALCADE, NA ALEMANHA, NO ANO DE 1537.
    A FÓRMULA DA CONCÓRDIA: PREPARADA POR ANDREAS ALTHAMER E OUTROS TEÓLOGOS, EM VISTA DE CONTROVÉRSIA SURGIDAS QUANTO À GRAÇA DIVINA E A VONTADE HUMANA NA REGENERAÇÃO E À PRESENÇA DE JESUS NA EUCARISTIA. APESAR DESSA CONFISSÃO SER MAIS DESENVOLVIDA QUE A DE AUGSBURG ELA NÃO É ACEITA UNIVERSALMENTE PELAS IGREJAS LUTERANAS.
    AS IGREJAS REFORMADAS OU CALVINISTAS
    A IGREJA REFORMADA, OU CALVINISTA, FOI CONSTITUÍDA INICIALMENTE NA ALEMANHA PELAS IGREJAS QUE ADOTARAM O CATECISMO DE HEIDELBERG, MAIS AS IGREJAS PROTESTANTES DA SUÍÇA, FRANÇA, HOLANDA, INGLATERRA E ESCÓCIA, OS BATISTAS INDEPENDENTES DA INGLATERRA E AMÉRICA E VÁRIOS RAMOS DA IGREJA PRESBITERIANA DA INGLATERRA E AMÉRICA. OS ARTIGOS E CONFISSÕES DA IGREJA REFORMADA SÃO OS SEGUINTES:
    AS TRÊS FORMAS DE UNIDADE
  • O CATECISMO DE HEIDELBERG: PREPARADO POR ZACHARIAS URSINO E CASPER OLEVIANO EM 1562. SEU PROPÓSITO FOI O DE ASSEGURAR HARMONIA NO PALATINATO (O ESTADO GERMÂNICO) E ASSEGURAR O FUNDAMENTO PARA INSTRUÇÃO RELIGIOSA NAS PRÓXIMAS GERAÇÕES.
  • A CONFISSÃO BELGA: PREPARADA EM 1561, SURGIU DA PERSEGUIÇÃO TRAZIDA SOBRE OS REFORMADOS NA BAIXA ESCÓCIA POR PHILIP II. ESSA PERSEGUIÇÃO PRODUZIU UM NÚMERO DE MÁRTIRES QUE “EXCEDEU O DE QUALQUER OUTRA IGREJA PROTESTANTE DURANTE O SÉCULO DEZESSEIS, E TALVEZ ATÉ O DE TODA A IGREJA PRIMITIVA SOB O IMPÉRIO ROMANO”. FOI PREPARADA POR GUIDO DE BRÉS COM A AJUDA DE ADRIEN DE SAVARIA, H. MODETUS E G. WINGEN. FOI APRESENTADA A PHILIP II NA ESPERANÇA DE GANHAR ALGUMA TOLERÂNCIA PARA A FÉ CALVINISTA.
  • OS CÂNONES DE DORT: O SÍNODO DE DORT FOI CONSTITUÍDO POR PROFESSORES, PASTORES E PRESBÍTEROS DA IGREJA DA HOLANDA, DEPUTADOS DAS IGREJAS DA INGLATERRA, ESCÓCIA, HESSE, BREMEN, PALATINADO E SUÉCIA, NO PERÍODO DE 1618 A 1619. ESSE SÍNODO FOI UMA RESPOSTA AOS REMONSTRANTES ARMINIANOS CONFIRMANDO CATEGORICAMENTE A SOBERANIA DE DEUS E A INCAPACIDADE DO HOMEM NA SALVAÇÃO.
    ESSAS TRÊS CONFISSÕES CONSTITUEM A CHAMADA: “TRÊS FORMAS DE UNIDADE”.
    A SEGUNDA CONFISSÃO HELVÉTICA: PREPARADA POR HEIRICH DE BULLINGER E PUBLICADA EM 1566. POR FREDERICO III DA PALATINA (ALEMANHA). FOI TAMBÉM ADOTADA PELAS IGREJAS REFORMADAS DA SUÍÇA, FRANÇA E ESCÓCIA.
    OS TRINTA E NOVE ARTIGOS DA IGREJA DA INGLATERRA: PREPARADOS POR CROMWELL E RIDLEY EM 1551, REVISADOS POR ORDEM DA RAINHA ELISABETH EM 1552. ESSES ARTIGOS SÃO NITIDAMENTE CALVINISTAS E SÃO ADOTADOS PELAS IGREJAS EPISCOPAIS. OS TRINTA E NOVE ARTIGOS DEVERIAM CONSTITUIR A BASE DA CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, MAS DEPOIS DE UM INÍCIO COMPLICADO, A ASSEMBLEIA DECIDIU-SE POR UMA NOVA CONFISSÃO.
    A CONFISSÃO E OS CATECISMOS DE WESTMINSTER
    ESSES SÃO OS PADRÕES DOUTRINAIS DE TODAS AS IGREJAS PRESBITERIANAS DE ORIGEM INGLESA E ESCOCESA, ADOTADOS TAMBÉM PELAS IGREJAS PRESBITERIANAS DOS EUA E BRASIL.
    A CONFISSÃO DE WESTMINSTER, O CATECISMO MAIOR (1648) E O CATECISMO MENOR (1647) FORAM REDIGIDOS NA INGLATERRA, NA ABADIA DE WESTMINSTER, POR CONVOCAÇÃO DO PARLAMENTO. A ASSEMBLEIA FUNCIONOU DE 1/7/1643 A 22/2/1649. O OBJETIVO PRIMÁRIO ERA A REVISÃO DOS TRINTA E NOVE ARTIGOS DA IGREJA DA INGLATERRA. TRABALHARAM NO TEXTO DA CONFISSÃO 121 TEÓLOGOS E 30 LEIGOS NOMEADOS PELO PARLAMENTO (20 DA CASA DOS COMUNS E 10 DA CASA DOS LORDES), 8 REPRESENTANTES ESCOCESES, 4 PASTORES E 4 PRESBÍTEROS.
    OS PRINCIPAIS DEBATES NÃO FORAM DE ORDEM TEOLÓGICA, POIS HAVIA UNIDADE QUANTO À DOUTRINA DA SALVAÇÃO, EMBORA HOUVESSE DIVERSIDADE QUANTO À ECLESIOLOGIA, A ORDEM NA IGREJA. NESSE PONTO, HAVIAM QUATRO PARTIDOS: EPISCOPAIS, INDEPENDENTES (CONGREGACIONAIS), PRESBITERIANOS E ERASTIANOS (ERASTUS DE HEIDELBERG) , ESSES ÚLTIMOS, DEFENDIAM QUE A AUTORIDADE FINAL DA IGREJA DEVERIA SER DO ESTADO E QUE O TRABALHO DO PASTOR DEVERIA SER SOMENTE DE ENSINO.
    OS CATECISMOS DE WESTMINSTER: O BREVE CATECISMO FOI ELABORADO PARA INSTRUIR AS CRIANÇAS; O CATECISMO MAIOR, ESPECIALMENTE PARA A EXPOSIÇÃO NO PÚLPITO, MAS NÃO EXCLUSIVAMENTE. ELES SUBSTITUÍRAM EM GRANDE PARTE OS CATECISMOS E AS CONFISSÕES MAIS ANTIGOS ADOTADOS PELAS IGREJAS REFORMADAS DE FALA INGLESA. APESAR DE A TEOLOGIA DOS CATECISMOS E DA CONFISSÃO DE WESTMINSTER SER A MESMA, SENDO POR ISSO SEMPRE ADOTADOS OS TRÊS, OS MAIS USADOS SÃO O CATECISMO MENOR E A CONFISSÃO.
    ESSES DOCUMENTOS DE WESTMINSTER FORAM APROVADOS PELA ASSEMBLEIA GERAL DA IGREJA DA ESCÓCIA. ELES TIVERAM E TÊM GRANDE INFLUÊNCIA NO MUNDO DE FALA INGLESA, MÁXIMA ENTRE OS PRESBITERIANOS, EMBORA TAMBÉM TENHAM SIDO ADOTADOS POR DIVERSAS IGREJAS BATISTAS E CONGREGACIONAIS. NO BRASIL, ESSES CREDOS SÃO ADOTADOS PELA CONSTITUIÇÃO DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL, PRESBITERIANA INDEPENDENTE E PRESBITERIANA CONSERVADORA.
    A CONFISSÃO DE SAVOY: CROMWEL CONVOCOU UMA CONVENÇÃO CONGREGACIONAL EM SAVOY NA INGLATERRA, EM 1658, APROVOU PARTE DA CFW E REDIGIU UMA NOVA CONFISSÃO. ESSA CONFISSÃO, NO ENTANTO, É TÃO PRÓXIMA DA CFW QUE OS
    INDEPENDENTES MODERNOS TÊM ABANDONADO SEU USO E ADOTADO A CFW. TODAS AS ASSEMBLEIAS, QUE SE REUNIRAM NA INGLATERRA, APÓS A CFW, TEM ENDOSSADO OU ADOTADO A CFW EM SUA FÉ.
    O USO DE CATECISMOS E CONFISSÕES REFORMADOS
    LIMITES: OS CREDOS EVANGÉLICOS, NO QUE SE REFERE À FORMULAÇÃO DOUTRINÁRIA, SÃO RELEVANTES. DEPRECIÁ-LOS, É UMA NEGAÇÃO PRÁTICA DA DIREÇÃO QUE, NO PASSADO, O ESPÍRITO SANTO DEU À IGREJA. OS CREDOS SÃO UMA RESPOSTA DO HOMEM À PALAVRA DE DEUS E SUMARIZAM OS ARTIGOS ESSENCIAIS DA FÉ CRISTÃ. OS CREDOS PRESSUPÕEM A FÉ, MAS NÃO A GERAM; ESSA É OBRA DO ESPÍRITO SANTO, ATRAVÉS DA PALAVRA.
    OS CREDOS E CONFISSÕES NÃO SUBSTITUEM A ESCRITURA, MAS ESCLARECEM E DIRIGEM O CONHECIMENTO ALICERÇADO EM DOIS MIL ANOS DE DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA. A QUESTÃO REAL ENTRE A IGREJA E OS IMPUGNADORES DOS CREDOS É QUESTÃO ENTRE A FÉ PROVADA DO CORPO COLETIVO DO POVO DE DEUS E O JUÍZO PRIVADO E A SABEDORIA NÃO AUXILIADA DO CONTESTADOR.
    OS CREDOS NÃO ESTABELECEM O LIMITE DA FÉ, ANTES A NORTEIAM. AS ESCRITURAS SEMPRE SERÃO MAIS RICAS QUE QUALQUER PRONUNCIAMENTO ECLESIÁSTICO, POR MAIS BEM ELABORADO E FIEL QUE SEJA. A FIRMEZA E VIVACIDADE DA TEOLOGIA REFORMADA ESTÃO JUSTAMENTE EM BASEAR FIELMENTE SEU SISTEMA EM TODO O DESÍGNIO DE DEUS, ATRAVÉS DA SUA PALAVRA.
    A IDEIA DE CREDOS E ESTUDOS DOUTRINÁRIOS DESAGRADAM A MUITAS PESSOAS, QUE OS IMAGINAM COMO DESNECESSÁRIOS À VIDA CRISTÃ. NESSA PERSPECTIVA, A DOUTRINA TEM POUCO VALOR; O QUE IMPORTA É A “VIDA CRISTÔ COM ÊNFASE NAS SENSAÇÕES E EXPERIÊNCIAS, ENCERRANDO A PALAVRA DE DEUS EM UM EVANGELHO PURAMENTE ÉTICO E SOCIAL, TRANSFORMANDO CRISTO EM UM MERO EXEMPLO DE VIDA.
    OS FUNDAMENTOS DA IGREJA
    O apóstolo Paulo compara a igreja a um edifício e descreve os fundamentos do edifício: Os profetas, os apóstolos e Jesus Cristo, que é a pedra fundamental. Em cima desse alicerce o edifício cresce para se tornar o templo de Deus. Da mesma forma os crentes, em todos os tempos, também crescem moldados nesses fundamentos.
    Efésios 2,20-22: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito”.
    O verdadeiro crente não se converte ao entrar no templo, a preparação do crente é uma obra da graça de Deus; antes de receber a fé e o arrependimento, o crente é chamado, justificado e preparado através do Espírito para o
    ingresso no Templo. Os crentes eleitos, somente esses, são as pedras que edificam o templo, elas não são preparadas no local, mas chegam todas preparadas previamente para serem colocadas na construção, como relatado figuradamente no Velho Testamento durante a construção do Templo de Salomão.
    1 Reis 6,7: “Edificava-se a casa com pedras já preparadas nas pedreiras, de maneira que nem martelo, nem machado, nem instrumento algum de ferro se ouviu na casa quando a edificavam”.
    Deus forneceu a Moisés instruções detalhadas quanto à construção do templo, essas instruções foram especificadas em todos os pormenores, assim também a preparação dos crentes é uma obra grandiosa levada a efeito pelo Espírito Santo. Silenciosa e continuamente o Espírito atua na vida dos eleitos de Deus, transformando seus corações, infundindo neles a fé em Cristo e o arrependimento para remissão dos pecados. O crente assim transformado não é meramente um membro de uma igreja local, mas um verdadeiro filho de Deus chamado para receber a justiça perfeita que há em Cristo.
    2 coríntios 3,3: “Estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isso é, nos corações”.
    Essa obra do Espírito não é percebida de imediato, em um momento de sua vida a pessoa fica insatisfeita consigo mesma, com sua vida, aparecem novos interesses, novas propostas, novas aspirações. Isso fica claro nas palavras de David Martin Lloyd Jones:
    Lloyd Jones: “Ser cristão é estar sujeito a uma energia e um poder que está acima do nosso entendimento”.
    Esse é o milagre do novo nascimento, não é visível, não é perceptível, mas é real. O cristão nascido de novo é alguém que só pode ser entendido pelos verdadeiros cristãos, igualmente modelados pelo Espírito. O chamado e a preparação dos filhos de Deus são fatos, e Jesus revela como isso acontece.
    João 3,7-8: “Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.
    Mesmo os ateus tem uma noção inconsciente do novo nascimento, veja abaixo uma declaração do dramaturgo inglês George Bernard Shaw, ateu convicto:
    Bernard Shaw: “A verdadeira virtude não consiste em evitar o pecado, mas em não desejá-lo”.
    A Igreja de Deus: Enfim, a verdadeira Igreja é constituída de crentes justificados, que crêem apenas nas doutrinas bíblicas, que acreditam somente na justiça perfeita de Cristo para sua salvação e que regem suas vidas pela Palavra, fora isso não há Igreja de Deus.
    A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA (LOCAL)
    A igreja local é um corpo organizado e constituído, conforme as diferentes denominações que a constituem, a Igreja de Deus não é passível de qualquer providência da parte dos homens.
    A igreja local, por sua vez, é constituída por ministros que são ordenados conforme normas específicas. As decisões extraordinárias são tomadas por assembleias com atribuições e poderes definidos conforme as regras de cada denominação.
    Existem basicamente quatro tipos de governo nas igrejas:
  • Erastiano ou estatal: De acordo com esse sistema a igreja é submissa ao estado, o chefe da igreja é o chefe de Estado e todos os ministros são funcionários do estado. O governo da igreja, a disciplina e as punições são exercidas pelo estado, cabendo aos ministros apenas a instrução religiosa e a pregação da Palavra. As igrejas anglicana e luterana adotaram esse sistema de governo.
  • Episcopal: Quando sua organização é hierárquica entre os ministros e até mesmo entre as igrejas, sendo a autoridade local e regional exercida por ministros nomeados por autoridades eclesiásticas superiores. Os ministros são diferenciados em cargos e funções, conforme uma hierarquia estabelecida entre eles, e por sua vez, todos são subordinados a um ministro geral que detém toda autoridade da igreja. Como exemplos: A igreja romana e a ortodoxa.
  • Congregacional: Conforme esse sistema, todas as igrejas locais são igrejas completas e independentes, sua administração se faz através de assembleias da congregação não se submetendo a nenhuma outra autoridade senão a sua própria congregação. Os ministros da igreja são funcionários cuja função é o ensino, a pregação e a administração da igreja. Como exemplos: Os batistas e os congregacionais.
  • Presbiteriano: Quando o governo e organização da igreja é efetuado por uma assembleia de oficiais ordenados da igreja. Essa forma de governo foi desenvolvida durante a Reforma Protestante, principalmente na Suíça e na Escócia, sendo hoje adotada nas igrejas presbiterianas em todo mundo. Essa forma de organização e governo consiste em vários concílios, começando pelo concílio dos pastores e presbíteros da igreja local, seguindo-se o Presbitério Regional formado por pastores e presbíteros representantes das igrejas locais, acima desse, os Sínodos com autoridade sobre os Presbitérios Regionais e sobre todos esses o Supremo Concílio como instância máxima de apelação e decisões sobre os assuntos internos e externos da igreja.
    Os meios de graça
    Todas as bênçãos provenientes da salvação têm sua origem na graça de Deus, unicamente pelas virtudes dos méritos de Cristo. Da mesma forma, os meios de graça, são providos por Deus para aperfeiçoamento dos crentes durante sua vida terrena. Berkhof considera como meios de graça somente a Palavra e os sacramentos, Hodge inclui a oração.
    Para efeitos desse estudo serão considerados como meios de graça: A Palavra, a oração e os sacramentos. Em uma avaliação rigorosa, todos os meios de graça provêm da observação e conhecimento da Palavra, e o Espírito somente realiza a conversão por meio dela.
    A igreja não é um meio de graça, nem tampouco uma distribuidora das bênçãos de Deus, que são devidas aos méritos de Cristo e operadas pelo Espírito. Deus faz chover sua chuva sobre bons e maus, mas as bênçãos salvíficas são distribuídas pelo Espírito, somente naqueles que estão unidos eternamente a Cristo (ver união mística).
    Esses meios de graça não se referem à graça comum, pela qual Deus opera a manutenção do universo, mas são meios da graça especial e salvadora, pela qual Deus chama e aperfeiçoa seus eleitos, em Cristo e os regenera, através do Espírito, ao longo de toda sua vida terrena.
    Os meios de graça não agem de forma milagrosa ou excepcional, mas atuam de forma contínua durante toda a vida do crente, preservando sua salvação, fortalecendo sua fé e propiciando o crescimento na graça, que se traduz no conhecimento de Deus, no amor aos irmãos e na fé em Cristo. Esses fatos, somados, conduzem a um inevitável compromisso e mudança de vida que consolida a salvação.
    Além desses aspectos positivos, o crescimento na graça tem a função principal de trazer ao crente a consciência de sua condição decaída e de sua total incapacidade para conseguir ou preservar sua salvação. Calvino diz que, se não sentimos uma profunda insatisfação com nossa natureza pecaminosa, não estamos no caminho da salvação.
    João 16,7-8: “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”.
    A Reforma e os meios de graça:
    Os meios, utilizados pelos crentes e pela igreja, não têm o poder de transmitir a graça de Deus ou de infundir a santidade. Esses meios não são, de tal forma, indispensáveis à salvação que Deus não possa realizá-la à parte deles. A salvação é fruto exclusivo da vontade de Deus em Cristo e Ele não necessita obrigatoriamente da igreja, de seus ministros ou dos meios de graça para realizar a salvação.
    Lucas 23,40-43: “Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas esse nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.
    Todavia e apesar disto, os meios de graça são divinamente ordenados e operados pelo Espírito, quando corretamente usados, em respeito e conexão com a Palavra de Deus.
    Os meios de graça não devem, em nenhuma hipótese, ser relegados como coisa de somenos importância, mas tratados e aplicados com o devido respeito em consonância com a Palavra, sendo necessários e próprios da liturgia de toda igreja cristã e de seus membros em todo o mundo.
    Quanto aos sacramentos, eles são uma representação visível da Palavra, e por esse motivo, devem ser ministrados exatamente de acordo com essa Palavra.
    A LEI E O EVANGELHO
    A lei é tudo aquilo que revela a vontade de Deus em forma de mandamento ou proibição, enquanto o evangelho se refere à obra de reconciliação de Deus com os seus eleitos, em e por Cristo.
    Tanto a lei quanto o evangelho manifestam-se ao longo de toda a Escritura, no Velho e Novo Testamentos. A obra de reconciliação de Deus com seus eleitos, em qualquer dispensação, é realizada somente através da redenção adquirida por Cristo, pois apesar do ato da redenção ser realizado no tempo, o Decreto que a determina é eterno e tem validade em todas as épocas da história da humanidade.
    Apocalipse 13,8: “E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.
    A lei é uma obra que prepara a recepção do evangelho, pois pela lei o homem toma consciência de sua condição pecaminosa. A lei traz a consciência do pecado e da incapacidade humana, criando a necessidade de um redentor, isso já é um fato no livro de Gênesis; quando Deus expulsa Adão e Eva do paraíso, coloca inimizade entre a mulher e Satanás e promete o redentor: A semente da mulher que irá esmagar a cabeça da serpente.
    Gênesis 3,15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Esse te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.
    Pode-se ver esse fato bastante claro na Epístola aos Hebreus, onde a Lei é descrita como um estado preliminar do evangelho.
    Hebreus 7,18-19: “Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus”.
    Hebreus 9,15: “Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.
    Arminianismo:
    Os arminianos (pelagianos), defensores do livre-arbítrio, não aceitam a graça salvadora de Deus. Afirmam a necessidade da obediência evangélica e da fé como mérito próprio, voltando, dessa forma, à doutrina das obras.
    Transformam Cristo em um mero exemplo de vida e a bíblia como um livro de histórias para incentivar o crescimento moral do homem. Não são cristãos em hipótese alguma.
    Dispensacionalismo:
    Os dispensacionalistas apresentam a lei e o evangelho como opostos absolutos, negando a divindade de Cristo, a Trindade Divina, a onisciência de Deus e afirmando a possibilidade dos crentes do Velho Testamento terem sido salvos pela obediência à lei e a realização de boas obras. Não são cristãos em hipótese alguma.
    O cristão está livre das leis cerimoniais e civis que eram voltadas exclusivamente ao povo judeu, mas a lei moral de Deus continua sendo determinante nas obrigações dos homens. Nenhuma pessoa é capaz de cumprir a lei, mas a lei moral é a meta do cristão, que apesar de reconhecer sua incapacidade, caminha sempre guiado pela lei e pelo evangelho.
    Jesus resumiu essa lei moral em dois mandamentos que representam as obrigações dos homens perante Deus e os seus semelhantes.
    Lucas 10,27: “A isso ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.
    Observe que, Jesus introduz nesses mandamentos, já existentes, o “entendimento”, ou seja, a necessidade do conhecimento. Essa é uma condição negada, direta ou indiretamente, pela nova igreja cristã, que se dedica a enaltecer uma vida de alto padrão moral, resultando em um moralismo vazio e o cultivo das aparências como regra de vida.
    O uso da lei na Escritura:
    A lei tem três utilizações principais na Escritura:
  • O uso político: Atende ao propósito de restrição do pecado e promoção da justiça.
    Vemos abaixo, no livro do profeta Samuel, um claro exemplo de que a lei se destinava à obediência, tanto de reis como do povo em geral, essa era uma forma de limitar o poder dos soberanos e trazer o povo a uma obediência superior àquela demandada pelos homens.
    1 Samuel 15,22: “Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros”.
  • O uso pedagógico: Traz ao homem a convicção do pecado e da consciência de sua incapacidade em cumprir as exigências da lei.
    O apóstolo Paulo aborda essa questão de forma clara na Carta aos Romanos, onde ele explica que a função principal da lei é trazer o conhecimento do pecado.
    Romanos 3,20: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”.
  • O uso didático: Apresenta a lei moral como norma de vida para o crente. O fato que o cumprimento perfeito da lei é impossível ao homem, não impede que a lei seja colocada como meta na vida do crente.
    Jesus afirma claramente que a lei moral continua sendo a norma de vida do crente na Aliança da Graça.
    Mateus 5,17: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”.
    Os oráculos da igreja de Cristo
    Os oráculos da igreja de Cristo são esses meios de graça determinados biblicamente: A pregação e a leitura da Palavra, a oração e os sacramentos.
    Os únicos sacramentos instituídos por Cristo são: A Ceia do Senhor e o Batismo. Todos os outros sacramentos são invenções humanas e não devem ser aceitos pelos cristãos.
    A Palavra – João 5,39: “Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim”.
    A Ceia – Lucas 22,19: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isso é o meu corpo oferecido por vós; fazei isso em memória de mim”.
    O Batismo – Mateus 28,19: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”.
    As ordenanças
    As ordenanças podem ser consideradas como o mandato cultural de todos os crentes:
  • O testemunho de Cristo e a pregação do evangelho.
    Nos dias atuais, a irracionalidade tomou conta da igreja cristã, o conhecimento do evangelho e o testemunho verbal têm sido relegados ao esquecimento. Os novos crentes acreditam que darão o testemunho do evangelho de Cristo através de sua própria justiça e santidade refletidas em uma vida de alto padrão moral.
    Esses crentes, cada dia mais farisaicos, reduzem Cristo a um mero exemplo de vida, mas as ordenanças da igreja continuam e continuarão sempre as mesmas: O testemunho verbal e a pregação – nenhum preceito humano pode se sobrepor à Palavra de Deus.
    Isaías 8,20: “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva”.
    As ordenanças e o conhecimento
    Todavia, se o conhecimento é relegado, como darão testemunho daquele que não conhecem? Como fica a missiologia da igreja confiada às mãos de quem não conhece o evangelho real? Isso tem resultado em um número inimaginável de falsos conversos, que acreditam mais no poder do homem que na soberania de Deus.
    João 17,3: “E a vida eterna é essa: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.
    Cristo, o Cabeça da igreja
    A igreja foi feita para Cristo e não Cristo para a igreja
    Jesus Cristo é o fundador da igreja e o Cabeça absoluto dela, ele jamais deixou ordenada a constituição de um homem para ser seu representante sobre a terra, essa reivindicação da igreja de Roma é apóstata e abominável perante Deus e não deve ser aceita em hipótese alguma.
    O mesmo se pode dizer a respeito dos ministros, carismáticos ou não, que se interpõem entre o crente e Deus. Na verdade esse é um problema que existe por causa dos frequentadores das igrejas, que acreditam no poder dos homens antes da soberania de Deus.
    As igrejas-Estado da Alemanha e Inglaterra reconhecem em seus governantes políticos a supremacia sobre a igreja, a ponto de transformar essa afirmação em Artigo de Fé na Igreja da Inglaterra.
    Não existe nenhum fundamento ou base escriturística para sustentar essas heresias da igreja de Roma, das Igrejas-Estado e dos modernos crentes que se dizem cristãos.
    Mateus 23,8: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos”.
    Cristo governa a igreja através da Palavra, a igreja que não é fiel à Palavra não é fiel a Cristo. Cristo está presente na igreja, tanto para cegar os réprobos quanto para preservar seu povo até o final dos séculos, a obrigação da igreja e de todos os seus ministros não é agradar a homens, mas somente pregar a Palavra e louvar a Deus.
    Lucas 12,49: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra e bem quisera que já estivesse a arder”.
    Somente através da Palavra, o povo escolhido por Deus, o Pai, recebe a graça pela justiça perfeita que há em Cristo e tem sua preservação eterna na comunhão do Espírito Santo.
    Mateus 28,20: “Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.
    A igreja e o Estado
    A suprema autoridade para o crente é a Escritura, estando acima do Estado, da igreja e de seus concílios. Dessa forma, a obediência do crente às leis civis e militares constituídas pelo Estado, e também às normas da igreja local, fica sempre restrita à Palavra de Deus, assim como as obrigações familiares, sociais e todas as coisas que fazem parte da vida do crente em todas as situações.
    Mateus 10,37: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim”.
    É sempre preciso considerar que a igreja e o Estado são instituições diferentes, a igreja não deve interferir nos assuntos de Estado e vice-versa. Todavia, a igreja local está limitada tanto às leis civis, relacionadas à sua atividade, bem como à Palavra e às normas de fé estipuladas pela representação da denominação a que pertence.
    Mateus 22,21: “Responderam: De César. Então, lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
    A autoridade da igreja
    A autoridade da igreja sob o ponto de vista negativo
  • A autoridade da igreja nunca está acima da Escritura, todas as decisões, normas e Decretos das igrejas através de sua constituição, leis, concílios e sínodos devem se submeter à Escritura em primeiro lugar.
  • Os sínodos e concílios da igreja não têm o direito de interferir ou influenciar quaisquer decisões do Estado.
  • Os poderes dos sínodos e concílios são meramente declarativos, em função da Palavra de Deus, não tem caráter legal ou executivo do ponto de vista civil.
    Sob ponto de vista positivo
  • Compete aos sínodos, concílios e congregações:
  • Formular, adotar ou alterar a constituição e legislação para o governo da igreja, bem como estabelecer as regras de fé da igreja e formular ou adotar credos e confissões para dirigir doutrinariamente a igreja.
  • Estabelecer, modificar ou adotar regras para o culto público, louvor e aplicação dos sacramentos.
  • Decidir sobre questões de fé, doutrina e problemas de consciência.
  • Examinar e julgar casos de disciplina, problemas administrativos e patrimoniais da igreja.
  • Ensinar e exigir aos membros e oficiais da igreja a obediência e cumprimento dos deveres com relação às autoridades civis, lembrando sempre que a Escritura é a regra máxima de fé do cristão, e a lei civil deve ser respeitada e obedecida quando não em contradição ou negação da Palavra de Deus.
    Caso os membros ou oficiais da igreja procedam em desacordo com a legislação vigente no país de origem ou no país em que eles se encontram, adotando atitudes de flagrante desrespeito ao patrimônio, à moral ou aos bons costumes, eles não devem ser protegidos pela igreja, mas entregues às autoridades competentes para julgamento.
    Oficiais da igreja no Novo Testamento
  • Apóstolos: A rigor, somente os doze escolhidos diretamente por Jesus, mais o substituto de Judas e Paulo são considerados apóstolos. A tarefa realizada pelos apóstolos foi estabelecer os fundamentos da Palavra e da igreja em todo o mundo.
  • Profetas: O Novo Testamento fala da existência de profetas na igreja primitiva, eles possuíam o dom de profecias para ensinamento e revelação de mistérios e de acontecimentos futuros. Esse dom de profecias não tem mais sentido após o fechamento do cânon bíblico.
  • Evangelistas: O Novo Testamento refere-se também aos evangelistas, que acompanhavam e auxiliavam os apóstolos, sendo também por esses designados para missões especiais. É o caso de Timóteo, Tito, Marcos e Filipe.
  • Presbíteros: Os presbíteros eram encarregados do governo e administração da igreja, eram os pastores que presidiam o rebanho que estava a seus cuidados – Tiago, o irmão do Senhor.
  • Mestres: No início da igreja não havia necessidade de mestres, o rebanho era pequeno e os apóstolos estavam presentes, mas com o crescimento da igreja surgiu a necessidade desses oficiais que se dedicavam ao ensino da Palavra, aliviando a função dos presbíteros.
  • Diáconos: Os diáconos eram encarregados da administração da igreja, em particular das obras sociais, das ofertas recebidas e de sua distribuição entre os fiéis e os pobres.
    A SITUAÇÃO DA IGREJA LOCAL NOS TEMPOS ATUAIS
    A igreja com propósitos
    A igreja evangélica, apesar do crescimento físico, está em franca decadência doutrinária, vários fatores têm contribuído para isso, seguem abaixo os principais, ambos interligados e decorrentes um do outro: A modernidade, o movimento de crescimento na igreja e a pós-modernidade (irracionalismo).
  • A modernidade e o movimento de crescimento da igreja
    A modernidade é o sistema do mundo, produzido pelo progresso tecnológico e científico. O movimento de crescimento na igreja é a utilização das ferramentas da modernidade no crescimento físico e econômico da igreja – O mundo dentro da igreja, ou a igreja no mundo, como preferir.
    É preciso, todavia, esclarecer a diferença entre a modernização, que é um processo natural que tem origem nas inovações tecnológicas e científicas, e o modernismo, que é um sentimento de sedução pelo brilho do mundo. A modernização é uma consequência inevitável do progresso, enquanto o modernismo (e o pós-modernismo) são manifestações do ego humano inflado pela sedução do mundo.
    Marcos 4,19: “Mas os cuidados do mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra, ficando ela infrutífera”.
    Os evangélicos modernistas de hoje não estão mais separando o mundo da igreja, estão abraçando o mundo e uma dessas principais manifestações é o movimento de crescimento das igrejas. O início desse movimento pode ser identificado com Donald Mc Gravan, professor do Seminário Fuller e fundador do Instituto do Crescimento da Igreja.
    As igrejas substituíram a verdade bíblica por entretenimento, os membros e os atuais ministros são doutrinariamente ignorantes, porque na igreja com propósitos a Palavra constrange os membros, que buscam na igreja, prosperidade, bem-estar material, alívio psicológico e não suportam a sã doutrina.
    Os novos evangelistas estão sendo treinados para seguir o consenso do grupo, conforme o conceito da dialética () hegeliana e técnicas gerenciais mundanas, dirigidos por líderes que não tem nada a ver com a Palavra e os preceitos de Deus. () A dialética é o conceito segundo o qual não existe uma verdade absoluta como revelado pela Escritura, mas afirma que a verdade é relativa e muda conforme a cultura e a época histórica. Por isso, essa verdade relativa deve ser buscada no consenso do grupo, e à medida que o grupo chega a um consenso, essa nova verdade será contestada gerando um novo conceito. Esse processo se repete indefinidamente ao longo do tempo, estabelecendo sempre novos conceitos e novas verdades, sempre sujeitos a mudanças e novas avaliações.
    Lloyd Jones: “Podemos ir adiante e dizer que certamente não há nada que seja tão completamente tolo e calamitoso quando pensamos na Igreja, como pensar na igreja em termos de tamanho e de número. Mas esse é o pensamento determinante hoje. Entretanto, como isso é anti escriturístico! Nós cantamos em nossos hinos: “poucos fiéis”. A Bíblia está repleta de ensinamentos sobre a doutrina do remanescente, Deus não opera por meio de grandes batalhões, Ele não se interessa por números; Ele está interessado na pureza, na santidade, em vasos aptos e próprios para o uso do Senhor. Não devemos concentrar a nossa atenção em números, e sim na doutrina, na regeneração, na santidade, na compreensão de que esse edifício é um templo santo no Senhor, uma habitação de Deus”.
    O movimento de crescimento da igreja não tem o suporte de teólogos de expressão dentro do cristianismo, mas de discípulos mundanos do culto à personalidade. A ideia é que o sucesso gera mais sucesso, a metodologia na frase abaixo de um dos discípulos mais famosos do movimento é a de seguir o líder.
    Win Am: “Treinandos que saem de igrejas vitoriosas e têm sido treinados por homens que são eles próprios multiplicadores de igrejas, são geralmente eficazes”.
    Os aderentes desse movimento apresentam exemplos bíblicos e históricos de liderança: Neemias, Paulo, Calvino, Lutero. Nada pode ser mais equivocado, esses líderes cristãos nunca foram apologistas de: “Siga o líder”.
    A ideia de todos os verdadeiros líderes cristãos de todas as épocas é: “Siga Cristo”.
    Quando os religiosos passam a depositar sua confiança em outros homens no lugar de Cristo e consideram isso normal, existe de fato, um grande problema na igreja.
    Mateus 23,8: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos”.
    O conceito de liderança também é estendido à igreja local através da igreja líder, que será uma igreja que tem conseguido sucesso numérico e financeiro;
    será que era isso que Jesus pretendia quando fundou sua igreja? O erro fundamental do movimento é asseverar que o crescimento da igreja está vinculado aos ministros seguirem os passos de um líder de crescimento, ora, quem provê o crescimento (real) da igreja é Deus.
    1 Coríntios 3,6: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus”.
    Segue abaixo mais uma declaração de um dos especialistas do movimento, George Barna:
    George Barna: “Muitas pessoas julgam o pastor não pela sua capacidade de pregar, ensinar ou aconselhar, mas pela sua capacidade de fazer a igreja funcionar tranquila e eficientemente. Na essência ele é julgado como um homem de negócio”.
    Na igreja com propósitos, espera-se do pastor, que assuma uma posição gerencial em relação à igreja, como se fosse o diretor geral de uma empresa. O movimento de crescimento é uma aliança de líderes comprometidos com a meta de crescimento físico da igreja. É um fato que esses líderes usam o nome de Cristo, usam-no, porém, em contrariedade com a Escritura.
    A premissa fundamental do movimento é que os esforços e resultados na evangelização podem ser medidos, a eficácia pode ser avaliada através das estatísticas das pessoas convertidas. Tudo isso, só pode ser feito pelo método científico, pois não existe possibilidade bíblica para essa avaliação, somente Deus conhece aqueles que foram realmente convertidos.
    E o mote do movimento é que o crescimento da igreja deve ser buscado através do nome de Cristo transformado em uma estratégia de marketing. Isso não é somente herético, como blasfemo, o método científico não pode jamais ser usado para avaliar a real conversão e a obediência aos mandamentos de Cristo.
    Mateus 15,9: “E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens”.
    O que o movimento de crescimento pretende é encontrar o melhor método gerencial para ser utilizado, o movimento usa um esquema de marketing secular, onde um líder dinâmico e convincente procura outras pessoas que sejam dinâmicas e convincentes, essas pessoas recebem os conceitos do líder e o crescimento se desenvolve.
    Nenhum crente pode negar que o crescimento da igreja é necessário, mas qual crescimento? Material ou espiritual? Seguindo líderes carismáticos ou seguindo Cristo?
    O problema está na definição dos termos: O que é a igreja para esses líderes e o que é a Igreja de Deus para os cristãos. Os grandes exemplos do movimento, Billy Graham, Mc Quilkin e Peter Wagner colocam a ênfase da evangelização na vontade do homem, como afirma Peter Wagner: “O objetivo do evangelismo é persuadir homens e mulheres…”. Ora, todos sabem que o objetivo do evangelismo é levar a Palavra, nenhum pregador tem a capacidade de persuadir, somente Deus pode fazer isso.
    Mateus 23,15: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós!
    Uma pergunta que fica no ar é a seguinte: Como evangelizar onde os meios justificam os fins, sem uma confissão comum, sem uma base doutrinária estabelecida? O que é evangelização afinal, sentar a pessoa na igreja?
    A meta estabelecida parece ser a seguinte: Apropriar-se de seus dízimos.
    Uma meta de crescimento físico não pode substituir uma confissão doutrinária, existe no movimento de crescimento da igreja uma confissão doutrinária comum? A resposta é: Não!
    OS 40 DIAS DE COMUNIDADE DE RICK WARREN
    A Torre de Babel, esse é o exemplo que Rick Warrren cita como modelo ideal do que os homens podem conseguir trabalhando em equipe. Em 30 de Outubro de 2004, na Igreja da Comunidade de Saddleback, condado de Orange/CA – USA, foi pela primeira vez louvado, no meio eclesiástico, o exemplo da torre de Babel.
    Em sua pregação o pastor Rick Warren apresentou a Torre de Babel como um modelo e exemplo do que os membros das igrejas conseguiriam se trabalhassem em conjunto: Os quarenta dias de comunidade. Essa promoção da torre de Babel como modelo desejável foi levada a setecentas igrejas ali reunidas e repassadas por muitas delas.
    Os meios justificam os fins, o treinamento a liderança e a vontade dos homens determinam o destino da igreja, essa é a ideia difundida pelo movimento. Todo o significado profético e histórico da construção da Torre
    foi abandonado, ele afirmou que a equipe reunida para construção da torre, sob a liderança de Ninrode trabalhou em perfeita sintonia, devendo ser tomada como exemplo para os quarenta dias de Comunidade.
    Somente abandonando por completo a revelação bíblica, alguém poderia tomar a maior abominação do orgulho contra Deus em todos os tempos como exemplo a ser seguido por cristãos. Enxergar a igreja como uma empresa voltada para o crescimento físico é desprezar completamente todos os ensinamentos de Nosso Senhor e certamente, tal como a Torre, um claro exemplo de rebelião obstinada contra Deus.
    Gênesis 11,4: “Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus () e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra”. () “Chegue até aos céus”: Expressão característica de um projeto desmesurado, que pretende ultrapassar todos os limites.
    Nota teológica da Bíblia de Genebra: “Eles foram movidos pelo orgulho e ambição, preferindo sua própria glória que a glória de Deus”.
    As cidades da Mesopotâmia tinham um templo, com uma torre em forma de pirâmide com degraus, chamada zigurate. Nesse relato, a torre de Babel não aparece como um templo ou símbolo religioso; é antes, expressão da soberba humana que se propõe construir uma civilização para a sua própria glória sem consideração a Deus.
    Isaías 14,13-14: “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo”.
    As lendas hebraicas contam que Sem, após o episódio da Torre de Babel, matou Ninrode, esquartejou-o e enviou os pedaços aos seus parceiros na construção da Torre para que jamais ousassem novamente desafiar o poder de Deus.
    Os princípios dos 40 dias de comunidade estão baseados na formação e funcionamento de pequenos grupos dentro da igreja, com metas definidas em termos numéricos e materiais conforme métodos empresariais modernos. Isso está muito longe dos ensinamentos de Cristo, quantas dessas pessoas que “aceitam” a Jesus são salvos?
    Mateus 7,14: “Porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela”.
    Cornélius Van Till: “O liberalismo e o modernismo podem ser facilmente reconhecidos, pois negam as origens sobrenaturais da fé. É uma filosofia naturalista que rejeita a transcendência de Deus e de Jesus Cristo, e coloca a confiança na bondade humana e em seus movimentos progressivos. É uma fé humanista que vê o indivíduo e a sociedade como o foco da religião organizada”.
    Esse princípio de liberalidade na autoridade religiosa é baseado em um Jesus humanizado, despido de suas qualidades históricas e divinas. Esse Cristo moderno reconstruído pela ideologia do movimento modernista não é o Senhor e Salvador a cujo caráter Deus moldará seus filhos, o cristianismo histórico é totalmente contrário ao pragmatismo.
    A busca da comunidade são os desejos e anseios das pessoas, os sermões serão simples, curtos e voltados à satisfação pessoal dos ouvintes, sermões simpáticos, com assuntos selecionados para agradar aos ouvintes. O que diz o apóstolo Paulo a esse respeito?
    Atos 20,26-27: “Portanto, eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus”.
    A estratégia do movimento de crescimento da igreja é baseada em um sistema gerencial moderno nos moldes empresariais; a fé evangélica deve ser prática, deve competir com programas sociais e de autoajuda, deve prometer riqueza, saúde e felicidade.
    Essa proposição do pragmatismo é tanto adequada para Testemunhas de Jeová, Espíritas, Mórmons, Maçons e Católicos Romanos quanto para a igreja evangélica. Será que alguma coisa desse tipo pode ser considerada cristã?
    Mateus 22,16: “E enviaram-lhe discípulos, juntamente com os herodianos, para dizer-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro e que ensinas o caminho de Deus, de acordo com a verdade, sem te importares com quem quer que seja, porque não olhas a aparência dos homens”.
    Outro exemplo muito claro do pragmatismo versus a Palavra de Deus é visto na passagem do homem de Deus de Judá, esse homem recebeu instruções para executar certa tarefa e voltar sem comer ou beber. Outro profeta, envolvido pelo pragmatismo, convenceu o homem de Deus a comer e beber,
    porque era realmente uma situação de praticidade e de conforto para o homem de Deus, que aconteceu?
    1 Reis 13, 17-24: “Porque me foi dito pela palavra do SENHOR: Ali, não comerás pão, nem beberás água, nem voltarás pelo caminho por que foste. Tornou-lhe ele: Também eu sou profeta como tu, e um anjo me falou por ordem do SENHOR, dizendo: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e beba água. (Porém mentiu-lhe.) Então, voltou ele, e comeu pão em sua casa, e bebeu água. Estando eles à mesa, veio a palavra do SENHOR ao profeta que o tinha feito voltar; e clamou ao homem de Deus, que viera de Judá, dizendo: Assim diz o SENHOR: Porquanto foste rebelde à palavra do SENHOR e não guardaste o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te mandara, antes, voltaste, e comesse pão, e bebeste água no lugar de que te dissera: Não comerás pão, nem beberás água, o teu cadáver não entrará no sepulcro de teus pais. Depois de o profeta a quem fizera voltar haver comido pão e bebido água, albardou para ele o jumento. Foi-se, pois, e um leão o encontrou no caminho e o matou; o seu cadáver estava atirado no caminho, e o jumento e o leão, parados junto ao cadáver”.
    O pacto de Deus com os homens é unilateral e só depende de Deus, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de manifestar Deus sua misericórdia, a aliança de Deus não é construída com pragmatismo, mas com obediência à Palavra.
    Benjamin B. Warfield: “É muito claro que aquele que modifica os ensinos da Palavra de Deus, no menor particular, numa citação de qualquer opinião formada pelo homem, já se apartou do fundamento cristão, e já é, em princípio, um herege”.
    O Pós-modernismo:
    Não há muito o que falar sobre o pós-modernismo, o reflexo desse movimento, que vem após o modernismo, é pior que os anteriores e se manifesta no irracionalismo que tomou conta da igreja. Não existem mais verdades: a tolerância, o inclusivismo e o movimento ecumênico são as metas da nova igreja, que serve para todas as crenças e modismos. Dessa forma, a escritura é considerada radical e ofensiva, a pregação é de tolerância para todas as crenças, a verdade não importa mais.
    Essa última posição tem dominado a moderna igreja, que se destrói dentro de si mesma. Todos os ataques do mundo à igreja resultaram em fortalecimento e crescimento doutrinário, mas essas novas versões acima, vieram para ficar e destruir.
    Qual o ensino de Jesus?
    O que ensina Nosso Senhor? Jesus nunca se preocupou com os números de seus discípulos, sua preocupação era sempre com a fidelidade à doutrina, a firmeza e consistência daqueles que foram escolhidos para o seguir.
    Mateus 8,19-22: “Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. E outro dos discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai, Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa aos mortos sepultar os seus mortos”.
    Lucas 9,61-62: “Outro lhe disse: Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa. Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus”.
    Jesus está dizendo: Pense no que realmente quer, avalie sua posição, Jesus procura seguidores com consistência e não pessoas deslumbradas.
    Lucas 14,28: “Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir?”.
    Quando se analisa seriamente o evangelho, vê-se que Jesus mais rejeitava pessoas que as chamava. Quando Jesus enviou os setenta e dois discípulos, eles voltaram deslumbrados e entusiasmados com seu próprio poder, Jesus, porém, refreando a vaidade deles, confirmou decididamente a doutrina da predestinação: “Ninguém poderá vir a mim, se pelo Pai não lhe for concedido”. Seus discípulos, ouvindo isso, revoltaram-se e o abandonaram.
    João 6,65-66: “E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido. À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele”.
    Quando os discípulos abandonaram Jesus, ele ficou preocupado e procurou agradar aos apóstolos para que eles também não o abandonassem?
    João 6,67: “Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?”.
    Jesus nunca fez um apelo, nenhum dos apóstolos jamais fez um apelo sequer, quem chama é Deus. Quando a soberania de Deus é abandonada para construir uma igreja de números, somente se pode construir uma igreja mundana, essa igreja não tem nada a ver com Nosso Senhor.
    De forma totalmente contrária, pouquíssimos ministros da Palavra se atrevem a proclamar as verdades do evangelho nos dias atuais, pois é mais fácil agradar aos homens que agradar a Deus.
    Quando Jesus partiu desse mundo, deixou atrás de si um pequeno número de discípulos, sem formação religiosa, rudes e incultos, para continuar sua obra, a qualidade básica dessas pessoas era a fidelidade ao evangelho. Esse é o método de Jesus, o líder cristão é moldado conforme o caráter de Cristo. Se o pretenso líder age sem conformidade com Cristo não é um líder cristão de forma alguma, pode ser um gerente excepcional, um grande administrador, um líder popular, mas nunca um líder cristão.
    Os líderes cristãos são chamados por Deus na eternidade, não se fazem nesse mundo.
    Romanos 8,29: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.
    Os maiores períodos de avivamento da história do cristianismo foram: A Reforma, o grande reavivamento na Inglaterra no século XVIII e a igreja dos puritanos na América.
    Nenhum desses períodos caracterizou-se por um crescimento gerencial da igreja ou por uma metodologia de captação da simpatia dos homens, pelo contrário, era extremamente complicado ser reformado em meio à perseguição da igreja de Roma e os príncipes aliados, e também muito difícil ser admitido como membro da igreja ao tempo dos puritanos. Segue abaixo mais uma citação de Lloyd Jones:
    David Martin Lloyd Jones: “Deus só pode habitar numa Igreja pura – não necessariamente numa Igreja grande, mas numa Igreja pura, pura na doutrina e pura na vida. Pode parecer surpreendente, mas não hesito em asseverar, mesmo hoje, que o maior problema da Igreja atualmente é que ela é grande demais”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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